Top Collectors Room 2013: os melhores do ano na opinião de Luiz Mazetto, do Intervalo Banger

Quando se fala em heavy metal e sons mais extremos, o Intervalo Banger é, com sobras, um dos sites mais legais - e divertidos - do Brasil. No ar já há alguns anos, tem uma linha editorial que foge totalmente da mesmice e tradicionalismo das revistas, sites e blogs dedicados ao metal que temos em nosso país, e faz tudo isso com grande conhecimento de causa e uma linguagem única.

Luiz Mazetto é um dos cabeças do IB, e traz todo esse diferencial participando do nosso Top 2013. Veja abaixo quais foram os melhores álbuns do ano na opinião do Mazetto:


Coliseum - Sister Faith
 

Gosto quando as bandas conseguem se reinventar sem perder a identidade. E mais ainda quando elas ficam melhores do que costumavam ser, algo quase impossível, digamos. Mas foi exatamente isso que o Coliseum conseguiu nesse disco. Depois de começar como uma banda com um som mais pesado, que virou um crust/metal em No Salvation (2207), Ryan Patterson, “dono” da banda, resolveu mudar tudo no disco seguinte, House With a Curse (2010), e agora chegou no seu ápice, com fortes influências de Fugazi e uma pegada mais melódica. Apenas escute!

All Pigs Must Die – Nothing Violates This Nature
 

Foi muito difícil escolher qual seria o melhor disco do ano. Porque apesar de ter gostado (e ouvido) muito o Coliseum, o All Pigs Must Die evoluiu demais e entregou provavelmente a maior pedrada do ano nessa lindeza produzida por adivinha quem ...Mas o Kurt Ballou não é o único nome do Converge envolvido aqui, já que o batera Ben Koller também quebra tudo nesse disco, que está com uma pegada mais death metal.

Pelican – Forever Becoming
 

Fazia muito tempo que um disco do Pelican não me fazia ter vontade de passar da primeira música. Nesse já me fizeram escutar logo o álbum todo umas dez vezes na semana de tão inspirados que estavam. A saída do guitarrista Laurent Schroeder, que estava na banda desde o início, acabou sendo boa para os caras, já que deu um novo sopro de vida para o som. Tem tudo que você quer do Pelican num disco: riffs altamente inspirados e pesados do início ao fim, sem firulas ou chatices de bandas que acham que música instrumental só pode ser feita com pirulitagem o tempo todo.

Clutch – Earth Rocker
 

Não que os últimos discos do Clutch não estivessem pesados, longe disso. Mas os caras voltaram a pesar a mão pra fazer esse álbum novo, talvez em parte pela volta do produtor Machine, que também esteve à frente do já clássico Blast Tyrant, de 2004. Tem até uma música acústica lindona, no melhor estilo Kyuss.

Nails – Abandon All Life
 

Briga muito de perto com o All Pigs Must Die e o Rotten Sound pelo posto de “disco mais feio do ano”, daqueles que dá vontade de sair quebrando tudo quando começa a tocar. É o melhor trampo dos caras, que desde 2007 fazem essa massa sonora que mistura Unsane, death metal e Cro-Mags, entre outras lindezas, da melhor maneira possível. Um dos melhores discos de 2013 e um dos melhores shows que já vi.

Lee Ranaldo and The Dust – Last Night on Earth
 

Cada vez mais acho que o Sonic Youth fez a melhor coisa em acabar, já que eles não estavam mais tão inspirados como banda e liberaram o Thurstoon Moore e o Lee Ranaldo para se concentrarem nas suas carreiras solos. Depois do ótimo Between the Times and the Tides, o cara volta a fazer bonito nesse novo disco, que ainda com o Steve Shelley, também do Sonic Youth, na bateria.

Rotten Sound – Species at War (EP)
 

Disco mais curto da lista, com apenas 8 minutos espalhados em seis músicas, que parecem a trilha perfeita para o fim do mundo. Os caras aplicam a “fórmula” já consagrada desde Cycles (2008), mas de uma forma ainda mais intensa, já que as músicas são mais curtas, no geral, e, acredite se quiser, ainda mais agressivas. Disco de grind do ano, fácil.

Beastmilk - Climax
 

Ótima surpresa que ouvi esse ano. Conhecia bem pouco da banda, e o que tinha ouvido não tinha me chamado muito a atenção. Mesmo estando longe de ser a coisa mais original do mundo, é sempre bom ouvir uma banda que sabe fazer com propriedade um som na melhor vibe do Joy Division e The Cure, mas com uma pegada mais pesada, muito em parte pela produção do já citado Kurt Ballou.

Doomriders – Grand Blood
 

A espera realmente valeu a pena. Cerca de quatro anos depois do lindão Darkness Come Alive, o quarteto liderado pelo Nate Newton, do Converge, soltou o disco mais pesado e “feio” da sua carreira sempre calcada numa mistura de stoner, sludge e hardcore. Destaque para a faixa “Bad Vibes” e para a produção sempre acima da média do Kurt Ballou (Converge) no estúdio God City.

Mark Lanegan – Imitations
 

Discos de covers dificilmente me agradam (aliás, acho que ninguém gosta muito), com algumas poucas exceções, mas o Mark Lanegan não costuma errar e dessa vez ele acertou em cheio. A voz rouca e cheia do cara, que já esteve no Screaming Trees, QOTSA e Mad Season, canta aqui as músicas tristes favoritas dele. Tem desde Chelsea Wolfe até Frank Sinatra.

Comentários

  1. Adorei essa lista. Saiu do óbvio e já descobri um monte de banda legal.

    Já estou fazaço do BeastMilk

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  2. Mark Lanegan é um cara muito talentoso além de ser um ótimo vocalista. O Clutch fez um disco excelente e com toda certeza é mais um na minha lista dos melhores do ano.

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  3. Estou ouvindo partes de Beastmilk - Climax. Acho que vou gostar muito. Não conheço a banda.

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  4. Uma lista que eu não ouvi nenhum disco..hehehe.

    Fiquei interessado no trabalho do Lee Ranaldo, que nunca ouvi nada fora do SY.

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  5. Só conheço o Clutch dessa lista. Ele ficaria na minha lista de 15...

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  6. Meio off topic, mas como ele apareceu várias vezes no post...
    O Baroness tem postado no facebook fotos em estúdio, nada confirmado, e numa delas apareceu o Kurt Ballou, será que vem uma parceria por ai, visto que eles são bem próximos?
    O próprio John Baizley disse em uma entrevista que fica admirado com a energia do Converge e sempre quis fazer algo igual/parecido...
    Se acontecer essa parceria, teremos ai ano que vem um disco para recordar hahaha

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  7. Putz, só escutei Clutch, Lee Ranaldo e Mark Lanegan.
    Lista que eu mais aprendi. 1000 coisas que nunca ouvi falar e que são boas: tu joga os nomes no youtube e curte. Num é tipo aquelas coisas da NME. Tsc, tsc.
    Mano, eu fui pra uma ponta da música e tu pra outra ... obrigado por contar a história aí da sua ponta. Aprendendo muito aqui sobre 2013.

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  8. Não conheço nenhum álbum da lista, mas gostei dela justamente pelo inusitado! E bota inusitado nisso.

    Também me interessei pelo Beastmilk.

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Desculpem pelo post triplo. Erro meu. Enfim... Clutch, Doomriders e Nails. Nada a ver comigo. Conhecendo mais a lista, posso dizer que sou indiferente, apesar de ter gostado de Beastmilk. Pra encontrar álbuns novos, prefiro llstas carregadas de Indie.

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  12. E Mark Lanegan, que eu acabei de tentar, é dos que me colocam pra dormir. Essa lista não está sendo boa comigo...

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  13. Amei a lista, por eu não conhecer praticamente nada de nenhum dos músicos!! A melhor surpresa com certeza foi o Beastmilk!

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  14. Pertinho de terminar o ano, o ALL PIGS MUST DIE conquistou lugar no meu top 10. Fodões!

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  15. Muito boa a lista! Não ouvi nenhum dos discos citados. Tô indo atrás agora mesmo.

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