25/03/2010

Discos Fundamentais: Creedence Clearwater Revival - Cosmo´s Factory (1970)


Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O Creedence Clearwater Revival é um caso raro na música. Todos aqueles sons que você conhece do grupo, e que tocam até hoje nas rádios, foram compostos por uma única pessoa, o vocalista e guitarrista John Fogerty, e lançados em apenas dois anos. Entre 1968 e 1970 o Creedence gravou cinco discos que contém o melhor de toda a sua obra. O melhor deles é Cosmo´s Factory, que está comemorando 40 anos agora em 2010.

Cosmo´s Factory chegou às lojas no dia 25 de julho de 1970, alcançou a posição número um da Billboard e rendeu três singles de sucesso: "Lookin´ Out My Back Door", "Travellin´ Band" e "Up Around the Bend". Além dessas faixas, contém outros hinos eternos do Creedence, como "Run Through the Jungle", "Who´ll Stop the Rain" e "Long as I Can See the Light".

O álbum traz o ápice da união entre o country, o blues e o rock, tão característica no som do grupo, devidamente embalada por linhas vocais marcantes e refrões inesquecíveis. O disco conta também com uma releitura do clássico da soul music "I Heard It Through the Grapevine", gravada anteriormente por Marvin Gaye, mas que encontrou aqui a sua versão definitiva, com longos e inspirados solos de John Fogerty, compositor, vocalista, guitarrista e líder da banda.

Celebrando os 40 anos de Cosmo´s Factory, foi lançada uma versão dupla do disco, que conta com um CD extra com três faixas bônus: um take alternativo de "Travelin´ Band", uma versão ao vivo gravada em 1970 de "Up Around the Bend" e uma jam de estúdio, onde a banda toca "Born on the Bayou" ao lado do organista Booker T.

O Creedence é uma das mais importantes e influentes bandas da história, e Cosmo´s Factory é o seu melhor trabalho. Se você curte música, esse é um disco que você tem que ter na sua coleção.


Faixas:
A1 Ramble Tamble 7:09
A2 Before You Accuse Me 3:24
A3 Travelin' Band 2:07
A4 Ooby Dooby 2:05
A5 Lookin' Out My Back Door 2:31
A6 Run Through the Jungle 3:09

B1 Up Around the Bend 2:40
B2 My Baby Left Me 2:17
B3 Who'll Stop the Rain 2:28
B4 I Heard It Through the Grapevine 11:05
B5 Long as I Can See the Light 3:33


Rigotto´s Room: A Sensational Alex Harvey Band


Por Maurício Rigotto
Escritor e Colecionador

Hoje dei uma olhada em minhas mais recentes colunas aqui publicadas. Nas últimas semanas, escrevi textos sobre o Led Zeppelin, os Rolling Stones, Paul e Ringo, David Bowie, Jimi Hendrix e outros nomes consagrados do rock, artistas que até quem não é ligado em rock sabe quem são e conhece suas músicas. Não que eu esteja sendo previsível e, como diz o adágio, esteja “chovendo no molhado”, mas me dei conta de que aprecio em demasia a obra de alguns artistas e/ou bandas que, sabe-se lá o porquê, são ilustríssimos desconhecidos da grande maioria das pessoas, incluindo até muitos dos aficionados em rock. Poderia citar dezenas de exemplos de artistas que considero geniais, que lançaram discos esplêndidos, e que, por alguma inexplicável injustiça, jamais saíram do ostracismo. Não o farei, focarei em um único exemplo, assim, estarei dando a minha humilde contribuição para que mais pessoas possam vir a conhecer o nosso ilustre anônimo. Agora, chega de parágrafo introdutório e vamos falar da Sensational Alex Harvey Band.

A primeira vez que ouvi falar em Alex Harvey foi em minha adolescência, em 1987, quando comprei o novo disco da banda baiana Camisa de Vênus, um álbum duplo chamado Duplo Sentido, e nele havia uma música chamada "A Canção do Martelo", e no encarte dizia que era uma versão de "Hammer Song", de um tal Alex Harvey. Perguntei a Marcelo Nova de quem se tratava e ele me respondeu que Alex era o líder da Sensational Alex Harvey Band, uma ótima banda de rock dos anos setenta. Fiquei deveras curioso em conhecer o som da banda, mas ainda ficaria um bom tempo sem saciar essa curiosidade. Quem tem menos de trinta anos não imagina o quanto vivíamos na Idade da Pedra nos anos oitenta. Não havia internet – nem Google ou YouTube, evidentemente – e, a menos que, por uma grande casualidade, se encontrasse uma matéria em alguma revista importada, não havia nem sequer aonde pesquisar por informações mais precisas sobre bandas obscuras. Conseguir discos importados era quase impossível, pois além de ser dificílimo o acesso, eram extremamente caros. Até que chegou o dia em que encontrei o disco Framed (1972), e imediatamente me tornei um grande apreciador desse genial artista.


Alex Harvey nasceu em Glasgow, na Escócia, em 1935, e passou a adolescência toda ouvindo música, tornando-se um profundo conhecedor de skiffle, dixieland jazz, country, blues, vaudeville, e também de novos gêneros como o rock and roll de Chuck Berry e Little Richard e o rockabilly de Gene Vincent e Eddie Cochran. Em 1958 formou a sua primeira banda, a Alex Harvey Band, logo rebatizada como Alex Harvey and The New Saints. Somente em 1964 lançou o seu primeiro disco, já como Alex Harvey and His Soul Band, que passou totalmente despercebido. No ano seguinte lançou o álbum solo The Blues, e levaria mais quatro anos para conseguir gravar o seu terceiro disco, Roman Wall Blues. Apesar de tocar muito em bares e clubes, a primeira década de sua carreira musical não encontrou nenhum resquício de sucesso, servindo apenas para Alex adquirir uma grande cancha de palco. No final de 1969, estava tocando guitarra em uma banda que acompanhava a primeira encenação da peça Hair em Londres, quando uma perspectiva para a década seguinte veio a se esboçar.

O irmão mais novo de Alex, Leslie Harvey, era guitarrista do Stone The Crows – uma boa banda que revelaria a ótima vocalista Maggie Bell – quando Peter Grant contratou o grupo. Com o Stone The Crows tendo o mesmo empresário que o Led Zeppelin, parecia que portas se abririam e oportunidades viriam a surgir. Leslie sugeriu que Peter fosse ouvir o seu irmão Alex. O empresário redarguiu que já conhecia o trabalho e o potencial de Alex, tendo inclusive planos de vir a trabalhar com ele. Porém, Alex estava sem banda e não conseguia encontrar os caras certos para acompanhá-lo.


Em 1972, durante um ensaio do Stone The Crows, Leslie Harvey toca com as mãos molhadas em um fio desencapado do microfone e morre eletrocutado aos 27 anos. Alex, abalado com a morte do irmão e desiludido com a sucessão de fracassos em sua carreira, resolve voltar à Escócia, onde passa a afogar as mágoas enchendo a cara em pubs. Foi em um desses bares de sua cidade natal que Alex encontrou um amigo que o chamou para irem assistir ao Tear Gas, uma banda local que fazia um som muito doido e anárquico, misturando Frank Zappa, Jeff Beck, Captain Beefheart e Jimi Hendrix a performances absolutamente teatrais. Quando Alex Harvey viu e ouviu a Tear Gas, imediatamente exclamou fascinado: “São eles! É a banda que eu sempre procurei para me acompanhar.” Em poucos dias Alex se uniu a Tear Gas e juntos formaram a Sensational Alex Harvey Band, gravando em seguida o álbum Framed.

O primeiro disco da Sensational Alex Harvey Band é fenomenal, onde se destacam canções poderosas como "Midnight Moses", "Isobel Goudie", "Framed", "Hammer Song", "There’s No Lights on the Christmas Tree Mother", "They’re Burning Big Louie Tonight" e "St Anthony", além de uma surprendente cover de "I Just Want to Make Love to You", de Muddy Waters. Alex Harvey se reinventou e o som da Sensational Alex Harvey Band é uma mistura de hard blues com glam rock. Sua voz forte e marcante se encaixa perfeitamente nos arranjos bem elaborados da banda, e finalmente, aos 37 anos, Alex Harvey experimenta um pouco de sucesso.

A banda, formada por Alex Harvey (guitarra e vocal), Zal Cleminson (guitarra e vocal), Chris Glen (baixo), Ted McKenna (bateria) e Hugh McKenna (teclados), entra em um ritmo frenético de turnês, onde se consolidam como uma grande banda de palco, com Alex chamando a atenção como um dos mais performáticos e provocadores frontman do rock. Lançam os discos Next (1973), The Impossible Dream (1974), Live (1975) e Penthouse Tapes (1975). No ano seguinte, aos 40 anos, Alex lança o seu maior sucesso, a faixa "Delilah". Seguem lançando bons álbuns como Tomorrow Belongs to Me (1976) e SAHB Stories (1976). Em 1977, Alex lança um disco solo e a banda lança um disco sem ele, creditado a Sensational Alex Harvey Band (Without Alex). No ano seguinte voltam a se reunir para gravar o seu último álbum de estúdio, Rock Drill.


Em 1979, Alex Harvey and The New Band lançam o excelente álbum The Mafia Stole My Guitar, incluindo ótimas covers de "Shakin’ All Over" (Johnny Kidd and The Pirates, também gravada pelo The Who) e a antiga canção de cabaret "Just a Gigolo".

Em 04 de fevereiro de 1982, um dia antes de seu 47° aniversário, Alex Harvey tocou na Bélgica com a sua nova banda, The Electric Cowboys, e ao sair do palco sofreu um ataque cardíaco. Na ambulância, no caminho do hospital, sofreu um segundo ataque do coração, desta vez fulminante. Ainda em 1982 é lançado o seu álbum póstumo Soldier on the Wall.

Depois de sua morte, vários lançamentos da Sensational Alex Harvey Band foram aparecendo com o tempo. Destaque para os imperdíveis BBC Radio 1 Live in Concert (1995), Live on the Test (1995) e British Tour '76 (2004). Os remanescentes da SAHB voltaram a se reunir em 2004 e seguem se apresentando pelo Reino Unido.

Encerro por aqui o meu modesto tributo a esse genial contestador. Espero ter contribuído para manter a sua memória viva entre os amantes dos bons sons.


24/03/2010

Minha Coleção - Davi Pascale, uma mega coleção de mais de 15 mil itens passada de pai para filho


Por Daniel Sicchierolli
Colecionador
Collector´s Room

Para começar, muito obrigado por ter aceitado o convite para participar da Collector´s Room. Apresente-se aos nossos leitores e já nos conte quais o seu estilo e artista preferidos.

Olá Daniel. Primeiramente, gostaria de dizer que é um prazer e uma honra participar da Collector´s Room, da qual sou leitor há um bom tempo. Eu que agradeço o espaço.

Bem, meu nome é Davi Pascale, tenho 28 anos, trabalho como jornalista e toco na noite por hobby. Meu primeiro contato com o rock foi aos três anos de idade. Como você sabe, tenho um irmão mais velho, Daniel, e ele tinha o LP Creatures of the Night do Kiss (com a capa mascarada) e eu morria de medo daquela capa. Todo dia o infeliz mostrava a capa para eu sair correndo. Até que eu tomei coragem, tirei o disco da mão dele e coloquei no toca-disco. De lá para cá nunca mais fui o mesmo. Para você ter uma ideia, naquele Natal, aos 3 anos de idade, pedi ao meu pai o VHS do Kiss Animalize Live Uncensored como presente. E, no ano seguinte, a coleção de discos deles (naquela época era LP, não existia CD ainda).

Daí para entrar no heavy metal e no hard rock foi um passo. Peguei gosto por bandas de rock graças ao fascínio que tinha criado pelo Kiss, e comecei a revirar a coleção de discos do meu pai e do meu irmão. Assim, aos 5 anos, já era fã de AC/DC, Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Motorhead, Iron Maiden, Judas Priest, Metallica, Deep Purple, Sepultura, Aerosmith, etc. Com o tempo fui descobrindo bandas novas por causa de revistas como a Rock Brigade, e programas de TV como o Clip Trip e o Fúria Metal. Também costumava conversar com os amigos do meu irmão que frequentavam a casa.

Na escola, nesse tempo, era impossível dialogar sobre música. Cara, eu era tão novo que não lembro qual foi o primeiro disco que fui atrás, mas acredito que tenho sido um pouco mais tarde, aos 8, 9 anos, quando descobri o Testament. Já frequentava as lojas de discos com meu pai – Eric Discos, Edgard Discos, Billbox e Galeria do Rock – e estava atrás de algum disco deles. Tinha escutado a música "Practice What You Preach" em uma coletânea chamada Comando Metal. No entanto, o primeiro LP que comprei deles foi o Souls of Black. Não me lembro a razão.

Você, assim como provavelmente todos que estão lendo isso, não é um consumidor de música e sim um colecionador. Você se lembra quando passou de um ouvinte tradicional para aquele ponto ou sensação de "putz, quero todos os discos dessa banda"? Nos diga quando caiu a ficha e você percebeu que estava se tornando um colecionador?

Sempre fui assim. Meu pai era colecionador, e com o tempo acabei me tornando um também. Se gostasse de uma banda, queria ter tudo dela. Se achasse uma merda, parava ali. A diferença de nossas bandas favoritas – no meu caso, Kiss e Beatles – para as demais é que com eles nós vamos mais além. Compramos várias edições de um mesmo álbum, singles, promos, bootlegs, etc. Com as demais bandas compramos a discografia básica e coletâneas quando tem material inédito. Edições repetidas de outros artistas só quando é algo muito especial.

Quantos álbuns vocês têm? Como é formada a sua coleção? Aproveite e comente a diversidade que vocês tem. Toda vez que vejo fico impressionado com a variedade!

Não vou conseguir te dizer em números exatos, mas estou entre 12.000 e 13.000 títulos, entre LP´s e CD´s. Se for contar material em vídeo (VHS, LD e DVD), pode somar mais uns 2.000, 3.000.

Minha coleção é formada de LPs (33 RPM, 45 RPM, 78 RPM), CDs, compactos, dual discs, shaped discs, K7s, VHS, LD e DVD. Não entrei ainda no Blu-Ray. Temos alguns action figures que são muito legais também. Em termos de memorabilia, é mais com Kiss e Beatles mesmo, mas temos alguma coisa de outros artistas!

Dentre os que você citou acima, quantos são dos Beatles e Kiss (ou afins)? Que outro estilo te agrada e que outros grupos você possui bastante material?

A última vez que contei estava com 303 itens do Kiss, entre CDs, LPs e compactos, sem contar material em vídeo e memorabilia. Acredito que agora já tenha passado de 400. Beatles deve estar por aí também.

Cara, sou um pouco eclético. Gosto de rock e heavy em geral, blues, pop e até alguma coisa de MPB.


Você participou ativamente da revista Rocklife. Conte as dificuldades de se ter uma publicação no Brasil, e também onde podemos acompanhar seu trabalho atualmente.

A minha grande dificuldade era patrocínio. Todo mundo quer colocar anúncio pagando o mínimo ou fazendo permuta. E os leitores querem o mínimo de anúncios em uma revista. Soltava grana do bolso todo mês. Nunca consegui ter lucro com a revista. Por isso, desistimos após um ano de tentativa.

Atualmente tenho colaborado com uma revista chamada Rock Forever, e estou voltando agora com o blog
Rock Nation, que é um blog de notícias. Quero ver se consigo sair deste formato. Quero começar a colocar algumas resenhas de shows, dicas de discos e alguns artigos escritos por mim.

Cheguei a publicar uma resenha do show do Kiss no site Tô no Palco (programa da All TV). Os caras elogiaram bastante. Pode ser que vire mais alguma coisa por lá. Para ser honesto era para eu ter feito a resenha do Twisted Sister para eles, mas na época estava meio atrapalhado. Estou atrás de mais coisas. Algo que seja fixo, de preferência. Minha vontade seria continuar trabalhando na área da música, que é o meu forte e é o que eu gosto. Vamos ver o que vem por aí. Ah, já cheguei a tocar algumas notas e traduções publicadas no Whiplash também!

Das entrevistas que você fez, quais as que mais gostou e qual foi aquela que ficou uma droga? Por favor, comente aquele fato do Vixen e do CD ao vivo, pois achei sensacional a postura delas!

Gostei muito da entrevista que fiz com o Gotthard e da entrevista com a Doro Pesch. Já era fã deles e saí de lá mais fã. Os caras do Gotthatd são bem simpáticos e muito engraçados. A Doro é uma das pessoas mais educadas que já conheci. Entrevistei ela duas vezes – uma pessoalmente e outra por telefone. Nas duas, ela foi muito simpática.

Teve o lance do Vixen também que foi bem legal. Fiz uma entrevista por telefone com a guitarrista Jan Kuehnemund para conversarmos sobre a volta da banda e o lançamento do álbum Live & Learn. Eu sabia que elas tinham lançado mais um disco, que era o ao vivo Extended Versions. Durante a entrevista comentei com ela que tinha escutado o Live & Learn, fiz alguns comentários a respeito do disco, até para questionar um pouco sobre as gravações. Ela se mostrou bem entusiasmada, porque percebeu que eu realmente havia escutado o álbum por inteiro. Comentei com ela que eu sabia da existência do CD ao vivo, que eu gostaria muito de ter escutado o material para falarmos sobre o disco, mas infelizmente não tinha conseguido encontrá-lo por aqui e que mesmo assim gostaria de fazer algumas perguntas sobre as apresentações do grupo. Ela me disse para não me preocupar que ela iria me enviar o CD de presente. Na hora achei que era brincadeira, agradeci e continuei a entrevista. Quando cheguei em casa, encontrei um e-mail dela dizendo que tinha adorado a entrevista e me pedindo para enviar meu endereço para que ela mandasse o álbum. Enviei e depois de 20 dias recebi em casa o CD autografado pela banda, junto com uma carta escrita a mão e um bracelete do Vixen de brinde!

Como sei que você é baterista, qual baterista que você entrevistou e foi uma realização?

Entrevistei poucos bateristas, na verdade. A maioria das entrevistas foi com guitarristas ou vocalistas. Mas a entrevista que fiz com o Iggor Cavalera foi marcante. Foi minha primeira entrevista. Graças aos boatos que rolavam na época sobre sua saída do Sepultura, ela acabou sendo publicada na íntegra e virando capa da revista. A entrevista foi bacana. Ele comentou bastante coisa polêmica, mas mentiu sobre sua saída da banda. Na época ele me disse que não iria sair, que estava apenas de férias e pouco tempo depois foi divulgado na imprensa que ele estava fora do conjunto. Era parar ter rolado uma entrevista com o Vinny Appice que acabou sendo desmarcada. É uma pena. Esse é um cara que gostaria de ter entrevistado.

Alguns grupos costumam lançar muitos singles, diferentes versões, além de diversos CDs caça-níqueis. Estes itens costumam ser muito desejados entre os fãs. Você possui todas as versões ou se contenta apenas com uma? Se for só uma, qual versão você escolhe?

A única banda que compro todas as versões é o Kiss, as demais eu compro uma edição só. Na maioria das vezes dou preferência para a edição limitada, mesmo sendo mais cara. Sempre gostei desse tipo de coisa. Coletânea, se tiver alguma coisa inédita, eu compro pra ter todas as músicas da banda, mesmo que seja uma única faixa ou uma versão alternativa de alguma canção conhecida. Caso contrário, não.


Qual item você considera o mais valioso da sua coleção?

Não tenho ideia.

Qual foi o maior número de álbuns que você comprou de uma única vez?

Acho que foi quando fui para Nova York, encontrei um monte de discos que queria por 9 dólares. Trouxe mais de 40. Quase não me deixam sair do aeroporto (risos).

Quantos álbuns em média você compra por mês?

Acredito que uns 20, 30. Não tem muito uma regra, depende do que saiu e do preço.

Tem algum item que, só de alguém chegar perto, você já gela e morre de ciúmes, tem um carinho especial e não venderia de jeito nenhum?

Eu não vendo meus discos. Na época que o CD chegou ao Brasil, empolgado com a euforia do momento, acabei vendendo um monte de LPs porque tinha adquirido o CD. Hoje eu me arrependo. Então, parei com isso. Quanto a ciúmes, discos autografados e itens raros e/ou fora de catálogo de maneira geral são os que eu mais tremo.


Entre tudo o que você possui, quais foram os itens que deram mais trabalho para conseguir?

Na época que fiz a coleção do Kiss pela primeira vez – sim, quando me desfiz da coleção de LPs, a deles foi junto. Mas hoje já recuperei quase tudo que tinha – foi muito difícil encontrar os 4 LPs solos. Engraçado que hoje em dia é bem fácil achar.

Hoje em dia não é tão difícil encontrar discos por causa da internet. A maioria dos discos raros são possíveis achar em sites de leilões. O único problema é que nem sempre os preços são amigáveis. Agora eu estou correndo atrás da Deluxe Edition do Backtracks do AC/DC!

Uma coleção tão ampla certamente possui diversos itens curiosos. Neste sentido, eu gostaria de saber qual é o CD mais estranho da sua coleção.

Tem muitos discos que gostava quando criança, que não eram rock, e guardei por uma questão de lembrança mesmo. Sendo assim, é possível encontrar alguns do Sérgio Mallandro e até um do Roberto Leal no meio.

A sua coleção tem um limite? Você acha que, algum dia, vai parar de comprar discos porque acha que, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará, ou ele não existe para um colecionador?

Como sou colecionador de vários artistas acho muito difícil chegar em um estágio onde eu diga "consegui tudo, não preciso de mais nada". Se você for fã apenas de um artista e for realmente dedicado, é possível chegar a esse ponto. Se você curte muitos artistas, acho quase impossível.

Essa pergunta é perfeita para seu caso, visto que a coleção vem de geração para geração: com quem os seus discos ficarão quando você estiver mais velho? Quem será o herdeiro da sua coleção no futuro? Chegaremos à terceira geração dessa família de roqueiros?

Espero que fique com alguém da família. Eu não tenho filhos ainda. Mas são fortes candidatos ...


Como seus amigos, e o resto da famíla, encaram a coleção e a paixão pela música e essa enorme quantidade de discos?

Meus amigos costumam ficar impressionados e muitos me pedem dicas de bandas e discos. Minha mãe acha que a gente é exagerado (risos).

Você possui algum acervo de bootlegs? O que acha disso? Bootlegs são repletos de curiosidades, versões alternativas e raras. Seguindo este raciocínio, quais bootlegs de sua coleção você destacaria?

Mais uma vez, temos bastante bootlegs do Kiss e dos Beatles. De outras bandas tenho pouca coisa. Gosto muito de ouvir esse tipo de material, principalmente quando é bem gravado. Mesmo os álbuns ao vivo eu gosto. As gravações são mais verdadeiras. Nos discos oficiais tem muito overdub.

Um bootleg que eu recomendaria é a primeira demo do Van Halen. O som é maravilhoso e os arranjos possuem bastante diferenças em relação às versões que foram para o disco. Infelizmente esse eu só tenho em CD-R, não consegui achar ele prensado ainda. Sei que existe, mas não consegui encontrar ainda. O título desse disco é Zero.

Te conheço há bastante tempo, certo? Sabemos que todo colecionador tem as suas manias. Alguns mais, outros menos, mas todos têm as suas. Como você guarda e conserva os seus CDs?

Como você sabe, tenho um espaço próprio para isso. Eu os organizo por artista, em ordem alfabética. Separo artistas brasileiros de internacionais, e tenho um terceiro espaço para coletâneas. Meu quarto é fechado, com revestimento acústico, e tenho um aparelho que controla a umidade do ar. Todos os meus vinis possuem plástico externo e guardo os LPs com a abertura do vinil virada para dentro para não entrar poeira no disco. Alguns discos pictures não possuem capa, então coloco dois plásticos pra ficar totalmente lacrado, um por cima e outro por baixo. Autógrafos e tickets de show eu guardo em um álbum que tenho só para isso.

A maioria dos colecionadores não empresta nada. Como você encara um pedido desses?

Eu empresto em raríssimos casos, somente para alguns amigos que também são colecionadores. Nesse caso eu também pego alguma coisa emprestada com o intuito de descobrir coisas novas. Ou então para amigos de longa data. Caso contrário, mande CD ou DVD virgem que eu gravo.


Eu gostaria que você fizesse agora um top#5 com os itens do seu acervo que você mais curte.

Gosto bastante dos meus LPs pictures, dos meus shaped discs. Tem duas caixas de CDs do Kiss que gosto muito - Double Platinum e Unmasked. Cada uma delas traz 11 discos remasterizados, em formato mini-LP com os encartes iguais aos da primeira prensagem em vinil. Cada caixa dessa teve 1.000 unidades lançadas e foi única prensagem.

Gosto também de um box que tenho do Queensryche que tem o LP promo de "Jet City Woman", um pôster e uma credencial. Acho super bonito.

Gosto também dos meus bonecos. Tenho acho que cinco séries do Kiss. Também gosto bastante da edição do Motley Crue. São os quatro integrantes na época do Shout at the Devil, com palco e bateria completa. Daria para citar mais um monte. Tem muita coisa legal.

Todo colecionador tem as suas listinhas. É a tal síndrome de Alta Fidelidade. Quais são, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Sempre quis responder isso, mas sempre soube que quando chegasse a hora não saberia o que responder. Sendo assim, vou escolher dez discos que me marcaram e considero perfeitos. Acho difícil escolher 10 em uma coleção de 13 mil, o ideal é que fossem pelo menos uns trinta:

Beatles – Sgt Peppers
Kiss – Revenge
AC/DC – Back in Black
Van Halen – Van Halen
Deep Purple – Machine Head
Guns N´Roses – Appetite for Destruction
Ozzy Osbourne – Randy Rhoads Tribute
Led Zeppelin – Led Zeppelin II
Iron Maiden – The Number of the Beast
Whitesnake – Slide It In

O que você está ouvindo ultimamente e destacaria para as pessoas?

Têm surgido algumas bandas interessantes como, por exemplo, The Answer, Roadstar e o Airbourne. Também gosto dessa safra de bandas que misturam rock clássico com punk, como Hellacopters, Backyard Babies e The Donnas. Acho interessante!

Das brasileiras, as últimas que me chamaram a atenção foram o King Bird e o Cascadura, que nem é tão nova assim, mas pouca gente conhece.


Certamente, no meio de todo este acervo, devem existir alguns itens que você olha e pensa: “nossa, porque eu comprei este disco”. Então, vamos lá: qual é o item mais estranho da sua coleção, e também que álbum as pessoas ficariam surpresas em saber que você possui?

Cara, nunca me arrependi de comprar nada. Acho que tudo representa um momento de sua vida. Quanto ao lance de surpresas, depende muito de quem é a pessoa que está visitando o local. Os fãs de metal, por exemplo, ficariam surpresos de saber que tenho os discos do Michael Jackson, da Madonna, sei lá. Os fãs de música pop ficariam igualmente surpresos quando olhassem minha coleção do Slayer ou do Iron Maiden, por exemplo.

Qual item que você tem que é apenas para completar a coleção? Sabe aquela banda que você gosta praticamente de tudo, mas um álbum em especial é ruim porém você não consegue ficar sem pois, afinal, é uma coleção.

Putz, essa aí dava pra fazer uma lista imensa. É incrível a quantidade de artistas que já pisaram na bola. O último que me decepcionou foi o Chris Cornell. Sou fã dele desde o Soundgarden. Gosto dele no Audioslave também. Os 2 primeiros álbuns dele eram pop, mas ainda bacanas. Esse último foi lamentável, está soando como Pussycat Dolls. Ridículo!

Se você tivesse que indicar algumas bandas, e alguns discos, para uma pessoa que nunca teve contato com o rock, o que indicaria?

Começaria mostrando alguns discosque são clássicos, como o Machine Head do Deep Purple ou o The Number of the Beast do Iron Maiden. Se o cara não curtir discos clássicos como esses é melhor desencanar e virar pagodeiro.

O rock já está aí há mais de cinquenta anos, e passou por diversas fases nestes anos todos. Sendo assim, eu gostaria que você indicasse aos nossos leitores os discos que você recomenda das décadas de 60 até hoje.

Ok. Não vou repetir os que já citei nos dez melhores. Sendo assim, quem estiver lendo considere aqueles também.

Anos 60: Doors (Doors), Are You Experienced? (Jimi Hendrix), Tommy (Who);

Anos 70: Rocks (Aerosmith), Band on the Run (Paul McCartney), Love Gun (Kiss);

Anos 80: 90125 (Yes), New Jersey (Bon Jovi), Hysteria (Def Leppard);

Anos 90: Images & Words (Dream Theater), Nevermind (Nirvana), Black Album (Metallica);

Anos 2000: Audioslave (Audioslave), Contraband (Velvet Revolver), Permission to Land (Darkness).

Nestes anos todos a paixão pela música e as atividades como jornalista e músico certamente proporcionaram à você diversas experiências interessantes e curiosas, como contato com os seus ídolos. Conte um caso para a gente!

Já aconteceu de alguns artistas elogiarem a coleção de discos que tenho deles quando pedia para alguém autografar pra mim no final de algum show. Alguns chegaram a comentar que tinha mais coisa deles do que eles mesmos (risos). Um que me disse isso foi o Ricardo Confessori. Lembro que o Paulo Jr, do Sepultura ficou impressionado quando pegou na mão o LD japonês do Under Siege – Live in Barcelona, que eu tenho.

Outro fato curioso foi a Doro Pesch. Como disse, entrevistei ela duas vezes. A primeira foi pessoalmente, na fase do Live N´Louder. Depois de uns 6, 7 meses falei com ela por telefone. Comentei que tinha sido um dos primeiros repórteres a entrevistá-la um dia após o show. Ela disse que se lembrava de mim. Quando perguntei se ela estava falando sério, ela começou a me descrever fisicamente no telefone. Honestamente, não esperava. No dia do Live N´Louder ela atendeu vários jornalistas e já tinha se passado um bom tempo. E a descrição estava certinha. Ainda tenho esta entrevista guardada.


Qual o melhor show que você já assistiu?

Cara, destacar um é foda. Como você sabe, vou bastante a shows e há bastante tempo. Mas tem alguns que certamente ficarão na memória para sempre, como Kiss, Paul McCartney, Rolling Stones, Page & Plant, AC/DC, Aerosmith, Ozzy, Yes, Deep Purple, Paul Rodgers, David Lee Roth, Whitesnake, Alice Cooper, Rush, Yngwie Malmsteen, Steve Vai, e por aí vai.

Como você encara o download de músicas? E, complementando, como você vê o mercado musical para a próxima geração?

Acho bom por um lado e ruim por outro. É bom porque acaba com a exploração das gravadoras em cima dos artistas. Sem contar que a internet é um canal livre. Com isso, a manipulação é mais difícil. Por outro, acho ruim. Como cresci colecionando discos, eu sempre gostei de ler o encarte, saber quem gravou o álbum, quais músicos participaram da gravação, em qual faixa eles tocaram. Sempre gostei de ler as letras com calma, ver quem são os compositores e os letristas. Raramente escuto um CD pela primeira vez no carro, por exemplo. Com o download essas informações são mais difíceis de obter. Algumas são quase impossíveis. Sem contar a arte gráfica. Existem várias embalagens que são muito interessantes.

Quanto ao mercado, acho que o CD tende a acabar. Os colecionadores estão voltando a consumir LPs e as gravadoras estão voltando a prensar, inclusive aqui no Brasil. Existem vários títulos que estão programados para serem lançados em breve aqui no Brasil em formato vinil. Em alguns países, como a Inglaterra, a fabricação nunca parou, e de um tempo pra cá deu uma fortalecida. Fico feliz. Sempre gostei de long plays.

Acho que a molecada que não é muito fanática vai consumir música pela internet mesmo. Acho que o futuro vai ser alguma coisa digital mesmo. Não sei ainda o que. Esses programas estilo E-mule acho que tendem a acabar no futuro. Torrent também! Quanto mais tempo passa, menos controle eles tem. Existem milhares de arquivos infectados com vírus, sem contar arquivos falsos. Com certeza vai rolar alguma coisa pelo computador mesmo, só não sei o que. Consumo de LP vai ficar mais por conta de colecionador mesmo.

Para os artistas, a situação está difícil. O mercado encontra-se em uma fase de transição. Antigamente, você tinha que fazer shows para divulgar um disco. Hoje, você usa o disco para vender shows. Sabe que o mercado dele está no fim, mas não tem ideia de qual mercado vai dominar. Os caras estão meio perdidos. Por isso que tem muitas bandas consagradas, como o The Cult, que estão parando de gravar material inédito e outras, como Kiss e AC/DC, que costumavam manter uma certa frequência e agora gravam de vez em nunca. Os caras estão desmotivados. E esses caras não precisam mais lançar discos para vender shows. O nome deles é muito forte. Aqui no Brasil a situação é ainda mais complicada. Esse tipo de ‘luxo’ não existe no Brasil. Se o cara deixar de gravar discos, ele some!



Algumas perguntas rápidas: Deep Purple ou Black Sabbath?

Deep Purple.

Ozzy ou Dio?

Ozzy.

Dickinson ou Di´Anno?

Dickinson.

Ace ou Tommy?

Ace.

Tyketto ou Vaughn?

Tyketto.

Um show ou CD?

Show. CD a gente compra depois. Outro show, nunca se sabe. A não ser que você me ofereça um CD do Iron Maiden e um show do Calypso. Aí, fico com o CD.

Mais uma vez muito obrigado por ter participado da Collector´s Room, e parabéns pela coleção. Este espaço é seu, manda bala e deixa seu recado!

Obrigado. Valeu pelo convite. Me diverti muito respondendo as perguntas. Espero que esse bate-papo anime um pouco a molecada a voltar a consumir música. E espero que o pessoal continue acompanhando meu trabalho. Super abraço a todos os leitores. Até a próxima!