4 de dez de 2018

Os 25 melhores discos de 2018 segundo a Collectors Room


2018 foi mais um ano de grandes músicas e ótimos discos. Quem pensa de forma diferente certamente não pesquisou, não tirou a bunda da cadeira e ficou apenas na camada mais superficial desse imenso universo sonoro a que somos apresentados todos os anos.

Abaixo está a lista de melhores discos de 2018 na opinião da Collectors Room. São 25 álbuns que passeiam pelo rock, pelo country, pelo blues, pelo hip hop, pelo metal e pelo jazz. Tem ótimas dicas para todos os tipos de ouvidos, para os mais variados perfis de ouvintes. Em cada uma das escolhas, há também um pequeno texto apresentando o título e antecipando o que você irá ouvir. E caso você sinta falta de um disco ou outro na lista, duas coisas podem ter acontecido: ou os álbuns em questão não chegaram aos nossos ouvidos (afinal, ninguém consegue ouvir tudo) ou até escutamos o disco, mas ele não entrou no nosso top do ano.

Para você que adora listas como a gente, abaixo estão os melhores do ano publicados pelo site desde 2011, para que você possa conhecer nossos preferidos dos anos anteriores e, quem sabe, descobrir sons que passaram batido pelos seus ouvidos:


No final deste post você tem uma playlist com duas canções de cada um dos discos desta lista, e quer serve como forma de apresentar um pouco de cada uma de nossas escolhas. 

E, é claro, você está convidado para também postar nos comentários a sua lista de melhores discos do ano e dividir com a gente os seus preferidos de 2018.

Vamos então à lista de melhores discos de 2018 na opinião da Collectors Room. Divirta-se ;-)


25 Thundermother - Thundermother
O quarteto sueco Thundermother é uma banda de riffs. E as meninas são muito fãs do AC/DC. Por essas duas frases, acredito que já dá pra ter ideia do som do grupo. É rock simples, sem firulas, pra ouvir com o volume no máximo e com uma cerveja gelada na mão. Rock and roll na essência, na veia e sem maiores elocubrações pseudo-intelectuais. É bom, e isso basta.


24 Disaster Cities - Lowa
Confesso que os meus ouvidos já estão meio cansados da avalanche de stoner que invadiu o rock nos anos recentes. No entanto, às vezes uma banda acaba sendo tão boa que abrimos uma exceção. É o caso do quarteto Disaster Cities. Dividindo-se entre Chapecó e São Paulo, o grupo surpreendeu muito positivamente com esse primeiro disco. Pesado, equilibrando influências de nomes clássicos como Black Sabbath com referências mais recentes como Kyuss e até umas pitadinhas de Mastodon, os catarinenses soam universais. Pra ouvir e ficar de olho nos próximos anos.


23 Spiders - Killer Machine
A Suécia segue dando boas bandas aos fãs de rock. O Spiders colocou nas lojas em 2018 o seu terceiro disco, e a música deste quarteto é algo como o resultado da soma do elementos do Kiss, Hellacopters e L7. A voz de Ann-Sofie é o ponto principal, e vem sempre acompanhada de canções muito bem escritas e pela onipresença de melodia. Resumindo: rock pra cima e festeiro como deve ser. 


22 Variantes - Pra Variar
Acompanho a carreira dos Variantes há bastante tempo. E posso afirmar que esse é o melhor disco deste quinteto natural de Chapecó. A inclusão de um tecladista e pianista ampliou as possibilidades da banda. O som ficou mais recheado, mais completo, mais plural. A sonoridade que sempre bebeu no rock gaúcho aqui ganhou a companhia de elementos de country e de doses maiores do eterno rock inglês, tudo embalado de maneira surpreendentemente pop. Tudo bem resolvido, bem redondinho, como exemplificam pérolas como "Presença Plena" e "Malícia", que dividem espaço com jóias como a psicodélica "Consciência". 


21 The Sheepdogs - Changing Colours
O The Sheepdogs vem do Canadá e já chama a atenção há anos. O som do quinteto é uma mescla de southern e classic rock, com guitarras muito legais e que caem, invariavelmente, em deliciosos duetos. Os caras sabem compor ótimas músicas, e Changing Colours está cheio delas. Agradável e delicioso, é um disco pra colocar no player e esquecer de tirar. 


20 Jared James Nichols - Black Magic
Este jovem bluesman norte-americano estreou com um disco surpreendente. Pra começar, não sei nem se o termo bluesman é adequado para Jared James Nichols, já que o vocalista e guitarrista natural do Wisconsin está mais alinhado ao blues rock do que ao blues mais purista propriamente dito. Suas músicas são pesadas e mostram muita maturidade para quem está ainda em seu primeiro álbum. E o CD ainda entrega uma pérola sensacional chamada "Honey, Forgive Me". Ouça!


19 Outros Bárbaros - Outros Bárbaros
O rock de Santa Catarina não é conhecido no restante do Brasil. A razão para isso? Não sei. Passa por desinformação e preguiça do ouvinte, uma associação equivocada de Florianópolis com outros gêneros mais "ensolarados" como reggae e afins, e mais um monte de possíveis motivos. O Outros Bárbaros é formado por veteranos da cena rock de Floripa e estreou em 2018 com um senhor disco. Canções com um sempre presente apelo pop, letras bem escritas, arranjos bem pensados. Músicas bem tocadas, letras bem escritas. Não falta nada ao Outros Bárbaros, a não ser uma coisa: o som do quarteto liderado pelo vocalista e guitarrista Maurício Peixoto chegar aos ouvidos do restante do país. Ouça e você verá que a banda tem qualidade de sobra para isso.


18 Brothers Osborne - Port Saint Joe
A cena contemporânea do country norte-americano conta com diversos artistas que têm renovado o gênero. Um deles é o Brothers Osborne, que lançou em 2018 o seu segundo disco. Aqui, Willie Nelson divide espaço com o Lynyrd Skynyrd, Hank Williams é brothers da Marshall Tucker Band. A beleza das melodias agrestes subitamente se transforma em canções como "Shoot Me Straight", que pode muito bem ser definida como uma espécie de "prog country", se é que isso existe.


17 Joe Bonamassa - Redemption
Como faz para Joe Bonamassa gravar um disco ruim? Se existe alguma fórmula para isso, ela ainda não foi descoberta. Redemption é o décimo-terceiro ábum do vocalista e guitarrista norte-americano e traz pedradas como "Evil Mama" e "Molly O'" dividindo espaço com delícias como "Pick Up the Pieces" e blues estradeiros como "Just 'Cos You Can Don't Mean You Should". Mais uma aula de boa música.


16 Lucifer - Lucifer II
Nicke Andersson é o cara. O cara do The Hellacopters e do Imperial State Electric, caso você não saiba de quem eu estou falando. No Lucifer, Nicke montou uma banda ao lado de sua esposa, a vocalista Johanna Sadonis. O som que sai das caixas é aquele hard tipicamente sueco, que cativa de imediato. Porém, o clima é ligeiramente mais sombrio que as bandas citadas lá na primeira linha. Tem peso, tem melodia, tem malícia e tem uma voz feminina apaixonante. E você, tem tempo pra descobrir uma nova banda pra tirar a poeira do ouvido? O Lucifer está à sua espera!


15 The Bones of J.R. Jones - Ones to Keep Close
Blues. Atual e ao mesmo tempo vintage. Com mixagem suja, canções onde só a voz e o bater de palmas constróem momentos mágicos. Groove onde tem que ter, feeling por todo lugar. O multi-instrumentista Jonathon Linaberry é o cara por trás do The Bones of J.R. Jones, que lançou em 2018 o seu quarto disco. Pra pegar a estrada sem pressa e acompanhado de boa música, não existe receita melhor.


14 Baco Exu do Blues - Bluesman
Baco vem da Bahia, terra de todos os santos, chão de todos os sons. Mas dá um salto de Salvador para o delta do Mississippi, uma passadinha em Nova York e Los Angeles, toma uma cervejinha gelada em Nova Orleans e transforma tudo isso em música. Bluesman é o segundo disco do rapper, e usa como pano de fundo o blues para contar o que é ser negro no Brasil, esse país estranho habitado por gente cada vez mais esquisita. Há tempos o discurso social da música brasileira está no rap, como já deixaram claro Mano Brown, Criolo, Emicida e Rincon Sapiência, entre muitos outros. Baco Exu do Blues segue a tradição e mostra que o rap brasileiro vive uma de suas melhores fases.


13 Blackberry Smoke - Find a Light
A principal banda de southern rock dos anos 2000 raramente erra a mão. Find a Light é mais um exemplo disso. Tendo o talentoso vocalista e guitarrista Charlie Starr à frente, o Blackberry Smoke segue mostrando porque é o herdeiro legítimo do Lynyrd Skynyrd. Rock sulista com deliciosas pitadas country, boogie e solos faiscantes de guitarra. Mais uma excelente adição à uma das mais sólidas discografias do rock atual.


12 The Struts - Young & Dangerous
Coloque doses de Queen, David Bowie, T. Rex e The Darkness em um mesmo caldeirão, dê um banho de loja, ponha um temperinho Britpop, atualize as referências dessa turma com tudo que rola no mundo hoje em dia, e o que você tem? Algo parecido com o The Struts. A banda inglesa é um bálsamo pra quem acredita que o rock foi feito pra dançar, cantar junto e deixar os dias mais felizes. Simplesmente sensacional!


11 Soulfly - Ritual
Max Cavalera é uma lenda. Principal nome da história do metal brasileiro e um dos maiores ícones do metal mundial, Max tem no Soulfly a representação literal do seu universo sonoro. Sem ter que dividir a liderança e o direcionamento com outro músico como ele, coloca pra fora as suas (as)pirações artísticas nos discos do quarteto. O problema é que a discografia do Soulfly é um tanto irregular. Para cada trabalho excelente como Enslaved (2012), temos algo meio sem sentido como Savages (2013). No entanto, quando acerta a mão, Max mostra porque possui o status que tem. Ritual é um exemplo disso. Um disco absolutamente incrível de um cara que está há mais de trinta anos na estrada e que deixa evidente que ainda possui muito combustível pra queimar. Ainda bem.


10 Judas Priest - Firepower
Discos como Firepower possuem o mesmo poder de 13, o derradeiro registro do Black Sabbath: apelam sem dó para o coração e o saudosismo de quem cresceu ouvindo heavy metal. E isso não quer dizer que apresentem, necessariamente, uma sonoridade datada e revisionista. Pelo contrário. Após o retorno de Rob Halford em 2003, a lendária banda britânica estava devendo um trabalho à altura, e ele chegou 15 anos depois. Olhando para o passado mas sem tirar os pés do presente e até mesmo do futuro, o Judas Priest gravou o seu melhor álbum em quase trinta anos. Se você gosta de metal, está aqui um disco obrigatório!


9 The Temperance Movement - A Deeper Cut
Quando este quinteto inglês surgiu em 2013, curti o som mas fiquei um pouco incomodado com a grande semelhança com o AC/DC. A maturidade e os anos de estrada então entraram em ação e fizeram bem ao The Temperance Movement. O terceiro disco do grupo é rock puro, rock dos bons, rock com pedigree e do mais alto quilate. E que só poderia ter vindo da Terra da Rainha, afinal, tem coisas que só os ingleses conseguem fazer pela música. Ouça e comprove.


8 The Baggios - Vulcão
Não existe outra banda brasileira igual ao The Baggios. O agora trio sergipano faz rock brazuca na melhor acepção da palavra, onde os riffs convivem lado a lado com os ritmos nordestinos, marchinhas de carnaval, as rimas do repente e também com influências como hip hop, blues e funk. Para o The Baggios, Led Zeppelin e Jorge Ben possuem o mesmo nível de importância. O resultado é uma música energética, dançante e forte, onde o pé insiste em não ficar parado e a boca canta as letras sem ao menos perceber. Assim como havia ocorrido no anterior Brutown (2016), a banda nos deu mais um discaço!


7 Ghost - Prequelle
O Ghost surgiu em 2010 com um disco que trouxe influências de Black Sabbath, Blue Öyster Cult e da New Wave of British Heavy Metal - Opus Eponymous (2010) -, e rapidamente cativou fãs de heavy metal de todo o planeta com as suas músicas. Porém, a associação da banda, pelo menos musicalmente, com o metal, acabou ali. Nos trabalhos seguintes, a turma de Papa Emeritus (agora chamado de Cardinal Copia) foi gradativamente se afastando do gênero à medida em que começou a flertar com outros estilos como o pop, o gótico e mais uma infinidade de sons. Prequelle enfatiza ainda mais essa tendência e é o trabalho mais bem resolvido do grupo. Ao lado de pérolas pop como "Rats" e, principalmente, "Dance Macabre", temos experimentações e faixas instrumentais com direito a até mesmo um inusitado saxofone, como em "Miasma". O metal ficou para trás, e isso fez muito bem ao Ghost. 


6 Clutch - Book of Bad Decisions
Um dos nomes mais celebrados do hard rock norte-americano, o Clutch não é muito falado aqui no Brasil. Porém, quem conhece o quarteto natural de Maryland sabe que os elogios são merecidos. Unindo o rock pesado a elementos do country, heavy metal e um onipresente groove, a banda conseguiu criar uma sonoridade original em um tempo em que, convenhamos, a originalidade parece ter caído em desuso. Se você nunca ouviu a música do Clutch, ouça Book of Bad Decisions e descubra um universo sonoro que tem tudo para fazer uma bela companhia para a sua vida nos próximos anos.


5 Greta Van Fleet - Anthem of the Peaceful Army
Tenho a impressão que muitos falam do Greta Van Fleet, porém poucos efetivamente ouvem a banda com atenção. O quarteto de Michigan lançou em 2018 o seu primeiro disco, e mostrou que chegou para ficar. A eterna crítica a respeito da semelhança com o Led Zeppelin revela-se rasa e apenas preconceituosa ao ouvir as onze músicas presentes em Anthem of the Peaceful Army. É claro que os caras são fãs de Jimmy Page e companhia, mas resumir o grupo a apenas isso é de uma preguiça irritante. A música de abertura, "Age of Man", já mostra que os horizontes do grupo são bem mais amplos. Entre riffs certeiros, vocais que impressionam e refrãos que grudam na cabeça, temos aqui um álbum que faz jus ao hype que cerca o Greta Van Fleet. E, sinceramente, não existe elogio maior que este.


4 Beth Hart & Joe Bonamassa - Black Coffee
Beth Hart e Joe Bonamassa possuem uma sinergia invejável. Black Coffee é o terceiro álbum gravado pela dupla, e na minha opinião é o melhor dessa parceria. O disco vem com dez versões para canções de nomes como Etta James, Ike & Tina Turner, Edgar Winter e outros, que aqui são devidamente viradas do avesso pela dupla em releituras que, não raro, superam as gravações originais. A voz de Hart é de uma potência invejável, e suas interpretações são pura emoção. Já Bonamassa debulha como sempre, com solos, acordes e sentimentos aflorando a cada nota. Os metais presentes em todas as faixas são a cereja do bolo, dando um toque ainda mais especial para o disco. Resumindo: lindo!


3 Behemoth - I Loved You at Your Darkest
Poucas bandas dentro do metal soam como o Behemoth. O quarteto liderado pelo vocalista e guitarrista Nergal mudou a sua música nos anos recentes, principalmente após o seu frontman enfrentar um câncer. O grupo limpou o seu som, abrindo mão dos exageros barrocos de outrora e tornando tudo mais direto e eficiente. The Satanist (2014) já mostrava isso, e esse caminho foi intensificado neste novo disco. As canções estão mais curtas, porém ainda mais marcantes. É algo impressionante! Quando escrevi sobre o álbum, afirmei que o som atual do Behemoth era uma espécie de "black metal pop", e continuo pensando assim. Mais uma obra-prima de Nergal e companhia!


2 Fantastic Negrito - Please Don’t Be Dead
Xavier Amin Dphrepaulezz, o Fantastic Negrito, vem de Oakland, na California. Please Don't Be Dead é o seu terceiro disco. E o que ouvimos é um delicioso blues turbinado por toda a rica tradição da música negra dos Estados Unidos, o que quer dizer que temos ecos de blues, funk, soul, jazz e o que mais der na telha nas onze faixas do álbum. É uma música cativante, muito bem feita, repleta de ganchos e melodias marcantes. Um trabalho de composição incrível e que coloca Negrito na vanguarda dos nomes que estão reinventando o blues. Ouça: é impossível não gostar!


1 Kamasi Washington - Heaven and Earth
Kamasi Washington já tinha deixado todo mundo de queixo caído com The Epic, álbum triplo que soltou em 2015. Mas ele conseguiu ir além. Heaven and Earth é daqueles tipos de discos raros, em que o cara sabe que acertou a mão em tudo e que, quando chegam ao ouvido de quem gosta de música, alteram a prioridade de tudo. Isso não se faz, Kamasi ... As dezesseis faixas de Heaven and Hearth trazem um jazz mais acessível que aquele presente em The Epic, devidamente "amansado" por onipresentes ingredientes de soul, principalmente nas poucas canções que contam com vocais, como a abertura apoteótica com "Fists of Fury". Com apenas 37 anos e pelo menos dois álbuns com potencial para se transformarem em clássicos nas costas, este saxofonista natural de Los Angeles é um dos maiores nomes do jazz atual, se não for o maior. Se você gosta de música, seja qual estilo for, precisa ouvir Heaven and Earth. Sua vida irá mudar depois da audição, acredite!

3 comentários:

Do Vale disse...

Como sempre, ótima lista. Há uns 2 anos que pego indicações daqui e é tudo certeiro. Abraço!

Lucas S disse...

Lista eclética e instigante como sempre! Faltou aquela listinha de lançamentos para votarmos, como foi ano passado. No mais, resta-nos ouvir mais música boa!

Rinaldi disse...

Boa lista, um disco que não poderia ficar de fora é o "Eat The Elephant" do A Perfect Circle.

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