Review: Gary Moore – How Blue Can You Get (2021)


How Blue Can You Get
vem direto dos arquivos de Gary Moore e reúne quatro covers e quatro canções próprias do vocalista e guitarrista norte-irlandês, falecido precocemente em 2011 com apenas 58 anos vítima de um ataque cardíaco causado pelo consumo excessivo de álcool. O álbum é o primeiro de Moore desde Bad For You Baby, que saiu em 2011.

Ouvir esses discos de músicos que não estão mais entre a gente sempre traz uma carga extra de emoções e sentimentos, principalmente quando fica clara a qualidade do material e a falta que esse músico faz. É o caso de Gary Moore em How Blue Can You Get. Sua guitarra e sua voz tocam profundamente o coração, e o resultado é um álbum que ganha uma dimensão única.

O CD abre com uma releitura estupenda para “I'm Tore Down”, de Freddie King, aqui transformada em um blues turbinado por um groove arrasador. Moore revisita também “Stepping Out”, de Memphis Slim, um dos standards instrumentais mais antológicos do blues e que ganha uma versão com a pegada incendiária característica do guitarrista.

Na sequência somos conduzidos a duas faixas mais calmas e que desaceleram o ritmo. A primeira é a balada “Im My Dreams”, composta pelo próprio Gary, um blues arrastado na escola do grande hit de Moore, a pra lá de conhecida “Still Got the Blues”. Já a canção que batiza o disco é uma versão irretocável para um clássico de B.B. King. Em ambas, a interpretação vocal é de arrepiar qualquer um, enquanto os solos conduzem às estrelas.

O álbum segue com “Looking At Your Picture”, claramente com cara de sobra de estúdio e que não acrescenta muito ao resultado final. O guitarrista revisita “Love Can Make a Fool of You”, lançada originalmente no álbum Corridors of Power (1982), que aqui ganha uma versão muito superior à original e um solo final exuberante. “Done Somebody Wrong”, de Elmore James, recebe nova vida em uma releitura pra lá de incendiária e com um solo absolutamente brilhante, e o resultado é uma das melhores canções do álbum. O disco se encerra com “Living with the Blues”, balada bluesy carregada de melancolia e que funciona como uma espécie de declaração de princípios de Gary Moore.

A edição brasileira, lançada pela Hellion Records, é um belo e reforçado digipack que traz uma longa biografia do norte-irlandês nas próprias faces internas do digipack, em uma edição muito bonita.

O saldo final de How Blue Can You Get é muito positivo. Suas canções funcionam como um justo tributo a um dos músicos mais icônicos das últimas décadas e que merece muito mais reconhecimento, dono de imenso talento e feeling e que acabou sendo vitima de seus próprios vícios. A audição de How Blue Can You Get vai fazer você também se viciar, mas na música de altíssima qualidade de Gary Moore.


Comentários

  1. um dos maiores e mais subestimados guitarristas da história, quase totalmente esquecido em lugares como os estados unidos e até no brasil o que, na minha mente de apreciador vigoroso de sua obra, não é menos que revoltante.
    com certeza, uma das figuras que mais fazem falta em nosso mundo contemporaneo de streamings descartáveis e musica biodegradavel, sinto muita falta desse cara, como ele foi embora cedo.
    mais uma vez agradeço efusivamente a hellion por lançar esta obra de forma tão digna em nosso mercado, mantendo nossa musica viva como estado de arte, vocês são verdadeiros heróis junto a shinigami, voice, classic rock, rock brigade e outras poucas abnegadas que nos trazem tanto prazer e felicidade referentes a nossa maior paixão

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  2. Guitarrista excelente que fez parte de bandas como Skid Row(antes de ter o nome vendido) e Thin Lizzy entre outros nomes.
    Amo sua discografia!

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  3. Lamentavelmente, um cara que habitou mais o limbo do que o grande palco que sempre mereceu. Pop demais pra merecer o apreço dos grandes nomes do blues, uma de suas grandes tristezas aliás, e blues demais pra ser admirado pelos fãs de pop além das trilhas de novela. Pra mim ( e pro Joe Bonamassa), um dos melhores no seu ofício e extremamente injustiçado. Quanto ao álbum, sensacional como sempre.

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