11 de jun de 2010

Moonspell - Night Eternal (2008)

sexta-feira, junho 11, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****

O grupo português Moonspell é, indubitavelmente, um dos nomes mais criativos e interessantes do heavy metal há quase duas décadas. Formada em Lisboa em 1992, a banda liderada pelo vocalista Fernando Ribeiro possui discos marcantes em sua carreira, como Wolfheart (1995), Irreligious (1996), Sin / Pecado (1998) e The Butterfly Effect (1999), obras que tiveram um impacto considerável não só na cena black metal, mas também foram fundamentais para o surgimento e consolidação do chamado gothic/dark metal.

O quinteto – além de Ribeiro, o grupo conta com Ricardo Amorim (guitarra), Pedro Paixão (teclado e guitarra), Don Aires Pereira (baixo) e Mike Gaspar (bateria) – mantém uma produtividade constante, e, acima de tudo, a qualidade de seus trabalhos é tradicionalmente alta, fazendo a banda não só manter a sua popularidade, mas também aumentar progressivamente a sua base de fãs.

Night Eternal, lançado originalmente em 19 de maio de 2008, não foge à escrita. Pesado e maligno, reafirma a capacidade do Moonspell em construir obras que mexem com os sentimentos mais primais do ser humano. O disco foi gravado na Dinamarca, no AntFarm Studio, e conta com a produção de Tue Madsen, que já havia trabalhado com os caras em Under Satanae, álbum lançado em 2007 apenas com regravações de faixas do início da carreira do grupo.

A banda manteve as características de seus últimos discos, como a dramaticidade, a beleza de arrepiantes melodias sombrias e a agressividade, que faz o som bater como um chute no peito. Entre as faixas, destaque para “At Tragic Heights”, “Scorpion Flower” - excelente composição onde Fernando Ribeiro faz um dueto com Anneke van Giersbergen, ex-The Gathering -, “Moon in Mercury” e para a dobradinha final com “Spring of Rage” e “First Light”, essa última com a participação das vocalistas Carmen Simões, Sofia Vieira e Patrícia Andrade.

Um excelente disco, Night Eternal foi lançado no Brasil em uma versão dupla, contendo o álbum e um DVD bônus pra lá de atraente. Nele estão presentes duas versões de “Scorpion Flower” e mais três faixas - “Age of Mothers”, “Earth of Mine” e “Unhearted”. Além disso, o DVD traz três músicas gravadas ao vivo no Wacken de 2007 - “Finisterra”, “Memento Mori” e “Blood Tells” -, o clipe de “Finisterra” e o making of dos vídeos promocionais de “Finisterra” e “Luna”.

Night Eternal mantém o Moonspell como um dos grupos mais originais e influentes da música pesada, e aponta para um futuro que promete muitas alegrias para os fãs do grupo.



Faixas:

CD 1
1.At Tragic Heights – 6:51
2.Night Eternal – 4:09
3.Shadow Sun – 4:24
4.Scorpion Flower – 4:33
5.Moon in Mercury – 4:22
6.Hers in the Twilight – 4:53
7.Dreamless (Lucifer and Lilith) – 5:16
8.Spring of Rage – 4:04
9.First Light – 5:43

DVD Bônus

Músicas:
1.Age of Mothers
2.Earth of Mine
3.Unhearted
4.Scorpion Flower (Dark Lush Cut) by Orchestra Mortua
5.Scorpion Flower (The Feeble Cut) by [F.E.V.E.R.]

Vídeos:
1.Finisterra (Live at Wacken Open Air 2007)
2.Memento Mori (Live at Wacken Open Air 2007)
3.Blood Tells (Live at Wacken Open Air 2007)
4.Finisterra (vídeoclipe)
5.Finisterra (making of)
6.Luna (making of)

10 de jun de 2010

Vitor Ramil - Délibáb (2010)

quinta-feira, junho 10, 2010

Por Rafael Manfrim Froner
Colecionador
Os Armênios


Cotação: ****1/2


São raros os casos onde uma reinvenção musical é vista com bons olhos. Mais raros ainda são os casos onde essa reinvenção dá certo e projeta o artista para outros universos. Vitor Ramil se encaixa no segundo caso. Mesmo tendo uma carreira de relativo sucesso nacional desde os anos oitenta, foi a partir do seu disco Ramilonga, de 1997, que ele desenvolveu sua chamada Estética do Frio e remodelou seu som.

A Estética do Frio pode ser conceituada como algo que é definidor e modelador do Rio Grande do Sul, mas que Ramil se deparou apenas anos após, vivendo no Rio de Janeiro. As diferenças do RS perante o Brasil (ou ´brasis`) podem ser produtos de muitos fatores, mas são primordialmente ligadas ao clima e à geografia, e que o gaúcho não se encontra na periferia de um centro distante ao norte, nem ao norte de um outro centro ao sul, mas sim no centro – que une os universos distintos da pampa fria, do prata introspectivo e da extroversão lírica das regiões tropicais ao norte.

A partir de Ramilonga Vitor gravou outros três álbuns: Tambong (2000), Longes (2004) e Satolep Sambatown (2007), todos os três com o elemento circular e orgânico da milonga com uma roupagem sofisticada e limpa. Aliás, ele utiliza elementos que poderiam soar um pouco descontextualizados em um trabalho de tal temática – como a cítara indiana -, mas que acabam casando perfeitamente justamente por não se tratar de um disco de milongas campeiras e nativistas, mas de uma milonga que descobriu o asfalto, o apartamento, o computador – uma milonga que mudou de ares.


É impossível falar de seu último lançamento sem citar esses precedentes. Délibáb é a consolidação da milonga como vertente principal da obra de Vitor Ramil, que optou por musicar doze poesias e milongas alternadas de dois pampeanos: o aclamado escritor argentino Jorge Luis Borges e o celebrado poeta campeiro pelotense João da Cunha Vargas. Algo que se nota de primeira é a ausência de percussão. Isso torna o disco muito mais leve que os antecessores. Magistralmente bem tocado, percebe-se que houve um cuidado especial na elaboração das linhas de violão e seus timbres.

Não sei se foi intencional, mas as milongas do argentino e do riograndense possuem suas diferenças. As de Borges certamente encontram-se numa atmosfera mais urbana, e até mesmo mais fria. Músicas como “Milonga de Los Orientales”, “Milonga de Albornoz”, “Milonga de Los Hermanos” e a regravação de “Milonga de Manuel Flores” - que já era uma bela peça e melhorou em relação à versão original dos anos oitenta – não nos lembram campos ensolarados, mas ruas em meio ao nevoeiro. Em contrapartida, a melhor execução borgeana do álbum me pareceu “Milonga de Los Morenos”, cuja participação vocal de Caetano Veloso se encaixa como uma luva no clima tropical da faixa.

Mas as faixas dos poemas de Cunha Vargas são o grande destaque do disco. Milongas de levadas rurais, tons bucólicos e melodias mais doces, se adequando à temática folclórica do autor e à língua, como “Pé de Espora”, “Pingo à Soga”, “Chimarrão” e “Tapera”. Talvez pelo próprio Ramil ser lusófono – ou talvez pelo próprio autor deste texto o ser -, há algo nas milongas de Cunha Vargas que faz o ´enganche` e deixa o centroavante na cara do gol.

O único destaque do disco que eu realmente poderia chamar de negativo é a regravação de “Deixando o Pago”. Mesmo sendo tradicional de Ramil regravar suas músicas, essa nova versão tornou-se quase desnecessária, já que a única mudança realmente notória é no andamento mais lento, que acabou desagregando em qualidade.


A ausência de elementos adicionais universais, tão característicos nas milongas de Ramil, pode ser sentida, mas não ressentida, nesse álbum justamente por sua proposta. Délibáb é um disco de milongas por excelência: rigoroso, profundo, claro, conciso, puro, leve e melancólico.

Enfim, um trabalho de alto nível e muito bom gosto. Vitor Ramil vem junto com uma geração de artistas gaúchos, uruguaios e argentinos provando, álbum após álbum, que a milonga e o folclore não devem ser encarados apenas como representações de um estilo de vida antigo, música de bombachudos, dos CTGs ou dos churrascos de domingo, mas sim como um estilo musical que nos define culturalmente e geograficamente no mundo.

Essa aproximação da cultura rural e folclórica do mundo platino e pampeano, no qual o Rio Grande do Sul está irremediavelmente inserido, com o universo urbano que envolve grande parte da população, está ocorrendo e é, de certo modo, necessária no infindável ciclo da renovação cultural, tornando este disco de Vitor Ramil não um registro isolado, mas sim um novo capítulo na vida do artista e de uma tendência musical que vem se consolidando paulatinamente nesse canto da América do Sul.

Faixas:
1.Milonga de Albornoz – 2:31
2.Chimarrão – 4:34
3.Milonga de Los Morenos – 3:01
4.Mango – 3:34
5.Milonga de Los Hermanos – 3:48
6.Tapera – 3:45
7.Un Cuchillo en el Norte – 3:19
8.Deixando o Pago – 4:20
9.Milonga de Manuel Flores – 2:27
10.Pé na Espora – 3:28
11.Milonga de Los Orientales – 4:18
12.Pingo à Soga – 3:48

Confira o setlist do primeiro show da nova turnê do Iron Maiden

quinta-feira, junho 10, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

(foto retirada do Blog Flight 666)

Iniciou ontem, em Dallas, no Texas, a aguardadíssima The Final Frontier Tour, nova turnê do Iron Maiden pelos Estados Unidos e Canadá, e que antecipa o lançamento do álbum The Final Frontier, que chega às lojas no dia 16 de agosto. Os shows contam com a abertura do Dream Theater.

Veja abaixo o setlist apresentado pela banda no show de Dallas:

1. The Wicker Man
2. Ghost of the Navigator
3. Brighter Than a Thousand Suns
4. El Dorado
5. Pashendale
6. The Reincarnation of Benjamin Breeg
7. These Colours Don´t Run
8. Blood Brothers
9. Wildest Dreams
10. No More Lies
11. Brave New World
12. Fear of the Dark
13. Iron Maiden
14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free

Na minha opinião um bom set, renovado com a presença maciça, e surpreendente, de canções recentes, lançadas do álbum Brave New World para cá. As onze primeiras faixas são "novas", compostas por esse line-up atual. A parte final conta com os clássicos obrigatórios, dessa vez com o retorno de "Running Free", faixa que não era tocada ao vivo já a algum tempo. Eu só trocaria "Fear of the Dark" por um clássico perdido dos anos oitenta, como "Infinite Dreams" por exemplo. Mas, no geral, o setlist foi bem interessante, e eu gostei bastante.

E vocês, o que acharam das músicas tocadas pelo Iron Maiden no primeiro show da The Final Frontier Tour? Deixem as suas opiniões nos comentários!

9 de jun de 2010

Castiga!: Andromeda, uma legítima pérola perdida setentista

quarta-feira, junho 09, 2010

Por Marco Antonio Gonçalves
Colecionador
Sinister Salad Musikal

Dentro da linha de bandas obscuras e malditas, vale a pena conhecer este power trio britânico, que lançou este único disco homônimo em 1969 mesclando elementos do rock psicodélico, do progressivo e do hard rock na sua estrutura musical. Constituído em meados de 1967 e liderado pelo vocalista e guitarrista John Du Cann (Attack, Atomic Rooster e Hard Stuff), o Andromeda nessa época contava ainda com os préstimos do baixista Mick Hawksworth (Fuzzy Duck, Ten Years Later) e do baterista Jack Collins. Em 1969, Collins saiu da banda e as baquetas passaram a ser pilotadas por Ian McLane.


Du Cann já havia desenvolvido trabalhos na linha de frente dos não menos desconhecidos e ignorados grupos Attack e Five Day Week Straw People – projeto que gerou um disco conceitual composto pela dupla David Montague e Guy Mascolo
, com tendências psycho-sarcásticas. Aliás, o Five Day era constituído pelo line-up original do Andromeda, o trio Du Cann, Hawkswoth e Collins. Foi aí que o embrião do Andromeda começou a tomar forma. O resultado é esta pequena, e rara, obra-prima.

Mesmo tendo o vinil, lembro que fiquei maluco quando saiu o CD duplo em 2000, contendo todas as músicas do disco original e mais uma porrada de versões alternativas, sobras de estúdio, singles e material ao vivo – inclusive takes raros, resgatados do programa
BBC´s Top Gear, do lendário DJ inglês John Peel.


O CD 1 engloba o período 1969/70 (época da gravação do álbum), e traz a presença de Ian McLane nas baquetas, com exceção de duas faixas. Já o CD 2 traz material raro com gravações de 1967/68, tendo o batera original Jack Collins nos bumbos, menos em três faixas. No total, 34 músicas para satisfazer qualquer bolha garimpeiro que parte em busca do bootleg perdido.

Capa linda, embalando um som da pesada. Ecos daquilo que o Deep Purple fazia na época são audíveis em “Too Old”, “Keep Out Cos I´m Dying” ou nas suítes “Turns to Dust”, “Return to Sanity” e “When to Stop” (o trecho “Journey´s End” é de um tremendo bom gosto). Uma quebradeira de batera, solos precisos de Du Cann e um acompanhamento feroz no baixo.

Mas nem tudo desbanca para a pancadaria. Há espaço para sutilezas como “The Day of the Change” e “I Can Stop the Song”. Escute “Now the Sun Shines” e tente segurar as lágrimas. Como se não bastasse, ainda tem várias inéditas (destaque para “Ode to the Sea”, “Lonely Streets”, “The Lodger” e “Dreamland”).

Quer um conselho bolha? Compre correndo esta belezinha ou baixe o mais rápido possível. Los tímpanos embolorados agradecem.


Rigotto's Room: Van Morrison, cantor

quarta-feira, junho 09, 2010

Por Maurício Rigotto
Escritor e colecionador
Collector's Room

Com o escopo de divulgar uma obra que merece ter uma valorização bem maior, resolvi escrever um pouco sobre um dos meus vocalistas preferidos, que é sem sombra de dúvida um dos maiores cantores do mundo. Van Morrison tem uma das mais belas vozes que o mundo já ouviu, não importando o gênero, seja quando está a frente de uma banda de rock, seja em seus trabalhos que mesclam jazz, blues, folk, country, soul e até mesmo música celta.

Nascido em 1945 em Belfast, na Irlanda do Norte, filho de uma cantora e de um colecionador de discos de jazz, Van Morrison se interessou por música ainda em seus primeiros anos de vida, quando se tornou um grande fã de Ray Charles, Leadbelly e Solomon Burke, os cantores favoritos de seu pai. Ao constatarem o quanto o filho se interessava por música, seus pais o presentearam com uma guitarra. Garoto tímido e introvertido, Van Morrison aprendeu os acordes estudando livros de cifras e, aos doze anos, formou a banda The Sputnicks com colegas de escola. Aos quatorze formou outra banda, Midnight Special, que durou poucos meses e chegou a se apresentar em cinemas locais. Não satisfeito por tocar apenas guitarra, Van pediu a seu pai que comprasse um saxofone tenor. Van Morrison teve aulas de sax e solfejo por um mês e ingressou na banda Thunderbolts, que tocava nos arredores da cidade. Apesar de seu talento musical, Van tinha grande dificuldade em se relacionar com outras pessoas, devido a sua natureza introspectiva e lacônica, sendo que logo foi desligado da banda por não conseguir se “enturmar” com os outros integrantes do grupo. Van mais tarde declarou que não conseguia falar com as pessoas porque músicas invadiam o seu cérebro o tempo todo, o que ele não compreendia se era uma benção ou uma maldição.

O sucesso lhe sorriu em 1964, quando formou a banda Them, que obteve vários sucessos como “Gloria” (o maior êxito do grupo, que depois foi regravada pelo The Doors, Patti Smith e outros); “Here Comes the Night” (gravada por David Bowie em 1973 no álbum de covers Pin Ups) e “Baby Please Don’t Go” (um blues composto em 1935 por Big Joe Williams, que ao longo dos anos foi regravado por inúmeros artistas, como AC/DC, Aerosmith, Ted Nugent, Budgie e outros). Apesar do Them ter sido formado em Belfast, o grupo foi comercializado nos Estados Unidos como parte da invasão britânica ao lado de grupos como Animals, Yardbirds, David Clark Five, Who, Kinks, Rolling Stones e Pretty Things. Van Morrison começou a ficar desgostoso com o Them quando a banda optou em utilizar vários músicos de estúdio nas gravações de suas novas músicas, abandonando o grupo após uma turnê pelos Estados Unidos em 1966. Decepcionado, Van voltou à Irlanda com a intenção de procurar um emprego e abandonar de vez a carreira musical, mas foi convencido pelo produtor Bert Berns a ir à Nova Iorque gravar um disco solo. Em março de 1967, Van Morrison grava Blowin’ Your Mind!, seu primeiro trabalho solo, que inclui canções como “T. B. Sheets”, “Spanish Rose” e uma de suas músicas mais conhecidas até hoje, “Brown Eyed Girl”.

No ano seguinte, Van Morrison lança Astral Weeks, um dos melhores discos de todos os tempos. Aclamado pela crítica, o disco mesmo assim passa despercebido pelo grande público. Astral Weeks combina belos arranjos de folk e rock com a maravilhosa voz de Morrison. São oito canções compostas por ele, sendo o lado um chamado de “In the beginning”, com clássicos como “Beside You” e “Cyprus Avenue”; e o lado dois intitulado “Afterwards”, contendo obras como “Madame George” e “Ballerina”. Astral Weeks sempre é citado em qualquer lista de melhores discos da história que se preze.

Dez meses após o lançamento de Astral Weeks, Van Morrison entra em estúdio para registrar o disco Moondance, lançado em 1970. Moondance é outra obra-prima composta por Van Morrison, incluindo as sublimes “Caravan”, “Crazy Love” e a faixa-título. Moondance faz parte do rol de 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame. Ainda em 1970 Van lança His Band and the Street Choir, que faz sucesso com a faixa “Domino”. Segue lançando excelentes discos como Tupelo Honey (1971), com a participação do guitarrista Ronnie Montrose; Saint Dominic’s Preview (1972), onde opta por uma diversidade de estilos que apresenta uma fusão entre a música celta com o blues, o folk e o jazz; opção que encontra prosseguimento em Hard Nose the Highway (1973). Em 1974 lança o espetacular disco duplo ao vivo It’s Tôo Late To Stop Now.

Van Morrison participou em 1976 do The Last Waltz no Winterland em San Francisco, o concerto de despedida do The Band que contou com astros como Bob Dylan, Eric Clapton, Neil Young, Muddy Waters, Ron Wood e Ringo Starr, entre outros. O concerto foi filmado pelo diretor Martin Scorsese e The Last Waltz hoje é considerado um dos mais brilhantes filmes de rock já feito. Van Morrison pode ser visto em uma interpretação eletrizante de “Caravan” ao lado do The Band.

Morrison seguiu lançando álbuns com prolixidade, praticamente um por ano, com destaque para Wavelength (1978), onde surpreende por dar uma roupagem mais pop ao seu estilo, e Common One (1980), seu mais ambicioso trabalho desde Astral Weeks. Em 1984 lançou o seu segundo álbum ao vivo, Live at the Grand Opera House Belfast, gravado em sua cidade natal. No final dos anos oitenta, Van Morrison grava várias canções com o amigo Bob Dylan, que apesar de nunca terem sido lançadas oficialmente, aparecem em vários bootlegs dos artistas. Em 1988, Morrison grava Irish Heartbeat ao lado de seus conterrâneos The Chieftains, renomada banda de música celta. No ano seguinte, Van Morrison participa como convidado do show de Jerry Lee Lewis no Hammersmith Odeon em Londres, ao lado de Brian May (Queen) e Dave Davies (Kinks).

Em 1990 Van Morrison aparece como convidado de Roger Waters do show The Wall in Berlin, onde faz um dueto com o ex-Pink Floyd na música “Confortably Numb”. A década de noventa começa com o lançamento de Enlightenment. Morrison segue lançando bons discos como Tôo Long in Exile (1993), um dos maiores sucessos comerciais do cantor em muitos anos, devido a uma regravação de seu antigo sucesso “Gloria” e a “Good Morning Little Schoolgirl”, de Sonny Boy Williamsom. Aliás, há tempos Van Morrison vinha regravando canções de seus ídolos Ray Charles, Hank Williams e Muddy Waters. No ano seguinte lança o ótimo disco duplo ao vivo A Night in San Francisco. Days Like This (1995) também faz sucesso com a faixa-título. No ano seguinte lança How Long Has This Been Going On, ao lado do cantor George Fame e sua banda de jazz. Ainda em 1996 é lançado Tell me Something: The Songs of Mose Allison, ao lado de George Fame e do próprio Mose Allison. Seguem mais bons discos: The Healing Game (1997) e Back to the Top (1999). Em 2000 Van Morrison lança o excelente The Skiffle Sessions, ao lado do contrabaixista Chris Barber e de Lonnie Donegan, o maior expoente do gênero skiffle. The Skiffle Sessions foi gravado ao vivo em Belfast em 1998. Ainda em 2000, Van Morrison grava o álbum You Win Again ao lado de Linda Gail Lewis, ex-mulher de Jerry Lee Lewis, onde registram suas versões para canções de Hank Williams, Bo Diddley e John Lee Hooker.

O novo milênio traz Van Morrison magistral, lançando alguns dos melhores discos de toda a sua extensa carreira, começando por Down the Road (2002), que traz na capa a vitrine de uma loja de discos de vinil, onde colecionadores podem se deleitar descobrindo capas de discos de várias influências do cantor. No ano seguinte é lançado o primoroso What’s Wrong with this Picture? Onde requintados arranjos mesclam jazz, blues e rock. Em 2005 o artista segue a mesma linha em Magic Time e no ano posterior volta a surpreender com um álbum onde a country music predomina, com o sugestivo nome Pay the Devil. Seu mais núpero álbum de inéditas é Keep it Simple, de 2008. Em 2009, comemorando o quadragésimo aniversário de Astral Weeks, Van Morrison lança o maravilhoso Astral Weeks Live at the Hollywood Bowl.

Em 2010 Van Morrison apareceu nas manchetes com a notícia de que seria pai novamente aos 64 anos. A mãe da criança seria a sua agente e o próprio Morrison anunciou a gravidez através de seu site oficial. Dias depois, Van Morrison declarou a BBC que não era pai de criança alguma e que seu site foi invadido por hackers que inventaram essa mentira sem fundamento. Van salientou que é casado com Michelle Morrison, com quem tem dois filhos de três e dois anos. Morrison também é pai da cantora Shana Morrison, fruto de seu primeiro casamento. Essa não é a primeira vez que o site do artista é alvo de piratas cibernéticos.

Ainda esse ano, o renomado crítico musical Greil Marcus lançou a biografia When That Rough God Goes Riding – Listening to Van Morrison, ainda sem tradução para a língua portuguesa.

Encerro aqui esse meu tributo a esse artista de primeira grandeza, que infelizmente não goza do mesmo reconhecimento por parte do público que outros astros do mesmo patamar.


8 de jun de 2010

Kamelot - Ghost Opera: The Second Coming (2010)

terça-feira, junho 08, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****

Confesso que quando escutei o então novo álbum do Kamelot, Ghost Opera, em 2007, fiquei um pouco decepcionado. A razão era bem simples: o disco era o sucessor do fenomenal The Black Halo, de 2005, para mim um dos melhores trabalhos de heavy metal gravados nos anos 2000.

Pois bem. Como diz aquele velho ditado, nada como dar tempo ao tempo. Voltei a escutar o CD em sua nova versão, batizada como Ghost Opera: The Second Coming, e revi meus conceitos. Agora que a sombra de The Black Halo já não está tão presente, fica claro o quanto Ghost Opera é consistente e, acima de tudo, possui grandes músicas.

A identidade sonora encontrada pelo Kamelot desde que o vocalista norueguês Roy Khan, ex-Conception, entrou na banda, prima pelo bom gosto. Linhas vocais repletas de emoção, melodias cativantes, guitarras extremamente técnicas e criativas, refrões marcantes e uma cozinha sólida e ousada tornam as composições ainda mais fortes, e mostram que o Kamelot caminha a passos largos para o primeiro escalão do heavy metal mundial. Como informação adicional, vale citar que o tecladista Oliver Palotai fez a sua estreia nesse disco e integrou-se perfeitamente ao grupo.

Essa nova edição de Ghost Opera, lançada lá fora no final de 2007 e que ganha sua versão nacional agora em 2010, vem temperada com diversos atrativos que irão fazer a alegria dos fãs. Pra começar, a arte da capa é outra, e, ainda que explore o mesmo conceito da anterior, o faz sob um ponto de vista diferente.

Mas é no recheio que estão os principais motivos para os fãs adquirirem Ghost Opera: The Second Coming. O álbum é duplo, e o segundo disco traz nada mais nada menos que dez faixas gravadas ao vivo em Belgrado, na Sérvia, durante a tour que promoveu Ghost Opera, em 2007, incluindo canções emblemáticas na carreira do conjunto como “When the Lights Are Down”, “The Haunting” - com participação de Simone Simons, do Epica –, “Memento Mori” e “March of Mephisto”. Além disso, mais quatro faixas bônus: “Seasons End”, “Pendulous Fall” (que já havia saído na primeira versão do álbum lançada aqui no Brasil), “Epilogue” e um remix de “Rule the World”.

Em um tempo em que pipocam edições especiais nas lojas, muitas delas praticamente iguais aos lançamentos originais, Ghost Opera: The Second Coming é um exemplo de como fazer um item atrativo para os fãs.

Mais um trabalho que mostra a qualidade indiscutível do Kamelot, uma das bandas mais criativas e inovadoras da música pesada atual.


Faixas:

CD 1

1.Solitaire – 1:00
2.Rule the World – 3:41
3.Ghost Opera (Feat. Amanda Sommerville) – 4:06
4.The Human Stain – 4:01
5.Blücher (Feat. Simone Simons) – 4:04
6.Love You to Death (Feat. Amanda Sommerville) – 5:13
7.Up Through the Ashes – 4:59
8.Mourning Star (Feat. Amanda Sommerville) – 4:38
9.Silence of the Darkness – 3:43
10.Anthem – 4:25
11.Edenecho – 4:13

CD 2: Live From Belgrade

1.Solitaire – 1:10
2.Ghost Opera – 4:06
3.The Human Stain – 4:15
4.Mourning Star – 4:31
5.When the Lights Are Down – 4:03
6.Abandoned – 4:16
7.The Haunting (Somewhere in Time) (Feat. Simone Simons) – 4:34
8.Memento Mori – 9:08
9.Epilogue – 2:28
10.March of Mephisto – 4:50
11.Seasons End (Bonus Studio Cut) – 3:33
12.Pendulous Fall (Bonus Studio Cut) – 3:58
13.Epilogue (Bonus Studio Cut) – 2:46
14.Rule the World (Remix) – 3:30


ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE