19 de mar de 2010

U2 lança vinil triplo em edição limitada

sexta-feira, março 19, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O U2 está lançando Artificial Horizon, vinil triplo em edição limitada. O disco traz treze faixas remixadas por trezes produtores diferentes, em uma edição especial para colecionadores. Entre os produtores estão nomes como Trent Reznor, Hot Chip e Justice.

Artificial Horizon inclui faixas que abrangem o período entre 1997 e 2009, com destaque para três versões para músicas do grupo nunca lançadas comercialmente antes - "I´ll Go Crazy If I Don´t Go Crazy Tonight (Live U2360 Remix)", "City of Blinding Lights (Hot Chip 2006 Remix)" e "Get On Your Boots (Fish Out of Water Mix)" -, além de duas faixas presentes anteriormente apenas em edições limitadas - "Staring at the Sun (Brothers in Rhythm Ambient Mix)" e "Magnificent (Falke Radio Mix)".

Essa edição em vinil triplo conta com capa gatefold e estará disponível por apenas oito dias, então, se você quiser a sua, compre agora aqui!

18 de mar de 2010

Bad Company - Hard Rock Live (2010)

quinta-feira, março 18, 2010

Por Vitor Bemvindo
Historiador e Colecionador
Mofodeu

Cotação: ****

Nunca me esqueço da primeira vez que escutei “Rock Steady” do Bad Company. Estava no bar Heavy Duty Beer Club, um dos únicos redutos rock and roll do Rio de Janeiro, e uma banda cover a tocou. Eu era então um jovem mancebo que pouco conhecia do rock setentista, e quando ouvi aquilo perguntei ao meu amigo Luiz Felipe Freitas, a Enciclopédia do Rock: “Que banda é essa?”. Ele respondeu com a sutileza que lhe é peculiar: “É Bad Company, porra!”. Minha vida nunca mais foi a mesma depois daquele dia.

Na mesma semana, a Enciclopédia teve a nobreza de me emprestar alguns dos seus “verbetes”. Foi então que ouvi pela primeira vez o disco
Bad Company (1974), uma das maiores obras-primas da história do rock na minha humilde opinião. Ele me emprestou também os bons Straight Shooter (1975), Burnin’ Sky (1977) e Desolation Angels (1979). Eu ouvi todos aqueles discos à exaustão e fiz uma coletânea das músicas que mais gostei. Eu levava aquele disquinho pra todo lugar que eu ia. Foi assim que o Bad Company passou a ser parte da trilha sonora da minha vida.

Paul Rodgers mudou meus conceitos sobre o que é ser um vocalista de rock and roll. Agudos e estripulias vocais são legais, mas não são fundamentais. A maneira sutil, suave e apaixonada com que Rodgers canta me cativou desde o primeiro momento que eu ouvi. Ele não é metido a exageros, sabe encaixar sua voz exatamente ao que cada canção pede, o que o fez se tornar um dos grandes.

O Bad Company nasceu de uma reunião estrelar de ex-membros do Free (Paul Rodgers e o baterista Simon Kirke), do Mott the Hoople (o guitarrista Mick Ralphs) e King Crimson (o baixista Boz Burrell), em 1973. O supergrupo imediatamente assinou um contrato com o selo Swam Song (de propriedade do Led Zeppelin) e, entre 1974 e 1982, com a mesma formação, lançou seis discos de estúdio.

Após esse período, Paul Rodgers partiu para carreira solo e a banda passou ter uma rotatividade maior em sua formação. Em 2002 a banda voltou às origens da sua formação, mas sem o baixista original, Boz Burrell. Lançaram o ótimo disco ao vivo
Merchants of Cool, que contava com duas músicas inéditas bem legais: “Saving Grace” e “Joe Fabulous”. Mas a reunião durou pouco. Em 2006 Burrell faleceu e frustrou de vez uma possível reunião da formação original.

Mas em 2008, Rodgers, Kirke e Ralphs resolveram se reunir novamente para apresentações por algumas partes do mundo. A apresentação no Hard Rock Hotel & Casino, na Flórida, foi registrada e finalmente lançada agora em 2010. O concerto foi disponibilizado em um pacote que vem com um CD e um DVD.

O disco é um apanhado muito bem feito da carreira da banda. Eles selecionaram 16 canções do período de 1974 a 1982, quando Rodgers comandava os vocais do grupo. A diferença evidente é a nova roupagem dada às faixas. Se há uma coisa que pode se criticar no Bad Company era a produção dos discos de estúdio. As faixas nunca ficaram com o peso e a significância que mereciam. A banda costumava então consertar isso no palco, tornando-se um caso clássico de grupo que se saía melhor nos palcos do que no estúdio.

O registro de
Hard Rock Live (2010) é uma prova de aquelas canções tem mais para oferecer do que está registrado nos álbuns originais. Ao vivo, o Bad Company mais uma vez mostrou sua força. Um exemplo claro disso é “Gone, Gone, Gone”, que entrou nesse álbum como uma espécie de tributo a Boz Burrell, seu compositor. A versão original, que saiu em Desolation Angels, tem uma produção que chega a ser constrangedora: uma guitarra sem peso e uma percussão intercalada por palmas fazem com que você não consiga se deter na faixa até o fim. No disco ao vivo recém-lançado, “Gone, Gone, Gone” recebeu o peso que merecia, ganhando mais distorção na guitarra e se desfazendo das palminhas, que remetiam a um programa de auditório de quinta categoria. Isso acontece durante todo o disco. A energia do Bad Company está muito bem captada em Hard Rock Live, assim como já havia acontecido em Merchants of Cool (2002) e Live in Albuquerque (lançado em 2006, mas que traz um registro feito em 1976).

O disco tem vários destaques. Claro que os clássicos saltam aos ouvidos. Canções como “Bad Company”, “Rock Steady”, “Can’t Get Enough” e “Good Lovin’ Gone Bad” fazem qualquer um se empolgar. As baladas também estão de emocionar: “Shooting Star” e “Ready for Love” ganharam suas versões definitivas.

Mas talvez o destaque seja a versão de “Rock ‘n’ Roll Fantasy”, de
Desolation Angels. O Bad Company teve a feliz ideia de convidar o bom guitarrista Howard Leese (que costuma estar com Paul Rodgers em seus projetos solo) para acompanhar a banda. Isso trouxe para o grupo uma característica antes quase não existente: a utilização de duas guitarras. O trabalho de guitarras gêmeas de Leese e Ralphs em “Rock ‘n’ Roll Fantasy” fez com que a música ficasse ainda melhor.

As versões das faixas de
Desolation Angels em Hard Rock Live mostram como aquele disco foi mal aproveitado. Existem várias músicas fantásticas naquele disco, mas a produção deixa bastante a desejar. Talvez por isso, aquele seja o álbum mais injustiçado da carreira do Bad Company.

Portanto,
Hard Rock Live é uma excelente opção para os fanáticos pela banda, mas também para aqueles que querem ter o primeiro contato com o grupo. Os maiores sucessos do conjunto estão ali registrados de maneira magistral, fazendo jus à fama do Bad Company de ser um grande grupo em cima dos palcos. Vale o investimento, vocês não se arrepender.


Faixas:
1. Bad Company
2. Honey Child
3. Sweet Lil' Sister
4. Burnin' Sky
5. Gone Gone Gone
6. Run with the Pack
7. Seagull
8. Feel Like Makin' Love
9. Movin' On
10. Simple Man
11. Rock Steady
12. Shooting Star
13. Can't Get Enough
14. Rock N'Roll Fantasy
15. Ready for Love
16. Good Lovin' Gone Bad

Jimi Hendrix - Valleys of Neptune (2010)

quinta-feira, março 18, 2010

Por Luiz Felipe Carneiro
Jornalista
Esquina da Música

Cotação: ****

Até que estava demorando um pouquinho para Janie Hendrix lançar mais algum CD póstumo com gravações de seu irmão. Quando colocou nas lojas o luxuoso box The Jimi Hendrix Experience, os fãs pensaram que o tacho já havia sido todo raspado. Não. Janie falou que ainda tem material inédito para lançar pelos próximos dez anos.

A julgar por
Valleys of Neptune, álbum de sobras de Jimi Hendrix que chegou às lojas na semana passada, muita coisa boa ainda pode aparecer por aí. Sob a batuta do engenheiro de som Eddie Kramer (que trabalhou nos álbuns originais de Jimi Hendrix), o álbum, embora não seja absolutamente inédito - diversas canções já são bem conhecidas e foram lançadas em coletâneas póstumas anteriores do artista -, certamente fará a festa dos órfãos daquele que é considerado o maior guitarrista de todos os tempos.

Mesmo não sendo tão surpreendente como tem sido alardeado,
Valleys of Neptune possui em suas faixas uma qualidade que faz jus à aura de Hendrix. As canções foram bem selecionadas, e nada está abaixo do selo de qualidade do guitarrista - o que é comum em trabalhos póstumos que são lançados diariamente por aí. Como exemplo, a faixa-título, um jazz psicodélico que poderia estar presente em qualquer álbum lançado em vida por Jimi Hendrix. Aliás, um trecho da mesma gravação já havia sido lançado em 1990 no box Lifelines, que foi retirado das lojas dois anos após o seu lançamento.

A canção que dá título ao álbum possui um acento pop, que é notado em várias das canções de
Valleys of Neptune, a começar pela sua primeira faixa, uma versão de "Stone Free" gravada entre abril e maio de 1969, no Record Plant, com a presença de Billy Cox (baixo) e Mitch Mitchell (bateria). Aliás, 11 das 12 faixas do disco foram gravadas em 1969, após o lançamento de Electric Ladyland e antes de Band of Gypsys (1970). Ou seja, essas gravações de 1969 representam um período interessante da carreira de Hendrix, o da transição da Experience para a Band of Gypsys. Inclusive, "Ships Passing Through the Night" foi gravada na última sessão de estúdio do guitarrista com a Experience. Essa faixa, assim como as instrumentais "Lullaby for the Summer" e "Crying Blue Rain", são inéditas em disco. Esta última - que conta com a adesão de Rocki Dzidzornu (o mesmo que tocou percussão na gravação de "Sympathy for the Devil" dos Rolling Stones) -, ganhou novo baixo e nova bateria, gravados por Cox e Mitchell, em 1987. O mesmo processo de "revigoração" aconteceu com "Lover Man" (em versão raivosa) e "Mr Bad Luck", sendo que a última é a única faixa do álbum não gravada em 1969 - ela é de 1967, e chegou a ser testada por Hendrix nas sessões de gravação do álbum Axis Bold as Love, lançado no mesmo ano.

Canções já bastante conhecidas dos fãs de Jimi, como "Fire", "Red House" (com mais de oito minutos de duração e um solo fantástico de Hendrix) e "Hear My Train a Comin'", ganharam novas versões nesse
Valleys of Neptune, diferentes das originais: as duas primeiras foram gravadas durante um ensaio para um show de Hendrix em Londres, enquanto que a segunda se destaca pelo solo arrasador do guitarrista e pela bateria animal de Mitchell. "Sunshine of Your Love" ganhou uma versão mais pesada (e instrumental) do que a original do Cream, banda de seu "concorrente" Eric Clapton. Hendrix descontrói a canção, em solos rápidos e alucinantes.

Valleys of Neptune não deixa de ser mais uma forma de Janie Hendrix engordar as suas contas bancárias. Nada mal para quem viu o irmão uma vez ou outra. Mas o trabalho foi bem feito. Os fãs ficarão felizes. Tomara que os próximos lançamentos póstumos mantenham a mesma integridade de Valleys of Neptune. Aliás, com o nome de Jimi Hendrix no meio, é o mínimo que se pode esperar.


Faixas:
1. Stone Free
2. Valleys Of Neptune
3. Bleeding Heart
4. Hear My Train A Comin´
5. Mr. Bad Luck
6. Sunshine Of Your Love
7. Lover Man
8. Ships Passing In The Night
9. Fire
10. Red House
11. Lullaby For The Summer
12. Crying Blue Rain

Discos Fundamentais: Big Star - #1 Record (1972)

quinta-feira, março 18, 2010

Por Carlos Eduardo Lima
Jornalista e Colecionador

Hoje em dia, seguindo a tendência de que o ser humano precisa cada vez de mais tempo para gastar e ele não pode perder um segundo sequer para entender algo muito mais complexo, mesmo que isso seja ouvir alguém cantando sobre o amor perdido, a solidão, a chuva, o céu, enfim, acabamos obrigados a ser felizes sem pensarmos muito se podemos, devemos ou até se queremos ser agora. Talvez depois. Resumindo: a música pop se foi. Ou melhor, se tornou impopular. Virou um gueto, onde residem os artesãos forjados após muitas audições de discos dos Beatles, dos Beach Boys, dos Byrds e do Big Star.

Mesmo que não tenha sido intencional, Brian Wilson, líder dos Beach Boys, definiu em 1967 o que era o pop. Claro que os Beatles já haviam levado o termo pop ao extremo anos antes, mas Wilson acertou na mosca quando disse que queria "fazer uma sinfonia adolescente para Deus" ao se referir a seu abortado projeto Smile. Pop é entrar em conexão direta com as mais belas melodias, subvertidas para o assovio, para o balbucio, para o cantarolar. E as melodias, amigos, vêm lá de cima.

Mas nem só de Beatles e Beach Boys viveu (e ainda vive) o bom pop. Uma singular formação de Memphis, Tennessee, levou o termo pop para o dicionário. Ironicamente contratado do selo Stax, espacializado em soul e black music em geral, o Big Star nasceu de uma desilusão dupla. Alex Chilton era vocalista e guitarrista de uma banda de soul branco chamada Box Tops, enquanto Chris Bell era guitarrista e vocalista de um trio de rock americano com cara de inglês chamado Ice Water. O Box Tops ficou famoso, principalmente na Inglaterra, com o estouro de "The Letter", uma cançoneta pop com tinturas de blue-eyed soul. Bell e Chilton eram colegas de colégio, mas não tão amigos como se supõe.

Após fracassos simultâneos, os dois, mais Andy Hummel (piano, e baixo) e Jody Stephens (bateria), formaram o Big Star, copiando o nome de um supermercado vizinho ao Ardent Studios, em Memphis. Ali gravaram o seu primeiro disco, chamado apenas de #1 Record, em 1972, e entraram para a história. Baladas absolutamente perfeitas, como "Thirteen" ou "The Ballad of El Goodo", conviviam com faixas mais rapidinhas como "Don't Lie to Me", e fizeram do disco uma verdadeira bíblia do que se chamou de power pop. Bell e Chilton continuaram se estanhando, e o segundo acabou saindo da banda por divergências musicais. Bell permaneceria no anonimato durante a década de 70, gravando ocasionalmente, ajudado por seu irmão David. Esses registros foram resumidos no disco I am the Cosmos, de 1978, póstumo, já que Bell se espatifou num acidente de automóvel. Chilton seguiu com a banda e numa errática, mas impecável, carreira solo.

Mas a semente estava lançada. O que o Big Star fez com maestria (e outros grupos da época também, como Badfinger e Raspberries) foi aperfeiçoar a faceta pop das bandas inglesas do primeiro (Beatles) e segundo escalão (Hollies, Herman's Hermits, Zombies), tornando-as ensolaradas e livres de seu original fog britânico.

Ao fazerem isso, estes pioneiros forjaram um novo som. Criaram padrões e, como todos os pioneiros, não viram fama ou fortuna. Uma injustiça que pode ser reparada por você, adquirindo #1 Record em CD, aproveitando que a versão disponível neste formato ainda traz o soberbo segundo disco, chamado Radio City, gravado um ano depois, já sem Chris Bell.

Obrigatório para quem gosta de rock.


Faixas:
1. Feel – 3:34
2. The Ballad of El Goodo – 4:21
3. In the Street – 2:55
4. Thirteen – 2:34
5. Don't Lie to Me – 3:07
6. The India Song – 2:20
7. When My Baby's Beside Me – 3:22
8. My Life is Right – 3:07
9. Give Me Another Chance – 3:26
10. Try Again – 3:31
11. Watch the Sunrise – 3:45
12. ST 100/6 – 1:01

Morre Alex Chilton (1950-2010), do Big Star

quinta-feira, março 18, 2010

Por Vitor Bemvindo
Historiador e Colecionador
Mofodeu

Faleceu ontem (17/03) o guitarrista e vocalista Alex Chilton, mais conhecido pelo seu trabalho com a banda Big Star. Chilton iniciou sua carreira em 1967, com a banda The Box Tops, onde permaneceu até 1969, quando iniciou sua carreira solo.

Em 1971 recebeu um convite do Big Star para assumir os vocais e a guitarra-base do grupo. O Big Star foi responsável pela repaginação do pop rock, desgastado após o sucesso das bandas da invasão britânica entre meados e final dos anos 1960. Numa fase em que o rock psicodélico e, principalmente, o hard rock, reinavam, o Big Star conseguiu um um certo prestígio com o elogiadíssimo disco
#1 Record, de 1972. Apesar da boa repercussão na mídia especializada, o álbum encontrou problemas para ser distribuído, e não conseguiu alcançar boas vendas.

O trabalho seguinte,
Radio City, lançado em 1974, também foi bem recebido pela crítica, mas o pouco sucesso comercial fez com que a banda não conseguisse bons contratos. Chilton deixou o Big Star naquele mesmo ano, e retomou sua carreira solo.

Após sua saída do Big Star, Chilton mudou-se para Nova York, onde acompanhou de perto o surgimento de diversas bandas que tocavam no clube CBGB, responsáveis pelo impulso do movimento punk norte-americano. Ele foi responsável pelo agenciamento e pela produção de alguns dessas grupos, principalmente o The Champs.

Nos anos 80, Alex Chilton prosseguiu sua carreira solo e como produtor, até que, nos anos 90, resolveu reunir seus colegas de Big Star, mesmo sem o seu membro fundador Chris Bell, que faleceu em 1978. Entre idas e vindas, o Big Star se reuniu mais algumas vezes, inclusive fazendo uma turnê por diversas partes do mundo entre 2009 e 2010.

Alex Chilton faleceu em Nova Orleans, de causas ainda não reveladas, mas a versão que circula com maior intensidade é que o músico teria sofrido um ataque cardíaco. Maiores detalhes ainda não foram revelados.

Opinião

Talvez o trabalho de Alex Chilton não tenha sido revolucionário, mas tampouco foi desprezível. Confesso que nunca acompanhei muito a obra do músico. O primeiro contato que tive com o Big Star foi há uns dois anos, graças a uma recomendação de alguém que eu não me lembro quem foi.

A curiosidade surgiu graças a faixa “In the Street”, que é o tema do série de TV americana
That ’70s Show. Após ouvir o álbum #1 Record apenas uma vez, acabei me esquecendo e nunca mais voltei a dar atenção ao grupo. Não que o álbum seja ruim, muito pelo contrário. Mas há de se convir que um disco com uma sonoridade meio sessentista, lançado em meio a uma forte onda hard rock, dificilmente conseguiria se destacar. E foi por isso que nunca dei o devido valor aquele bom disco.

Mas me assusta um pouco a morte de Chilton passar tão desapercebida. Por mais que ele não tenha mudado a história da música, é um talento a menos de uma época de ouro do rock and roll. Por isso, cada vez mais, tenho a convicção de que – mesmo levando o MOFODEU como um hobby – estamos fazendo um grande serviço ao rock: o de não deixar que a memória desse gênero que tanto amamos se apague.

Alex Chilton, não se preocupe! Cuidaremos do seu legado por aqui!

Descanse em paz!

17 de mar de 2010

Quer ganhar discos raríssimos do Metallica?

quarta-feira, março 17, 2010

Por Tony Aiex
Colecionador
Tenho Mais Discos Que Amigos!

Dando continuidade ao seu “Metal March”, a Because Sound Matters está fazendo uma mega promoção do Metallica. Ao todo serão 10 ganhadores, e o prêmio máximo é um conjunto de 9 prensagens de teste de álbuns do Metallica.

Prensagens de teste são as primeiras cópias fabricadas de um disco de vinil, justamente para ver se está tudo certo com o áudio, a divisão das faixas e se o resto dos discos pode ser prensado a partir da mesma fonte que foi utilizada para fazê-la. Normalmente são prensados menos de cinco cópias de teste de um disco e por isso elas são tão raras.

Dois vencedores levarão o pacotão que tem os seguintes discos:

Kill ‘Em All
Ride the Lightning
Master of Puppets
…And Justice For All
Metallica (The Black Album)
Load
ReLoad
St Anger
Death Magnetic

Há ainda mais prêmios para quem ficar entre os dez primeiros lugares. Do terceiro ao quinto os prêmios são esses:

Black Album (Edição Deluxe com 4 LPs)
…And Justice For All (Edição Deluxe com 4 LPs)
Death Magnetic (Edição Deluxe com 5 LPs)

E os último cinco colocados ainda levam o Death Magnetic em LP duplo.

É promoção pra fã nenhum botar defeito, e o link para participar é esse aqui.

Rock Brasileiro 1975

quarta-feira, março 17, 2010

Por Ronaldo Rodrigues
Colecionador
Apresentador do programa Estação Rádio Espacial

O ano seguinte seria um marco em grandes eventos e festivais (dadas as proporções do público existente), além de bons lançamentos e novos nomes surgindo no cenário.

Cartaz do Hollywood Rock

Logo em janeiro, o empresário Nelson Motta surge com o projeto Hollywood Rock, realizado no campo do Botafogo, no Rio de Janeiro. Foram quatro fins de semana de som, cada um deles com atrações diferentes. O primeiro, em 11 de janeiro, teve como atração principal Rita Lee & Tutti Frutti. No dia 18 (coincidindo com o segundo dia do Festival de Águas Claras em Iacanga), estavam previstas apresentações do Veludo e dos Mutantes. O público era de aproximadamente 18.000 pessoas. Após a apresentação do Veludo, os Mutantes sobem ao palco e logo são recepcionados por uma tempestade de verão, que destruiu o palco e acabou com a apresentação. Isso prejudicou muito a banda, que teve equipamentos danificados e os tirou da apresentação no Festival de Águas Claras (eles iriam direto do Rio para Iacanga, após o show).

No dia 25, as atrações eram O Peso, Vímana e O Terço (que tinha tocado em Iacanga no fim de semana anterior). O Vímana foi prejudicado por uma falha no som durante parte da apresentação e os dois outros shows levantaram a moçada. O derradeiro concerto da série recebeu dois artistas já históricos de nosso rock – Celly Campelo e Erasmo Carlos, além do emergente Raul Seixas.

Existe um “falso” registro em áudio de parte do festival, com as músicas de estúdio das bandas que se apresentaram acrescidas de barulhos de plateia, e um registro raro em vídeo (chamado Ritmo Alucinante), infelizmente com baixa qualidade de som e imagem, de alguns trechos dessas apresentações, que pelo menos vale pra se ter uma ideia d’O Peso e do Vímana no palco.

Houve tentativas da parte de Motta para levar o evento a outras capitais mas não deu certo. A ditadura encrespava muito com eventos ao ar livre e houve problemas com a marca de cigarros Hollywood, que patrocinava o evento.

Big Boy e Sábado Som

Na TV, na mídia impressa e no rádio o rock também crescia. A Rede Globo apresentava o programa Sábado Som, que estreou em março de 74 e foi até fevereiro de 75, deixando a moçada maluca com vídeo-tapes de grandes bandas da época e registros de seus concertos – Pink Floyd, Black Sabbath, Mahavisnhu Orchestra, Allman Brothers, Humble Pie, Johnny Winter, etc. O Veludo foi a única banda nacional a aparecer no programa.

No rádio, despontava com crescente sucesso entre a moçada a Rádio Eldorado, no FM, mais conhecida como Eldo Pop. O FM era novidade na época e a Eldo tocava material até então inédito no país, principalmente do rock progressivo e hard rock contemporâneo (não só inglês e norte-americano, mas de vários outros países, inclusive som das bandas locais), sem locuções e com pouquíssimos intervalos, numa longa viagem sonora. A rádio começou em fins de 72 e durou até 78, pouco tempo depois da morte do famoso disc-jóquei Big Boy, que era quem conseguia o fantástico material que a rádio veiculava e era seu principal programador. Deixou como legado uma imensa legião de órfãos que a cultuavam e que até hoje pesquisam nomes de algumas músicas que tocavam na programação, já que não eram anunciadas enquanto tocavam.

Em São Paulo, grande repercussão tinha o programa Kaleidoscópio, apresentado diariamente nas madrugadas por Jacques do Kaleidoscópio. Em uma rádio católica, Jacques botava pra quebrar com muito rock n’ roll e entrevistas, que o público podia assistir no próprio auditório da rádio.

Como revistas de grande circulação, havia a Hit-Pop (antes chamada de Geração Pop) e a Rock: A História e a Glória, que além de anunciarem as novidades lançadas no Brasil e no mundo encartavam pôsters de bandas que despontavam na época, e traziam algumas resenhas e entrevistas.

Festival de Águas Claras, o Woodstock brasileiro

No mesmo janeiro de 75 rolou o maior festival ao ar livre da época no Brasil, o Festival de Águas Claras, em Iacanga (interior de SP). Uma festa muito louca, com muita lama e curtição, que reuniu alguns dos maiores nomes do período e outros menos famosos no circuito nacional. Foram três dias, com instalações pouco adequadas para os presentes e equipamento rústico para os músicos, em termos de som e iluminação. Lá se apresentaram bandas já consolidadas no cenário como O Terço (a única que se apresentou no Hollywood Rock e em Águas Claras e foi o encerramento da programação), Moto Perpétuo, Apokalypsis, Soma, A Barca do Sol, Som Nosso de Cada Dia e Terreno Baldio. Tocaram também Rock da Mortalha, Orquestra Azul (que abriu o festival), Jazzco, Ursa Maior, Burmah, Mitra, Tony Osannah e mais alguns no lado mais rock, e no lado MPB houve Jorge Mautner, Walter Franco, Grupo Capote (de Odair Cabeça de Poeta) e Marcos Vinícius, entre outros.

Este festival atraiu boa cobertura da mídia impressa do Brasil, pela grande proporção que teve e também pelo desbunde total que foi. Existe um documentário sobre o festival (e suas outras três edições, em 81, 83 e 84) sendo preparado desde 2008, com previsão de ser lançado neste ano (vamos aguardar!).

O pesadíssimo Rock da Mortalha

Vale aqui uma pausa para falar das bandas que tocaram lá e que não tem (até hoje) nenhum registro em disco. O Rock da Mortalha é um grupo lendário da cena brasileira, porque, segundo relatos, seu som era extremamente pesado. Era um hard rock vigoroso, na linha de Black Sabbath. Os membros da banda, formada na periferia de São Bernardo do Campo, tocavam fantasiados e utilizavam algumas temáticas obscuras e fantásticas em suas letras. Existem relatos conflitantes e desencontrados a respeito do grupo, e até recentemente surgiram gravações de um ensaio do conjunto (com péssima qualidade sonora, infelizmente) em que realmente percebe-se como o som era pesado. Mas há pessoas que conheceram pessoalmente a banda e seus membros, e que relatam que o som dos caras não era nada daquilo, e que o material poderia até ser de uma outra banda.

Tiveram várias formações e estiveram ativos até o fim dos anos 70, já indo numa direção mais heavy metal. Controvérsias a parte, os músicos que faziam parte da banda na época de Iacanga (eram eles Orlando Luí no baixo, Baccas na guitarra e Julinho na bateria) já morreram (ou sumiram), e fica essa lacuna sobre a história do grupo. Também eram acompanhados eventualmente (o que não aconteceu no show de Iacanga) de um dançarino, chamado Lola, que era italiano e fazia performances teatrais durante os shows no período.

O Soma era carioca e a história da banda começa em 1969, com Bruce Henry, jovem norte-americano que veio morar no Brasil em 66. A banda começou com Jaime Shields (guitarra e vocal), Alírio Lima (bateria) e Ricardo Peixoto (guitarra). Nesta época, gravaram compactos que saíram na obscura coletânea Barbarella, de 71. Pela falta de repercussão do material, deram um tempo e só voltaram em 74, sem Ricardo Peixoto e com a inclusão de Ritchie Court, o mesmo flautista e vocalista inglês que tinha integrado o Scaladácida. O único registro que se tem da banda neste período é a música "P.F", que saiu no disco do espetáculo Banquete dos Mendigos, organizado por Jards Macalé em comemoração aos 25 anos da declaração dos direitos humanos. Gravaram também a trilha sonora de um filme sobre o famoso ladrão Ronald Briggs, mas nem o filme nem o disco chegaram a ser lançados e se perderam no tempo. A banda era bastante requisitada na época e foi gradativamente ficando mais jazzística, tendo encerrado as atividades no fim dos anos setenta.

O Burmah era um grupo brasileiro-argentino, com origem relacionada à banda El Reloj. Tocaram em duas das mais importantes ocasiões do rock naquele ano – Águas Claras e Banana Progressiva. Sua formação era Norton Lagoa (contrabaixo, o único brasileiro no grupo), Eduardo (guitarra) e Piojo (bateria).

O Jazzco (ou JA2Co) era uma espécie de “brass-rock” na linha de Chicago e Blood Sweat & Tears, com muitos naipes de metais e, assim como o Burmah, tocaram em Águas Claras e na Banana.

É valioso citar, já que estamos falando de bandas das quais não existem registros, do grupo Spectro, de São Paulo. A banda começou em 73, nos arredores de Campinas, capitaneada pelo tecladista e multi-instrumentista Amyr Cantúsio Jr, que conseguiu gravar vários bons trabalhos a partir dos anos 80, ativo ainda na atualidade na linha do progressivo eletrônico (sendo um dos pioneiros no Brasil neste território). Hoje circula por aí uma gravação bastante amadora de ensaios do grupo no período, que tem valor histórico, dando uma idéia de como era o atmosférico rock progressivo do grupo.

O grupo carioca Veludo

Uma outra banda celébre na época e que não deixou registro oficial em disco era o Veludo. Formado no Rio de Janeiro, o grupo era figurinha carimbada nos eventos da capital fluminense, e seus shows eram arrebatadores, segundo relatos de quem os viu. Surgiu inicialmente em 72 como Veludo Elétrico, contando com Lulu Santos na guitarra e vocal (com 19 anos na época), Fernando Gama no baixo, Paul de Castro na guitarra, Elias Mizhrai nos teclados, entre vários outros músicos que participaram de suas formações. Do Veludo Elétrico surgiu o Veludo, núcleo com Elias e Paul e o Vímana, com Lulu e Fernando.

O Veludo fazia um som progressivo numa linha mais ousada e um pouco mais experimental do que os Mutantes e o Terço, em composições longas, com improvisações e instrumental muito energético. O tipo de som que faziam foi considerado inviável e pouco comercial e não conseguiram um contrato para gravar, na época, a despeito de ter um grande público cativo e sempre serem aclamados em apresentações pelos teatros e festivais. A banda teve como formação clássica Elias Mizrahi nos teclados, Nélson Laranjeiras no baixo, Paul de Castro na guitarra e Gustavo Schroetter (ex-Bolha e futuro A Cor do Som). Paul era multi-instrumentista (tocava também baixo, violino e flauta) e em 76 passou a integrar os Mutantes, como baixista.

A banda alternou períodos ativos e inativos, recentemente lançou um trabalho de estúdio e atualmente tem feito alguns shows, inclusive no exterior, capitaneados por Elias Mizrahi. Em 1998, uma luz surge sobre a obra do Veludo. Um fã da banda prensou, por uma louvável iniciativa própria, 2.000 cópias em CD de uma parte da apresentação da banda no Festival Banana Progressiva, também de 75, com um qualidade de som razoável. Um grande presente aos ouvintes do bom rock progressivo da época e que mostra bem o calibre da banda no palco.

Duas ocasiões antagônicas marcaram a trajetória do Veludo. A primeira foi a imensa vaia que tomaram do público ao abrir o show de Bill Halley & His Comets no Rio de Janeiro. Também pudera – claro que não ia pegar um som cabeça e elaborado para abrir um show de música para dançar, de um artista já quase fossilizado e totalmente vinculado a um passado até então recente (anos 50), apesar de seu imenso valor histórico. A ideia dos promotores de escolher o Veludo é que foi infeliz (algo similar às infelizes “misturas” que os eventos do Rock in Rio eram pródigos em fazer).

E o famigerado Ezequiel Neves, grande crítico da estética progressiva, detonava sua metralhadora giratória: "O grupo do guitarrista Paul de Castro desaprendeu de forma chocante sua eficaz receita de rock-blues. Agora o Veludo entrou para o rol do som bolo de noiva, marca registrada do Terço, Mutantes, etc... Tudo de uma chatice sem limites. A competência instrumental a serviço da bobagem. O tecladista não pode ser pior e mais pomposo. Temas fantásticos totalmente jogados fora, sufocados por improvisações totalmente desprezíveis. O Veludo mereceu mesmo a vaia acontecida no Maracanãzinho antes da abertura do show de Bill Haley. O fato do Veludo, o Terço e os Mutantes estarem conscientemente batendo com a cabeça na parede me deixa com pena é da parede".

A banda, pouco antes do show de abertura, vê a debandada de Gustavo Schroetter, substituído por Aristides (que participou de importantes apresentações do grupo dali em diante), e teve uma canja de Patrick Moraz (então tecladista do Yes) no show. A outra ocasião foi gloriosa, e ocorreu no Festival Banana Progressiva. A banda aportou em São Paulo e deixou embasbacados todos os presentes. A expectativa quanto ao show era grande por parte da banda e, querendo chamar mais a atenção os músicos bancaram um anúncio no jornal Folha de São Paulo, anunciando sua apresentação no evento.

Cartaz de show no Teatro Teresa Rachel, no Rio

O outro braço do Veludo Elétrico (Lulu Santos e Fernando Gama) juntou-se aos remanescentes do Módulo Mil (Candinho, baterista, e Luiz Paulo Simas, tecladista) e fundaram a banda Vímana em 74. O som tinha muito de progressivo, mas tinha também um tempero brasileiro com bastante swing. Em 75, Candinho se manda da banda por motivos religiosos (ingressando em uma seita oriental) e a banda acolhe o flautista e vocalista Ritchie Court e o baterista João Luís Woenderbarg, mais conhecido como Lobão.

Em 75 participam como banda de apoio em gravações da cantora Luiza Maria e do cantor Fagner. No período passaram a se relacionar com o tecladista Patrick Moraz, apaixonado por nosso país tropical e que já andava por aí fazendo som com várias bandas locais (O Som Nosso de Cada Dia em Sampa e o Veludo no Rio). Patrick queria que o Vímana fosse sua banda de apoio no projeto do que viria a ser seu disco solo Story of I. Houveram vários desentendimentos entre Patrick e a banda. Ao mesmo tempo em que a moçada ficou deslumbrada pela possibilidade de uma carreira internacional e de tocar ao lado de um músico que já era referência em rock progressivo, ficaram tolhidos pelo gênio difícil do tecladista suíço e por seus desmandos. Patrick viu que a coisa não ia dar pé, a banda estava totalmente insatisfeita com a parceria e cada um foi para o seu lado.

Só em 77 é que a banda entraria no estúdio para gravar. Gravaram pela Som Livre (já uma grande gravadora na época), com a produção de Guto Graça Melo, um disco que ainda não viu a luz do dia (quem sabe um dia!), sobre a alegação de que não havia público no Brasil para aquele tipo de som. Só existe disponível até o momento um compacto com as músicas “Zebra” e “Masquerade”, e mais algumas gravações de shows da banda, com pouca qualidade sonora. Contribui para o fato de a gravação permanecer engavetada o interesse quase nulo dos ex-integrantes pelo antigo material, já que quase todos eles seguiram a trilha da música pop nos anos seguintes (Lulu Santos, Lobão e Ritchie), com bastante sucesso.

A Bolha no palco

A Banana Progressiva foi outra maravilhosa reunião da nata rock brasileira e da MPB relacionada ao rock. Projetada para ser um evento multicultural (com música, exposições de artes plásticas, fotografia e cinema) e para acontecer como uma temporada, aconteceu de fato no Teatro da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, em março, organizado pela Trinka Produções, produtora que já organizava diversos agitos na capital paulista.

Foram quatro noites de evento, começando numa quinta-feira. Na abertura do festival se apresentaram Veludo, Quarto Crescente (há outra banda com este nome nos anos 80, da qual fez parte o vocalista Percy Weiss, sem relação com esta), Bandolim e Som Nosso de Cada Dia. O segundo dia do evento foi a vez do grupo Montanhas, Edson Machado & A Rapaziada, Vímana e Burmah. Na noite seguinte, subiram ao palco Biscoito Celeste, A Bolha, Manito (já saído do Som Nosso de Cada Dia, se apresentando como artista solo) e Erasmo Carlo e Cia Paulistana de Rock, um supergrupo que o Tremendão montou na época para acompanhá-lo. E por fim, o domingo teve uma seleção maravilhosa de shows com Hermeto Pascoal, Barca do Sol, Jazzco e o Terreno Baldio.

A Banana Progressiva foi noticiada na época e musicalmente malhada pela crítica jornalística, que acusava os grupos de não terem originalidade e usarem fórmulas mal copiadas de grandes grupos ingleses. O festival foi bem sucedido em termos de público, porém a ideia de seguir como uma temporada de eventos menores não se firmou da maneira como a Trinka gostaria, rolando outras temporadas no Opus 2004 e no Teatro Bandeirantes, todos em São Paulo.

Alguns álbuns clássicos lançados em 1975

Em termos de discos lançados, o grande destaque fica com a guinada progressiva do grupo paulista Casa das Máquinas. Com a entrada do tecladista Mário Testoni, a banda envereda fortemente para um som mais elaborado e lança o maravilhoso disco Lar de Maravilhas, um dos trabalhos mais representativos do rock progressivo do Brasil na época. Como já dito anteriormente, a banda já era bem profissionalizada, vinda do bem sucedido núcleo d’Os Incríveis no fim dos anos 60, com bons equipamentos e uma certa experiência na lida fonográfica. O disco se saiu muito bem em vendas por conta da faixa de abertura, “Vou Morar no Ar”, uma canção um pouco mais acessível comercialmente falando, que acabou entrando até como trilha sonora de novela da Rede Globo. O tecladista Mário Testoni também foi responsável posteriormente pela guinada ao progressivo da banda Pholhas.

Outro marco no rock brasileiro foi o primeiro (e único) disco da banda O Peso. Formada a partir da dupla Luís Carlos Porto e Antônio Fernando, vindos de Fortaleza para o Rio concorrendo com a música “O Pente” no FIC de 72, a banda registrou em 75 o disco Em Busca do Tempo Perdido, com um rock básico, rasgado e pesado, com influências de blues-rock. A formação que gravou o disco e fez vários shows no período era Luís Carlos Porto (vocal), Carlinhos Scart (baixo), Gabriel O’Meara (guitarra), Constant Papineu (teclado) e Carlos Graça (bateria). O grupo, desiludido pela falta de sucesso e queimado com os empresários pela arruaça que provocava por onde passava, encerrou as atividades após dois anos na estrada.

Os músicos do Peso se integrariam novamente nos idos de 76-77 com a banda Flamboyant, que contava com Gabriel, Papineu e Carlinhos, além de Zé da Gaita (que tinha participado do disco do Peso, tocando na faixa “Blues”) e o famoso Celso Blues Boy na guitarra. Chegaram a acompanhar Raul Seixas em alguns shows, mas não gravaram nada.

Rita Lee & Tutti-Frutti foram a sensação daquele ano, com dois lançamentos de bastante sucesso – Entradas e Bandeiras e Fruto Proibido, ambos com hits que até hoje fazem parte do repertório dos shows de Rita Lee.

O Terço atingia grande magnitude com as vendas do disco Criaturas da Noite e se lançava na tentativa de alcançar mercados internacionais. Gravaram uma versão em inglês deste disco, que foi lançada na Itália com algumas mudanças na mixagem da parte instrumental que não ficaram boas. Acabaram não tendo o resultado obtido, porém conseguiram algumas incursões em países vizinhos. Aqui, seus shows eram muito concorridos e a banda era um dos maiores nomes do rock neste período.

Não só no circuito Rio-São Paulo as coisas estavam acontecendo. Em Porto Alegre, a agitação começou a partir da Rádio Continental, com o apresentador Júlio Furst, que apresentava um programa patrocinado pela marca de calças jeans Lee. Esse cara, após ser convidado para atuar como jurado no festival universitário MusiPUC, resolve apostar nas bandas locais. Júlio propõe à rádio oferecer espaço para gravações semi-profissionais (em dois canais) para as bandas que participaram do MusiPUC e outras que surgissem, para rolar em seu programa. Porto Alegre praticamente não possuía estúdios profissionais na época. A direção da rádio em princípio hesitou e colocou o risco do fracasso do projeto nas costas de Júlio. Mas o cara seguiu com a ideia e a coisa deu certo, auxiliando as bandas na divulgação do som e levando aquela música a uma amplitude maior dentro da região Sul.

As bandas gravaram lá e as músicas rolavam no programa de Júlio, que tinha grande audiência. E a partir disso começaram a surgir os eventos da rádio, com as bandas que tocavam no programa se apresentando nos palcos, principalmente da capital gaúcha. Vieram a tona nestes eventos bandas que ainda hoje permanecem obscuras, por não possuírem registros oficiais (fora os gravados na rádio), como o Byzarro (grupo de hard progressivo), Inconsciente Coletivo (folk-MPB), Mantra (jazz rock), Élbia (rock n’ roll), Utopia (folk progressivo), entre outros.

Outro grupo importante da cena gaúcha na época era o Saudade Instantânea, que, segundos relatos, tinha uma linha de som parecida com a dos Mutantes (fase progressiva). A banda, formada em 72, era capitaneada pelo guitarrista Cláudio Vera Cruz, que viria a integrar o grupo mais famoso vindo da região sul na época, o Bixo da Seda (sobre o qual falaremos em seguida). A banda participou de vários eventos e esteve envolvida com teatro, criando trilhas sonoras para alguns espetáculos. Um de seus maiores feitos foi abrir o show dos Secos & Molhados em Porto Alegre, em 73.

Alceu Valença e sua turma

Na região nordeste (principalmente em Recife), acontecia um certo levante psicodélico-regional, que começou por volta de 72 com gente do calibre de Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Lula Côrtes, Marconi Notaro, Zé Ramalho, Fagner, Ednardo, Ave Sangria, Quinteto Violado, Flaviola, entre outros.

Em 75 é lançado um marco fonográfico dessa geração, que adquiriu o status de cult em nível mundial – o disco Paêbirú, de Lula Côrtes e Zé Ramalho. Um trabalho que levou à estratosfera a mistura de música regional nordestina com o espírito psicodélico de experimentação e muita loucura. Gravado em fins de 74, o disco possui certa controvérsia em sua aura, por ter se tornado uma raridade muito rapidamente. A versão mais difundida para isso é a de que uma enchente abateu o depósito da gravadora Solar, onde estavam os discos recém-prensados, e grande parte do material se perdeu nessa ocasião. Outra versão diz que a gravadora decidiu parar de prensá-lo devido ao alto custo (um encarte bastante caprichado acompanhava a edição original) e as baixas vendas. O que resta hoje é um legado maravilhoso desta obra, considerada recentemente como um dos discos mais valiosos (pelo valor musical e pela raridade) gravados no Brasil.

Aconteceram ainda vários eventos ao ar livre no Parque do Ibirapuera e no Parque da Aclimação, em São Paulo, e no MAM do Rio, além da sonzeira que rolava na Tenda do Calvário em São Paulo. Em Curitiba, aconteceu o I Festival Rock de Verão, que contou com as bandas Rita Lee & Tutti Frutti, Som Nosso de Cada Dia, O Terço, Bixo da Seda, Almôndegas, entre outros.

E por fim, o ano se encerra com as apoteóticas apresentações do mago dos teclados, Rick Wakeman. Foram cinco apresentações no país – duas em São Paulo no estádio do Canindé (dias 13 e 14), uma em Porto Alegre no Gigantinho (dia 18) e duas no Rio de Janeiro no Maracanã (dias 20 e 21).


16 de mar de 2010

Prateleira e os melhores discos de 2009

terça-feira, março 16, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Duas novas edições do Prateleira, quadro apresentado pelo editor da Collector´s Room, Ricardo Seelig, dentro do programa Estúdio da UnoWeb TV. Nestes dois novos vídeos temos a lista dos dez melhores discos lançados em 2009, segundo o nosso editor.

Confira e diga se você concorda ou se ele está viajando na maionese:




Veja também: Editor da Collector´s Room estreia na UnoWeb TV

Discografia Básica: Airto Moreira

terça-feira, março 16, 2010

Por Ugo Medeiros
Jornalista e Colecionador
Coluna Blues Rock

Vivendo nos EUA desde 1967, Airto Moreira desenvolve trabalhos ligados a world music e é professor de Etnomusicologia na UCLA. Atua também como produtor e educador em diversos países. Reconhecido por produtores e maestros como o percussionista mais popular do mundo, é inegável a sua contribuição para o desenvolvimento e manutenção do alto nível da chamada world music. Entre os artistas de renome mundial com quem ele já se apresentou e gravou estão Antonio Carlos Jobim, Miles Davis, Chick Corea, Wayne Shorter, Herbie Hancock, Stanley Clarke, Carlos Santana, Gil Evans, Gato Barbieri, Paul Simon, Quincy Jones, entre outros.

Airto Moreira nasceu em 1941, em Itaiópolis, interior de Santa Catarina, e viveu seus primeiros anos em Curitiba. Antes mesmo de literalmente andar com as suas próprias pernas já batucava no chão cada vez que ouvia no rádio uma música ritmada. Se isso preocupava a sua mãe, o mesmo não acontecia com a sua avó, que reconheceu o seu potencial e o encorajou a se expressar musicalmente. Aos seis anos de idade já recebia elogios pelo seu modo de cantar e tocar percussão. Em seguida a emissora de rádio local lhe deu um programa, que ia ao ar todas as tardes de sábado. Aos treze anos tornou-se músico profissional tocando percussão, bateria e cantando em bandas de baile. Aos dezesseis anos mudou-se para São Paulo, passando a apresentar-se regularmente em casas noturnas e programas de televisão como percussionista, baterista e cantor.

Em 1965, no Rio de Janeiro, conheceu a cantora Flora Purim. Flora foi para os Estados Unidos em 1967, e, logo depois, Airto a seguiu. Uma vez em Nova York, começou a tocar com músicos importantes como Reggie Workman, J.J. Johnson, Cedar Walton e o baixista Walter Booker. Foi através de Booker que começou a tocar com Cannonball Adderley, Lee Morgan, Paul Desmond e Joe Zawignul.

Em 1970 Zawignul indicou Airto para uma sessão de gravação com Miles Davis, para o álbum Bitches Brew. Depois disso, Davis convidou-o, junto com Hermeto Pascoal, para juntar-se ao seu grupo que, na época, era composto por alguns ícones do jazz como Wayne Shorter, Dave Holland, Jack DeJohnette, Chick Corea e, mais tarde, John McLaughlin e Keith Jarrett. Airto integrou a grupo de Miles Davis por dois anos, aparecendo nos álbuns Live/Evil, Live at the Fillmore, On the Corner, The Isle of Wight, Bitches Brew e, mais tarde, nas apresentações de Fillmore.

Airto foi convidado para integrar a formação original do Weather Report com Wayne Shorter, Joe Zawignul, Miroslav Vitous e Alphonse Mouzon, tendo gravado com eles o álbum The Weather Report. Logo em seguida juntou-se ao Return to Forever de Chick Corea com Flora Purim, Joe Farell e Stanley Clarke. com o qual gravou os álbuns Return to Forever e Light as a Feather. Em 1974 formou, com Flora Purim, a sua primeira banda nos Estados Unidos: Fingers.

Ficou conhecido nos os anos setenta e oitenta como um dos percussionistas mais populares do mundo. Seu domínio sobre os instrumentos, aliado à sua habilidade em tirar o som certo no momento exato, fez dele o número um na lista dos produtores e band leaders. Seu trabalho com Quincy Jones, Herbie Hancock, George Duke, Paul Simon, Carlos Santana, Gil Evans, Gato Barbieri, Michael Brecker, The Crusaders, Chicago e muitos outros - incluindo a participação em trilhas sonoras para o cinema como em The Exorcist, Last Tango in Paris, King of the Gypsies e Apocalypse Now -, representa só uma pequena parte da contribuição de Airto para a música nas últimas três décadas.

O impacto do seu trabalho levou a revista Downbeat a considerar a categoria ‘percussão’ na votação dos seus leitores e críticos, na qual Airto foi o vencedor absoluto por mais de vinte vezes, desde 1973. Nos últimos anos foi considerado o percussionista número um por publicações conceituadas como Jazz Time, Modern Drummer, Drum Magazine, Jazzizz Magazine e também por várias publicações européias, latino-americanas e asiáticas.

Airto vem promovendo a causa da música percussiva em todo o mundo como membro do Planet Drum Percussion Ensemble junto com Mickey Hart, baterista do The Grateful Dead, que inclui também o grande especialista em conga Giovanni Hidalgo e o virtuoso tablista Zakir Hussein, do mesmo modo que Flora Purim, Babatunde Olatunji, Sikiru e Viku Vinakrian, com o qual receberam o Grammy em 1991, na categoria World Music. O instrumentista contribuiu ainda para o Grammy recebido pela Dizzy Gillespie’s United Nations Orchestra na categoria Melhor Álbum de Jazz ao Vivo.

Também compôs e tocou a sua Brazilian Spiritual Mass em um especial de duas horas para a TV Alemã, com a WDR Philharmonic Orchestra em Colônia. Essa rara performance foi registrada em vinil para o selo Harmonia Mundi e licenciada em vídeo distribuído em todo o mundo.

Mais recentemente, foi músico convidado da Boston Pops Philharmonic Orchestra em especial para a PSB TV, e também com o Smashing Pumpkins no Unplugged da MTV, com o grupo japonês de percussão Kodo e no último CD Exciter, do grupo Depeche Mode.

Como professor no Departamento de Etnomusicologia da UCLA, vem abrindo novos horizontes em termos de conceitos musicais e energia criativa. Divide o seu tempo entre as gravações em estúdios, workshops e shows, criando novos projetos, bem como pesquisando novos materiais para futuras performances nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América Latina.

(texto biográfico por Fernando Jardim, do site eJazz)

Quarteto Novo - Quarteto Novo (1967) *****

Um dos discos mais importantes da música brasileira, perfeito do início ao fim. Os quatro músicos uniram a bossa nova e o jazz à rica sonoridade nordestina. "O Ovo", uma das primeiras composições de Hermeto em parceria com Geraldo Vandré, apresenta uma flauta hipnotizante e uma emoção constante. "Fica mal com Deus" e "Canta Geral" (outra feita pela dupla Pascoal/Vandré) têm uma percussão bem marcada e mostram grande entrosamento dos integrantes. "Algodão" é uma viagem pelos seus 7:22 minutos, a faixa mais longa do álbum. "Síntese" e "Vim de Santana" são exemplos perfeitos da mistura entre jazz, bossa nova e a música-de-raiz brasileira.

"Misturada" é o “crème de la crème”. Primeiramente, um solo de bateria sensacional, em que as rufadas e a quebração de pratos frenéticos são trocadas por uma aula rítmica com total domínio sobre o tempo (e muito contra-tempo!). Em seguida, uma base pesada com dois violões e uma percussão “rasteira” que não larga a melodia (rock’n’roll na veia!), até que entra a flauta e conduz novamente à leveza. Simplesmente GENIAL!

Se aparecesse um ET na minha frente e me perguntasse o que é música brasileira, responderia apenas duas palavras: Quarteto Novo.

Natural Feelings (1970) ***

Se o ouvinte ainda não conhece o trabalho autoral de Airto, é aconselhável não começar por este disco, que é o primeiro do músico. Contando com a colaboração de Flora Purim, Hermeto Pascoal, Sivuca (arranjador e multi-instrumentista) e Ron Carter, o trabalho traz boas músicas, como "Alue" e "Mixing", além da psicodélica "Terror".

Seeds on the Ground (1971) ***1/2

Para o segundo disco Airto manteve os mesmos músicos e ainda convocou Dom Um Romão (baterista e percussionista com passagem pelo Weather Report) para o time. "O Galho da Roseira Part 2" é o grande destaque deste trabalho mais maduro.

Fingers (1972) ****1/2

Uma porrada muito bem dada! Logo de início, Airto e banda apresentam uma sequência matadora: abrindo o disco, "Fingers" e "Romance of Death", dois ótimos fusions; "Merry-Go-Round", um simpático baião; e "Wind Chant", com uma nervosa evolução. O encerramento fica por conta da ótima "Tombo in 7/4", que conta com um coro e uma percussão de samba de arrepiar.

Free (1972) ****

Ao lado de uma verdadeira seleção que contava com Chick Corea, George Benson, Hubert Laws (flauta), Joe Farrell (saxofone), Keith Jarrett, Ron Carter, Stanley Clarke e outros, Airto nos presenteou com um grande trabalho. A primeirona, "Return to Forever", é um fusion psicodélico da melhor qualidade. "Flora’s Song" traz um bom free jazz. O clima de psicodelia volta em "Free". E o disco ainda reserva "Creek [Arroio]", excelente canção em que flauta, saxofone e piano mostram entrosamento perfeito.

Virgin Land (1974) ****

Outro ótimo disco de Airto, neste com participações de George Duke e Stanley Clarke. O álbum abre bem com quatro musicaças: "Stanley’s Tune", "Musikana", "Peasant Dance" (um fusion com influências árabes) e "Virgin Land". A saidera fica por conta da funkeada "I Don’t Have to Do What I Don’t Want to Do".

Identity (1975) ***1/2

Ao lado de Egberto Gismonti, Herbie Hancock e Wayne Shorter, o percussionista fez um bom disco. "The Magicians" e "Encounter [Encontro no Bar]" são as faixas mais marcantes, mas há também outras boas canções, como "Wake up Song [Baião do Acordar]" e "Tales from Home [Lendas]".

Struck by Lightning (1989) ***1/2

Chick Corea, Herbie Hancock e Stanley Clarke foram as contratações de peso para este bom trabalho. O álbum apresenta duas músicas que são didáticas a todo aprendiz de percussão: "It’s Time for Carnival" e "Berimbau First Cry." A segunda metade do disco é excelente: três faixas extremamente jazz, "Struck by Lightning", "Samba Louco" e "Seven Dwarfs"; uma psicodélica para não perder o costume, "Samba Nosso"; e uma em que Airto mostra todo o seu virtuosismo, "Skins & Rattle".

Killer Bees (1989) ****

Com uma banda que incluía Chick Corea, Herbie Hancock e Stanley Clarke, o projeto não podia ter outra sonoridade senão jazz. "Be There" é composta por uma ótima linha de baixo e por arranjos muito bem desenvolvidos. Outra bela faixa é "Chicken in the Mind", a última da bolacha, em que Herbie Hancock apresenta o seu cartão de visitas.

Revenge of the Killer Bees (1998) ****

Para a revanche das abelhas assassinas, foram mantidos os mesmos “zangões” do primeiro. Um grande disco, neste flertando em duas composições, "City Sushi Man" e "Chicken in the Mind", com uma batida característica da música eletrônica (quando bem feito e utilizado, sem problemas...). "Be There" é um jazz funk sensacional. "Nevermind" encerra o trabalho de forma impecável.

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