Biblioteca Michael Moorcock: Elric – O Campeão Eterno: as adaptações históricas reunidas pela Pipoca & Nanquim (2026, Pipoca & Nanquim)
Dentro da proposta da Pipoca & Nanquim de resgatar clássicos da fantasia em quadrinhos, a Biblioteca Michael Moorcock: Elric – O Campeão Eterno ocupa posição de destaque ao reunir duas adaptações históricas do universo criado por Michael Moorcock. O volume funciona não apenas como porta de entrada para o albino de Melniboné, mas também como documento da evolução estética das HQs de fantasia na Europa.
A primeira história, Elric: O Retorno a Melniboné, com arte de Philippe Druillet, foi publicada originalmente em 1973 na revista Pilote e depois em álbum pela Dargaud. Trata-se de uma das primeiras transposições do personagem para os quadrinhos. Druillet, conhecido por sua inventividade visual, oferece uma leitura marcadamente autoral: Melniboné surge monumental, barroca e opressiva, enquanto Elric é retratado como figura trágica diluída em cenários grandiosos. A narrativa privilegia a atmosfera e o impacto visual, condensando eventos do ciclo literário em favor de uma experiência sensorial intensa.
Já a segunda adaptação, Stormbringer, ilustrada por James Cawthorn, apresenta abordagem distinta. Publicada originalmente em 1976, adapta o arco final da saga literária, enfatizando ação, confronto e o peso do destino. A jornada de Elric pelo Reino do Caos, enfrentando entidades cósmicas enquanto tenta salvar Zarozinia, reforça o caráter fatalista do personagem e o conceito do Campeão Eterno. O traço de Cawthorn é mais direto e narrativo, aproximando-se da tradição britânica de fantasia ilustrada.
Reunidas no mesmo volume, as duas histórias evidenciam como Elric atravessou fronteiras estéticas e editoriais. De um lado, o experimentalismo gráfico europeu, e de outro a adaptação mais fiel ao espírito pulp da espada e feitiçaria.
A edição da Pipoca & Nanquim valoriza esse encontro histórico em formato capa dura europeu, com 72 páginas em papel couchê. Para leitores interessados tanto na trajetória do personagem quanto na história das HQs de fantasia, trata-se de leitura muito recomendada que mostra como o anti-herói albino moldou e foi moldado por diferentes escolas artísticas.



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