Review: Paradise Lost – Obsidian (2020)


Produzido pela própria banda e lançado pela Nuclear Blast, o décimo-sexto trabalho de estúdio do Paradise Lost é o segundo gravado pela atual formação e consolida a volta às origens do quinteto inglês surgido em Halifax. São músicas polidas e obscuras, assim como a obsidiana, uma pedra com aparência semelhante a de um cristal e que também é chamada de vidro preto, cuja formação se dá pelo resfriamento precoce do magma de um vulcão. Em Obsidian, os mestres do doom metal transformam a negatividade em algo agradabilíssimo de ser ouvido.

 

No fim da década de 1990, a banda abordou uma sonoridade mais comercial e com vocais limpos, adicionando elementos de eletrônico que ajudaram a alavancar sua fama ao redor do mundo. No entanto, desde The Plague Within (2015) o grupo vem novamente inserindo de maneira gradativa os vocais guturais em sua sonoridade. Em Medusa (2017) isso foi apresentado de maneira ainda mais saliente que o antecessor, mas nesse novo registro essa técnica retornou com força máxima, abrangendo quase que a totalidade das linhas vocais nos cinquenta e seis minutos de duração do álbum. Desde Gothic (1991) que Nick Holmes não cantava de maneira tão melancólica e arrastada, parecendo um homem cansado e abandonado e que caminha colocando um pé na frente do outro, recusando-se a desistir.

 

O disco abre com os arpejos lindos ao violão da introdução de “Darker Thougths”, onde Nick canta: "Com a paz interior acabada, você reza / Todos esses pensamentos sombrios estão voltando para ficar”. Parece bem adequado para o momento em que vivemos, onde lutamos dia após dia contra um inimigo invisível e ao mesmo tempo tentamos nos manter com a mente sã. Essa faixa, juntamente com “Fall From Grace” e “Ghosts” (que traz na letra um recado para um alvo definido - “for Jesus Christ” - e vai direto ao ponto sem rodeios, em vez de tornar a mensagem interpretativa para o ouvinte) formam uma trinca matadora já logo de cara, sendo essa última forte candidata a clássico.

 

Composta por um riff arrastado tocado por Aaron Aedy que é coberto por dedilhados elegantes de Greg Mackintosh e com vocais limpos durante o início mas que explodem em agressividade do meio para o fim, “The Devil Embraced” tem todos os elementos góticos que a banda tanto gosta. Outro grande momento em Obsidian é “Ending Days”, com sua linha de violino fazendo uma ótima cama sonora durante o refrão e tornando essa faixa mais viciante a cada nova audição. O trabalho do baterista Waltteri Väyrynen nessa música é bastante interessante, demonstrando estar bem mais entrosado com os outros quatro integrantes nesse novo trabalho. “Forsaken” tem andamento mais acelerado e "Hope Dies Young" não traz nada de empolgante ou atraente. Já “Serenity” traz o baixo de Steve Edmondson distorcido e soando em destaque.

 

No Paradise Lost nenhum músico é extremamente técnico, mas todos são competentíssimos. Com as melodias viciadas da dupla de guitarras e piano e cordas aprimorando as composições, Obsidian é mais um dos picos da carreira da banda, assim como Gothic e Draconian Times também o foram. É difícil manter-se atualizado e relevante com mais de trinta anos de carreira e dezesseis álbuns, mas o Paradise Lost continua impressionando enquanto segue sua jornada.

 

Por Diego Colombo


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