27 de nov de 2008

Minha Coleção: Aldo Edson Portes de França

quinta-feira, novembro 27, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Atendendo aos incontáveis pedidos, as entrevistas da Collector´s Room estão de volta!  Vamos mostrar, de tempos em tempos, o acervo de colecionadores de todo o Brasil, e, porque não, do mundo.

Pra começar essa nova fase, algumas mudanças: agora a sessão se chamará MINHA COLEÇÃO; saí do esquema de perguntas que era o padrão das matérias feitas anteriormente, porque acho que ele estava esgotado; procurei deixar as entrevistas mais breves e diretas; e aguardo sugestões sobre quem tem uma coleção que merece aparecer por aqui.

Pra começar, batemos um papo com o curitibano Aldo Edson, o maior colecionador de Edguy do Brasil, e dono de uma coleção que não se limita apenas a material da banda de Tobias Sammet, muito pelo contrário.

Então, longa vida a essa nova fase da Collector´s, e que venham novas entrevistas e colecionadores!

Boxes em vinil

Aldo, porque você acha que se tornou um colecionador de discos?

Comecei a colecionar discos de vinil com 13 anos de idade, em 1987. Naquela época não havia ainda ocorrido o boom do CD e o vinil era a única opção realmente interessante, já que a fita k7 era um formato que eu achava muito ruim. Como nessa idade é muito difícil ter grana pra gastar, eu sempre dava um jeito de economizar deixando de fazer lanche no colégio ou então mentindo para a minha mãe que precisava de dinheiro pra comprar algum material escolar (risos).

Alguns anos mais tarde, com o advento do CD, eu acabei dividindo a minha coleção em vinis e CDs. No entanto, isso durou pouco. A paixão pelo disco de vinil falou mais alto e atualmente só compro em CD aquilo que não encontro em vinil ou então algumas edições especiais com músicas bônus. 

Quantos discos você tem?

Considero a minha coleção modesta em comparação a outras pessoas que já foram entrevistadas aqui na Collector´s, pois tenho aproximadamente 2.000 discos de vinil e uns 500 CDs. Se bem que eu adotei um critério na minha coleção, onde não importa apenas fazer volume e sim adquirir aquilo que realmente me interessa.

Alguns itens do Edguy em vinil 

Quais são os artistas que você tem mais material?

Das bandas digamos mais atuais, eu me tornei um colecionador quase que obsessivo de tudo o que foi lançado pelo Edguy. Tenho todo o material original que já foi lançado por eles até hoje e também vários bootlegs, palhetas, baqueta, além, é claro, dos álbuns em vinil. Recentemente comprei no Ebay o primeiro CD deles, que saiu em 1995 numa edição limitada de 1.000 cópias, por aproximadamente 500 reais. Agora me faltam apenas as duas primeiras demo-tapes lançadas em 1994, mas estas eu jamais vi sendo vendidas, talvez só mesmo Tobias Sammet (fundador da banda) deva ter elas.

 Fora o Edguy também tenho muito material das minhas bandas preferidas, que são os Rolling Stones, Kiss, Iron Maiden, AC/DC e Beatles. Mas desses grupos não dá pra colecionar tudo porque é muito complicado conseguir todo o material já lançado por eles. Em razão disso escolhi o Edguy, que também curto muito, para ser a banda a qual pretendo colecionar tudo a respeito. Por ser uma banda mais nova, a tarefa se torna bem menos complicada em relação às bandas mais clássicas.

Além dos LPs e CDs, que outros formatos de mídia você tem na sua coleção?

Tenho também mais ou menos uns 200 DVDs, os quais também adoto um critério pra comprar. Não sou daqueles que vai numa loja onde há promoções de diversos títulos e já sai comprando. Prefiro me ater às coisas que realmente gosto e que vale a pena ter, para rever sempre que der vontade.

Além de itens relacionados à música, você mantém também alguma outra coleção?

Sei que muitos agora vão me chamar de tarado, mas tenho a coleção completíssima da Playboy brasileira, desde sua primeira edição de agosto de 1975, quando ainda se chamava Homem ao invés de Playboy. Comecei a colecionar quando tinha uns 15 anos e fui conseguindo as mais antigas em visitas a sebos ou com colecionadores que estavam se desfazendo. Ainda bem que minha namorada não se opõe que eu continue a coleção, pois seria complicado ficar sem elas depois de tanto sacrifício para conseguí-las.

Qual o item mais raro?

Eu acho que o item mais raro que eu tenho é o primeiro disco do Roberto Carlos, de 1961, o qual apenas 500 cópias foram lançadas. Já saíram várias matérias sobre a raridade desse disco e certamente está entre os cinco mais raros do Brasil. Um exemplar em bom estado, como o meu, vale em torno de 2 mil reais.

O raríssimo primeiro disco de Roberto Carlos

E qual você pagou mais caro?

O item que eu paguei mais caro foi esse primeiro CD do Edguy que citei. Paguei cerca de 500 reais por ele. Já em relação aos discos de vinil, eu sou bem “pão duro” pra desembolsar um valor muito alto. Somente umas duas ou três vezes é que paguei mais de 100 reais por algum disco, e mesmo assim não foi muito mais que isso.

Qual você bateu o olho, deixou pra pegar depois e, quando voltou, já tinham chegado antes?

Uma vez, há alguns anos, eu vi numa loja um "Yesterday and Today" dos Beatles, com aquela capa em que eles estão vestidos de açougueiros. O preço estava bem convidativo, 80 reais se não me engano. Aí eu, numa tremenda vacilada, deixei de reservar e resolvi buscar no outro dia. Quando cheguei na loja o disco havia sido vendido a poucos minutos, segundo o vendedor. Até hoje não me conformo, pois nunca mais vi esse disco pra venda, ainda mais por esse preço.

De que países vêm as melhores edições de CDs?

Eu acho que o Japão é imbatível no que diz respeito aos CDs. Geralmente a maioria das bandas costuma presentear os japoneses com faixas bônus e outros mimos. Já a pior edição é a russa, que é muito sem-vergonha e mal acabada.

Quantos discos você compra por mês?

Ultimamente tenho sido bem modesto, tenho comprado cerca de cinco itens por mês em média. Uma das razões é que não tenho encontrado aquilo que procuro por preços aceitáveis. Aliás, quero aproveitar a oportunidade para criticar certos lojistas que são os principais culpados pela inflação exagerada nos preços do vinil. Atualmente colecionar discos tem se tornado algo muito complicado devido à ganância de alguns. 

Com toda a sinceridade, se fosse para começar uma coleção de discos hoje eu pensaria duas vezes. Primeiro porque está cada vez mais difícil encontrar títulos que até bem pouco tempo eram comuns, mas principalmente pelos preços absurdos que estão sendo praticados pela grande maioria das lojas.

Você prefere ter vários itens diferentes ou várias versões de um mesmo álbum?

Depende da situação. Quando o álbum é de um artista que eu pretendo ter tudo, então compro o mesmo disco em vários formatos (LP, picture, CD, ...). Agora, se for de algum artista do qual não pretendo ter tudo, então compro apenas num formato, de preferência o vinil, é claro.

Qual formato você prefere: jewel case, slim case, digipack, mini vinil, ...

Dos citados eu prefiro o digipack. Mini vinil eu não gosto nem um pouco. Acho inclusive que o formato não deveria nem levar esse nome. Falou em vinil, automaticamente você se lembra do disco de 12 polegadas, pelo menos é o que eu acho. Talvez por isso é que eu nunca gostei de colecionar compactos de 7”, embora até tenha alguns.

Já encontrou algum ídolo pessoalmente? 

Pessoalmente a ponto de conversar não, e sinceramente eu prefiro assim. Vou explicar o porque: vai que justamente no dia em que me encontro com ele, a pessoa não está num bom momento e nem me dá atenção. Eu acharia decepcionante!  Então eu prefiro manter uma certa distância mesmo e apreciar apenas o talento refletido em suas músicas.

Qual a maior loucura que você já cometeu pela sua coleção?

Eu não cometi nenhuma loucura propriamente dita, mas já fiz alguns sacrifícios para aumentar o tamanho dela. Há alguns atrás, por exemplo, cheguei a gastar meu salário inteiro num lote de vinis que encontrei. Dei sorte de ser o primeiro a chegar, justamente quando o dono da loja estava descarregando os discos. O lote era fora de série, com discos bem raros. Aí não deu pra segurar!  Acabei gastando além da conta, mas valeu a pena, não me arrependo nem um pouco.

O que falta ainda conseguir para a sua coleção?

Eu sempre digo que já consegui uns 90% daquilo que eu gostaria de ter. Os outros 10% são aqueles discos que vão dar bastante trabalho e muitos deles talvez eu nunca venha a encontrar. Além disso, como ultimamente tenho sido bem prudente com os valores pagos por cada item, acho bem complicado encontrar esses discos pelo preço que eu pretendo pagar. Mas não custa nada tentar. Já vi álbuns que valiam mais de R$ 100,00 sendo vendido por R$ 10,00 em determinadas lojas. O negócio é não ter preguiça de pesquisar.

O clássico "Death Penalty", lançado pelo Witchfinder General em 1982

Defina a sua relação com a música.

Eu diria que a música é um dos alimentos que a nossa alma precisa. Sei que essa frase é um pouco clichê, mas é a que mais se aproxima daquilo que sinto em relação a essa nobre arte. Claro que precisa ser uma boa música para que nossa alma se sinta realmente alimentada. Não adianta nada querer alimentar sua alma com funk carioca, Calypso ou KLB, por exemplo, senão você acabar fazendo com que ela sofra uma “intoxicação alimentar” (risos).

O que faz com que nós, colecionadores, sejamos diferentes da grande maioria dos ouvintes de música?

Eu acho que o diferencial é que nós realmente vemos a música como algo duradouro e de valor inestimável. Já os ouvintes de ocasião pensam apenas no prazer momentâneo e nada mais, sem se importar inclusive em avaliar a qualidade daquilo que ouvem, em muitos casos.

Já perdeu o sono por não ter comprado algum item? 

O "Yesterday and Today" dos Beatles com a capa "butcher”. Esse vai ser difícil esquecer, ainda mais por R$ 80,00.

Na era do MP3, pessoas como nós, que ainda compram discos e se dedicam às suas coleções, são a exceção ou a salvação da indústria?

A salvação da indústria certamente não somos, mas que somos diferenciados da maioria dos consumidores isso eu tenho certeza que sim. Daqui a alguns anos talvez sejamos vistos ainda com mais estranheza por ainda colecionarmos “esses discos velhos”, como alguns dizem. Se eles soubessem o quanto isso é prazeroso não pensariam dessa forma. Mas sabe de uma coisa, eu até prefiro assim. Quanto mais restrito for o número de colecionadores, menor a concorrência (risos).

Pra fechar: se pudesse escolher apenas um item do ser acervo pra levar com você, qual seria?

Um apenas não dá. Me desculpe, mas vou citar pelo menos 10 álbuns que estão entre os meus preferidos. São eles:

1. Rolling Stones - Exile on Main Street
2. Kiss - Destroyer
3. Iron Maiden - TheNumber of the Beast
4. AC/DC – If You Want Blood, You´ve Got It
5. Led Zeppelin -Vol IV
6. Beatles - Help
7. Jimi Hendrix - Are You Experienced?
8. Black Sabbath - Paranoid
9, Metallica - Kill´Em All
10. Edguy - Theater of Salvation

Valeu Aldo, boa sorte, paz e sucesso!


Tem que ter: Midnight Oil - Black Fella White Fella (1987)

quinta-feira, novembro 27, 2008

Por Marcello Vieira
Colecionador


Documentário lançado em 1987, "Black Fella White Fella" foi fruto de uma turnê conjunta do Midnight Oil com o grupo nativo Warumpi Band por comunidades aborígenes da Austrália central. Além de mostrar partes de apresentações ao vivo dentro das tais comunidades, o vídeo traz também depoimentos dos integrantes do Midnight Oil, de nativos e todo o envolvimento deles acerca da ocupação e depredação da cultura aborígene pelo homem branco.

Sempre engajado ecologicamente, o Midnight Oil soube usar tal experiência como um catalizador de idéias para a composição e criação daquele que seria o seu albúm de maior sucesso, o espetacular "Diesel and Dust".

Infelizmente este vídeo ainda não foi lançado em DVD, porém a compilação "20.000 Watt R.S.L." apresenta um pequeno trecho do "Black Fella White Fella".

Altamente recomendado para aqueles que procuram algo mais do que boa música.


26 de nov de 2008

Discografia Ilustrada: Allman Brothers Band

quarta-feira, novembro 26, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Ao lado do Lynyrd Skynyrd, a Allman Brothers Band foi responsável pelo surgimento do southern rock, gênero musical nascido nos estados do sul dos Estados Unidos e que se caracteriza por uma bem azeitada mistura entre o rock e o blues. Além disso, os grupos do estilo sempre primaram por trazer um bem desenvolvido trabalho de guitarras, herança direta de pioneiros como o falecido Duane Allman.

Aqui você tem a lista de todos os discos lançados pelo grupo em toda a sua carreira. Os itens estão separados por álbuns oficiais, coletâneas e vídeos. Algumas considerações: estão listadas apenas as principais compilações com a obra do grupo, e não todas, o que seria praticamente impossível;  optei por não colocar entre os álbuns oficiais os itens da série "Instant Live", que traz gravações de apresentações recentes dos caras, de 2000 pra cá, totalizando mais de uma dezena de títulos.

Então é isso. Aí estão 45 títulos para você mergulhar na obra de uma das mais importantes bandas da história do rock. Vale ressaltar: é só clicar na capa do disco para ter acesso ao track list, informações e reviews sobre o mesmo.

Boa viagem, e divirta-se!


Começando a coleção: Lynyrd Skynyrd

quarta-feira, novembro 26, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Street Survivors (1977)

O canto do cisne da formação clássica do Lynyrd, o último disco antes do acidente que matou Ronnie Van Zant e Steve Gaines. Músicas obrigatórias: "That Smell", "What's Your Name", "I Know a Little", "You Got the Right" e "I Never Dreamed". Pra mim esse é o mehor disco do grupo.


(pronounced 'lĕh-'nérd 'skin-'nérd) (1973) 

Uma das melhores estréias do rock. Clássicos obrigatórios como "Tuesday's Gone", "Gimme Three Steps", "Simple Man" e a impressionante "Freebird" marcam presença. Você gosta de guitarras? Então você tem que ter esse álbum.


Second Helping (1974)

O segundo trabalho dos caras, outra obra-prima. Neste álbum está "Sweet Home Alabama", a música mais conhecida do Lynyrd Skynyrd, e que é uma resposta a "Southern Man" de Neil Young. Além dela, outras composições obrigatórias são "Don't Ask Me No Questions", "Working for MCA", "The Ballad of Curtis Loew", "The Needle and the Spoon" e o cover para "Call Me the Breeze", de J.J.Cale. Discaço.


25 de nov de 2008

Lançamentos: Papai Noel chegou mais cedo

terça-feira, novembro 25, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Prepare o bolso, porque se depender do que está saindo nesse final de ano, o seu décimo-terceiro já tem destino certo. Confira:


AC/DC - Black Ice Deluxe Steel Box
Edição limitada, com DVD bônus
Lançamento: 01 de dezembro


Tankard - Thirst
Disponível também em uma edição limitada digipack  com DVD bônus
Lançamento: 19 de dezembro


Legion of the Damned - Cult of the Dead
Disponível também em uma edição limitada digipack com DVD bônus
e em uma Deluxe Edition com CD e DVD bônus (3 discos) e capa diferente
Lançamento: janeiro de 2009


Nebula - BBC Peel Sessions
Lançamento: 09 de dezembro


The Kinks - Picture Book 
Box com 6 CDs
Lançamento: 08 de dezembro


The Smiths - Singles Box
Box com 12 singles 7", edição limitada
Lançamento: 08 de dezembro


O Retorno do Gigante Hogweed

terça-feira, novembro 25, 2008

Por Flávio Ottoni
Colecionador
Collector´s Room

"The Return of the Giant Hogweed" é uma música da banda Genesis presente em seu terceiro disco de estúdio, "Nursery Crime", de 1971. Junto com a música "The Musical Box" do mesmo disco, foi escolhida para ser executada nos shows do grupo.


Mas quem é esse gigante?  Uma criatura parecida com um Godzilla?  Um ser mastodôntico destruidor de cidades?  Não. Por incrível que pareça é uma planta
(Heracleum Mantegazzianum) com um aspecto bonito e que já foi usada como ornamento em vários jardins espalhados pelo mundo. Paisagistas e botânicos introduziram essa planta na Inglaterra e França no século XIX, em virtude de seu aspecto belo e imponente (grande arbusto verde com sua copa formada por flores brancas).

Mas sua aparência bela e inofensiva esconde uma erva daninha tóxica e invasora que desregula ecossistemas matando plantas nativas, e assim prejudicando cadeias alimentares complexas. Sua ação predatória virou problema de saúde pública em vários países europeus, como Inglaterra, Alemanha, França e Bélgica, e alastrou-se também pelo norte dos Estados Unidos. Não é à toa que a população da Rússia (da onde é originária) a nomeou de
Gigante Hogweed (algo como "Porco Daninho Gigante").

A letra da música do Genesis é bem ilustrativa: explica como essa erva foi trazida para a Inglaterra e o grande problema que se tornou. A estrutura faz lembrar um conto de invasão alienígena: explorador vitoriano que leva a erva da Rússia para o
Royal Gardens em Londres. Então, a planta vira moda entre os londrinos e passa a ser cultivada em casas da cidade, sítios e fazendas. Com isso, a erva daninha se alastra por toda a Inglaterra e acaba virando uma praga. Para combatê-la usam-se herbicidas, mas o vegetal mostra-se imune. A parte instrumental lembra um hard progressivo: órgão tenobroso e dramático acompanhado nervosamente pelos demais instrumentos, em um épico de terror apocalíptico de oito minutos e dez segundos de duração.


No caso do Brasil, há também diversas ervas daninhas no estilo da Hogweed que causam grandes danos para o país. No estado do Rio Grande do Sul morrem por ano mais de 40 mil cabeças de gado pela ação de plantas invasoras tóxicas (fonte: Universidade Federal do Paraná). Já na região centro-oeste há cerca de 562 espécies de plantas invasoras de pastagens (fonte: Embrapa).

Veja abaixo a letra da canção:

The Return of the Giant Hogweed

Turn and Run!
Nothing Can Stop Them!
Around Every River and Canal Their Power Is Growing.
Stamp Them Out!
We Must Destroy Them!
They Infiltrate Each City With Their Thick Dark Warning Odour.

They Are Invincible.
They Are Immune to All Our Herbicidal Battering.

Long Ago in the Russian Hills,
A Victorian Explorer Found the Regal Hogweed By a Marsh.
He Captured It and Brought It Home.
Botanical Creature Stirs,
Seeking Revenge.
Royal Beast Did Not Forget.
He Came Home to London
And Made a Present of the Hogweed to the Royal Gardens At Kew.

Waste no Time!
They Are Approaching!
Hurry Now, We Must Protect Ourselves and Find Some Shelter.
Strike By Night!
They Are Defenseless!
They All Need the Sun to Photosensitize Their Venom.

Still They're Invincible.
Still They're Immune to All Our Herbicidal Battering.

Fashionable Country Gentlemen Had Some Cultivated Wild Gardens
In Which They Innocently Planted the Giant Hogweed Throughout the Land.
Botanical Creature Stirs,
Seeking Revenge.
Royal Beast Did Not Forget.
Soon They Escaped, Spreading Their Seed, Preparing For An Onslaught,
Threatening the Human Race.

(The Dance of the Giant Hogweed)

Mighty Hogweed Is Avenged.
Human Bodies Soon Will Know Our Anger.
Kill Them With Your Hogweed Hairs.
Heracleum Mantegazziani.

Giant Hogweed Lives.

Mas existe um Gigante do Bem: é o programa de rock progressivo argentino "El Retorno del Gigante", que apresenta o melhor do rock progressivo mundial.
Confira aqui.


Lojas de LPs em Porto Alegre

terça-feira, novembro 25, 2008

Por Rogério Ratner
Colecionador, Músico e Escritor

Houve épocas em que Porto Alegre era pródiga em lojas de LPs (é óbvio que, evidentemente, a abundância era muito maior nos tempos em que esta era a única mídia - havia as fitas cassetes, mas nunca foram efetivamente concorrentes dos vinis). Muitas lojas ficaram famosas e marcaram época, como aquelas que bem aponta o Emílio Pacheco em sua comunidade sobre "Porto Alegre de antigamente" (o título é mais ou menos isso, mas é fácil de achar) do Orkut. 

Eu particularmente lembro-me de ir muito na Galeria Chaves, onde havia praticamente uma loja ao lado da outra, sendo que em algumas era possível escutar os discos em cabines individuais, e, posteriormente, sem as cabines, mas com fones de ouvido. Eu gostava bastante de ir na Pop Som, onde dava pra escutar o disco sem ter que encarar o olhar atravessado do proprietário, que se emputecia se o álbum não fosse comprado (o que ocorria, por exemplo, na Discoteca ou na King's Discos). Foi como funcionário da Pop Som que conheci o famosíssimo Led, que, devido à sua adoração pelo Led Zeppelin, é figurinha carimbada do meio musical de Porto Alegre, uma das mais folclóricas "peças" do mercado fonográfico gaúcho, e que hoje mantém uma bela loja na mesma galeria. A Galeria Chaves, guardadas as proporções, é a nossa Galeria do Rock, tal como a famosa Galeria da 24 de maio, no centrão velho de São Paulo, ponto turístico indispensável para qualquer fã de música. 


O fato é que tenho percebido mais e mais que está ficando muito difícil comprar LPs em Porto Alegre, pois o número de lojas caiu de forma vertiginosa. Atualmente, pode-se comprar vinis nas lojas da Galeria Chaves (do térreo e dos andares de cima), na Toca do Disco, na Boca do Disco (do lendário Getúlio), na Stoned Discos (do super simpático Ivan) - as quais, em grande parte, estão focadas mais significativamente para o CD -, e nas lojas do viaduto da Borges de Medeiros, ou no Brique da Redenção, aos domingos de manhã. Também há duas lojas embaixo do Túnel/Viaduto da Conceição. 

Mas há poucos pontos na cidade onde ainda é possível achar LPs "de barbada". Antes havia muitas lojas do tipo em que o cara que estava vendendo não era grande conhecedor de música, ou pelo menos não era conhecedor de todos os estilos, o que garantia a possibilidade de pintar um precinho bem camarada por aquele álbuns que você estava buscando há horas, ao invés dos preços mais altos que costumam cobrar os comerciantes especializados. Ou mesmo lojas de caras que, embora conhecessem música, não cobravam preços altos, tal como era o caso do Hilton, que tinha uma lojinha na Salgado Filho, no lugar do antigo cinema São João. A última grande barbada que vi foi na loja de uns coreanos, na Voluntários da Pátria. Eles vendem aparelhos eletrônicos usados e tinham bastante vinis, até que decidiram torrar tudo por R$ 1,00. Eu comprei um monte de discos no ensejo, mas, infelizmente, acho que ainda poderia ter passado mais um pente fino. Só que, quando voltei lá um dia, eles já tinha despachado o resto do estoque. 


Há como opções, além dos pontos antes mencionados, um brechó na Júlio de Castilhos (perto do cine Real, será que é esse o nome?), e em alguns briques da João Pessoa (estes dias achei por R$5,00, em um deles, o famoso disco "roqueiro" do conjunto melódico Norberto Baldaulf, provavelmente o primeiro álbum de rock gravado por um grupo gaúcho, embora, evidentemente, não se trate de um grupo de rock, e nem o rock gravado fosse assim tão "roqueiro" para os padrões atuais). Mas tenho saudades de encontrar, em algum porão escuro ou uma loja bem esculhambada, algumas caixas de LPs misturados, de quaisquer gêneros, com alguma preciosidade à espera para ser descoberta, vendida por um ou dois reais.

Atualmente, com o lance do Mercado Livre e da internet em geral, o pessoal tem ficado bem esperto. Só pra contar uma historinha rápida a respeito: sábado passado fui fazer a minha pesquisa em jornais antigos no Museu Hipólito da Costa, na esquina da rua da Praia com a Caldas Jr., para o livro que estou escrevendo sobre a música/rock gaúcho. Daí, tinha um cara bem ao lado, perto do antigo cinema Cacique, vendendo uns LPs que ele expôs na rua mesmo, na porta de uma loja fechada. Ele tinha, para o meu total espanto, um raríssimo LP em bom estado do Pau Brasil, grupo do expoente do samba-rock gaúcho Bedeu e companhia. Não sei porque, em minha ingenuidade, achei que de repente o cara ia querer cinco, no máximo dez reais, talvez pelo fato de ele vender na rua, e geralmente o pessoal que faz isso está precisando mesmo da grana naquela hora, e, supostamente, não é muito especializado no assunto. Perguntei o preço e quase caí pra trás: ele queria R$80,00!!!!!  E ainda me disse que estava barato, porque na internet estava R$150,00. Claro que eu não comprei, porque raramente me disponho a pagar isso por um LP (só uma vez paguei R$70,00 por um, no Mercado Livre, mas era mesmo um achado). Usando a minha famosa tática de negociação "vou dar uma volta e depois passo de novo pra ver se o cara afrouxa", ele disse que baixaria no máximo para R$60,00, isto porque "tinha comprado o disco de uma pessoa que não entende de música, e que mesmo assim me vendeu por R$35,00". É claro que eu não acreditei na conversa do cara, pois ele deve ter pago uns dois reais, no máximo. Eu ofereci R$20,00 como última oferta. O negócio não saiu, mas talvez um dia saia. 

Contudo, é isso que eu digo, cada vez mais a venda de LPs usados em Porto Alegre é feita por experts, não há mais lugar pra "amador", e aí os preços nos levam à loucura. Aliás, quem souber de alguma "boquinha" diferente, onde se achem boas barbadas, por favor me avise.


Tem que ter: Sugar - Copper Blue (1992)

terça-feira, novembro 25, 2008

Por Marcello Vieira
Colecionador
Lançamento: 04 de setembro de 1992
Gênero: Alternative Rock
Gravadora: Rykodisc
Cat# RCD 10239

Tendo à frente o ex-Husker Dü Bob Mould, o Sugar, apesar de sua curta trajetória, teve, na minha opinião, um dos melhores álbuns dos anos 90. Estou falando de "Copper Blue", lançado em 1992. 

Unindo a sujeira do punk com melodias mais acessíveis, "Copper Blue" chegou a causar um certo impacto em território americano, e foi considerado o disco do ano pela revista inglesa New Musical Express

Talvez a exposição maciça na época da cena de Seattle tenha atrapalhado uma maior popularidade do Sugar, o que é lamentável, pois sem sombra de dúvida o disco merecia uma chance maior na mídia. Os maiores hits do trabalho foram "Helpless", "Changes" e "If I Can´t Change Your Mind", que foi tocada com certa frequência na saudosa Fluminense FM, porém eu recomendo uma audição atenta em todo o álbum.


Faixas:
1. The Act We Act - 5:10
2. A Good Idea - 3:47
3. Changes - 5:01
4. Helpless - 3:05
5. Hoover Dam - 5:27
6. The Slim - 5:14
7. If I Can't Change Your Mind - 3:18
8. Fortune Teller - 4:27
9. Slick - 4:59
10. Man on the Moon - 4:32

On the Road: Crianças, prestem atenção à aula de blues!

terça-feira, novembro 25, 2008

Por Ugo Medeiros
Colecionador

Este ano fui ao Rio das Ostras Jazz & Blues Festival na expectativa de ver o lendário John Mayall e os Bluesbreakers. Mas, antes do show do pai do blues inglês, tive um momento de aprendizado. Sim, aprendizado, e em pleno festival, no meio de mais de 15 mil pessoas. Quando o Blues Etílicos subiu ao palco e começou seu concerto tive a impressão de estar em uma aula música, fazendo (e escutando) a lição sobre o blues.



Ao contrário do que muitos possam pensar, esta não foi a primeira vez que assisti ao show da banda. Seria mais um. Mas, um sentimento estranho, aos poucos, tomou conta de mim. Meio a releituras de Muddy Waters e algumas canções próprias, o grupo, que tem 21 anos de estrada, esbanjou técnica e mostrou o verdadeiro feeling do blues. Se em clássicos como "I Want to Be Loved" de Willie Dixon, "Good Morning Little School Girl" de John Lee Williamson e "Walking Blues" de Muddy Waters o quinteto mostrava a intimidade com o estilo centenário, o mesmo pode ser dito em relação à "Seems Like the Whole World Was Crying", um blues rock do gaitista Charlie Musselwhite. Havia, ainda, espaço para interpretações brasileiras: um cover do saudoso Raul Seixas, "Canceriano Sem Lar", e "Dente de Ouro", uma versão de blues com capoeira.

Ver a apresentação dos Etílicos foi participar de um imenso orgasmo musical coletivo, onde todos, sem excessão, entravam em um estado de insanidade devido à performance incendiária de Otávio Rocha, sem dúvida o melhor
slide tupiniquim, e ao virtuosismo de Flávio Guimarães, gaita e vocal, hoje um dos músicos brasileiros mais respeitados fora do Brasil. Há de se reverenciar esses desbravadores do blues nacional, que ainda contam com a guitarra base e o incrível vocal do americano Greg Wilson, natural do Mississipi, e uma cozinha em perfeita sintonia, Pedro Strasser (bateria) e Cláudio Bedran (baixo).


O show encaminhava-se para o final e, paulatinamente, o sentimento de êxtase diminuía. Após uma aula de como o blues deve ser tocado, o público parecia estar esgotado emocionalmente com o privilégio de ter visto a maior banda brasileira do gênero. Porém, todos tinham uma certeza, aquele momento seria para sempre recordado: o dia em que a cidade de Rio das Ostras teve uma aula para 15 mil alunos ensandecidos pelo calor da boa música.

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