21 de jan de 2017

Review: Giraffe Tongue Orchestra - Broken Lines (2016)

sábado, janeiro 21, 2017

O Giraffe Tongue Orchestra é um projeto formado por integrantes do Mastodon, Alice in Chains, The Dillinger Escape Plan e The Mars Volta - Brent Hinds, William Duvall, Ben Weinman e Thomas Pridgen, respectivamente. Ah, e tem também o Pete Griffin, do Dethklok e do Zappa Plays Zappa.

Ao contrário do que se poderia supor, o som do GTO vai longe do prog ou de qualquer coisa mais intricada e cheia de nuances. Trata-se de um rock pesado e, na maioria das vezes, bastante direto ao ponto, como podemos ver logo na faixa de abertura, a ótima "Adapt or Die". De modo geral, grande parte das dez faixas de Broken Lines, disco de estreia do grupo e que está sendo lançado no Brasil pela Hellion Records, segue pela mesma pegada, com muita energia em canções que se alternam entre melodiosas linhas vocais e momentos de pancadaria bruta - esses últimos bem na linha que os fãs do Mastodon estão acostumados.

Ainda que alguns reviews e até mesmo press releases tenham citado elementos de prog e jazz na sonoridade do Giraffe Tongue Orchestra, eles não existem. O que temos, vou repetir, é um hard rock forte e direto, com influência do punk e do grunge em diversos lances, além da aura de metal que permeia o projeto.

Destaque para a sequência de abertura com "Adapt or Die", "Crucifixion" e "Blood Moon", mas, principalmente, para quando a banda decide sair do universo sonoro predominante do disco e experimenta novos caminhos, como o funk de "Everyone Gets Everything They Really Want" e a atmosfera contemplativa de "All We Have is Now".

Broken Lines é um bom disco, curioso para os fãs dos músicos e das bandas envolvidas e para quem quer arejar o ouvido com novidades interessantes. Ainda que, quando comparado com os álbuns recentes do Mastodon, Alice in Chains e Dillinger Escape Plan, fique inegavelmente abaixo, mesmo assim vale a pena conhecer.

20 de jan de 2017

Clássicos do Exodus voltam ao mercado brasileiro em atrativas novas edições

sexta-feira, janeiro 20, 2017

Ainda que nunca tenha sido tão popular quanto os integrantes do chamado Big Four, o Exodus é uma banda fundamental na evolução e desenvolvimento do thrash metal. Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax conquistaram milhões de corações e mentes nos quatro cantos do mundo, mas o Exodus - e dá pra dizer a mesma coisa do Testament, outro nome que merecia mais destaque do que possui - foi importantíssimo para que os arquétipos da linguagem musical que construiría o thrash fossem definidos e evoluíssem para a sonoridade que marcou o metal a partir dos anos 1980.

Formada em Richmond em 1979, a banda californiana gravou alguns dos principais discos do estilo, fincando fortes alicerces na história do gênero. Tendo como sua formação clássica Paul Baloff (vocais), Gary Holt (guitarra, hoje também no Slayer), Rick Hunolt (guitarra), Robert McKillop (baixo) e Tom Hunting (bateria), o Exodus teve em sua trajetória a passagem de músicos que deixaram a sua marca no metal como Kirk Hammett (que saiu da banda para substituir Dave Mustaine no Metallica em 1983), John Tempesta (baterista que tocou também com Testament, White Zombie, Helmet e The Cult, entre outros), Paul Bostaph (atual batera do Slayer e com uma carreira que inclui discos importantes com Forbidden e Testament) e Rob Dukes (excelente vocalista que ficou no grupo por quase dez anos, e cuja voz pode ser ouvida em discos ótimos como Shovel Headed Kill Machine, lançado em 2005). Isso sem falar de Steve “Zetro” Souza, vocalista atual e que possui uma longa relação com a banda, onde gravou álbuns marcantes como Fabulous Disaster (1989) e Tempo of the Damned (2004), entre outros.

Os primeiros capítulos dessa história estão sendo relançados no Brasil pela Hellion Records, o que é uma ótima oportunidade para quem não tem alguns desses títulos em sua coleção ou quer renovar o seu acervo com as novas edições. Bonded by Blood (1985), Pleasures of the Flesh (1987) e Fabulous Disaster (1989) estão sendo disponibilizados com faixas bônus ao vivo e encartes totalmente novos e repletos de imagens e informações que ajudam a contextualizar a importância de cada um dos títulos.


Bonded by Blood, lançado em 25 de abril de 1985, é considerado por muita gente como um dos melhores discos de thrash metal já gravados. O álbum foi finalizado ainda em 1984, porém foi lançado quase um ano depois devido a problemas com a gravadora da banda na época. Há quem diga que se Bonded by Blood tivesse sido lançado no tempo certo - ou seja, antes de Ride the Lightning -, o quinteto teria um reconhecimento muito maior do que possui, já que muitas das ideias que seriam desenvolvidas por inúmeros ícones do thrash mais tarde já estavam contidas em seus sulcos. Teorias à parte, trata-se de um trabalho essencial, não à toa citado em diversas listas de publicações respeitadas. E com os vocais insanos de Baloff, sempre um atrativo à parte.

Pleasures of the Flesh é o segundo disco do grupo e chegou às lojas em 7 de outubro de 1987. O álbum marcou a estreia de Steve “Zetro" Souza, substituindo o selvagem Paul Baloff. O trabalho dividiu opiniões, e é claramente um disco de transição, bastante inferior à estreia.



As coisas entraram nos trilhos com o lançamento seguinte, Fabulous Disaster, que chegou ao mercado em 30 de janeiro de 1989. O disco foi o último gravado pelo baterista Tom Hunting, que só voltaria à banda em 1997, no ao vivo Another Lesson in Violence. Com uma sonoridade mais variada, apresenta a banda explorando novas possibilidades, em um caminho alinhado com o que os principais nomes do thrash faziam na época. O disco inclui “Toxic Waltz”, um dos grandes clássicos da banda.

Se você ainda não possui esses discos, desnecessário dizer que dois deles são fundamentais em qualquer coleção metálica - Bonded by Blood e Fabulous Disaster. Caso você já tenha esses títulos, a inclusão de faixas bônus e dos novos encartes justifica a troca das edições antigas por essas novas.

Grande banda, grandes riffs, pancadaria garantida!

100 Grandes Álbuns da Década de 1980 segundo a Classic Rock

sexta-feira, janeiro 20, 2017

A nova edição da Classic Rock - aqui, um adendo: a TeamRock, que até então publicava a revista. além da Metal Hammer, Prog e The Blues Magazine, foi recomprada pela Future, antiga editora dos títulos, garantindo assim a continuidade das publicações - traz como matéria de capa uma lista com os 100 maiores álbuns dos anos 1980, em escolhas realizadas pela equipe da revista.

Como regra, os caras definiram que apenas um álbum de cada banda poderia ser citado para evitar que a lista fosse dominada por dezenas de títulos de poucos artistas. Além disso, o texto da matéria informa que eles procuraram indicar títulos menos famosos e mais obscuros. A matéria original, com justificativas para cada uma das escolhas, está aqui.

Deu certo? Confira abaixo a lista com os 100 Grandes Discos da Década de 1980 segundo a Classic Rock e diga o que achou das escolhas nos comentários - aliás, poste o seu top 10 também, de preferência tentando seguir os mesmos parâmetros da publicação inglesa.


Vamos à lista:

100 Bauhaus - In the Flat Field (1980)
99 PiL - Album (1986)
98 The Pogues - If I Should Fall From Grace With God (1988)
97 Foreigner - Agent Provocateur (1984)
96 Dead Kennedys - Fresh Fruit for Rotting Vegetables (1980)
95 Night Ranger - Dawn Patrol (1982)
94 The Michael Schenker Group - MSG (1981)
93 Pixies - Doolittle (1989)
92 Billy Squier - Emotions in Motion (1982)
91 Tom Waits - Franks Wild Years (1987)
90 Living Colour - Vivid (1988)
89 Robbie Robertson - Robbie Robertson (1987)
88 Zodiac Mindwarp and The love Reaction - Tattooed Beat Messiah (1988)
87 Europe - Out of the World (1988)
86 Steve Perry - Street Talk (1984)
85 John Cougar Mellencamp - The Lonesome Jubilee (1987)
84 Michael Bolton - Everybody’s Crazy (1985)
83 The Godfathers - Birth, School, Work, Death (1988)
82 Manowar - Battle Hymns (1982)
81 Bob Mould - Workbook (1989)
80 Gun - Taking on the World (1989)
79 Big Country - The Crossing (1983)
78 Sea Hags - Sea Hags (1989)
77 Green on Red - Gas Food Lodging (1985)
76 The Gun Club - Fire of Love (1981)
75 Brian Wilson - Brian Wilson (1988)
74 Tom Petty and The Heartbreakers - Southern Accents (1985)
73 Steve Earle - Copperhead Road (1988)
72 Dan Reed Network - Slam (1989)
71 Cinderella - Long Cold Winter (1988)
70 Killing Joke - Killing Joke (1980)
69 Kiss - Unmasked (1980)
68 The Police - Synchronicity (1983)
67 Siouxsie and The Banshees - Juju (1981)
66 Squeeze - East Side Story (1981)
65 The Cure - Disintegration (1989)
64 The Jesus and Mary Chain - Psychocandy (1985)
63 Y&T - Earthshaker (1981)
62 Venom - Welcome to Hell (1981)
61 Talking Heads - Remain in Light (1980)
60 Utopia - Deface the Music (1980)
59 Fleetwood Mac - Mirage (1982)
58 Billy Idol - Rebel Yell (1983)
57 Queensrÿche - Rage for Order (1986)
56 Dio - The Last in Line (1984)
55 Gary Moore - Corridors of Power (1982) 
54 The Georgia Satellites - Georgia Satellites (1986)
53 Bad English - Bad English (1989)
52 Enuff Z’Nuff - Enuff Z’Nuff (1989)
51 Hanoi Rocks - Two Steps From the Move (1984)
50 Pete Townshend - Empty Glass (1980)
49 Scorpions - Blackout (1982)
48 Roxy Music - Avalon - (1982)
47 The Cars - Heartbeat City (1984)
46 Pretenders - Pretenders (1980)
45 Elvis Costello and The Attractions - Blood & Chocolate (1986)
44 Judas Priest - Point of Entry (1981)
43 Meat Loaf - Dead Ringer (1981)
42 Red Hot Chili Peppers - The Uplift Mofo Party Plan (1987)
41 R.E.M. - Murmur (1983)
40 King Crimson - Discipline (1981)
39 Journey - Frontiers (1983)
38 Pink Floyd - The Final Cut (1983)
37 The Kinks - State of Confusion (1983)
36 Joe Satriani - Surfing With the Alien (1987)
35 Roger Waters - The Pros and Cons of Hitch Hiking (1984)
34 Genesis - Duke (1980)
33 Neil Young - Freedom (1989)
32 Yes - Drama (1980)
31 Lou Reed - New York (1989)
30 Queen  - The Works (1984) 
29 The Replacements - Let It Be (1984)
28 The Pursuit of Happiness - Love Junk (1988)
27 Motörhead - Orgasmatron (1986)
26 Faith No More - Introduce Yourself (1987)
25 Rush - Signals (1982)
24 Iron Maiden - Piece of Mind (1983)
23 Bruce Springsteen - Tunnel of Love (1987)
22 King’s X - Out of the Silent Planet (1988)
21 Skid Row - Skid Row (1989)
20 David Lee Roth - Skyscraper (1988)
19 Bob Dylan - Oh Mercy (1989)
18 The Rolling Stones - Tattoo You (1981)
17 Marillion - Clutching at Straws (1987)
16 Blue Öyster Cult - Imaginos (1988)
15 Stevie Ray Vaughan and Double Trouble - Texas Flood (1983)
14 AC/DC - For Those About to Rock (We Salute You) (1981)
13 Nine Inch Nails - Pretty Hate Machine (1989)
12 Peter Gabriel - Peter Gabriel (1980)
11 The Clash - Combat Rock (1982)
10 Jane’s Addiction - Nothing’s Shocking (1988)
9 U2 - War (1983)
8 Robert Plant - Now and Zen (1988)
7 Metallica - Ride the Lightning (1984)
6 Whitesnake - Live … In the Heart of the City (1980)
5 Aerosmith - Done With Mirrors (1985)
4 David Bowie - Scary Monsters (And Super Creeps) (1980)
3 Def Leppard - High ’N' Dry (1981)
2 Van Halen - Women and Children First (1980)
1 Black Sabbath - Heaven and Hell (1980)

Discografia Comentada: Titãs - Primeira Parte

sexta-feira, janeiro 20, 2017

Em 1968 foi fundado em São Paulo o Equipe, inicialmente um cursinho pré-vestibular mas que depois começou a incorporar também séries do ginásio (5ª à 8ª série) e, já nos anos 1990, do ensino fundamental (1ª à 4ª série). Formado por professores ligados ao curso de Filosofia da USP, o mesmo se tornou um foco de resistência ao regime militar – teve inclusive no final da década de 1970 como professor de história o ex-político petista José Genoíno – e uma das atividades que mais chamavam a atenção no colégio eram os shows organizados por Serginho Groisman, na época líder do Centro Cultural do Equipe. Vários dos principais artistas da MPB se apresentaram por lá, entre eles Gilberto Gil, Alceu Valença e Luiz Melodia, e alguns dos alunos presentes nesses shows – alguns que até ajudavam na organização – formariam, alguns anos depois, uma das mais importantes bandas da história do rock brasileiro.

Após uma apresentação no evento estudantil A Idade da Pedra Jovem no final de 1981, já com o nome Titãs do Iê-Iê, Ciro Pessoa animou-se o suficiente para aliciar os participantes do projeto para formar uma banda. Todos, com exceção de Sérgio Britto, participavam (ou haviam participado) de outros grupos na mesma época: Paulo Miklos e Arnaldo Antunes integravam o Aguilar e a Banda Performática, oriundo da vanguarda paulistana de nomes como Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção; Branco Mello, Marcelo Fromer e Tony Bellotto (o único que não chegou a frequentar o colégio) formavam o trio Mamão e as Mamonetes, e Marcelo também chegou a integrar a banda Maldade; e Nando Reis era o backing vocal do Sossega Leão. Juntos ao baterista André Jung, trazido por Paulo Miklos, começaram a ensaiar constantemente, e fizeram o primeiro show oficial no SESC Pompéia, no dia 15 de outubro de 1982.

Após várias indefinições sobre quem tocaria o quê, a banda ficou definida com Fromer e Bellotto como guitarristas, André na bateria, Branco, Ciro, Arnaldo e Nando nos vocais/backing vocals, e Paulo e Sérgio se revezando entre baixo e teclado (além de cantarem também). Mais pra frente Nando Reis acabaria assumindo o baixo, com Britto se firmando como tecladista e Paulo entrando pro time dos vocalistas (apesar de ocasionalmente tocar sax e teclado), mas foi essa formação que começou a percorrer o underground paulistano, junta a bandas como Ira!, Ultraje a Rigor e Mercenárias. A recepção do público nem sempre era das melhores, já que o grupo apresentava uma grande variedade de de estilos em suas canções (new wave, brega, reggae, ska), o que não era muito bem visto por quem frequentava casas como Napalm, Rose Bom Bom e mesmo o Circo Voador, no Rio de Janeiro, onde tomaram uma vaia histórica. Mas o som ia sendo moldado aos poucos, e a reputação da banda foi assim melhorando (mesmo que lentamente).


Titãs (1984)

Após o estouro da Blitz e “Você Não Soube Me Amar”, as gravadoras começaram a contratar várias bandas novas de rock na tentativa de repetir o sucesso do grupo carioca. E junto de outros grupos paulistas da época, os Titãs, que recentemente haviam tirado o “do Iê-Iê” do nome, assinaram com a Warner no final de 1983, lançando no ano seguinte seu debut. “Sonífera Ilha”, cantada por Paulo Miklos – Ciro, o principal compositor da canção e que a cantava nos shows, saiu para formar o Cabine C antes das gravações – foi o carro-chefe do LP, e se tornou um hit nacional, mas ainda assim não foi o suficiente para fazer dessa estreia auto-intitulada um sucesso comercial. Pra piorar, ninguém ficou satisfeito com a sonoridade final (algo que assombrou muitas bandas nos anos 1980) com guitarras frouxas, som de bateria fraquinho e Sérgio Britto ainda tocando um teclado de brinquedo. Quanto ao repertório, parecia mais um amontoado de ideias confusas, com estilos variados e repleto de versões como “Querem Meu Sangue” (“The Harder They Come”, de Jimmy Cliff) e “Balada para John e Yoko” (nem precisa dizer de quem), mas onde destacam-se a estranha “Babi Índio”, a romântica e também single “Toda Cor”, e as esquecidas “Demais” – uma balada meio brega – e “Seu Interesse”. Também encontram-se aqui “Marvin” (outras versão, dessa vez de “Patches”, de Clarence Carter) e “Go Back”, que se tornariam dois dos maiores clássicos do grupo alguns anos depois – em regravações bem superiores as versões aqui presentes, diga-se de passagem. (Nota 5)


Televisão (1985)

O ano de 1985 literalmente começou com uma mudança importante na formação da banda, com a demissão de André Jung logo após o réveillon para a entrada de Charles Gavin (recém-saído do Ira! e que estava ensaiando com o RPM). Estabelecia-se a formação que seria a definitiva do grupo, mas infelizmente isso não foi suficiente para fazer de Televisão um grande disco. A produção ficou a cargo de Lulu Santos, que não se entendeu com a banda – que curiosamente o tinha sugerido para a função – resultando em mais um álbum confuso e com um som ruim – e datado. De positivo, ao menos um repertório melhor, com a ótima faixa-título, a new wave “Dona Nenê” (originalmente dos Jetsons, banda formada por Ciro Pessoa, Branco Mello – tocando baixo – e Charles Gavin e que não chegou a se apresentar), o doo wop “Sonho Com Você”, o lado B “O Homem Cinza”, e as quase punks “Autonomia” e “Massacre”, essa cantada por todos os vocalistas – exceto Nando Reis. Já as mais puxadas para o reggae “Insensível”, “Pra Dizer Adeus” e “Não Vou me Adaptar” ganhariam versões melhores no futuro. Com as vendas ainda ruins, a pressão sobre a banda foi ficando cada vez maior, e o clima só piorou com a prisão de Arnaldo Antunes e Tony Bellotto por posse de heroína no final do ano – o vocalista acabou também indiciado por tráfico, e passou cerca de um mês no xilindró. Shows e participações em programas de TV foram cancelados, mas o jogo estava prestes a virar, ainda que poucos esperassem isso. (Nota 6,5)


Cabeça Dinossauro (1986)

Após as baixas vendagens dos primeiros álbuns, a banda tinha apenas mais uma chance de provar para a Warner que podia ser um produto vendável para o mercado – o contrato previa a gravação de só mais um LP. Felizmente, Cabeça Dinossauro não só deu ao grupo o sucesso comercial que tanto buscavam como se tornou um dos grandes clássicos de sua geração, sendo presença constante em listas de melhores discos da música brasileira. Influenciados pelo clima conturbado após as prisões de Arnaldo e Bellotto, e também pela aproximação de Branco Mello com bandas do underground paulista da época (em especial os Inocentes, cujo disco Pânico em SP teve inclusive a produção do próprio), o álbum apresentava uma sonoridade mais crua, com o punk rock ditando o ritmo em músicas como “Igreja”, “Porrada” e a clássica “Polícia”. Mas também havia espaço para funk (“Estado Violência”), reggae (“Família”, “Dívidas”) e a adaptação de um canto dos índios do Xingu na faixa-título, mostrando que a pluralidade de referências não havia sido esquecida. E falando nos primórdios do grupo, duas músicas que datavam dos tempos de Titãs do Iê-Iê (“Bichos Escrotos” e “Homem Primata”) foram enfim registradas, e ambas se tornaram dois dos maiores hits da banda, assim como “AA UU” e a concretista “O Quê”, faixa com forte acento eletrônico e que mostrava os caminhos que seriam (parcialmente) seguidos no futuro. Ainda que as letras mais “engajadas” sejam bem pueris, não há como diminuir o impacto do LP, que deu a banda seu primeiro disco de ouro (chegaria a platina dupla logo depois) e marcou o início da parceria com o produtor Liminha, que se tornaria quase que um nono Titã nos próximos anos. (Nota 10)


Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987)

Com moral elevada na gravadora e aceitação tanto do público como da crítica, os Titãs entraram em estúdio dispostos a experimentar em seu quarto disco. Como resultado, o lado A de Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas é repleto de experimentos eletrônicos, bem na linha de “O Quê”. Por mais que “Todo Mundo Quer Amor” e “O Inimigo” soem mais como se eles estivessem aprendendo a mexer com samplers e programações, essa tentativa de expansão do som do grupo também acaba rendendo bons frutos, vide “Corações e Mentes” e os hits “Comida” e “Diversão”. Já o lado B é praticamente uma continuação da faceta mais punk de Cabeça Dinossauro, mas com uma óbvia evolução tanto na produção – provavelmente a que melhor envelheceu entre os álbuns da banda nessa década – quanto nas letras. Todas desse grupo se destacam, da faixa-título a “Nome aos Bois”, passando por “Desordem”, “Lugar Nenhum” (um dos grandes clássicos da banda) e as pouco lembradas, porém não menos boas, “Mentiras” e “Armas pra Lutar”. A versão em CD, lançada anos depois, encerra-se com “Violência”, cuja parte da gravação é mostrada no documentário A Vida até Parece uma Festa – título tirado da letra de “Diversão” – com direito a um esporro homérico de Liminha em Charles Gavin. Lançado com um show consagrador no primeiro Hollywood Rock, em janeiro de 1988 – a banda sempre se sobressaía em cima dos palcos – Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas manteve o sucesso anteriormente alcançado sem maiores dificuldades. No mesmo ano, ainda fariam suas primeiras apresentações fora do país, o que resultou no disco seguinte. (Nota 8,5)


Go Back (1988)

Álbuns ao vivo gravados no renomado Montreux Jazz Festival já eram comuns para artistas brasileiros na década de 1980. Nomes como Gilberto Gil, Pepeu Gomes, João Gilberto e também Elis Regina (ainda que postumamente) já haviam lançado registros de seus shows no festival suíço, e com essa tendência chegando ao BRock – com os Paralamas do Sucesso lançando D, gravado na famosa noite brasileira do festival, em 1987 – os Titãs aproveitaram para gravar sua apresentação no festival para seu primeiro disco ao vivo. Tudo quase foi abortado após o show ter sido, de acordo com Nando Reis, “um desastre” – pouco público, por serem a primeira banda da noite, e problemas com o equipamento – mas após boa parte dos vocais e instrumentos serem regravados em estúdio, resolveram lançar a bolacha como o previamente combinado. Por mais que alguns possam ficar decepcionados em relação à esse fato, overdubs em estúdio são algo de praxe em qualquer disco ao vivo mundo afora, e Go Back apresenta boas versões tanto dos principais sucessos (“AA UU”, “Polícia”, “Lugar Nenhum”) quanto de músicas que ficaram esquecidas com o tempo, como “Pavimentação” e “Massacre” (aqui cantada apenas por Branco Mello), que assim como “Não Vou me Adaptar”, foram praticamente rearranjadas, mas acabaram ficando superiores às originais presentes em Televisão. Além disso, o LP também serviu para transformar “Marvin” e a faixa que dá título ao disco nos hits que não tinham sido quatro anos antes. (Nota 7,5)


Õ Blésq Blom (1989)

Em 1989, o “boom” do rock nacional estava chegando ao fim, com estilos como o sertanejo começando a tomar conta das rádios e televisão. Mas os Titãs, junto a poucas outras bandas, ainda era uma das que tinha destaque na mídia, e Õ Blésq Blom chegou às lojas quase como um clássico instantâneo, com críticas ultra elogiosas e a pecha de melhor disco de sua geração – mais um. Também chegaram a ser taxados de “retropicalistas”, tanto pela proximidade com nomes como Caetano Veloso (que fez o release do disco) quanto pela propagada “brasilidade” do repertório, que nem era tanta assim, para dizer a verdade. O que realmente é mais notável no LP é o melhor uso dos efeitos eletrônicos em comparação ao álbum anterior (ainda que hoje eles soem, novamente, datados), como pode ser comprovado na ótima “Miséria” e em “Deus e o Diabo” – eles também aparecem, em menor escala, na maioria das outras canções. De resto, o que prevalece é um repertório extremamente regular – só “Faculdade” acaba destoando – onde praticamente tudo funciona, seja o estranho reggae “O Camelo e o Dromedário”, a agressiva “Medo” ou o quase country-rock “32 Dentes”. Também vale destacar “Racio Símio” e o rockinho “Palavras”, com algumas das melhores letras já feitas pelo grupo. “Flores” e “O Pulso” foram os maiores sucessos do play – especialmente a primeira – e ajudaram a manter o nome da banda em evidência, em um momento de mudanças no mercado, planos econômicos furados e várias bandas passando por momentos de baixa ou de “transição”– algo que os próprios Titãs enfrentariam logo depois. (Nota 9)



19 de jan de 2017

Frejat e Barão Vermelho: a saída que abalou os alicerces do rock nacional

quinta-feira, janeiro 19, 2017

O guitarrista Roberto Frejat deixou o Barão Vermelho. Isso é fato, e ponto. Membro fundador da banda, Frejat será substituído por Rodrigo Suricato, da banda Suricato, que foi revelada no programa Superstar, da Rede Globo. Em nota, o músico disse: "Já fiz o que tinha que fazer com o Barão, mas percebi que as pessoas queriam que os shows acontecessem com mais regularidade. E, se eles queriam continuar, não fazia sentido impedi-los. Temos diferenças de visão, mas jamais iria prejudicá-los. E o Rodrigo é um menino talentoso, bacana, muito bom músico".

O Barão Vermelho agora segue seu rumo com Guto Goffi, Maurício Barros, Fernando Magalhães e Rodrigo Santos, e fará sua estreia nos palcos em maio. O que esperar da nova formação? Não sabemos, e julgar sem ao menos ouvir alguma coisa é uma ação, no mínimo, muito precoce. 

Agora, uma coisa é clara: a saída de Frejat não é igual à saída de Cazuza, la atrás nos anos 80.  Na época, quando Cazuza deixou o Barão para seguir em carreira solo, Frejat já fazia parte da banda. Frejat assumiu não somente os vocais,  mas também o leme de uma banda que estava à deriva. O Barão Vermelho inclusive, se mostrou ao longo dos anos ainda melhor sem Cazuza. 

Hoje o cenário é outro, pois Frejat possui uma carreira solo cristalizada e de sucesso. Já o novo Barão Vermelho terá a dura missão de se provar.

E você, o que espera desta nova encarnação do Barão?

Por Cleison Reinhardt

17 de jan de 2017

Review: Sepultura - Machine Messiah (2016)

terça-feira, janeiro 17, 2017

Décimo-quarto álbum do Sepultura, Machine Messiah foi lançado neste início de 2017, mais precisamente dia 13 de janeiro. A produção é de Jens Bogren (Opeth, Soilwork, Amon Amarth) e foge da experimentação de timbres - principalmente em relação aos vocais - que incomodaram muita gente (este que vos escreve incluso) em The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (2013).

É louvável que o Sepultura siga lançando discos, ainda que, de modo geral, todos os álbuns da fase com Derrick Green soem meio homogêneos. Explico: os oito registros com o vocalista norte-americano são trabalhos sólidos, sempre com boas ideias e inovações pontuais, que funcionam não apenas como expressões artísticas, mas também como veículo para mostrar que os músicos seguem vivos e inquietos.

A questão é que, por mais que esses álbuns sejam interessantes e, em alguns casos, acima da média (acho a trilogia Dante XXI, A-Lex e Kairos o pico de criatividade dessa fase da carreira da banda), eles não possuem algo que faça com que o Sepultura se destaque das dezenas, centenas e inúmeras bandas mundo afora. Não há mais o mojo e o molho de outros tempos - e, por favor, não me confundam com uma viúva dos irmãos Cavalera, que ao meu ver, principalmente o Max, tornaram-se caricaturas de si mesmos com o passar dos anos. Resumindo: o Sepultura se tornou uma banda comum.

Todos são excelentes músicos, não é isso que está em discussão neste texto. O que tenho pensado bastante é no quanto um disco como Machine Messiah ou qualquer outro dos trabalhos recentes do quarteto impacta não apenas o público - fãs são fãs e sempre querem algo novo de seus ídolos, no fim das contas - mas, principalmente, o cenário metálico em todo o mundo. O que Machine Messiah, ou Roorback, ou Against, trazem ou trouxeram de novo para o heavy metal mundial? Que influência eles tiveram no metal como um todo? Qual o impacto desses discos? Analisando de maneira fria e imparcial, por mais que a resposta possa soar até meio ofensiva, ela é clara: praticamente nenhuma.

Machine Messiah não é um disco ruim, assim como nenhum álbum do Sepultura com Derrick o é. Como já dito neste mesmo texto, trata-se de um álbum competente, com algumas boas ideias e as inovações sempre presentes, mas que, analisado à luz do cenário metálico como um todo, tem pouca - ou quase nenhuma - significância. 

E isso, para uma banda que foi, ao lado do Pantera, a mais influente do metal em meados dos anos 1990, é preocupante e extremamente broxante.

16 de jan de 2017

A formação do gosto musical

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Ao discutirmos o gosto por determinado artista, banda, álbum ou música preferida, há sempre aquele conflito que acalora a discussão em um dilema que aparentemente parece insolúvel. Afinal, o gosto é “objetivo” ou “subjetivo”?Várias e várias vezes lá estamos nós naquela interminável discussão na mesa de bar, faculdade ou internet tentando desqualificar aquele amigo ou amiga que não gosta de determinado artista. Por sua vez, parece que essa discussão nunca chegaria a um consenso, deixando sempre um clima de rivalidade e conflito criando um contingente de inimizade entre fãs de bandas diversas, tais como Metallica, por exemplo, contra aqueles que curtem Megadeth. A primeira é melhor, dizem uns, a segunda que é, dizem outros. Segue a partir daí inumeráveis listas de artistas/bandas subestimados, superestimados, melhores, piores, etc, que são alvo de polêmica entre fãs mais “ortodoxos”.

O que tentaremos propor aqui é dar uma resposta a essa discussão. Podemos iniciar com uma breve definição prévia: a formação do gosto musical é fundamentalmente social. Isto quer dizer que o gosto não é “objetivo”, nem “subjetivo”. Parece confuso, mas vamos seguir adiante. Existe um argumento complexo que foi elaborado em um ramo dentro dos estudos na filosofia (e, posteriormente, até mesmo na ciência), reproduzida por especialistas em crítica artística, artistas profissionais, entre outros agentes que estão inseridos na esfera social da arte (e suas subdivisões, literária, cinematográfica, musical etc.), que seriam os estudos denominados de “estética”, a qual considera uma avaliação sobre a obra de arte como algo à parte da existência humana e, portanto, passível de ser avaliada “objetivamente”. Assim, a obra de arte teria o seu significado, sua existência como algo em si. A pintura, a música clássica ou filme do renomado diretor Andrei Tarkovski seria belo por natureza, sublime e fugidia à sensibilidade das pessoas ignorantes que não conseguiriam captar tamanha beleza. No entanto, colocar que a arte possui um valor em si mesma revela uma ilusão. A existência das contradições nos distintos gostos entre pessoas, grupos e classes sociais mostra que a obra não possui um valor “objetivo”, uma essência mesma sem que um ser humano tenha feito alguma atribuição a ela. Se houvesse uma natureza própria que poderia ser medida e avaliada “objetivamente”, existiria um consenso no gosto musical. Como bem podemos notar, não existe consenso na realidade, mas divergências e conflitos.

O outro lado do problema seria a “subjetividade”, o que nos leva ao relativismo. O gosto passaria pelos sentimentos, as experiências e a sensibilidade de cada um que se identifica com aquilo de maneira singular. Dessa maneira, a obra de arte seria um problema de perspectivas diferentes, em que cada indivíduo seleciona aquilo que lhe convém e agrada. Portanto, devemos ser tolerantes e aceitar as diferenças musicais, ou seja, não existe uma hierarquia na formação dos gostos que poderia estabelecer uma diferença entre obra de arte “ruim” ou “boa”, “popular” ou “elite”. Afinal, todas são músicas. Podemos dizer que existe dentro desse dilema um momento de verdade. Sem dúvidas, cada ser humano é singular, histórico e possui sentimentos, concepções e ideias derivadas de sua trajetória de vida; mas, dentro das diferenças, há também o que é comum. A partir do que é comum, ou homogêneo, que começaremos a revelar a formação do gosto musical.

Como colocado anteriormente em nossa definição prévia, o gosto é formado socialmente. Podemos entender dessa definição que são os seres humanos que atribuem valor aos “seres” (objetos, ações, pessoas, ideias etc.). Assim, o que leva a uma pessoa a valorar (dar valor próprio) determinada obra de arte? Esse critério é determinado pelas condições histórico-particulares da sociedade em questão. Podemos ver que grande parte da música que ouvimos é um produto capitalista que precisa ser vendido, distribuído e divulgado pelos artistas para que cheguem aos nossos ouvidos. A demanda para realizar tamanha tarefa exige um capital comercial (empresas especializadas em vender discos, iPod’s, vinis, etc.) que possa comercializar a música produzida. Um capital fonográfico (gravadoras como a EMI, SONY, WARNER, entre outras) que mediria a relação entre o artista e o público, no qual se coloca determinadas exigências na seleção das músicas que chegarão até nós, bem como forma e conteúdo, na duração da música, o single (faixa lançada de forma separada do disco), a mensagem que as letras vão repassar ao público, como também a composição dos arranjos, a interpretação, a melodia que podem variar do mais trivial ao complexo. E, por fim, ainda temos o capital comunicacional, o que envolve a divulgação das músicas por meio de programas de TV, festivais, rádio, internet, entre outros lugares. 

Além dessa chamada indústria da música produzida pela nossa sociedade, cada vez mais movida pelo capital, existe também a formação de blocos diferentes do público ouvinte, o que designaremos como distinção social. A distinção social nos revela a especificidade que é criada na determinação de qual segmento social a música será direcionada. Temos um público mais intelectualizado que valora a técnica, o arranjo, ou seja, uma música mais complexa. Dentro desse estilo podemos destacar o jazz, música instrumental, rock progressivo e música clássica. Temos também a música trivial (ou mais comumente conhecida como música “brega”), que seria a música “popular”. Os arranjos são mais simples, a mensagem e a interpretação são mais fáceis de serem assimilados. Na música mais complexa exige-se uma reflexão maior, concentração e interpretação. Na música trivial não há tanta exigência, tal como vemos na música sertaneja, funk “ostentação” e derivados. Portanto, a distribuição da música é diferenciada dentro de uma determinada população, variando dentre desses blocos: intelectualizado e popular. Dentro disso, acrescentamos que, geralmente, as classes privilegiadas compõem o primeiro bloco, enquanto as classes desprivilegiadas compõem o segundo, e também existem outras subdivisões nos blocos entre grupos sociais, tais como os punk’s, “metaleiros”, evangélicos, diferenças regionais, etc.

A importância da compreensão das condições de formação do gosto musical nos mostra o significado de suas origens sociais e históricas sobre como determinado estilo/artista/banda começou a ser divulgado de forma massiva nos meios sociais e, por conseguinte, chegou até os nossos ouvidos, sendo apreciados e valorados em nossa vida. Podemos tomar como exemplo o estilo musical conhecido como rock, o qual se tornou amplamente divulgado em muitas regiões do Brasil, mas é amplamente cantado em inglês e influenciado por bandas dos Estados Unidos e Europa (principalmente Inglaterra). Mesmo que outras bandas da Argentina, Chile, Brasil ou Finlândia possam ter como ambição criar uma banda de rock, a linha de composição seguirá o idioma anglófono. Isto não quer dizer que o inglês é mais “bonito”, “melódico” ou qualquer problema desse gênero. Essa questão revela apenas que o rock se tornou um estilo extremamente popular, divulgado nos países de todo mundo e a origem disso se encontra nos interesses do capital (fonográfico, comunicacional e comercial/industrial) por trás. A explicação do desenvolvimento de determinado estilo, popularização e divulgação em determinados países e épocas históricas foge ao interesse desse breve texto, pois demandaria muito espaço. 

Assim, ouvir determinado artista/banda/cantor nos mostra a formação da música como um fenômeno social, que se torna cada vez mais homogêneo em nossa sociedade. Aqui no Brasil, como na Inglaterra, encontramos ouvintes de Metallica ou Megadeth, dentre outras bandas de sucesso. As turnês dessas bandas são lucrativas ao redor de quase todo o mundo. São bandas que conseguem tocar em estádios lotados, terem vendagens lucrativas de discos e consolidarem um estilo (thrash metal), aparentemente “impopular”, tornando-o conhecido ao redor de todo o mundo. Portanto, o nosso gosto é formado através dessas influências, por meio de determinadas condições sociais e históricas, que possibilitam conhecermos determinados artistas ou bandas, de determinado país. Gostar ou não de uma música/artista mostra para nós nossos interesses, pertencimento de classe, sentimentos e ideias que temos sobre a realidade. 

Em suma, a música é sempre determinada pela realidade social em que estamos inseridos. Podemos gostar ou não das letras de rap, funk, rock ou sertanejo, odiar ou adorar ouvir aquele rock progressivo ou thrash metal com nossos amigos, mas o fundamental é perceber que cada estilo é transitório, histórico e particular da sociedade em que vivemos. Fica assim a discussão para novas reflexões e comentários sobre o assunto.

Por Felipe Andrade

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