8 de nov de 2008

A fantástica saga do porco cor-de-rosa

sábado, novembro 08, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Formado em Londres em meados de 1972 pelo vocalista, guitarrista e compositor Ken Gordon e pelo baixista Jim Holmes, o Incredible Hog é uma típica pérola perdida setentista. Gordon e Holmes, colegas de escola, já haviam tocado juntos no Speed Auction, mas sem conseguir uma repercussão digna de nota. Cansados e insatisfeitos com os rumos do grupo, decidiram criar eles mesmos uma nova banda. Fãs de histórias em quadrinhos, batizaram o conjunto como Incredible Hog, uma homenagem à revista "Incredible Hulk", publicada pela Marvel Comics.

Após testarem inúmeros bateristas, encontraram no sul-africano Tony Awin o line-up perfeito. Com essa formação fizeram alguns shows pelo circuitos de bares ingleses, mas a dificuldade e a enorme concorrência tornavam o agendamento de novas apresentações uma verdadeira luta. O Incredible Hog encontrou a solução para esse problema de uma forma simples e ao mesmo tempo inusitada: abriu o seu próprio clube, batizado como The Pig Sty, em Forrest Gate, na capital inglesa. Lá realizaram inúmeros shows, ganhando confiança, experiência e força coletiva.

Anúncio promovendo o raríssimo single "Lame"

As vibrantes performances do trio chamaram a atenção de publicações como a Melody Maker, tornando o Incredible Hog cada vez mais conhecido e comentado entre a galera rocker londrina. Infelizmente esse prestígio não bateu na porta das gravadoras, já que nenhuma companhia foi atrás do grupo. Inconformado, o líder Ken Gordon foi até o escritório da Dart Records com a demo tape da banda embaixo do braço e se recusou a sair enquanto alguém não ouvisse a sua música. O resultado?  Gordon ficou um dia dentro da companhia e foi retirado pela polícia, mas a sua persistência teve resultado, já que um dos cabeças da Dart ficou curioso com a história, ouviu a fita e, passadas duas semanas, ofereceu um contrato para o Incredible Hog.

Roger Watson, profissional com experiência em grupos de comedy rock, foi indicado pelos executivos para produzir o álbum, o que gerou alguns atritos com a banda, que frequentemente ia em uma direção enquanto Watson indicava outro caminho. Felizmente essa tensão entre os dois lados acabou sendo benéfica, resultando em um disco excelente. 

Capa do versão francesa de "Lame", lançado em 1973 pela EMI

"Volume 1" traz dez faixas com um hard rock coeso, ácido em alguns momentos, com uma soridade crua embalada em arranjos contagiantes. O grande destaque do play é Ken Gordon, tanto por suas interpretações únicas quanto por sua guitarra, a força motriz do grupo. Entre as faixas destacaria "Lame", "Wreck My Soul", a linda balada "Execution", a furiosa "Another Time", "Warning", "Walk The Road" e "There´s a Man". O fato é que "Volume 1" tem muito daquilo que hoje em dia se convencionou chamar de classic rock, com riffs empolgantes, linhas vocais cativantes e uma cozinha pesada, o que faz com que o disco reserve momentos de enorme prazer para qualquer apreciador de hard, blues e rock setentista.

Paradoxalmente, apesar de ter sido bem recebido pela crítica da época, o disco não bateu junto ao público, que praticamente o ignorou. Isso, somado a um praticamente inexistente trabalho de divulgação por parte da gravadora, fez com que Gordon, Holmes e Awin desanimassem e encerrassem as atividades do Incredible Hog no final de 1973. Ken Gordon virou músico de estúdio e tocou em trabalhos de nomes como The Rubettes, The Tremeloes e Heavy Metal Kids. Jim Holmes transformou-se em produtor do lendário Scarf Studios, e atualmente é dono de uma companhia de teatro. Já Tony Awin trabalhou com o Crazy World Of Arthur Brown e com o James Last, e atualmente é um renomado músico de estúdio.

Na Alemanha o disco saiu com essa capa

O álbum saiu com três capas diferentes. A original inglesa da gravadora Dart trazia um irreverente porco mostrando a língua e apenas o nome da banda. A versão alemã, lançada pela Telefunken (Cat# SLE 14 738-P), tinha uma ilustração de uma porca toda produzida, enquanto que a espanhola, publicada pela Carnaby (Cat# CPS 9476), mostrava uma foto da banda em um cenário soturno, que parece ser um cemitério. As três são extremamente raras, e, quando encontradas em suas edições originais, alcançam valores estratosféricos entre os colecionadores. 

A capa da versão espanhola

A excelente gravadora alemã Repertoire lançou em 1994 o álbum em CD (Cat# REP 4511-WP), saciando a fome dos aficcionados, enquanto a espanhola Wah Wah colocou no mercado uma edição em vinil de 180 gramas em 1999 (Cat# LPS002). Se você encontrar qualquer uma delas compre na hora, porque irá estar adquirindo uma jóia rara para a sua coleção.

Resumindo: extremamente recomendado!


7 de nov de 2008

Uma capa para: Barack Obama

sexta-feira, novembro 07, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Mais uma sessão que estréia aqui na Collector´s Room. Nela, vamos mostrar uma capa de disco que tem tudo a ver com alguma personalidade ou acontecimento. 

Pra começar, um post dedicado a Barack Obama, presidente eleito dos Estados Unidos, primeiro negro a chegar a Casa Branca (o que por si só já foi uma imensa vitória, visto que até meados dos anos 60 a segregação racial era constitucionalizada em alguns estados norte-americanos), e que põe fim a oito anos da dinastia Bush.

"The Best of the Black President" é uma coletânea dupla lançada em 1999 que cobre a carreira do nigeriano Fela Kuti, um dos principais artistas africanos. Falecido em 02 de agosto de 1997, Kuti possui uma longa discografia, onde os principais destaques são os discos "Expensive Shit" de 1975 e "Zombie" de 1977. Além disso, sempre deixou claras suas posições políticas, o que lhe rendeu poucos amigos e uma grande quantidade de desafetos.

Vai Obama, faz o que precisa ser feito. E, se precisar de umas dicas pra trilha sonora, fale com a gente ...


Tom Waits - Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards (2006)

sexta-feira, novembro 07, 2008

Por Fábio Pires
Colecionador e Pesquisador Musical

É extremamente difícil escrever sobre qualquer trabalho desse compositor e multi-instrumentista que começou com suas obras-primas musicais há mais de 30 anos. Escuto Tom Waits desde 89 e acho que quem ouve seu trabalho pela primeira vez fica estarrecido com a genialidade desse personagem meio junkie, meio boêmio francês. 

Suas composições vaudevillianas ficam expostas em "Frank's Wild Years" de 1986 ou mesmo o trabalho que abriu portas no Brasil, "Rain Dogs". Esse novo álbum, particularmente, está repleto de influências de si próprio: há o vaudeville de "Frank´s Wild Years" ou mesmo as baladas de "Heartattack and Vine" (1980), mas especialmente em "Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards" percebo "Rain Dogs". Nesse disco está algo que para mim é novo em Tom Waits: a crítica ao governo norte-americano, na citação explícita em "Road to Peace" ao presidente daquele país. 

Todos os três discos foram muito bem produzidos, talvez de uma forma diferente de sua usual produção caseira que marcou seus trabalhos na década de 1980. Não sou jornalista nem formador de opiniões (nem tenho a a capacidade e muito menos a vontade de ser, mas escutar Tom Waits é fazer parte de uma época que não vivi: a fase áurea do jazz americano da década de 1920-1930 ou assistir à uma peça teatral de Brecht em sua época de produção), estou apenas expondo Waits em sua forma mais clássica: a de músico.

Escutem esse personagem com consciência crítica, pois ou você irá adorá-lo ou odiá-lo. Bem, se você for um apreciador de jazz ou blues (como eu) as coisas ficarão mais fáceis.


Disc One: Brawlers
1. Lie to Me - 2:10
2. Lowdown - 4:15
3. 2:19 - 5:02
4. Fish in the Jailhouse - 4:22
5. Bottom of the World - 5:42
6. Lucinda - 4:52
7. Ain't Goin' Down to the Well - 2:28
8. Lord I've Been Changed - 2:28
9. Puttin' on the Dog - 3:39
10. Road to Peace - 7:17
11. All the Time - 4:33
12. The Return of Jackie and Judy - 3:28
13. Walk Away - 2:43
14. Sea of Love - 3:43
15. Buzz Fledderjohn - 4:12
16. Rains on Me - 3:20

Disc Two: Bawlers
1. Bend Down the Branches - 1:06
2. You Can Never Hold Back Spring - 2:26
3. Long Way Home - 3:10
4. Widow's Grove - 4:58
5. Little Drop of Poison - 3:09
6. Shiny Things - 2:20
7. World Keeps Turning - 4:16
8. Tell It to Me - 3:08
9. Never Let Go - 3:13
10. Fannin Street - 5:01
11. Little Man - 4:33
12. It's Over - 4:40
13. If I Have to Go - 2:15
14. Goodnight Irene - 4:47
15. The Fall of Troy - 3:01
16. Take Care of All My Children - 2:31
17. Down There By the Train - 5:39
18. Danny Says - 3:05
19. Jayne's Blue Wish - 2:29
20. Young at Heart - 3:41

Disc Three: Bastards
1. What Keeps Mankind Alive - 2:09
2. Children's Story - 1:42
3. Heigh Ho - 3:32
4. Army Ants - 3:25
5. Books of Moses - 2:49
6. Bone Chain - 1:04
7. Two Sisters - 4:55
8. First Kiss - 2:40
9. Dog Door - 2:43
10. Redrum - 1:12
11. Nirvana - 2:12
12. Home I'll Never Be - 2:28
13. Poor Little Lamb - 1:43
14. Altar Boy - 2:48
15. The Pontiac - 1:54
16. Spidey's Wild Ride - 2:03
17. King Kong - 5:29
18. On the Road - 4:14
19. Dog Treat - 2:56
20. Missing My Son - 3:38


6 de nov de 2008

Black Sabbath: Doom Let Loose - An Illustrated History by Martin Popoff

quinta-feira, novembro 06, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

O canadense Martin Popoff é hoje o mais importante escritor metálico do planeta, além de um dos jornalistas e críticos mais respeitados quando falamos de música pesada. Autor de dezenas de livros e artigos, colaborador das mais diversas publicações, sua imensa bibliografia disseca a cultura headbanger e serve como guia tanto para os iniciantes quanto para os mais veteranos em heavy metal.

Depois de escrever obras dedicadas ao southern rock (“Southern Rock Review”), Blue Oyster Cult (“Secrets Revealed”), UFO (“Shoot Out The Lights”), Rainbow (“English Castle Magic”), Dio (“Light Beyond The Black”) e Iron Maiden (“Run For Cover: The Art Of Derek Riggs”), Popoff coloca agora no mercado “Black Sabbath: Doom Let Loose”, que coloca em pratos limpos toda a carreira do grupo mais importante da história do rock pesado.

Com 355 páginas, o livro inicia na era pré-Sabbath, nas primeiras aventuras de Tony Iommi, Geezer Butler, Bill Ward e Ozzy Osbourne, que culminaram com o surgimento do Earth. Os primeiros ensaios, os primeiros shows, as primeiras histórias, está tudo lá, relatado nos mínimos detalhes por Popoff.

Mas o filé de “Doom Let Loose” surge mesmo quando o Black Sabbath se lança ao mercado e se consolida como banda. Dividido em capítulos que englobam cada um dos álbuns lançados pelo grupo, e também todas as fases e mudanças de formação pelas quais a banda passou, a obra vai fundo nos bastidores, processo de composição e itens lançados em cada época, o que a transforma, simultaneamente, em um excelente livro de histórias e um guia fundamental para os colecionadores do Black Sabbath, já que lista versões dos álbuns, singles, promos e demais itens colocados no mercado.


O texto de Martin Popoff é fácil de ser lido, prende a atenção, e vem acompanhado de muitas, muitas mesmo, fotos e ilustrações relacionadas ao grupo. É claro que quem é fã irá amar e pirar nos detalhes, mas o mais legal disso tudo é que “Doom Let Loose” funciona não só para essas pessoas, mas também para todo e qualquer apreciador de rock e de música.

“Black Sabbath: Doom Let Loose” é uma obra excelente, como já é tradição nos livros de Popoff. Uma pena que não tenha sido lançado no Brasil e não conte com uma versão em português.

Falando nisso, essa é uma ótima dica para as gravadoras e editoras dedidadas ao heavy metal: por favor, lancem os livros de Martin Popoff no Brasil. Não somos um dos maiores mercados para a música pesada no mundo? Então, testem essa força e coloquem essas obras à disposição dos

headbangers brasileiros. Garanto que leitores não faltarão …

Para comprar esse e outros livros de Martin Popoff, acesse seu site oficial.


Slipknot - All Hope is Gone (2008)

quinta-feira, novembro 06, 2008

Por Jaisson Limeira
Colecionador

Hoje estou aqui pra fazer uma resenha de um lançamento que não é muito fácil, da banda americana Slipknot com seu novo trabalho, "All Hope is Gone". Até hoje eu não entendo o porque do grupo não ter grande reconhecimento entre os
headbangers, principalmente os mais fanáticos ao estilo. Será pela banda trazer inovações para o gênero com a utilização de novos recursos, entre eles samplers e um DJ, ou por possuir entre seus fãs uma grande parcela de jovens que não tem um conhecimento mais aprofundado no metal?

Mas vamos ao que interessa. O CD foi lançado recentemente, e inicia com uma das marcas registradas do Slipknot: a introdução ".Execute" vem com muitos
samplers e com a bateria mandando ver em percussões ensandecidas. Logo após entramos em "Gemetria", com uma introdução devastadora e com os vocais rasgados e algumas passagens guturais de Corey Taylor. Depois vem "Sulfur", que tem como marca principal o pedal duplo de Joey Jordison presente em quase toda a música, além de um refrão leve e grandes melodias conjuntas de voz e guitarras. 

E chegou a hora da melhor faixa do álbum, na minha opinião. "Psychosocial" começa com um riff vigoroso e bases bem pesadas, e tem um refrão animal, com melodias bem marcantes. Merecem destaque também "Dead Memories", "Vendetta", "Butcher's Hook", "Gehenna" e "This Cold Black", que são ótimas composições.

Outro grande momento acontece em "Wherein Lies Continue", com uma performance bem trabalhada e grandes momentos. Seguimos com a balada "Snuff", no estilo da "Vermilion Part 2", mas com melodias mais evoluídas com aquelas partes bem pegajosas e um refrão bem pesado. E, fechando o disco, temos a faixa-título, onde o destaque são as guitarras rápidas e agressivas e os vocais enfurecidos de Corey.

É evidente a evolução dos americanos nesse disco em relação ao seu antecessor. Os principais méritos são as melodias mais agressivas e com um peso nunca visto antes, principalmente o grande trabalho que as guitarras fazem durante todo o álbum, com bases e solos mais pesados, rápidos e seguindo um caminho que lembra muito o thrash norte-americano. 

Esse álbum é recomendado a todos que curtem as novas tendências que o metal vem seguindo nos últimos anos, ou pessoas que não tenham medo de ser influenciadas por um estilo novo e com novos recursos. 

Ele pode ser encontrado em qualquer loja por aproximadamente R$ 35,00. Para aqueles que gostam de edições especiais está disponível também uma edição com DVD e três bônus, que conta com uma embalagem digipack e um grosso livreto.

Fico por aqui e ate a próxima.


Faixas:
1. Execute - 1:49
2. Gematria (The Killing Name) - 6:02
3. Sulfur - 4:38
4. Psychosocial - 4:42
5. Dead Memories - 4:29
6. Vendetta - 5:16
7. Butcher's Hook - 4:15
8. Gehenna - 6:53
9. This Cold Black - 4:40
10. Wherein Lies Continue - 5:37
11. Snuff - 4:36
12. All Hope Is Gone - 4:50


5 de nov de 2008

Lançamentos da semana: novidades boas na área

quarta-feira, novembro 05, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Biscoitos finos na parada!  Entre os discos que estão chegando às lojas, destacamos alguns pra você aplicar a sua suada grana de uma maneira mais segura. Tem uma coletânea do finado Bo Diddley, perfeita para neófitos em sua obra; o novo do Cradle of Filth, o que sempre é uma garantia de um álbum, no mínimo, interessante; uma antologia do genial Ry Cooder, um dos músicos mais fantásticos em atividade; o novo do Exodus, que regravou o clássico "Bonded by Blood" com a formação atual; e o novo DVD dos malucos do Flaming Lips. Então, respire fundo e vamos nessa.

Bo Diddley - Gold
Lançamento: 28 de outubro


Cradle of Filth - Godspeed on the Devil´s Thunder
Lançamento: 28 de outubro


Ry Cooder - The Ry Cooder Anthology: The UFO Has Landed
Lançamento: 28 de outubro


Exodus - Let There Be Blood
Lançamento: 28 de outubro


Flaming Lips - Christmas on Mars
Lançamento: 11 de novembro


Run For Cover: The Art Of Derek Riggs

quarta-feira, novembro 05, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Muito da mitologia e da força do nome Iron Maiden estão associadas à figura de seu mascote, Eddie. É impossível imaginar o Maiden e não lembrar de Eddie, e a recíproca é verdadeira. Uma das marcas mais conhecidas da música, presente na casa (e na imaginação) de praticamente todo fã de heavy metal, o morto-vivo ganhou vida através dos traços e das cores do ilustrador inglês Derek Riggs.

Toda essa história está no livro “Run For Cover: The Art Of Derek Riggs”, escrito pelo jornalista canadense Martin Popoff, autor de várias obras dedicadss ao heavy metal e seus maiores nomes. O livro é um trabalho extenso, detalhista, repleto de informações e curiosidades que relatam um dos capítulos mais importantes da música pesada e ajudam a entender como ela se transformou de um simples gênero musical em um dos maiores fenômenos sociais e culturais do mundo contemporâneo.

Cada ilustração desenvolvida por Riggs para o Iron Maiden é dissecada por Popoff. A idéia original, o brainstorm com o grupo, a técnica utilizada, o resultado final. Além disso, são apresentados também sketches com os diversos estágios do trabalho, até  a sua finalização. Verdadeiras obras de arte da cultura metálica, que mesmo construídas sob um conceito sombrio, explodem em cores a cada página.

A clássica ilustração de "Somewhere in Time"

Um dos principais atrativos de “Run For Cover: The Art Of Derek Riggs” são as dezenas de artes inéditas (algumas até mesmo em rascunhos iniciais) apresentadas. Dividido em capítulos cronológicos dedicados a cada um dos discos do Iron Maiden, o livro mostra claramente a evolução do estilo e do traço de Riggs, desde o início com pinturas em tela até a adoção da arte digital.Além da construção de Eddie, a obra apresenta também outros trabalhos desenvolvidos por Derek Riggs ao longo de sua carreira, para artistas como Gamma Ray, Stratovarius, Bruce Dickinson e outros.

Finalizando, o que valoriza “Run For Cover: The Art Of Derek Riggs” (além do brilhante texto de Martin Popoff) e o coloca em outro patamar é o cuidado e a atenção dedicados à produção gráfica do material. Em formato grande, o livro possui 180 páginas em papel couché de alta gramatura, revelando em toda a sua plenitude o talento e a genialidade de Riggs.

Para os mais fanáticos, existe uma edição em capa dura, numerada, com a assinatura de Derek na capa, limitada a 1.500 cópias.

“Run For Cover: The Art Of Derek Riggs” é um livro obrigatório para fãs do Iron Maiden, de heavy metal, para ilustradores e para acadêmicos que buscam entender porque o metal, e o Iron Maiden, se transformaram em enormes fenômenos culturais, conquistando adeptos fanáticos em todo o planeta.

Eu já tenho o meu. E você?

Arte de Riggs para "Scream for Me Brazil" (1999), rejeitada por Bruce Dickinson

Poster criado para o lançamento do álbum "Infinite" (2000), do Stratovarius

Capa de álbum "Pedal to the Metal" (2004), do Impellitteri

Para comprar esse e outros livros de Martin Popoff, acesse seu site oficial.


Sepultura: divulgada capa e track list do novo disco

quarta-feira, novembro 05, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

O Sepultura divulgou a capa e o track list de seu aguardado novo trabalho, o primeiro com o baterista Jean Dolabella. Com o título de "A-Lex", o álbum é baseado no livro "A Clockwork Orange", do escritor inglês Anthony Burgess (1917-1993), a mesma obra que inspirou o clássico filme "Laranja Mecânica", lançado por Stanley Kubrick em 1971.


O disco traz dezoito faixas, e será lançado pela SPV Records em 26 de janeiro. Confira o track list:

1. A-Lex I2. Moloko Mesto
3. Filthy Rot
4. We've Lost You
5. What I Do!
6. A-Lex II
7. The Treatment
8. Metamorphosis
9. Sadistic Values
10. Forceful Behavior
11. Conform
12. A-Lex III
13. The Experiment
14. Strike
15. Enough Said
16. Ludwig Van
17. A-Lex IV
18. Paradox


Discos Fundamentais: D.R.I. - Definition (1992)

quarta-feira, novembro 05, 2008

Por Luiz Fernando M. Fustini
Colecionador
Collector´s Room

O D.R.I. (Dirty Rotten Imbeciles – “Sujos, Podres e Imbecis”), surgido em Houston (Texas/USA), é responsável por um dos logotipos mais legais e marcantes da história da música pesada.

Sua estréia se deu no ano de 1982 com o bolachão “Dirty Rotten LP”, ainda com um tradicional som sujo e rápido, numa veia bem punk, um verdadeiro clássico do estilo. Mas logo após o segundo full-lenght (“Dealing with It”, de 1985), um dos discos prediletos de Dave Lombardo (batera de Slayer e Grip Inc.), a cena mundial da música pesada iria mudar significativamente com a união do punk/hardcore com o thrash metal.

O álbum “Crossover”, de 1987, batizou o D.R.I., ao lado do clássico “Speak English or Die” do S.O.D. (projeto paralelo de membros do Anthrax junto ao vocalista Billy Milano, que futuramente formaria o excelente M.O.D.), como um dos pais do gênero, que iria se popularizar ainda mais com o Suicidal Tendencies e outras bandas mais “undergrounds,” como o Excel. A rixa entre punks e headbangers finalmente teria seu fim com essa fusão mais do que perfeita na música pesada. Esse movimento refletiu inclusive aqui no Brasil, tendo a frente ninguém menos que os Ratos de Porão, que praticaram este estilo com maestria nos discos “Cada Dia Mais Sujo e Agressivo” (1987), “Brasil” (1989) e “Anarkophobia” (1990).

Voltando ao assunto, o D.R.I. lançaria ainda os clássicos “Four of a Kind” (1988), “Thrash Zone” (1989) e este “Definition” (1992). O que se encontra aqui é o mesmo de sempre: thrash/punk/HC puro, cacetada na orelha, sem descanso ao ouvinte.

Assim como o antecessor “Thrash Zone”, este “Definition” possui excelentes riffs e ótimas linhas de baixo e bateria, tudo isso aliado a uma ótima produção, partes mais cadenciadas, mas sempre com muito peso. Com relação a formação tivemos aqui uma baixa com a saída do batera Felix Griffin (que tocava com a banda desde “Dealing with It”) para a entrada do também excelente Ron Rampy.

Os destaques vão para todo o disco, especialmente “Acid Rain” (essa tem até um videoclipe) e para as demais pauladas como “Tone Deaf” (cuidado com a cabeça na parede), “Guilt Trip” (um riff inicial bem arrastado, tipo Sabbath), “Paying to Play” (pelo nome já deu pra perceber do que se trata, certo?) e “Don´t Ask”. Já “The Application” (minha favorita) é outro destaque a parte. Esta poderia muito bem ser encontrada no “Thrash Zone”, pois se trata de uma puta pancadaria com uma introdução de baixo animal que logo dá espaço a um riff de dilacerar o pescoço! Outra interessante é a cadenciada “Say It” com um riff cadenciado que me lembrou a clássica “Don´t Step On The Grass Sam” (?), do eterno Steppenwolf. Muito legal mesmo!

Enfim, poderia citar com certeza todas as composições, pois todas são excelentes, mas resumindo, para quem gosta de thrash metal de qualidade com doses cavalares de punk e hardcore. é uma bela pedida e não deve nada à trinca clássica de “Crossover”, “Four of a Kind” e “Thrash Zone”.

Apesar de vários representantes ativos na cena, o D.R.I. permanece tranquilamente como uma banda única do estilo, sem dúvida merece o trono e se realmente acabar (não lançam nada desde o pesadão “Full Speed Ahead”, de 1995) irá deixar saudades. Só nos resta mesmo a esperança de que o estupendo guitarrista Spike Cassidy se recupere logo do maldito câncer e bote pra foder novamente!

Imperdível!


“Acid Rain – Smell the rain coming?
Acid Rain – Run for cover now!
Acid Rain – The water is on fire!
Acid Rain!”


Formação:
Kurt Brecht – vocal
Spike Cassidy – guitarras
John Menor – baixo
Ron Rampy – bateria

Faixas:
1. Acid Rain
2. Tone Deaf
3. Guilt Trip
4. Hardball
5. Application
6. Paying to Play
7. Say It
8. Dry Heaves
9. Don't Ask
10. Time Out
11. Let It Go
12. You
13. Target

Site oficial:
http://dirtyrottenimbeciles.com/

4 de nov de 2008

Os 10 Discos Essenciais do Black Metal

terça-feira, novembro 04, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

O black metal é um gênero fascinante. Soturno, demoníaco, escuro, cercado de mistérios, lendas e mitos, o estilo tem a sua origem no início da década de 1980, quando grupos como o inglês Venom, o sueco Bathory e os suíços Hellhammer e Celtic Frost começaram a compor e registrar composições mais agressivas e com temáticas mais sombrias do que aquelas que os bangers estavam acostumados a ouvir. Além disso, esses pioneiros já demonstravam uma postura anti-comercial extrema, onde a opinião das gravadoras e da sociedade a respeito da sua arte era o que menos importava. A força estava na música e na sua relação com os fãs, e nada poderia ser maior do que isso.

Ainda que essas bandas tenham gravado discos clássicos e que lançaram as bases do que seria o estilo no futuro (álbuns como "Black Metal" do Venom; "Under the Sign of the Black Mark", "Blood Fire Death" e "Hammerheart" do Bathory; "Apocalyptic Raids" e "Satanic Rites" do Hellhammer; e "To Mega Therion" do Celtic Frost), foi a partir da década de 90 que o black metal definitivamente se consolidou como um dos gêneros, paradoxalmente, mais idolatrados e controversos da música pesada.

Isso aconteceu com a mudança de foco do estilo, que tirou seus holofotes de países que sempre foram, tradicionalmente, grandes exportadores do heavy metal, como os Estados Unidos e a Inglaterra, e os apontou para a pequena Noruega, localizada no meio da Europa. Lá, as crenças satanistas, que sempre andaram lado a lado com grupos como Venom e Bathory, foram amplificadas em uma postura anti-cristã radical. 

A diferença principal é que essa linha de pensamento não ficou restrita apenas aos temas abordados pelos conjuntos em suas letras. Oslo, capital norueguesa, foi o berço negro do Inner Circle, grupo liderado por Euronymous, guitarrista do Mayhem, que, entre outras atividades, pregava a queima de igrejas católicas como um instrumento de libertação do povo norueguês, liberando-o para viver conforme suas raízes nórdicas.

Essa cena norueguesa foi denominada como Segunda Geração do Black Metal, e foi a responsável pela afirmação do gênero como o conhecemos hoje. Bandas como o Mayhem, Immortal, Gorgoroth, Emperor e Darkthrone surgiram nesse movimento, e, através de discos insanos, definiram as bases do black metal.

Dito isso, fiz a opção de não incluir nessa lista os álbuns dos grupos dos anos oitenta. Reconheço sua enorme importância, mas, para mim, o black metal só se consolidou a partir das bandas norueguesas. Por essa razão, tomo o Inner Circle e as bandas que dele fizeram parte como ponto de partida. Apenas duas regras: os discos estão em ordem cronológica, e optei por indicar apenas um álbum de cada artista.

Você vai concordar com algumas escolhas, estranhar algumas outras, mas, como disse o Ronaldo em sua brilhante análise sobre o hard setentista, a graça de listas como essa está justamente nisso. 

Então, apague as luzes, levante o volume e me acompanhe nessa viagem pelo lado negro do heavy metal.


Darkthrone - A Blaze in the Northern Sky (1992)

Segundo álbum do grupo, "A Blaze in the Northern Sky" leva adiante os caminhos sonoros iniciados pelo Hellhammer e Celtic Frost na década anterior. Denso e gélido, conta com faixas que se tornaram verdadeiros hinos pagãos, como "Kathaarian Life Code" e "The Pagan Winter". Não menos que fundamental.


Burzum - Hvis lyset tar oss (1994)

"If the Light Takes Us". Essa é a tradução do título do quarto álbum do Burzum, todo cantado em norueguês. Varg Vikernes, antes de se tornar uma das figuras mais polêmicas do black metal ao assassinar seu rival Euronymous à facadas, gravou esse disco fundamental. Com apenas quatro faixas, todas longas, variando entre 8 e 14 minutos de duração, Varg expõe a sua filosofia de vida em um dos maiores clássicos da música extrema.


Mayhem - De Mysteriis Dom Sathanas (1994)

Esse é um disco mítico. Trazendo a formação clássica do Mayhem, com Euronymous nas guitarras, Necrobutcher no baixo, Hellhammer na bateria e Attila Csihar nos vocais, é o registro definitivo da influência de Euronymous na cena norueguesa do início da década de 90, não apenas no aspecto filosófico, mas também musical. Um dos álbuns mais extremos já gravados, é um arregaço sangrento, diabólico e definitivo.


Gorgoroth - Pentagram (1994)

Para um ouvinte leigo, "Pentagram" é um disco dificílimo de se ouvir. Um dos responsáveis pela estética sonora seguida por grande parte das bandas do gênero, traz uma sonoridade propositalmente tosca. Guitarras abafadas, bateria à velocidade da luz, vocais gélidos: está tudo aqui, em um dos trabalhos mais influentes da história do metal negro. Se você nunca ouviu um disco de black metal, não comece por esse ...


Dissection - Storm of the Light´s Bane (1995)

Liderado pelo polêmico Jon Nodveidt, o sueco Dissection sempre se caracterizou pelo uso de generosas doses de melodia (invariavelmente ameaçadoras) em sua música, criando passagens ameaçadoras e arrepiantes em clássicos absolutos como "Where Dead Angels Lie". Uma obra-prima, e ponto final.


Satyricon - Nemesis Divina (1996)

Quando falamos em variedade sonora, "Nemesis Divina" é um dos registros mais ricos do black metal. Indo muito além do som propositalmente primitivo de bandas como Darkthrone e Gorgoroth, o grupo formado por Frost e Satyr mostrou que era possível soar blasfemo e sombrio sem abrir mão de arranjos complexos e inovadores. 


Rotting Christ - Triarchy of the Lost Lovers (1996)

Os gregos do Rotting Christ foram influenciados tanto pelas bandas norueguesas quanto pelo som cheio de melodia do Dissection. O resultado é um dos álbum mais extremos já gravados, repleto de blast beats insanos, vocais animalescos e sons vindos direto do inferno. Uma paulada antológica!


Arcturus - Aspera Hiems Symfonia (1996)

Um dos pioneiros no uso de elementos sinfônicos, o Arcturus, apesar de não ter alcançado o status de mito de seus colegas, foi muito influente. Essa sua estréia flertava ainda com o progressivo, construindo um som extremamente sombrio e repleto de detalhes.


Emperor - Anthems to the Welkin at Dusk (1997)

Esse disco é um dos responsáveis pelo chamado symphonic black metal, que bandas como Dimmu Borgir executam com grande talento atualmente. Com orquestrações densas agregadas à tríade guitarra-baixo-bateria, o Emperor tornou sua música mais épica e grandiosa, escrevendo definitivamente seu nome entre os principais grupos do estilo.


Immortal - At the Heart of the Winter (1999)

Quinto trabalho do Immortal, "At the Heart of the Winter" chegou às lojas dia 28 de fevereiro de 1999. O álbum traz um grupo mais acessível, se é que é possível aplicar esse rótulo a um álbum de black metal. São apenas seis faixas, todas acima de seis minutos, repletas de mudanças de andamento e melodias macabras. Um dos maiores clássicos da música pesada da década de 90, com folga.



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