Innocence Is No Excuse (1985) representa um dos momentos mais debatidos da discografia do Saxon. Chegando ao mercado em um período de mudanças significativas dentro do heavy metal, o trabalho marcou a estreia da banda pela EMI e também simbolizou o encerramento de um ciclo, sendo o último álbum com o baixista original Steve Dawson. Mais do que uma simples troca de gravadora ou formação, o disco evidencia a tentativa do grupo britânico de dialogar com um cenário musical cada vez mais dominado pelo hard rock melódico e pelo metal de apelo radiofônico dos anos 1980.
Desde os primeiros acordes, fica claro que o Saxon buscou um refinamento sonoro. A produção é mais polida, com guitarras limpas, vocais bastante trabalhados e um direcionamento que aproxima a banda do mercado norte-americano. Esse cuidado técnico, por um lado, trouxe maior acessibilidade às composições, mas, por outro, gerou divisão entre os fãs que acompanhavam a banda desde os tempos mais crus da New Wave of British Heavy Metal.
O álbum aposta em refrões marcantes e estruturas diretas. Faixas como “Back on the Streets” e “Rock ‘n’ Roll Gypsy” traduzem bem essa proposta, equilibrando peso moderado e forte apelo melódico. Já “Everybody Up” reforça o caráter festivo e acessível que permeia boa parte do repertório. Entretanto, é em "Broken Heroes" que o disco atinge seu momento mais emocional. A canção, construída como uma balada carregada de atmosfera, apresenta uma das interpretações vocais mais expressivas de Biff Byford e é um dos grandes destaques do trabalho.
Embora apresente composições sólidas, Innocence Is No Excuse frequentemente é lembrado como um álbum de transição. Há um evidente esforço em modernizar o som do Saxon sem romper totalmente com suas raízes metálicas. Em diversos momentos, o grupo consegue equilibrar esses dois polos, entregando riffs consistentes e arranjos que preservam a identidade da banda. Em outros, porém, a produção mais brilhante e a abordagem propositalmente mais comercial soam excessivamente alinhadas às tendências da época.
Dentro da trajetória do Saxon, o disco ocupa uma posição curiosa. Não carrega o peso histórico dos clássicos do início da década de 1980, mas também está longe de ser um trabalho menor. Trata-se de um registro que demonstra uma banda experiente tentando se adaptar a um mercado em transformação, explorando novas possibilidades sonoras sem abandonar completamente suas características fundamentais.
Mais de quatro décadas após o lançamento, Innocence Is No Excuse permanece como uma obra que provoca debates entre fãs e críticos. Ao mesmo tempo em que evidencia concessões estilísticas, também revela um grupo capaz de criar músicas memoráveis e emocionalmente eficazes, reforçando a relevância do Saxon dentro da história do heavy metal.
O álbum nunca havia sido lançado em CD no Brasil, o que foi corrigido em 2026 pela Wikimetal/BMG em uma edição em slipcase com sete faixas bônus.
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