7 de ago de 2010

Filmes sobre Música: Rejeitados pelo Diabo (2005)

sábado, agosto 07, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Rejeitados pelo Diabo (The Devil´s Rejects, 2005) não é bem um "filme sobre música" como os demais que já mostramos nessa seção, mas algumas características o credenciam a estar aqui na coluna. A primeira, e principal, é o fato de ele ser dirigido por Rob Zombie, um dos grandes nomes do heavy metal contemporâneo. E o segundo é a trilha-sonora simplesmente animal, repleta de clássicos do rock, que ele tem. Isso sem falar na estética macabra que irá agradar em cheio os headbangers.

Para quem não sabe, Rob Zombie (cujo verdadeiro nome é Robert Cummings) era o líder e vocalista de um dos grupos mais legais dos anos noventa, o White Zombie. Com a banda gravou discos muito bons, como La Sexorcisto: Devil Music, Vol 1 (1992) e Astro-Creep 2000 - Songs of Love, Destruction and Other Synthetic Delusions of the Electric Head (1995), ambos contendo alguns dos momentos mais interessantes e originais da música pesada dos anos noventa. O White Zombie acabou em setembro de 1998, e a partir dali Rob iniciou uma elogiada carreira solo.

Paralelamente, no início dos anos 2000 nosso herói, que já havia tido algumas experiências dirigindo clipes, estreou no cinema com o controverso A Casa dos Mil Corpos (House of 1000 Corpses, 2003), vendido com um dos filmes mais violentos e repugnantes da história do cinema, mas que, por causa de uma montagem confusa, agravada pelas exigências da Lions Gate (distribuidora da obra) para que Rob cortasse algumas cenas mais violentas (o que custou nada menos do que 20 minutos da película, que ficaram de fora da versão final), acabou sendo recebido sob uma chuva de críticas negativas pela crítica especializada.

Rejeitados pelo Diabo, seu segundo filme como diretor, é a sequência de A Casa dos Mil Corpos, mas assisti-lo não torna imperativo ter visto o primeiro (como é o meu caso). Rob pegou os personagens mais populares de sua estreia como diretor - o trio de maníacos Otis, Baby e Captain Spaulding - e montou uma história em torno dos três.


O fato é que estamos diante de um road movie sangrento e doentio, explícito e tenso, uma espécie de Assassinos por Natureza (Natural Born Killers, 1994, de Oliver Stone) dos anos 2000. Assim como no filme de Stone, apesar de os protagonistas serem extremamente sádicos e malucos - e de ambos os diretores fazerem questão de evidenciar essas características -, eles são também muito carismáticos, o que faz com que nos peguemos torcendo por um bando de psicopatas.

Zombie trata Otis (Bill Moseley), Baby (Sheri Moon Zombie, sua esposa) e Spaulding (Sid Haig) com extrema atenção. Otis é mostrado como um rock star do inferno, com sua cabeleira esvoaçante e seu visual idêntico ao do guitarrista Zakk Wylde (Black Label Society, Ozzy Osbourne). Baby tem seus dois lados contrastados no filme: a doçura de sua beleza e a negritude de sua mente. Além disso, Rob abusa da força sexual de Sheri Moon, e isso fica claro nos inúmeros takes, em close, dedicados à bunda de Sheri. E Captain Spaulding é a personificação de todos os nossos temores brutais em relação à figura do palhaço, chegando a lembrar, em vários momentos, o também pertubador Violator de Spawn, de Todd McFarlane.

Outro ponto de destaque em Rejeitados pelo Diabo é a ótima trilha-sonora, composta por clássicos do rock norte-americano setentista. Duas sequências em especial merecem destaque. A primeira é quando, no início do longa, Zombie usa a faixa "Midnight Rider", da Allman Brothers Band, para mostrar os crimes que a família Firefly (de onde vem os personagens principais e que está presente em A Casa dos Mil Corpos) cometeu. E a outra é quando, tendo como pano de fundo a clássica "Free Bird" do Lynyrd Skynyrd, Zombie nos leva em uma belíssima viagem pelas highways norte-americanas, culminando na cena final do longa. Em ambas, o áudio é formado apenas pelas canções, em um casamento de imagem e som que beira o sublime.

Não posso terminar esse texto sem falar de William Forsythe, veterano ator de filmes B - inclusive com participação em várias obras de Steven Seagal -, que faz o papel do atormentado xerife Wydell, que se revela tão lunático quanto aqueles que caça, em uma relação semelhante à mostrada com brilhantismo por Alan Moore na clássica HQ A Piada Mortal, onde Batman e Coringa se percebem muito mais como semelhantes do que como figuras antagônicas. A sequência de Forsythe conversando consigo mesmo em frente a um espelho é desde já antológica!

Rejeitados pelo Diabo é um grande filme, repleto de referências à história do terror nos cinemas. A trama é muito boa, a atuação dos personagens é sensacional (com os atores se entregando de forma pertubadora aos seus papéis), a direção de Rob Zombie é exemplar, e a cereja no bolo é a trilha, com clássicos do rock ianque servindo de trilha-sonora para algumas das cenas mais sangrentas da história recente da sétima arte.

Assista, e depois me diga o que achou.


Confira abaixo as faixas da ótima trilha do filme:

1 Film Dialogue - "You ain't getting me"
2 The Allman Brothers Band - Midnight Rider
3 Film Dialogue - "I call 'em like I see 'em"
4 Three Dog Night - Shambala
5 Film Dialogue - "Find a new angle"
6 Terry Reid - Brave Awakening
7 Film Dialogue - "It's just so depressing"
8 Kitty Wells - It Wasn't God Who Made Honky Tonk Angels
9 Film Dialogue - "Would you say that again"
10 Buck Owens and His Buckaroos - Satan's Got to Get Along Without Me
11 Film Dialogue - "This is insane"
12 Elvin Bishop - Fooled Around and Fell in Love
13 Film Dialogue - "Chinese, Japanese"
14 Otis Rush - I Can't Quit You Baby
15 Film Dialogue - "Top secret clown business"
16 James Gang - Funk #49
17 Film Dialogue - "Have fun scraping them brains"
18 David Essex - Rock On
19 Film Dialogue - "Tootie frutie"
20 Joe Walsh - Rocky Mountain Way
21 Film Dialogue - "What'd you call me?"
22 Terry Reid - To Be Treated
23 Film Dialogue - "You have got it made"
24 Lynyrd Skynyrd - Free Bird
25 Film Dialogue - "We've always been devil slayers"
26 Terry Reid - Seed of Memory
27 "Banjo and Sullivan radio spot #1"
28 Banjo & Sullivan - I'm Home Getting Hammered (While She's Out Getting Nailed)
29 "Banjo and Sullivan radio spot #2"

6 de ago de 2010

Van Halen anuncia novo álbum com David Lee Roth

sexta-feira, agosto 06, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

A Warner, gravadora do Van Halen, soltou um comunicado oficial hoje, dia 6 de agosto, anunciando que o grupo está em estúdio gravando um novo álbum com o vocalista David Lee Roth. Esse será o primeiro disco com Roth desde o clássico 1984, e deverá ser lançado em 2011.

A atual formação da banda conta com Eddie Van Halen nas guitarras, seu filho Wolfang William Van Halen no baixo, Alex Van Halen na bateria e David nos vocais. O único membro original ausente é o baixista Michael Anthony, atualmente no Chickenfoot ao lado de outro ex-Van Halen, o vocalista e guitarrista Sammy Hagar.

O Van Halen não grava um disco de inéditas desde 1998, ano em que lançou o discutível Van Halen III com Gary Cherone, ex-Extreme, nos vocais. Ou seja, são longos doze anos sem nada novo da banda.

Os fãs - como eu - famintos por novidade e sedentos por um novo álbum, agradecem. Agora, é esperar e ver como será essa nova encarnação de um dos nomes mais importantes e influentes da história do hard rock.



Hear´n Aid, a resposta metálica ao We Are the World

sexta-feira, agosto 06, 2010

Por Fábio P. Gomes
Colecionador
Rattlehead Brasil

Tem muita gente que não sabe que depois do “Do They Know It's Christmas" inglês e do "We Are the World" americano, quarenta artistas de heavy metal e hard rock dos anos oitenta se reuniram nos estúdios da A&M para participar de um projeto chamado
Hear´n Aid, gravando uma música “Stars” em benefício às crianças carentes da África.

O LP, que além da faixa citada acima tinha também diversas músicas de outras bandas, juntamente com o vídeo com o making of das gravações, teve toda a receita arrecada com suas vendas repassada para ações que combatiam a fome na África.


A música “Stars”, carro chefe do trabalho, é uma belíssima composição de sete minutos de duração escrita por Ronnie James Dio, Vivian Campbell (guitarrista da banda de Dio na época, atualmente no Def Leppard) e Jimmy Bain (baixista com passagens pelo Dio e Rainbow). O projeto
Hear´n Aid conseguiu angariar 1 milhão em um ano, segundo dados da página no My Space de Dio.

Tudo começou com Jimmy Bain e Vivian Campbell percebendo a escassez de representação heavy metal na ajuda mundial. Observando o sucesso dos já mencionados "Do They Know It´s Christmas" e "We Are the World" eles levaram a ideia até Dio, que prontamente a aceitou, decidindo criar um projeto similar mas apenas com integrantes da cena heavy metal e hard rock. Juntos então prosseguiram a composição da canção.


O disco, de acordo com Dio, deveria ter sido prontamente lançado já em 1985, só que devido a problemas diversos de contrato e burocracia das gravadoras para liberarem os artistas o álbum acabou saindo apenas em 1986, o que diminuiu um pouco seu impacto na mídia.

Existiu uma segunda música projeto, chamada “Children of the Night”, para ajudar um programa de crianças desaparecidas, projeto este que Dio já estava envolvido há anos. Esta faixa se chamaria “Throw Away Children”, no entanto, por diversos problemas, a ideia nunca saiu do papel e a canção acabou indo para o álbum
Killing the Dragon, lançado por Dio em 2002.


Nos vocais principais: Eric Bloom (Blue Öyster Cult), Ronnie James Dio (Dio), Don Dokken (Dokken), Kevin DuBrow (Quiet Riot), Rob Halford (Judas Priest), Dave Meniketti (Y&T), Paul Shortino (Rough Cutt) e Geoff Tate (Queensrÿche).

Backing vocais: Tommy Aldridge (Ozzy Osbourne), Dave Alford (Rough Cutt), Carmine Appice (Vanilla Fudge/King Kobra), Vinny Appice (Dio), Jimmy Bain (Dio), Frankie Banali (Quiet Riot), Mick Brown (Dokken), Vivian Campbell (Dio), Carlos Cavazo (Quiet Riot), Amir Derakh (Rough Cutt), Buck Dharma (Blue Öyster Cult), Brad Gillis (Night Ranger), Craig Goldy (Giuffria), Chris Hager (Rough Cutt), Chris Holmes (W.A.S.P.), Blackie Lawless (W.A.S.P.), George Lynch (Dokken), Yngwie Malmsteen, Mick Mars (Mötley Crüe), Michael McKean (David St. Hubbins of Spinal Tap), Dave Murray (Iron Maiden), Vince Neil (Mötley Crüe), Ted Nugent, Eddie Ojeda (Twisted Sister), Jeff Pilson (Dokken), Rudy Sarzo (Quiet Riot), Claude Schnell (Dio), Neal Schon (Journey), Harry Shearer (Derek Smalls of Spinal Tap), Mark Stein (Vanilla Fudge) e Matt Thorr (Rough Cutt).

As guitarras solo ficaram com Vivian Campbell (Dio), Carlos Cavazo (Quiet Riot), Buck Dharma (Blue Öyster Cult), Brad Gillis (Night Ranger), Craig Goldy (Giuffria), George Lynch (Dokken), Yngwie Malmsteen, Eddie Ojeda (Twisted Sister) e Neal Schon (Journey).

As bases com a dupla Dave Murray e Adrian Smith (Iron Maiden).

No baixo Jimmy Bain (Dio), na bateria Vinny Appice (Dio) e Frankie Banali (Quiet Riot) e os teclados Claude Schnell (Dio).

No LP as músicas estão distribuídas da seguinte forma:

Lado A:
1. Hear 'N Aid - Stars (extended version) (*)
2. Accept - Up to the Limit (live)
3. Motorhead - On the Road (live)
4. Rush - Distant Early Warning (live)

Lado B:
1. Kiss - Heaven's On Fire (live)
2. Jimi Hendrix - Can You See Me (esta música não tinha sido lançada até então)
3. Dio - Hungry For Heaven (live)
4. Y&T - Go For the Throat
5. Scorpions - The Zoo (live)

Pra matar a saudade, ou para quem ainda não conhece, aí vai o clipe maneiríssimo de “Stars”:


5 de ago de 2010

“A Voice in the Dark”, novo clipe do Blind Guardian

quinta-feira, agosto 05, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O Blind Guardian acaba de lançar o vídeo promocional de “A Voice in the Dark”, primeiro single de seu novo disco,
At the Edge of Time.

A música segue a linha tradicional do grupo, com arranjo e produção grandiosos. A versão do clipe é editada, já que a faixa que estará no disco tem duração maior.

Dê play, ouça e diga o que achou do som e do vídeo:




Capa do novo álbum, At the Edge of Time

Sexy Cover Arts #9: todo colecionador é um fetichista

quinta-feira, agosto 05, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Toda a semana, uma seleção de capas que enchem os olhos. Para ver as imagens em tamanho maior, basta clicar sobre elas.

E, é claro, vá até os comentários e diga qual a sua preferida - se você tiver sugestões sobre capas que devem aparecer aqui, mande pra gente.

Serge Gainsbourg - Histoire de Melody Nelson (1971)

Liz Phair - Liz Phair (2003)

John Zorn - Filmworks XXI: Belle de Nature (2008)

Erotic Lounge - Secret Affairs (2006)

Erotic Lounge - Bare Jewels (2005)

Erotic Lounge - Erotic Lounge (2003)

Erotic Lounge - Sensual Passion (2005)

Erotic Lounge - Intimate Selection (2009)


4 de ago de 2010

Discos Injustiçados: Rush - Caress of Steel (1975)

quarta-feira, agosto 04, 2010

Por Ronaldo Costa
Colecionador
Whiplash! Rock e Heavy Metal

O embrião do que o mundo viria a conhecer como Rush começou a se desenvolver no fim dos anos 60, em meio à avalanche de bandas que apareciam naquele momento e que se distribuíam em inúmeras vertentes dentro do rock. Bebendo na fonte do hard rock levado adiante por grupos como Led Zeppelin, de quem os canadenses inclusive tocavam vários covers, a banda dava seus primeiros passos. O início mostrava um Rush diferente daquele que se conheceria com o passar dos anos, já que o trio executava a princípio um som com energia mas ainda longe da música elaborada que caracterizaria a sua carreira.

Se tem um ano que pode ser considerado como um marco na sua história é 1975. Não foi o ano de fundação da banda, nem o do lançamento de seu primeiro disco, tampouco foi quando se tornaram um sucesso comercial e mundialmente famosos. Só que foi nesse ano que dois trabalhos definiriam o Rush enquanto banda. Curiosamente, foi na segunda metade de 1975 que eles lançaram o disco que sinalizaria todo o direcionamento musical que o grupo seguiria mas que, ao mesmo tempo, também se tornaria o mais subestimado e injustiçado de seus trabalhos.

O Rush começou quando o jovem guitarrista Alex Lifeson convidou o amigo Geddy Lee para tocar baixo em suabanda, após levar um bolo do baixista inicial. Completando o time com o batera John Rutsey, o recém-formado trio passou a fazer quantos shows fossem possíveis. Sem o apoio de um grande selo, resolveram lançar o primeiro trabalho de forma independente.
Rush, o álbum, era um bom trabalho, de um hard rock simples que acabou chamando a atenção de algumas pessoas nos EUA, onde a grupo começou a ter algum destaque, o que propiciou a oportunidade de uma turnê no país.

Por motivos que nunca ficaram totalmente esclarecidos (diferenças musicais, problemas de saúde ou as duas coisas), Rutsey resolveu deixar a banda, sendo substituído por Neil Peart. Provavelmente, por mais que Geddy e Alex pudessem ter notado qualidades no novo baterista, eles não tinham a exata noção de que estavam colocando no grupo um grande letrista e um dos mais lendários e talentosos bateristas da história. Com essa formação, o Rush atravessaria mais de três décadas de muito rock e sucesso.


Mas voltando a 1974, seguiram-se o relançamento do primeiro álbum por uma grande gravadora, a Mercury, e vários shows. No meio de toda essa correria na estrada, a banda ainda conseguia compor material novo. A influência de Peart sobre o processo criativo foi imediata, sendo que em fevereiro de 1975 sairia
Fly by Night, segundo trabalho do power trio, no qual iniciavam-se os primeiros moldes do tipo de som pelo qual tornaram-se famosos. Apesar de ainda carregar muito do hard blueseiro do Led Zeppelin, nesse disco a banda começava a se afastar dessa fórmula e fazia suas primeiras incursões pelo rock progressivo. Entretanto, foi com o álbum seguinte, também de 1975, que o grupo consolidaria o que, de início, representava apenas uma tendência.

Estamos falando de
Caress of Steel, um dos grandes trabalhos da carreira do Rush, possivelmente seu álbum mais subestimado, que não atingiu à sua época o sucesso que se esperava, recebeu muito mais críticas do que de fato merecia e que durante muito tempo acabou sendo deixado meio que de lado por uma boa parte dos fãs. Mas porque será que a coisa tomou essa direção? Ou será que tudo isso não passa de uma maneira de querer justificar um ponto mais baixo na carreira de Lee, Lifeson e Peart? É exatamente o que vamos discutir nas linhas a seguir.

Em
Caress of Steel a banda resolveu entrar de cabeça dentro do mundo do progressivo, com arranjos mais complexos, músicas muito mais longas e cheias de contratempos, além de seguir uma unidade em seu todo. As letras também tinham a temática típica das músicas características dessa vertente do rock. Pela primeira vez víamos uma peça épica num álbum da banda.


No entanto, aquilo que foi concebido como uma obra inspiradíssima não recebeu de boa parte do público, e sobretudo da crítica, uma melhor acolhida. Uma verdadeira enxurrada de avaliações negativas foi despejada sobre as cabeças de Lee, Lifeson e Peart. Falou-se que os canadenses quiseram dar um passo maior que a própria perna, que o disco era pretensioso demais, que a banda claramente ainda não tinha domínio dos artifícios necessários para dar vida às suas idéias, que ainda estavam passando por um duro processo de aprendizado até desenvolverem a habilidade e criatividade que viriam demonstrar em discos posteriores - enfim, críticas não faltaram.

A aceitação do público também não foi lá essas coisas. Apesar de ter um início de vendagens um pouco melhor que seu antecessor, o álbum perderia fôlego nos charts rapidamente. Em consequência disso, como de praxe, sofreriam por parte da indústria todo tipo de pressão para pasteurizar seu som nos trabalhos seguintes, gravando canções menores e que fossem mais fáceis de serem assimiladas pelo público. A resposta da banda viria com
2112, mas essa é conversa pra outro dia. O que cabe avaliar agora é se realmente Caress of Steel é tão aquém do esperado mesmo ou se é um dos maiores casos de incompreensão e injustiça contra um disco que se tem notícia.

Tudo bem, tudo bem, eu sei que algumas pessoas podem estar se mexendo na cadeira agora incomodadas, já que este álbum é guardado no coração por muita gente. É verdade, não são poucos, principalmente após mais de três décadas, os que consideram
Caress of Steel como um dos melhores trabalhos do Rush - para alguns até mesmo o melhor. Só que a coisa nem sempre foi assim e, pra falar a verdade, até hoje existe muito fã que deixa esse disco numa posição secundária, sobretudo quando pensamos em tudo o que o trio gravou nos anos seguintes. O negócio é que se fizermos uma análise mais detalhada do álbum realmente não dá pra entender o porque de tanta má vontade. As mudanças no som, nas letras e na abordagem da banda pegaram muita gente de surpresa, o que pode contar como o primeiro fator determinante dos narizes torcidos.


Vamos aos fatos. A abertura da bolacha se dá com "Bastille Day", uma música mais direta e pesada, um pouco mais próxima do que a banda já fazia anteriormente. Só que ainda assim já dava pra perceber pelos riffs de Alex Lifeson e pelo feeling transmitido por essa faixa que aquele Rush não era mais a mesma banda que fazia o hard rock refrescante e comum daquele período. A letra, que remontava a um evento histórico não tão antigo assim, já começava a dar amostras do que seria o Rush dos anos seguintes. Linhas de baixo interessantes, um excelente trabalho de Peart na bateria (redundância falar isso) e Geddy Lee cantando num misto de melodia e agressividade. Uma canção irretocável.

Na sequência temos a impopular "I Think I'm Going Bald". O que já se falou mal sobre essa música é realmente uma festa. Adjetivos como “infantil”, “idiota” e “ridícula” são os que mais se viu relacionados a ela, mesmo porque eram os que poderiam ser publicados. Entretanto, mesmo sendo a mais fraca do disco e com sua letra “engraçadinha”, não é uma música que decepcione desse jeito. Peart se esforça em outro bom trabalho com as baquetas e Alex entrega riffs criativos e um excelente solo de guitarra. Essa seja talvez a que mais caberia no primeiro álbum da banda. Uma boa e bem-humorada canção. Mais críticas, mais amargura e mais maldade do que o necessário nas avaliações dessa faixa.

A seguir, o Rush nos entrega a bela "Lakeside Park", uma música completa. A letra representa uma viagem ao passado, talvez ao passado de Neil Peart. E o Lakeside Park do título realmente existe, em St. Catherine's, em Ontario. De execução rápida, essa canção traz uma melodia linda e uma performance absolutamente excepcional dos três músicos. Peart faz um trabalho dinâmico e Geddy Lee, além de ter desenvolvido excelentes linhas de baixo, apresenta um vocal mais do que inspirado, em total sintonia com a letra e que é capaz de transportar qualquer um que a esteja ouvindo para dentro da música. Mais uma vez, Alex Lifeson faz diferença na música, com todas as alternâncias de sons que consegue tirar de sua guitarra, levando riffs com diferentes sonoridades e modulações. Um clássico!

Bom, é nesse exato ponto que
Caress of Steel inicia o principal de seu diferencial em relação aos discos anteriores. E é também onde o Rush começa a estabelecer aquilo que seria nos anos posteriores, já que a canção seguinte é "The Necromancer", uma epopéia de quase treze minutos e a primeira música que o trio canadense desenvolveu com essas características. Dividida em três peças, a faixa se inicia com "Into the Darkness" - conforme sugerido pelo próprio título, obscura, com a letra sendo apenas narrada por uma voz sombria, com sons de guitarra absolutamente climáticos e um groove de baixo também sombrio. Quando Geddy começa a cantar, os riffs vão ganhando em intensidade até chegarmos a uma composição simplesmente matadora. A quebra total no ritmo, seguida por alguns efeitos de guitarra, nos jogam dentro de "Under the Shadow", segunda parte da canção, com os três músicos, cada um a seu modo, provocando arrepios na audiência. A terceira e última parte, "Return of the Prince", é a mais curta e a menos sombria das três, com o vocal ficando menos agressivo e com Lifeson fazendo mais uma vez um trabalho impressionante. A letra é inspirada em O Senhor dos Anéis e os três viajantes citados seriam Frodo, Sam e Gollum. E na terceira parte, o personagem By-Tor, que já havia aparecido na música "By-Tor and the Snow Dog" do álbum Fly by Night, onde representava o vilão, retorna em "The Necromancer", mas aqui como um herói.


Quando pensávamos que já havíamos testemunhado até onde poderia ir a criatividade da banda, eis que eles comparecem com "The Fountain of Lamneth". Na época, esta música ocupava todo o lado B de
Caress of Steel. Inclusive, há referências de que as velhas fitas cassete ficavam com um lado de tamanho desigual em relação ao outro, o que teria levado até mesmo a sugestões da gravadora para que tirassem uma música, o que não foi aceito pela banda. Mas retornando a "The Fountain of Lamneth", trata-se de uma canção épica de praticamente vinte minutos, dividida em seis partes. A primeira delas, "In the Valley", começa de forma sorrateira, com uma belíssima guitarra, quase folk, e com um vocal calmo de Lee. Só que a coisa toda vai ficando mais alta, tomando mais corpo, e quando percebemos já estamos à volta com uma rifferama excepcional, contratempos, variações de andamento e tudo o que uma banda do porte e talento do Rush é capaz de oferecer.

Na curta "Didacts and Narpets" (um anagrama de "Addicts and Parents"), Neil Peart dá uma pequena demonstração do que é ser Neil Peart. O cara tem em toda a carreira incontáveis momentos para responder àqueles que possam pedir um motivo para se dizer porque ele é um dos três maiores bateristas da história. Esse é um deles. No seu andamento, Geddy e a tal voz misteriosa apenas falam algumas palavras de sentidos opostos. A terceira parte, "No One at the Bridge", começa com efeitos de guitarra que evoluem para um riff que vai mudar lá pelo meio de sua execução, com Geddy fazendo um vocal peculiar, como que gritando a letra. Nas três últimas partes ("Panacea", "Bacchus Plateau" e "The Fountain"), a banda evolui de uma forma impressionante, com os músicos se alternando em momentos de destaque, cada qual aparecendo com lampejos da mais pura genialidade.


Caress of Steel está situado entre dois álbuns de extrema importância para o Rush, que são Fly by Night e 2112. O primeiro por ter sido o disco que permitiu ao grupo se estabelecer como banda e também por trazer as primeiras ideias voltadas para uma tendência mais prog. Já 2112 guarda sua importância simplesmente no fato de ser um dos maiores clássicos da carreira da banda, um disco que alcançou enorme sucesso e que transformou o Rush em um nome grande dentro do cenário.

No entanto, essa terceira obra do power trio não é importante simplesmente por ter sido o molde do que eles vieram a fazer nos anos seguintes. É importante também porque é um álbum excepcional, que figuraria dentre as grandes obras de qualquer músico do universo hard prog. A sonoridade da banda nesse álbum vai desde riffs praticamente
sabbathianos até algo próximo ao som do Genesis, passando pelo hard do Zeppelin. Menosprezar sua importância e qualidade é algo absurdo. Embora tudo seja sempre uma questão de gosto pessoal, esse é um disco excelente e que jamais mereceu as críticas e o pouco caso com o qual teve que conviver durante tanto tempo. É possível que boa parte da má acolhida a esse trabalho advenha do fato de que ele representou uma mudança de rumo que talvez boa parte das pessoas à época ainda não estivesse preparada para assimilar. Mesmo que o tempo lhe tenha feito alguma justiça, ele ainda pode ser visto como um dos mais subestimados discos que se tem notícia.

E você, o que acha? Lembre-se sempre que essas são considerações, divagações, mas a principal opinião é a do fã. Comente. Até a próxima oportunidade.


Faixas:
A1 Bastille Day 4:37
A2 I Think I'm Going Bald 3:37
A3 Lakeside Park 4:08
A4 The Necromancer
i. Into Darkness 4:12
ii. Under the Shadow 4:25
iii. Return of the Prince 3:52

B The Fountain of Lamneth
i. In the Valley 4:18
ii. Didacts and Narpets 1:00
iii. No One at the Bridge 4:19
iv. Panacea 3:14
v. Bacchus Plateau 3:13
vi. The Fountain 3:49

3 de ago de 2010

Heavy Metal: A História Completa, é leitura obrigatória para qualquer headbanger

terça-feira, agosto 03, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Desconheço gênero musical mais apaixonante que o heavy metal. A força de suas guitarras conquista novos fãs todos os dias, ao mesmo tempo em que renova os votos de velhos parceiros a todo momento. Suas letras, seja quando contam histórias fantásticas repletas de seres mitológicos ou quando mergulham no lado mais escuro do ser humano, são relatos intensos e hipnotizantes. Sua mítica, suas lendas, seus ícones e sua tradição foram construídos através do apoio e da participação ativa dos fãs, personagens de importância fundamental em sua história.

O jornalista Ian Christe, nascido em 1970 na Suíça, entende tudo isso. Fanático por heavy metal, Christe construiu uma carreira sólida na mídia especializada, tendo seus textos publicados em revistas como
Kerrang!, Spin, Guitar World e outras, além de matérias em publicações como Wired e Chicago Reader. Como todo fã de metal, Christe se aventurou também na música com a banda Dark Noerd the Beholder, que aparece na trilha do filme Gummo, lançado em 1997, e em alguns outros projetos.

Ian Christe, o autor de Heavy Metal: A História Completa

Profundo conhecedor do heavy metal, pesquisador e colecionador do estilo, Ian Christe lançou em 2003 o livro
Sound of the Beast: The Complete Headbanging History of Heavy Metal (visite o site oficial aqui), que acaba de ganhar uma muito bem-vinda edição brasileira. Já traduzida para onze línguas, aqui em nosso país a obra ganhou o título de Heavy Metal: A História Completa – e faz jus a essa expressão.

As 480 páginas do livro passam a limpo a trajetória da música pesada, desde o seu início até os dias atuais. Christe aponta - acertadamente por sinal – o lançamento do primeiro álbum do Black Sabbath, em 13 de fevereiro de 1970, como o marco zero do estilo, e seu texto parte desse ponto. É nítida a paixão do escritor pelo metal, e isso transparece claramente em suas palavras, dando um ar épico, mágico e fantasioso para cada página.

Organizado em vinte capítulos (mais prólogo e epílogo),
Heavy Metal: A História Completa é uma obra extremamente didática, que explica detalhadamente o surgimento do metal e de seus inúmeros subgêneros, e em como cada fato de sua história influenciou os músicos e os fãs, levando a novos caminhos sonoros que criaram, consequentemente, novas tendências musicais.

Capa da edição norte-americana do livro

A parte dedicada aos primeiros anos do heavy metal é particularmente elucidativa, citando nominalmente os artistas que definiram as bases do estilo e que, muitas vezes, acabam sendo ignorados por ouvintes mais novos. Ir atrás de bandas como Flower Travellin´ Band, Blue Oyster Cult, Captain Beyond, Bang e outras – além das obrigatórias Deep Purple e Led Zeppelin – leva ao conhecimento de ótimos discos muitas vezes relegados a um plano secundário, e tornam o entendimento da evolução do gênero muito mais fácil e eficaz para o ouvinte.

A clareza do texto de Christe torna óbvia a compreensão do quanto as bandas da New Wave of British Heavy Metal, ao afastarem-se das influências de blues tão evidentes nos pioneiros do metal (como o próprio Black Sabbath) e substituí-las pelas harmonias e melodias de grupos como Wishbone Ash e Thin Lizzy deram ao gênero uma de suas características mais marcantes: o duelo faiscante de guitarras inventivas e inspiradas, traduzido em linhas melódicas volumosas e grudentas.

Algumas fitas demo da coleção de Christe

O embate entre as bandas glam de Los Angeles e a cena thrash da Bay Area é outro momento de destaque. Ian Christe reconhece a devida importância histórica de grupos como Quiet Riot, Motley Crue, Dokken, Ratt e outros, responsáveis não apenas por levar o som pesado para a grande massa, já que alcançaram vendas gigantescas e se tornaram figuras habituais nas paradas da Billboard, mas também por viabilizar o formato da MTV, já que a emissora cresceu e se consolidou com uma programação baseada, em sua grande maioria, em vídeos desses grupos.

Do outro lado da história, o enorme sucesso das bandas glam alimentou uma reação em massa na vizinha San Francisco, onde grupos influenciados por Venom, Motorhead e pela NWOBHM começaram a desenvolver um som mais agressivo aliado a uma imagem que era a antítese do visual glam – ao invés de roupas colantes e multicoloridas, as bandas da Bay Area vestiam-se com o trio básico tênis-jeans-camiseta. Liderados pelo Metallica, esses grupos fizeram nascer um dos mais influentes e duradouros subgêneros do metal, o thrash metal.

O livro também prova que a queda de popularidade das bandas glam no início da década de noventa, ao contrário do conceito que é vendido por grande parte da mídia especializada brasileira, não foi causada pelo surgimento do grunge, mas sim pelos excessos - tanto estéticos quanto comportamentais – das próprias bandas. Esse fator, aliado à sólida reputação conquistada pelo Metallica e a posterior explosão comercial proporcionada pelo
Black Album, colocou a pá de cal que acabou enterrando a cena de Los Angeles. Qualquer movimento que viesse depois seria adotado pela mídia - calhou de ser o grunge, mas poderia ser qualquer outro.

A polêmica cena black metal norueguesa do início dos anos noventa rende um dos melhores capítulos da obra. Christe contextualiza a relação dos noruegueses com a religião, e explica como o Cristianismo foi imposto no país há mais de mil anos atrás, gerando um descontentamento histórico em toda a população. As bandas de black metal do país, que foram responsáveis por discos fantásticos que influenciaram profundamente o estilo, também foram personagens de atividades polêmicas como a queima de igrejas históricas, ataques a homossexuais e diversas ações controversas que alcançaram o seu auge com o assassinato de Euronymous, líder e guitarrista do Mayhem, em agosto de 1993. Todos esses acontecimentos são contados com clareza por Christe, em um dos capítulos mais esclarecedores de
Heavy Metal: A História Completa.

Foto da edição japonesa

Dois aspectos do texto de Ian Christe merecem uma crítica. O primeiro é o foco exageradamente centrado no Metallica em detrimento a outras bandas fundamentais do som pesado. É claro que o grupo de James Hetfield tem importância seminal no gênero, mas em alguns trechos o destaque é tanto que temos a impressão de estar lendo uma biografia da banda.

O outro é o fato de Christe ignorar totalmente alguns subgêneros e nomes importantes na história do som pesado. Isso acontece de forma mais evidente com três bandas: Dream Theater, Stratovarius e Gamma Ray. Toda a cena prog metal não é citada no livro, o mesmo acontecendo com os grupos de metal melódico. Independente de gosto pessoal, uma obra que ostenta o subtítulo
The Complete Headbanging History of Heavy Metal não pode cometer um deslize como esse.

Ian Christe também faz inúmeras listas durante todo o livro, apontando os discos mais representativos de praticamente todos os segmentos da música pesada. Essas listas acabam servindo como guias para quem quer conhecer cada subgênero do metal, e tem grande valia para os leitores.

Heavy Metal: A História Completa é um livro fundamental para qualquer headbanger. A trajetória do gênero musical que tanto amamos é contada nos mínimos detalhes, em uma leitura extremamente prazerosa para todo fã de música pesada. Enfim, um livro recomendadíssimo, e que documenta o impacto e a força que o heavy metal teve - e continua tendo - na sociedade.

2 de ago de 2010

Sam Dunn acerta a mão de novo em Beyond the Lighted Stage, documentário que conta a história do Rush

segunda-feira, agosto 02, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room


Atualmente, não existe trabalho similar ao desenvolvido pelo antropólogo e cineasta canadense Sam Dunn. Apaixonado pela música pesada, Dunn montou uma produtora com o amigo Scot McFayden – batizada, convenientemente, como Banger Films – e começou a produzir documentários sobre o heavy metal e alguns dos seus ícones.

A história começou em 2005, com o obrigatório
Metal: A Headbanger´s Journey, que conta a história do gênero. Sua sequência, Global Metal, saiu em 2008. O ótimo trabalho desenvolvido por Dunn nesses dois filmes fez com que o Iron Maiden o escolhesse a dedo para documentar a Somewhere Back in Time Tour, e o resultado foi o também excelente Flight 666, lançado em 2009. Agora é a vez de outra das bandas favoritas de Dunn, o também canadense Rush.


Beyond the Lighted Stage conta a história do trio formado por Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart como ela nunca foi contada antes. De forma reverencial, músicos como Kirk Hammet, Mike Portnoy, Gene Simmons, Vinnie Paul e inúmeros outros mostram como o Rush os influenciou de maneira definitiva.

Sam Dunn equilibra, com grande habilidade por sinal, sua narrativa entre momentos onde a música é o foco principal com outros onde a relação entre os três integrantes do trio e a equipe que sempre os rodeou passa a ser o assunto dominante. Salta aos olhos a profunda amizade entre Lee e Lifeson, e em como a identificação e admiração mútua serviu de raiz para toda a carreira do Rush. A saída de John Rutsey, o baterista original, devido a sua fraca saúde, e sua substituição pelo espetacular Neil Peart é narrada pelos próprios Geddy e Alex, estupefatos e enfeitiçados pelo talento gigantesco de Peart.


Estruturado em capítulos,
Beyond the Lighted Stage conta a trajetória do Rush de forma cronológica, desde o nascimento de seus integrantes até o último disco de estúdio do grupo, Snakes & Arrows, de 2007. Dois momentos emblemáticos chamam a atenção. O primeiro acontece quando a banda, em franca ascensão devido à boa repercussão dos discos Rush (1974) e Fly by Night (1975), viu a sua carreira ser ameaçada pela péssima recepção, tanto por parte da crítica (que sempre os ignorou, diga-se de passagem) quanto de sua própria gravadora, do álbum Caress of Steel, terceiro disco do grupo, um intrincado manifesto hard prog lançado em setembro de 1975. Como consequência, o grupo começou a tocar em lugares menores e a receber uma grande pressão da Mercury, seu selo, que exigia um single de sucesso.

Fiéis aos seus instintos e acreditando cegamente em sua música, Lee, Lifeson e Peart não cederam, e, no lugar do single requerido, entregaram um álbum baseado em ficção científica, cuja faixa-título era uma suíte de sete partes com mais de vinte minutos de duração! O resultado, o disco
2112 (1976), foi aclamado pelos fãs e deu carta branca para o Rush seguir os caminhos artísticos que bem entendesse em sua carreira.


O outro ponto crucial aconteceu em 4 de julho de 1997, quando o grupo estava na estrada promovendo o álbum
Test for Echo e recebeu a notícia de que a filha de Neil Peart, Selena, então com 19 anos, havia falecido em um acidente de carro. Buscando forças para se recuperar da tragédia, Neil e sua esposa Jaqueline mudaram-se para a Califórnia, onde menos de um ano depois, em junho de 1998, Jaqueline faleceria vitimada por um câncer fulminante.

Repentinamente sem chão e vendo a sua vida desmoronar diante de seus olhos, Peart pegou a sua moto e viajou desesperadamente e sem rumo por mais de 90 mil quilômetros. Geddy Lee, Alex Lifeson e as demais pessoas próximas ao grupo eram tranquilizados por postais enviados periodicamente por Peart das mais variadas partes do continente americano. Nesse momento a banda esteve seriamente próxima do fim, mas foi reativada pelo próprio baterista, que quando se sentiu pronto propôs à dupla restante o retorno das atividades do conjunto, resultando no álbum
Vapor Trails, de 2002.

Beyond the Lighted Stage é um filme emocionante do início ao fim, e mostra uma banda nua e livre de qualquer artifício como poucas vezes se viu. O Rush dá uma aula de integridade artística, respeito aos fãs e fé inabalável em seus princípios. Além disso, traz um segundo DVD repleto de material extra, onde o destaque são vídeos raros com a participação de John Rutsey.

Resumindo, um filmaço!

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