2 de ago de 2013

A semana na Collectors Room

sexta-feira, agosto 02, 2013
Notícias: capas e mais capas de revistas gringas sobre música, o novo disco do Gov’t Mule, a capa do novo álbum do Soulfly, música e futebol, o novo box do Rush e a nova MTV Brasil.

Matérias especiais e colunas: redescobertas vinílicas, malhando ao som dos Mutantes e o “We Are the World” do heavy metal.

Galeria de fotos: um tributo a J.J. Cale.

Novos reviews: Keep Moving de Andrew Stockdale e o novo disco do Five Finger Death Punch. 

Por Ricardo Seelig
Foto: Dust & Grooves

MTV Brasil começará nova fase em outubro

sexta-feira, agosto 02, 2013
A MTV tal qual a conhecemos no Brasil há 23 anos deixa de existir em 30 de setembro para ressurgir nova em folha no dia seguinte. A partir de 1º de outubro, o canal sai do sinal aberto e migra para a grade da TV por assinatura sob nova administração.

Este é o fim de um processo de mudança especulado há meses e que tomou forma em junho passado. Nas próximas semanas, devem ser anunciadas informações relativas à programação nacional e às operadoras que irão disponibilizar o novo canal.


A mudança foi anunciada oficialmente na última segunda-feira. Decorre da iniciativa do grupo Abril, licenciado para operar a MTV no Brasil até 2018, de devolver a marca ao conglomerado de mídia americano Viacom (responsável por canais como Nickelodeon e VH1), que passa a ser o responsável pela operação da MTV – agora sem o Brasil atrelado ao nome.


— O foco que a emissora já tinha em programação nacional está mantido — diz Raul Costa, vice-presidente sênior e gerente-geral da Viacom Brasil.


— Teremos um total anual de 350 horas de conteúdo nacional diversificado, e os programas estrangeiros serão dublados com opção de áudio original. Mais adiante, devemos colocar a opção de legendas em português.


A diminuição do espaço dedicado à musica, motor da MTV em sua origem, é irreversível. A nova grade será composta por reality shows, séries de ficção e de animação, programas de esporte radicais e versões nacionais de atrações como Guy Code (artistas, celebridades e especialistas discutem os códigos de conduta do universo masculino) e Pranked (pegadinhas com câmera escondida). Programas americanos como Teen Mom, Young & Married e Awkward serão dublados. Mas a música estará presente, afirma Costa:


— A música faz parte do DNA da marca. Mas o consumo de música mudou. Exibiremos videoclipes e atrações como WordStage (shows realizados em diferentes parte do mundo), que terá versão com artistas brasileiros. Fizemos uma ampla pesquisa de tendência. Nosso público está na faixa de nove a 30 anos, busca conteúdo em diferentes plataformas.


A equipe do novo canal deverá ser enxuta, cerca de 40 profissionais. Ainda está em negociação entre Abril e Viacom o uso pelo novo canal das imagens de arquivo da MTV Brasil. A Abril não se pronunciou ainda sobre o assunto, que envolve a continuidade de sua operação com TV na faixa UHF que ficará vaga. Informações de bastidores indicam que está em produção um programa especial de despedida, no dia 30 de setembro, com VJs atuais e veteranos comandando a exibição de melhores momentos e videoclipes que marcaram os 23 anos da MTV Brasil.


A aposta da MTV na TV paga é respaldada no crescimento do serviço no país. De acordo com a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura, entre janeiro e maio de 2013 mais de 800 mil pessoas começaram a contar com TV por assinatura no país, ampliando os 17 milhões de assinantes registrados em 2012 – o crescimento esperado do setor nos próximos meses é de 15%.

Fonte: Zero Hora

Lá fora: as novas edições da Uncut, Mojo, Rolling Stone e muito mais

sexta-feira, agosto 02, 2013
Novidades nas bancas. Saíram esta semana os novos números de algumas das mais respeitadas revistas sobre música do planeta. 

Dylan está na Uncut. O Nirvana encabeça e Mojo e a Rolling Stone argentina. Bruce Springsteen estampa a Rolling Stone norte-americana. A bela capa da NME traz o Arctic Monkeys. A Metal Hammer grega presta tributo aos ícones do heavy metal que já subiram para o andar de cima. A Kerrang! e suas edições temáticas com visual Capricho. E muito mais.

Nos comentários, conte pra gente qual dessas capas você gostou mais.


 
 
 
 

Por Ricardo Seelig

Five Finger Death Punch: crítica de The Wrong Side of Heaven and the Righteous Side of Hell Volume 1 (2013)

sexta-feira, agosto 02, 2013

Dentre as mais bem sucedidas bandas da chamada New Wave of American Heavy Metal (controversa categoria que agrega tanto o Fear Factory como o Avenged Sevenfold), os californianos do Five Finger Death Punch estão em uma meteórica ascensão desde a sua fundação, em 2005, com cada um de seus discos alcançando posições cada vez mais altas em questão de vendas, colocando-os ao lado de grandes nomes, especialmente no mercado norte americano.

Mantendo praticamente a mesma fórmula sem maiores inovações, The Wrong Side of Heaven and the Righteous Side of Hell é o novo projeto da banda, audaciosamente – ou talvez nem tanto – dividido em dois volumes, de forma que a segunda parte deve ser lançada até o final de 2013. Produzido novamente por Kevin Churko (o mesmo responsável pelos últimos discos do Ozzy, entre outros), o álbum foi lançado no último dia 30 de julho pela Prospekt Park.

E se os caras não são lá os mais criativos no que diz respeito à riffs de guitarra ou às estruturas das músicas (boa parte segue o molde padrão, sem grandes novidades), por outro lado é inegável que eles são capazes de criar melodias vocais fortes, entregando sempre um verso ou refrão que inflama a sua mente. Isso é mais do que evidente na primeira faixa, “Lift Me Up”, que conta com a participação de ninguém menos do que Rob Halford, e que havia sido executada pela primeira vez no Golden Gods Awards desse ano. Em “Watch You Bleed”, porém, prevalece um ritmo menos acelerado e excessivamente constante, como um meio termo entre hard rock e o som já tradicional do Five Finger Death Punch.

“You”, por outro lado, traz aqueles toques de hardcore mais presentes em seus primeiros trabalhos, sendo mais direta, de poucas variações e relativamente maçante, completamente diferente da sempre típica balada, aqui protagonizada por “Wrong Side of Heaven”, belíssima e com forte conteúdo lírico. A estupidez agressiva já volta com tudo em “Burn MF” e seus insultos sendo despejados a torto e direito sobre uma base quase death metal, e também nas linhas que beiram o thrash em “I.M. Sin”.


Mais cadenciado, e em alguns momentos fora do tradicional da banda, “Anywhere But Here” tem um clima bem melancólico e denso, catalisado pela curtíssima participação de Maria Brink, vocalista do In This Moment. Novamente no limiar entre o hardcore e o nu metal, “Dot Your Eyes”, volta ao estilo mais frenético, enquanto “M.I.N.E. (End This Way)” parece estar perdido em algum espaço próximo tanto ao groove metal quanto do southern rock mais contemplativo (ok, talvez isso seja bem sutil e apenas em algumas melodias). O ligeiro momento de tranquilidade é seguido por uma versão pesadíssima de “Mama Said Knock You Out”, faixa título do álbum de 1990 do LL Cool J, e conta ainda com o rapper Tech N9ne dividindo os vocais com Ivan Moody.


Após “Diary of a Deadman”, que está mais para um interlúdio instrumental entre os dois volumes de The Wrong Side of Heaven and the Righteous Side of Hell, temos versões diferentes para algumas das faixas que já apareceram no álbum. A saber, elas não diferem em nada das anteriores no que diz respeito ao instrumental, mas poderiam facilmente ser as oficiais, já que os resultados com Max Cavalera cantando em português em “I.M. Sin”, o dueto com Maria Brink mais presente em “Anywhere But Here”, e a participação de Jamey Jasta em “Dot Your Eyes”, são muito mais interessantes do que as originais.


Mas a grande verdade nua e crua? O Five Finger Death Punch lançou um álbum praticamente igual ao seu anterior, American Capitalist, mantendo sempre um pé no groove metal e as melodias simples. Porém, permanece a incômoda sensação de estar sendo socado pela mesma coisa incessantemente e de já ter ouvido algo parecido em outro disco deles está sempre presente. 


Um trabalho sem grandes surpresas, mas bem construído, de fácil audição, aonde letras mais densas e subjetivas (reflexo dos problemas de alcoolismo do vocalista Ivan Moody durante as últimas turnês) dividem espaço com aquele típico discurso irônico e dramático da adolescência americana. E, talvez por estes fatores, ele se mostra divertido em um primeiro momento, e aos poucos vai se tornando gradativamente descartável, de forma que você passa a ouvir apenas algumas de suas faixas.


E o Five Finger Death Punch é uma banda nova demais para já apresentar indícios de estar acomodada dessa maneira. Aguardemos os próximos anos.


Nota 7


Faixas:
01. Lift Me Up
02. Watch You Bleed
03. You
04. Wrong Side Of Heaven
05. Burn MF
06. I.M.Sin
07. Anywhere But Here
08. Dot Your Eyes
09. M.I.N.E. (End This Way)
10. Mama Said Knock You Out
11. Diary of a Deadman
12. I.M.Sin (com Max Cavalera)
13. Anywhere But Here (com Maria Brink)
14. Dot Your Eyes (com Jamey Jasta)

Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

1 de ago de 2013

Novo box do Rush traz discos lançados pela Atlantic e nova mixagem para o álbum Vapor Trails

quinta-feira, agosto 01, 2013
Novidade deliciosa para os fãs do Rush. O power trio lançará dia 1 de outubro o box The Studio Albums 1989-2007. A caixa abrange todos os álbuns lançados pela Atlantic Records no período e traz sete CDs.

Fazem parte do pacote os discos Presto (1989), Roll the Bones (1991), Counterparts (1993), Test for Echo (1996), Feedback (2004) e Snake & Arrows (2007). A cereja do bolo é o álbum Vapor Trails (2002), que foi remixado dando sequência ao trabalho iniciado nas faixas “One Little Victory” e “Earthshine”, incluídas na compilação Retrospective III (2008) com uma nova mixagem.



Segundo Geddy Lee, “Vapor Trails foi um álbum feito em circunstâncias difíceis e bastante emocionais, o que gerou alguns erros que sempre desejamos corrigir. O trabalho de remixagem de David Bottrill finalmente trouxe alguma justiça e clareza ao álbum. Cada canção ganhou uma nova vida, do fogo de ‘One Little Victory’, ‘Secret Touch’ e ‘Ceiling Unlimited’ à musicalidade melódica de ‘Sweet Miracle’ e ‘How It is ...’. Obrigado, David”.

Além de disponível no box, a nova versão de Vapor Trails será também lançada em CD, LP duplo e em formato digital no dia 1 de outubro.

Por Ricardo Seelig

Toca a Bola: música, vinis e futebol

quinta-feira, agosto 01, 2013
Futebol é música. Música é futebol. Os grandes craques não apenas jogam tal esporte. No fundo, dançam o balé da bola. O imponderável é a incrível magia inerente às duas artes e já as fundiu inúmeras vezes. Não são raras as ligações entre a canção popular e o futebol. Quase sempre por meio de seu protagonista: o jogador.

Garrincha, Pelé, Jairzinho, Zico, Júnior, Figueroa, Marinho Chagas, Sócrates, Serginho Chulapa e Casagrande são apenas alguns exemplos do amplo universo de atletas que já se envolveram com a música. Seja cantando, tocando, dublando ou apenas a admirando. A motivação de tais incursões é variada. Os frutos são difusos.

Sou jornalista e trabalho no Globoesporte.com, em Goiânia. Nesta semana, vi a conclusão do Toca a Bola, um dos especiais mais bacanas já produzidos pelo site. Com um personagem interessante e dono de um hobby no mínimo singular: colecionar todo e qualquer tipo de expressão musical relacionada ao futebol.

Piauiense radicado em Curitiba há mais de 30 anos, Francisco Antônio Neto tem um invejável arsenal de vinis. Uma paixão certamente similar à que está presente em cada um que produz ou lê a Collector's Room. Afinal, o site começou justamente por meio de matérias e entrevistas com colecionadores. Por isso a ideia de destacar esse material para quem ainda não viu. A reportagem é de Alexandre Alliati. As fotos, de André Durão.

Veja a página interativa do Toca a Bola, com a história e os itens de Neto, aqui.

Obviamente, o que se está em discussão não é a qualidade de tais obras em si. Alguns dos exemplos supracitados apresentam mesmo traços de caráter cômico. Mais importante que isso, porém, é a capacidade da música de se entrelaçar a outras expressões artísticas enquanto plataforma cultural. A música além do óbvio, como gostamos de destacar.

Aos que se interessam pelo tema, uma dica de livro para se aprofundar no assunto: Futebol no País da Música, de Beto Xavier. Boa obra para pesquisas rápidas e com conteúdo eficiente.


Por Guilherme Gonçalves

31 de jul de 2013

Hear’n Aid, o “We Are the World” do heavy metal

quarta-feira, julho 31, 2013
Em 1985, diversos artistas do pop e do rock se mobilizaram e gravaram a canção “We Are the World”, composta por Michael Jackson e Lionel Richie. A música foi lançada em um LP com o mesmo título, completado com faixas inéditas de nomes como Bruce Springsteen, Prince, Chicago, Tina Turner e outros. Organizada pela U.S.A. for Africa (United Support of Artists for Africa), a renda obtida com a canção e com o disco foi revertida para países africanos que passavam por dificuldades, notoriamente a Etiópia.

A repercussão de “We Are the World” motivou diversas outras iniciativas semelhantes. Uma das mais interessantes foi o Hear’n Aid, organizada por Ronnie James Dio. Sob a tutela do vocalista, diversos nomes do hard rock e do heavy metal se reuniram e gravaram uma canção e lançaram um álbum cuja renda foi repassada para instituições de caridade. Participaram do projeto integrantes do Dio, Judas Priest, Iron Maiden, Quiet Riot, Dokken, Mötley Crüe, Twisted Sister, Queensrÿche, Blue Öyster Cult, Vanilla Fudge, Y&T, Rough Cutt, Giuffria, Journey, W.A.S.P., Night Ranger e Spinal Tap, além de dos músicos Ted Nugent, Yngwie Malmsteen e Tommy Aldridge.

O Hear’n Aid lançou três itens altamente colecionáveis: um single de 7 e 12 polegadas com a faixa “Stars”, um LP e um VHS com as sessões de gravação do projeto.

Hear’n Aid, o disco, foi lançado em vinil e em uma raríssima edição em fita k7, disponibilizada pela Mercury (gravadora do projeto) e pela húngara Gong - números de catálogo 826 044-4 e MKL 37214, respectivamente. A Mercury lançou o LP em diversos países do mundo, inclusive aqui no Brasil. Na Inglaterra o disco saiu pela Vertigo (cat number VERH 35), enquanto que na Húngria ele ganhou uma edição pela Gong (SLPXL 37214).

O álbum é muito bom. Além de “Stars”, que reuniu todos os músicos, conta com faixas do Accept (“Up to the Limit”), Motörhead (“On the Road”, que nada mais é do que a versão ao vivo de “Built for Speed”, faixa do álbum Orgasmatron, de 1986), Rush (“Distant Early Warning”), Kiss (“Heaven’s on Fire”), Jimi Hendrix (a então rara gravação de “Can You See Me”), Dio (“Hungry for Heaven”), Y&T (“Go for the Throat”) e Scorpions (“The Zoo”).

A edição brasileira de Hear’n Aid tem o número de catálogo 826 044-1 e saiu pela Mercury. Além das músicas, o LP vinha com um encarte simples, com uma folha frente e verso com dados e créditos de todos os envolvidos.




“Stars”, a música, foi composta por Ronnie James Dio, Vivian Campbell e Jimmy Bain (os dois últimos então guitarrista e baixista da banda de Dio, respectivamente). Trata-se de um heavy metal clássico e irrepreensível, com os vocais sendo divididos entre Dio, Eric Bloom (Blue Öyster Cult), Don Dokken, Kevin DuBrow (Quiet Riot), Rob Halford, Dave Meniketti (Y&T), Paul Shortino (Rough Cutt) e Geoff Tate. No meio, uma longa passagem instrumental com solos de Vivian Campbell, Carlos Cavazo (Quiet Riot), Buck Dharma (Blue Öyster Cult), Brad Gillis (Night Ranger), Craig Goldy (Giuffria), George Lynch (Dokken), Yngwie Malmsteen, Eddie Ojeda (Twisted Sister) e Neal Schon (Journey). As guitarras bases e melodias foram tocadas e criadas pela dupla do Iron Maiden, Adrian Smith e Dave Murray. Completando o time, Jimmy Bain assumiu o baixo, Claude Schnell (Dio) ficou com o teclado e Vinny Appice (Dio) e Frankie Banali (Quiet Riot) dividiram a bateria.

O projeto arrecadou cerca de 1 milhão de dólares durante um ano, receita que foi repassada para instituições de caridade.


O LP de Hear’n Aid pode ser encontrado, com alguma sorte, à venda em sebos e feiras de vinis Brasil afora. Se você o vir, compre na hora, porque é demais. Já o single com “Stars” é mais raro em seus dois formatos. Além disso, durante muito tempo Hear’n Aid ficou disponível apenas em LP, até que em 1994 a Vertigo japonesa lançou uma edição em CD (raríssima hoje em dia). Para ajudar você em sua procura, esta versão em CD tem o número de catálogo PHCR 4218. Eu, pessoalmente, nunca a peguei em mãos.

Hear’n Aid foi um projeto exemplar e um dos grandes feitos da vida de Ronnie James Dio. Além disso, vinha acompanhado de música de ótima qualidade, como você pode assistir e  ouvir no clipe abaixo:



Por Ricardo Seelig

Andrew Stockdale: crítica de Keep Moving (2013)

quarta-feira, julho 31, 2013
O Wolfmother foi uma grande banda. O Wolfmother gravou ao menos um grande disco. A estreia dos australianos, lançada em 2005, é um dos melhores álbuns dos anos 2000. O segundo trabalho, Cosmic Egg (2009), ainda que não apresentasse o mesmo primor do debut, garantiu momentos de diversão e qualidade e solidificou o respeito em relação à banda liderada pelo vocalista e guitarrista Andrew Stockdale.

E então as coisas saíram dos trilhos. Turnês, mudanças de formação, comunicados, falsos finais, discussões. Até que, no início deste ano, o grupo anunciou que iria dar uma parada e não tinha data para retomar as suas atividades. A questão é que, no meio disso tudo, o terceiro disco já estava praticamente pronto. O que fazer com ele? Simples: lançar como um álbum solo de Stockdale.

Essa é a história de Keep Moving, primeiro disco solo de Andrew e que chegou às lojas no início de junho. Gravado durante exaustivos dois anos anos, traz o capitão do Wolfmother acompanhado pela última formação da banda, Ian Peres (baixo) e Will Rockwell-Scott (bateria), mais as participações de Elliott Hammond (bateria), Vin Steele (guitarra), Hamish Rosser (bateria), Alex Markwell (guitarra), Dave Atkins (bateria, também ex-Wolfmother) e Joe Howman (trompete).

Com uma história dessas e com um line-up tão amplo, é fácil imaginar que Keep Moving trata-se de um disco irregular. E ele é mesmo. Produzido pelo próprio Stockdale, o álbum transparece a tensão e todo o vai e vem que envolveu o Wolfmother nos últimos anos. Porém, ainda que esteja longe de ser uma obra-prima, entrega boas canções e é um disco de rock agradável.

O tracklist é longo. São dezessete faixas inéditas. A sonoridade segue a cartilha setentista apresentada nos dois álbuns da banda, porém com uma presença maior de outros elementos, como o funk. Há canções interessantes como “Long Way to Go”, o blues torto da faixa-título (com grande influência de Johnny Winter), “Vigarious”, o country “Suitcase (One More Time)” (com a alma de Gram Parsons pairando durante toda a sua duração) e a zeppeliana “Let It Go”, porém o excesso de faixas torna o disco bastante irregular, dando a impressão que Stockdale e sua turma rasparam todo o arquivo do Wolfmother e o colocaram aqui. Um filtro maior, uma enxugada nas coisas, tornaria Keep Moving muito mais coeso e forte.

Porém, mesmo com essas escorregadas, trata-se de um play que merece uma conferida. Afinal, quem gravou uma pérola como aquele disco de 2005 merece sempre atenção.

Nota 7

Faixas:
1 Long Way to Go
2 Keep Moving
3 Somebody’s Calling
4 Vigarious
5 Year of the Dragon
6 Meridian
7 Ghetto
8 Suitcase (One More Time)
9 Of the Earth
10 Let It Go
11 Let Somebody Love You
12 She’s a Motorhead
13 Standing on the Corner
14 Country
15 Black Swan
16 Everyday Drone
17 It Occured to Me

Por Ricardo Seelig

Soulfly divulga a capa do seu novo disco

quarta-feira, julho 31, 2013
Savages, novo álbum do Soulfly, teve a sua capa divulgada. Criada pelo artista Paul Stoller, a arte mostra uma caveira estilizada. O trabalho mais conhecido de Stoller é a capa de Surf Nicaragua, clássico EP lançado pelo Sacred Reich em 1988.

Mais informações sobre o novo do Soulfly aqui.



Por Ricardo Seelig

30 de jul de 2013

Novo álbum do Gov’t Mule trará disco extra com vocalistas convidados

terça-feira, julho 30, 2013
O novo disco do Gov’t Mule já tem data de lançamento definida. Shout!, décimo trabalho de estúdio da banda e primeiro LP inédito em quatro anos (o último foi By a Thread, de 2009) será lançado dia 24 de setembro.

O álbum trará onze novas músicas e virá acompanhado por um CD bônus onde as canções do disco serão interpretadas por vocalistas convidados. São eles: Dave Matthews, Elvis Costello, Dr. John, Ben Harper, Toots Hibbert, Glenn Hughes, Jim James, Myles Kennedy, Grace Potter, Ty Taylor e Steve Winwood. Ideia legal, não?

Confira abaixo o tracklist completo de Shout!:

1. World Boss


2. No Reward

3. Whisper In Your Soul

4. Captured

5. Scared to Live

6. Stoop So Low

7. Forsaken Savior

8. Done Got Wise

9. When The World Gets Small

10. Funny Little Tragedy

11. Bring on the Music

CD bônus


1. Funny Little Tragedy w/ Elvis Costello

2. Stoop So Low w/ Dr. John

3. World Boss w/ Ben Harper

4. Captured w/ Jim James

5. Whisper In Your Soul w/ Grace Potter

6. Scared to Live w/ Toots Hibbert

7. No Reward w/ Glen Hughes

8. Bring on The Music w/ Ty Taylor

9. Forsaken Savior w/ Dave Matthews

10. Done Got Wise w/ Myles Kennedy

11. When The World Gets Small w/ Steve Winwood

Por Ricardo Seelig

29 de jul de 2013

Galeria de fotos: J.J. Cale (05/12/1938 - 26/07/2013)

segunda-feira, julho 29, 2013
Na última sexta, 26/07, a música perdeu um de seus maiores nomes. Neste dia, J.J. Cale faleceu aos 74 anos. 

Nascido John Weldon Cale, o vocalista, guitarrista e compositor influenciou meio mundo. 

Cale foi a principal influência de Mark Knopfler. J.J. foi figura central na carreira de Eric Clapton, de quem virou amigo e com quem gravou um disco junto, o ótimo The Road to Escondido, lançado em 2006.

Autor de "Cocaine" e "After Midnight", imortalizadas por Clapton. Autor de "Call Me the Breeze", reinventada pelo Lynyrd Skynyrd.

Um artista que já deixa saudade.

Abaixo, uma pequena galeria de fotos em homenagem a J.J. Cale, e também a íntegra de um dos seus melhores discos, Troubadour, de 1976.

+ R.I.P. +


 

Por Ricardo Seelig

Lá fora: as edições de agosto da Revolver, Decibel, Loud! e muito mais

segunda-feira, julho 29, 2013
Primeira fornada com as capas das edições de agosto das principais revistas de música do mundo. Nesta leva, as novas Revolver, Decibel, Loud!, Billboard (que é quinzenal), Rolling Stone alemã, Classic Rock italiana, Q e a Metal Hammer polonesa.

Entre todas, qual você mais gostou?


 
 

Por Ricardo Seelig

Vinil: no meio do caminho tinha um disco

segunda-feira, julho 29, 2013
Comprei um toca-discos novo. Um Pioneer PL 600 japonês. O dono era um estudante que morava nos Estados Unidos, voltou para Florianópolis e não o usa mais. Está estalando de novo. Uma delícia. Liguei o dito cujo no receiver do meu Gradiente System 96 e agora é só alegria. Queria um prato separado, independente, e como o toca-discos do Gradiente vem acoplado no móvel que sustenta todo o system, encontrei exatamente o que estava procurando. E, motivado por isso, a busca por LPs segue firme e forte. 

Sábado sempre foi o dia de comprar discos, e de uns tempos pra cá essa tradição se estabeleceu de vez. Depois da correria da semana, nada melhor que relaxar no sétimo dia buscando novos itens para rodar.

Aqui em Floripa existem alguns sebos interessantes. Um deles fica na Lagoa da Conceição. A Lagoa, pra quem não sabe, é o bairro mais boêmio, mais festivo e mais relax da ilha. Lá, as coisas são contrastantes. Enquanto de um lado tudo parece andar em câmera lenta e ao som sempre esfumaçado do reggae, do outro vemos turistas de todo o Brasil e do mundo afogando o stress e bebendo demais bem longe de seus lares.

Existe uma praça bem no centrinho da Lagoa. Nesta praça rola uma feirinha. E, atrás desta praça, há um sobrado de madeira. Neste sobrado fica o sebo que falei. Ele se chama BL Som, e, além dos discos, vende também instrumentos musicais e aparelhos de som antigos.

Sábado, saí de cada aí pelas 10 da manhã e fui pra lá. Cheguei, dei uma caminhada pelo lugar, fiquei viajando enquanto olhava o mar e seus horizontes. Isso abriu o apetite, que foi devidamente derrotado com um saboroso churrasco acompanhado de algumas cervejas geladas. Até que, à uma da tarde, a BL finalmente abriu. Subi lá e encontrei um dos donos, um senhor carioca que aparenta ter mais de 70 anos. Como sempre, ele estava ouvindo Paul Chambers, um dos grandes baixistas da história do jazz e que é a trilha oficial dos sábados por lá.


A loja fica no segundo piso do sobrado, e a entrada é pela lateral. Dentro da BL, há dois pontos recheados de vinis. Primeiro, você deve entrar dentro da loja, que é uma espécie de corredor estreito e comprido. Lá no fundo ficam duas grandes caixas de LPs. Esses são, teoricamente, os melhores discos da loja. Uma das caixas tem apenas artistas internacionais, enquanto a outra é dedicada à música brasileira. E ambas estão em ordem alfabética. Tem coisas ótimas ali dentro, o garimpo é sempre gratificante, com muitos vinis das primeiras prensagens nacionais, produzidas durante a década de 1970. Nestas caixas, os preços variam de R$ 30 até R$ 150 - o item mais caro é um The Last Waltz nacional, triplo, prensagem da época e em perfeito estado.

Depois de fuçar nestas duas caixas, mude o seu foco para um expositor que fica no lado de fora da loja. Como ela fica no segundo piso, há uma área livre no sobrado, e lá está um móvel com cinco áreas que mais parecem pequenas caixas, recheadas de vinis. Nesse local você irá encontrar LPs mais baratos do que aqueles que estão lá dentro. Os preços variam de R$ 5 a R$ 70 - o item mais caro era um Live After Death, o duplo ao vivo clássico do Iron Maiden, na edição nacional lançada durante a década de 1980.

Neste sábado, como já tinha pegado alguns itens das caixas de dentro em visitas anteriores, me concentrei nas caixas externas. E lá fiz um pequeno rancho. Levei para casa o duplo Rattle and Hum (1988) do U2, o sensacional Ringo (1973) (na edição brasileira de 1974, com direito ao lindo livro com ilustrações de Klaus Voormann), o segundo do Ed Motta (Um Contrato com Deus, de 1990), o único disco solo do baterista Alan White (Ramshackled, lançado em 1976, com participação de vários colegas do Yes e uma linda capa em alto relevo) e o Kick (1987) do INXS. De brinde, ganhei de presente a edição nacional do segundo álbum solo do baterista Billy Cobham, Crosswinds, lançado em 1974.



A tarde de sábado e o restante do final de semana foram regados à muita música, como vocês devem imaginar. Mas o que mais me chamou a atenção foi o reencontro com dois discos que eu não ouvia há muito tempo. O primeiro foi o Rattle and Hum, do U2. Que álbum fabuloso! Fechando a primeira década de sua carreira, a banda liderada por Bono e The Edge mergulhou na cultura norte-americana e saiu de lá com um trabalho que explora as mais variadas sonoridades nascidas nos Estados Unidos. Tem blues, tem soul, tem rock, tem funk. E tem momentos que me trouxeram de volta memórias que julgava esquecidas, principalmente ao ouvir novamente a arrepiante versão de “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”.


Mas um outro disco me tocou ainda mais fundo e fez com que eu me lembrasse de experiências deliciosas. Kick, sexto álbum da banda australiana INXS, lançado em 19 de outubro de 1987. O disco que mudou a vida do grupo. Lembro exatamente quando comprei este LP pela primeira vez. Tinha um cara que viajava pelo interior do Rio Grande do Sul com uma Fiorino abarrotada de discos. Ele devia trabalhar em uma distribuidora, e chegava nas lojas das cidades com novidades. Em Espumoso, que sempre foi uma cidade pequena, ele chegava e a gente já sabia. Eu morava perto da única loja de discos que havia lá, então ao ver o carro já ia junto pra dentro dele escolher os LPs que eu queria. E foi assim que coloquei as mãos em Kick. Nunca tinha ouvido falar da banda, mas gostei da capa. Deve ter sido um dos primeiros álbuns pop que comprei na vida. Adorei e virei fã da banda. E o meu vinil original rodou tanto que chegou a quase furar, com direito a uma capa repleta de frases escritas em uma noite de bebedeira ao lado de companhias agradáveis.

Fazia, literalmente, décadas que não escutava as músicas de Kick. E como elas continuam incríveis! As doze faixas do álbum são um desfile de sucessos impressionante. Cinco delas (quase a metade) se transformaram em singles que tocaram (e venderam) até dizer chega: “New Sensation”, “Devil Inside”, “Need You Tonight”, “Never Tear Us Apart” e “Mistify”. Além delas, músicas excelentes como “Guns in the Sky”, “Mediate”, “Kick” e “Tiny Daggers”. Tudo isso em apenas um disco!

Com quase 26 anos de idade, Kick continua soando muito bem. Ele não envelheceu e não soa datado em nenhum momento. E a performance do falecido vocalista Michael Hutchence é sublime, cantando como nunca.

Kick mudou a carreira do INXS. Foi o ponto de virada na vida dos australianos, os transformando em uma banda de sucesso em todo o planeta. E mudou a minha vida também, ao mostrar que música de qualidade também existia fora do heavy metal, o que era uma surpresa para um garoto de 15 anos e que achava que apenas guitarras distorcidas faziam sentido.

Um chute na cabeça, e que continua ressoando até hoje.

Por Ricardo Seelig

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