Baby Vol. 1, de Chang Sheng, chega ao Brasil pela Comix Zone como uma obra que combina ficção científica, horror corporal e ação pós-apocalíptica com identidade visual forte e personalidade própria. Ambientada em 2043, a história parte de um colapso global causado por um parasita conhecido como “Baby”, capaz de transformar humanos em criaturas mecânicas grotescas, fundindo carne e metal de maneira perturbadora.
A protagonista, Elisa, sobrevive a um ataque dessas entidades, mas carrega uma condição singular: o parasita se aloja em sua mão sem consumi-la por completo. Esse detalhe funciona como eixo simbólico da narrativa, colocando a personagem em permanente tensão entre humanidade e monstruosidade. Um ano depois, sua jornada se cruza com um grupo de resgate e com a enigmática Alice, figura que amplia o mistério e os conflitos do mundo apresentado.
Visualmente, Baby é impressionante. O traço de Chang Sheng é muito bonito, preciso e extremamente expressivo. Há um apelo sexual onipresente na construção dos corpos e das expressões, sempre tratado com bom gosto e elegância, longe de qualquer vulgaridade. Essa sensualidade dialoga diretamente com o horror corporal da obra, reforçando a fragilidade e a fisicalidade dos personagens em um mundo que ameaça constantemente seus corpos. A narrativa visual é fluida, com enquadramentos cinematográficos e sequências de ação claras e impactantes.
O horror gráfico é explícito, mas estilizado. As deformações provocadas pelo parasita e a fusão entre elementos orgânicos e mecânicos evocam referências como Parasyte e Akira, sem que Baby perca sua identidade. Narrativamente, o primeiro volume aposta em ritmo acelerado, focado em apresentar universo, personagens e conflitos. Em alguns momentos isso pode soar apressado, mas funciona como estratégia para capturar o leitor e estabelecer ganchos eficientes para os volumes seguintes.
A edição brasileira da Comix Zone conta com cerca de 320 páginas, capa cartão com sobrecapa, encadernação costurada, papel de boa gramatura e acompanha marcador de página, reforçando o cuidado editorial e o apelo colecionável da publicação. A série terá 3 volumes, mesmo número de edições de Yan, mangá do mesmo autor também publicado no Brasil pela editora.
Baby Vol. 1 vai além de uma história de sobrevivência. É uma obra que explora corpo, identidade e transformação em um cenário onde a humanidade é constantemente colocada à prova. Um início visualmente sedutor e conceitualmente instigante, que desperta curiosidade real pelo que ainda está por vir.



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