5 de fev de 2009

4 de fev de 2009

Tomada apresenta novo line-up em novo single

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Why Dontcha

A banda paulistana Tomada mostra sua nova formação em um single com as músicas "Catarina" e "Triste e Distante". Este lançamento conta com um time de ponta, com a produção, gravação e mixagem por Martin, Duda Machado e Alejandro Marjanov (Pitty), e masterizado por Renato Coppoli. 

A campanha, que se inicia na internet com as músicas para download, conta também com vídeo making of das gravações (por Nina Cavalcanti), e com as fotos de Juana Diniz. Todo esse material estará disponível também em CD multimídia com arte gráfica de Tiago Almeida. As duas músicas são os primeiros registros para o terceiro álbum da banda, que deve ser lançado em 2009, e mostram a versatilidade do Tomada com o rock energético e temas mais sutis.

Ouça o novo som aqui e assista o vídeo aqui.

3 de fev de 2009

Entrevista exclusiva: Ugo Medeiros bate um papo com Otávio Rocha, guitarrista do Blues Etílicos

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Por Ugo Medeiros
Colecionador
Coluna Blues Rock

Ugo Medeiros – O Blues Etílicos lançou recentemente o 10º álbum da carreira, "Viva Muddy Waters", pela Delira Blues. Para uma banda que sempre fez um blues com sotaque brasileiro, por que gravar um CD de Chicago Blues?

Otávio Rocha – Nós sempre sentimos a música como uma coisa única. Procuramos sempre tocar o que deixasse a banda confortável musicalmente. De uma maneira geral, tudo é música, o blues é uma música ampla. Se você tiver uma boa base de blues, pode colocar um pouco de reggae, por exemplo. Na realidade, sentimos que as pessoas estão deixando as raízes de lado. Todos temos que ter raízes. Sentimos a necessidade de buscar no Muddy Waters, que sempre foi uma de nossas principais influências, essa volta às raízes. Infelizmente muitos da geração mais jovem não conhecem Muddy Waters. Através do Blues Etílicos passam a conhecê-lo e outros mestre do blues, é muito importante.

O repertório de Muddy é muito extenso. Como foi a seleção das faixas? Quem escolheu as músicas? Houve algum critério, por exemplo evitar as mais manjadas? Não há "Got My Mojo Workin’", "Hoochie Coochie Man", "I Just Want to Make Love With You" ...

Todos da banda sempre escutaram Muddy Waters, sendo um dos poucos nomes que era um consenso. Nós procuramos evitar as mais manjadas. Cada um fez uma audição individual mais detalhada, separando as músicas com a sonoridade da banda e do Greg Wilson (vocalista). Após essa primeira fase, cada um deu sua lista. A grande surpresa é que havia cinco ou seis músicas que eram comuns. A partir daí vimos as outras que o Flávio Guimarães (vocalista e gaitista) queria realmente cantar, outra que eu achava que essencial ...

Teve alguma música que você gostaria de ter gravado e que ficou de fora do CD?

"Louisiana Blues". Ela tem um tempo quase ímpar. Quem escuta John Lee Hoocker e Muddy, percebe que os compassos não são certos. Tocam em cima da voz, justamente o atrativo deles. Essa ficou muito interessante, mas infelizmente não deu tempo de desenvolvê-la melhor. Se houver um volume 2, estará presente. O repertório de Muddy é muito rico, possibilita fazer volume 1, 2, 3, sem colocar as mais “manjadas”.

O Charles Musselwhite deu uma música para a banda. Como foi isso?

Desde 1995 ele é muito amigo do Flávio. Eu já havia gravado uma sessão com ele e o Flávio, e ano passado tive a honra de acompanhá-lo no Festival de Rio das Ostras. Para mim foi o divisor de águas na minha vida, pois acompanhá-lo na guitarra, sozinho, é muita responsabilidade; cresci muito musicalmente. Quando contamos o nosso projeto, nos disse que tinha essa letra pronta, mas havia gravado como um blues tradicional (praticamente não tinha utilizado). Ele nos deu a letra com total autonomia na parte instrumental. Fizemos um arranjo num estilo Delta moderno.

Além do Blues Etílicos, você formou o Blues Groovers com Ugo Perrota (baixo) e Beto Werther (bateria). Talvez seja a única sideband de blues do Brasil, ou seja, que só toca acompanhando outros músicos: Big Gilson (com o nome de Rio Dynamite), Flávio Guimarães, Maurício Sahady e Álamo Leal. Vocês já pensaram em também fazer shows só em trio, iniciando uma carreira própria da banda?

Volta e meia pensamos nisso sim, mas é uma sideband. Acho legal podermos acompanhar esses músicos e fazer um som de qualidade. O Flávio gosta de um tipo de som, já o Gilson gosta de outra coisa, o Maurício também ... Gosto de aprender constantemente com esses caras. Pode ser que um dia nós façamos. Mas a questão é: quem iria cantar? Apesar de o Beto Werther ter uma voz muito boa, acredito que o papel do Blues Groovers seja acompanhar artistas variados.

Cada artista tem seu estilo. Não é difícil para uma banda ter que tocar de quatro formas diferentes para se adequar ao estilo de cada solista?

Se você não tiver um bom fundamento de blues fica bem difícil. Nós três temos uma boa base e experiência, assim facilita. É justamente a diferença de cada solista que deixa o trabalho interessante, pois tentamos dar pra cada um uma sonoridade diferente. O blues é uma música que tem elementos típicos, portanto tem que saber a fundo para poder variá-lo e não ficar repetitivo. É um grande desafio.

Vocês excursionaram com o Big Gilson e o cantor The Wolf pela Inglaterra. O que mais te marcou na viagem?

O Ugo não foi nessa turnê, o baixista foi o Pedro Leão. Poder tocar na Inglaterra, a terra dos Beatles, foi muito especial. A própria atmosfera cultural e musical é de arrepiar. Foram shows pequenos, mas a chance de me apresentar na Inglaterra foi única.

O Blues Etílicos está completando 20 anos. Qual o balanço que você faz da carreira da banda? Como você compara o Blues Etílicos de hoje com o do início?

Individualmente e como banda somos mais maduros. O blues é uma música na qual você precisa de vivência. É injusto falar que era melhor do que antes. As pessoas aprenderam a fazer blues nos anos 80 a partir da prática, aos poucos. Foram “obrigadas”. É natural que tenhamos cometido erros. Nós fomos aprendendo com o tempo. Naquela época não havia internet, não tinha como ter acesso à discografia de blues. Quando se conseguia um disco de blues, era ocasião pra se comemorar. Hoje em dia o volume de informação é muito maior. As bandas novas têm menos desculpas para tocar mal. Mas é como te falei, é um estilo musical no qual a maturação é fundamental. Dizem que o blues é a música mais fácil de tocar; mas também a mais fácil para errar (risos). O Blues Etílicos finalmente está preparada para tocar.

Você foi um dos primeiros no Brasil a tocar guitarra slide. Como se interessou por essa técnica?

Essa história é curiosa. Eu tinha primos exilados na época da ditadura. Eles conseguiam discos do Johnnie Winter, isso em 1973. Desde os meu 10 anos escutava e me dava vontade de tocar. Eu tinha facilidade pra tocar slide. No primeiro disco do Blues Etílicos eu não sabia tocar guitarra, mas sabia tocar slide! A guitarra slide tem afinações abertas, o que facilita. Eu consegui gravar um disco sem saber tocar guitarra. Foi estranho. Se eu fosse espírita falaria que na outra encarnação eu fui tocador de slide.

Você se sente realizado como músico, ou ainda tem alguma meta a ser alcançada?

Sempre acho que posso melhorar enquanto músico. Estou sempre olhando pra frente. Eu fico feliz de conseguir ter uma carreira com altos e baixos no Brasil, totalmente fora do mainstream. Sempre fiz um som fiel, com variações, ao meu desejo. Sinto-me bem, mas acho que o melhor sempre está por vir. Estou sempre aprendendo e acredito que amanhã estarei tocando melhor que hoje.

2 de fev de 2009

O Jazz e Sua Formação - Parte 4

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Por Fábio Pires
Pesquisador e Colecionador

Podemos dizer que o jazz que conhecemos desde sua formação em Nova Orleans obteve seu desenvolvimento, ou uma segunda fase, em Chicago, e por um bom tempo concentrou toda uma esfera do conhecimento jazzístico nessa cidade .As bandas locais começaram a ceder espaço para as bandas itinerantes vindas de Nova Orleans, com músicos que procuravam um espaço maior numa cidade mais agitada culturalmente e de maior reconhecimento para quem se dedicasse à carreira musical, como era o caso dos negros que lá se firmariam.

Artistas pianistas como Jelly Roll Morton e Tony Jackson já haviam tocado lá, bem como os artistas do vaudeville da época. Chicago não somente recebeu os negros do sul e grandes orquestras (como as de Count Basie, Benny Goodman, Roy Eldridge, Bob Crosby) e os transformou em estrelas, mas tinha também seus "filhos", como Bix Beiderbecke e seus Wolverines, os instrumentistas da Austin High School Gang, originados do New Orleans Rhythm Kings e que contribuiríam para estilo Chicago de jazz. Em 1921/22, tocaram em Chicago bandas já importantes no contexto histórico, como Joe Oliver, June Cobb, Roy Palmer, Clarence Jones e Bix, citado acima.


Em 1920 King Oliver viria à formar a Original Creole Jazz Band, que convidaria, em 1922, após uma turnê em San Francisco, um rapaz que tivera experiências nas orquestras de Kid Ory e Fate Marabble: nada menos que o jovem trompetista Louis Armstrong.

O termo jazz tem ainda sua origem bem curiosa. Os negros que chegavam a Chicago, numa intensa disputa com outros músicos, chamariam a nova música de
jazz music ou mesmo jass (palavra que designa o ato sexual e suas variações). Mais alguns grandes aspectos para a época de Chicago:


- as primeiras gravações que contribuíram para o "novo" no jazz: os discos dos grupos Hot Five e Hot Seven, de Louis Armstrong, de 1927-29;

- gravações de 1930 de Duke Ellington;

- Fletcher Henderson, em 1936;

- Count Basie, em 1937;

- Benny Goodman, gravações de 35 à 37 com sua primeira
big band, depois substituído pela big band de Jimmy Dorsey, Red Norvo e Bob Crosby.

Já a partir de 1943 o jazz de Chicago começou à decair em qualidade paulatinamente, até passar seu reinado para Nova York.

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