Oitavo álbum de estúdio do Saxon, Rock the Nations (1986) consolidou a guinada iniciada em Innocence Is No Excuse (1985), aprofundando a aproximação com o hard rock de apelo mais comercial e com elementos de AOR, movimento que dividiu fãs e crítica.
Produzido por Gary Lyons e lançado pela EMI, o disco traz curiosidades reveladoras: embora Paul Johnson apareça creditado como baixista, as linhas foram gravadas por Biff Byford. Outro detalhe marcante é a participação de Elton John, que toca piano em “Party ’Til You Puke” e “Northern Lady”, ampliando ainda mais o espectro sonoro da banda.
Rock the Nations alterna vigor e polimento. A faixa-título, “Battle Cry” e “We Came Here to Rock” preservam riffs diretos e refrãos fortes, mantendo conexão com o passado metálico do grupo. Já “Waiting for The Night” é claramente uma tentativa de a banda soar mais radiofônica, com refrão amplo e produção calculada para dialogar com o mercado norte-americano. No entanto, a música possui uma qualidade inquestionável: é bem construída, envolvente e evidencia o talento melódico do grupo.
Essa percepção pode ser estendida ao restante do disco. Mesmo com a mudança proposital de sonoridade, afastando-se do metal clássico britânico da New Wave of British Heavy Metal e aproximando-se do hard rock norte-americano, o Saxon executa essa transição com competência e personalidade. Há um cuidado evidente nas melodias, nos arranjos e na performance vocal de Byford, que sustenta o álbum com carisma e força.
A recepção foi, e ainda é, dividida. Parte da crítica apontou concessões comerciais e certa irregularidade, enquanto outros enxergam um trabalho injustamente subestimado. O fato é que Rock the Nations soa bastante agradável aos ouvidos, especialmente quando apreciado sem a expectativa de repetir fórmulas do início da década.
Dentro da discografia do Saxon, o álbum talvez não tenha o peso histórico de seus clássicos mais celebrados, mas permanece como retrato honesto de um período de transformação. Ao mirar o hard rock americano o Saxon não abandonou seu talento, apenas o direcionou para uma estética diferente, mostrando versatilidade em meio às mudanças do cenário oitentista.
O álbum permanecia inédito em CD no Brasil, e teve a sua primeira edição no formato apenas em 2026 pela Wikimetal/BMG em uma edição em slipcase com cinco músicas bônus.


Comentários
Postar um comentário
Você pode, e deve, manifestar a sua opinião nos comentários. O debate com os leitores, a troca de ideias entre quem escreve e lê, é que torna o nosso trabalho gratificante e recompensador. Porém, assim como respeitamos opiniões diferentes, é vital que você respeite os pensamentos diferentes dos seus.