Review: Pink Floyd – Pulse (1994)


Segundo álbum ao vivo do Pink Floyd, Pulse também é o mais emblemático registro em cima de um palco da lendária banda inglesa. Uma prova da força da terceira encarnação do grupo, liderada por David Gilmour e sem a presença de Roger Waters.

O Pink Floyd foi o centro de uma gigantesca batalha judicial em meados dos anos 1980, quando Gilmour e Waters lutaram nos tribunais pelos direitos pelo nome da banda. Essa guerra teve como vencedor o guitarrista, que passou a ser o dono do nome Pink Floyd, enquanto o baixista garantiu para si os direitos de The Wall (1979) e do característico porco da capa de Animals (1977), que costumava voar sobre a plateia durante os concertos.

O primeiro movimento desse novo Pink Floyd, agora reduzido a Gilmour, ao tecladista Richard Wright e ao baterista Nick Manson – além de vários músicos de apoio -, foi o mediano A Momentary Lapse of Reason, que chegou às lojas em 1987 e foi seguido pelo primeiro álbum ao vivo da carreira da banda, Delicate Sound of Thunder (1988). Mas faltava um trabalho que fizesse jus à toda a celeuma gerada pela batalha e justificasse, em termos artísticos, as razões pelas quais David Gilmour lutou tão ferrenhamente para ter os direitos sobre o nome do Pink Floyd. Esse disco saiu em 1994 e foi The Division Bell, um dos grandes discos da banda inglesa.

O capítulo seguinte foi Pulse, registro ao vivo da turnê de The Division Bell. Gravado durante a tour europeia de 1994 em shows realizados em Londres, Roma e Hanover, chegou às lojas em 29 de maio de 1995 no Reino Unido e em 6 de junho daquele ano nos Estados Unidos. Duplo, traz no primeiro CD músicas desde a primeira fase da banda ainda com Syd Barrett (“Astronomy Domine”), passa por clássicos do porte de “Wish You Were Here” e “Comfortably Numb”, mostra a força de canções então novas como “High Hopes” e, como cereja do bolo, entrega a performance na íntegra e definitiva do maior clássico do Pink Floyd, e imortal e sempre atual The Dark Side of the Moon (1973). A banda que acompanhou Gilmour, Wright e Mason nos shows contava com músicos fantásticos como o baixista Guy Pratt, o tecladista Jon Carin e o trio de backing vocals Sam Brown, Durga McBroom e Claudia Fontaine, entre outros.

Pulse marcou época também por causa de sua embalagem chamativa, antecipando em décadas a tendência dos digibooks, hoje bastante populares entre os colecionadores. Porém, em 1994, aquilo era uma novidade, ainda mais trazendo em suas tiragens iniciais uma luz vermelha interna que pulsava infinitamente (ou pelo menos até a bateria que a mantinha ligada se esgotar). Acondicionado em um box, o CD duplo contou também com um lindo e longo encarte repleto de fotos da turnê.

As vendas foram astronômicas. Pulse alcançou o primeiro lugar em dezenas de países, incluindo Estados Unidos e Inglaterra. Além disso, é um dos discos ao vivo mais vendidos de todos os tempos, com mais de 6 milhões de cópias comercializadas em todo o planeta.

O culto a Pulse levou ao lançamento de versões em LP quádruplo, cassete duplo, VHS, laser disc e DVD durante os anos, formando um pacote multimídia altamente colecionável, com o CD com o led sendo um dos itens mais cobiçados entre os fãs.

O Pink Floyd possui poucos registros ao vivo, e entre eles outro com qualidade tão estelar quanto Pulse – o também duplo Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980-1981 (2000), registro ao vivo de uma das poucas mais de duas dezenas de shows que a banda fez para promover o clássico The Wall.

Com o passar dos anos, Pulse alcançou um status quase divino entre os fãs e serviu de parâmetro também para as turnês cada vez mais produzidas e grandiosas tanto de David Gilmour quanto de Roger Waters. Um registro único e especial, que elevou uma música já única e brilhante ao mais alto estado de arte.


Comentários

  1. meu led até hoje está funcionamento perfeitamente "iluminando" meu quarto de som todas as noites, nesse que é, pra mim, o melhor album ao vivo da banda da fase que mais gosto deles

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