Review: Pain of Salvation – Panther (2020)


O Pain of Salvation é sinônimo de qualidade e evolução. Desde o início a banda deu passos para a frente em cada álbum, alterando seu som às vezes com pequenas variações e em outras chocando os ouvintes com mudanças massivas.

O último disco dos suecos, In the Passing Light of Day (2017), foi considerado por muitos como uma espécie de volta às raízes, com uma sonoridade mais alinhada ao metal progressivo canônico do grupo. Já em Panther ocorre mais uma mudança de rumo, com um disco que é ao mesmo tempo sombrio, agressivo, intimista, sofisticado, técnico, delicado, moderno, ambicioso e temperamental. Art rock em sua essência – ou, se preferir, pode chamar de art metal.

Panther é um trabalho que entrega melodias fortemente emotivas adornadas por ritmos e arranjos que causam estranheza em alguns momentos, mas quando são assimilados por quem é fã de metal progressivo levam a inevitáveis “uaus”. Um disco que traz sons futuristas e tendências modernas e se conecta ao universo de nomes diversos como Devin Towsend, Haken e outras referências do prog contemporâneo.

Os destaques vão para o líder Daniel Gildenlöw, coração e alma do Pain of Salvation, um compositor singular e um intérprete visceral, que explora uma gama enorme de sentimentos em cada canção. E também para o baterista Léo Margarit, um dos nomes mais subestimados do instrumento e que aqui é o responsável, em grande parte, não só pelo poderio percussivo sempre presente nos discos da banda mas também pelo próprio dinamismo do álbum. Assinaturas de tempo complexas, criativas e totalmente incomuns tornam o trabalho de bateria absolutamente deslumbrante.

O Pain of Salvation é uma banda pródiga em entregar obras-primas para os fãs. E Panther mantém o nível surreal de In the Passing Light of Day e também dos já clássicos The Perfect Element I (2000), Remedy Lane (2002) e Be (2004). A maturidade, a personalidade única e a autoconsciência gigantesca de Daniel Gildenlöw e seus colegas pode facilmente ser confundida com pretensão, mas na realidade são demonstrações explícitas de um talento brilhante.

Espetacular, mais uma vez!

 


Comentários

  1. Pode incluir este álbum nos grandes lançamentos de 2020. Discaço!

    ResponderExcluir
  2. Os destaques foram certeiros, até pq os outros membros praticamente não fizeram nada. Segundo notas do encarte, Daniel tocou todos os instrumentos, inclusive bateria em Unfuture. Léo tocou bateria nas outras. Johan gravou o solo final de Icon (e nada mais) e o outro Daniel não gravou nada. rs

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Você pode, e deve, manifestar a sua opinião nos comentários. O debate com os leitores, a troca de ideias entre quem escreve e lê, é que torna o nosso trabalho gratificante e recompensador. Porém, assim como respeitamos opiniões diferentes, é vital que você respeite os pensamentos diferentes dos seus.