16 de dez de 2011

Os melhores discos de 2011 segundo Márcio Grings, coordenador de programação da rádio Itapema

sexta-feira, dezembro 16, 2011


Falem o que quiserem das listas. Eu sempre gostei delas. Essa dos melhores de 2011 partiu de uma provocação por e-mail do amigo Ricardo Seelig, um daqueles brothers on-line “de respeito” que fiz nos últimos anos.


O exercício de pensar sobre o “the best” deste ano também me fez concluir que, musicalmente, em minha opinião, não tivemos um grande ano musical. Entretanto, tem alguns lançamentos bacanas que sacudiram as caixas de som lá de casa.


Lembrando aos amigos que não me conhecem, as referências desse blogueiro aqui passam pelo rock do final dos anos 60, início da década de 70, e também pelo blues.


Tom Waits - Bad As Me

Nosso herói é conhecido por seus estranhos métodos de trabalho. Tom Waits confessou que compõe alguns dos seus temas a partir de gritos solitários vociferados no seu automóvel. Waits também disse ao jornal austríaco Die Presse que conduz o seu carro por aí e grava num pequeno gravador. “Como tenho família, o único lugar tranquilo é o carro. Ou então vou para o estúdio, entro em transe e descarrego a letra de uma forma mágica. Um pouco como um vendedor de bíblias bêbado”.


Antes mesmo de ser lançado, Bad As Me, novo álbum de Tom Waits, já ganhou status de um dos melhores CDs do ano. O trabalho tem menos crueza do que de costume, e os arranjos estão muito caprichados. Isso não significa que encontraremos um disco rebuscado de arranjos e repleto de “piripaques” tecnológicos, bem pelo contrário. O lance ainda soa beat, direto e minimalista.


Entre os convidados, o bluesman branquelo Charlie Musselwhite toca gaita em cinco faixas e Flea (do Red Hot Chili Peppers) toca baixo em "Hell Broke Luce". O destaque principal fica por conta do pirata Keith Richards, que manda ver na guitarra e canta em "The Last Leaf" e "Satisfied". Falando em satisfação, esta última canção é um blues raivoso e hipnótico, carregado pelo riff de Keith. Até dá os ares de “Satisfaction”, dos Stones, ainda mais quando o ouvimos cantar: “I said I will have satisfaction”. 


Etta James – The Dreamer


Aparentemente, a carreira musical de Etta James termina com The Dreamer. A cantora anunciou faz alguns meses que este seria seu álbum de despedida, um grito de adeus antes da aposentadoria. Etta, 73 anos, um dos últimos nomes ainda na ativa da velha escola do blues e soul (e jazz), passou por maus bocados em 2011. Esteve hospitalizada durante alguns meses passando por um tratamento contra a leucemia. Ela também sofre de Alzheimer desde 2009. Entretanto, as intempéries da vida não a impediram de gravar um novo trabalho, que mostra Etta cantando muito. Era uma espécie de dívida com ela mesma, tipo "antes de entrar pra reserva, preciso mostrar ao mundo que ainda posso gravar um bom álbum". E ela conseguiu.


No repertório, canções de Ray Charles, Bobby Bland, Johnny “Guitar” Watson, Otis Redding e Little Milton - ou seja, garantia do melhor rhythm & blues do pedaço, certas vezes com um temperinho rock and roll. Entre as surpresas, lá está uma releitura "boogie" avassaladora de “Welcome to the Jungle”, do Guns N' Roses. Dê uma canção meia boca pra velha Etta e ela transforma o número num blues arrasa quarteirão.


"Me dá meu gorro!". Um disco de tirar o chapéu. 


Gustavo Telles & Os Escolhidos – Do Seu Amor, Primeiro é Você que Precisa

 O disco saiu no finalzinho do ano passado, porém tomo a liberdade de incluí-lo na lista de 2011. Gustavo Telles, baterista da banda instrumental gaúcha Pata de Elefante, soltou a voz e reuniu amigos para gravar um disco de canções de amor. Além de compositor de todas as canções, ele toca violão de 12 cordas em “Tell Me Why” (única faixa no idioma mater do rock) e assume todos os vocais.


E digo mais: se você gosta de álbuns como Music From Big Pink do The Band, No Reason to Cry de Eric Clapton e Nashville Skyline de Bob Dylan, este CD vai lhe deixar mais do que satisfeito. As referências ao Band são as mais explícitas, a começar pelo clima de camaradagem nas fotos da contracapa e encarte, possivelmente inspiradas nas imagens estampadas nos dois primeiros álbuns do extinto grupo canadense com base nos EUA. Não vejo nenhum problema, pelo contrário. Além disso, o mais importante, canções como “Posso Me Perder” são descaradamente embebidas no clima country blues da banda de Robbie Robertson, Rick Danko, Levon Helm, Garth Hudson e Richard Manuel. Rock do bom no idioma de Camões.


Gary Clark Jr – The Bright Lights EP


Gary Clark Jr é considerado uma das novas promessas do blues norte-americano. Em outubro de 2011, esse texano de 27 anos abriu três dos quatro shows de Eric Clapton no Brasil (São Paulo e Rio). Gary ganhou o apelido peso-pesado de “Salvador do Blues”, e além do tradicional gênero do Mississipi, reza seu vernáculo também na cartilha da música negra, mais precisamente na soul music chamuscada com doses roqueiras.


O músico vem gerando comparações e co-relações a nomes com um de seus conterrâneos mais ilustres – o guitarrista Stevie Ray Vaughan, morto num desastre aéreo em 1990. Clark foi um dos destaques do festival Crossroads Guitar, em 2010, onde se apresentou ao lado de BB King , Eric Clapton, Buddy Guy e Steve Winwood, e participou do filme Honeydripper - Do Blues ao Rock, que conta a origem do blues e do rock nos Estados Unidos.


Quanto ao som do homem, se você gosta de blues do bom, basta um único som do EP The Bright Lights para convencê-lo da qualidade do cara. Dê volume no seu som e ouça a faixa-título. A casa vai tremer e Gary vai ganhar o respeito do ouvinte.


Fleet Floxes – Helplessness Blues


Helplessness Blues é o segundo CD dessa banda de Seattle liderada pelo guitarrista e cantor Robin Pecknold. As influências do Fleet Floxes passam por Bob Dylan, Neil Young e Beach Boys. Tá ruim de referência, né? A faixa-título dá uma boa pista daquilo que você encontra com essas novas raposas do folk, gospel e country rock.


Confesso que esse é um daqueles trabalhos que me causam sentimentos dúbios quando o ouço. Consigo ficar arrebatado por canções como “Montezuma” e “Bedoim Dress”, no entanto, a jogada retrô acentuada proposta pelo grupo de vez em quando aporrinha o saco, já que as melodias oferecem poucas variações melódicas. Soa repetitivo. O trabalho parece que foi gravado no final dos anos 60, com dose dupla de tempero folk barroco e rock clássico. Em suma: um disco perfeito para bichos-grilo (como eu) que ainda não se conformaram com o fim dos anos 60. Como diria Walt Whitman: “Contradigo-me? Pois bem, contradigo-me. Sou amplo, contenho multidões”. Com todos os seus defeitos (e qualidades, é óbvio!), o destaco como uma das pérolas do ano.


Desconfie daquilo que lhe causa uma estranheza inicial, afinal, não é todo dia que podemos conferir novas bandas de rock que se arriscam em revisitar os anos 60 sem cair no óbvio. E o Fleet Floxes tem café no bule e muita lenha pra queimar. Já estou no compasso de espera para o próximo disco, pois acredito que eles estejam bem perto de acertar o alvo em cheio. Que venha um novo CD dos Floxes em 2012.


Josh T. Pearson - Last of the Country Gentlemen


Josh T. Pearson chamou inicialmente a atenção como líder do grupo Lift to Experience, banda americana que gravou apenas um disco – o elogiado The Texas-Jerusalem Crossroads (2001). Após o final das atividades de sua banda (ou bando), ele lançou seu primeiro trabalho solo de estúdio, Last of the Country Gentlemen. Digo “primeiro trabalho solo de estúdio” porque o barbudo havia lançado o álbum ao vivo To Hull and Back (2006), espécie de preâmbulo desse cantor/compositor como um homem só na música (anti) pop.


Não se engane com a palavra country no título do álbum - o som poeirento e repleto de espaços em branco de Josh T. Pearson não tem nada a ver com o country convencional. A ironia é desvendada quando sacamos o cruzamento de riffs de violão no clima do som do início dos anos 90, com nuanças do rock de Seattle, somadas a um tipo de folk cinzento com letras deprês. Sendo mais específico – na minha visão, uma mistura de Nick Drake com Mark Lanegan, utilizando um código genético ainda mais peculiar. Tipo: música perfeita para os garçons recolherem os copos num fim de noite qualquer em algum boteco de nossas vidas.


Forte como uma dose de Jim Bean. 


Charles Bradley – No Time for Dreaming


No Time for Dreaming é um excepcional álbum de soul music para apaixonados pela old school do gênero. A sonoridade do CD é totalmente vinculada à era de ouro da música negra, e temos a impressão de que se trata de um álbum esquecido nos porões do tempo. Olhando a estampa do coroa, dá pra dizer que Charles Bradley parece uma mistura de Tony Tornado com James Brown.


Apesar de estar estreando em disco, esse soul man de 63 anos é o que podemos chamar de veterano iniciante. Da capa com visual retrô a aquilo que ouvimos vazar das caixas de som, No Time for Dreaming é um disco de soul incrível. Além das canções, rolam algumas vinhetas ou temas instrumentais pela banda que o acompanha, a Menahan Street Band, uma rapaziada danada de boa que faz interlúdios espertos e dá refresco e beleza ao contexto do trabalho.


Só preciso de dois sons pra convencer o leitor/ouvinte do requinte da obra: tasque no player “The World (Is Going Up in Flames)” ou “Heartaches and Pain”, última faixa, e você saberá do que estou falando.


Que Charles Bradley não pare por aí.


Gregg Allman – Low Country Blues 


O vocalista, tecladista e compositor norte-americano Gregg Allman (64), líder do The Allman Brothers Band, é o homem de frente do grupo há mais de 40 anos. Entretanto, Gregg sempre teve incursões individuais. Low Country Blues conta com a produção de T-Bone Burnett, e tem entre os convidados destaque para Dr. John, mestre da conjunção blues, jazz, zydeco e boogie, que assumiu os pianos do álbum. Greg mandou ver no violão e no órgão Hammond B-3, uma das marcas registradas do som do Allman Brothers. Já a banda base do disco é formada por um músico de apoio do grupo de Eric Clapton - Doyle Bramhall II (guitarra) - e pela dupla Dennis Crouch (baixo) e Jay Bellerose (bateria), mesma dobradinha do premiadíssimo Raising Sand (2007), gravado por Robert Plant ao lado da cantora country Alison Krauss.


Low Country Blues é uma espécie de recomeço para o irmão do falecido e cultuado guitarrista Duane Allman, já que Gregg sofreu uma delicada cirurgia de transplante de fígado em junho de 2010, resultado de anos e anos de excessos e décadas de vício em heroína. Minhas preferidas: “Floating Bridge”, uma releitura de Skip James, “Got Devil My Woman”, e duas de Muddy Waters – “Rolling Stone” e “I Can’t Be Satisfied”.


Wanda Jackson – The Party Ain’t Over


Como é bacana ver um veterano usando toda a experiência a seu favor. Envelhecer com a dignidade dos músicos de jazz, eis o sonho de muitos artistas. Vovó Wanda Jackson (74 aninhos) lançou esse ano The Party Ain’t Over, uma deliciosa colcha de retalhos que costura antigos e novos números de rockabilly e rock and roll, com produção devotada de Jack White. 


O álbum foi capturado no estúdio privado do músico, em Nashville, Tenessee. Para essa empreitada, Jack arebanhou alguns compadres (tem gente das bandas My Morning Jacket, Raconteurs e Dead Weather) e, como produtor esperto que é, ao ouvirmos atentamente as canções entendemos perfeitamente o significado do título do disco – já que com a pequena ajuda de Jack, a festa realmente parece estar longe do fim para a cantora americana.


A alegria contagiante de Wanda Jackson e os seus é um manifesto de vitalidade, como também aponta concisamente para um futuro com cara de passado. Minhas preferidas: "Shakin’ All Over" e a versão da 'véia' pra “Thunder on the Mountain” de Bob Dylan.


North Mississippi Allstars – Keys to the Kingdom


O North Mississippi Allstars é uma das melhores bandas de blues rock dos EUA surgidas nos últimos dez ou quinze anos. O som do trio mergulha fundo na pentatônica música negra de raiz: soul, country e gospel, isso sem esquecer de chumbar o produto final com doses venenosas de rock setentão. 


Em Keys of the Kingdom muitas vezes esse peso foi deixado de lado, surgindo canções mais afinadas com o mítico som do sul dos Estados Unidos. Há colaborações de respeito, como a veterana cantora Mavis Staples (“The Meeting”) e de Ry Cooder (“Ain't No Grave”). Ainda temos o bluesman Alvin Youngblood Heart e o tecladista Spooner Oldhan, escolado colaborador da soul e country music.


Minhas preferidas: “Jellyroll All Rollin’ Heaven” e “Hear the Hills”. Entre as canções revisitadas, destaque para “Stuck Inside a Memphis Blues Again” (Bob Dylan) e “This a Way” (Woody Guthrie).

Enquete da semana: o melhor disco de metal de 1996

sexta-feira, dezembro 16, 2011

A enquete sobre o melhor álbum de heavy metal lançado em 1996 marcou uma mudança em nossas pesquisas. Pela primeira vez listamos mais de 10 títulos, e os leitores puderam votar em mais de um disco. Isso fez a enquete ficar mais abrangente, com um resultado mais justo.

Como esperado, o clássico Roots, do Sepultura, abocanhou o primeiro lugar, seguido por outro disco importante do metal brasileiro – Holy Land, do Angra.

Confira o cômputo final, e deixe o seu comentário:

Sepultura – Roots - 37%
Angra – Holy Land – 23%
Pantera – The Great Southern Trendkill – 20%
Helloween – The Time of the Oath – 19%
Iced Earth – The Dark Saga – 13%
Therion – Theli – 12%
In Flames – The Jester Race – 9%
Type O Negative – October Rust – 8%
Nevermore – The Politics of Ecstasy – 7%
Bathory – Blood on Ice - 5%
Burzum – Filosofem – 5%
Grave Digger – Tunes of War – 5%
Stratovarius – Episode – 5%
Amorphis – Elegy – 4%
Opeth – Morningrise – 4%
Satyricon – Nemesis Divina – 4%
Dimmu Borgir – Stormblast - 3%
Katatonia – Brave Murder Day – 3%
Marilyn Manson – Antichrist Superstar – 3%
Neurosis – Through Silver in Blood – 3%
Theatre of Tragedy – Velvet Darkness They Fear – 2%
Anathema – Eternity – 1%
Crowbar – Broken Glass – 1%
Gorgoroth – Antichrist - 1%
Immolation – Here in After – 1%
Cradle of Filth – Dusk … and Her Embrace - 1%

Os melhores álbuns de 2011 segundo Robb Flynn, vocalista e guitarrista do Machine Head

sexta-feira, dezembro 16, 2011


Robb Flynn, o líder, guitarrista e vocalista do Machine Head, listou para a Metal Hammer os seus discos preferidos de 2011. Responsável por um dos melhores álbuns do ano, o espetacular Unto the Locust, Flynn mostra um saudável ecletismo em suas escolhas.

Times of Grace – The Hymn of a Broken Man

Este disco é irreal, incrível! Tudo é inspirador: a paixão, as harmonias vocais, as letras. Canções sobre amor em um álbum de heavy metal. Eles são ótimos! O que eu sempre amei na voz de Jesse Leach é que parece que o cara tem problemas, e eu respeito isso. Eu estava realmente decepcionado com os caminhos que a música havia tomado quando este disco saiu, mas ele literalmente me salvou.

Ghost – Opus Eponymous

Demorou umas quatro audições para o álbum bater em mim, mas quando isso aconteceu foi como se eu tivesse sido atingido por uma tonelada!

Ray LaMontagne & The Pariah Dogs – God Willin' & The Creek Don't

Normalmente eu odeio este tipo de música, mas o nosso baterista, Dave McClain, me mostrou este disco, um álbum absolutamente incrível de folk americano. Eu não conseguir parar de ouvir! A voz de Ray tem tanta dor e tristeza. “This Love is Over” é uma obra-prima.

Tyler the Creator – Goblin

Um cara muito doente! Tão escuro e fodido! Cativante! O que há de melhor no rap underground. Obrigado ao Mark, do Chimaira, por me apresentar a este álbum.

Trivium – In Waves

O melhor álbum desde The Ascendancy, e provavelmente o melhor disco da banda. Grandes composições, ótima produção. “Watch the World Burn” é incrível. Adorei!

Kanye West & Jay-Z – Watch the Throne

Adoro hip hop mainstream, não posso negar. O que torna este disco tão bom, porém, é a produção. Retomando a colagem sonora típica do rap da costa leste do início dos anos 90, o álbum é sonoramente incrível. Rimas ricularmente boas de ambos os rappers, e os sombrios temas políticos abordados aprofundaram ainda mais a beleza de tudo.

The Beatles – Reedição do catálogo no iTunes

Eu já ouvi cada uma destas faixas um milhão de vezes, e ainda vou fazer todo mundo cair de amores pelos Beatles mais uma vez. O timbre de guitarra no início de “Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band” é um dos mais pesados já gravados, e enquanto muitas bandas tentaram regravar “Helter Skelter” de maneira cada vez mais extrema, ninguém sequer chegou perto do apocalíptico proto-punk da versão original. E tem “Eleanor Rigby”!

Anthrax – Worship Music

Para ser honesto, eu não esperava muito deste álbum. Eu realmente gostava da voz de John Bush, mas este disco é tão inacreditavelmente bom que me fez parar para ouvir. Grandes canções, excelente produção, boas letras e Joey Belladonna entregando a performance vocal de sua vida. “In the End” e “Fight 'Em Til You Can't” são duas das melhores canções da carreira do Anthrax!

Darkest Hour – The Human Romance

Pare de ignorar este álbum! O que há de melhor no heavy metal, produzido por uns caras que são grandes malucos por música. Faça um favor a si mesmo e compre já!

Kansas: box reúne álbuns clássicos da banda

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Presentinho de Natal para os fãs do Kansas: acaba de sair o box The Complete Album Collection 1974-1983, com nada mais nada menos que 11 CDs reunindo todos os discos lançados pelo grupo no período.

Fazem parte da caixa Kansas (1974), Song for America (1975), Masque (1975), Leftoverture (1976), Point of Know Return (1977), Two for the Show (1978), Monolith (1979), Audio-Visions (1980), Vinyl Confessions (1982) e Drastic Measures (1983). Não há faixas bônus, mas todos os discos foram remasterizados e estão em formato mini-vinil, com capas gatefold.

Apetitoso, não?

15 de dez de 2011

Os melhores de 2011 segundo Adriano Mello Costa, editor do blog Coisa Pop

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Conheci o Adriano este ano, através do seu trabalho no Coisa Pop. Curti a sua maneira de escrever, e o convidei a colaborar também com a Collector´s Room com os seus ótimos textos sobre sobre rock, pop e cultura pop.

Nome conhecido com artigos publicados em diversos sites respeitados de todo o Brasil, Adriano listou os seus 10 melhores discos de 2011. Confira a lista, vá atrás do que você não conhece e deixe a sua opinião nos comentários:

The Decemberists – The King is Dead

Depois do fraco e infeliz Hazards of Love, de 2009, o Decemberists retornou com um grande disco permeado com canções com melodias grudentas e que remetem principalmente ao folk e ao country. “Don't Carry It All” e “Down by the Water” são destaques de um álbum que emociona e entristece quase que na mesma medida, e tem o mal de não conseguir sair do som.

Twilight Singers – Dynamite Steps

Angústia. Tensão. Desespero. Dor. Palavras que sempre habitaram a música de Greg Dulli (Afghan Whigs) aparecem com força total no novo trabalho de sua atual banda. Como de costume, a sonoridade alia as influências do rock alternativo americano com a forte paixão pelo blues e soul, para construir momentos sublimes como a dobradinha de “On the Corner” e “Gunshots”. Discão.

R.E.M. - Collapse Into Now

Meses antes de anunciar o fim da banda, Michael Stipe, Peter Buck e Mike Mills desembarcaram com um trabalho contendo um pouco de cada coisa que fizeram nos 30 anos em que tocaram juntos. Um registro quase perfeito. Faixas como “Discoverer”, “Mine Smell Like Honey”, “That Someone is You”, “Überlin” e “Blue” são pequenas amostras de como a banda fará falta ao cenário do rock.

Foo Fighters – Wasting Light

Em Wasting Light, Dave Grohl abusou. Gravou na garagem de casa em modo analógico e chamou Butch Vig para produzir. Fez o guitarrista Pat Smear retornar ao grupo e convidou o velho parceiro de Nirvana, Krist Novoselic, e o ex-líder do Hüsker Dü, Bob Mould, para participar. O resultado é um baita disco de rock com faixas potentes como a tríade “Arlandria”, “These Days” e “Back and Forth”.

Roddy Woomble – The Impossible Song & Other Songs

Roddy Woomble (Idlewild) concluiu o seu segundo trabalho solo apoiado em violões, violas, pianos, banjos e bandolins. Melancolia e um suave otimismo caminham juntos em faixas como “Between the Old Moon” e, principalmente, em “Gather the Day”, uma daquelas canções que quase conseguem tocar o céu. Um álbum para deixar o mundo um lugar melhor. Nem que seja somente por uns minutos.

Noel Gallagher – Noel Gallagher’s High Flying Birds

Estreia solo da parte mais talentosa do Oasis. Belas harmonias preenchidas com violões, orquestrações, pianos, solos breves de guitarra e até mesmo metais. Contêm momentos magistrais como “Dream On” e “AKA... Broken Arrow”, além de “The Death of You and Me”, uma das melhores faixas de 2011. Mesmo não sendo o gênio que imagina ser, Noel continua mandando muito bem.

Black Lips – Arabia Mountain

O Black Lips é uma daquelas bandas que preza a palavra diversão com todas as suas forças. Caracterizados pela tosquice e pela energia, careciam de uma melhor burilada no som. Isso veio com Arabia Mountain. Produzido por Mick Ronson, leva a banda dois degraus acima de uma vez só. “Family Tree”, “Raw Meat” e “Modern Art” são os destaques de um disco para se ouvir frequentemente.

The Pains of Being Pure at Heart - Belong

Depois de uma estreia surpreendente em 2009, Kip Berman, Alex Naidus, Peggy Wang e Kurt Feldman fizeram outro ótimo trabalho em 2011. Belong exala as influências do grupo de maneira indefectível, mas é na sua totalidade um registro melhor e mais completo. Tipo de disco para colocar no som e deixar tocar sem pressa por horas. Escute “Heart in Heartbreak”, por exemplo, e tente se livrar depois.

Ry Cooder – Pull Up Some Dust and Sit Down

Mais conhecido pelo seu trabalho no documentário Buena Vista Social Club, de 1997, Ry Cooder lança aos 64 anos um disco calcado nos anos 30 e 40, com o blues e o folk como matrizes principais ,e obtém um resultado excelente. Tocando guitarra, banjo, viola, violão e teclados, Cooder elaborou faixas poderosas como “No Banker Left Behind”. O velhinho ainda dá um forte caldo.

J Mascis – Several Shades of Why

O líder do Dinosaur Jr. embarcou em um disco solo e chamou amigos como Kevin Drew (Broken Social Scene), Ben Bridwell (Band of Horses) e Suzanne Thorpe (ex-Mercury Rev) para tocar com ele. São 11 faixas com clima essencialmente acústico, o que pode ser confundido com doçura e suavidade, quando trata exatamente do oposto. Um álbum sobre dramas e perdas embalados em bonitas melodias.

E mais 5 menções honrosas de 2011:

Adele – 21
US3 – Lie, Cheat and Steal
Chickenfoot – III
Stephen Malkmus and The Jicks – Mirror Traffic
Wilco – The Whole Love

Europe: crítica de 'Live Look At Eden CD + DVD Book' (2011)

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Nota: 9

Desde que voltou à ativa em 2004 com o ótimo Start From the Dark, o Europe tem executado um som mais maduro e que tem agradado bastante uma parcela do público que antes não ia muito com a cara da banda. Fazendo uma interessante mistura entre hard rock e AOR, o grupo engatou uma sequência de ótimos discos, que recolocaram o seu nome – merecidamente – entre os grandes do estilo. Compositores de mão cheia, os caras vivem, talvez, a melhor fase artística de sua longa carreira.

Lançado em agosto passado, o ao vivo Live Look At Eden ganhou uma edição especialíssima, de dar água na boca dos fãs. Contendo, além do CD normal, mais um DVD e um incrível livro de capa dura com 140 páginas, é daqueles itens que tiram do sério qualquer colecionador.

O disco ao vivo contém 10 faixas gravadas em shows realizados na Polônia, Suécia e Inglaterra, com músicas que transitam por toda a carreria do quinteto. Destaque para a ótima “Last Look At Eden”, com um clima meio Led Zeppelin, e a pesada “The Beast”, além de clássicos tradicionais como “Superstitious”. Um competente álbum ao vivo, que mostra a banda inspirada e cheia de gás.

O DVD bônus traz cinco faixas gravadas durante a apresentação do grupo no iTunes Festival, em versões diferentes das presentes no CD. Além disso, contém também os clipes de “Last Look At Eden” e da bonita balada “New Love in Town”.


Mas o que torna esta edição pra lá de especial é o livro que a acompanha. Com capa dura e nada mais nada menos do que 140 páginas repletas de fotos, é um item que enche os olhos. Com acabamento gráfico de primeira linha e um bom gosto inquestionável, irá agradar até aquelas pessoas não tão interessadas no Europe. Já em relação aos fãs é covardia, porque todo admirador da banda sentirá o coração bater mais forte ao pegar esta edição nas mãos.

Com este item o Europe mostra que entendeu o que muitas bandas ainda não perceberam: hoje em dia, é preciso oferecer mais do que simplesmente música para os fãs. Os downloads viraram rotina, o número de pessoas que ainda compram itens originais vem caindo a cada ano, então, para cativar aqueles que, como nós, ainda cultivam este hábito, os artistas precisam oferecer itens cada vez mais atraentes e interessantes. Esta edição especial de Live Look At Eden é um exemplo desta nova realidade. Posso afirmar com absoluta certeza que é um item belíssimo, dos mais interessantes que eu coloquei as mãos nos últimos tempos. E o que é melhor: vem recheado de música de ótima qualidade.

Faixas:
CD
  1. Last Look At Eden
  2. Love is Not the Enemy
  3. Superstitious
  4. Scream of Anger
  5. No Stoner Unturned
  6. New Love in Town
  7. Seventh Sign
  8. Rock the Night
  9. The Beast
  10. The Final Countdown

DVD
Live At iTunes Festival London
  1. Last Look At Eden
  2. No Stone Unturned
  3. New Love in Town
  4. Rock the Night
  5. The Beast

Clipes:
Last Look At Eden
New Love in Town


14 de dez de 2011

Os melhores discos de 2011 segundo Antônio Carlos Monteiro, redator da Roadie Crew

quarta-feira, dezembro 14, 2011


Antônio Carlos Monteiro, redator da revista Roadie Crew, é um dos jornalistas de hard rock e heavy metal mais respeitados e conhecidos do Brasil. Com uma longa trajetória que se confunde com a história da própria imprensa especializada brasileira, ACM (como os leitores o conhecem) é um especialista no assunto. Por tudo isso, fiquei muito feliz quando recebi o retorno positivo do convite que fiz ao Tony para que ele participasse dos melhores do ano da Collector´s.

Sendo assim, acomode-se na cadeira, aumente o volume e boa leitura (e, claro, não se esqueça de deixar a sua opinião sobre as escolhas nos comentários):

The Quill – Full Circle

Stoner Rock repleto de riffs e refrãos marcantes, com um vocalista que fica num meio termo entre o hard e o blues rock. Melhor disco do ano, disparado!

Chickenfoot – III

Quatro monstros fazendo um rock and roll roll totalmente descompromissado e feliz. Impossível não dar certo!

Rival SonsPressure & Time

Se o Led Zeppelin surgisse hoje, seria o Rival Sons. Ótimas músicas, guitarrista e vocalista brilhantes.

Leslie WestUnusual Suspects

Dá a impressão de que o veterano guitarrista resolveu mostrar pra turma de hoje como se faz um disco de blues rock. Pra ouvir, ouvir de novo, de novo, de novo, de novo ...

HangarAcoustic, But Plugged In!

Uma aula de como se faz um disco acústico – e agora com um vocalista à altura da banda.

Machine HeadUnto the Locust

A banda resolveu ousar sem abrir mão do peso e da pegada. Deu certo.

Motörhead – The Wörld is Yours

Impossível não incluir um disco do Motörhead em qualquer lista que se preze. A banda é garantia de qualidade – e diversão! – há quase quarenta anos.

Tomada – O Inevitável

Quem resmunga que banda brasileira autoral não recebe o devido valor, deve se espelhar nesse ótimo grupo paulistano. Rock direto, agradável e sem chororô.

Sepultura – Kairos

Já passou da hora de parar de reclamar da falta dos Cavalera e prestar atenção nos lançamentos da banda de Andreas Kisser. Kairos é mais um excelente álbum, repleto de fúria e talento.

Alice Cooper – Welcome 2 My Nightmare

O mestre foi ousado e, ainda por cima, convocou os remanescentes do inesquecível Alice Cooper Group. Não igualou o disco original de 1975, mas entra na lista com honra.

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