Quase uma década após 24K Magic (2016), Bruno Mars retorna ao formato solo com The Romantic (2026), um disco que não apenas reafirma sua identidade artística, mas também evidencia suas escolhas com ainda mais clareza. Se o projeto Silk Sonic (2021) já havia mergulhado fundo na nostalgia setentista, aqui Mars refina essa proposta em um álbum mais enxuto, direto e centrado na ideia de romance como espetáculo sonoro.
Com apenas nove faixas e pouco mais de 30 minutos, The Romantic aposta na concisão. Não há espaço para excessos ou desvios: tudo gira em torno de grooves sedutores, arranjos elegantes e melodias construídas para grudar na memória. A produção é, como esperado, impecável, e cada detalhe soa milimetricamente calculado para evocar o brilho da soul music clássica, do funk e da disco, sem jamais perder o apelo pop contemporâneo.
O disco abre com “Risk It All”, que já estabelece o tom com seu clima envolvente, preparando o terreno para um dos grandes destaques do álbum, “I Just Might”. A faixa é irresistível, com refrão imediato e uma energia que dialoga diretamente com o melhor que Mars já entregou em sua carreira. “On My Soul” é outro momento alto, trazendo uma pegada mais emocional, sustentada por uma interpretação vocal carregada de nuance.
“Why You Wanna Fight?” desacelera o ritmo e aposta em uma abordagem mais intimista, funcionando como a grande balada do álbum. Já “Cha Cha Cha” e “Dance With Me” exploram o lado mais dançante do trabalho, com arranjos que parecem saídos diretamente de uma pista de dança dos anos 1970, mas com acabamento moderno.
No entanto, é justamente nessa fidelidade estética que reside o principal ponto de discussão do disco. The Romantic é tecnicamente irretocável, mas raramente soa surpreendente. Em vários momentos, a sensação é de que Mars está mais interessado em recriar do que em reinventar. As referências são claras e, por vezes, dominam a experiência a ponto de reduzir o impacto criativo do álbum.
Ainda assim, seria injusto ignorar o quanto o disco funciona dentro de sua proposta. Poucos artistas atuais conseguem transitar com tanta naturalidade por sonoridades clássicas sem cair no pastiche completo. Mars domina essa linguagem como poucos, e isso se reflete na consistência do trabalho.
The Romantic não é um salto criativo, mas é uma reafirmação segura de território. Um álbum elegante, coeso e altamente agradável, que reforça Bruno Mars como um dos principais arquitetos do pop retrô contemporâneo. Ainda que, desta vez, jogando mais pelo controle do que pelo risco.
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