Após oito anos sem material inédito desde Storm the Gates (2018), a expectativa em torno do novo álbum do Venom não gira em torno de reinvenção, mas sim de mostrar que a banda segue viva e relevante. Into Oblivion (2026), décimo sexto disco de estúdio do trio liderado por Cronos, entende perfeitamente isso e transforma sua maior limitação em virtude: soa exatamente como Venom deve soar.
Desde a abertura com “Into Oblivion”, o álbum deixa claro o seu caminho. Riffs cortantes, andamento acelerado e a aura suja que sempre definiu a banda aparecem sem filtros. Na sequência, “Lay Down Your Soul” reforça a veia metal punk que sempre esteve presente no DNA do grupo, com levada direta e espírito quase caótico.
Ao longo de cerca de 40 minutos, o disco evita excessos. “Death the Leveller” carrega um peso clássico que remete aos anos 1980, enquanto “Dogs of War” desacelera o andamento e traz uma atmosfera mais arrastada e ameaçadora. Já “As Above, So Below” se destaca pela construção mais longa e climática, funcionando como um dos momentos mais interessantes do trabalho. O fechamento com “Unholy Mother” aponta discretamente para territórios mais sombrios, quase flertando com uma abordagem mais atmosférica, sem abandonar o peso característico. É nesse equilíbrio entre agressividade direta e pequenas variações de clima que Into Oblivion encontra sua força.
A produção é mais limpa do que nos primórdios, mas ainda preserva a aspereza necessária. Não há polimento excessivo: tudo soa cru o suficiente para manter a identidade intacta, mas audível o bastante para dialogar com padrões contemporâneos.
Se existe uma crítica possível, está na relativa uniformidade entre algumas faixas. Em certos momentos, o disco parece confortável demais em sua própria fórmula. Mas essa mesma previsibilidade também é parte do seu charme, afinal o Venom nunca foi sobre sofisticação, e sim sobre a força de uma música pesada, blasfema e polêmica.
Into Oblivion funciona como uma reafirmação. Não há tentativa de modernização forçada ou artifícios do tipo. O que existe é uma banda veterana entregando um trabalho honesto, energético e fiel à sua essência. E isso, no universo do metal extremo, ainda é mais valioso do que qualquer reinvenção.

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