Review: Heaven and Hell – The Devil You Know (2009)


The Devil You Know
é um dos discos menos comentados da discografia do Black Sabbath. Sim, do Black Sabbath, apesar de o álbum ter sido lançado pelo Heaven and Hell. Isso se deu por uma razão muito simples: como o Sabbath com Ozzy também estava fazendo shows no mesmo período – a segunda metade da década de 2000 -, Tony Iommi decidiu batizar a reunião com Ronnie James Dio com o nome do LP que marcou a estreia do falecido vocalista na banda, lançado em 1980. A razão era que os shows do Heaven and Hell não contavam com canções presentes nos discos gravados com Ozzy, e isso facilitaria os fãs na hora de escolher  que assistir.

Aclamada pelos fãs, a fase Dio no Black Sabbath deu ao mundo os clássicos Heaven and Hell (1980) e Mob Rules (1981), além do ao vivo Live Evil (1982), em um primeiro período. O vocalista deixou o grupo em 1982 e retornou em 1991, e esse retorno gerou mais um disco, Dehumanizer (1992). 

O Heaven and Hell teve origem na compilação The Dio Years, lançada em 2007 e que levou Dio, Iommi, Geezer Butler e Vinny Appice para gravar três novas canções: “The Devil Cried”, “Shadow of the Wind” e “Ear in the Wall”. O quarteto saiu em turnê para promover a coletânea, aparou as diferenças, coloco no mercado o excelente ao vivo Live From Radio City  Music Hall (lançado em 2007 em CD e DVD) e decidiu gravar um álbum completo. O resultado é The Devil You Know, que chegou às lojas em 28 de abril de 2009 e foi o último disco gravado por Ronnie James Dio em sua vida. Produzido por Ronnie, Tony e Geezer, traz dez canções inéditas e ganhou uma edição japonesa com as três músicas da compilação The Dio Years como bônus.

Musicalmente, The Devil You Know é um dos trabalhos mais maduros e densos do Black Sabbath – ou Heaven and Hell, você decide como chamar. As composições trazem um ar austero e adulto, com andamentos arrastados, muito peso e interpretações vocais do mais alto nível. A coleção de faixas impressiona, com canções excelentes do começo ao fim. “Atom and Evil” abre o play com um doom clássico, enquanto “Fear” remete ao álbum Mob Rules. Na sequência vem a grande música do disco, “Bible Black”, uma das melhores canções gravadas pelos quatro integrantes da banda em suas longas carreiras. Espetacular em todos os sentidos e que, com a morte de Dio em maio de 2010, acabou esquecida nos tracklists do Black Sabbath. Outros pontos de alegria para os fãs de heavy metal estão em “Double the Pain”, “Rock and Roll Angel”, “The Turn of the Screw” (agora levando de volta ao clima do disco Heaven and Hell), a ótima e totalmente ignorada “Follow the Tears” e o encerramento com a profética “Breaking Into Heaven”.

Em termos individuais, as performances se equivalem. Ronnie James Dio deixou, mesmo que de maneira inconsciente, uma despedida musical incrível, cantando com a classe de sempre e tendo canções ótimas para entregar o seu vocal único. Tony Iommi despeja riffs pesadíssimos e de grande inspiração, explorando uma variedade maior de caminhos do que costuma fazer quando compõe material para a voz de Ozzy Osbourne. Aliás, essa sempre foi uma das principais características da parceria entre Dio e Iommi: a possibilidade do guitarrista enriquecer a sua música com alternativas harmônicas e melodias com a certeza de que seu vocalista seria capaz não apenas de cantá-las, mas de torná-las ainda mais fortes. O baixo de Geezer Butler está muito evidente, soando como nunca soou em um disco do Black Sabbath e mostrando o quanto ele é tão fundamental para a identidade da banda como a guitarra de Tony. E Vinny Appice desce a sua mão pesada na bateria como de costume.

A banda ainda lançaria, de maneira póstuma, o ao vivo Neon Nights: 30 Years of Heaven and Hell em CD e DVD em novembro de 2010, disponibilizado seis meses após a morte de Dio e que traz a íntegra do show realizado pelo grupo no Wacken Open Air de 2009.

The Devil You Know é um dos melhores discos da longa carreira do Black Sabbath, e também o único registro em estúdio do Heaven and Hell. Um trabalho pouco falado, porém fundamental em qualquer coleção de metal que se preze.


Comentários

  1. Acho que esse álbum merece uma remasterização que dê mais destaque à bateria. Acho que ela ficou muito baixa em comparação aos outros instrumentos. Mas é um dos grandes do Sabbath, sem dúvidas.

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    1. Luiz, vou ouvir o disco e prestar atenção nisso que falou. Não tinha percebido dessa forma. Abraço

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