30 de mai de 2018

Review: Moonspell - 1755 (2017)

quarta-feira, maio 30, 2018

Já escrevi diversas vezes, mas vou deixar claro mais uma vez: é impossível ouvir todos os discos do mundo. Reitero isso como um pedido de desculpas por não ter incluído 1755, álbum mais recente do Moonspell, em minha lista de melhores de 2017. O disco passou batido pelos meus ouvidos durante todo o ano passado, apesar dos inúmeros alertas que recebi de amigos e leitores. Só agora, praticamente na metade de 2018, é que parei para ouvir com atenção o CD, que a Hellion Records lançou no Brasil e me enviou para avaliação. E aqui vai mais um chavão: antes tarde do que nunca.

1755 é um álbum conceitual totalmente cantado em português, língua natal da banda, que foi criada em Portugal em 1992. O disco conta a história do terremoto, seguido por um tsunami, que devastou Lisboa no primeiro dia de novembro do ano de 1755. O terremoto é considerado um dos mais mortíferos da história, com a morte estimada de 10 mil pessoas. Além disso, foi também um dos mais fortes de todos os tempos, atingindo entre 8,7 e 9 graus na escala Richter.

Musicalmente, trata-se de um disco de metal com forte presença de elementos orquestrais, com canções climáticas que invariavelmente convergem em crescendos e refrãos cantados por coros. Tudo bem dramático e com um apelo operístico não no sentido dos vocais sopranos e clássicos, mas sim na concepção de contar uma história única tendo a música como fio condutor.

A escolha por cantar em português, além de soar pitoresca para o resto do mundo, aproxima o som do Moonspell dos ouvintes brasileiros e facilita a assimilação do que a banda está trazendo em todo o disco. E, ao contrário do que alguns insistem em pensar, o rock quando é bom combina com qualquer língua, e o português faz parte do pacote. A abertura com a climática “Em Nome do Medo”, quase toda à capela em seus mais de cinco minutos, é de arrepiar e mostra que algo especial está para começar. E essa primeira canção realmente serve de cartão de visitas para o que o Moonspell preparou nas 11 faixas de 1755: muito provavelmente estamos diante do melhor trabalho do quinteto português.

O disco carrega uma profundidade lírica bastante clara, explorando de maneira inteligente letras muito bem escritas. A parte instrumental afasta a banda do black/death metal dos primeiros anos e traz uma sonoridade composta por diversos elementos dos mais variados gêneros do metal, tudo amarrado de maneira cirúrgica e resultando em uma música acessível para a maioria dos ouvidos. 

A inclusão de uma releitura para “Lanterna dos Afogados”, que já era uma música linda na versão original dos Paralamas, é outra bela surpresa. A versão do Moonspell é mais teatral e sombria, como era de se esperar, realçando ainda mais os aspectos melódicos e sentimentais da composição de Herbert Vianna. É algo tão bonito que só ouvindo para entender, em mais um acerto da banda.

1755 é realmente um disco muito acima da média, um trabalho totalmente diferenciado do que o rock e o metal vem entregando nos anos recentes. Uma obra-prima desta já veterana banda portuguesa, que segue inquieta, criativa e relevante mesmo após 25 anos de carreira. 

Absolutamente incrível!

Novo single e novo álbum do Halestorm

quarta-feira, maio 30, 2018

O quarto álbum do Halestorm chegará às lojas dia 27 de julho pela Atlantic Records. O disco tem o título de Vicious e foi produzido por Nick Raskulinecz. 

O trabalho, o primeiro da banda em três anos desde Into the Wild Life (2015), será disponibilizado em CD e vinil, além de edições especiais nos dois formatos.

O primeiro single, “Uncomfortable”, ganhou um vídeo dirigido por Evan Brace e pode ser assistindo abaixo:

Michael Romeo anuncia disco solo

quarta-feira, maio 30, 2018

Michael Romeo, guitarrista do Symphony X, lançará um álbum solo em julho. O disco tem o título de War of the Worlds Pt. 1 e chegará às lojas dia 27 de julho.

Segundo Romeo, o álbum traz uma abordagem de guitarra inspirada pela música clássica e também pelas trilhas sonoras compostas por nomes como John Williams e Bernard Hermann, além de elementos de EDM e dubstep.

O disco traz Romeo ao lado do vocalista Rick Castellano, do baixista John DeServio e do baterista John Macaluso.

Review: Ari Borger Trio - Rock ’n' Jazz (2018)

quarta-feira, maio 30, 2018

Quem acompanha o trabalho do pianista Ari Borger sabe que o cara é um dos melhores músicos do Brasil, e possui este status já há alguns anos. Transitando entre o blues e o jazz, Borger gravou discos ótimos como Blues da Garantia (2000), AB4 (2008), Backyard Jam (2010) e Back to the Blues (2012), sempre trazendo abordagens inovadoras e refrescantes.

Rock ’n' Jazz é o seu novo trabalho, ao lado do contrabaixista Marcos Klis e do baterista Humberto Zigler. A ideia aqui é reler alguns clássicos do rock a partir de um olhar jazzístico, que na prática é muito mais próximo do fusion e do jazz-funk de Herbie Hancock do que da sonoridade clássica do estilo. 

Totalmente instrumental, o álbum prova mais uma vez que a voz não é, e nem nunca foi, um elemento essencial na música. Com imenso feeling e doses cavalares de técnica, Borger e seu trio entregam um disco delicioso do começo ao fim. Ao lado de versões para hinos como “Come Together”, “House of the Rising Sun”, “Miss You”, “Light My Fire” e “Sunshine of Your Love”, temos também composições próprias como “Crazy Dog” e “Samba de Rhoads”, todas explorando a mesma estética sonora e caminhando no mesmo universo musical.

Rock ’n' Jazz é mais um excelente trabalho de Ari Borger, dono de uma discografia pra lá de sólida. A opção por reler canções conhecidas foi bastante acertada e deve trazer novos ouvintes para a sua música, novatos esses que certamente não irão reclamar ao conhecer a obra de um músico simplesmente incrível.


Documentário conta a vida de Nasi

quarta-feira, maio 30, 2018

A vida de Nasi, vocalista do Ira!, é contada no documentário Você Não Sabe Quem Eu Sou. O doc tem direção do jornalista e escritor Alexandre Petillo e terá estreia nacional dia 11/06 no festival In-Edit. Alexandre Petillo é co-autor da biografia A Ira de Nasi ao lado de Mauro Beting.

O filme tem 102 minutos e traz entrevistas com nomes como Edgar Scandurra, Selton Mello, André Barcinski, Mauro Beting, Ricardo Gaspa e outros, além do próprio vocalista. 

Rolling Stone Brasil deixa de ser impressa

quarta-feira, maio 30, 2018

Após 12 anos chegando às bancas todos os meses, a versão impressa da revista Rolling Stone Brasil deixará de ser produzida. A última edição chegará às bancas de todo o Brasil em agosto.

Segundo José Roberto Maluf, presidente do Grupo Spring, responsável pela publicação: "A revista mensal impressa será suspensa. Se tivermos dias melhores neste país, quem sabe ela volta a circular”. Quem possui assinatura ativa também será atendido: "Se o assinante se interessar, poderá receber os especiais no lugar dos exemplares mensais. Ninguém será prejudicado”.

A edição brasileira da Rolling Stone começou a ser publicada em 2006 e, segundo o Grupo Spring, é a que tem a maior circulação mundial, atrás apenas da matriz norte-americana. Durante o período, mais de 140 edições foram publicadas.

A revista seguirá com o seu site e também com especiais lançados trimestralmente, sempre abordando temas ou artistas específicos. O futuro da redação também não foi definido, porém Maluf informou que eles estão conversando para decidir o que será feito com cada profissional.

Uma pena. A Rolling Stone Brasil sempre abordou a música, a cultura pop e a política de uma forma bastante competente, com matérias cheias de informação e muito úteis para quem buscava textos de qualidade. Colaborei com a revista em algumas edições, tanto escrevendo reviews quanto participando de eleições de melhores discos, e acho o seu fim uma grande perda para o mercado editorial brasileiro.



29 de mai de 2018

Spawn ganhará uma nova adaptação para o cinema com Jamie Foxx no papel principal

terça-feira, maio 29, 2018

Agora é oficial: Todd McFarlane, o roteirista e desenhista criador do Spawn, dirigirá uma nova adaptação cinematográfica da história do Soldado do Inferno com o ator Jamie Foxx (Django Livre, Ray) no papel principal. O filme não terá a força de um grande estúdio por trás e contará com um acertamento bastante baixo para os padrões cinematográficos, com um valor entre 10 e 12 milhões de dólares para a produção.

Esta nova adaptação não contará a origem de Spawn, que já foi abordada no filme lançado em 1997, dirigido por Mark A.Z. Dippé e com Michael Jai White no papel principal. A versão de McFarlane deve focar no horror e trazer um Spawn mais silencioso e de poucas palavras, em contraste aos filmes de super-heróis atuais, onde a inserção de piadas pontuais é uma das características principais.

Todd McFarlane atualmente é um dos principais executivos da Image Comics e também é o proprietário da McFarlane Toys, empresa especializada em action figures. Esta será a sua estreia na direção. O filme ainda não teve a sua data de lançamento anunciada.


Riverside anuncia novo disco

terça-feira, maio 29, 2018

A banda polonesa Riverside anunciou o lançamento de seu novo disco. Waste7and será lançado no final de setembro pela InsideOut Music e será o primeiro álbum do grupo sem o guitarrista Piotr Grudzinski, falecido em 21 de fevereiro de 2016.

O trabalho da banda é o sucessor de Love, Fear and the Time Machine (2015). Entre os dois há ainda a compilação Eye of the Soundspace, lançada em outubro de 2016 e que trouxe quatro faixas inéditas.

O guitarrista Maciej Meller foi efetivado como novo integrante do quarteto, substituindo Grudzinski, e ficou responsável pelas guitarras do novo trabalho.

Iron Maiden e o aspecto subliminar de Brave New World

terça-feira, maio 29, 2018

Sou um grande fã do Iron Maiden. Cresci ouvindo suas músicas, tenho todos os seus discos, gosto de pesquisar e ler sobre o grupo, e, passados mais de trinta anos do meu primeiro contato com a banda, ela continua sendo uma parte importante da minha vida. Por isso, para comemorar os 18 anos do lançamento do álbum Brave New World (que chegou às lojas neste dia 29 de maio de 2000), resolvi escrever sobre algo que sempre esteve na minha cabeça e que acho que também faz parte do pensamento de uma parcela considerável de fãs do Maiden.

Mas, para começar a nossa conversa, é preciso voltar um pouco no tempo. Ainda lembro da repercussão negativa dos shows da turnê brasileira do Iron Maiden em 1998, que acabaria se tornando a última com Blaze Bayley. A banda tocou em algumas cidades brasileiras, e o show no Rio de Janeiro ficou marcado pelo fato de o grupo abandonar o palco e não voltar para o bis após o guitarrista Janick Gers ter sido atingido por um objeto. Esse acontecimento foi, na verdade, a gota d'água de uma tour que deixou claro, definitivamente, que Blaze não era o vocalista adequado para o Iron Maiden. A questão nem era a qualidade ou não da sua voz, mas sim o fato de que o seu timbre, mais grave, não casava com as músicas do Maiden, originalmente concebidas para os tons mais altos de Bruce Dickinson. O controverso álbum The X Factor, lançado em outubro de 1995, é a prova disso, com um direcionamento mais sombrio que os anteriores, mas que acabou não sendo mantido no disco seguinte, Virtual XI, que chegou às lojas em março de 1998. Pessoalmente, considero Virtual XI o álbum mais fraco de todo o catálogo do Maiden, com composições ruins, refrões repetidos à exaustão e uma sonoridade genérica. Apenas duas de suas canções, “Futureal” e “The Clansman”, são dignas de nota.

Quem ouviu os b-sides dos singles lançados pelo Iron Maiden nesse período, ou algum bootleg gravado na época, percebe sem maior esforço a absoluta incapacidade de Blaze em interpretar as canções da era Dickinson. A versão ao vivo de “The Evil That Men Do” presente no single de “Futureal”, por exemplo, é constrangedora. O mesmo vale para as tentativas de Bayley em cantar sons como “The Trooper” e “Hallowed Be Thy Name”, notórias marcas pessoais de Bruce. Mais tarde, ao sair do Maiden, Blaze encontraria uma sonoridade adequada à sua voz nos bons discos de sua carreira solo, principalmente na ótima estreia com Silicon Messiah (2000).

A verdade era que, passados já alguns anos com Blaze no Maiden, a sua situação havia ficado insustentável. O público da banda havia caído drasticamente. A crítica não engoliu os álbuns com o novo vocalista, principalmente Virtual XI. E o Iron Maiden, que sempre esteve na linha de frente do heavy metal ditando os caminhos do estilo, passava por uma fase onde beirava a irrelevância. Tudo isso refletiu no clima interno entre os músicos. Janick surtou com o objeto lançado contra si no show no Rio de Janeiro e no camarim colocou Steve Harris na parede, dizendo que era ele ou Blaze. O baterista Nicko McBrain também já havia demonstrado a sua insatisfação com a fase vivida pela banda para Steve e Rod Smallwood, empresário do grupo. Até mesmo o calmo e passivo Dave Murray, um dos caras mais gente boa do show business, não escondia de ninguém o seu desgosto com os rumos do grupo.


Os shows no Brasil foram os últimos da tour de Virtual XI. Após eles, a banda entrou em recesso, curtindo merecidas férias. Foi nessa época que a figura sempre forte do empresário Rod Smalwood entrou em cena. Rod, dono de opiniões sempre diretas e persuasivas – a revista inglesa Classic Rock, ao se referir a Rod, Steve e Bruce, classifica o trio como “o grosseirão, o cabeça-dura e o tagarela” -, chamou Steve Harris para uma reunião e disse, sem meias palavras, que era preciso trazer Bruce Dickinson de volta. Steve, como era de se esperar, respondeu que não, que a relação com Bruce era complicada e que não gostaria de tê-lo de volta no grupo. Mas aí a coisa virou briga de gente grande: de um lado um dos empresários mais respeitados e fortes do show business, famoso por seu aparentemente infinito poder de convencer qualquer pessoa a concordar com suas ideias, e do outro a mente criativa responsável por transformar o Iron Maiden em uma das maiores e mais importantes bandas da história do metal. Após uma longa conversa, Rod provou para Steve que o retorno de Bruce era necessário, e a banda então marcou uma reunião.

Ao mesmo tempo, os rumores sobre um possível retorno de Bruce Dickinson ao grupo só aumentavam. Fóruns e sites por toda a internet alimentavam rumores e mais rumores sobre o assunto, mas ninguém tinha uma posição clara sobre o que estava realmente acontecendo. Essa falação toda chegou até à própria banda solo de Bruce. Roy Z, seu guitarrista, produtor e principal parceiro em álbuns como Accident of Birth (1997) e The Chemical Wedding (1998), chamou Dickinson para um papo e bateu a real: “Bruce, nós gravamos ótimos discos, mas todo mundo sabe que o seu lugar é no Maiden”. O vocalista não teve outra resposta para Roy a não ser concordar com a sua afirmação.

Após contatos preliminares e sondagens de ambos os lados, Rod Smallwood convocou Steve Harris, Dave Murray, Janick Gers, Nicko McBrain e Bruce Dickinson para uma reunião em sua casa. Todos sentaram na sala de Rod, e a reunião, que era para ser longa, acabou sendo surpreendentemente curta, com Steve pedindo a palavra e dizendo: “Eu não concordo com a volta de Bruce ao Iron Maiden, mas essa é a coisa certa a ser feita”. Todos apertaram as mãos, trocaram abraços e foram comemorar o retorno do vocalista em um pub próximo à mansão de Rod. Lá, embalados por rodadas e mais rodadas de cerveja, tiveram a ideia de chamar de volta também o guitarrista Adrian Smith, que havia saído em 1990 e estava tocando com Bruce em sua banda solo. Toda essa história foi contada em detalhes em uma espetacular matéria publicada pela revista britânica Classic Rock há alguns anos atrás. O mundo ficou sabendo da notícia através de um comunicado oficial divulgado dia 11 de fevereiro de 1999, e o resto é história.


E é justamente nesse ponto que eu quero chegar. O agora sexteto saiu em uma turnê mundial batizada Eddie Hunter Tour, em promoção ao game de computador que estavam lançando, onde tocou diversos clássicos de seus anos dourados com a nova formação com três guitarristas e trancou-se em estúdio para compor o tão aguardado álbum de retorno. Brave New World chegou às lojas em 29 de maio de 2000 e atendeu as expectativas tanto dos fãs quanto da crítica com composições fortes e inspiradas, que recolocaram o Iron Maiden automaticamente no lugar de onde nunca deveria ter saído: o Olimpo do heavy metal.

Mas o que me chamou a atenção desde a primeira vez que ouvi o disco é o fato de ele, na minha percepção, conter diversas mensagens - subliminares ou não - espalhadas por suas letras, dando margem à interpretações variadas por parte dos fãs. Vamos a elas:

- a história já começa no título, Brave New World, fazendo uma alusão direta ao “admirável mundo novo” que estava começando para a banda e para os seus fãs com o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith

- o refrão da primeira faixa, “The Wicker Man”, traz Bruce cantando a frase “your time will come” - "sua hora chegará" – repetidamente, como que preparando os fãs de todo o mundo para o tão aguardado retorno do grupo e os consequentes shows apresentando a “nova" formação

- a emocionante “Blood Brothers”, composta por Steve Harris para o seu pai, pode ser interpretada como uma reafirmação dos laços de sangue que unem a banda e seus fãs, em uma das relações mais fortes e apaixonantes do universo musical, e também à ligação dos próprios músicos uns aos outros, já que juntos são muito maiores do que separados, como ficou claro durante os anos em que Bruce e Adrian estiveram longe do grupo. Somos todos, músicos e fãs, verdadeiros “irmãos de sangue"

- a faixa “The Mercenary”, uma das mais pesadas do álbum, tem um título que pode ser interpretado como uma indireta a Bruce Dickinson, que quando saiu do Maiden deu várias declarações a respeito do grupo e do próprio heavy metal, chegando até mesmo a renegar o estilo, mas que agora estava de volta à banda que o fez famoso em todo o planeta

- a frase “the dream is true”, presente em “Dream of Mirrors”, exemplifica o que os fãs do grupo sentiram ao saberem da volta de Bruce e Adrian: o sonho havia se tornado realidade

- “The Fallen Angel” pode ser uma alusão ao próprio grupo, que alcançou o topo, caiu ao chão e agora preparava-se para alçar um novo e duradouro vôo, como uma fênix renascida

- “Out of the Silent Planet” pode ser entendida como uma brincadeira com o fato de as plateias da banda terem se reduzido muito durante o período com Blaze, e, com o simples anúncio do retorno de Bruce e Adrian, o grupo começou a lotar arenas novamente em todo o mundo, caindo fora do “planeta silencioso” em que se encontrava

- e, finalmente, o encerramento do álbum com a estupenda “The Thin Line Between Love and Hate” - "a tênue linha entre o amor e o ódio" -, alusão direta à relação entre Steve Harris e Bruce Dickinson, os dois pilares do Iron Maiden, donos de personalidades fortes e líderes natos, que se admiram na mesma proporção em que se odeiam, e que sabem que são mais fortes juntos do que trilhando caminhos separados.


É claro que todas essas interpretações são baseadas apenas na minha opinião e são extremamente pessoais, mas, como disse antes, desde a primeira vez que ouvi o disco esses detalhes me chamaram a atenção. Alguns podem ser verdadeiros, outros podem ser apenas suposições e viagens de um fã, mas queria compartilhar isso com vocês.

Após Brave New World o Iron Maiden gravou mais quatro álbuns de estúdio – Dance of Death (2003), A Matter of Life and Death (2006), The Final Frontier (2010) e The Book of Souls (2015) -, um quinteto de discos ao vivo – Rock in Rio (2002), Death on the Road (2005), Flight 666: The Original Soundtrack (2009), En Vivo! (2012) e The Book of Souls: Live Chapter (2017) -, lançou três coletâneas – Edward the Great (2002), Somewhere Back in Time – The Best of 1980-1989 (2008) e From Fear to Eternity – The Best of 1990-2010 (2011) – e sete DVDs – Rock in Rio (2002), Visions of the Beast: The Complete Video History (2003), The History of Iron Maiden, Part 1: The Early Days (2004), Death on the Road (2005), Flight 666: The Film (2009), En Vivo! (2012) e The Book of Souls: Live Chapter (2017) -, além da nova versão do Maiden England ’88, disponibilizada em CD e DVD em 2013, solidificando a sua posição como uma das maiores bandas de metal da história e gozando de uma popularidade que atualmente rivaliza com a alcançada durante a década de 1980, considerada a época áurea da banda. 

Uma análise nas vendas dos últimos discos do sexteto - The Book of Souls, por exemplo, alcançou o número 1 em nada mais nada menos que 25 países, incluindo o Brasil e a Inglaterra -, além da expansão da marca da banda para produtos como a cerveja oficial do Maiden, que é um fenômeno de vendas, mostra que Rod Smalwood estava certo, não é mesmo, Steve?


Cordillera mostra nova música e prepara novo disco

terça-feira, maio 29, 2018

A fusão do rock progressivo clássico à estética contemporânea do gênero pauta a sonoridade do  novato quinteto Cordillera, de Campinas. Do minimalismo ao punch da guitarra, a proposta sóbria e técnica da banda pode ser conferida na música "Noumenon", que também foi lançada em formato videoclipe. O clipe de Noumenon, música que também está disponível em streaming no Spotify junto ao single "On the Top of the Wall", foi escrito, produzido e dirigido pela produtora Muto. 

Assim como a proposta sonora do Cordillera, o vídeo tem referências à arte abstrata, com muitas texturas e que dialoga constantemente com o enigmático, seja pelo andamento musical ou pela colagem das imagens. Pink Floyd, Porcupine Tree e Pain of Salvation são algumas referências ao trabalho único e criativo da banda.

O lançamento de "Noumenon" é o prenúncio de Ruptura, o disco de estreia da banda campineira formada em 2013 por Victor Oliveira (vocal), Raphael Moretti (guitarra), Pedro Ghoneim (baixo), Tarcísio Barsalini (guitarra) e Matheus Vazquez (bateria). O álbum de estreia está totalmente gravado e tem previsão de ser lançado em junho de 2018. 

O clipe pode ser assistido abaixo: 

Gorillaz confirma novo disco

terça-feira, maio 29, 2018

O novo álbum do Gorillaz tem o título de The Now Now e será lançado dia 29 de junho. O disco é o sucessor de Humanz (2017).

A banda inclusive já começou a soltar pistas do novo trabalho através de pôsteres misteriosos durante o All Points East Festival, em Londres, com artes que traziam frases ditas pelos integrantes e levavam a um site. Nesse site - que você pode acessar aqui (http://thenownow.tv) - é possível ouvir o trecho de uma música que possui uma pegada bem anos 1980, meio na linha do que o Arcade Fire fez em seu álbum mais recente, Everything Now (2017).

Jorn prepara box com material solo e faixas inéditas

terça-feira, maio 29, 2018

Celebrando seus 50 anos de vida, o vocalista norueguês Jorn Lande está preparando o lançamento de um box contendo todos os seus 12 álbuns solo, além de músicas bônus e faixas ao vivo.

A caixa, ainda sem data de lançamento definida, trará os discos Starfire (2000), Worldchanger (2001), Out to Every Nation (2004), The Duke (2006), Lonely Are the Brave (2008), Spirit (2009), Dio (2010), Bring Heavy Rock to the Land (2012), Symphonic (2013), Traveller (2013), Heavy Rock Radio (2016) e Life on Death Road (2017). Todas as faixas foram remasterizadas.

28 de mai de 2018

Horácio - Mãe, de Fábio Coala, é a nova Graphic MSP

segunda-feira, maio 28, 2018

Sidney Gusman, editor da Maurício de Sousa, anunciou nesta segunda (28/05) através de suas redes sociais a décima-nona Graphic MSP. Horácio - Mãe, foi escrita e ilustrada por Fábio Coala e será lançada em julho.

Personagem preferido do próprio Maurício, Horácio (a imagem que estampa este post é apenas o teaser da HQ, não a sua capa final) certamente trará uma história emocionante e divertida, e vem na sequência de Jeremias - Pele, Graphic MSP da dupla Rafael Calça e Jefferson Costa, lançada em abril e que abordou o racismo de forma direta e tocante.

Quadrinhos: Guardiões do Louvre, de Jiro Taniguchi

segunda-feira, maio 28, 2018

Publicado no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim, Guardiões do Louvre é um mangá que desconstrói o estereótipo associado aos quadrinhos japoneses e, ao mesmo tempo, também uma grande declaração de amor à arte.

O título, escrito e desenhado pelo cultuado Jiro Taniguchi (O Homem Que Passeia, Gourmet, O Livro do Vento), faz parte de uma série de títulos encomendada pela própria administração do Museu do Louvre, com o objetivo de contar as suas histórias e mostrar as maravilhas que o museu localizado em Paris abriga.

Na trama acompanhamos a trajetória de um artista japonês que está na capital francesa a passeio e acaba adoecendo. Enquanto se recupera, faz visitas diárias ao Louvre explorando as diferentes áreas e ambiente do museu. Taniguchi insere um onipresente elemento lúdico ao conduzir o seu protagonista por viagens por diferentes épocas temporais, proporcionando encontros com artistas como Van Gogh, Antoine de Saint-Exupéry e outros. Assim, somos apresentados ao universos criativos de cada um desses pintores e escritores, em um exercício imaginativo que contextualiza de maneira simples e efetiva suas criações.

Vale um grande destaque para os capítulos que contam como o Louvre conseguiu preservar o seu acervo durante a Segunda Guerra Mundial, em uma operação que transferiu a maioria de suas obras para lugares seguros e contou com a participação decisiva de inúmeros heróis anônimos.




A arte é esplendorosa, e fica ainda mais incrível devido ao formato da edição. Com 23 x 31,5 cm, 140 páginas, capa dura e papel couché, Guardiões do Louvre é o maior mangá já publicado no Brasil. O impacto de pegar a obra na mão transforma a leitura quase em uma experiência sensorial. As páginas ganham vida através do traço e das cores de Taniguchi, invariavelmente belas e repletas de detalhes. A fidelidade à arquitetura do Louvre e o realismo com que as obras apresentadas são retratadas são aspectos que demonstram não apenas o cuidado do autor com o seu trabalho, mas principalmente o amor pela arte que ele compartilha com os leitores.

Minha única crítica ao roteiro é a fragilidade do protagonista, que não possui um desenvolvimento mais profundo. Isso não me incomodaria se o mangá focasse apenas na exploração do rico universo artístico presente no Louvre, porém a história possui uma conclusão que coloca o protagonista em primeiro plano sem que isso tenha sido construído durante todo o seu desenvolvimento.

Apesar disso, Guardiões do Louvre é uma obra incrível e um título dono de uma beleza, tanto artística quanto lúdica, que impressionam. Mais um belo título que a Pipoca & Nanquim traz para o Brasil, e que soma ainda mais qualidade ao ótimo catálogo que a editora está construindo.



Gods & Punks adiciona peso e experimentos em novo EP

segunda-feira, maio 28, 2018

Ceremony of Damnation Pt.1 é o EP que sucede o elogiado disco de estreia, Into the Dunes of Doom (2017). Num curto intervalo entre os lançamentos, a Gods & Punks avança na proposta de experimentar sonoridades e apresenta neste novo registro três músicas que ampliam sua já marcante personalidade musical, agora transitando entre o stoner, o progressivo, o blues e pelo metal. O registro, que sai pela Abraxas Records nas plataformas de streaming, pode ser conferido aqui: https://ONErpm.lnk.to/GodsAndPunks

A arte gráfica do EP, que mantém o diálogo e a temática futurista dos demais álbuns do quinteto carioca, mais uma vez tem a assinatura de Cristiano Suarez, hoje um dos mais conceituados ilustradores do Brasil. 

"Welcome to the Ceremony", "Ground Zero" e "Blood Moon Sky" são mais longas e experimentais, ao mesmo tempo que se apresentam como as composições mais sólidas da Gods & Punks. Todas as passagens são milimetricamente bem construídas e conectadas com virtuosismo e punch. 

Estão previstos ainda para 2018 mais dois lançamentos: Ceremony of Damnation Pt.2 e o segundo álbum, que será a junção dos dois EPs e mais outras inéditas. 

"Welcome to the Ceremony” tem a mesma estética do lyric video para o single "Dunes of Doom", do disco de estreia lançado em 2017, no entanto, com uma pegada mais urbana. "Algo big city, o famoso retro-future, isto é, como as pessoas nas décadas passadas imaginavam o futuro", conta o vocalista Ale Canhetti, que também assina a produção e edição do vídeo - assista abaixo:

Novo disco do One True Reason celebra os 15 anos da banda paulista

segunda-feira, maio 28, 2018

Em ano emblemático, o quinteto hardcore One True Reason celebra 15 anos de carreira com o lançamento do seu terceiro álbum, Defiance, já disponível pelo selo Artico Music nas principais plataformas de streaming. Ouça aqui: https://ONErpm.lnk.to/OneTrueReason. Defiance também tem versão física, em CD, lançado pela Artico em parceria da Seven Eight Life Recordings e Crecer Records.

São 10 faixas que reafirmam a banda paulistana como uma das formações mais criativas do hardcore nacional. Em Defiance, o One True Reason acrescenta agressividade e algumas levadas heavy metal, no entanto, a essência mantém o vigor HC do álbum anterior, o elogiado The Art of Survival. Para quem busca referências, o trabalho do OTR é inspirado no hardcore estilo Nova York de bandas como Strife, Madball, Sick of it All e Terror.

Diego Gringo (vocal), Alexandre Bezerra (guitarra e vocal), Douglas Melchiades (guitarra), Guilherme Silveira (baixo) e André Giroti (bateria), a formação mais sólida e entrosada do OTR, trouxeram dois conhecidos e respeitados músicos do hardcore para este lançamento. "In this Hell" tem o canadense Andrew Neufeld (Comeback Kid) nos vocais, enquanto Pablo Menna, do Questions, outra instituição do hardcore nacional, toca guitarra em "R.I.P.".


"Partir pro Ataque" é a mensagem em Defiance, um contraponto aos gritos de resistência em The Art of Survival. “É sobre revidar, tomar postura mais agressiva contra toda a loucura que está tomando conta do mundo. Numa época em que querem calar a boca das pessoas na base da violência, é importante não baixar a cabeça e aproveitar a chance que temos de ter um microfone em mãos e se posicionar contra toda forma de opressão. Contra todo o preconceito e ódio. Contra todo o fascismo e tirania mascarados na sociedade moderna”.

"The Displaced", a música que abre o álbum, é um autêntico e pertinente manifesto hardcore que aborda a situação dos imigrantes e refugiados no mundo. “Critica como os muros e as linhas imaginárias acabam com a liberdade. E como a humanidade persiste no erro de se segregar pessoas apenas pelo lugar geográfico de onde elas vêm e não pelo que elas são”, explica o vocalista uruguaio radicado no Brasil há 17 anos.  

Uma das músicas mais pesadas de toda a carreira do One True Reason, “Endbringer", tem relação direta com os 15 anos da banda. “Fala sobre nós, a humanidade, sermos os arquitetos do nosso próprio extermínio. A medida que exploramos e acabamos com recursos naturais do nosso planeta apenas pela ganância”.

Defiance agora será lançado ao vivo no próximo domingo, 3 de junho, no Jai Club (Rua do Vergueiro, 2676 – Vila Mariana), em São Paulo. Para o evento, o One True Reason se apresentará ao lado das bandas convidadas Last Warning, Inherence, Santa Muerte e Direction. Ingressos já à venda por R$ 15 (mais R$ 2 de taxa): https://www.sympla.com.br/otr---show-de-lancamento-do-album-defiance-na-jai-club__296035

Discoteca Básica Bizz #089: Gene Vincent - Gene Vincent and The Blue Caps (1957)

segunda-feira, maio 28, 2018

Os fãs de rock and roll de todas as idades costumam se referir a Gene Vincent com hiperbólica admiração. Gene é apaixonante e sua identificação com o rock é tão forte que parece que se o rock não existisse ele o teria inventado. Isso não impediu que sua carreira fosse traumática, trágica e errática, nem que virasse um farrapo, morrendo aos 36 anos de idade em 1971, alcoólatra, desesperado e quase esquecido.

Sua boa fase foi entre 1956 e 1960, quando lançou nesse curto período dezesseis singles e seis LPs de pura dinamite, todos pelo selo Capitol. Seu melhor álbum - onde Gene atingiu seu pico - foi o segundo, chamado simplesmente Gene Vincent and The Blue Caps, editado no primeiro semestre de 1957. Na época, o rock and roll começava a ser assimilado pelas grandes companhias de discos, instigadas pelo enorme sucesso de Elvis na RCA, mas ainda não sabiam lidar com o produto. Ken Nelson, produtor de Vincent e grande profissional, acreditava poder dirigi-lo como a um Sinatra ou a um Nat King Cole. Mas no segundo álbum, Gene e os Blue Caps pareciam desgarrados do controle do produtor e cometeram um disco com fogo e energia bruta.


Gene, com sua gangue, gravou o álbum inteiro ao vivo - direto e sem playbacks - num estúdio em Nashville, no espaço de três dias, em outubro de 1956. Foi a última sessão com os Blue Caps originais: Cliff Gallup, Willie Williams (guitarras), Dick Harrell (bateria) e Jack Neal (baixo). Os técnicos de som enlouqueceram com as dificuldades para gravar aquela música selvagem ao vivo. Foi o primeiro álbum de rock tocado inteiramente com instrumentos eletrificados no formato baixo, guitarra-base, guitarra-solo, mais a bateria convencional tocada aos berros por Dick Harrell. E nenhum sax, piano ou coro de vozes para atrapalhar. Aparentemente, a banda teve liberdade também na escolha do repertório, fugindo da síndrome "two hits, ten fillers" (dois sucessos e outras dez faixas para encher linguiça) que assolou o mercado de LPs até meados dos anos 1960.

As canções "lentas" como "Unchained Melody", "Blues Stay Way From Me" e "I Sure Miss You" estavam perfeitamente adequadas à voz calorosa de Vincent, que também era um excelente cantor de baladas. As outras faixas, rocks como "Red Blue Jeans and a Pony Tail", "Cat Man", "You Better Believe" e "Pink Thunderbird”, tem na maioria a autoria de Gene ou dos Blue Caps. 

Mais um ano e os pesadelos começariam a assombrar a vida de Vincent. A mídia, voltada para os anseios da classe média próspera, achou que não existia lugar para um rocker lascivo, classe operária, com uma perna aleijada e cabelos ensebados. Gene ficaria sozinho com seu orgulho e arrogância, brigando contra o sistema. E perdeu.

Texto escrito por René Ferri e publicado na Bizz #089, de dezembro de 1992

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