17/08/2012

Guia de compras: funk setentista


Unindo elementos do soul, do jazz e do rhythm & blues, o funk surgiu em meados da década de 1960 e se tornou um dos gêneros mais influentes da música, inserindo o balanço e a malandragem das ruas não só em suas músicas mas também em estilos diversos como o rock, o pop e, em um caso que comprova como a música é cíclica, até mesmo em ritmos de onde nasceu, como o soul e o jazz.

Este guia não tem como objetivo listar os melhores discos do gênero. Não, o assunto aqui não é esse. O foco deste Guia de Compras é o funk produzido durante a década de 1970, quando o estilo já estava consolidado e flertava sem cerimônias com os mais variados segmentos.

Além disso, a ideia deste artigo é equilibrar os nomes mais óbvios com outros não tão conhecidos assim, apresentando artistas e bandas excelentes mas muitas vezes esquecidos pela maioria. Aqui não iremos esmiuçar as origens do funk, mas sim trazer à tona, à luz do dia, nomes às vezes deixados de lado, mas que gravaram obras excepcionais em suas carreiras.

E, é claro, como toda lista, o objetivo principal é iniciar uma discussão sobre o assunto, e não servir de guia definitivo ou algo do tipo. Como são apenas 10 discos, muitas obras clássicas ficaram de fora, e é nesse ponto que entra em jogo o seu apetite e a sua curiosidade de colecionador para ir atrás, pesquisar e descobrir novos sons.

Aumente o volume, afaste os móveis da sala e mergulhe conosco nos porões do funk setentista!

Sly & The Family Stone - There’s a Riot Goin’ On (1971)

O quinto álbum do combo liderado por Sly Stone afastou a banda das experiências psicodélicas do disco anterior, o também excelente Stand! (1969), e aprofundou a música dos caras nas raízes da música negra. Muito mais rítmico do que antes, Sly deu às costas para a fábrica de melodias e hits certeiros de até então e focou em questões políticas. O título - "há uma revolta acontecendo" - é uma resposta a What’s Going On - "o que está acontecendo" -, álbum de Marvin Gaye lançado cinco meses anos. O disco estreou em primeiro lugar na Billboard e emplacou o single “Family Affair”. O álbum ficou famoso também por sua capa, que traz a banderia dos Estados Unidos cravada de tiros no lugar das estrelas habituais. Segundo o próprio Sly, tratavam-se de diversos sóis representando o brilho de cada cidadão, mas o entendimento da maioria foi diferente. Com uma sonoridade pra lá de influente e um conteúdo lírico que traduziu como poucos o espírito de uma época, There’s a Riot Goin’ On se transformou, com justiça, em um dos maiores clássicos da música negra de todos os tempos. Audição obrigatória!

Baby Huey - The Baby Huey Story: The Living Legend (1971)

James Ramey foi um gênio incompreendido. Apelidado de Baby Huey devido à obesidade causada por um distúrbio glandular que o tornava parecido com um popular personagem de quadrinhos da época, Huey gravou apenas um disco - mas que disco! The Baby Huey Story: The Living Legend, lançado em fevereiro de 1971, é um trabalho muito à frente do seu tempo. Com quase vinte anos de antecedência, Huey lançou as bases e os fundamentos que seriam apropriados e desenvolvidos mais tardes pelo rap e pelo hip hop. Com ritmos marcantes e vocais esplêndidos, The Baby Huey Story é um disco excepcional, e que permanece extremamente atual mesmo passados mais de quarenta anos de seu lançamento. Se eu tivesse que levar apenas um álbum dessa lista para uma ilha deserta, seria esse, sem dúvida. O proto-rap “Hard Times”, composto por Curtis Mayfield, é uma obra-prima, assim como as releituras inspiradas de “A Change is Going to Come”, de Sam Cooke, e “California Dreamin’”, do Mamas & The Papas, aqui em uma inquietante versão instrumental. 

Funkadelic - Maggot Brain (1971)

George Clinton é um dos artistas mais importantes do funk. Durante toda a década de 1970 esteve à frente de duas bandas seminais, o Funkadelic e o Parliament. Enquanto o primeiro, como o próprio nome já indica, trilhou os caminhos mais psicodélicos e lisérgicos do funk, o segundo seguiu trilhas mais dançantes. Maggot Brain é o terceiro álbum do Funkadelic e obra fundamental da música negra. Lançado em julho de 1971, traz em suas sete faixas um funk encorpado por elementos do rock, psicodelia, gospel e soul. A faixa-título, uma instrumental com mais de dez minutos de duração, contém um antológico e sideral solo do guitarrista Eddie Hazel e é um dos momentos mais iluminados da história da guitarra elétrica. Para concebê-la, Clinton chamou Hazel, trancou-o no estúdio e mandou ele tocar como se sua mãe tivesse acabado de morrer. O resto é história! As demais faixas exploram caminhos diversos, da viagem pelo oriente proporcionada pelo groove de “Can You Get to That” à hipnótica “You and Your Folks, Me and My Folks”. A capa, com a cabeça de uma mulher negra emergindo e gritando, também fez história, e se transformou em um dos ícones mais fortes da cultura black. Quem gosta de música tem que ter!

Isaac Hayes - Shaft (1971)

Durante a década de 1970, diversos filmes explorando a cultura negra norte-americana foram lançados, criando um gênero próprio classificado como Blaxploitation. O mais famoso deles foi Shaft, de 1971, que conta a história de um detetive particular do Harlem. A trilha da película, composta por Isaac Hayes, se transformou em um dos mais famosos e conhecidos registros sonoros do período. Predominantemente instrumental, traz grooves que transitam entre o funk e o soul, em alguns momentos apostando mais no groove e em outros em climas mais sensuais. O sucesso foi tamanho que a trilha de Shaft acabou se transformando no maior sucesso comercial da história da Stax, uma das mais importantes gravadoras da black music americana.”Theme from Shaft” até hoje rola nos toca-discos, e é uma dessas faixas presentes no inconsciente coletivo ocidental.

War - The World is a Ghetto (1972)

Imagine uma banda formada só por negros - sete, para ser mais exato - e batizada com o provocativo nome de War. Ele existiu, e foi um dos maiores nomes do funk setentista. Natural da Califórnia, o War emplacou hits como “Low Rider” e “Why Can’t We Be Friends?”, mas o seu trabalho definitivo é The World is a Ghetto, lançado em novembro de 1972. Com uma sonoridade elegante, que agregou elementos do soul e do jazz, The World is a Ghetto emplacou um grande sucesso - “The Cisco Kid” - e documentou para sempre o descomunal talento do War. “Where Was You At” tem um groove de rachar o assoalho, enquanto a faixa-título é uma longa suíte de mais de dez minutos que surpreende a cada movimento. Eleito o melhor disco de 1972 pela Billboard, The World is a Ghetto também foi o álbum mais vendido em todos os Estados Unidos em 1973.

Curtis Mayfield - Super Fly (1972)

Outra trilha de um clássico da Blaxpoitation, Super Fly traz uma sonoridade que varia bastante entre o funk e o soul. A capacidade criativa de Curtis Mayfield alcançou o seu ápice aqui, em um trabalho que esbanja uma musicalidade elegante e de muito bom gosto. Lançado em julho de 1972, Super Fly é o terceiro álbum de Mayfield e foi um grande sucesso comercial, liderando a parada da Billboard e emplacando dois singles que venderam milhões de cópias - “Freddie’s Dead” e a faixa-título. O disco é considerado também, ao lado de What’s Going On, de Marvin Gaye, um dos primeiros álbuns conceituais de soul music. Uma aula de composição, com arranjos estupendos e instrumentação certeira, eis aqui uma obra-prima obrigatória em qualquer coleção que se preze.

Betty Davis - Betty Davis (1973)

Betty Davis era apenas uma modelo, mas então conheceu Jimi Hendrix, Sly Stone e Miles Davis. Em setembro de 1968 casou-se com Miles, e foi essencial na transformação estética e musical pela qual o lendário músico passou no final da década de 1960 e início dos anos setenta e que gerou frutos estupendos como Bitches Brew e On the Corner. Após se separar de Miles, resolveu investir pesado em uma carreira musical, e o resultado foi surpreendente. O primeiro álbum de Betty Davis, batizado apenas com o seu nome, saiu em 1973 e é um dos trabalhos mais pesados do funk setentista. Sim, pesado mesmo, com excelentes riffs de guitarras e composições inspiradíssimas. Neal Schon, que mais tarde faria parte do Journey, é o responsável pelas seis cordas do lado de Doug Rodrigues, e o trabalho da dupla é simplesmente animal em todo o play. “If I’m In Luck I Might Get Picked Up”, por exemplo, tem um riff que não faria feio em um álbum de hard rock! O alto nível se mantém durante todo o play, com destaque para o baixo aeróbico de “Anti Love Song”. Pouca gente conhece, mas quem já ouviu sabe do que eu estou falando!

Herbie Hancock - Head Hunters (1973)

Prodígio do jazz, Herbie Hancock desde cedo esteve envolvido com gigantes do estilo. Fez parte durante anos da banda de Miles Davis, com quem aprendeu todos os truques e macetes da coisa. Mais velho, fez uma verdadeira revolução em 1973 com Head Hunters, seu décimo-segundo álbum, onde afastou-se do gênero com o qual esteve sempre ligado e mergulhou fundo no funk. São apenas quatro faixas, todas instrumentais, mas com grooves tortos e hipnóticos criados a partir do teclado de Hancock que influenciaram toda uma geração. A primeira, “Chameleon”, é uma tour de force com mais de quinze minutos capaz de levantar, ainda hoje, qualquer pista de dança. A experiência dos anos e anos de jazz fizeram com que Herbie produzisse um disco ao mesmo tempo acessível e com uma musicalidade elaborada, responsável por colocar a música negra em outro patamar. Pedra fundamental do jazz funk, Head Hunters vendeu horrores e até hoje inspira músicos em todos os cantos do mundo.

James Brown - The Payback (1974)

Uma lista sobre funk sem o pai do estilo não faria sentido! The Payback chegou às lojas em dezembro de 1973 e é um álbum duplo. O trabalho foi originalmente concebido como trilha do filme Hell Up in Harlem, mas foi rejeitado pelo diretor Larry Cohen por não ser funk o suficiente. Uma bobagem! Considerado por muitos críticos como o ponto mais alto da carreira de James Brown, o álbum, ainda que apresente durante todas as sua faixas uma evidente influência de soul e rhythm & blues, é sacolejante do início ao fim. As quatorze faixas são todas baseadas em grooves cíclicos e jams entre os músicos, característica que faz as composições soarem bem soltas. Além disso, as bases instrumentais foram fartamente sampleadas ao longo dos anos, fazendo de The Payback uma fonte infinita de inspiração para produtores e rappers. Quer ter apenas um disco do James Brown? Então esse é o álbum!

The JB’s - Funky Good Time: The Anthology (1995)

The JB’s era a banda de acompanhamento de James Brown durante a primeira metade da década de 1970. A formação original incluía o baixista Bootsy Collins, seu irmão Catfish Collins na guitarra, Bobby Byrd no órgão e John Starks na bateria, além de um trio nos metais e Johnny Griggs na percussão. Esta coletânea compila os diversos singles lançados pelo grupo ao longo dos anos, e é uma preciosidade sem tamanho. Ouvir o The JB’s é como presenciar a um doutorado em ritmo, groove e malandragem, em composições que foram fundamentais para definir o funk como gênero musical, como “Pass the Peas”, por exemplo. Compre correndo!

Além destes dez títulos, artistas como Fela Kuti, Parliament (banda irmã do Funkadelic), Miles Davis, Gil Scott-Heron, Cymande, The Isley Brothers, The Meters, Earth Wind & Fire, Stevie Wonder, Demon Fuzz, Kool & The Gang e Jimmy Castor, além dos brasileiros João Donato, Jorge Ben, Tim Maia e Banda Black Rio, gravaram álbuns muito bons e que merecem uma conferida atenciosa, pois foram muito importantes para o desenvolvimento do funk, seja acentuando ainda mais as características do gênero ou levando-o ao encontro de estilos como jazz, afrobeat, soul e até mesmo o samba. O mesmo vale para as diversas compilações reunindo trilhas de filmes da Blaxpoitation disponíveis.

Como dito lá no início, o principal objetivo deste guia é levar você até o maravilhoso mundo do balanço setentista. Caia na dança e descubra sons maravilhosos - e depois compartilhe eles com a gente!


Documentário aborda a relação entre Bob Dylan e The Band

A parceria entre Bob Dylan e a The Band produziu alguns dos momentos mais importantes da carreira do compositor norte-americano. Do choque causado pela inclusão de guitarras elétricas em uma sonoridade até então acústica às gravações que se transformariam no antológico The Basement Tapes, a relação foi sempre muito produtiva.

Toda essa história é abordada no documentário Down in the Flood, que será lançado em DVD no dia 25 de setembro. O filme narra desde o primeiro encontro de Dylan com a futura The Band, quando o grupo ainda se chamada The Hawks, até as sessões de gravação e composição que geraram The Basement Tapes, tudo complementado com cenas de arquivos e novas entrevistas com nomes como o multi-instrumentista Garth Hudson, Mikey Jones (baterista da turnê de 1966), Ronnie Hawks (vocalista original dos Hawks), o guitarrista Charlie McCoy e John Simon, produtor do disco de estreia da The Band, o clássico Music From Big Pink (1968).

Um trabalho arqueológico digno de elogios, Down in the Flood tem tudo para se tornar muito mais do que apenas um documentário musical, transformando-se em um verdadeiro documento sobre uma das parcerias mais influentes da história do rock.

Confira o trailer abaixo:


Álbum tributo ao Deep Purple será lançado no Brasil pela ST2

Você que estava preocupado e perdendo o sono se perguntando se Re-Machined - A Tribute to Deep Purple’s Machine Head seria lançado ou não no Brasil, pode relaxar e ficar tranquilo. A ST2 acaba de confirmar que colocará o disco nas lojas brasileiras em outubro!

Para quem ainda não sabe do que se trata, Re-Machined é um tributo ao clássico álbum do Purple organizado pela revista inglesa Classic Rock, e que conta com grandes nomes do hard rock e do heavy metal relendo as faixas criadas por Blackmore, Gillan e companhia.

O tracklist do disquinho é o seguinte:

  1. Carlos Santana & Jacoby Shaddix - Smoke on the Water
  2. Chickenfoot - Highway Star
  3. Glenn Hughes & Chad Smith - Maybe I’m a Leo
  4. Black Label Society - Pictures of Home
  5. Kings of Chaos - Never Before
  6. The Flaming Lips - Smoke on the Water
  7. Jimmy Barnes & Joe Bonamassa - Lazy
  8. Iron Maiden - Space Truckin’
  9. Metallica - When a Blind Man Cries
  10. Glenn Hughes, Steve Vai & Chad Smith - Highway Star

Três faixas já foram divulgadas, e você pode ouvir as versões do Metallica, Iron Maiden e Santana nos player abaixo:




Blue Öyster Cult tem carreira passada a limpo em box com 17 discos

Dia 30 de outubro chegará às lojas o box Blue Öyster Cult - The Columbia Albums Collection, passando a limpo a carreira da banda nova-iorquinha. São quatorze discos oficiais, mais dois CDs com material raro e ao vivo e um DVD, tudo devidamente remasterizado como manda o figurino.

Os títulos vem em embalagens digipaks de luxo, e o pacote contém também um encarte de 40 páginas com fotos e textos escritos por Lenny Kaye, guitarrista do Patti Smith Group e idealizador da antológica caixa Nuggets. Além disso, o box vem com um código que permite o download do áudio de quatro shows de diferentes épocas da carreira do grupo.

Abaixo a lista completa com os 17 discos de The Columbia Albums Collection:

  1. Blue Öyster Cult (1972 – Studio – with 2001 CD bonus tracks)
  2. Tyranny and Mutation (1973 – Studio – with 2001 CD bonus tracks)
  3. Secret Treaties (1974 – Studio – with 2001 CD bonus tracks)
  4. On Your Feet or on Your Knees (1975 – Live) – 2012 Remaster
  5. Agents of Fortune (1976 – Studio  – with 2001 CD bonus tracks)
  6. Spectres (1977 – Studio – with 2007 CD bonus tracks)
  7. Some Enchanted Evening (1978 – Live – with 2007 CD bonus tracks)
  8. Some OTHER Enchanted Evening DVD (1978 – Live)
  9. Mirrors (1979 – Studio) – 2012 Remaster
  10. Cultösaurus Erectus (1980 – Studio) – 2012 Remaster
  11. Fire of Unknown Origin (1981 – Studio) – 2012 Remaster
  12. Extraterrestrial Live (1982 – live) – 2012 Remaster
  13. The Revölution By Night (1983 – Studio) – 2012 Remaster
  14. Club Ninja (1985 – Studio) – 2012 Remaster
  15. Imaginos (1988 – Studio) – 2012 Remaster
  16. Rarities (2012)
  17. Radios Appear: The Best of the Broadcasts (2012)



Danko Jones: veja a capa do novo disco e ouça trecho da inédita “Just a Beautiful Day”

O sexto álbum da banda canadense Danko Jones, Rock and Roll is Black and Blue, será lançado dia 9 de outubro na América do Norte. O disco foi produzido por Matt DeMatteo, parceiro de longa data do grupo, e mixado por Mike Fraser (AC/DC, Aerosmith, Franz Ferdinand).

Rock and Roll is Black and Blue marca a estreia do novo baterista, Atom Willard, o sexto músico a ocupar o posto. Danko Jones responde pelos vocais e guitarra, enquanto John Calabrese segue no baixo.

O trio liberou um trecho da inédita “Just a Beatiful Day” como aperitivo, e nela já dá para perceber que os caras mantiveram o alto nível do último trabalho, o excelente Below the Belt (2010). 

Confira abaixo:


“Today’s Supernatural”, o novo clipe do Animal Collective

O pop psicodélico do Animal Collective está de volta! Centipede Hz, novo álbum da banda norte-americana, sairá no próximo dia 4 de setembro e terá a dura missão de superar Merriweather Post Pavilion, aclamado último trabalho do grupo e considerado um dos melhores discos de 2009.

Promovendo o play, os caras divulgaram o clipe do primeiro single da bolacha, a grudenta “Today’s Supernatural”. O vídeo é uma viagem cheia de dragões chineses em um deserto,  com fartas cenas com cores saturadas e um tanto lisérgicas.

Vale o play!


“Fertilen Green”, o lisérgico novo clipe do High On Fire

A banda californiana High On Fire, que lançou este ano o seu sexto álbum, De Vermis Mysteriis, divulgou o clipe da faixa “Fertile Green”, presente no disco.

O vídeo conta a história de Balteazeen, irmão gêmeo de Cristo, que se sacrificou para que Jesus pudesse viver. Tudo isso ilustrado por imagens carregadas de cores fortes e muita lisergia, além de um peso absurdo.

Assista abaixo:


Ouça versão do Iron Maiden para “Space Truckin’”, do Deep Purple

Outra prévia do projeto Re-Machine Head, que traz grandes nomes relendo as faixas do clássico disco do Deep Purple lançado em 1972, está disponível online: nada mais nada menos do que o Iron Maiden mandando ver “Space Truckin’”, a música que encerra o álbum original.

Achei uma versão correta e competente, com grande destaque para os vocais de Bruce Dickinson. Na parte instrumental, no entanto, o Maiden não inseriu nenhuma mudança ou algo que chamasse a atenção e imprimisse a sua personalidade para a releitura, como o Metallica fez na sua versão de “When a Blind Man Cries”, por exemplo.

Bem feito, bem tocado, mas apenas isso. Vale apenas como curiosidade.

Ouça abaixo:


16/08/2012

Mais informações sobre o acidente sofrido pelo Baroness

O silêncio a respeito do acidente sofrido pela banda norte-americana Baroness é inquietante. Além da notícia do ocorrido, nada mais foi divulgado de forma oficial, o que gera preocupação entre os admiradores do trabalho dos caras.

Como já publicamos, haviam nove pessoas no ônibus, das quais sete se feriram de maneira leve e duas de forma mais grave. No entanto, conseguimos novas informações hoje que apontam para um quadro um pouco mais agravante.

Um dos feridos de maneira mais grave foi o motorista, cujas pernas ficaram presas nas ferragens. Os bombeiros precisaram utilizar equipamentos hidráulicos para cortar os destroços e retirar o motorista.

Outra informação ainda não confirmada relata que o irmão do baterista Allen Blickle informou que o músico teve uma vértebra fraturada e uma possível perfuração nos pulmões, o que aponta para um quadro clínico bastante preocupante, para não dizer crítico.

Além disso, rumores cada vez maiores dão conta de que o baixista Matt Maggioni também sofreu ferimentos muito graves, mas não conseguimos detalhes mais específicos sobre o estado do músico.

É interessante como esse acidente envolvendo o Baroness tem muitos pontos em comum com o sofrido pelo Metallica e que resultou na morte do baixista Cliff Burton. Ambos os grupos são norte-americanos, com trabalhos considerados revolucionários pela crítica e estavam em turnê pela Europa promovendo seus terceiros discos - Master of Puppets e Yellow & Green, respectivamente - quando sofreram um acidente de ônibus. Esperamos que as semelhanças acabem por aqui e que não tenhamos nenhuma vítima fatal no caso do incidente envolvendo o Baroness e sua equipe.

Update:

A página oficial do Baroness no Facebok foi atualizada com informações sobre o estado das vítimas. O motorista está em estado crítico, e é, a princípio, a vítima mais grave.

O vocalista e guitarrista John Baizley fraturou o braço e a perna esquerda. O baterista Allen Blickle e o baixista Matt Maggioni sofreram fraturas em algumas vértebras, o que é sério e pode deixá-los tetra ou paraplégicos conforme a gravidade da lesão, que não foi informada. E o guitarrista Pete Adams foi o que menos se machucou e já foi liberado.

Força para a banda, e torcemos para que todos fiquem bem e sem maiores consequências desse trágico acidente.


Ouça versão do Metallica para clássico do Deep Purple

O projeto Re-Machine Head levado a cabo pela revista Classic Rock, onde grandes nomes do hard rock e do heavy metal relêem clássicos do Deep Purple, está mexendo com o apetite dos colecionadores e fãs de música. A curiosidade para saber como as releituras das faixas do álbum Machine Head soarão é grande, e agora já podemos saciar um pouco essa fome.

Está online o cover do Metallica para “When a Blind Man Cries”, uma das mais belas composições do Purple. Apesar de não fazer parte do tracklist original de Machine Head, a música foi composta na mesma época e lançada como b-side dos singles de “Never Before” e “Lazy”.

A versão do Metallica é, evidentemente, mas pesada que a original. Há uma explosão sonora no final, em uma mudança inserida por James Hetfield e companhia que ficou muito interessante. Em suma, uma paulada na orelha!

Confira abaixo:


Lynyrd Skynyrd: crítica de Last of a Dyin’ Breed (2012)

Após três anos de silêncio, o maior nome do southern rock está de volta. Produzido por Bob Marlette (Black Stone Cherry, Airbourne, Alice Cooper), Last of a Dyin’ Breed é o décimo-terceiro disco do Lynyrd Skynyrd e marca a estreia do experiente baixista Johnny Colt, ex-Black Crowes, ao lado de Johnny Van Zant (vocal), Gary Rossington (guitarra), Ricky Medlocke (guitarra), Mark Matejka (guitarra), Peter Keys (teclado) e Michael Cartellone (bateria). 

São onze faixas que, de certa maneira, mantém o caminho de God & Guns, de 2009. Há uma tentativa consciente da banda em soar mais atual em algumas faixas, característica percebida claramente em músicas como “Homegrown”, com riffs curtos e sincopados, e em “Mississippi Blood”, que incorpora uma sonoridade moderna às raízes blues e country do grupo.

Last of a Dyin’ Breed começa muito bem, com o slide cheio de distorção da faixa-título, uma das melhores do play. A boa impressão segue com “One Day At a Time”, sóbria e contemplativa. Porém, após um início positivo, o disco cai em uma sequência de faixas que não acrescenta nada à história do grupo. “Ready to Fly” é uma balada fraca e brega, falha imperdoável para uma banda que já gravou obras-primas como “Simple Man” e “Tuesday’s Gone”. “Something to Live For” vai pelo mesmo caminho e parece sobra de algum astro country como Billy Ray Cyrus.

O problema de Last of a Dyin’ Breed é que o trabalho de composição, de uma maneira geral, deixa muito a desejar. Não há nenhuma faixa memorável no disco. Bons momentos podem ser ouvidos em músicas como “Good Teacher” - com guitarras faiscantes -, “Nothing Come Easy” e “Honey Hole”,  por exemplo, mas nada que coloque um brilho no olho e empolgue. É tudo bem tocado, bem executado, mas sem alma. 

O Skynyrd soa acomodado em Last of a Dyin’ Breed, transmitindo a sensação de que o disco foi gravado apenas como obrigação de contrato, o que não seria surpreendente, já que a banda vive hoje, principalmente, dos shows que realiza pelos Estados Unidos e em alguns lugares do mundo - como a ótima e emocionante apresentação na edição de 2011 do festival SWU.

De maneira geral, apesar de alguns acertos, Last of a Dyin’ Breed é um álbum decepcionante. Pode até agradar os fãs mais cegos, mas acende o sinal de alerta e mostra uma banda preguiçosa e pouco inspirada. O que temos aqui é um disco que vale apenas para completar a coleção, o que, convenhamos, é muito pouco para uma banda com a história e a importância do Lynyrd Skynyrd.

Nota: 6


Faixas:
  1. Last of a Dyin’ Breed
  2. One Day At a Time
  3. Homegrown
  4. Ready to Fly
  5. Mississippi Blood
  6. Good Teacher
  7. Something to Live For
  8. Life’s Twisted
  9. Nothing Comes Easy
  10. Honey Hole
  11. Start Livin’ Life Again


Assista “Oh Love”, o novo clipe do Green Day

“Oh Love”, primeiro single do novo disco do Green Day, Uno!, ganhou um clipe sensual e quase proibido para menores. No vídeo, a banda toca a música em um estúdio enquanto diversas garotas sensuais assistem a performance, com direito a lingeries, peitos de fora, beijos entre meninas e cervejas rolando.

Uno! chega às lojas em 25 de setembro.

Assista abaixo:


Grupo Abril pode dar fim à MTV Brasil


O Grupo Abril, dono da marca MTV Brasil, estuda a possibilidade de extinguir o canal. O motivo é a falta de lucratividade da MTV brasileira, deficitária há anos. A Abril iniciou há dois meses as negociações para dar um novo rumo à emissora, inclusive avaliando a possibilidade de devolvar a marca para a sua proprietária original, a rede norte-americana Viacom.

Segundo Keila Jimenez, da Folha.com, “entre os executivos de televisão é notório que a MTV não vem alcançando os resultados esperados. Mesmo com os recentes cortes de gastos, a situação não melhorou”. 

O provável destino da MTV Brasil é a venda dos direitos da marca em nosso país - nas mãos do Grupo Abril até 2018 - de volta para a Viacom, que já demonstrou interesse em manter o canal por aqui, incorporando-o à sua lista de opções na TV por assinatura - a Viacom é dona também da VH1 e faz parte do conglomerado Time Warner, proprietários de diversas marcas, incluindo a Walt Disney e a Warner Brothers. Se isso realmente ocorrer, a MTV brasileira passará por uma reestruturação profunda, com a extinção total da programação atual.

Pessoalmente, sou da opinião que a MTV Brasil perdeu o foco há anos. A aposta em um público cada vez mais novo, no mercado adolescente, aliado ao crescimento dos programas humorísticos da emissora - tendo o genial Marcelo Adnet à frente - descaracterizou profundamente o canal, levando-o para um caminho muito distante da sua proposta original. Penso que esse reposicionamento da marca, ainda que feito pelos meios teoricamente errados - a devolução dos direitos para a proprietária original - pode, enfim, colocar a MTV brasileira nos eixos e torná-la relevante novamente, qualidade que, pelo menos no aspecto musical, a emissora deixou de ser faz tempo.

Aguardamos ansiosos os próximos desdobramentos.


Ouça “Walls and Doors”, nova música de John Frusciante

E a loucura continua grande. John Frusciante, ex-Red Hot Chili Peppers, divulgou a faixa “Walls and Doors”. A música estará no novo álbum solo do guitarrista, PBX Funicular Intaglio Zone, com lançamento agendado para 24 de setembro.

Tentando traduzir em palavras - o que, confesso, é bem difícil -, “Walls and Doors” é uma colagem meio esquisita, com partes dissonantes e incômodas, que mais parecem trechos de diferentes composições reunidas em uma só. Uma esquizofrenia sonora que não irá cair bem para qualquer um.

Experimente, por sua própria conta e risco, abaixo:


Kamelot divulga capa e detalhes de seu novo disco


A nova etapa da carreira do Kamelot já tem data marcada para começar: 24 de outubro. É nesse dia que chegará às lojas japonesas o novo disco do grupo, Silverthorn. O álbum será lançado dois dias depois, 26/10, na Alemanha, em 29 de outubro no restante da Europa e somente dia 30/10 no país natal dos caras, os Estados Unidos.

Silverthorn, décimo trabalho do Kamelot, marca o início de uma nova fase para a banda liderada pelo guitarrista Thomas Youngblood. O disco será a estreia do novo vocalista, Tommy Karevik, substituto do até então insubstituível Roy Khan. Khan, ao lado de Thomas, foi o principal responsável por levar o Kamelot ao topo do metal melódico, gravando álbuns excelentes como The Black Halo (2005).

Silverthorn será lançado em diversas versões. O CD contará com uma capa, enquanto o edição em vinil duplo e o box do álbum terão artes diferentes. Este box terá o disco normal mais um CD bônus com aproximadamente uma hora de música - a banda não divulgou que material é esse, se versões demos, ao vivo ou inéditas -, um livro de 44 páginas e um pôster exclusivo. Já o vinil será gatefold e terá os discos coloridos, além de vir com um CD bônus.





15/08/2012

Baroness: feridos mais graves seriam um dos músicos e o motorista do ônibus


As notícias sobre o acidente sofrido pela banda norte-americana Baroness hoje na Inglaterra, próximo à cidade de Bath, são muito nebulosas ainda. A informação sobre o acidente está em todos os principais sites de música do planeta, mas não se sabe nada muito além disso.

Fui em busca de informações mais detalhadas e consegui apurar o seguinte: como já havia publicado, haviam nove pessoas a bordo. Todos se feriram, porém dois destes indivíduos tiveram ferimentos bastante graves. O nome destes dois feridos não foi divulgado, mas as informações que chegam dão conta de que um deles seria o motorista, que teria sido transferido para o Royal United Hospital, em Bath. 

Já o outro ferido gravemente seria um dos músicos do Baroness, que teria sofrido múltiplas fraturas nos braços e nas pernas. Esse integrante, cujo nome ainda não foi divulgado, foi levado pelos serviços de socorro para o Frenchay Hospital na cidade de Bristol, próximo ao local do acidente e onde o Baroness tocou na noite de ontem, terça-feira, dia 14 de agosto.

Como dissemos, não há ainda nenhum comunicado oficial sobre o estado e a identidade dos feridos. A assessoria de imprensa postou apenas um breve comentário na página da banda no Facebook dizendo que o grupo havia sofrido um sério acidente.

Voltaremos ao assunto quando tivermos mais informações.

Abaixo você confere mais fotos do acidente com o ônibus do Baroness:







Clássico duplo ao vivo do Supertramp finalmente em vídeo

O duplo ao vivo Paris, lançado pelo Supertramp em setembro de 1980, é um dos trabalhos mais idolatrados pelos fãs do progressivo pop executado pela banda do tecladista Rick Davies e do vocalista e guitarrista Roger Hodgson. Gravado durante a turnê do best seller Breakfast in America (1979), o disco capturou a banda em quatro apresentações no The Pavillion, na capital francesa, em uma de suas melhores fases, e traz as versões definitivas de sons como “School”, “The Logical Song”, “Bloody Well Right” e “Fool’s Overture”.

Mesmo tendo sido filmados na época, os shows realizados na Cidade Luz nunca viram a luz do dia, para decepção dos fãs. Porém, a coisa acaba de mudar de figura. Chegará às lojas até o final deste mês de agosto o DVD e blu-ray Live in Paris ’79. As cenas foram todas restauradas e convertidas para full HD, enquanto o áudio foi remasterizado em 5.1 surround por Peter Henderson e pelo engenheiro de som do grupo, Russel Pope.

Abaixo você assista a versão da clássica “Breakfast in America” presente em Live in Paris ’79:


Black Sabbath na nova edição da poeira Zine


A nova edição da poeira Zine tem o Black Sabbath na capa. A revista editada pelo chapa Bento Araújo traz uma matéria especial sobre os 40 anos do álbum Vol 4 detalhando as problemáticas e entorpecidas sessões de gravação, e de lambuja conta como foi a apresentação do grupo no festival Lollapalooza, que rolou há poucas semanas em Chicago.

Além disso, a nova pZ tem matérias com Jon Lord, Hatfield and The North, Bacamarte, Gerson Conrad, rock húngaro dos anos 70 e 80, Screaming Lord Sutch, Wishbone Ash, Jell Lynne, Shinki Chen e outros, e a segunda parte do giro do Bento pelos Estados Unidos contando o que rolou no Record Store Day deste ano e sua visita por locais como Graceland, Sun Records, o museu da Allman Brothers Band, a Third Man Records de Jack White e muito mais.

Para comprar a poeira Zine ou assinar a revista, acesse o site oficial.


Baroness: banda sofre sério acidente de ônibus na Inglaterra


A banda norte-americana Baroness, responsável por um dos melhores álbuns do ano - o fenomenal Yellow & Green - sofreu um sério acidente esta manhã. 

Em turnê pelo Reino Unido promovendo o disco, o quarteto teve o seu tourbus envolvido em um acidente. O veículo saiu da estrada e caiu de uma altura de 10 metros. Nove pessoas estavam a bordo, incluindo os integrantes da banda e equipe. Segundo testemunhas, o ônibus capotou devido à pouca visibilidade do local - havia um forte nevoeiro - e caiu de um barranco de dez metros de altura. 

Duas pessoas sofreram ferimentos sérios e foram encaminhadas para o Hospital Frenchay, em Bristol, enquanto os outros sete tiveram ferimentos leves. Ainda não foram divulgados os nomes dos indivíduos que se feriram de maneira mais grave, então não sabemos se são os músicos ou não. Independente disso, estamos em busca de mais informações e torcendo para que não tenha acontecido nada de mais grave.

Abaixo, uma foto do local do acidente:




Lynyrd Skynyrd na capa da nova edição da Classic Rock

A banda norte-americana Lynyrd Skynyrd, o maior nome do southern rock, está na capa da nova edição da revista inglesa Classic Rock. Lançando o seu novo disco, Last of a Dyin’ Breed, o grupo repassa a carreira e fala dos planos para os próximos anos.

A revista vem, como sempre, com um CD de brinde, nesta edição intitulado Free As a Bird - Southern-Fried Rock, Blues e Boogie, com 15 sons de novos nomes do rock sulista como The Sheepdogs, Buffalo Killers, Blackberry Smoke e outros, mais o novo single do Skynyrd.

Além disso, a nova Classic Rock traz a última entrevista de Jon Lord - falecido recentemente -, a primeira parte da história do Yes, Joe Strummer, Kiss, Doors, uma longa matéria com o Muse, as loucuras de Keith Moon, Jack White, Ian Hunter e muito mais.

A Classic Rock é encontrada em boas bancas das grandes cidades brasileiras e também em grande redes de livrarias como Saraiva e Cultura. Se preferir, você pode comprar a revista através deste link.


Coldplay fará três shows no Brasil em fevereiro e março de 2013


O que já era ventilado nos bastidores acaba de ser confirmado. A produtora de eventos gaúcha NewFever informou que a banda inglesa Coldplay retornará ao Brasil para três shows em 2013.

Chirs Martin e companhia tocarão em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. As datas e locais são os seguintes:

28/02 - Rio de Janeiro - Estádio do Engenhão
02/03 - São Paulo - Estádio do Morumbi
07/03 - Porto Alegre - Arena do Grêmio

O Coldplay ainda não publicou essas datas em seu site oficial, e os valores dos ingressos também não foram divulgados até o momento.


14/08/2012

Guia de Compras: Bob Dylan

Recebi do Cadão o gentil convite de fazer um Guia de Compras sobre Bob Dylan, o que é uma satisfação, visto que sou grande admirador de sua obra. O problema é selecionar apenas dez títulos entre os quase cinquenta álbuns oficiais de sua discografia. Evidentemente, dentro de uma obra tão vasta, alguns discos são menos inspirados que outros, mas asseguro que nenhum deles seja ruim ou equivocado. Selecionei os dez que acho primordiais para se adentrar na obra de Bob Dylan.

The Freewheelin' Bob Dylan (1963)

Por que iniciar pelo segundo disco, sendo que o primeiro é tão bom quanto este? Apenas por conter alguns dos maiores clássicos de sua carreira, enquanto as canções do primeiro não chegaram a ficar muito conhecidas. Este álbum, assim como os quatro primeiros de Dylan, não tem banda, apenas Bob no violão ou piano e harmônica. Aqui, ao contrário do primeiro, todas as músicas são de sua autoria, incluindo as autobiográficas “Bob Dylan' Blues” e “Bob Dylan's Dream”. Destaque para “Girl From the North Country”, “Masters of War”, “A Hard Rain's A-Gonna Fall”, “Don't Think Twice, It's All Right” e o hino “Blowin in the Wind”.

Bringing It All Back Home (1965)

Quinto LP de Bob Dylan, aqui ele aparece pela primeira vez com uma banda de apoio em algumas faixas, o que gerou o repúdio dos retrógrados puristas do folk, que não admitiam modernidades como a guitarra elétrica. O disco abre com “Subterranean Homesick Blues”, um rock surrealista claramente inspirado em Chuck Berry, segue com “She Belongs to Me”, a subversiva “Maggie's Farm”, “Love Minus Zero / No Limit”, a delirante “Mr Tamborine Man”, “Gates of Eden”, “It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)” e a sensacional “It's All Over Now, Baby Blue”.

Highway 61 Revisited (1965) 

Aqui o cantor folk praticamente desaparece, dando lugar ao Bob Dylan roqueiro, acompanhado por uma competente banda liderada por Michael Bloomfield e Al Kooper. Abre com seu maior sucesso até os dias de hoje, “Like a Rolling Stone”, que estourou nas paradas mesmo com sua duração de seis minutos, o dobro do normal das canções radiofônicas que faziam sucesso na época. A seguir vem o rockão “Tombstone Blues” e clássicos como “Just Like Tom Thumb's Blues” e “Ballad of a Thin Man”, encerrando com a bela “Desolation Row”, com mais de onze minutos de duração.

Blonde on Blonde (1966)

Considerado sua maior obra-prima, o álbum duplo “Blonde on Blonde” mantém seu alto nível do começo ao fim. É um disco nervoso, recheado de metáforas, rancores, delírios e controvérsias, e contém as melhores letras já escritas por Dylan até então. O mundo assiste abismado ao tamanho da genialidade de Bob Dylan, que contava com apenas 25 anos na época. 

O disco abre com “Rainy Day Women #12 & 35”, segue com “Pledging my Time”, a balada romântica “Visions of Johanna”, a declaração de desejo “I Want You”, a extraordinária “Stuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again”, a irônica “Leopard-Skin Pill-Box Hat”, e declara seu desprezo às mulheres falsas em “Just Like a Woman”. “Temporary Like Achilles” possui clara conotação sexual. 

Há também rockões vigorosos como “Most Likely You Go Your Way And I'll Go Mine” e “Obviously 5 Believers”, até encerrar com a serena e pungente “Sad Eyed Lady of the Lowlands”, uma declaração de amor à sua mulher Sarah, que ocupa todo o lado D do disco, com mais de onze minutos de duração. 

Bob Dylan aparece aqui acompanhado pelo fiel escudeiro Al Kooper e pelo guitarrista do The Band, Robbie Robertson, além de vários músicos de estúdio de Nashville acostumados a acompanhar Roy Orbison, Johnny Cash, Elvis Presley e Carl Perkins. 


Blood on the Tracks (1975) 

Abalado pelo fim de seu casamento com Sarah Lowndes, Bob Dylan fez esse que é considerado seu melhor disco dos anos setenta, onde soa intimista, confessional e magoado nas maravilhosas “Tangled Up in Blue” e “Idiot Wind”, além de incluir as belísimas “Simple Twist of Fate”, “You're a Big Girl Now” e “Shelter From the Storm”.

The Basement Tapes (1975) 

Após os brilhantes Bringing It All Back Home (1965), Highway 61 Revisited (1965) e Blonde on Blonde (1966), Bob Dylan não lançou nada novo no ano de 1967, apenas uma coletânea - Greatest Hits Vol 1 - chegou às lojas. Dylan alegou que precisou ficar recluso para se recuperar do famoso acidente de motocicleta que sofreu em maio de 1966. O que pouca gente sabia é que Dylan, enquanto se recuperava, gravava com a The Band um grande material no porão da casa da banda em Woodstock, a famosa Big Pink. Esse disco duplo é o trabalho que Bob Dylan & The Band gravaram em 1967, porém, inexplicavelmente, Dylan deixou essa obra-prima engavetada por oito anos. 

Durante esse tempo, algumas das canções foram lançadas por outros artistas. O próprio The Band regravou “Tears of Rage”, “This Wheel's on Fire” e “I Shall Be Released” no seu disco de estreia de 1968, Music From Big Pink. Os Byrds gravaram “You Ain't Goin' Nowhere” e “Nothing Was Delivered”, e Peter, Paul and Mary lançaram “Too Much of Nothing”, entre outros. 

As “fitas do porão”, como eram chamadas as gravações, acabaram vazando e surgiram em um disco pirata chamado The Great White Wonder. Bob Dylan então decidiu que “se esse material vai ser lançado, que seja com boa qualidade”, fazendo com que finalmente em 1975 esse extraordinário trabalho fosse lançado oficialmente.


Desire (1976)

Outro grande momento de Dylan nos anos setenta foi com Desire, onde registrou várias canções que havia mostrado na Rolling Thunder Revue, a turnê mundial de 1975, que acabou sendo documentada no filme Renaldo and Clara. Destaque para “Isis”, “Romance in Durango”, “One More Cup of Coffee” e a longa “Joey”, além de “Hurricane”, que narra a saga do boxeador Rubin Carter, um negro condenado injustamente por homicídio, abrilhantada pelo virtuosismo da violinista Scarlet Rivera, uma moça que Dylan encontrou tocando violino na rua em troca das moedas que ganhava dos transeuntes.

Oh Mercy (1989)

Nos anos oitenta Bob Dylan lançou vários álbuns que não chegaram a empolgar os fãs, tanto que muitos o consideravam em uma decadência sem volta, mas eis que no final da década ele renasce com mais um grande trabalho, onde desfila canções geniais como “Political World”, “Everything is Broken”, “Ring Them Bells”, “Man in the Long Black Coat” e “Most of the Time”, para citar apenas algumas.


Time Out of Mind (1997) 

Após dois discos em que voltou a gravar como nos seus primeiros LPs, sozinho, acompanhado apenas por violão e harmônica (Good As I Been to You de 1992 e World Gone Wrong de 1993), e de produzir seu MTV Unplugged em 1994, somente em 1997 Bob Dylan volta a lançar um trabalho de inéditas com banda, e o resultado é um dos melhores álbuns de toda sua prodigiosa carreira. 

Produzido por Daniel Lanois, o mesmo produtor de Oh Mercy, Time Out of Mind foi aclamado por público e crítica, recebendo vários prêmios Grammy, inclusive levando o de Álbum do Ano. Trata-se de um trabalho reflexivo, onde Dylan, agora um senhor com 56 anos, desfila canções que tratam do final de seu tempo e da proximidade da morte. Talvez seja a primeira vez em que o rock, outrora uma música associada à juventude, tenha servido de veículo para que um homem de meia idade escrevesse sobre seu tempo que está prestes a findar. Entre seus novos clássicos, destaco “Love Sick”, “Dirt Road Blues”, “Not Dark Yet”, “Could Irons Bound”, “Can't Wait” e a épica “Highlands”, com dezesseis minutos de duração.

Live 1966 – The Bootleg Series Vol. 4 (1998) 

Lançado 32 anos após a noite em que foi gravado, Live 1966 – The Royal Albert Hall Concert é um dos melhores discos ao vivo da história, além de ser um registro documental do ápice da caótica turnê de 1966, onde Bob Dylan & The Band foram vaiados em todos os shows pelos antigos fãs de Dylan, que adoravam o trovador solitário do folk e não se conformavam em vê-lo acompanhado de uma barulhenta banda de rock. 

Trata-se de um CD duplo que registra o show de Dylan na noite de 17 de maio de 1966, sendo o primeiro CD apenas com Dylan se acompanhando com violão e harmônica em marcantes interpretações de “She Belongs to Me”, “Fourth Time Around”, “Visions of Johanna”, “It's All Over Now, Babe Blue”, “Desolation Row”, “Just Like a Woman” e “Mr Tamborine Man”. 

No segundo CD, Dylan troca o violão pela guitarra e a The Band sobe ao palco para a barulhenta e inédita “Tell Me Momma”, arrancando vaias dos puristas inconformados. Segue com ótimas e incompreendidas versões pesadas para “I Don't Believe You”, “Babe Let Me Follow You Down”, “Just Like Tom Thumb's Blues”, “Leopard-Skin Pill-Box Hat”, “One Too Many Mornings” e “Ballad of a Thin Man”. Justamente ao terminar essa canção, que tem como refrão “something is happening here, but you don't know what is it. Do you, Mister Jones?”, o clima tumultuado e hostil atinge seu auge quando alguém da plateia grita: “Judas” e Dylan responde “I don't believe you”, e complementa com “You're a liar!”, para em seguida iniciar uma versão incendiária e apoteótica de “Like a Rolling Stone”. 

Uma curiosidade: apesar do título, o show não aconteceu no Royal Albert Hall em Londres, e sim no Free Trade Hall em Manchester. Simplesmente fantástico!

(Texto por Maurício Rigotto, colecionador e grande fã de Bob Dylan)