Review: The Pretty Reckless – Death by Rock and Roll (2021)


O The Pretty Reckless tem uma história interessante. A banda surgiu em 2009 tendo a vocalista Taylor Momsen como figura central. Até aí tudo bem, com exceção de um pequeno detalhe: ex-modelo e atriz, Taylor ficou conhecida em todo o mundo ao interpretar a personagem Jenny Humphrey em Gossip Girls, uma das séries mais populares entre o final dos anos 2000 e o início da década de 2010.

Superando a desconfiança inicial do público, o The Pretty Reckless construiu uma carreira excelente e que chega a um novo nível com Death by Rock and Roll, quarto disco do grupo. O som segue a mesma pegada dos trabalhos anteriores – um hard rock pesado calcado em ótimos riffs e na voz de Taylor -, mas aqui ganha um clima mais sombrio, talvez reflexo da pandemia que ainda vivemos. As doze faixas formam um tracklist sólido e que traz participações especiais da dupla do Soundgarden Kim Thayil e Matt Cameron (também baterista do Pearl Jam) em “Only Love Can Save Me Now”, e de Tom Morello em “And So I Went”.

Musicalmente, o disco se equilibra sobre uma muralha de influências que vão do hard rock ao grunge, passando por rock alternativo e até mesmo southern rock pelo caminho. Os riffs de Ben Philips trazem uma influência clara de Soundgarden e Alice in Chains, com timbres pesados e bases que formam a espinha dorsal do som do quarteto. O outro ponto fundamental é a voz de Taylor Momsen, com um timbre rouco e grave, mas que sabe ser doce quando necessário. As interpretações de Momsen são um destaque à parte, com a vocalista explorando as diferentes nuances de sua voz e todo o seu alcance vocal. Que cantora!

Muito bem feito, Death by Rock and Roll é um disco redondo e que tem como grandes destaques canções como a faixa-título, a balada “25” (com ecos de Concrete Blonde), a ótima “My Bones” (com uma performance irretocável de Taylor) e a pitada country muito bem encaixada em “Rock and Roll Heaven”, além das já citadas canções com os convidados especiais. O excesso de sacarose de faixas como “Got So High” e “Standing at the Wall” incomoda um pouco, mas é compensado pela  excelência com que a banda mostra o seu melhor lado, que aparece nas canções mais pesadas e agressivas, mas que mantém um apelo acessível contagiante como “Witches Burn”. E o encerramento com “Harley Darling”, onde a banda incorpora uma espécie de versão feminina de Neil Young, é não menos que perfeito.

Como é bom ouvir um disco bom. E Death by Rock and Roll certamente é um dos grandes discos que você ouvirá em 2021.

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