1 de jul de 2016

As histórias em quadrinhos mais vendidas de todos os tempos

sexta-feira, julho 01, 2016


Este texto está dividido em duas partes: as HQs mais vendidas de todos os tempos e os personagens que mais venderam histórias em quadrinhos.

Pra começar, o foco aqui são super-heróis e não personagens destinados ao público infantil. Logo, o universo Disney não está presente. O que temos são os personagens da DC, Marvel, Image, Dark Horse e similares. Os números citados nas edições únicas referem-se ao mercado norte-americano de quadrinhos, que é o principal centro consumidor da nona arte, enquanto os números citados em relação ao total de vendas de cada personagem são as estimativas de vendas globais.

Dito isso, vamos ao que interessa: essas foram as histórias em quadrinhos mais vendidas de todos os tempos:



The Walking Dead #100 (2003, Image)

A centésima edição de The Walking Dead foi lançada pela Image em 2003. A HQ, fonte da inspiração e referência para a série de TV que estreou em 2010 e já tem seis temporadas, é escrita por Robert Kirkman (Ultimate X-Men, Marvel Zombies) e ilustrada por Tony Moore (Justiceiro, Venom, Deadpool - apenas as seis primeiras edições) e Charlie Adlard (Juiz Dredd, Hellblazer, Savage - que assumiu a série no número 7 e está até hoje no título). Ambientada em um mundo infestado por zumbis, a série é o carro-chefe da Image atualmente. A edição número 100 trouxe reviravoltas na trama e várias capas variantes desenhadas por diversos artistas, o que ajudou a elevar os números de circulação. A estimativa é que esta edição tenha vendido cerca de 384 mil exemplares somente no mercado norte-americano.



The Amazing Spider-Man #583 (2009, Marvel)

Este número de Homem-Aranha saiu com duas capas diferentes: uma mostrava Peter Parker acompanhado de duas garotas, enquanto a segunda tinha a imagem de Barack Obama, na época recém-eleito Presidente dos Estados Unidos. Desnecessário informar que a grande responsável pelos altos números de venda foi a segunda. A estratégia de Marvel de colocar o seu principal personagem ao lado de Obama levou a revista a vender cerca de 530 mil exemplares.



The Amazing Spider-Man #1 (2014, Marvel)

No mercado dos quadrinhos, de tempos em tempos são comuns iniciativas de reiniciam os universos dos personagens, e trazem também a reinicialização da numeração das revistas. Neste caso, o que temos é o retorno de Peter Parker ao posto de Homem-Aranha, um ano após o personagem trocar de mente com o Doutor Octopus, que assumiu o uniforme do herói na série de histórias batizada como Homem-Aranha Superior. Foram vendidos aproximadamente 533 mil exemplares desta edição.


Deathmate (1993-94, Valiant/Image)

Crossover entre os personagens das editoras Image e Valiant, lançado em quatro edições batizadas com o nome de cores: Amarelo, Azul, Preto e Vermelho - mais o Prólogo e o Epílogo. Com uma mega promoção e estratégia agressiva de marketing, a série gerou uma enorme expectativa que foi traduzida em altos números de vendas. Lançada no auge da explosão visual que os quadrinhos viviam na década de 1990, onde a arte subitamente fico muito mais importante que o conteúdo e os roteiros, a série foi desenhada por nomes como Jim Lee, Rob Liefeld, Bernard Chang e Barry Windsor-Smith, e teve a sua trama escrita por caras como Bob Layton, Mike Baron, Bob Hall e John Ostrander. No entanto, os constantes atrasos na entrega das edições causaram um crescente desinteresse pela história, que acabou com números de vendas muito menores do que em seu início. Mesmo assim, estima-se que Deathmate tenha vendido mais de 700 mil cópias.



Fantastic Four #60 (1998, Marvel)

A razão do sucesso deste edição está em dois fatores: promovendo a estreia de uma nova equipe criativa formada por Mark Waid e Mike Wieringo, a Marvel vendeu a revista por simbólicos 9 centavos de dólar. O resultado foi uma avalanche de pedidos, superando os 752 mil exemplares.



Spawn #1 (1992, Image)

A primeira edição da série de maior sucesso da então nascente editora Image, criada por artistas insatisfeitos com a política de direitos autorais e royalties da Marvel. Spawn é um dos personagens de quadrinhos mais emblemáticos da década de 1990. Criado e desenhado por Todd McFarlane, a trama conta a trajetória de um soldado que volta da morte e passa a servir o inferno. Com desenhos de alto impacto e uma narrativa visual cativante, Spawn marcou época e influenciou uma nova geração de artistas. O número 1 superou a fronteira do milhão e vendeu mais de 1,7 milhões de exemplares.



Spider-Man #1 (1990, Marvel)

Outro exemplo da influência de McFarlane nos quadrinhos da década de 1990. Estreando como roteirista e ilustrador do principal personagem da Marvel, o canadense foi o responsável por fazer a edição vender mais de 2,5 milhões de exemplares, dando início a um novo momento na indústria de quadrinhos e tornando protagonistas uma nova geração de artistas como Marc Silvestri e Rob Liefeld. No Brasil essa fase saiu com o título de Tormento. No mercado norte-americano, ela marcou também o início da estratégia de capas variantes e com materiais diferenciados utilizada à exaustão durante os anos 1990. 



Superman #75 (1987, DC)

A famosa edição em que a DC matou o Homem de Aço. A Morte do Super-Homem foi um evento tão grandioso que recebeu ampla cobertura da indústria do entretenimento como um todo. O super-herói mais famoso do planeta perdeu a vida em uma luta épica com um personagem chamado Apocalypse, e ficou um ano afastado dos quadrinhos. A edição vendeu mais de 3 milhões de cópias.



X-Force #1 (1992, Marvel)

Se McFarlane já havia feito história com o Homem-Aranha, Liefeld foi ainda mais longe ao assumir um dos títulos mutantes da Marvel. X-Force trazia o novo personagem Cable e mais tarde apresentaria Deadpool ao leitores, ambos criações de Liefeld. É o ápice dos músculos sobrepujando o conteúdo, com as peculiares regras de anatomia de Rob Liefeld chocando todo mundo.



X-Men #1 (1991, Marvel)

A principal equipe de personagens do universo Marvel na época, desenhada por um dos mais festejados artistas da então nova geração. Jim Lee inaugurou um novo capítulo na trajetória dos X-Men, trazendo artes de grande impacto visual acompanhadas por mulheres seminuas e sempre em posições provocantes. Cultuada pelos fãs, essa fase foi lançada no Brasil em diversos formatos, incluindo uma edição com capa dobrável e outra encadernada. Sozinho, o número 1 vendeu mais de 7,1 milhões de exemplares.

Passamos agora para a segunda parte deste post, falando a respeito dos personagens que mais venderam HQs em todos os tempos. Aqui temos fatores como a quantidade de títulos envolvidos, o tempo de vida de um personagem, o seu impacto na cultura pop e outros aspectos. 



Fantasma

Criado em 1936 por Lee Falk (também pai de Mandrake), o Fantasma tem oito décadas de história e vendas totais estimadas em mais de 150 milhões de HQs em todo o mundo. A primeira aparição do personagem foi em uma tira de jornal diária. As histórias do Fantasma continuam sendo escritas e publicadas até hoje - no Brasil, o personagem tem diversos encadernados lançados pela editora Mythos.



Dragon Ball

Criado em 1984 por Akira Toriyama, Dragon Ball é um dos mangás mais populares de todos os tempos. A história completa foi lançada em 42 volumes, que contabilizaram 519 capítulos publicados entre 1984 e 1995. A trama deu origem a duas séries de TV, os animes Dragon Ball e Dragon Ball Z, produzidos entre 1986 e 1996. No Brasil, o mangá foi publicado pela Conrad Editora entre dezembro de 2000 e outubro de 2003. Após um longo período longe das bancas, Dragon Ball foi assumido pela Panini, que começou a publicar o mangá a partir de número 1 em maio de 2012. Estima-se que a série já tenha superado os 200 milhões de exemplares vendidos em todo o planeta.



As Aventuras de TinTin

Criado pelo cartunista belga Georges Remi, TinTin é o protagonista da história em quadrinhos europeia mais popular do século XX. O título já foi traduzido para mais de 70 línguas e vendeu mais de 200 milhões de exemplares. A publicação teve início em janeiro de 1929, como um suplemente destinado ao público infantil do jornal Le Vingtième Siècle. No Brasil, a série foi publicada em belos álbuns lançados pela Cia das Letras, e que ainda estão em catálogo.



Capitão América

Talvez o personagem mais emblemático da Marvel, o Capitão América é também um dos mais conhecidos da Casa das Ideias. Criado em 1941 pela dupla Joe Simon e Jack Kirby, o Sentinela da Liberdade foi muito popular entre os soldados norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial e experimentou um segundo boom entre os leitores nos anos 1960, quando passou a interagir com toda uma nova geração de super-heróis criados por Stan Lee. Uma das figuras centrais do Universo Marvel na última década, Steve Rogers também é um dos alicerces da Marvel nos cinemas, onde é vivido pelo ator Chris Evans. Estima-se que o personagem já tenha vendido mais de 210 milhões de HQs.



X-Men

Os X-Men foram criados pela dupla Stan Lee e Jack Kirby em 1963, e fizeram a sua estreia na revista The X-Men #1, lançada em setembro daquele ano. O mote sempre foi o preconceito e a luta de uma minoria, aqui representada por mutantes, indivíduos que sofreram mutações genéticas que os diferenciam da população normal. Um dos títulos mais populares da Marvel, os X-Men foram líderes de vendas da editora durante boa parte das décadas de 1980 e 1990. Estima-se que as revistas envolvendo a equipe já tenham vendido mais de 270 milhões de exemplares.



One Piece

O mangá mais vendido de todos os tempos foi criado por Elichiro Oda em 1997. A série conta a história do pirata Monkey Luffy em busca do maior tesouro do mundo, batizado com o nome que intitula o mangá. A história começou a ser publicada no Japão em 1997 e está sendo escrita até hoje. Até o momento já foram lançados 82 volumes na Terra do Sol Nascente. No Brasil, One Piece foi publicado entre 2002 e 2008 pela Conrad, e a partir de 2012 passou a ser publicado novamente pela Panini. A estimativa é que One Piece já tenha vendido mais de 345 milhões de exemplares em todo o mundo.



Homem-Aranha

O personagem mais popular da Marvel foi criado em 1962 por Stan Lee e Steve Ditko. O Homem-Aranha ganhou destaque ao trazer uma nova abordagem ao universo dos super-heróis, focando com igual destaque tanto as aventuras e lutas contra vilões quanto as dificuldades cotidianas de Peter Parker, um garoto órfao sempre envolvido com falta de grana e cheio de insegurança. Esse modo de contar histórias tornou o personagem mais humano e próximo do leitor. Além disso, o Homem-Aranha sempre foi desenhado com um corpo mais esguio, distante das montanhas de músculos comuns aos seus parceiros. O personagem já vendeu mais de 360 milhões de quadrinhos em todo o planeta.



Batman

O Cavaleiro das Trevas foi criado em maio de 1939 por Bill Finger e Bob Kane. Desde então, estrelou uma infinidade de títulos e se tornou uma das mais conhecidas figuras da cultura pop. Mesmo passando por uma questionável interpretação cômica na década de 1960, o personagem sempre foi associado a histórias de investigação e com um constante viés sobrenatural. Além disso, foi o protagonista de alguns dos títulos mais importantes e influentes da história dos quadrinhos, como a interpretação de Frank Miller na década de 1980. A cereja do bolo é a sua incrível galeria de vilões, encabeçada pelo maior de todos: o palhaço psicopata Coringa. A estimativa é que Batman já tenha vendido mais de 460 milhões de exemplares.



Superman

O primeiro e maior super-herói de todos os tempos, Superman deu início a toda a tradição e fascínio que envolve os superseres. O personagem foi criado em junho de 1938 pela dupla Jerry Siegel e Joe Shuster. Estima-se que mais de 600 milhões de quadrinhos do Superman já tenham sido comercializado em todo o planeta.

Review: Oceans of Slumber - Winter (2016)

sexta-feira, julho 01, 2016

Podemos definir o contraste como a oposição entre coisas, eventos ou pessoas, cujas diferenças acabam fazendo uma sobressair à outra. Um conceito que intensifica as diferenças, e que possui efeito recíproco. Na música, esta ideia de confrontar lados opostos é recorrente. Jimmy Page, por exemplo, denominou-a como “luz e sombra”, explicando os momentos de explosão sonora do Led Zeppelin, frequentemente seguidos de trechos mais calmos e contemplativos. Tony Iommi fala em sua biografia da necessidade intrínseca de uma boa composição possuir movimentos variados, que contrastem entre si e, dessa maneira, produzam momentos de destaque.

No heavy metal, uma das interpretações mais comuns para essa abordagem foi traduzida no que muitos começaram a chamar de o confronto entre a bela e a fera, que nada mais era do que uma linda vocalista com voz limpa e suave dividindo os vocais com um cantor com timbre gutural. Exemplos temos aos montes: Theatre of Tragedy, Lacuna Coil e um sem fim de bandas que acabaram associadas, em sua maioria, às cenas do metal gótico e sinfônico. Uma fórmula que chegou ao ponto de saturação nos anos 2000, forçando as bandas a procurarem outros caminhos.

É aí que chegamos ao Oceans of Slumber. A banda norte-americana, formada em Houston em 2011, lançou o seu disco de estreia, Aetherial, em 2013. A sonoridade da estreia pode ser classificada como uma espécie de prog groove metal, uma música original que colocava no mesmo caldeirão influências de Meshuggah, Hammers of Misfortune e Leprous. 

Só que a coisa mudou de figura. Ronnie Allen, o vocalista, saiu. Para seu lugar, a banda chamou Cammie Gilbert. Saiu uma voz masculina, entrou uma feminina. Além disco, o tecladista Beau Beasley se juntou ao grupo, abrindo novas possibilidades de arranjos e caminhos sonoros. Winter, segundo álbum do agora sexteto, reflete esse novo momento. A música soa diferente com Cammie e Beau. Está menos grooveada, menos agressiva, mais contemplativa. Ainda é heavy metal, só que com mais profundidade e mais experimentação. A banda saiu da pancadaria e adentrou um mundo construído por sonoridades sutis e elegantes, que mostra uma maturidade e uma evolução absolutamente incríveis em relação ao disco anterior.


A bela voz de Cammie Gilbert é um dos elementos principais do Oceans of Slumber. Mas o que isso tem a ver com todo aquele papo sobre contraste lá do início do texto? Um dos guitarrista faz as vezes da fera, encaixando vocais guturais aqui e ali, realçando a beleza e a agressividade, o claro e o sombrio, a luz e a sombra, trazendo refrescância a um conceito para muitos já batido e estagnado.

O principal trunfo de Winter, no entanto, passa longe disso. A união dos músicos produziu um álbum com uma sonoridade que traz toda a magia da melancolia, amparada aqui por bem encaixadas doses de peso. Essa característica tem como protagonista principal a voz de Gilbert, que, não canso de falar, é magnífica. Mas por trás dela temos a banda mandando ver no instrumental, que se comporta como movimentos de uma sinfonia, de uma orquestra. Há desde dedilhados até blast beats, demonstrando a amplitude do universo sonoro explorado pelo Oceans of Slumber.

O trabalho de composição é inspirado, bem pensado, inteligente. As canções são genuinamente lindas e tem a capacidade de pausar o seu dia a dia, tirando o ouvinte do cotidiano. É algo tão intenso que fica até difícil de colocar em palavras. Algo tão bem executado que um clássico como “Nights in White Satin”, gravado originalmente pelo Moody Blues em 1967, soa totalmente integrado às criações da própria banda em Winter, como se tivesse surgido do mesmo processo criativo que deu à luz ao álbum.

Winter é um melhores álbuns não apenas de metal, mas de música de modo geral, que ouvi nos últimos anos. A nota máxima aqui vai muito além de uma simples avaliação: ela tem o papel, a função, de instigar a curiosidade de cada leitor em relação ao trabalho. Trata-se de um disco especial e único, e que faz por merecer todos os elogios já ditos e os que ainda virão.

Discoteca Básica Bizz #053: Van Morrison - Astral Weeks (1968)

sexta-feira, julho 01, 2016


Quando Sting partiu para sua carreira solo em 1985, trocando a formação de trio do Police por uma grande banda composta por músicos de jazz, não estava sendo propriamente original. Na verdade, ele apenas repetia, duas décadas depois, um procedimento utilizado pelo cantor e compositor irlandês Van Morrison no LP Astral Weeks. E mesmo a mistura do folk celta com a energia do rock e soul efetuada por grupos como Dexys Midnight Runners, The Pogues e The Waterboys durante os anos 1980 deve enorme tributo a este seu compatriota, que em 1963 fundou o grupo Them.

Foi através do Them que Morrison exorcizou toda sua rebeldia adolescente, gravando entre 1965 e 1966 clássicos da pré-história do punk como "Gloria", "Here Comes the Night" e "Baby Please Don't Go" (de Big Joe Williams). Mas sua revolta e inconformismo foram exagerados a tal ponto pelos empresários e pela gravadora que o grupo começou a encontrar dificuldades para trabalhar. Eles promoviam o Them com uma imagem de "delinquentes irlandeses", substituíam-nos nas gravações por músicos de estúdio (entre eles, um velho conhecido, Jimmy Page) e ainda diziam que Morrison - ao contrário do que ele desejava - não deveria ser um cantor e compositor "sério".

Van Morrison aguentou esta situação até 1967, quando desfez o Them (que se reagruparia depois com o vocalista Ken McDowell) e partiu para uma carreira solo, que se afirmou definitivamente com este Astral Weeks, editado no ano seguinte.



Morrison havia voltado a morar em Belfast, sua cidade natal, e chegou a pensar em abandonar a carreira artística. Mas retornou logo à cena musical quando o ex-produtor do Them, Bert Berns, convidou-o para ir a Nova York gravar alguns singles pelo seu recém-formado selo, Bang. Nesta época é que foram registradas as faixas do álbum Blowin' Your Mind e da coletânea The Best of ..., ambos de 1967, material posteriormente renegado pelo próprio Morrison. 

No final de 1967 ele já havia atingido os primeiros lugares da parada americana - com o compacto "Brown Eyed Girl", quando subitamente Berns morreu de ataque cardíaco. Morrison ainda continuaria a atuar por conta própria até o início de 1968, assinando em seguida com uma grande gravadora (Warner). Assim, gozando de plena liberdade criativa, foi que, em apenas dois dias despendidos em um estúdio de Nova York, gravou um dos álbuns mais idiossincráticos da história do rock.

Para começar, só se usou eletricidade para a gravação, sendo todos os instrumentos acústicos - cordas, sopros, vibrafone, cravo, violão, bateria e contrabaixo acústico, nas mãos de cobras do jazz como o baterista Connie Kay e o contrabaixista Richard Davis. Este último lembra que Morrison, recluso e perfeccionista, mal conversou com os músicos durante as sessões, enquanto estes mal sabiam quem ele era. Isto, porém, não impediu que, no conjunto, eles soassem como conhecidos de longa data, num clima de autêntica jam session folk.

Assim surgiu o lírico e místico Astral Weeks, um disco impregnado de folclore celta, blues e jazz, num ciclo de oito faixas compostas originariamente como uma ópera. A força criativa de Morrison estava patente no clima plácido de "Cyprus Avenue", no hipnótico compasso 6/8 da faixa-título e no romantismo de "Madame George" (longas faixas que não aparentam ter entre sete e dez minutos), bem como na valsa "Young Lovers Do" e na balada "Slim Slow Slider". Já era o bastante para transformá-lo em um álbum pioneiro em seu estilo absolutamente atemporal.

(Texto escrito por Ayrton Mugnaini Jr, Bizz #053, dezembro de 1989)

30 de jun de 2016

Review: Amon Amarth - Jomsviking (2016)

quinta-feira, junho 30, 2016


Há um problema sério com Jomsviking, décimo álbum da banda sueca Amon Amarth: a partir do momento em que você decide dar o play em “First Kill”, primeira faixa, é praticamente impossível pausar a audição até chegar em “Back on Northern Shores”, a última do disco. 

Produzido por Andy Sneap, um dos maiores e mais prolíficos produtores do metal contemporâneo, Jomsviking é o primeiro álbum conceitual do Amon Amarth e tem como tema a história de um guerreiro apaixonado por uma garota já casada com outro cara. No meio do caminho o personagem principal mata acidentalmente um homem e precisa fugir para longe, mas jura retornar e reconstruir sua vida ao lado de sua paixão. Uma trama que caberia muito bem em um filme meloso da Sessão da Tarde, mas que aqui ganha a leitura e abordagem de uma das mais importantes bandas do death metal melódico atual, e o principal nome do que podemos chamar de metal viking.

Cachoeiras de melodia são despejadas em cada uma das onze faixas, sempre acompanhadas por riffs grudentos, linhas vocais inspiradas e refrãos feitos na medida para serem cantados juntos pela apaixonada e crescente legião de fãs do grupo.



No geral, trata-se de um disco muito homogêneo, com uma sonoridade até certo ponto acessível para quem já amaciou os ouvidos pelos caminhos da música pesada. Vou correr o risco de ser apedrejado e mal entendido, mas vamos lá: o Amon Amarth faz em Jomsviking algo meio parecido com o que os seus conterrâneos do Arch Enemy fizeram a partir do momento em adicionarem Angela Gossow ao line-up. Disco a disco, um passo de cada vez, o Arch Enemy foi aprimorando uma fórmula sonora eficiente que conseguiu manter as características intrínsecas do death metal ao mesmo tempo em que inseria elementos que tornavam a sua música mais palatável para uma parcela maior do público. O Amon Amarth segue raciocínio semelhante.

Esse elemento apaziguador é o mesmo: a melodia, responsável por tornar a sonoridade tanto do Amon Amarth quanto do Arch Enemy mais degustáveis de maneira imediata para quem nunca teve contato com o trabalho de ambas as bandas, mas com sutileza suficiente para não afastar os admiradores já conquistados nos anos anteriores. E, convenhamos, conseguir equilibrar esses dois lados da balança é uma tarefa dificílima.

O fato é que Jomsviking, como dito lá no primeiro parágrafo, é um disco inspirado e contagiante, repletos de hinos de guerra e canções de amor, daqueles que você começa ouvindo no volume 10 e encerra no 40. Uma audição não apenas gostosa, mas capaz de transmitir um entusiasmo genuíno nos corações e mentes de todo fã de heavy metal.

Discos assim são raros. E Jomsviking é um deles. Aproveite!

Alguns dos discos de rock mais raros (e caros) do mundo

quinta-feira, junho 30, 2016


A lista abaixo compila alguns dos discos mais raros e caros do universo de quem coleciona música. Foquei apenas em álbuns e EPs, deixando os singles/compactos de fora. Outro corte foi a opção de trazer apenas títulos de artistas populares e conhecidos, e que se encaixam no universo do rock and roll.

Desnecessário dizer que todos os títulos referem-se ao formato LP, que os preços indicados variam conforme o estado de conservação (os valores citados são os utilizados em sites destinados a colecionadores de discos como Eil, MusicStack e outros) e são relativos apenas às edições cujas características são explicadas no texto que acompanha cada um dos títulos.



Bob Dylan - The Freewheelin’ Bob Dylan (1963)

A primeira versão norte-americana, com prensagem limitada a poucos exemplares, vinha com quatro músicas que foram retiradas das edições anteriores: “Rocks and Gravel”, “Let Me Die in My Footsteps”, “Gamblin' Willie’s Dead Man’s Hand” e “Talkin' John Birch Blue”. A versão com essas faixas incluídas é extremamente rara e vale entre 20 e 30 mil dólares.



The Beatles - Please Please Me (1963)

A primeira prensagem em estéreo lançada pela Parlophone vinha com a palavra “Stereo" escrita nas cores dourada e preta no label (o selo circular que fica no centro dos LPs). Essa rara edição vale entre 15 e 20 mil dólares entre os colecionadores.



The Beatles - Yesterday … and Today (1966)

A versão em estéreo desta compilação, com a famosa capa em que os Beatles posam ao lado de bonecas decapitadas e membros humanos ensanguentados (conhecida como “Butcher Cover” entre os fãs), é muito difícil de encontrar e, dependendo do estado de conservação, vale entre 7 e 15 mil dólares.



The Beatles - White Album (1968)

Versão inglesa exportada para diferentes partes do mundo, onde o label central não é o da Apple Records presente na versão comum, mas sim o da Parlophone nas cores preta e dourada. Além disso, a capa e os pôsteres internos com fotos dos integrantes contém laminação em brilho. Essa edição vale entre 2 e 12 mil dólares para os colecionadores do Fab Four.



The Misfits - Horror Business (1979)

A primeira prensagem deste EP, em vinil preto, foi limitada a apenas 25 cópias. Por esta razão, o item está avaliado entre 2.500 e 10 mil dólares no mercado de colecionadores.



Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)

O primeiro disco do Led Zeppelin teve uma capa variante onde o nome da banda e a marca da Atlantic foram impressas em azul turquesa. Bastante rara, essa versão vale entre 5 e 7.500 dólares entre os colecionadores.



The Beatles - Yellow Submarine (1969)

Versão inglesa produzida para o mercado externo, com o label da Odeon e limitada a apenas 300 cópias. Cotação: entre 4 e 6 mol dólares.



Led Zeppelin - Classic Records Road Case (2006)

Caixa com 48 LPs trazendo toda a discografia do Led Zeppelin em vinis de 48 rotações acondicionados em um road case de metal. Está cotada entre 3 e 5 mil dólares.



The Misfits - Legacy of Brutality (1985)

Compilação lançada em 1985, cuja tiragem teve 16 cópias prensadas em vinil rosa. Cada uma delas vale entre 2 e 5 mil dólares.



Elvis Presley - Speedway (1968)

Trilha-sonora compilando canções do início da carreira de Elvis, com tiragem limitada a cerca de 300 cópias em mono. Algumas trazem um adesivo vermelho na capa e uma foto colorida do Rei do Rock dentro. Cotação entre 2.500 e 5 mil dólares.



The Beatles - Abbey Road (1969)

Versão para exportação com o label da Parlophone em preto e dourado - o label original era o da Apple. Algumas cópias vinham com um adesivo dourado na capa. Vale entre 2 e 4 mil dólares.



The Rolling Stones - Sticky Fingers (1971)

Prensagem em mono enviada como item promocional para rádios, DJs e imprensa, com um adesivo nas cores laranja e vermelho trazendo a inscrição “DJ copy monaural" na capa. Incrivelmente rara, essa edição vale entre 2 e 4 mil dólares para colecionadores.



Elvis Presley - Elvis Presley (1956)

O icônico primeiro LP de Elvis, aqui em uma edição limitada vendida apenas pelo correio, acompanhada por um compacto triplo trazendo várias faixas bônus. Raríssima, custa entre 2 e 3.500 dólares.



The Beatles - Help! (1965)

Rara edição suíça com capa diferente da original. Avaliada entre 1.500 e 3 mil dólares.



Genesis - From Genesis to Revelation (1969)

O disco de estreia da lendária banda prog inglesa em prensagem mono da Decca, limitada a cerca de 150 cópias. O item está avaliado entre 1.500 e 3 mil dólares.



NOFX - Liberal Animation (1991)

Lançado originalmente pela gravadora Wassall em 1988, Liberal Animation foi relançado pela Epitaph Records em 1991, e essa edição da Epitaph contou com cinco cópias prensadas em vinil colorido. Custa entre 1.500 e 3 mil dólares.



Pink Floyd - The Wall (1979)

Edição italiana em vinil laranja translúcido, com tiragem limitada a apenas 800 cópias. Avaliada entre 1.500 e 3 mil dólares.



Joy Division - An Ideal for Living (1978)

Primeiro EP do Joy Division, com tiragem de apenas 1.000 cópias. Cada uma delas vale entre 1.250 e 2.500 dólares.



Nirvana - Bleach (1989)

A reedição lançada em 1992 trazia o vinil na cor gelo iceberg, mas foi rejeitada pela Sub Pop Records. O problema é que aproximadamente 200 cópias já haviam sido prensadas, e hoje são muito raras e disputadas a tapa por colecionadores. Vale entre 1.500 e 2.500 dólares.



Bruce Springsteen - Born to Run (1975)

As primeiras cópias promocionais de Born to Run tinham as letras da capa em uma fonte script e vinham acondicionadas em um envelope customizado trazendo os títulos das canções. Está avaliada entre 1.500 e 2.500 dólares.



The Beatles - Let It Be (1970)

Edição limitada lançada em formato de box no mercado inglês. Dificílima de encontrar, a caixa vinha acompanhada de um poster e de um livro de 164 páginas. Vale entre 1 e 2 mil dólares.



Mayhem - Deathcrush (1987)

Apenas 1.000 cópias deste EP da lendária banda norueguesa foram lançados, e todos traziam a numeração escrita a mão pelo falecido Euronymous. Avaliado entre 1 e 2 mil dólares.



Metallica - Metallica (2008)

O box quádruplo lançado pela banda norte-americana em 2008 teve 50 de suas cópias prensadas em vinil branco de 45 RPM. Vale entre 1 e 2 mil dólares.



Mötley Crüe - Too Fast for Love (1981)

Apenas 900 cópias da prensagem original do primeiro disco do Mötley Crüe traziam o label impresso com um material semelhante ao couro. Avaliada entre 1 e 2 mil dólares.



Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (1973)

A prensagem original inglesa trazia um triângulo sólido azul no label e vinha com pôsteres e adesivos. Vale entre 1 e 2 mil dólares.


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