Review: Måneskin – Rush! (2023)


O Måneskin surgiu em 2016 em Roma, ganhou destaque inicial participando da versão italiana do programa de caça-talentos The X Factor, e enfim alcançou impacto planetário a partir de 2020 representando seu país no Eurovision e conquistando fãs com hits grudentos e onipresentes como “Beggin’” – versão para uma canção lançado originalmente pelo The Four Seasons em 1967 - e “I Wanna Be Your Slave”. Tudo isso, é claro, acompanhado por um apelo visual forte e que fez a banda ser praticamente impossível de passar despercebida a cada presença na mídia, TV e onde mais eles colocassem os pés. O ingrediente final está no palco, com performances pra lá de energéticas e com um tesão genuíno e palpável no que estão fazendo, representado principalmente pela figura hipnótica do vocalista Damiano David e pela carismática baixista Victoria De Angelis.

Rush! é o terceiro álbum do quarteto, e o primeiro a ser lançado depois de a banda ter conquistado grande exposição. Um time de produtores trabalhou no disco, entre eles o sueco Max Martin, um dos midas do pop moderno com um currículo de bons serviços prestados para nomes como Britney Spears, The Weeknd e Taylor Swift. Trata-se de um álbum longo, com nada mais nada menos que dezessete canções – dizem que a banda gravou mais de cinquenta novas músicas no processo -, todas compostas pelo grupo e acomodadas em pouco mais de 57 minutos.

Há uma qualidade inegável no Måneskin, e ela é a capacidade aparentemente inesgotável de criar composições que sempre vêm carregadas de grande apelo pop, seja através das linhas vocais grudentas ou dos refrãos fortes e cativantes. Rush! possui muitas faixas assim, o que transforma a audição em uma espécie de passeio por um hipotético “greatest hits” de sucessos prontos para conquistarem os convertidos e também novos fãs. Fica clara também uma maturidade maior, com a banda indo além e entregando músicas com um refinamento maior e que mostram que o sucesso do grupo não será passageiro. Basta ouvir canções como “Supermodel” e “Timezone” para perceber como há muito talento nos italianos.

Equilibrando influências que vão de Red Hot Chili Peppers a The Killers, passando por Iggy Pop e Franz Ferdinand, o Måneskin não fica preso a apenas uma fórmula e mostra uma saudável multiplicidade sonora em seu terceiro disco. “Own My Mind” abre o trabalho deixando uma ótima impressão, enquanto a fortíssima “Gossip”, com participação de Tom Morello, tem cara de megahit. Ainda que soe auto-referente em algumas canções – “Bla Bla Bla” talvez seja o maior exemplo -, os italianos mostram sabedoria ao fugir do que já fizeram sem perder a identidade sonora e o ar refrescante de sua música.

Os principais destaques estão em Damiano, não apenas um frontman simpático mas também um vocalista e intérprete que possui vários recursos, o que dá ao som do Måneskin uma certa imprevisibilidade – o arranjo ascendente e o refrão épico de “Gasoline”, pronto para ser cantado a plenos pulmões por estádios lotados, é um exemplo, assim como a balada “If Not For You”, carregada de sentimento. E Victoria, que no palco prende o olhar com sua performance, no estúdio tem seu baixo em destaque na mixagem e conduz canções como a já citada “Gasoline” e “Kool Kids”, entre outras, injetando doses certeiras de groove em um som que já é naturalmente dançante e alto astral.

Rush! mostra que o Måneskin não foi um amor de verão. Os “quinze minutos” de fama da banda tem tudo para se transformarem em uma carreira sólida e com enorme potencial de crescimento. É muito provável que estejamos presenciando o nascimento de um dos maiores fenômenos do rock no século XXI, queiram os haters ou não.

Comentários

  1. Essa banda é tão calculada e sem espontaneidade que tudo que se refere a ela parece que foi meticulosamente criado por uma agência de publicidade. Sabe aquele rock feito para agradar ao público "rebelde" de série adolescente, um público criado à base de leite desnatado e que pensa que Avril Lavigne é punk? Diante da rebeldia disso aqui Bret Michaels vira John Lydon e Jon Bon Jovi vira Lou Reed...O que me consola é que daqui há 5 meses ninguém mais se lembrará do Maneskin e um novo "fenômeno do rock" do século XXI, tão fugaz quanto, já estará em seu lugar.

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  2. Disse tudo, mal comparando maneskin é o The Strokes dá década passada, ao menos a trupe do Julian Casablancas conseguiu gravar um disco decente, já o maneskin nem isso ao que parece vai conseguir fazer...

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  3. Perfeita sua definição desse grupo. Tenho exatamente a mesma impressão. Parei para ouvir com atenção e boa vontade e olha...foi duro ouvir até o fim! E os clipes? A pose de 'rebeldes' e 'transgressores' em alguns é tão artificial que chega a constranger.

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  4. Divertido, festeiro, despretensioso, espantado e que alguém ainda se preocupe com o tão malfadado vaticínio " salvadores do Rock ", nem o rock quer ser salvo, mesmo que os tiozões saudosistas insistam!!!

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