Formado por três músicos com carreiras sólidas e identidades muito bem definidas, o The Winery Dogs chegou ao seu álbum de estreia em 2013 cercado de expectativas e, surpreendentemente, conseguiu superá-las com naturalidade. Longe de soar como um projeto de egos inflados, o disco homônimo é um exercício de foco, química e, acima de tudo, composição.
Desde a abertura com “Elevate”, fica claro que a proposta é trabalhar dentro das bases do hard rock, mas com uma personalidade único. O riff é direto, a levada é forte e a melodia gruda com facilidade. “Desire” segue por um caminho mais grooveado, explorando uma pegada blues que remete ao rock setentista, enquanto “We Are One” aposta em uma construção mais melódica, com refrão expansivo e clima quase épico.
Um dos grandes trunfos do disco está no equilíbrio entre técnica e acessibilidade. Músicos como Richie Kotzen, Billy Sheehan e Mike Portnoy não precisam provar mais nada em termos de habilidade, e isso joga a favor do álbum. Em vez de transformar cada faixa em uma vitrine de virtuosismo, o trio opta por servir às canções, e é justamente isso que faz a diferença.
“I’m No Angel” é talvez o melhor exemplo desse direcionamento mais direto e radiofônico, com uma estrutura simples e eficiente, enquanto “The Other Side” desacelera o ritmo e aposta em nuances mais emotivas. Já “Six Feet Deeper” e “Time Machine” trazem à tona o lado mais pesado e técnico do grupo, sem perder o senso de dinâmica.
A sonoridade do disco bebe claramente da fonte de nomes como Led Zeppelin e Cream, mas sem soar como mera homenagem. Há uma tentativa real de atualizar essa estética, seja na produção mais limpa, seja na forma como as músicas são estruturadas. E o resultado final é excelente.
O disco funciona porque entende exatamente o que quer ser. É um álbum de hard rock clássico com acabamento moderno, feito por músicos experientes que sabem a hora de brilhar e, principalmente, a hora de recuar. Pode não ser revolucionário, mas é extremamente eficiente. E, em um cenário onde tantos supergrupos fracassaram, isso já diz muita coisa.


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