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School’s Out (1972): o álbum que vive à sombra de um hino


School’s Out
(1972) marcou um ponto de virada na trajetória do Alice Cooper Group. Depois de dois discos que ajudaram a consolidar sua identidade, Love It to Death (1971) e Killer (1971), o grupo decidiu dar um passo além, apostando em uma obra mais ambiciosa, teatral e conceitualmente livre. O resultado é um álbum que, ao mesmo tempo em que ampliou o alcance da banda, também se tornou um dos mais discutidos de sua discografia.

Produzido por Bob Ezrin, School’s Out gira em torno de uma ideia simples, mas poderosa: o universo adolescente e a experiência escolar. Não se trata de um álbum conceitual fechado, mas há uma linha temática que percorre as faixas, abordando desde a euforia libertária do fim das aulas até tensões sociais e crises pessoais. Essa abordagem dá ao disco um caráter quase cinematográfico, ainda que nem sempre coeso.

O hard rock direto dos discos anteriores dá lugar a arranjos mais elaborados, mudanças de clima e uma dose maior de experimentalismo. Há momentos em que essa ousadia funciona muito bem, como na energia crua de “Public Animal #9” ou na construção dramática de “Gutter Cat vs. The Jets”. Em outros, porém, a sensação é de dispersão, como se a banda estivesse mais interessada em explorar possibilidades do que em manter uma unidade consistente.

No centro de tudo está a faixa-título, “School’s Out”, um dos maiores hinos da história do rock. Com seu riff imediato, refrão explosivo e o icônico coro infantil entoando “no more pencils, no more books…”, a música transcendeu o álbum e se tornou um símbolo geracional. É o tipo de canção que define carreiras e, nesse caso, acabou também ofuscando o restante do disco.

Essa dualidade é justamente o ponto mais interessante de School’s Out. Por um lado, é um álbum irregular, que não atinge o mesmo nível de coesão de Killer nem a sofisticação que a banda alcançaria em Billion Dollar Babies (1973). Por outro, é uma obra ousada, que recusa fórmulas e amplia os limites estéticos do shock rock. A produção de Ezrin reforça esse aspecto, adicionando camadas e ideias que tornam o disco mais rico, ainda que, por vezes, excessivo.


Outro elemento fundamental para o impacto do álbum está fora da música. A icônica embalagem em formato de carteira escolar, com estética provocadora e espírito irreverente, ajudou a consolidar a imagem da banda como pioneira em transformar o rock em espetáculo multimídia. Esse cuidado com o conceito visual se tornaria uma marca registrada de Alice Cooper.

Mais de cinco décadas depois, School’s Out permanece como um trabalho divisivo, mas essencial. Não é o disco mais consistente da fase clássica do grupo, mas talvez seja um dos mais representativos de sua ambição artística. Entre acertos e excessos, o álbum captura um momento em que a banda decidiu não apenas acompanhar o sucesso, mas desafiá-lo.

School’s Out funciona como um retrato imperfeito, porém fascinante, de uma banda em expansão. E, mesmo com suas irregularidades, bastaria a existência de sua faixa-título para garantir um lugar definitivo na história do rock.

O álbum havia tido apenas uma edição em CD no Brasil, lançada em 1992 pela Warner. Passados trinta e quatro anos, o disco está de volta às lojas brasileiras em uma nova versão em CD slipcase disponibilizada pela Wikimetal.

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