25 de jun de 2010

Morre Peter Quaife, dos Kinks

sexta-feira, junho 25, 2010
Ray e Dave Davies com Pete Quaife empunhando seu contrabaixo Rickenbaker em 1966.

Por Lester Benga
Os Armênios


Faleceu nessa quarta-feira (23), Peter Quaife, baixista original e membro fundador do The Kinks, umas das melhores e mais importantes bandas inglesas da década de 1960. Quaife morreu de insuficiência renal em um hospital da Dinamarca, onde se encontrava em coma há alguns dias. O artista morava no Canadá desde os anos 80, quando foi diagnosticada sua doença e, desde então, produzia cartuns sobre o cotidiano de quem precisa fazer hemodiálise.

Peter Quaife tocou em todos os principais álbuns, EPs e singles da fase lendária dos Kinks. Ele esteve no grupo desde o início, por ser amigo e colega do líder Ray Davies. Ambos se conheceram nas aulas de música na William Grimshaw Secondary Modern School, em Muswell Hill, na Inglaterra. Os Kinks logo despontariam como uma importante banda dentro do movimento mod (ao lado do The Who e, em seguida, Small Faces), até adotar um estilo musical próprio e muito inglês (inspirado principalmente no music-hall e canções de tavernas/pubs com alguma pitada barroca), em canções que ficaram conhecidas por retratarem o cotidiano da juventude britânica na época.

O baixista abandonou a banda em 1969, sendo substituído por John Dalton. Logo formou o grupo country Maple Oak, mas iria se aposentar da música em seguida.

Rock Raro: Booker T. & The MGs - McLemore Avenue (1970)

sexta-feira, junho 25, 2010

Por Wagner Xavier
Colecionador

A banda não é tão rara assim, porém o disco, meu amigo, é difícil de ser encontrado e logicamente merece um texto especial. Em 1969, junto com o lançamento original de um dos melhores álbuns dos Beatles,
Abbey Road, Booker T. & the M.G’s tiveram a ideia, ótima por sinal, de criar o seu Mclemore Avenue.

O projeto em si era bastante ambicioso: recriar o disco clássico dos Beatles como se ele fosse do Booker T. & the M.G’s. Nada que a competência e o respeito adquirido pela banda durante os anos sessenta – incluindo os próprios John, Paul, Lennon e McCartney como admiradores – pudessem macular.

Formada em Memphis no inicio dos anos 60, a Booker T. & the M.G’s já havia gravado vários álbuns, alguns verdadeiros clássicos (como o espetacular
Green Onions, de 1962), e não se intimidou diante da tarefa curiosa que imitava, quase que de forma online, a maior banda de todos os tempos em sua derradeira gravação.

Contando com Booker T nos teclados, Donald “Duck” Dunn no baixo, Al Jackson Jr na bateria e o super guitarrista branco da black music Steve Crooper, a banda era uma seleção de craques do primeiro escalão do estilo na época. O resultado só poderia ser sensacional. E foi exatamente isso o que aconteceu.

Lançado em abril de 1970 (pouco mais de seis meses após os Beatles colocarem seu álbum no mercado) pela clássica Stax Records,
Mclemore Avenue é praticamente o Abbey Road na íntegra. Dos dezessete números do lançamento original, treze entraram no álbum da Booker T. & the M.G’s.

A ordem das canções também foi modificada e dividida em três longos medleys, mais “Something”. Porém, a grande sacada da banda foi recriar o disco dos Beatles de forma totalmente instrumental. Saem os vocais e entram os arranjos lindos e criativos de um grupo de feras da soul music.

Mclemore Avenue é o nome da rua onde ficava a gravadora Stax, famosa por abrigar grandes nomes da soul music americana. Veja que a capa do álbum mostra os quatro músicos atravessando a rua do estúdio em questão, exatamente como na Abbey Road, rua onde fica o famoso estúdio britânico.

Fiéis ao andamento original das canções, o disco abre com o primeiro medley que junta “Golden Slumbers/Carry That Weight /The End /Here Comes The Sun /Come Together” numa versão empolgante. “Something”, de George Harrison, por sua vez, ganhou um arranjo totalmente novo, o destoa do propósito original sendo uma das poucas falhas do álbum.

O destaque é, sem dúvida, o bom gosto dos instrumentistas, principalmente as guitarras de um dos maiores músicos de todos os tempos, o guitarrista Steve Crooper. O swing do grupo pode ser ouvido em seu auge nos medleys “Because /You Never Give Me Your Money” e “Sun King /Mean Mr. Mustard /Polythene Pam /She Came In Through The Bathroom Window /I Want You (She’s So Heavy)”.

Item raríssimo de ser encontrado em vinil original,
Mclemore Avenue ganhou uma edição em CD em 1991 pela própria Stax, e ainda continua em catálogo.

A Booker T. & the M.G’s seguiu uma carreira de sucesso até 1977, e se reúne regularmente em comemorações da Stax e eventos especiais. Numa dessas, quem sabe, eles poderiam relembrar Mclemore Avenue ao vivo. Seria um momento raro que valeria a pena ver.


Faixas:
A1 Medley: 15:48
A2 Something 4:09

B1 Medley: 7:26
B2 Medley: 10:40

Iron Maiden - El Dorado (2010)

sexta-feira, junho 25, 2010

Por Igor Z. Martins
Colecionador
Whiplash! Rock e Heavy Metal


Minha relação com o Iron Maiden, que já tem mais de dez anos, nos últimos tempos tem sido marcada pela "linha fina entre o amor e o ódio”. Apaixonado pela banda desde os 12 anos de idade, cresci vestindo camisetas que ostentavam diferentes tipos de Eddies, comprando os discos da banda e pregando que não havia nada melhor no mundo do rock que o Iron Maiden.

No entanto, nos últimos tempos, mais especificamente após o lançamento de Dance of Death (2003), comecei a implicar com o fanatismo dos fãs do grupo – talvez porque minha adolescência já havia ido embora junto com o fanatismo que, nem sempre, em se tratando de fãs do Iron Maiden, deixa de existir após os 20 anos de idade – e com a total falta de capacidade de se reinventar que o time de Steve Harris demonstrava.

Quando saiu seu último álbum de estúdio, A Matter of Life and Death (2006), eu odiei até as minhas entranhas. No entanto, há alguns meses ouvi novamente o disco e cheguei, inclusive, a escrever uma resenha na qual falava sobre os pontos positivos do trabalho. A principal tecla na qual batia era a mesmice da banda, a falta de peito para fazer algo inusitado, além do exagero de dedilhados de baixo de Steve Harris no início das canções e da performance demasiada, e consequentemente irritante, de Bruce Dickinson.

Então, quando há alguns meses o Iron Maiden anunciou um novo álbum, prontamente fiz minhas preces para que o trabalho fosse algo realmente digno de uma banda que é aclamada com a melhor do heavy metal. Eu espero, ardentemente, que aí venha um disco “destruidor”, criativo, corajoso, um álbum que aponte para o futuro e não para o passado da banda.

E, após o suspense feito por uma contagem regressiva no site oficial, o grupo liberou para download uma nova canção chamada “El Dorado”, primeiro single e amostra do que será The Final Frontier, o aguardado novo álbum. O site também disponibilizou a arte gráfica do single. Achei as artes das capas do álbum e do single bem legais. São diferentes, mas nada de obras de arte como Seventh Son of a Seventh Son (1998), por exemplo.

Mas vamos ao que interessa: a canção! Quando apertei o play senti um termor congelante de que fosse ouvir um dedilhado de Steve Harris! Para minha surpresa e felicidade, não havia dedilhados nem arpejos irritantes, tão presentes nos últimos discos. Quando Bruce Dickinson entrou cantando, meu coração também se encheu de alegria, porque ele não estava gritando desesperadamente como tem feito ultimamente. Dickinson pegou a mania, parece-me, de querer provar ao mundo que ainda sabe cantar e, para tal, eleva exageradamente o tom das canções, fazendo com que sua performance se assemelhe a uma choradeira desesperada.

O andamento de “El Dorado”, ainda que tenha marcas registradas da banda como o baixo cavalgado, é um tanto atípico. A canção é mais pesada que o usual, e a progressão das notas não se situa no manjado “dó-ré-mi”, outra marca registrada do Maiden – e do punk rock! Apenas no refrão Bruce eleva sua voz, o que é compreensível, já que os refrões da banda são historicamente marcantes, altos e melódicos.

Posso dizer que o que mais me chamou a atenção nessa nova canção, além do peso extra, foi a performance de Bruce, muito semelhante ao que ele fazia em seus álbuns solo, pelos quais sou realmente apaixonado. Aquela coisa de tons mais médios e um tanto agressivos, incluindo risadas diabólicas como as que aparecem em canções como “Welcome to the Pit” e “Trumpets of Jericho”.

O trabalho das guitarras também é bastante interessante, diferente. Não há na música aquelas melodias felizes e manjadas, daí o peso e a característica “rocker” da faixa.

O problema, todavia, é que a canção, por não ser estilisticamente exatamente igual a músicas de outras épocas do Maiden, tende a não agradar os fãs tradicionais do grupo. Se o álbum seguir o estilo de “El Dorado”, então nós teremos aí outro Fear of the Dark (1992) ou The X Factor (1994), discos que trazem uma proposta diferente e que, por isso, desagradaram, e ainda desagradam, boa parte dos fãs.

Eu vou continuar torcendo para The Final Frontier seja diferente, ousado e criativo. Assim, as chances de não agradar os fanáticos será grande! O que é sinônimo de brilhantismo e quebra de paradigmas, atributos que os fanáticos mais desprezam.


Ronnie James Dio foi o Frank Sinatra do heavy metal

sexta-feira, junho 25, 2010

Por Regis Tadeu
Colecionador e Jornalista
(matéria publicada originalmente no Yahoo! Brasil)

A voz. Aquela voz. A primeira vez que a ouvi foi quando comprei, aos quinze anos de idade, o primeiro disco solo de um de meus guitarristas favoritos. Naquela época, sem acesso às revistas importadas e sem imaginar que um dia teríamos algo parecido com a internet, a gente sabia que Ritchie Blackmore havia saído do Deep Purple, que o grupo tinha recrutado o Tommy Bolin para substituí-lo e só. Mais nada.

Até que um dia, visitando a loja de discos onde eu sempre comprava meus LPs, vi na prateleira, extasiado, que havia sido lançado um disco chamado Ritchie Blackmore’s Rainbow, com uma capa que misturava em um único desenho o castelo – que representava o início de sua paixão pela música renascentista – e a guitarra que ele empunhava com tanta genialidade naqueles tempos.

Comprei o disco e voltei correndo para casa para ouvi-lo. Foi então que a surpresa se tornou ainda mais agradável quando os primeiros sulcos de “Man on the Silver Mountain” começaram a ser percorridos pela agulha de meu velho toca-discos. Quem era aquele cara que cantava com potência e certa rouquidão? Quem era aquele sujeito que não imitava o David Coverdale e muito menos o Ian Gillan? De onde havia surgido aquele baixinho que parecia contar uma história em cada canção daquele disco? A cada faixa que ouvia, o tal cara – chamado Ronnie James Dio – desfilava interpretações tão intensas, injetando sensações perfeitas para cada canção – tensão em “Self Portrait”, safadeza em “Black Sheep of Family” e “If You Don’t Like Rock n’ Roll”, suavidade sofrida nas lindas baladas “Catch the Rainbow” e “Temple of the King” e uma quase arrogância em “Snake Charmer” e “Sixteenth Century Greensleves” -, que transformavam o disco em uma escancarada “carta de intenções” do que Blackmore viria a fazer no futuro e que também explicavam porque o temperamental guitarrista tinha abandonado a sua famosa banda.

Um ano depois, outra surpresa, só que em proporções interplanetárias. Um segundo disco de Blackmore, Rising, agora apenas ostentando o nome da banda – Rainbow – e com uma capa ainda mais espetacular. Fiz o mesmo que o ano anterior: comprei o LP e voltei correndo para casa, ansioso para ouvir uma “continuação” do primeiro álbum. Inadvertidamente, coloquei o lado B para tocar inicialmente e… e… e… O que veio a seguir foi uma sensação inédita. “Stargazer” trazia uma inacreditável sequência de viradas alucinantes de um novo baterista – um tal de Cozy Powell -, um riff épico de Blackmore e… aquela voz! Só que agora carregada de uma dramaticidade que eu e toda a minha geração jamais havíamos ouvido até então! Ronnie James Dio cantava com tamanha intensidade que éramos capazes de visualizar imagens que retratavam – literalmente ou não – aquilo que ouvíamos saindo dos alto-falantes de nossos precários equipamentos de som. O massacre era completado pelas monstruosas “Light in the Black”, “Tarot Woman”, “Starstruck” e outras. Quando terminei de ouvir o disco, meu cérebro havia escorrido pelas orelhas.

Daí para frente, Dio se tornou uma unanimidade quando alguém falava em “cantor de rock”. Sua reputação terminou de ser sedimentada quando saiu Long Live Rock n’ Roll. O disco era um apanhado das sonoridades dos discos anteriores – “Lady of the Lake”, “Gates of Babylon” e a espetacular “Kill the King” poderiam ter sido incluídas no Rising, enquanto que “L.A. Conection” e “Sensitive to Light” cairiam como uma luva no disco de estréia -, mas havia um “corpo estranho” ali, algo que estava muito além da proposta do disco, algo que, inconscientemente, dava uma pista do que iria acontecer com Dio no futuro: “The Shed” trazia o baixinho cantando com ira, como se estivesse em uma batalha contra seus demônios internos.

Um belo dia, visitando novamente a minha loja de discos favorita, outro choque. Já sabíamos que Ozzy Osbourne tinha saído do Black Sabbath e supúnhamos que a banda jamais iria conseguir sobreviver sem ele. Mas ali, na vitrine, estava um novo disco da banda, com três anjos fumando!!! “Ué, o Ozzy voltou com a banda? Legal!” Ao segurar o disco nas mãos e olhar a contracapa, eu simplesmente não pude acreditar: ali, desenhado, ao lado dos outros integrantes, estava ele: Dio!!! Mas como???

Ainda hoje não consigo externar em palavras a sensação de ouvir a sequência “Neon Knights”, “Children of the Sea”, “Lady Evil” e “Heaven and Hell”. Agora mesmo, no exato momento em que escrevo estas palavras, surge em minha mente a imagem de meu quarto e meu toca-discos. Da mesma forma, o impacto causado por Mob Rules – ainda sinto arrepios na espinha quando ouço aquele trecho acelerado no meio de “Falling Off the Edge of the World” –, o melhor disco que Dio gravou com os caras.

Com o passar dos anos, meu gosto musical acabou se expandindo em outras direções e atingindo vertentes muito diferentes. Mesmo assim, nunca deixei de acompanhar o que acontecia no heavy metal e, ao contrário de muita gente daquela época, muito menos reneguei as bandas que adorava em minha adolescência. Continuei comprando uma cacetada de discos legais do estilo, e era nesta categoria que Dio se enquadrava. Comprei cada disco que ele lançou. Ouvi com atenção até mesmo seus álbuns mais fracos – como o Lock Up the Wolves – e ignorados por todos, como o Master of the Moon. Fiz isso porque sabia que mesmo que determinadas canções fossem menos inspiradas, nelas estaria aquela voz, que dava credibilidade até mesmo quando a criatividade do baixinho estava meio grogue, talvez porque ele tenha percebido em determinado momento da carreira que estava preso a um som e a uma imagem dos quais jamais poderia ser dissociado.

O título desta coluna resume tudo o que penso a respeito de Dio. Não chorei sua morte como se fosse um parente ou amigo íntimo. Não lamentei sua partida como um fã que acabou de perder um ídolo. Muito menos fiquei indignado quando colegas de profissão se meteram a criar polêmicas gratuitas para chamar a atenção. Quando a gente passa a trabalhar no jornalismo musical, aprende a se distanciar desse tipo de emoção e percebe que um rockstar é um sujeito como outro qualquer, com suas virtudes e seus defeitos.

Por isso, a única coisa que posso fazer neste exato momento é colocar minha mão direita na tradicional posição “metal horns” e sussurrar “Muito obrigado por ter feito parte de minha vida, mestre”.

24 de jun de 2010

Castiga!: o southern rock interestelar do Cosmic Travelers

quinta-feira, junho 24, 2010

Por Marco Antonio Gonçalves
Colecionador

Submerso no pântano das obscuridades musicais, outro disco altamente recomendado é este Live! At The Spring Crater Celebration Diamond Head dos Cosmic Travelers, gravado em Oahu, uma ilha do arquipélago do Havaí. A sonoridade chaparral deste grupo de Los Angeles vai agradar aos fãs de Lynyrd Skynyrd, Black Oak Arkansas, James Gang, Grand Funk Railroad, Cactus, Blue Cheer e combos correlatos do rock setentista.

O show foi realizado em 1° de abril de 1972 durante o festival anual que, curiosamente, reunia bandas para tocar no interior de uma cratera vulcânica (!) chamada Diamond Head – evento aliás, que voltou a ocorrer em 2006 e 2007, mais de trinta anos após a sua última edição, trazendo atrações como Steve Miller Band, War e Earth, Wind & Fire. E foi pensando especialmente em participar do festival havaiano que os viajantes cósmicos se agruparam em 1972, dispostos a emanar suas boas vibrações sonoras. O resultado está registrado nesta gravação, que capta a performance visceral da trupe em sua única apresentação pública.

As artimanhas sônicas giravam em torno do guitarrista Drake Levin (ex- Paul Revere & The Raiders, Brotherhood e Lee Michaels Band), do guitarrista Jimmy McGhee, do baixista e aqui vocalista Joel Christie (ex-Lee Michaels Band) e do baterista Dale Loyola (ex-The Hook) – este último mais conhecido como “Mule”, por desferir golpes pesados em seu instrumento. Um quarteto composto por veteranos músicos de estúdio que, nos intervalos das sessões, maquinaram e ensaiaram um repertório com composições alheias calcadas nas correntes do blues, R&B e do soul.

O encarte do raro LP do Cosmic Travelers

Destaques para o clássico blueseiro “Farther Up the Road”, de Joe Veasey e Don Robey, e sua levada malandrérrima e altamente pegajosa; para a espirituosa “Move Your Hands”, numa versão matadora do tema jazz funk lançado em 1969 pelo organista norte-americano Lonnie Smith; e para a varada na alma chamada “Soul”, impregnando o espírito de timbres e efeitos guitarrísticos profanos. Para deixar o ambiente mais empoeirado possível, ainda tem cover de Dave Mason (ex-Traffic) na faixa “Look At You Look At Me” em uma chapante jam session de dez minutos.

Faixas poderosamente energéticas onde o guitarrista Jimmy McGhee mostra por que era celebrado como um dos legítimos discípulos de Jimi Hendrix, saturando de efeitos fuzz os seus solos faiscantes e dando ao blues uma credencial psicodélica. Microfonias e imundices sonoras à parte, aposto minhas coleções de Allman Brothers e Grand Funk se esta relíquia não vai fazer a cabeça dos bolhas jurássicos que curtem o bom e velho southern rock ou um hard blues venenoso das antigas.

Esta raridade discográfica, lançada pelo selo Volcano Records (reeditada em 2000 pela Dodo Records) e que vem acompanhada de um pôster com fotos da banda on stage, eu encontrei exposta naquela parede fantástica da finada Nuvem 9, frequentemente recheada com títulos sensacionais. Quem frequentou a loja sabe do que estou falando. A capa “flower and power” lindona é cortesia do ilustrador Jim Evans e reproduz alguns dos símbolos locais, como a flor Hibiscus havaiano e o ganso do Havaí (também conhecido por branta sandvicensis), além de retratar o colorido característico da região e o seu clima tropical.

Uma pena que o grupo só tenha lançado esse material. Uma sequência na efêmera carreira teria sido muito bem-vinda, já que a química e o talento demonstrados pelos rapazes nesse trabalho são evidentes. Um tesouro do rock setentista pouco ou nada conhecido por estas plagas tupiniquins. Portanto, não perca tempo: pegue o seu passaporte cósmico e embarque sem restrições rumo ao planeta dos bons sons. Boa viagem!

23 de jun de 2010

Live at Wacken 2007: 18 Years in History (2008)

quarta-feira, junho 23, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****1/2

Qualquer headbanger minimamente informado sabe que o Wacken Open Air é o maior festival de heavy metal do mundo. Mas agora um pouco do clima, da grandiosidade e da força do evento podem ser sentidos não só pelos felizardos com condições de encarar uma viagem até a Alemanha para curtir a festa. O excelente box Live at Wacken 2007: 18 Years in History é como um passaporte para um universo paralelo, repleto de música, peso e fantasia.

São três DVDs acomodados em uma belíssima embalagem digipack, com direito ainda a um bonito encarte apinhado de fotos. Um lançamento admirável da Hellion Records no mercado brasileiro, mas que peca por um velho problema: a ausência, total e absoluta, de legendas em português. Ainda que uma boa parcela dos fãs se vire bem no inglês, a coisa fica feia quando cai para o alemão – justamente o idioma mais falado nos vários, e extensos, documentários presentes nos discos. Enfim, uma mancada feia que, a despeito das inúmeras reclamações dos colecionadores e consumidores de todo o Brasil, continua sendo cometida pelas gravadoras. Em um país onde uma fatia considerável da população mal se vira na própria língua mãe, tal atitude soa estúpida, burra e imbecil, para dizer o mínimo.


Mas vamos falar de música, que é o que importa.
Live at Wacken 2007: 18 Years in History, como o próprio título diz, foca na edição de 2007 do festival, marcada por diversas apresentações antológicas, como o show do Sodom com quase todos os integrantes que passaram pela banda, o retorno do Immortal aos palcos, Rage com orquestra e por aí vai.

O disco 1 contém um ótimo e longo documentário sobre o festival, mostrando suas origens e todos os detalhes que envolvem a produção de um evento com tamanha envergadura. Uma pena que o idioma falado na maioria do documentário seja o alemão, inteligível para os leigos. Além disso, há nada mais nada menos do que 28 faixas gravadas ao vivo durante o festival, onde podemos ver e ouvir bandas como Sacred Reich (um dos melhores shows do evento), Napalm Death, Rose Tattoo, Iced Earth, Blind Guardian, Saxon, Immortal, Overkill, Blitzkrieg e muitas outras levando o público à loucura.

O segundo e terceiro DVDs seguem o mesmo caminho, com mais 59 faixas de grupos como Dimmu Borgir, Therion, Possessed, Chthonic, Belphegor, Samael, Moonspell, Destruction, Cannibal Corpse e vários outros. Ou seja, no total são nada mais nada menos que 87 músicas capturadas diretamente dos shows do Wacken, mostrando toda a grandeza e multiplicidade não só do festival, mas do próprio heavy metal como gênero musical.

Assistir
Live at Wacken é uma maratona extremamente prazerosa, que atesta a força que o metal possui em indivíduos de todas as idades. Um prova do quanto o estilo, que vários “entendidos” adoram dar como morto de tempos em tempos, tem combustível de sobre para fazer a cabeça de várias gerações de ouvintes.

Um DVD espetacular, que tem como único revés o fato de não possuir legendas em português. Mesmo assim, um item obrigatório na estante de qualquer fã de música pesada.


Faixas:
DVD 1:
W:O:A: 2007 Documentary
incl. the following live tracks:

. Independent (Sacred Reich)
. Fatalist (Napalm Death)
. Ausgebombt (Sodom)
. From the Cradle to the Grave(Rage)
. Enjoy the Silence (Lacuna Coil)
. We Hate Everyone (Type O Negative)
. Remedy (Rose Tattoo)
. Ten Thousand Strong (Iced Earth)
. The Bard s Song (Blind Guardian)
. Let me Feel Your Power .(Saxon)
. Progenies of the Great Apocalypse (Dimmu Borgir)
. Unsilent Storms in the North Abyss (Immortal)
. Born in a Casket (Cannibal Corpse)
. Wrecking Crew (Overkill)

Thursday (W:O:A: - Day 1)
. Theatre of the Damned (Blitzkrieg)
. Once in a Lifetime (Rose Tattoo)
. Armamentarium (Neara)
. Und Vu Verblasst (Narziss)
. Body Go Whooo (Gutbucket)
. Knights of Doom (The Sorrow)
. Blood on Your Lips .(Sodom)
. Bundy (Animal Alpha)
. Wings of Time (Tyr)
. Scream for Me (Electric Eel Shock)
. Let Them Hate (Hatesphere)
. Sword and Bullet (Maroon)
. Elimination (Overkill)
. Strong Arm of the Law (Saxon)

W:O:A 2007 - Behind the Scenes
W:O:A 2007 - Camp Life

DVD 2:
Friday (W:O:A: - Day 2)
. Wartunes (Suidakra)
. Nazi Punks Fuck Off (Napalm Death)
. To Mega Therion .(Therion)
. Soulweeper (Volbeat)
. Power to the Bone (Mennen)
. Chainsaw Symphony (Drone)
. Confessions (Possessed)
. The Clarion Call (Falconer)
. Grab Your Soul to Hell (Chthonic)
. Verteidiger Des Blödsinns (J.B.O.)
. Bluhsturm Erotica (Belphegor)
. Ruun(Enslaved)
. Closer (Lacuna Coil)
. Walpurgisnacht (Schandmaul)
. Mirror Mirror -(Blind Guardian)
. Prophecy (Iced Earth)
. On the Rise (Samael)
. The Chosen Legacy (Dimmu Borgir)
. Reitermania (Die Apokalyptischen Reiter)

Saturday (W:O:A: - Day 3)
. Blue Eyed Fiend (Sonic Syndicate)
. Don t Go Any Further (Disillusion)
. Ignorance (Sacred Reich)
. Counterweight (Heaven Shall Burn)
. Blood Tells (Moonspell)
. He Who Shall Not Bleed (Dimension Zero)
. The Final .(Dir En Grey)
. Frozen Angel (Norther)
. Turn the Page (Rage)
. Mad Butcher (Destruction)
. Battle Metal (Turisas)
. The Beast Within (Torture Squad)
. Kill You Tonight (Type O Negative)
. Heavy Metal Fire (Stormwarrior)
. The Observer (Haggard)
. Withstand the Fall of Time (Immortal)
. Hammer Smashed Faces (Cannibal Corpse)
. Auf Kiel (Subway to Sally)

DVD 3:
W:O:A 2007 - Making of Saxon Lightshow

. Dead Tree (Die En Grey)
. Frozen Asleep in the Park (Communic)
. The IXth Legion (Suidakra)
. Miasma .(The Black Dahlia Murder)
. Our Truth (Lacuna Coil)
. Seven Seas (Pharao)
. The Garden s Tale (Volbeat)
. Son of the Staves of Time (Therion)
. Shell Shock (Benedictum)
. Burn the Radio (Gutbucket)
. Memento Mori (Moonspell)
. Lingua Mortis Medley (Rage)
. Forever Damned (Black Majesty)
. Mein Todestag (Letzte Instanz)
. Of a Might Divine (Haggard)
. Troll, Dod Og Trolldom (Kampfar)
. Fly (Blind Guardian)
. Dein Anblick (Schandmaul)
. Fuck You (Overkill)
. Attila the Hun -(Saxon)
. Spellbound by the Devil (Dimmu Borgir)
. Orgelmassaker (Mambo Kurt)

W:O:A: Wins Live Entertainment Award 2007

Rigotto's Room: Bob Dylan – Bobfest - The 30th Anniversary Concert Celebration

quarta-feira, junho 23, 2010

Por Maurício Rigotto
Escritor e colecionador
Collector's Room

Imagine um artista que, ao convidar alguns amigos para participar de um concerto em celebração aos seus trinta anos de carreira, consegue reunir diversas lendas vivas do rock, além de uma verdadeira constelação que inclui alguns dos maiores astros do folk, country, blues e soul music. Esse artista é Bob Dylan, um dos músicos mais influentes dos séculos XX e XXI, e o evento ocorreu no dia 16 de outubro de 1992 no Madison Square Garden, em Nova Iorque, em comemoração ao trigésimo aniversário do lançamento de seu primeiro disco.

A própria “banda da casa”, que acompanharia os convidados em suas apresentações, já incluía os lendários Steve Crooper (guitarra) e Donald “Duck” Dunn (baixo), membros sobreviventes da Booker T. & the MG’s e que acompanharam Otis Redding e quase todo o cast da gravadora Motown nos anos sessenta; além dos bateristas Anton Fig e Jim Keltner e do guitarrista e diretor musical G. E. Smith, famoso por ser o líder da banda do programa Saturday Night Live, que tocava na banda de Bob Dylan na ocasião.

Bob Dylan, Neil Young e Eric Clapton

O primeiro convidado a se apresentar foi John Cougar Mellencamp, que não está entre os meus artistas preferidos. Mellencamp trouxe como convidado Al Kooper, o organista e guitarrista que gravou com Dylan em seus principais discos dos anos sessenta e setenta, e apresentou “Like a Rolling Stone” e “Leopard-Skin Pill-Box Hat”, com o auxílio de duas backing vocals exageradas e exibicionistas. A lenda country Kris Kristofferson apresenta Stevie Wonder, que entra amparado pelo organista Booker T. Jones para interpretar o hino “Blowin’ in the Wind”. Após Wonder, as cantoras country Nancy Griffith e a veterana Carolyn Hester tocam “Boots of Spanish Leather” e Booker T. Jones se une aos companheiros de MG’s Crooper e Dunn para a sua versão de “Gotta Serve Somebody”, da fase gospel de Bob Dylan. O nova-iorquino Lou Reed sobe ao palco para a sua peculiar releitura de “Foot of Pride”, uma canção que havia sobrado do álbum Infidels que Dylan gravou em 1983 e que apenas se tornaria conhecida no ano anterior, quando foi incluída na caixa de raridades The Bootleg Series Vol. 1-3. Eddie Vedder e Mike McCready, da banda Pearl Jam, fazem então uma versão acústica de “Masters of War”; e a cantora folk-pop Tracy Chapman canta “The Times They Are A-Changin’”.

As três próximas canções são interpretadas pela nata da country music, começando pelo “man in black” Johnny Cash e sua esposa June Carter Cash, que executam com maestria “It Ain’t me, Babe”. O eterno cabeludo Willie Nelson entra com seu violão para cantar “What Was It You Wanted” e permanece no palco para auxiliar Kris Kristofferson em sua bela versão de “I’ll Be Your Baby Tonight”. O próximo a pisar o palco é o guitarrista albino Johnny Winter, que incendeia a platéia com sua elétrica interpretação de “Highway 61 Revisited”, música que há anos foi incorporada ao repertório do bluesman. Ron Wood sobe ao palco com sua fender Stratocaster para tocar “Seven Days”, música que Bob Dylan compôs em 1976 e que foi lançada por Ron Wood em seu álbum Gimme Some Neck em 1979.

G. E. Smith e Bob Dylan

O músico folk Richie Havens, que ganhou notoriedade por ter feito a abertura do Festival de Woodstock em 1969, comparece para tocar “Just Like a Woman” com a sua bizarra técnica de tocar violão, que consiste em usar uma afinação em Ré que permite que ele utilize o seu dedo polegar para executar a maioria dos acordes. A seguir, o grupo folk The Clancy Brothers and Tommy Maken fazem uma harmoniosa interpretação para “When the Ship Comes In”. Os irmãos Lian, Bobby e Paddy Clancy foram os primeiros amigos que o jovem Bob Dylan fez ao chegar à Nova Iorque em 1961, quando os conheceu no bar de Tommy Maken, um tocador de banjo e poeta que acompanhava os Clancy Brothers (hoje todos são falecidos). O momento constrangedor da noite veio quando Kris Kristofferson anunciou a cantora Sinnead O’Connor, que deveria cantar “I Believe in You”. Duas semanas antes do concerto, Sinnead havia rasgado uma foto do papa João Paulo II ao vivo no programa Saturday Night Live, gerando uma grande onda de protestos. Ao subir ao palco, Sinnead foi recebida por uma vaia ensurdecedora. Abalada, a cantora cai no choro e recita de improviso um trecho da música “War”, que Bob Marley compôs para Martin Luther King, e sai do palco em prantos, amparada por Kristofferson. A seguir o canadense Neil Young, mesmo levemente bêbado, faz uma apresentação emocionante e descomunal, tocando os clássicos “Just Like Tom Thumb’s Blues” e “All Along the Watchtower”.

A líder dos Pretenders, Chrissie Hynde, é a próxima a se apresentar, com uma boa releitura para “I Shall Be Released”. Ron Wood volta ao palco para introduzir “um amigo estreando seu novo penteado”. Eric Clapton é anunciado por Wood e toca as canções “Love Minus Zero/No Limit” e “Don’t Think Twice, It’s All Right” em versões irretocáveis. A seguir é a vez do veterano grupo soul The O’Jays fazer a sua releitura de “Emotionally Yours”. Eric Clapton volta ao palco para anunciar uma de suas principais influências, o grupo The Band. Em sua nova formação, sem Robbie Robertson e com três novos integrantes, o The Band emociona com “When I Paint my Masterpiece”. A filha de Johnny Cash, Rosanne Cash, acompanhada por Mary Chapin Carpenter e Shawn Colvin, toca “You Ain’t Goin’ Nowhere” com seu estilo country.

Bob Dylan e Johnny Cash

Chrissie Hynde retorna ao palco para anunciar um de seus ídolos, o guitarrista George Harrison. George toca “Absolutely Sweet Marie” e “If Not For You”, canção que ele havia gravado em seu disco All Things Must Past em 1970. Após George, é a vez de Tom Petty and the Heartbreakers interpretar “License to Kill” e “Rainy Day Women #12&35”. Tom Petty chama então o líder do The Byrds, Roger McGuinn, para juntos tocarem “Mr. Tamborine Man” com o arranjo imortalizado pelos Byrds.

Coube a George Harrison a honra de chamar ao palco o anfitrião da festa, que até então estava nos camarins assistindo pelo circuito interno de televisão aos seus convidados a cantarem as suas músicas. Bob Dylan subiu ao palco ovacionado pela platéia e, acompanhado apenas por seu violão e harmônica, atacou com “Song to Woody” e “It’s AlRight, Ma (I’m Only Bleeding)”. A próxima canção, “My Back Pages”, traz Bob Dylan, Roger McGuinn, Tom Petty, Neil Young, Eric Clapton e George Harrison juntos, se revezando nos vocais. Nove guitarristas estão no palco nesse momento. Todos os participantes do show então sobem ao tablado para entoarem juntos “Knockin’ on Heaven’s Door”, num emocionante e descontraído encontro de astros. George Harrison e Ron Wood aproveitam para colocar a conversa em dia enquanto tocam as notas da canção. Após o gran finale, Bob Dylan ainda retorna sozinho para tocar a saideira, “Girl From the North Country”.

Após o show, todos os artistas deixam o Madison Square Garden e se dirigem ao Irish Pub de Tommy Maken, onde confraternizam e se embriagam até a manhã do dia seguinte. Uma grande festa para esse seleto grupo de músicos e também para nós, que podemos desfrutar do disco triplo (CD duplo) e do vídeo do show.


1968 no rock: a revolução da juventude

quarta-feira, junho 23, 2010

Por Vitor Bemvindo
Historiador e Colecionador

O maio de 1968 costuma ser citado como um mês que mudou a história para sempre. Os movimentos políticos e sociais ocorridos naquele período parecem expressar um dado demográfico arrebatador: em 1968, os jovens passaram a ser a maioria da população mundial. Exatamente nessa época, a juventude de diversas partes do mundo saiu às ruas buscando ser mais representativa e pedindo mudanças na sociedade conservadora que a oprimia, impedindo a liberdade de expressão e impondo guerras que não eram suas.

A eclosão desses movimentos foi sentida inicialmente na França, onde os jovens foram às ruas reivindicando mudanças no sistema educacional do país, mais especificamente na Universidade de Paris. As manifestações ganharam vulto e muitas causas foram incorporadas aos protestos, como a igualdade, a liberdade sexual e de expressão, os direitos humanos e a oposição à Guerra do Vietnã. Ainda em maio, ocorreram manifestações em outras partes da Europa, nos Estados Unidos e até mesmo no Brasil, que entrava em uma das fases mais negras da sua história com o enrijecimento da opressão à oposição ao golpe militar de 1964.

A trilha sonora dessas manifestações não poderia ser outra: o rock and roll, o ritmo mais popular entre os jovens daquela época. E o impacto das demandas desses movimentos no rock foi imediato. As duas bandas mais populares daquele momento escreveram canções influenciadas pelo maio de 1968. Os Beatles lançaram em agosto daquele ano o single “Hey Jude”, que trazia em sua lado B a faixa “Revolution”, que faz menção ao clima da época. Os Rolling Stones, por sua vez, lançaram a faixa “Street Fighting Man” no disco
Beggars Banquet, que trata exatamente dos conflitos ocorridos entre a polícia e os estudantes em Paris.

A capa do compacto de “Street Fighting Man” reproduz confronto entre policiais e estudantes

As duas bandas passavam por tensões internas. Os Beatles estavam em um grande esgotamento em suas relações pessoais e resolveram fazer um disco no qual as composições individuais se sobressaíssem ao espírito de grupo. Em
The Beatles – mais conhecido como White Album -, só há uma faixa composta em parceria - “Birthday”, de John Lennon e Paul McCartney. Todas as demais são composições individuais, com espaço inclusive para canções de George Harrison e Ringo Starr. As faixas creditadas a Lennon e McCartney são, na verdade, composições de um ou de outro separadamente, somente atribuídas a dupla por conta de um acordo que havia entre eles.

Nos Stones, as tensões ocorriam entre Brian Jones e o restante do grupo. O guitarrista estava no auge do seu vício e a convivência entre ele e seus companheiros beirava o insustentável. Ainda assim, o grupo conseguiu produzir um dos seus maiores sucessos comerciais e de crítica, o álbum
Beggars Banquet, o primeiro a cargo de Jimmy Miller, que viria a ser o produtor de todos os discos do quinteto até 1973. O lançamento serviria para apagar o fracasso da empreitada psicodélica feita pelo grupo em Their Satanic Majesties Request, do ano anterior. Mesmo assim, o grupo ainda experimentaria um insucesso, com a produção frustrada de Rock and Roll Circus.

Os barulhentos Blue Cheer

A ressaca psicodélica era evidente. Os excessos de experimentalismos não foram tão notados em 1968 como no ano anterior. Sente-se, porém, um novo tipo de experimentação ligado ao uso de mais distorções nos efeitos de guitarra. Eram os primeiros passos do que viria a ser o hard rock e, mais tarde, o heavy metal.

Um exemplo extremo do uso desse novo artifício estava em
Vincebus Eruptum, do Blue Cheer. O disco foi m marco no nascimento de um blues rock com peso, que mais tarde se convencionaria chamar de hard rock. Muitos analistas costumam apontar esse álbum como o marco inicial do heavy metal. O Blue Cheer ainda lançaria o seu segundo álbum nesse mesmo ano, Outsideindide, que se mostraria um pouco mais eclético.

Outro fato importante para a história do hard rock está ligado à nova formação do Yardbirds, que naquele ano excursionaria pela Escandinávia e outras partes da Europa com o guitarrista Jimmy Page, o vocalista Robert Plant, o baixista John Paul Jones e o baterista John Bonham. Um ano mais tarde o New Yardbirds lançaria o seu primeiro álbum como Led Zeppelin, tornando-se uma das maiores referências do gênero.

O Deep Purple, outro peso pesado do hard rock, também dava os seus primeiros passos em 1968 com o lançamento dos seus dois primeiros discos,
Shades of Deep Purple e The Book of Taliesyn. Apesar de terem conseguido algum sucesso comercial com esses trabalhos, a banda parecia não ter ainda uma personalidade formada, flertando com o rock psicodélico e progressivo e tendo ainda pouco do peso que a faria famosa no futuro.

A terceira das bandas que formaria a tríade sagrada do hard rock setentista também começava a se formar. O Black Sabbath, ainda com o nome Earth, consolidaria em 1968 o line-up com Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward. Apesar disso, a identidade da banda ainda estava longe de ser materializada. O Earth ainda era um grupo de blues rock que tocava em alguns pubs de Birmingham.

Contracapa de Truth, do Jeff Beck Group

Apesar das bandas que tornariam o hard rock popular ainda estarem em um estágio embrionário, algumas obras que serviriam como referência para esses grupos foram lançadas, entre elas o álbum
Truth, o primeiro do Jeff Beck Group, que trazia um blues rock com distorções de guitarra que orientariam claramente o trabalho do Led Zeppelin. Outro disco fundamental do hard rock lançado em 1968 foi In-A-Gadda-Da-Vida, do Iron Butterfly.

Por outro lado, uma das bandas que definiram esse subgênero do rock chegava ao fim. O Cream realizou em 1968 sua última turnê. O power trio formado por Jack Bruce, Ginger Baker e Eric Clapton foi desfeito graças a problemas de relacionamento entre os integrantes. No ano seguinte ainda seria lançado um novo álbum do Cream, mas o grupo só voltaria a se reunir, esporadicamente, muitos anos depois.

Para compensar a perda de um grande nome do rock britânico, um outro se formava e lançava o seu primeiro trabalho naquele ano. Era o Free, formado pelo guitarrista Paul Kossoff, pelo baterista Simon Kirke, pelo baixista Andy Fraser e pelo vocalista Paul Rodgers. O grupo lançaria naquele o aclamado
Tons of Sobs, dando novo fôlego à cena blues rocck da terra da rainha.

A sensacional The Band

Mas não só de hard e blues rock viveu 1968. Alguns movimentos que ganharam força no ano anterior continuaram a aparecer com destaque. O rock californiano, por exemplo, que em 1967 tinha tido destaque graças ao Verão do Amor e o Festival de Monterey, ganhava novos representantes. De El Cerrito surgiu o Creedence Clearwater Revival com uma sábia mescla de country, blues e rock clássico. O disco epônimo do grupo foi um grande sucesso e apontou para uma nova forma de se fazer rock.

Apesar de canadenses, a The Band era bastante ligada à cena de São Francisco, que revelou nomes como Moby Grape, Love, Jefferson Airplane, entre outros. Em 1968 o grupo lançaria o seu primeiro trabalho,
Music From Big Pink, aclamado como um dos melhores álbuns de estreia de toda a história do rock. A The Band conseguiu elevar o nível da estética do folk rock, danda mais qualidade aos arranjos do gênero. Não à toa, Bob Dylan classificara e batizara o grupo como “a banda”.

Grande artistas revelados em 1967 começavam a consolidar suas carreiras com discos definitivos. Jimi Hendrix, com o seu trio Experience, tornou-se um dos maiores fenômenos da música em apenas dois anos de carreira. O lançamento de
Electric Ladyland elevaria o guitarrista ao patamar dos grandes artistas de seu tempo. Janis Joplin continuava a se destacar com seu grupo, o Big Brother and the Holding Company. O sucesso do segundo álbum da banda, Cheap Thrills, fez com que a cantora ganhasse a mídia e partisse, no final do ano, para uma carreira solo. Os Doors continuaram a surfar no sucesso dos seus dois primeiros álbuns, lançados em 1967. Em 1968 o grupo lançaria Waiting for the Sun, que repetiria o êxito de seus antecessores e, além disso, incorporaria demandas dos movimentos sociais da época, como a repulsa ao alistamento militar compulsório.

The Pretty Things

Apesar da baixa no rock psicodélico, o rock progressivo parecia se tornar uma alternativa viável para manter a linha estética da sua variante original. Após o sucesso de grupos como Procol Harum, The Mothers of Invention e Pink Floyd, 1968 viu florescer outros grupos, como Jethro Tull, The Nice, Caravan e The Pretty Things. Esses últimos inovaram ao lançar
S.F. Sorrow, tido como a primeira ópera-rock da história e que, segundo o próprio Pete Townshend, influenciou diretamente a composição de Tommy, do The Who.

Ainda no progressivo, o Pink Floyd experimentava uma profunda transformação com o afastamento de Syd Barret do processo criativo do grupo, devido ao uso excessivo de LSD e outras drogas lisérgicas. Emerge, assim, a figura de Roger Waters como mentor criativo da banda, além da incorporação do guitarrista David Gilmour.

A turma da Tropicália

No Brasil, em pleno auge da repressão política e da censura instituída pelo Ato Institucional Número 5, emerge um movimento artístico inspirado no modernismo da década de 1920, essencialmente no conceito do antropofagismo cultural. A ideia central do Tropicalismo era incorporar à cultura brasileira elementos de correntes de vanguarda internacionais, especialmente a pop art e o concretismo. Esse movimento influenciou as artes plásticas, o cinema e o teatro, mas principalmente a música.

O marco da fundação do Tropicalismo foi o lançamento do álbum
Tropicália ou Panis et Circenses, que reunia artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa, Torquato Neto e Os Mutantes. A essência do disco era incorporar elementos da música estrangeira, em especial os utilizados no rock, como a guitarra elétrica e efeitos de distorção, entre outros, na música brasileira.

A partir da Tropicália, Os Mutantes começaram a trilhar um novo caminho no rock brasileiro, que deixou de ser uma cópia mal feita do que produzido fora do país para ter uma personalidade própria. O grande mérito da banda foi estar antenada com tudo o que era mais moderno no rock internacional do período. O primeiro disco do grupo tinha elementos de rock psicodélico e progressivo, novidades até mesmo para nomes vanguardistas de Londres ou São Francisco. Ao incorporar elementos da música brasileira e regravar composições de artistas como Jorge bem, Sivuca e Caetano Veloso, Os Mutantes conseguiram dar uma identidade sem precedentes ao rock feito em nosso país.

Para ouvir algumas das canções mais importantes do ano 1968 e saber mais sobre esse ano histórico, ouça o MOFODEU #087, o quarto da série Anuário,
clicando aqui.


22 de jun de 2010

Minha Coleção - Renato Brito: “Passei 6 meses sem ouvir nenhum disco porque não conseguia achar agulha pra repor, então minha vida foi um inferno!”

terça-feira, junho 22, 2010

Por Fernando Bueno
Colecionador
Collector´s Room

Renato, obrigado por participar da coluna Minha Coleção. Gostaria que você se apresentasse para os leitores do blog.

Bem, meu nome é Renato, tenho 32 anos, moro em SP, especificamente no Edifício Copan, um belo cartão postal da cidade.

Como foi que você entrou em contato com a música?

Desde pequeno tenho contato com música pelos meus pais, tios e avós. Meus avós eram cantores de rádio, tenho um tio e um irmão baterista e praticamente toda a família canta e toca violão, então os encontros da família são sempre bem musicais. Depois, em uma festa da escola, na 5ª serie, eu ‘apresentei’ no palco a música “Yesterday” dos Beatles, e pra isso tive que ensaiar muito a letra, já que eu não conhecia nada de inglês, e também não conhecia “quem cantava”. Depois da apresentação eu, criança, acabei riscando o compacto que meu tio havia me emprestado e depois joguei fora. Uma pena! Eu me lembro de começar a realmente gostar de rock quando comprei meu primeiro CD, ’74 Jailbreak, do AC/DC. Já gostava da música principal do disco, e ouvia direto. Então em 96 esse meu tio me chamou para ir no show deles aqui em SP, e apesar de na época não conhecer todas as musicas (e putz, não tocaram Jailbreak!!), percebi que aquela era “A” banda. Daí pra frente o que eu aprendi de rock foi por meio de radio.


Compactos dos Beatles

Como foi essa apresentação de “Yesterday”? Você toca algum instrumento hoje em dia?

Foi uma apresentação para a escola toda, em um festival com vários alunos. Eu cantei em cima do disco, super nervoso no palco, não toquei nada, mas no final deu certo. O pessoal gostou e acabei chamando a atenção por ter me apresentado sozinho, muita gente ficou impressionada que eu tive coragem de subir lá e me apresentar. Hoje eu estou treinando guitarra, já que toco violão e quero melhorar a parte de solos e tal. Queria montar uma banda, mas pra isso me faltam 3 coisas: 1 baixista, 1 vocalista e 1 baterista (risos).

Qual o tamanho da sua coleção? E quando você percebeu que você tinha se tornado um colecionador?

Primeiro tenho que explicar uma coisa: fazem 6 anos eu estava numa loja de velharias, e vi uma caixa com diversos compactos e lembrei que eu havia riscado aquele compacto do meu tio, uns 20 anos atrás (sempre tive a consciência pesada por causa disso), e resolvi procurar para “devolver”. Não achei nada a não ser um outro compacto dos Beatles, “Let it Be/You know my name”. Comprei na hora. Aquele foi meu primeiro vinil comprado!!! Eu já tinha em CD a discografia completa do AC/DC, mais algumas coisas perdidas (Soundgarden, Angra, Beach Boys) mas nada foi comprado com conhecimento. Coisa de adolescente. Depois desse compacto dos Beatles, comprei uma mini-vitrola Philips, pra poder ouvir (é, eu não tinha toca-discos). A partir daí fui procurando somente compactos para comprar, para achar o danado do “Yesterday” pra devolver pro meu tio. Quando eu vi que tinha muita coisa legal também em vinil, resolvi investir meu tempo em procurar mais coisas, em aprender mais sobre a época de 1960/70 que pra mim é a melhor, e procurar raridades. Tenho mais de 300 LPs e uns 90 compactos.

Discos do Iron Maiden

Você tem um interesse maior pelos LPs. Como isso aconteceu? Você acha os LPs superiores aos CDs? Em quais aspectos?

O lance do LP vai muito além do que parece. Quem tem um LP sabe como é gostoso ter o trabalho de tirar o vinil da capa, colocar a agulha, ligar toda a aparelhagem, ouvir aquele chiado do começo do disco, ter que virar o disco no final. É uma coisa chata mas legal. Faz parte do que eu chamo de “ritual do disco”. Até xingar quando o disco pula é legal (risos). Eu prefiro LPs por causa da capa com muitos detalhes que no CD não tem, encartes, posters, a parte interna da capa dupla, o fato de ser mais difícil de conseguir. Você consegue toda a coleção do Led em um único download (legal ou ilegal) ou em algum relançamento em CD, mas você se mata pra conseguir a mesma coleção em vinil. Você olha os detalhes da capa Somewere in Time do Iron em CD e em vinil, e é outra coisa, outro mundo. A sonoridade é mais cheia, o som é mais encorpado. Não acho que o CD tenha o som inferior, mas o LP tem um “quê” diferente, que você consegue distinguir qual musica veio de um LP e qual de um CD. E o LP é como um prêmio, porque você tem (por exemplo) um compacto dos Beatles que foi fabricado em 1963, e que é da época, ou seja, ninguém conhecia essa banda, a musica era nova, o disco era de divulgação. Poxa! É como um rascunho da Monalisa, entende? “Será que vai fazer sucesso?” Eles prensaram AQUELE disco especifico e venderam e até hoje vc curte. Um CD é algo que já fez sucesso, e é um relançamento. Figurinha repetida (risos).

Mas você possui CDs também não é?

Possuo CDs sim, principalmente da época da adolescência. Não sei quantos CDs eu tenho, devem ser uns 30, 40. Pouca coisa e muito variada. Além da discografia do AC/DC e dos principais do Iron Maiden, tenho quase todos dos Beastie Boys e coisas desde Public Enemy e Cypers Hill até Raimundos ou Blind Guardian.

Discos do Roberto Carlos

Você tem uma coleção bem completa do Roberto Carlos e por outro lado também tem outras coisas como Megadeth e Funkadelic. Como você acha que conseguiu unir estilos tão diferentes?

Não sigo estilos na hora de montar minha coleção. Ela começou a principio somente com compactos, e depois que a fonte começou a esgotar, passei a comprar LPs também. Eu procuro tudo o que é ‘clássico’. Roberto Carlos (antes da fase da maldita Baleia! ...risos...) é um clássico, ele é revoltado, jovem, quer comprar briga com a turma da outra rua, passa no farol vermelho porque está buzinando pra uma garota, toma multa, desce pra Santos a 150, 200 por hora!!!! Putz!!! Ele é um Rock’n’Roll legítimo! Fora a “Historia de um Homem Mal”, que eu acho que é a melhor musica dele. O cara é pistoleiro assassino, e no final morre!!!! Isso é o que? Rock ’n’ Roll na veia !!! Tenho vários clássicos diferentes. Coisas como Jair Rodrigues e Elis Regina da época, que não tem como não dizer que não são ótimos cantores. Toquinho, Tom Jobim, Vinicius, Miucha, você ouve o timbre, a poesia, a musica, é muito legal. A parte mais hard core, Metallica, Iron, Helloween, Megadeth, toda a parte com guitarra pesada, é bom pra bater cabeça, “expulsar os demônios do dia-a-dia”. Tenho coisas mais tranqüilas como Jeff Beck, Emerson Lake & Palmer, Jonnhy Winter (nota 10!!), e por ai vai. Sou eclético. Consigo curtir um som pesado num dia, e no outro coloco um Frank Sinatra (ao vivo no Maracanã), que está tudo bem. Clássicos não tem ninguém que não goste. Quem não curte Jonnhy Cash cantando “Folsom Prision”? E isso não é rock, é country americano.

Compactos do Roberto Carlos

Você tem uma banda preferida? Aquela banda que te faz perder mais tempo e dinheiro procurando novos itens.

Minha banda preferida é AC/DC. E apesar disso, não tenho tantas coisas deles, mas foi a banda com o disco mais caro (T.N.T. australiano, legitimo). A banda que dá mais trabalho é a Rolling Stones, que a discografia completa é absurda. Tenho compactos, LPs, singles... um compacto com a capa no estilo “boca”... mas é só um décimo do que eles lançaram. A banda que eu gasto mais dinheiro e a que eu gosto mais de comprar é o Iron Maiden, que eu sou viciado nos compactos e singles deles. A banda que me faz perder mais tempo (e perco mesmo, porque não acho nada) é The Who. Mas Who é demais!!! Mas também tem o Doors, que é a banda que eu compartilho com minha amiga Roberta. Ambos somos apaixonados pelo “Rei Lagarto”. Tenho até uma tatuagem em sua homenagem!!! “Love me two times”.

Quais são os itens mais raros da sua coleção? E quais foram os que deram mais trabalho para conseguir?

Minha coleção é humilde, tem poucas coisas. Posso falar de coisas muito conhecidas, e pouco vistas pelas pessoas como o álbum 3D “Their Satanic Magestic Request”, dos Stones, o Electric Ladyland, com a capa das moças nuas, tenho o High Voltage (AC/DC) da Itália, com a capa do Bon Scott desenhada em branco/azul/lilás, tenho o TNT deles também original da Austrália, o “Are you Experienced” do Hendrix, versão francesa, com a capa diferente e o vinil vermelho. Do Iron tenho alguns singles, como The Reincarnation of Benjamin, com o vinil branco, o duplo “A Matter of Life and Death” com picture disc, um compacto do Number of the Beast com o vinil vermelho, e um Shaped que é o “painel da nave” do compacto Wasted Years. Quadrado, recortado, muita gente também pergunta: “Mas isso toca?!?!” Tenho outras coisas também que são mais normais de se achar, como o LP “The Division Bell” azul do Pink Floyd, o LP duplo/CD duplo/ DVD do show do Roger Waters “The Wall” na Russia, uma coleção de DVDs do Doors. Mas também gosto de falar de outras ‘raridades’, como compactos diferentes, como dois do Silvio Santos cantando marchinhas de carnaval, um do Roberto Carlos cantando “ai que saudade da Amelia” (ele que se diz tão romântico), Gengis Kan, Gugu, Sergio Malandro, Village People, entre outras coisas engraçadas. Tenho um compacto do Roberto, que era um encarte de revista: você recortava a pagina que tinha o vinil colado e tocava “Calhambeque”. Tanto que o disco enrola e não quebra.

Disco do Roberto Carlos recordado do encarte de revista

E quais são os seus preferidos?

Meus LPs preferidos são:
- Electric Ladyland (ouvir All Along the Watchtower e logo em seguida Voodoo Child (slight version) é tudo de bom!)
- Let it Bleed e Their Satanic Magestic Request (Rolling Stones)
- White Album (Beatles)
- Casa do Rock (Casa das Maquinas)
- Todos do AC/DC, exceto Flick of the Switch e Fly on the Wall)
- Os Mutantes (o primeiro)
- Green River (Creedence Clearwater Revival)
- Black Sabbath

Meus compactos preferidos, é mais facil:
- A historia de um homem mal - Roberto Carlos
- Bridge Over Troubles Water (Elvis)
- You Know My Name (Beatles)
- Revolution – Beatles (versão mais pesada que no White Álbum)
- Roda Viva – Chico Buarque
- Proud Mary (CCR)

Black Sabbath e Led Zeppelin

Você tem algum disco que nem você mesmo sabe porque tem ele? Alguma coisa estranha que destoa da coleção?

Com certeza! Tenho um compacto do Village People que não tem nenhuma musica conhecida, mas a capa é tão tosca, tão tosca, que eu fui obrigado a comprar. Dois discos do Bozo, comprados pela raridade, e um disco do Kid Abelha, single, com o lado A em 33 rotaçoes e o lado B em 45. Comprado somente pela curiosidade. Nem lembro qual musica tem lá! (risos). Eu tinha um do Caetano Veloso numa pose “esquisitérrima” mas já passei pra frente. Tem mais coisas até...

Discos "estranhos"

Qual o item que você tem que é apenas para completar a coleção? Sabe aquele grupo que você gosta de tudo, mas um álbum em especial é ruim, mas você não consegue ficar sem, pois, afinal, é uma coleção.

Flick of the Switch, Fly on de Wall (em CDs), são péssimos. Outro: eu já sabia que nesse disco a Rita Lee já havia saído, mas comprei Tudo Foi Feito pelo Sol dos Mutantes somente pela coleção. E não paguei barato não! E ta aí uma banda que pouquíssima gente conhece, mas que é muito boa: Mutantes.


Mutantes e Casa das Máquinas

Você se interessa por bootlegs?

Sinceramente não. Muitas pessoas gostam, concordo que tem muita raridade, mas eu não sou muito chegado. Prefiro os LPs lançados oficialmente, nem coletâneas eu gosto muito.

Teve algum disco que você já passou pela sua mão e hoje você se arrepende de ter não ficado com ele?

Eu comecei a comprar vários discos, sem antes pesquisar a respeito. Comprava varias coisas às cegas, que depois ficavam encostadas. Quando comecei a levar a idéia de uma coleção a sério, acabei por pesquisar algumas coisas e me desfazer de outras velharias. Numa dessas me livrei de um LP do Hot Chocolat, que apareceu até no livro dos 1001 discos, outro duplo do filme Grease (que eu poderia ter guardado pela curiosidade) e alguns discos de 10” de musicas clássicas, que poderiam ter ficado na coleção na seção ‘cultura’ (risos). Enfim, me livrei de uns 100 discos ao longo do tempo, e desses uns 20 eu me arrependo. Mas o que eu me arrependo mais é quando eu estou numa loja, pego o disco na mão, vejo a capa, cantor, musicas, e não levo pra poder levar outro mais conhecido. Depois acabo por pesquisar o artista, as musicas, vejo que aquele disco é “o disco”, o mais legal e tal, e quando eu volto na loja, ele não está mais lá. Como eu sou mais novo, acabo por pesquisar e aprender sobre os artistas, e numa dessas me passa um Jethro Tull nas mãos, que eu não reconheço e não levo, e descubro que era uma preciosidade. Rush tem muita coisa, e esse mês eu peguei na mão mas não comprei o LP com a capa dos “dados” e acho que vou me arrepender mais pra frente, quando estiver faltando somente ele (risos).

AC/DC e Doors

Como você organiza sua coleção? Você tem alguma mania típica de colecionador?

Eu tenho duas planilhas, uma com todos os 1001 discos que eu tenho que ouvir antes de morrer (eu digo que logo depois que ouvir os 1001, eu morro) e outra com varias abas com a discografia completa de alguns artistas. Conforme eu vou comprando, vou atualizando. Mas muita coisa eu não tenho controle, então vou só comprando o que aparece na frente. Na minha estante, não tem muita separação, só por banda. Mas cada banda tem o lugarzinho certo. Um detalhe interessante: na minha visão, um LP lançado em 1960 tem muita historia pra contar. Ele passou por muitas mãos, foi ouvido por ‘n’ pessoas, e as marcas que ele tem fazem parte da sua historia. Assim, eu não guardo meus LPs dentro dos saquinhos plásticos que todo mundo guarda. Eles estão em um lugar seco, protegido, mas ficam livres, soltos, respirando ar puro (risos). Tenho o cuidado de, dependendo da condição do disco, desfazer toda a capa para remendar, colar, limpar, e se for o caso, lavar o disco com água e sabão... Pois é, enfio o disco embaixo do chuveiro morno, passo detergente neutro e uma esponja super macia nova, lavo no sentido das faixas, enxáguo bem e deixo secando um dia todo na sombra. Saem todas as poeiras e o disco fica novo. Mas tenho que confessar que colocar um picture disc na vitrola dá um medo danado da agulha estragar a foto. Eu sei, não vai acontecer. Mas a foto é tão perfeita e putz, a agulha vai estragar!! (risos). Cada doido com sua mania.

Como você tem um interesse maior pelo LPs você deve ter um toca discos, claro. Você tem um aparelho daqueles antigos? Onde encontrou? Já experimentou esses modernos?

Tenho uma Technics 2900SL, aquela profissional com base de madeira, que comprei em um site de leilões, e veio via correio do RS para SP... Paguei uma pechincha (250 reais com frete) pelo toca-discos, um shell e cápsula Shuttle e uma agulha importada. Depois, numa loja vi o preço de um shell igual e custava mais do que eu paguei no conjunto todo. Mas como curiosidade, eu tenho mais 3 vitrolas (isso, vitrola!): 3 portáteis da Philips e uma Sonata do Mickey. Todas funcionando! Detalhe que uma das Philips eu comprei de um mendigo por 20 reais (se eu tivesse só 10 na carteira, tinha sido por 10). Fui ver o preço nesse site de leiloes, e pediam mais de 250 reais. Uma vez, fui transportar essa Technics e a agulha quebrou. Passei 6 meses sem ouvir nenhum disco porque não conseguia achar agulha pra repor, então minha vida foi um inferno!!! (risos). Uma baita coleção e não conseguia ouvir nada!!! Também transformei uma dessas Philips eu um amplificador de guitarra, pois ela estava velhinha e eu resolvi adaptar. E acreditem: o som ficou muito bom!!!

Pergunta que todos adoram responder. Quais os 10 melhores álbuns de todos os tempo?

1- “74 Jailbreak
2- Electric Ladyland – Jimmy Hendrix
3- Morrison Hotel – Doors
4- White Album – Beatles
5- Their Satanic Magestic Request - Rolling Stones
6- Led Zeppelin 3 (todos os 4 primeiros não vale? Rsrsrs)
7- Machine Head – Deep Purple
8- Powerslave – Iron Maiden
9- Dark Side of the Moon – Pink Floyd
10- A Momentary Lapse of Reason – Pink Floyd

Não tem como listar só 10 discos. Mas já vi um entrevistador perguntando: “Se tivesse um incêndio e você pudesse salvar somente um disco, qual você levaria?” Eu ainda não sei a resposta, mas talvez seria o Momentary Lapse of Reason, não tanto pela qualidade mas pelo valor sentimental.

Pink Floyd

Rapidinhas: Beatles ou Rolling Stones?

Rolling Stones, em homenagem ao Keith Richards, que caiu de um coqueiro com mais de 60 anos e não morreu. Ele deve ter feito pacto com o Diabo, como diziam antigamente.

Led Zeppelin, Black Sabbath ou Deep Purple?

Meu Deus, não tem como escolher!!! Comparar “Kashmir” com “N.I.B” com “Child in Time” ??? Mas entre essas 3, eu vou de Kashmir. Não!, NIB... Não!..(risos). Deep Purple, antes que eu mude de idéia.

Hendrix ou Clapton?

Clapton who? (risos). É legal saber a historia que o Hendrix com o fim do The Jimi Hendrix Experience, arrumou três amigos, e ia montar uma banda nova, chamada HELP. HELP era o nome formado com a inicial dos integrantes: Hendrix, Emerson, Lake e Palmer. Hendrix morreu, daí a historia todo mundo conhece...

Ozzy ou Dio?

Meus ídolos arrancam cabeça de morcego no palco. Mas o chifrinho com a mão deve ter menção honrosa.

Bruce Dickinson ou Rob Halford?

Bruce. Bruce. Bruce. Bruce. BRUCE! BRUCE! BRUCE! (multidão gritando). Mas eu sou fanzaço da música Painkiller, não tem como negar. Judas Priest é demais também. Mas prefiro Bruce. “Scream for death, São Paulo!!!!!”

Bon Scott ou Brian Johnson?

Bon Scott, sempre. Gosto muito do Brian, ele levou o AC/DC muito longe, mas o Bon deixou uma marca, que a gente não pode esquecer. “O Brian está substituindo muito bem o Bon Scott” é o que eu digo.

Um show ou um CD?

Devia ser “um show ou um LP?” rsrssrsrs Um show, com certeza. Mas show tem que ser na pista, com o sufoco de chegar perto do palco, ou pagar mais caro pela área VIP, com cansaço, vendedor que nunca chega com a água (risos). Um LP do show, só se for EXATAMENTE do show que você foi. Não vale da mesma turnê mas em outro pais.

Se você tivesse que indicar algumas bandas, e alguns discos, para uma pessoa que nunca teve contato com o rock, o que indicaria?

Diria: “cara, onde você estava esses anos todos?” Eu indicaria algum disco do Elvis, pra pessoa entrar em contato com o blues e o rock. Depois passaria para um Jonnhy Winter (Hot, Blues & sei-lá) para ouvir uma guitarra mais distorcida, mas numa batida tranqüila. Depois mete um “Ace of Spades” porque rock ’n’ roll não tem paciência! (risos). Quando a pessoa voltar a si, colocar um Rolling Stones (Beggars Banquet/Voodoo Lounge) pra um rock simples mas gostoso, variado. Agora se a pessoa estiver dirigindo, é colocar um dos 4 primeiros do Led Zeppelin, que é pra viagem ser mais ‘agitada’.

Compactos raros

Você se interessa por bandas atuais? Se sim, tem alguma que você destacaria?

Poxa, atualmente não vejo nada que me interesse. Bandas novas não tem criatividade, ou não tem divulgação. Coisas boas lançadas recentemente vêm de bandas antigas, como Iron, Mettalica, Rush... É uma pena, porque daqui a 40 anos alguém vai dizer com certeza “eu curto Hendrix” mas não vai dizer “eu curto Fresno”. Entende? Qual é o legado que nossa geração está deixando? AC/DC com mais de 60 anos ainda fazem coisas novas legais. Imaginar que o Robert Plant e o Jimmy Page sentaram numa mesa, pegaram um papel e escreveram DO NADA a musica Rock ’n’ Roll... Todas as batidas, a gritaria, a guitarra... Ninguém hoje em dia cria nada de legal. Quando é que alguém vai pegar um slide e inventar alguma coisa que dure tanto tempo como Voodoo Child? Ou mais recente, mas que te faça cantar junto a plenos pulmões “Painkiller” ? Não tem. E tomara que tenha. Tomara que apareça alguém que mude e comece a criar coisas boas novamente, senão estaremos perdidos. Ok, escrevi tudo isso, mas atualmente a banda Matanza está fazendo um baita som. Pesado, com letras divertidas falando de rock, bebida e mulheres, apresentações ao vivo impecáveis, já estão no quarto CD e preparando o quinto. Tem também um CD/DVD com músicas do Jonnhy Cash, versão pesada, com o tempo da musica x4 e aquela batida “country hardcore jamboree”. Vale a pena comprar “To hell with Jonnhy Cash” ou “Música para Beber e Brigar” deles. Diversão garantida!

A uns dias atrás morreu Ronnie James Dio e baseando-se pela resposta anterior, você acha que com a morte dos ídolos e a conseqüente falta de contato com esse pessoal vai fazer diminuir o interesse dos mais jovens pelo rock dos anos 60, 70 e 80?

Todos os importantes vão morrer. Steve Tyler, Bruce Dickinson, Brian Johnson, Mick Jagger, Johnny Winter, menos o Keith Richard, esse cara não vai morrer nunca!!! Mas com certeza o interesse pelo rock bom, o rock genuíno, vai diminuir ou mesmo sumir com essa nova geração. E na boa? Eu olho e dou risada! Nem quero saber deles, se tem mal gosto ou não. E a falta de conhecimento é absurda! Um amigo meu de 23 anos foi em casa e comecei a tocar guitarra, toquei a introdução de Sweet Child ‘o Mine, e o cara me olhou com uma interrogação e eu falei: Como assim, você não conhece Guns ‘n’ Roses??? Toquei “Iron Man” e ele ainda não reconhecia. Pensei “devo estar tocando muito ruim!!!” Parti para o desespero e coloquei na vitrola “Enter Sandman” e ele não reconheceu. Daí eu desisti. Pedi desculpas para os Deuses do Rock, coloquei a musica “Black Sabbath” e curti sozinho, imaginando que ele já estava com medo daquela “musica do Diabo” enquanto eu contava historias do Ozzy arrancando a cabeça do morcego e bebendo o sangue no palco. Se a geração atual não curte, e não se interessa por musica boa, que se dane! (risos).


Rolling Stones

O rock já está aí há mais de cinquenta anos, e passou por diversas fases nestes anos todos. Sendo assim, eu gostaria que você indicasse aos nossos leitores os álbuns que você recomenda das décadas de sessenta até hoje.

Sou péssimo de épocas, então vou ter que recorrer aqui, e vou listar dos discos que eu possuo e que eu não falei nada da banda:

1960 – Disraeli Gears – Cream
1970 – Meaty Beaty Big and Bouncy – The Who
1980 – Appetite for Destruction – Guns ‘n’ Roses
1990 – Black Álbum - Metallica
2000 – A Night at Opera – Blind Guardian
2010 – Existe? (risos)
Eu sei que falta gente importante aí, mas coloquei só bandas que eu não citei e álbuns que eu possuo e gosto.

Você acha que um dia vai ter tudo o que quer? Ou seja, sua coleção tem um limite?

Não, nunca acaba. Comecei focando em Beatles e Rolling Stones, passei pra Led/Purple. Agora estou na busca de Casa das Maquinas e Mutantes. Não tenho nada do Frank Zappa, Jethro Tull (eu sei, é uma blasfêmia), o Iron tem milhões de compactos diferentes pra se colecionar. Depois vou querer mais coisas do Metallica, mais do Dio... nunca acaba. Só o preço das coisas é que vai subindo. Pesquisar em sebos é mais barato, mas quando você já tem de tudo dos sebos, tem que ir em casas especializadas de LPs, e daí você paga pela raridade e qualidade.


The Who e outros

Mas tem algum disco que falta na sua coleção daqueles que você não entende como ainda não o tem?

Tenho toda a coleção dos Beatles, menos o álbum que tem a clássica “Twist and Shout”. Eu sei, é uma blasfêmia, mas eu digo, que o disco que a gente precisa sempre foge da gente.

Como sua família, seus amigos e conhecidos lidam com essa sua paixão pela música?

Me acham louco (risos)!!! Respeitam, mas ninguém acha muito interessante aquele monte de ‘coisa velha’. E vivem me oferecendo LPs, achando que eu sou catador de lixo, sabe? “Olha, tenho um monte de discos velhos na minha casa, você quer?” Daí quando vou ver, só tem coisas ruins. Mas é legal. Sou o “cara que coleciona discos”, então isso já funciona pra puxar conversa (risos). A primeira musica que minha primeira filha cantarolou foi “tan-tan-tan..” (Smoke on the Water). Ela também me provoca, dizendo que “Rebolation é rock”, hoje ela tem 6 anos. Todo mundo me pergunta: “mas porque você gosta de coisas velhas?”

E os shows? Você vai a muitos shows? Tem algum especial? Alguma história interessante dessas experiências?

Não fui a muitos shows. Fui no AC/DC em 96 e nesse ultimo deles, também fui nos dois últimos do Iron Maiden (Parque Antarctica e Interlagos) e no show do Deep Purple. Não fui a mais por causa de dinheiro mesmo. Queria muito ter ido no ZZ Top, no do Roger Waters e dos Rolling Stones no RJ. Mas nesse show do Deep Purple, no final, eu fiquei inconformado por não terem tocado nem Burn nem Child in Time. Ok, podem rir. Na época eu não sabia da treta dos caras, e minha amiga ainda insistia comigo que eles não iam tocar, e eu duvidava: “como assim, eles não vão tocar?!?!?”. No show do Iron em Interlagos, estava na pista VIP e no final do show (que foi nota 1000) meu tênis ficou preso na lama e escapou. Quando eu abaixei pra pegar ele de volta, vi no chão uma camiseta de futebol do Iron, também toda enlameada. Aquele foi meu troféu!


Discos nacionais e de música clássica

Nesse garimpo por material você deve ter passado por situações únicas. Conte-nos algumas delas.

Minhas pesquisas em sebo eram constantes. Em uma delas, eu comprei o LP “Machine Head” em um sebo na praça da Sé por 50 centavos. O LP estava em uma caixa de feira, na calçada, no sol, junto com outros 200 discos. Era um disco de 180 gramas, que não tinha capa, era só o vinil, e estava mais sujo que cachorro de rua. Estava conferindo disco a disco e achei esse. Peguei na hora. Mas tive que comprar outro LP da mesma caixa, por 50 centavos, só pra pegar uma capa e colocar nele. Muito tempo depois eu achei o Machine Head com capa normal, dupla. Fiz questão de colocar o primeiro LP na capa do segundo. Esse LP merece um premio de sobrevivência! Outra coisa interessante: no período de separação do meu casamento, minha ex-mulher riscou todos meus CDs e DVDs. Todos. Todos mesmo. Mas não encostou nos LP’s. Hoje não sei se xingo (porque perdi todos os CD) ou agradeço (por que LPs são mais raros e caros). Eu tbm já disputei discos de outros compradores. Estava vasculhando uns discos em uma loja e no outro canto outro comprador fazia o mesmo numa parte que eu já tinha passado. Ele pegou um disco dos Rolling Stones e eu queria muito aquele disco mas não tinha visto. Eu fiquei de olho e vi que ele também se interessou por um disco do Deep Purple, mas não levou. Na minha pilha, eu achei “Made in Japan” do Purple e perguntei se ele gostava. Conversei um pouco e joguei que aquele que estava na minha mão era demais, falei todas as qualidades dele (que eu já tinha e conhecia), e falei que valia mais levar o do Purple do que o Aftermatch e tal...No final, ele levou o Purple, e eu consegui o Aftermatch. Uma última historia: comentando com meu gerente no trabalho, que eu comprava discos, eu comentei que tinha acabado de comprar o álbum branco dos Beatles, novinho, e o único detalhe era o nome do dono anterior, no envelope que guarda o vinil. Ele perguntou “O nome é René da Costa Guerra?” e eu fiquei assustado e inconformado... como assim? Como ele sabe? Ele me explicou que comprou um disco do ZZ Top e o amigo dele, o René, comprou o álbum branco. Um queria ter o disco do outro, até que eles trocaram, isso na época do lançamento do disco. Trocaram, mas o René já tinha colocado o nome na parte interna. Anos depois ele se desfez de toda a coleção pra um sebo, e no final, eu comprei o mesmo disco que tinha sido dele por mais de 20 anos, que foi trocado por um ZZ Top. Coincidência incrível!

Pergunta que TENHO que fazer? Afinal, você já conseguiu encontrar o compacto dos Beatles para devolver para o seu tio?

Pois é. Ainda não achei o bendito compacto. Mas quando achar vou colocar num quadro e devolver. Incrível que para esse tio eu já dei um toca-discos, um pré-amplificador e o compacto que me dá o peso na consciência, eu ainda não dei (risos). Eu acho que ele nem deve lembrar mais daquilo, mas pra mim é uma meta!

Renato, novamente obrigado pela entrevista. Aproveite o espaço para deixar aqui seu recado para os leitores da Collector´s Room.

Agradeço a oportunidade, e sei que meus discos são muito poucos em comparação com outros colecionadores. Mas o legal do Collector’s é que tanto o grande colecionador quanto o pequeno tem oportunidades iguais. E é aqui que eu pesquiso muita coisa antes de comprar. Um abraço a todos os leitores, e... “I hope I die before I get old!” (The Who).

Durante a conversa que tive com o Renato ele comentou algumas curiosidades que achei interessante colocar aqui de alguma forma. Algumas coisas são sabidas, como a participação do Jonh Paul Jones em um disco dos Stones, outras nem tanto, assim resolvi colocá-las aqui.

Se você abrir a capa dupla do Their Satanic... dos Rolling Stones, na parte interna tem de um lado um “labirinho” e do outro lado um desenho psicodélico. Se você colocar o LP “Sgt Peppers” dos Beatles em cima do labirinto, você não percebe diferença entre os desenhos: parece que é o mesmo desenho, um continuação do outro. Faça o teste. Poucas pessoas sabem que no Their Satanic, tiveram participações de dois Beatles, e do John Paul Jones, do Zep. Menos pessoas ainda sabem que apesar de estarem proibidos de colocarem créditos, na contra-capa está lá, “J.P.Jones”. Menos ainda percebem que na capa da frente, tem a foto do Paul McCartney e do John Lennon. Sim! Na capa do Their Satanic, dos Rolling Stones tem a foto de dois Beatles!!

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