Review: Generation Axe – The Guitars That Destroyed the World (2019)


O sucesso do G3, projeto criado por Joe Satriani com o objetivo de reunir grandes guitarristas em turnês conjuntas, moldou a forma como a música instrumental dentro do rock passou a ser apresentada para o público. A primeira tour aconteceu em 1996 e trouxe Satriani ao lado de Steve Vai e Eric Johnson, rendendo um CD e um DVD excelentes. A iniciativa segue na ativa até hoje.

Fazendo um pouco de exercício, podemos olhar mais para trás e identificar a ideia do G3 em outro projeto. No início dos anos 1980 os guitarristas Al Di Meola, Paco de Lucía e John McLaughlin, três dos maiores nomes do jazz e do fusion no período, reuniram forças em um álbum ao vivo chamado Friday Night in San Francisco (1981), parceria essa que seria retomada em The Guitar Trio, disco lançado no mesmo ano de 1996 em que o G3 veio ao mundo.

Pois bem. O Generation Axe é o G3 de Steve Vai. O guitarrista chamou Zakk Wylde, Yngwie Malmsteen, Nuno Bettencourt e Tosin Abasi para uma turnê nos mesmos moldes daquela que fez com Satriani e Johnson. Ou seja: performances conjuntas e momentos em que apenas um instrumentista fica no palco mostrando o seu trabalho. Como todo mundo já conhece Zakk, Malmsteen e Nuno, vale uma breve apresentação sobre Abasi. O guitarrista nigeriano faz parte do Animal as Leaders, um dos principais nomes do prog metal norte-americano, mas que não é muito comentado aqui no Brasil. Seu trabalho é espetacular e ele possui uma técnica de cair o queixo, como todos os envolvidos no projeto. O trio Nick Marinovich (teclado), Pete Griffin (baixo) e Matt Garstka (bateria) forma a banda de apoio.

O disco traz onze músicas gravadas durante a passagem do projeto pela China em 2017. Musicalmente temos momentos de fusions desconcertantes, técnica pura em algumas músicas, fritação em outras e algumas versões para clássicos de outras bandas (Zakk Wylde manda “Whipping Post” da Allman Brothers Band e o quinteto executa de maneira conjunta “Highway Star”, do Deep Purple, e “Frankenstein”, do Edgar Winter Group).

Os destaques ficam por conta de “Tempting Time” com Tosin Abasi, “A Side of Mash” com Nune Bettencourt, “Frankenstein” e para a participação de Yngwie Malmsteen com um medley com clássicos de sua carreira e uma versão para a icônica “Black Star”. Aqui, vale uma conclusão: apesar de Malmsteen estar bastante perdido em sua carreira solo nos últimos anos – Blue Lightning, álbum de blues que o sueco lançou este ano, é um dos seus piores discos -, ao vivo Yngwie ainda é uma lenda e mostra o porque no Generation Axe. Tanto a performance primorosa quanto a aclamação do público ratificam isso.

Se você, assim como eu, é um fã de música instrumental, vai curtir muito esse registro ao vivo do Generation Axe.

Lançamento nacional da Shinigami Records.

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