Pular para o conteúdo principal

Sláine - O Deus Guerreiro: a fantasia pintada como um álbum de heavy metal (2025, Mythos)


A nova edição de Sláine: O Deus Guerreiro, lançada pela Mythos Editora em 2025, recolocou nas livrarias brasileiras um dos maiores clássicos da fantasia dos quadrinhos britânicos. Trata-se da edição de aniversário que celebra os 35 anos de The Horned God, arco originalmente publicado na revista 2000 AD e considerado o ponto mais alto da trajetória do personagem criado por Pat Mills.

A trama acompanha Sláine em sua missão de unir as tribos de Tir-Nan-Og contra os sinistros Lordes Drunes, sacerdotes que corrompem a terra com magia negra e dominação religiosa. Para isso, o guerreiro precisa recuperar artefatos sagrados e assumir um papel que ultrapassa a brutalidade bárbara: ele se torna símbolo, mito e divindade viva. A narrativa combina mitologia celta, crítica à opressão teocrática e reflexões sobre poder e liderança, tudo embalado por batalhas violentas e momentos de lirismo inesperado.


Se o roteiro de Mills constrói uma fantasia épica com densidade política e mítica, a arte de Simon Bisley eleva a obra a outro patamar. Seu estilo totalmente pintado, explosivo e másculo redefiniu o visual da fantasia nos quadrinhos no fim dos anos 1980. Cada página parece uma capa de heavy metal: corpos exagerados, cores vibrantes, cenas de guerra grandiosas e uma fisicalidade quase palpável. Há ecos de Frank Frazetta na composição, mas com uma energia própria que ajudou a transformar Bisley em referência incontornável.

A nova edição da Mythos valoriza esse impacto visual com um álbum em capa brochura no formato grande 21x28, acabamento luxuoso na capa e 212 páginas em papel couchê, permitindo que a arte respire e revele detalhes muitas vezes perdidos em publicações menores. Para colecionadores, é um volume que dialoga tanto com a história da revista 2000 AD quanto com a evolução estética dos quadrinhos europeus.

Slaine: O Deus Guerreiro permanece atual por sua fusão de violência, espiritualidade pagã e crítica social. É uma leitura essencial para quem aprecia fantasia sombria, para fãs de HQs britânicas e, claro, para leitores que enxergam nos quadrinhos o mesmo senso de grandiosidade e intensidade encontrado nas melhores capas e álbuns de heavy metal.

Comentários