10 de jun de 2016

Os Melhores Discos de Todos os Tempos: 1994

sexta-feira, junho 10, 2016


1994 foi o ano do levante punk da década de 1990. Menos agressivo, mais pop e comercialmente muito mais viável e lucrativo do que em 1977, o segundo período de popularização do estilo levou o gênero a milhões de ouvidos, puxado pelos históricos terceiros discos do Green Day e Offspring, respectivamente Dookie e Smash.

No outro extremo, o Pink Floyd retornou aos estúdio, lançou The Division Bell e saiu pelo mundo, levando a sua música a todos os cantos do planeta. Outro gigante também deu fim ao seu silêncio, com os Rolling Stones gravando o seu melhor disco em anos.

O grunge experimentou a morte traumática de Kurt Cobain, o desafio lançado pelo Pearl Jam à indústria e a melancolia apaixonante do Alice in Chains, enquanto o Soundgarden agradava os fãs de metal com o excelente Superunknown e o Stone Temple Pilots entregava o ótimo Purple.

O ano também viu o Brit Pop explodir na Inglaterra puxado por Blur, Oasis, Pulp e Suede, dando início a um crescimento que iria alcançar todo o mundo nos anos seguintes.

No heavy metal, Bruce Dickinson lançou o seu segundo álbum solo e emplacou a clássica “Tears of the Dragon”, enquanto o Megadeth suavizou a sua música em Youthanasia e o Pantera e o Machine Head injetaram doses enormes de groove ao peso em álbuns que influenciaram toda uma geração.



- Bryan Adams foi o primeiro grande astro ocidental a tocar no Vietnã após a guerra ocorrido entre o final dos anos 1960 e primeira metade da década de 1970. O músico canadense se apresentou no país asiático no dia 19 de janeiro

- Jar of Flies, novo EP do Alice in Chains, foi lançado em 25 de janeiro e se tornou o primeiro título no formato a estrear na primeira posição do Top 200 da Billboard

- em 1 de fevereiro chegou às lojas o terceiro álbum do Green Day, Dookie, dando início ao revival punk rock que marcaria os anos 1990

- em 11 de fevereiro ocorreu um encontro secreto entre Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. O trio começou a trabalhar em demos inéditas de John Lennon, entregues a Paul por Yoko Ono. O trabalho geraria “Free As a Bird”, canção produzida por Jeff Lynne e presente no projeto Anthology, lançado em 1995

- o Nirvana realizou o seu último show no dia 1 de março, em Munique, na Alemanha

- no dia 3 de março Kurt Cobain entrou em coma na cidade italiana de Roma, após uma overdose de remédios com champanhe

- Courtney Love chamou a polícia até a sua casa no dia 18 de março, temendo que seu marido, Kurt Cobain, cometesse suicídio. Os policiais encontraram quatro armas e vinte e cinco caixas de munição na residência do casal

- Darryl Jones foi anunciado como novo baixista dos Rolling Stones no dia 18 de março, substituindo Bill Wyman

- em 30 de março teve início a última turnê mundial do Pink Floyd, promovendo o álbum The Division Bell

- em 8 de abril o corpo do vocalista e guitarrista do Nirvana foi encontrado em sua casa, em Seattle. O músico cometeu suicídio

- em 11 de abril chegou às lojas Smash, terceiro álbum do Offspring. O disco se tornaria o LP independente mais vendido de todos os tempos, com mais de 11 milhões de cópias comercializadas em todo o mundo

- Parklife, terceiro disco do Blur, foi lançado em 25 de abril e marcou a carreira da banda por ser o primeiro álbum do grupo a alcançar a primeira posição no Reino Unido

- no dia 6 de maio o Pearl Jam entrou com uma representação legal contra a Ticketmaster no Departamento de Justiça dos Estados Unidos, alegando que a empresa possuía o monopólio sobre a venda de ingressos para shows no país

- no dia 26 de maio aconteceu o casamento entre Michael Jackson e Lisa Marie Presley, filha de Elvis Presley. Era o Rei do Pop trocando alianças com a herdeira do Rei do Rock

- o Aerosmith tornou-se a primeira grande banda a lançar uma música através da internet. A faixa em questão foi “Head First”, liberada para download no dia 27 de junho

- em 9 de agosto foi lançado o primeiro disco do Machine Head, Burn My Eyes, que se tornou o álbum de estreia mais vendido da história da Roadrunner Records

- entre 12 e 14 de agosto aconteceu o Woodstock ’94, em Nova York. Bandas como Metallica, Aerosmith, Bob Dylan, Red Hot Chili Peppers e Green Day foram algumas das atrações

- Grace, o aclamado e único disco de Jeff Buckley, foi lançado no dia 23 de agosto

- Definitely Maybe, álbum de estreia do Oasis, chegou às lojas em 30 de agosto. Aclamado por público e crítica, o título tornou-se o disco com a vendagem mais rápida do mercado britânico até 2006, quando foi superado pela estreia do Arctic Monkey, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not

- Stranger Than Fiction, estreia do Bad Religion por uma grande gravadora, chegou às lojas no dia 6 de setembro

- em 11 de outubro foi lançado o primeiro álbum KoRn, considerado o marco zero do nu metal e um dos discos mais influentes do metal da década de 1990

- No Quarter (Unledded), concerto “acústico" de Jimmy Page e Robert Plant, estreou na MTV no dia 12 de outubro

- no dia 2 de dezembro a Warner anunciou a compra de 49% da gravadora Sub Pop, berço do grunge, por um valor aproximado de 30 milhões de dólares


Foram formadas em 1994 bandas como Creed, Deströyer 666, Fugees, Gov’t Mule, Hatebreed, The Hellacopters, Lacuna Coil, Lamb of God, Limp Bizkit, Mad Season, Maroon 5, Muse, Nailbomb, Placebo, Rammstein, Sevendust, Sigur Rós, Smash Mouth, Snow Patrol, Spice Girls, Suidakra, Symphony X, System of a Down e Tenacious D. Encerraram as atividades em 1994 nomes como Adolescents, Atheist, Blue Murder, Cabaret Voltaire, Cynic (retornou em 2006), Level 42, Metal Church (retornou em 1998), Nirvana e Uncle Tupelo. Retornaram à ativa durante o ano Circle Jerks e King Crimson.

Nasceram em 1994 Harry Styles (01/02) e Justin Bieber (01/03). Faleceram durante o ano Harry Nilsson (15/01), Henry Mancini (14/06), Nicky Hopkins (06/09), Jimmy Miller (22/10), Fred Smith (04/11), Cab Calloway (18/11) e Tom Jobim (08/12).

Foram induzidos ao Rock and Roll Hall of Fame em 1994:

Bob Marley
Duane Eddy
Elton John
Grateful Dead
John Lennon
Rod Stewart
The Animals
The Band

Os vencedores das principais categorias da 36ª edição do Grammy foram:

Gravação do Ano: “I Will Always Love You”, de Whitney Houston
Canção do Ano: “A Whole New World”, de Peabo Bryson & Regina Belle
Álbum do Ano: The Bodyguard: Original Soundtrack Album, de Whitney Houston
Revelação: Toni Braxton

Nas listas de melhores do ano das principais revistas sobre música da época, os vencedores foram:

Kerrang!: Troublegum, do Therapy?
Les Inrockuptibles: Mellow Gold, do Beck
Melody Maker: Dummy, do Portishead
Metal Hammer: Superunknown, do Soundgarden
Mojo: Grace, de Jeff Buckley
NME: Definitely Maybe, do Oasis
Q Magazine: Parklife, do Blur
Rolling Stone: Live Through This, do Hole
Spin: Live Through This, do Hole



Os cinco maiores hits do ano foram “Streets of Philadelphia” de Bruce Springsteen, “All For Love” do trio Bryan Adams/Rod Stewart/Sting, “Cotton Eye Joe” do Rednex, “I Swear” do All-4-One e “Without You” de Mariah Carey.

Também fizeram muito sucesso durante o ano as seguintes músicas:

“21st Century (Digital Boy)”, do Bad Religion
“About a Girl”, do Nirvana
“Basket Case”, “Welcome to Paradise” e “When I Come Around", do Green Day
“Better Man”, ”Corduroy” e “Spin the Black Circle", do Pearl Jam
“Black Hole Sun” e "Spoonman", do Soundgarden
“Buddy Holly”, do Weezer
“Cigarettes & Alcohol”, “Live Forever” e "Supersonic", do Oasis
“Come Out and Play”, “Gotta Get Away” e “Self Esteem", do Offspring
“Games People Play”, do Inner Circle
“Girls & Boys”, do Blur
“Here Comes the Hotstepper”, do Ini Kamoze
“I'll Stand by You”, do Pretenders
“Interstate Love Song”, do Stone Temple Pilots
“I Stay Away”, “No Excuses” e "Nutshell", do Alice in Chains
“Loser”, do Beck
“Love is Strong”, dos Rolling Stones
“(Meet) The Flinstones”, do The B-52’s
“No One to Run With”, da Allman Brothers Band
“Player's Ball”, do Outkast
“Return to Innocence”, do Enigma
“Sabotage”, dos Beastie Boys
“Seven Seconds”, de Neneh Cherry & Youssou N’Dour
“Take a Bow”, de Madonna
“Wild Night”, de John Mellencamp
“Zombie”, do The Cranberries



A trilha do filme O Rei Leão foi o principal destaque do Top 200 da Billboard em 1994, permanecendo durante 9 semanas na primeira posição, entre meados de julho e o início de setembro. Outros discos com belas performances foram Music Box de Mariah Carey (7 semanas no topo), The Division Bell do Pink Floyd (4 semanas), Purple do Stone Temple Pilots (3 semanas), II do Boiz II Men (4 semanas) e Miracles: The Holiday Album de Kenny G (3 semanas). O single mais vendido no mercado norte-americano em 1994 foi “The Sign” do Ace of Base, enquanto a trilha sonora de O Rei Leão foi o LP best seller do período.

No Reino Unido, o single mais vendido foi “Love is All Around” do Wet Wet Wet, enquanto o título de álbum mais comercializado entre os britânicos foi para Cross Road: The Best of Bon Jovi, do Bon Jovi.



Mantendo a mesma metodologia dos anos anteriores, realizamos uma pesquisa em levantamentos similares publicados nos mais diversos veículos com o objetivo de identificar os discos mais significativos do ano. Feito isso, submetemos cada um desses títulos às notas atribuídas a eles por revistas e sites especializados em música, lançamos em nossa planilha e chegamos ao resultado abaixo.

Com vocês, os melhores discos lançados em 1994 (apenas discos de estúdio, pois como é padrão neste tipo de listas, álbuns ao vivo e compilações não entram):

50 Live - Throwing Copper
49 Bruce Dickinson - Balls to Picasso
48 Beastie Boys - Ill Communication
47 Helloween - Master of the Rings
46 Prong - Cleansing
45 Jamiroquai - The Return of the Space Cowboy
44 Dave Matthews Band - Under the Table and Dreaming
43 Eric Clapton - From the Cradle
42 Frank Black - Teenager of the Year
41 The Black Crowes - Amorica
40 Offspring - Smash
39 Dream Theater - Awake
38 Pearl Jam - Vitalogy
37 Nine Inch Nails - The Downward Spiral
36 Alice in Chains - Jar of Flies
35 NOFX - Punk in Drublic
34 Mayhem - De Mysteriis Dom Sathanas
33 Stone Temple Pilots - Purple
32 Therapy? - Troublegum
31 Machine Head - Burn My Eyes
30 Mark Lanegan - Whiskey for the Holy Ghost
29 Kyuss - Welcome to Sky Valley
28 TLC - CrazySexyCool
27 Johnny Cash - American Recordings
26 Tom Petty - Wildflowers
25 Pride & Glory - Pride & Glory
24 Beck - Mellow Gold
23 Pulp - His ’n' Hers
22 Manic Street Preacher - The Holy Bible
21 Ween - Chocolate and Cheese
20 Morrissey - Vauxhall and I
19 Suede - Dog Man Star
18 Neil Young - Sleeps With Angels
17 Darkthrone - Transilvanian Hunger
16 Emperor - In the Nightside Eclipse
15 Blues Traveler - Four
14 The Rolling Stones - Voodoo Lounge
13 Chico Science & Nação Zumbi - Da Lama ao Caos
12 Blur - Parklife
11 Megadeth - Youthanasia
10 Oasis - Definitely Maybe
9 Soundgarden - Superunknown
8 The Prodigy - Music for the Jilted Generation
7 Pantera - Far Beyond Driven
6 Weezer - Weezer (The Blue Album)
5 Pink Floyd - The Division Bell
4 Green Day - Dookie
3 The Notorious B.I.G. - Ready to Die
2 NAS - Illmatic
1 Jeff Buckley - Grace

Meu top 10 do ano:

1 Jeff Buckley - Grace
2 Weezer - Weezer (The Blue Album)
3 Green Day - Dookie
4 Tom Petty - Wildflowers
5 Oasis - Definitely Maybe
6 The Rolling Stones - Voodoo Lounge
7 Chico Science & Nação Zumbi - Da Lama ao Caos
8 Blues Traveler - Four
9 Pantera - Far Beyond Driven
10 Bruce Dickinson - Balls to Picasso

Abaixo você tem uma playlist com os maiores hits e as músicas mais significativas do ano. E nos comentários queremos saber quais foram os melhores discos lançados em 1994 na sua opinião. Poste a sua lista!

Sala de Som | Phil Anselmo, Robb Flynn e o racismo no heavy metal

sexta-feira, junho 10, 2016

O assunto deste vídeo é a treta entre os vocalistas Phil Anselmo (Pantera) e Robb Flynn (Machine Head), que teve início com os gestos e histórico racista e xenófobo de Anselmo, duramente criticado por Flynn, e que ganhou um novo capítulo em “Is There Anybody Out There”, novo single do Machine Head. E falo um pouco também sobre a questão do racismo no universo do heavy metal.

Leitura complementar:

O editorial do Metal Sucks criticando a postura de Phil Anselmo:

O editorial da Metal Hammer condenando a postura de Anselmo:

O vídeo de Robb Flynn criticando Phil Anselmo:

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U2: banda lança novo DVD/Blu-ray gravado em Paris

sexta-feira, junho 10, 2016

O U2 anunciou o lançamento do vídeo U2 iNNOCENCE + eXPERIENCE Live in Paris, registro da passagem da sua última turnê pela capital francesa. O show ocorreu algumas semanas após o atentado terrorista de novembro de 2015, que atingiu várias partes da Cidade Luz e fez mais de uma centena de vítimas na casa de shows Le Bataclan. 

A banda norte-americana Eagles of Death Metal, que estava tocando no Le Bataclan durante o atentado, participa do DVD subindo ao palco com o U2 para cantar as músicas “People Have the Power” e “I Love You All the Time”, naquela que foi a primeira apresentação do grupo após os eventos.

O material traz 30 faixas em 2 horas e meia de filme, foi dirigido por Hamish Hamilton e será disponibilizado em DVD, Blu-ray e para download digital, e traz alguns extras como os clipes das faixas “The Wanderer” e “The Troubles”, além de outros quitutes.

Abaixo está o tracklist completo de U2 INNOCENCE + eXPERIENCE Live in Paris, bem como o trailer do material e o vídeo de "Invisible" presente no show:

1.  People Have The Power
2.  The Miracle (Of Joey Ramone)
3.  Vertigo
4.  I Will Follow
5.  Iris (Hold Me Close)
6.  Cedarwood Road
7.  Song For Someone
8.  Sunday Bloody Sunday
9.  Raised By Wolves
10. Until The End Of The World
11. The Fly
12. Invisible
13. Even Better Than The Real Thing
14. Mysterious Ways
15. Elevation
16. Every Breaking Wave
17. October
18. Bullet The Blue Sky
19. Zooropa
20. Where The Streets Have No Name
21. Pride (In The Name Of Love)
22. With Or Without You
23. Stephen Hawking 'Global Citizen'
24. City Of Blinding Lights
25. Beautiful Day
26. Mother & Child Reunion
27. Bad
28. One
29. People Have The Power (With Eagles Of Death Metal) 
30. I Love You All The Time (Eagles Of Death Metal) 

8 de jun de 2016

Playlist: As Novas Caras do Metal

quarta-feira, junho 08, 2016

Uma das seções mais tradicionais aqui do site atende pelo nome de As Novas Caras do Metal. Nela, indicamos novos nomes que estão fazendo um trabalho interessante no som pesado, nos mais variados gêneros. Já foram publicadas 27 edições, totalizando aproximadamente 290 bandas recomendadas. 

Você pode conferir todas as edições neste link.

Pra facilitar o trabalho, compilamos algumas delas em uma playlist especial, que traz 70 sons de 70 bandas pra você ter um primeiro contato com a série e, em muitos casos, com as próprias bandas. Como o início desses posts foi há quase cinco anos (em meados de novembro de 2011, pra ser mais exato), alguns nomes já são conhecidos do público, como Ghost e Rival Sons, mas foram mantidos na compilação porque, afinal de contas, música de qualidade nunca cansa.

Ouça a playlist no player abaixo, e também nos dê uma ajuda, acessando o Spotify e seguindo essa playlist por lá também.

Esperamos que curtam!

A Casa

quarta-feira, junho 08, 2016

O dia era frio. O vento cortava o rosto. O correto seria ficar em casa, aquecido sob um cobertor, mas não era bem isso que ele tinha em mente. Andando praticamente sozinho àquela hora da manhã, enquanto todos ainda dormiam, Curtis pensava no que teria que fazer. Não que ele fosse muito apegado a essas questões sentimentais, a bobagens como o tal do sentimento de culpa e frescuras como não conseguir dormir tranquilo devido a seus atos. Ele só andava meio cansado, talvez um pouco desiludido, provavelmente de saco cheio com a rotina de sempre. As mesmas pessoas, as mesmas ruas, os mesmos sons, todos os dias. Uma mudança de ares se fazia necessária, e era exatamente isso que ele buscava naquela fria manhã de inverno.

A cidade era pequena, mas simpática. Alguém já disse que quem cresce em uma cidade do interior é mais sincero e menos dissimulado do que aqueles acostumados com o cotidiano de uma metrópole. Em uma cidade pequena todos se conhecem, todos sabem quem você é, de onde você vem e o que você faz. É preciso olhar nos olhos de quem passa por você, dar bom dia, se comunicar com os seus, às vezes, nem tão semelhantes. Para quem nunca viveu no interior isso parece apenas uma metáfora romântica, mas quem passou grande parte da sua vida ouvindo e presenciando, mesmo sem querer, o aparentemente bucólico vai e vem de uma cidade pequena, sabe que isso é uma verdade incontestável.

Suas botas já estavam gastas. Seus jeans eram rasgados e desbotados. O chapéu de cowboy ajudava a proteger do frio, bem como o velho cachecol, que balançava ao sabor do vento. Mais que lembranças de tempos passados, faziam parte do seu DNA. Ele queria começar uma vida nova, mas precisava se agarrar em elementos que mantivessem sua identidade viva e forte.

Cheio de energia e decidido, Curtis enfrentou a temperatura gelada a passos firmes. O caminho não era longo, mas havia evitado-o por bastante tempo. Sabia que, ao chegar ao seu destino, não haveria volta. Enquanto viajava em seus pensamentos, aos poucos a velha casa ia tomando forma à sua frente. Toda de madeira e com dois pisos, com um aspecto que denunciava a sua idade a todos, transpirava histórias e sentimentos, alguns agradáveis, outros nem tanto. Curtis a mantinha viva em sua memória, assim como tudo o que havia feito e presenciado ali dentro. Não sabia se sentia orgulho, desprezo ou saudade, só sabia que se sentia bem ao tê-la ao alcance de seus olhos mais uma vez.

Quando você é adolescente quer experimentar, conhecer e viver tudo. Quer ter contato com todas as cores. Quer reencontrar velhos camaradas de outras vidas, apaixonar-se perdidamente, sentir a adrenalina a mil e o coração na boca. No alto dos seus dezessete anos isso parece a melhor coisa do mundo, mas a distância que a idade traz faz com que, ao reviver tudo aquilo, nos sentimos não mais que andando em círculos. Ok, isso pode até ser verdade, mas respirar novamente o mesmo ar, ver os velhos discos no mesmo lugar, os pôsteres gastos na parede e os fantasmas de sua juventude vagando animados com a sua presença traz um frio na barriga bom demais para ficar apenas nas lembranças do passado.

Curtis estava com 35 anos agora. Não era mais jovem, mas também estava longe de ser um respeitado senhor, alguém cuja simples presença faz a sociedade sentir orgulho. Os cabelos longos caindo pelos ombros, a barba sempre presente e as diversas tatuagens pelo corpo compunham uma figura soturna, que todos conheciam mas poucos sabiam quem realmente era.

Alto e forte, com pouco mais de 1,90, Curtis tinha poucos, porém verdadeiros amigos: Bonzo era um daqueles caras que não param de falar, que fazem amizade fácil e são conhecidos por todo mundo; Kim era linda, com longos cabelos loiros cacheados, e sua figura era semelhante a dos personagens que fantasiamos encontrar no paraíso; Adrian costumava falar pouco, mas sua afinidade com Curtis era tamanha que frequentemente os confundiam como irmãos, o que, pelos menos nesta vida, não eram; e Alice era a mais nova de todos, uma morena de cabelos vermelhos e dezenas de tattoos que não aparentava mais do que vinte anos. Os cinco estavam sempre juntos, e, com a ingenuidade particular de uma cidade pequena, eram conhecidos pela provinciana alcunha de "os cinco malucos".

Ainda submerso em lembranças, Curtis ficou espantado em perceber como a casa havia se conservado ao longo dos anos. Tirando o ar denso dos ambientes fechados, parecia a mesma de tantas aventuras e segredos. Calmamente procurou sua cadeira preferida, aquela que ficava no canto da sala, ao lado do imenso sofá de couro, e esperou, sem pressa, o que estava por vir.

O primeiro a chegar foi Bonzo, gritando do lado de fora, como sempre anunciando a sua presença a plenos pulmões. Deu um grande abraço em Curtis, e, enquanto relembravam o porque de estarem ali, foram interrompidos com o barulho da porta se abrindo. Emoldurada pelos típicos raios de sol dos dias frios, avistaram a silhueta de Kim. Por mais que não a vissem há um bom tempo, sua figura conservava o mesmo ar angelical de sempre. Como não poderia deixar de ser, sua presença veio acompanhada pelo doce aroma de seu corpo, o que fez com que Curtis e Bonzo, por um momento, se sentissem não naquele cenário tão familiar e repleto de histórias, mas sim próximos da concepção do que suas mentes julgavam ser o paraíso.

A beleza arrebatadora de Kim contrastava com seu modo particular de ver as coisas. Qualquer pessoa, ao avistá-la pela primeira vez, instintivamente a associava a uma meiga garota, mas bastava trocar algumas ideias com Kim para perceber que ela poderia ser tudo, menos isso. Dona de um senso humor negro que beirava o doentio, de uma fome selvagem que a fazia experimentar tudo sem medo, parecia imune aos seus próprios excessos e devaneios. Se do lado de fora poderia facilmente ser definida como um anjo, seu interior era escuro e repleto de surpresas.

Ainda atordoados com aquela visão quase espiritual - "porque, mesmo a conhecendo há tanto tempo, sinto essa sensação toda vez que a vejo?", pensava Curtis mais uma vez -, a dupla abriu espaço na sala para Kim, que, com a sua ironia habitual, olhou ambos da cabeça aos pés para, em seguida, abraçá-los com carinho e sussurrar em seus ouvidos: "senti falta de estar entre vocês dois".

Adrian e Alice foram os últimos a chegar. Curtis era o único que sabia que estavam juntos. Enquanto Bonzo girava Alice pelo ar com uma alegria pura e verdadeira, Kim olhava Adrian com o mesmo desejo de anos atrás. Os dois haviam se apaixonado ainda adolescentes, em um daqueles amores arrebatadores da juventude onde as descobertas são mútuas, as promessas são eternas e a sensação de não conseguir viver um sem o outro é tão forte que parece mais do que real. Todos na cidade juravam que eles ficariam juntos para sempre, mas não foi isso que aconteceu. Apesar da paixão cada vez maior de Kim, Adrian, sem aviso, decidiu que precisava de um tempo sozinho, deixando-a sem chão. Quem a conhece diz que esse foi o seu ponto de ruptura, o marco que a transformou na mulher que é hoje, dona de uma beleza hipnótica que contrasta com a sua imensa solidão.

Com os cinco novamente reunidos, relembrar o que viveram e porque estavam ali era o próximo passo. Quando se entra na casa dos trinta anos o senso comum é que sejamos mais maduros e responsáveis. Não era esse o caso. O quinteto ainda mantinha intacto o apetite selvagem por novas experiências, sempre ansiando por colocar generosas doses de novidade em seu enfadonho e medíocre cotidiano. Por isso, estar juntos novamente, no mesmo local onde viveram as experiências mais fascinantes e importantes de suas vidas, era motivo de festa e comemoração.

Bonzo fez as honras e abriu a primeira cerveja, pegando em seguida mais quatro para Curtis, Adrian, Kim e Alice. Enquanto as garrafas verdes eram empilhadas em ritmo acelerado, as lembranças também vinham à tona, fortes e vívidas. Curtis havia colocado um disco do Lynyrd Skynyrd para rolar, e, embalados pelo álcool e pela música, os cinco se divertiam e se emocionavam relembrando tudo o que aquelas paredes e quartos haviam visto ao longo dos anos.

Haviam descoberto o sobrado por acaso. Afastado da cidade, mas não tão longe que a distância não pudesse ser vencida por uma revigorante caminhada, era um lugar evitado pelos moradores do vilarejo, que o julgavam amaldiçoado e repleto de demônios desde que uma família inteira havia sido assassinada lá dentro. Os detalhes se perderam com o tempo, mas dizem os mais antigos que ali morava um dos pioneiros a chegar por aquelas bandas, um alemão grande, forte e vermelho chamado Helmut, que havia construído o resistente casarão há quase cinco décadas, enquanto abria estradas, recrutava trabalhadores e saciava seus desejos sexuais das maneiras mais depravadas possíveis, primeiro com as mulheres de vida fácil que surgem como moscas em carne podre onde quer que haja movimento, e depois ameaçando, assediando e, por fim, estuprando toda e qualquer figura feminina, sem distinção de cor, forma e idade, que encontrava pelo caminho.

Seu fim chegou de forma violenta. Contam os mais velhos que, após ver o alemão deflorando suas filhas adolescentes, um dos peões que para ele trabalhava correu em sua direção ensandecido e com uma foice na mão, rasgando-lhe o peito e decepando sua cabeça. Enquanto suas vísceras transbordavam para fora do corpo, seu algoz, enlouquecido, desfilou com sua cabeça até o grande sobrado, enterrando-a em um local desconhecido, segredo esse que se perdeu com a mesma velocidade com que o corpo do peão foi consumido pelo fogo que ele mesmo se ateou, transtornado pelo fato de ter se igualado a sua vítima, já que, cego de ódio, havia invadido a casa e arrancado os olhos de todos os dezessete filhos do estuprador antes de matá-los, bem como crucificado sua esposa na porta, selando com sangue quente a entrada do casarão.

Certo dia, Kim, ao ouvir a história da boca de sua falecida avó, convenceu Adrian e Curtis a procurar a cabeça perdida do famigerado Helmut. Foram até a casa, que havia sido ignorada silenciosamente pelos nativos ao longos dos anos, e, ainda que tenham cavado um buraco aqui e ali de tempos em tempos, acabaram ficando tão fascinados pelos fatos ocorridos naquele local que adotaram o sobrado como ponto de fuga, esconderijo e quartel general. Foi naqueles corredores escuros, cercados por paredes opressoras que se estendiam pelo longo pé direito do casarão, que Curtis, Bonzo, Adrian, Kim e Alice descobriram seus sonhos, desejos e angústias. Foi naquele casarão antigo, no qual se chegava depois de uma boa caminhada através de uma estrada estreita emoldurada por dezenas de árvores centenárias cujos galhos lambiam o chão e deixavam o trajeto acolchoado por infinitas folhas secas, que cada um deles descobriu, de maneira lenta e definitiva, quem realmente era.

Curtis, que sempre foi o mais quieto dos cinco, gostava de ficar sozinho no porão, que havia encontrado por acaso em uma noite de verão quando, ao vagar pela casa em busca de sossego, tropeçou em algo que logo percebeu ser a alça de um alçapão escondida sob o velho tapete incrustado abaixo da escada que ligava os dois pisos do sobrado. Curioso e fascinado com sua descoberta, Curtis adotou o porão como refúgio, e nele foi tendo contato com pequenos objetos e lembranças que o fizeram reconstituir os macabros acontecimentos que haviam ocorrido sobre aquele chão, assim como proporcionaram a ele uma identificação e uma aproximação, espiritual e arrebatadora, com a personalidade do outrora forte, vigoroso e jovem Helmut, que havia dado o seu suor e o seu sangue para eregir uma das mais belas localidades que se tinha notícia naquela região.

Já Kim parecia enfeitiçada toda vez que cruzava a imensa porta de madeira do casarão. Bonzo gostava de brincar, falando que, na verdade, a bela loira era possuída pela alma perdida da esposa de Helmut, que havia sido pregada a sangue frio nas tábuas duras que levavam ao hall de entrada da casa, mas, aos poucos, o que era uma brincadeira inocente foi tomando ares de verdade absoluta aos olhos do quarteto restante. Kim, por sua vez, às vezes parecia realmente flutuar sobre os quatro com uma superioridade e uma experiência que não ostentava com frequência, enquanto em outros momentos dava pistas de estar apenas curtindo, ironicamente, as suspeitas de seus amigos.

O fato é que a casa presenciou o violento florescer de Kim, faminta por novas experiências, sem medo de experimentar o que fosse, das drogas providenciadas por Bonzo às suas mais secretas perversões. Com o destemor próprio da juventude, mergulhou sem medo em suas fantasias, e esse mergulho foi ficando cada vez mais profundo à medida em que buscava afogar sua frustração, raiva e descontentamento com o final de sua relação com Adrian. Kim buscou aplacar seu furor sexual com Curtis, Bonzo e até mesmo Alice, transformando-se em amante do trio, vivendo períodos esporádicos com cada um deles, mas sempre mantendo a paixão por Adrian viva em seu coração.

E lá estavam os cinco novamente. A trilha já havia mudado, e, depois do Skynyrd, já haviam rolado Who, Stones e a banda dos irmãos Allman. Agora o que saía dos alto-falantes era a voz aguda de Neil Young, anunciando que havia algo a ser feito. Ao som de "Down by the River", os cinco secaram o que restava em suas garrafas e se prepararam para partir. O primeiro foi Bonzo, que, sem hesitar ou pensar duas vezes, apontou o cano serrado da espingarda calibre doze que Curtis havia encontrado no porão para a sua cabeça, apertou o gatilho e se foi, acompanhado pelas centenas de pedaços do seu crânio, que agora decoravam a casa. Adrian foi o seguinte, encostando o cano quente da arma no céu da boca enquanto seu dorso sem vida tombava no chão. Curtis, Kim e Alice assistiam tudo na mais serena tranquilidade, relembrando de quando, anos atrás, haviam selado um pacto de, ao perceberem suas vidas em uma estrada sem saída, seja pela plena realização de seus sonhos ou pela absoluta falta de perspectivas, se reuniriam novamente para dar cabo de suas vidas.

O chão repleto de sangue quente serviu de cama para Alice e Kim, que começaram a se acariciar manhosamente enquanto pedaços de carne fresca se desprendiam do teto. Curtis apenas observava, sentado com os olhos vidrados naqueles dois belos corpos nus. Sua distância foi quebrada apenas quando Alice, montada sobre Kim, o chamou com um pequeno gesto. O tempo parecia passar em outro ritmo, e Curtis se sentia vivendo em slow motion. Juntou-se a Kim e Alice, amando-as com uma energia que nunca pensou ter em seu corpo. Com Alice sobre o seu corpo, chegou ao clímax ao mesmo tempo em que apertou o gatilho da 12, abrindo um rombo gigantesco no corpo tatuado de Alice, que caiu sem vida na poça de sangue que inundava a sala.

Kim e Curtis foram até o gramado do lado de fora do casarão e lá se sentaram, observando o belo pôr-do-sol que se formava naquele fim de tarde. Kim aproximou-se de Curtis, colocando sua mão lentamente no bolso da calça do amigo, onde pegou o estilete que ele carregava e começou a fazer longos e profundos cortes em seu próprio corpo. Curtis deixou-a por um instante, foi até a casa e retornou com alguns utensílios. Pegou Kim em seus braços e carregou-a até a porta da casa, onde começou a pregar longos pregos em suas mãos, coxas e pés. A figura loira crucificada e banhada de sangue olhava fixamente para Curtis, e, lambendo seus lábios e esboçando um breve sorriso, deu a senha para que Curtis executasse o ato seguinte, banhando-a com jatos de álcool que penetravam a carne exposta de seu corpo, arrancando gritos que ele não sabia se eram de dor ou de prazer.

Enquanto Kim se debatia na pesada porta de madeira, Curtis sacou as duas armas que levava na cintura, aproximou-as de sua cabeça e apertou o gatilho, fazendo seu corpo sem vida cair pesadamente no chão, bem em frente ao de Kim. A outrora angelical e bela loira sentiu o silêncio que se seguiu, e, enquanto a noite escurecia o dia, seus olhos se fecharam, levando-a para um lugar desconhecido.

Os dias se passaram e, por mais que as famílias dos cinco estivessem acostumadas com seus desaparecimentos sem aviso, o ar pesado prenunciava que algo diferente havia ocorrido. Os corpos foram descobertos duas ou três semanas depois, em um cenário descrito pelos policiais locais como sendo de uma beleza horripilante.

A casa foi posta abaixo e suas histórias foram levadas pelas imensas chamas do incêndio que a consumiu. Entre as cinzas daquele antigo refúgio, cenário de tantos segredos, aventuras e descobertas, foi encontrado um sexto crânio, e hoje diz-se que o forte e grande Helmut caminha pelas noites frias de inverno acompanhado por seus cinco irmãos de sangue e espírito.

A cidade nunca mais foi a mesma. O sol nunca mais se pôs como antes. O entardecer até hoje traz em suas sombras os gritos e sons daquela data fatídica. Hoje, no lugar do casarão existe uma imensa árvore, em cuja convidativa sombra repousam todos os sonhos, desejos, amores e conquistas de Curtis, Kim, Alice, Adrian e Bonzo. Dizem que basta sentar sob ela e fechar os olhos para ver o doce sorriso de Kim, ouvir as histórias de Bonzo, dançar junto com Adrian e Alice pelo ar e sentir o aperto de mão firme e sincero de Curtis.

Por aquelas bandas, os dias continuam longos e frios, mas bem menos interessantes.



(um conto de Ricardo Seelig, escrito no início de 2010)

7 de jun de 2016

Sala de Som | Review: Volbeat - Seal the Deal & Let's Boogie (2016)

terça-feira, junho 07, 2016

Primeiro review em vídeo do Sala de Som, analisando o sexto álbum da banda dinamarquesa Volbeat, Seal the Deal & Let’s Boogie, lançado em 3 de junho pela Universal Music.

Deixe a sua opinião sobre o disco nos comentários.


Acompanhe a gente em:

Iron Maiden: na capa da nova RockHard francesa

terça-feira, junho 07, 2016

Comemorando os seus 15 anos, a edição francesa da RockHard traz uma linda capa com o Iron Maiden. A bela ilustração vem em uma impressão em 3D, causando um efeito visual bem interessante.

Além da cobertura da atual turnê da banda inglesa, a revista traz matérias com nomes como Volbeat, Sabaton, Candlemass, Rival Sons e Diamond Head, além de reviews sobre os recentes shows realizados pelo AC/DC (com Axl Rose), Helloween e Monster Truck na capital francesa. Fechando o pacote, um CD com 15 faixas de bandas como Motörhead, Hellyeah e Blues Pills.




Iron Maiden: banda está na capa da nova Kerrang

terça-feira, junho 07, 2016

A edição desta semana da Kerrang! traz um especial sobre o Download Festival, dando uma prévia de tudo que vai rolar na edição deste ano. O destaque é o Iron Maiden, que também é o tema do CD que acompanha a revista, um tributo à lendária banda inglesa.

Black Sabbath, Architects, Megadeth e Deftones marcam presença na edição, além da comemoração de 35 anos da publicação.



6 de jun de 2016

Sala de Som | Rock pesado e heavy metal cantados em português

segunda-feira, junho 06, 2016


Música de abertura: “Valquíria”, do Gallo Azhuu

Por que a maioria das bandas brasileiras de hard rock e heavy metal cantam em inglês e não na nossa própria língua? Neste vídeo, levanto essa questão e indico cinco nomes atuais que estão fazendo um ótimo som pesado em língua portuguesa: Gallo Azhuu, Carro Bomba, Baranga, Uganga e Pedra.

Use os comentários para dar a sua impressão sobre as bandas indicadas no vídeo, e também pra trazer mais nomes para o papo, compartilhando com a gente outros grupos que fazem som pesado pra brasileiro entender e curtir.

Gallo Azhuu

Carro Bomba
Review de Pragas Urbanas - http://goo.gl/kSifG0

Baranga
Review de O Quintos dos Infernos - http://goo.gl/JgTjcw

Uganga
Review de Vol. 3: Caos Carma Conceito - http://goo.gl/VzSHwT

Pedra
Review do Pedra II - http://goo.gl/G5R0qF

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