3 de nov de 2014

Para entender: New Wave of American Metal

Assim como a lendária New Wave of British Heavy Metal, a New Wave of American Metal pode ser definida mais corretamente como uma cena de bandas responsável por reativar um cenário e colocá-lo novamente em evidência do que um grupo de artistas com sonoridades similares. Há elementos em comum entre as bandas, é claro, mas essas características não são as responsáveis exclusivas por classificar se um nome faz ou não parte da NWOAM.

As origens da NWOAM estão na metade dos anos 1990, em nomes como Pantera, Biohazard, Slipknot e Machine Head. Apesar de alguns destes grupos terem surgido anos antes, foi a partir da segunda metade dos anos 1990 que tornaram-se extremamente populares e bastante influentes, e foram responsáveis por reconduzir o metal de volta ao mainstream norte-americano. Alguns críticos definem a origem da NWOAM no pós-grunge, responsável, segundo eles, por devolver a brutalidade ao metal, afastando-o das suas raízes blues e aproximando-o de gêneros como o hardcore, thrash e punk. Nesse ponto, é interessante perceber como há algo em comum entre o movimento norte-americano e a cena britânica que fez nascer a NWOBHM: ambas foram responsáveis por uma mudança de direção no núcleo do heavy metal, com as bandas inglesas do final dos anos 1970 e início da década de 1980 inserindo elementos do rock progressivo e também do punk em sua mistura, resultando no rompimento original com a passado blues do metal, influência chave nos criadores do estilo como Black Sabbath, Led Zeppelin, Grand Funk e Deep Purple.

A explosão definitiva da New Wave of American Metal, entretanto, ocorreu somente a partir dos anos 2000. A saturação e estagnação do nu metal contribuíram para isso, com o público querendo algo além do groove intenso e dos vocais gritados do estilo. Essa demanda encontrou a sua resposta em bandas como Lamb of God, Unearth e Shadows Fall, que ofereciam riffs bem construídos, melodias e o retorno dos solos de guitarra. O cineasta e antropólogo canadense Sam Dunn, em seu documentário Metal: A Headbanger’s Journey (2005), define a NWOAM como “um grupo de bandas que une a agressão fervilhante no hardcore à técnica do death e do thrash, turbinando isso com a melodia onipresente do metal tradicional. Os vocais alternam-se entre o gutural e trechos com vozes limpas, sendo que muitas vezes essa outra voz é responsabilidade de outro integrante que não o vocalista”.

O falecido jornalista inglês Garry Sharpe-Young complementa a definição e a classificação do que seria a NWOAM em seu livro New Wave of American Heavy Metal, lançado em 2005: “Incluí algumas bandas mais antigas que têm as suas raízes no metalcore, como Agnostic Front e toda a cena hardcore de Nova York, bem como os grupos que levaram o metal para um novo território após o grunge, como Pantera, Biohazard e Machine Head. Com os anos a cena ficou bastante diversificada, indo em direção a estilos como o death metal melódico e o prog”. Para Young, a NWOAM engloba diversos gêneros distintos como metalcore, groove metal, metal alternativo, death e prog metal, entre outros.

Dentro dessa definição, que é mais geográfica e histórica do que estilística, estão bandas que foram importantes para tornar o heavy metal novamente popular nos Estados Unidos após o surgimento do grunge. Talvez o principal ponto em comum entre todos esses grupos seja a agressividade elevada, que, ao invés de afastar novos admiradores, acaba por cativar novos devotos. É interessante notar também que, ao contrário da cena europeia no período - e também de modo geral -, as bandas que mais se deram bem no metal norte-americano possuíam influências evidentes dos gêneros mais extremos do metal, enquanto que no velho mundo a onipresença é de estilos como o power metal. Raízes históricas explicam isso, certamente, e dariam um bom assunto para uma matéria futura.

Entre as bandas mais importantes da New Wave of American Metal estão Pantera, Biohazard, Machine Head, Lamb of God, All That Remains, Shadows Fall, Byzantine, Norma Jean, Slipknot, Trivium, DevilDriver, Hatebreed, Five Finger Death Punch, The Dillinger Escape Plan, Killswitch Engage, Chimaira, Mastodon, Avenged Sevenfold e Superjoint Ritual.

Em relação aos discos mais emblemáticos do movimento, a audição dos álbuns abaixo é recomendada para quem deseja conhecer mais sobre a NWOAM:

Slipknot - Slipknot (1999)
Shadows Fall - The Art of Balance (2002)
Norma Jean - Bless the Martyr and Kiss the Child  (2002)
Machine Head - Through the Ashes of Empires (2003)
Superjoint Ritual - A Lethal Dose of American Hatred (2003)
Hatebreed - The Rise of Brutality (2003)
Chimaira - The Impossibility of Reason (2003)
Killswitch Engage - The End of Heartache (2004)
Lamb of God - Ashes of the Wake (2004)
Mastodon - Leviathan (2004)
The Dillinger Escape Plan - Miss Machine (2004)
Trivium - Ascendancy (2005)
Byzantine - ... And They Shall Take Up Serpents (2005)
Mastodon - Blood Mountain (2006)
Lamb of God - Sacrament (2006)
All That Remains - The Fall of Ideals (2006)
Avenged Sevenfold - Avenged Sevenfold (2007)
DevilDriver - The Last Kind Words (2007)
Throwdown - Venom & Tears (2007)
Unearth - The March (2008)
Mastodon - Crack the Skye (2009)
Avenged Sevenfold - Nightmare (2010)
Five Finger Death Punch - American Capitalist (2011)

Por Ricardo Seelig

8 comentários:

Álvaro Lazo disse...

Ricardo. Geralmente, quem se criou com a cena NWOBHM, torna-se um pouco relutante com esse cenário americano. Eu, por exemplo, juro que tentei dar chance e ouvidos à maioria de bandas citadas acima mas, confesso que a única que soou agradável e aceitável aos meus tímpanos relutantes foi Mastodon. E não foi qualquer disco, foi exclusivamente o disco The Hunter. Veja só, isso é engraçado pois, eu escuto inúmeros gêneros musicais. Desde o jazz frenético de Coltrane ao psicodélico-pós-moderno de Uncle Acid And The Deadbeats. Um bom passeio pelo Classic Rock também é crucial. Lynyrd Skynyrd, Almann Bros, etc. Cresci escutando Elvis e Paul McCarney nos bolachões de meu pai. Amo os Beatles e Bob Dylan, mas confesso que a minha inclinação pelo metal é deveras tendenciosa e com requintes de conservadorismo. Porque será que somos assim tão fechados? Será Slipknot tão chato assim? Porque essas bandas soam tão competentemente pesadas mas eu não consigo engolí-las? Parece um peso enlatado, sei lá. Eu realmente acho todas muito parecidas. "Brutais e Bundas-mole" ao mesmo tempo. Bom, enfim, é somente a minha opinião pessoal, lógico. Ainda bem que nem tudo está perdido para mim graças a essa "leva" de bandas boas e viscerais provenientes da Suécia! Nossa! E são tantas e tão agradáveis e sinceras! Elas têm suprido com louvor a minha necessidade por algo novo e pesado. Confesso que a maioria delas, descobri através de você. Por isso, devo lhe dizer que sou amistosamente grato meu amigo! Continue com o belo trabalho! Um grande abraço!

Ricardo Seelig disse...

Álvaro, entendo. Também cresci com a NWOBHM, mas gosto muito da NWOAM. De repente este artigo faça você dar uma nova chance à bandas como o Lamb of God, por exemplo.

Patrick Raffael Comparoni disse...

Bem bacana a matéria! Concordo plenamente com a característica ser mais geográfica do que qualquer outra coisa, no caso desse gênero.
Unearth é uma boa lembrança! Alguns anos atrás, que já devem estar beirando uns 10, na verdade, eu escutava bastantes bandas nessa pegada. Sem esquecer, claro, o KSE, obrigatório no estilo.
Acho que o Darkest Hour merecia ter sido lembrado, Ricardo! Eles têm alguns discos bons pra caralho

Nilo disse...

o slipknot tem muito mais a ver com a cena do korn do que com essa

Ricardo Seelig disse...

Como dito na matéria, trata-se de uma cena geográfica e não estilística. O Slipknot, ao meu ver, faz parte de uma segunda leva de bandas, enquanto o KoRn e o Deftones estão na primeira leva de bandas norte-americanas de metal surgidas na década de 1990, Nilo.

Anônimo disse...

MINHA PRIMEIRA POSTAGEM - Concordo com o Álvaro Lazo e ainda acrescento. Muito se critica o "conservadorismo" do público brasileiro rockeiro, mas acho que boa parte desse estigma é em parte culpa da crítica musical desse país. Aqui no Brasil, principalmente a partir do movimento grunge, muitos críticos falavam que qualquer banda mais pesada tinha pitadas de heavy metal. Como se quisessem angariar, por algum motivo, o fiel público do heavy metal. Lembro que diziam que Nirvana, Smashing Pumpkins e etc tinham tendências “metálicas”. Lógico que muitos dos rockeiros e headbangers iam conferir tais bandas e constatavam que não tinha nada a ver... não é pq é pesado que é heavy metal, rock de qualidade ou que é bom. Sem falar que muitas bandas eram consideradas a salvação do rock and roll pela mídia. E isso tudo criava por parte do público rockeiro brasileiro uma grande aversão a essas bandas que não podiam ser a última boa banda do universo, mas também não eram ruins. A sensação que ficava é que os críticos empurravam essas bandas por algum fator financeiro, por não saberem de nada ou simplesmente porque achavam legais e todo mundo deveria achar também. Acredito que o público brasileiro possa ter seus defeitos sim (e eu me incluo), mas o legal é que ele admira mais uma banda que vai conquistando o reconhecimento na raça do que alguma banda que a mídia (inclusive a especializada) considera como a nova sensação do momento. Acredito que rotular demais não é correto, mas há que se diferenciar estilos dentro do rock para não causar uma aversão. Admiro o site por divulgar bandas novas, realmente conheci coisas legais por aqui, mas por exemplo, dou uma sugestão. Na seção as “NOVAS CARAS DO METAL”, muito não se vê bandas de metal, bandas que estão longe desse estilo. O que acontece é que você lê o título, entra na matéria e, de repente, não vê aquilo que você procura. Se você não for curioso o suficiente, você para de ler e não dá oportunidade a uma banda que seria até boa, logo ela não aumenta o seu público. Em relação a bandas novas, gosto de muita coisa que tem por aí, como como HEAT, Reckless Love, Grand Magus, Danko Jones, Airbourne só pra citar algumas. Mas definitivamente, essas bandas citadas na matéria não descem, é gosto pessoal. Que nem disse, podem ser pesados e taxados de metal, mas pra mim estão longe de ser isso tudo... A verdade é que o “moderno” realmente causa uma aversão que acredito eu seja parte do público, mas também por outros motivos, dentre eles a crítica especializada e seus tropeços ao longo das décadas... Isso é só uma opinião pessoal, não uma verdade absoluta.

Luiz disse...

MINHA PRIMEIRA POSTAGEM - Concordo com o Álvaro Lazo e ainda acrescento. Muito se critica o "conservadorismo" do público brasileiro rockeiro, mas acho que boa parte desse estigma é em parte culpa da crítica musical desse país. Aqui no Brasil, principalmente a partir do movimento grunge, muitos críticos falavam que qualquer banda mais pesada tinha pitadas de heavy metal. Como se quisessem angariar, por algum motivo, o fiel público do heavy metal. Lembro que diziam que Nirvana, Smashing Pumpkins e etc tinham tendências “metálicas”. Lógico que muitos dos rockeiros e headbangers iam conferir tais bandas e constatavam que não tinha nada a ver... não é pq é pesado que é heavy metal, rock de qualidade ou que é bom. Sem falar que muitas bandas eram consideradas a salvação do rock and roll pela mídia. E isso tudo criava por parte do público rockeiro brasileiro uma grande aversão a essas bandas que não podiam ser a última boa banda do universo, mas também não eram ruins. A sensação que ficava é que os críticos empurravam essas bandas por algum fator financeiro, por não saberem de nada ou simplesmente porque achavam legais e todo mundo deveria achar também. Acredito que o público brasileiro possa ter seus defeitos sim (e eu me incluo), mas o legal é que ele admira mais uma banda que vai conquistando o reconhecimento na raça do que alguma banda que a mídia (inclusive a especializada) considera como a nova sensação do momento. Acredito que rotular demais não é correto, mas há que se diferenciar estilos dentro do rock para não causar uma aversão. Admiro o site por divulgar bandas novas, realmente conheci coisas legais por aqui, mas por exemplo, dou uma sugestão. Na seção as “NOVAS CARAS DO METAL”, muito não se vê bandas de metal, bandas que estão longe desse estilo. O que acontece é que você lê o título, entra na matéria e, de repente, não vê aquilo que você procura. Se você não for curioso o suficiente, você para de ler e não dá oportunidade a uma banda que seria até boa, logo ela não aumenta o seu público. Em relação a bandas novas, gosto de muita coisa que tem por aí, como como HEAT, Reckless Love, Grand Magus, Danko Jones, Airbourne só pra citar algumas. Mas definitivamente, essas bandas citadas na matéria não descem, é gosto pessoal. Que nem disse, podem ser pesados e taxados de metal, mas pra mim estão longe de ser isso tudo... A verdade é que o “moderno” realmente causa uma aversão que acredito eu seja parte do público, mas também por outros motivos, dentre eles a crítica especializada e seus tropeços ao longo das décadas... Isso é só uma opinião pessoal, não uma verdade absoluta.

satanasdfadsfasd disse...

Álvaro Lazo , muito bom quando debatemos e conversamos com pessoas madura como vc rapaz , e não moleques que so sabe xingar e difamar , otimo comentario o seu , eu amo NHOBHM assim como NWOAM

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