31/08/2012

O making off de 'Use Your Illusion' e a desintegração do Guns N' Roses

Nós fomos fazer aqueles shows abrindo para os Rolling Stones. Éramos grandes fãs dos Stones, então foi ótimo para nós. Chegamos lá, e cada um deles tinha a sua própria limousine, o seu próprio trailer, o seu próprio advogado. Lembro de olhar para Izzy e falar 'cara, nós nunca vamos ser assim'. Seis meses depois, estávamos iguais a eles”.

Duff McKagan inclina-se para frente e, com as duas mãos, puxa o seu cabelo para trás. Duas décadas se passaram, mas ele continua confuso com a rapidez com que as coisas aconteceram para os cinco integrantes do Guns N' Roses. O último a sair, aguentando de maneira heróica até agosto de 1997, Duff tenta puxar na memória os fatos dos primeiros anos, antes da banda sair dos trilhos. “Não sei exatamente o que aconteceu, e olha que eu estava lá”, reflete o baixista.

Por alguns breves e brilhantes meses de 1991 – para ser mais preciso, a partir da meia-noite do dia 17 de setembro -, o Guns N' Roses alcançou um momento raro: eles eram a maior banda do mundo. Naquele dia, Donald Trump estava em uma limousine com cinco lindas modelos rumo à Tower Records em Manhattan, para comprar as suas cópias de Use Your Illusion I e Use Your Illusion II, os novos álbuns do Guns que, pela primeira vez na história da indústria da música, haviam sido lançados simultaneamente. Centenas de lojas nas grandes cidades ao redor do planeta abriram à meia-noite para vender os discos. Slash, que estava partindo em uma viagem para a Tanzânia, interrompeu sua ida ao aeroporto para fazer uma parada na Tower da Sunset Boulevard, em Los Angeles, para, escondido atrás dos vidros do carro, ver os álbuns serem vendidos no mesmo local onde, dez anos antes, policiais o haviam detido por roubar fitas k7. “Foi um momento mágico”, relembra o guitarrista.

Quando ele voltou algumas semanas depois, Use Your Illusion I havia vendido 770.000 cópias e era o número 1 da Billboard, enquanto Use Your Illusion II tinha vendido outras 685.000 e estava na segunda posição. “Nós havíamos alcançado o topo do mundo”, fala Alan Niven, o manager do Guns N' Roses naquela época. “Quando isso acontece, você cria a sua própria forma de lidar com a situação. É difícil alcançar esse status, e, quando você finalmente o alcança, é muito fácil perder o controle”.

Ele havia perdido o seu. Niven tinha sido despedido pelo Guns N' Roses em maio de 1991, alguns meses antes de os álbuns chegarem às lojas. Como faria com Slash, Duff, Izzy, Steven e Axl, o sucesso havia cobrado de Alan o seu preço. “Ele afetou a todos. Veja o que aconteceu. A banda nunca mais gravou um álbum significativo. Izzy saiu fora alguns meses depois. Voltando aquele ponto, o que aconteceu foi que o Guns passou de uma banda jovem com grande reconhecimento e sucesso para, basicamente, ser a banda de Axl”.

Os integrantes do Guns N' Roses sempre estavam arrumando encrenca, isso era parte do charme do grupo. Tom Zutaut, um jovem executivo que havia assinado o contrato entre a banda e a Geffen em 1986, lutava para manter o grupo ativo e unido antes mesmo de eles lançarem o primeiro disco. A estratégia de Alan Niven era baseada na que Peter Mensch e Cliff Burnstein haviam adotado com o Metallica, outra banda muito difícil de trabalhar: primeiro o underground, depois quem sabe um disco de ouro com o segundo álbum, e, se tudo desse certo, platina e tudo mais depois. “Ninguém imaginava que eles iam estourar logo de cara. Se alguém dissesse isso, seria chamado de louco”, conta o manager.

O plano de Niven era construir primeiro uma reputação na Inglaterra, para ganhar credibilidade nos Estados Unidos. Quando o Guns N' Roses tocou em Donington em 1988, havia vendido apenas 7 mil discos. Uma semana depois do show, o número pulou para 75 mil. Na primavera de 1988, Appetite for Destruction era imbatível, e nenhuma estratégia havia previsto isso. O resultado de milhões e milhões de discos vendidos foi desorientador, aterrorizando todos na banda. “Não posso falar pelos outros caras, mas eu saí de uma espécie de cigano que não tinha nada direto para as turnês com o Guns, onde nada mais importava. Eu não sabia lidar com aquilo, não tinha experiência. O resultado foi que me afundei em drogas, e, quando nos reunimos para o segundo disco, eu estava completamente desorientado”, conta Slash.

Todos nós compramos nossas casas, e tínhamos nossos próprios amigos que viviam dizendo: 'cara, você é quem mantém a banda unida'”, recorda Duff. “E lá estávamos nós. Não sabíamos o que pensar. Nada como aquilo havia acontecido antes com qualquer um de nós. O disco finalmente estourou nos Estados Unidos um ano depois de ter feito sucesso em todo o mundo. Quando voltamos para Los Angeles, íamos para os clubes e todos estavam vestidos iguais a gente. Imagine-se voltando para a sua cidade como um fenômeno cultural. As pessoas vestidas iguais a você. A sua música tocando sem parar. Você sai para fazer compras e a sua foto está na capa da Rolling Stone, as pessoas olham para a revista e para você e surtam. E tudo isso acontecendo no supermercado que você frequentou durante toda a sua vida”.

Alan Niven não precisou ser um estudioso da história do rock para entender o que deveria fazer a seguir. Ele apagou incêndios e, enquanto fazia isso, encontrou tempo para gravar e lançar um mini-álbum, G N' R Lies (1988). “Uma das coisas que tenho orgulho dessa época é que nenhum integrante da banda morreu sob a minha supervisão”, conta Niven, lentamente. “Foi um grande esforço. Você tinha que lutar, mas apenas eles venceriam a guerra. Slash teve uma overdose na minha casa uma vez. Tirei o vômito de sua boca, dei um banho, deixei ele limpo. E, quando ele finalmente ficou bem, chamou um táxi e foi direto para a casa de seu traficante. Esse era o tipo de situação que você tinha que enfrentar. Você ligava para Axl e falava: 'Venha até o escritório, você tem uma entrevista com a Guitar Player'. E não havia nenhuma entrevista. Ele chegava, você o colocava em um carro e o mandava para o Hawaí, onde ele não poderia ser encontrado. Nós fazíamos esse tipo de coisa”.


Coloquei Stevem em um avião uma noite, e ele foi para a primeira clase gritando 'nós vamos morrer, o avião vai cair'. Steven foi convidado a se retirar da aeronave na mesma hora. Voltamos para Los Angeles e ele foi até o seu traficante, e lá estávamos nós ferrados novamente”, lembra Alan.

Bandas são como delicados ecossistemas. Mudar uma parte afeta as outras de maneira imprevisível. Como Steven Adler já afirmou inúmeras vezes nos últimos anos, o Guns N' Roses e Appetite for Destruction foram algo único. “Nós cinco éramos como irmãos. E o que os irmãos fazem? Eles brigam!”, diz Adler. O Guns N' Roses era uma banda encrenqueira, e o maior encrenqueiro do Guns era Steven. “Ele se deu mal e nós não conseguimos trazê-lo de volta”, fala Duff, que mantém contato até hoje com o baterista. “Tínhamos uma espécie de código não escrito, íamos buscá-lo para fazer um show ou uma gravação. Diversas vezes nós mesmos demos uma geral uns nos outros. Era como um código de honra entre ladrões. Mas Steven sempre precisava ser trazido de volta, de novo e de novo. Eu e Slash dissemos para ele várias vezes: 'Cara, estamos falando com você. Se trouxermos você até aqui e você foder com tudo, nós vamos acabar com você! Veja quem está falando com você. Nós precisamos uns dos outros, e estamos preocupados com o que você anda fazendo'. Foi de partir o coração, mas o avisamos inúmeras vezes”.

Foi lamentável. Mas a banda precisava entrar em estúdio e gravar um disco, com todos trabalhando duro. Tentamos entrar nos eixos durante um ano, e cada um foi fazendo a sua parte, mas Steven … ele não conseguia sair do buraco em que tinha se metido e voltar para a banda. Acabamos percebendo que não dava mais para continuar e que, quem sabe, fosse melhor ir atrás de outro baterista”, conta Slash.

No verão de 1990 a porta continuava aberta, mas toda vez que Adler ia ao estúdio não rolava. Ou ele estava bêbado demais ou chapado demais para tocar. A banda então procurou um advogado, que redigiu um documento comunicando para Adler que ele havia sido demitido. Steven ficou assustado, mas o efeito durou pouco. “Durante todo o tempo em que Matt Sorum gravou o disco, nós pensamos que Steven estaria de volta. Então percebemos que isso não iria acontecer. Eu não estaria sendo honesto com você se dissesse que sabíamos o que estávamos fazendo”, confessa Duff. “De maneira alguma Steven era menos importante. Demitir um integrante de uma banda é muito doloroso. É algo muito frustrante. Devo confessar que ainda fico vermelho de raiva com o que Steven fez a si mesmo”, diz Niven.

Adler relembra este momento, admitindo a fase negra que atravessava: “Cara, eu estava fodido e nunca vou negar isso, porque era óbvio que eu estava perdido. Mas eu não era o único. Lembro de um dia em que Slash me chamou até o estúdio e tocou 'Civil War' – acho que era essa. Eu estava me tratando com um bloqueador de opiáceos que um médico havia me receitado, mas ainda tinha muita heroína no meu organismo e eu estava me sentido muito mal. Tentei tocar por 20 minutos, mas não consegui. Eu estava muito fraco e não conseguia acertar o tempo. Slash e Duff começaram a gritar comigo e disseram que eu havia fodido com tudo. Recebi uma ligação algumas semanas depois e fui até o escritório, onde havia um monte de papéis e contratos para eu assinar. Foi então que percebi que havia sido demitido. Tive que entrar na justiça para receber os royalties e os créditos pelas músicas que ajudei a compor”. Em 1993, Steven Adler recebeu 2,25 mihões de dólares pela sua colaboração nos dois Use Your Illusion. Porém, ele não foi creditado em nenhuma faixa dos álbuns.


Adler foi sacado do Guns em 11 de julho de 1990, sendo considerado incapaz de continuar na banda devido ao seu vício em álcool e drogas. Porém, por muitos anos circulou uma história que dizia que o real motivo da sua demissão teria sido um incidente com a esposa de Axl Rose na época, Erin Everly, que foi encontrada nua na casa de Steven, azedando de vez o relacionamento com o vocalista. Em uma entrevista de 1992, Axl declarou que Everly foi encontrada sem roupas e ele teve que chamar a emergência. “Ela passou uma noite na UTI porque o seu coração havia parado de bater graças a Steven. Ela estava histérica e ele deu speedball para ela. Erin nunca tinha usado drogas antes, e ele deu a ela uma mistura de cocaína com heroína”, contou Axl.

Em uma entrevista para o site Metal Sludge em 2006, Adler negou ter dado drogas para Erin, dizendo que estava em sua casa fazendo uma jam com o guitarrista do Hanoi Rocks, Andy McCoy, quando a esposa de McCoy chegou com Everly já intoxicada. “Eu chamei a ambulância e a salvei, mas a vaca da esposa do Andy disse para Axl que eu dei heroína para ela. Ele me ligou e disse que estava me esperando com uma arma e iria me matar”.

Me contive para não fazer algo com ele”, falou Axl para Del James, em 1992. “Protegi Steven de ser morto por gente da sua própria família. Eu o salvei de ir ao tribunal porque a sua mãe me procurou e disse que seria responsável pelos seus atos”.

Axl estava totalmente convencido de que Erin havia tido uma overdose”, conta Niven. “Isso veio a calhar, não? Essa história ajudou todo mundo. Não foi nenhuma surpresa chegarmos ao ponto de considerar seriamente ir atrás de um novo cara para a função”.

Com Steven havia uma química. Outros poderiam tocar bateria, mas não como Steven tocava. “Deixa eu dizer uma coisa. Steven não era o melhor baterista do mundo. Duff tinha até que mostrar como ele deveria tocar às vezes. Mas ele tinha uma qualidade única, que era a sua parte na magia do Guns N' Roses: ele fazia tudo com entusiasmo. Matt era um baterista muito competente, mas ele não podia substituir Steven nesse aspecto. Ele era muito bom, mas tinha uma mão muito pesada. Matt não tinha o feeling que Steven tinha. Mas nós queríamos Steven de volta? Não, é claro que não!”, relata Alan Niven.

Izzy Stradlin, cuja guitarra enchia de groove o som do Guns N' Roses, também sentiu a ausência de Steven Adler na banda. “Havia uma grande diferença”, declarou Izzy para a revista Musician em 1992. “A primeira vez que percebi o que Steven fazia pela banda foi em 1987, quando ele quebrou a mão em Michigan dando um soco em uma parede. Chamamos Fred Coury, do Cinderella, para o show seguinte, em Houston. Ele tocou tecnicamente muito bem, mas as músicas soaram absolutamente horríveis. Elas foram escritas com Steven na bateria, e o seu senso de ritmo as fez soar como todos conhecem. Quando ele se foi, tudo ficou inacreditavelmente estranho”.

O substituto de Adler, Matt Sorum, não era tão estranho ao grupo e já possuía um pouco de química dentro de si, como o próprio Sorum contou para Mick Wall: “E lá estava eu substituindo um baterista viciado, certo? Mas ele usava heroína, e eu cocaína”. Porém, Sorum era capaz de controlar o seu estilo de vida. Foi apenas nos últimos anos que Steven Adler finalmente admitiu que não tinha condições de continuar, e que a banda tomou a decisão certa em colocá-lo para fora. Este processo teve início quando Adler participou do reality show Celebrity Rehab with Dr. Drew, em 2008. “Durante vários anos culpei Slash, Duff, Izzy e Axl pelo que estava acontecendo comigo, mas quando comecei a trabalhar com o Dr. Drew Pinsky aprendi que precisava falar sobre todas aquelas coisas e colocá-las para fora do meu organismo. Eu precisava pedir desculpas para Slash por culpá-lo por tudo que aconteceu comigo. Até fazer isso, era como se eu não fosse capaz de seguir em frente. Depois de falar tudo o que queria para Slash, agora posso seguir a minha trajetória”, admite Adler.

Olhando para trás, acho que perder Steven foi um dos fatores que fizeram a banda se desintegrar. Mas, de qualquer forma, Axl foi o maior responsável por tudo. Steven foi só a ponta do iceberg”, afirma Slash.


Algo que o Guns N' Roses sempre teve foi música. Eles podiam estar chapados, mas não estavam parados – ainda. Ao contrário do que aconteceu em G 'N R Lies, material não era o problema. “November Rain”, talvez a canção essencial de Use Your Illusion, nasceu antes de Axl entrar na banda. Uma demo acústica com vinte minutos de duração havia sido gravada no estúdio Sound City, em Los Angeles. “Don't Cry”, Axl recorda, foi a primeira faixa que a banda compôs junto, uma canção sobre a namorada de Izzy: “Ele gostava muito dela. Eles acabaram, e nós estávamos sentados do lado de fora do Roxy quando ela apareceu para se despedir de todos. Escrevemos 'Don't Cry' em uns cinco minutos”.

Alan Niven afirma que muito material havia sobrado das sessões de Appetite for Destruction, incluindo “You Could Be Mine”, “Back Off Bitch”, “Bad Obsession” e “The Garden”. Além disso, Slash, Duff e Izzy era compositores muito prolíficos e rápidos. Slash relembra aquele tempo: “Estávamos em minha casa em Walnut Drive, nas montanhas Laurel Canyon. Compilamos mais de trinta faixas em uma noite. Essa foi a única vez, pelo menos que eu lembro, em que fizemos algo do tipo. Apenas eu, Izzy, Duff e Axl. Fechamos em 30 canções. Essa foi a única sessão de composição da história da banda em que todos nós ficamos na mesma sala. Foi algo muito emocionante. A próxima coisa que precisávamos fazer era sair à procura de bateristas. Lembro de assistir Matt com o The Cult e pensar que ele era o único bom baterista que eu havia visto, então liguei para ele e o chamei para conversar. Começamos ensaiando esse material, e logo entramos em estúdio. Fizemos a base juntos, e tudo aconteceu muito rápido. Mas, como tínhamos muito material, acabou sendo uma jornada épica”.

Slash tinha uma composição de 18 minutos, “Coma”, que havia escrito quando estava completamente chapado. Duff fez “So Fine”, e Izzy trouxe os seus tradicionais rocks: “Pretty Tied Up”, “Double Talkin' Jive”, “You Ain't the First”, “14 Years” e “Dust 'N' Bones”. Slash continua: “E tínhamos ainda as faixas compostas por Axl, que eu nunca havia escutado antes. Coisas que ele havia escrito com West Arkeen”. Arkeen, um personagem selvagem do tipo que você só poderia conhecer durante os anos 80 e que morreu de overdose em 1997, foi o co-autor de “The Garden”, “Bad Obsession” e “Yesterdays”, além de “It's So Easy”, de Appetite for Destruction. Del James, amigo de Axl, também foi creditado em “Yesterdays” e “The Garden”. “Eu era um grande amigo de West, mas nunca escrevi nada com ele”, conta Slash. “Nós saímos e fizemos algumas jams juntos, mas em apenas em algumas canções eu permaneci por perto, com Axl e todos tocando juntos. West e Axl, Del e Duff: aquilo era mais do que eu gostaria, porém eu não me importava, desde que as composições fossem boas e eu pudesse fazer algo com elas. 'It's So Easy' foi uma das faixas que, quando ouvi pela primeira vez em sua versão original, não achei grande coisa, mas então peguei e mudei algumas coisas e ela ficou como todos conhecem. 'The Garden' era realmente muito boa, mas não me importei com isso. Eu estava preocupado com a devassidão de merda em que estava me metendo. Se todo mundo estava ocupado, não havia ninguém me observando enquanto eu fazia o que estava fazendo”.

Enquanto a existência da banda era precária, a sua situação continuava extraordinária. Appetite for Destruction seguia vendendo milhões, e o hiato do grupo possibilitou a Alan Niven fazer coisas que nunca havia feito antes. O sucesso na indústria da música, assim como o sucesso em qualquer tipo de negócio, tornou possível qualquer coisa que qualquer um deles desejasse. “Eu estava sendo muito pressionado por David Geffen, que me perguntava quando o disco ficaria pronto”, conta Niven. “Ele queria lançar o álbum antes de vender a Geffen, beneficiando-se assim das vendas para valorizar ainda mais a sua companhia. Quando você estima que Use Your Illusion rendeu cerca de 100 milhões de dólares em todo o mundo apenas nas primeiras semanas após o seu lançamento, você pode imaginar o tamanho dessa pressão”.

Por conta disso, Alan decidiu que era preciso renegociar o contrato da banda com a Geffen. Ele sabia que os managers do Whitesnake e do Aerosmith também tentaram fazer isso depois que as duas bandas venderam mais de 5 milhões de cópias de seus últimos álbuns, mas deram com os burros n'água. David Geffen era reconhecidamente durão e difícil, mas Niven também. Use Your Illusion era a sua arma nuclear e, em um jantar com Eddie Rosenblatt, presidente da Geffen, Niven apertou o botão. “Depois de fazer Eddie beber uma dúzia de taças de vinho, fui pra cima dele e disse: 'Odeio acabar esta noite com você surtando comigo, mas você precisa levar uma mensagem para David: enquanto não renegociarmos o contrato, ele não terá o disco'”. Niven conseguiu o que queria, retornando com uma solução lucrativa para a abundância de material que o Guns havia escrito. Ao invés de um álbum quádruplo, o tipo de exagero que poderia arruinar a carreira da banda, Use Your Illusion seria lançado como dois discos duplos, que chegariam às lojas no mesmo dia. Era o típico truque da indústria musical que fazia com que a banda transmitisse uma espécie de respeito pelos fãs, quando, na verdade, estava gerando não uma, mas duas grandes fontes de renda para os envolvidos.

Nós havíamos alcançado números incríveis com Appetite for Destruction”, conta Niven. “Eu estava muito nervoso com a possibilidade de vendermos 2 milhões de álbuns duplos, quando havíamos vendido 12 milhões de cópias de Appetite. Tive um encontro com Rosenblatt, e ele puxou um pedaço de papel e disse: 'Escreva aí o que você acha que devemos fazer'. Acreditem ou não, escrevi que achava que venderíamos 4 milhões de cada álbum duplo, o que significava 8 milhões de discos. Isso seria, disse para ele, uma continuação digna para Appetite, e não um fracasso”.



O que Niven e a banda também perceberam foi que Use Your Illusion era mais do que um disco (ou dois), mas sim um grande evento, um acontecimento que colocou uma banda já única ainda mais distante das outras. Além das mudanças de formação e da evolução sonora, a estética do Guns N' Roses também havia mudado. O estilo dos anos 80, com caveiras, ossos, armas e crucifixos foi deixado para trás, e uma nova identidade visual mostrou o Guns alinhado com a sua época. Era a banda se aproximando de algo que sempre evitou: a arte.

Axl Rose tinha se tornado um entusiasta de Mark Kostabi, um controverso artista nova-iorquino que havia colocado o conceito de “art factory” de Andy Warhol em um outro nível, abrindo um estúdio chamado Kostabi World onde contava com equipes de assistentes que produziam milhares de pinturas. “Axl realmente se apaixonou pelo trabalho de Kostabi, mas aquilo tudo era uma farsa. Ele colocava outras pessoas pintando backgrounds enquanto roubava imagens de obras clássicas e as colocava sobre esses backgrounds. Axl amou esse conceito, e queria usar uma das obras de Kostabi na capa. E, é claro, pagou uma fortuna para isso”, conta Niven.


A capa de Use Your Illusion era baseada em um detalhe da obra The School of Athens, de Raphael, um clássico da Renascença exposto no Vaticano. Ela foi finalizada em 1511, e, de acordo com o que Niven apurou, estava livre de direitos autorais há séculos. “Então eu pensei: ótimo, quando lançarmos o merchandising não precisaremos pagar nada a Kostabi, já que a obra é de domínio público. Mas Axl havia pago uma fortuna por obras que poderia ter, basicamente, de graça. Sempre abro um sorriso quando penso que Axl deu um cheque enorme para esse Mark Kostabi quando ele poderia ter uma pintura similar de Del James pagando apenas um punhado de dólares”.

Apesar de os créditos reconhecerem que o disco havia consumido um período de dois anos e passado por sete estúdios diferentes, uma das características mais marcantes de Use Your Illusion foi a velocidade com que a estrutura básica das faixas foi gravada. “Eu estava realmente feliz com a quantidade de material, afinal gravamos a estrutura básica de 30 canções em apenas 30 dias, isso tudo com um novo baterista. Mas então nós fodemos com tudo”, diz Slash. “Depois das faixas guias prontas, passei três semanas só gravando as guitarras, o que, levando-se em conta que eram trinta músicas, até que foi rápido. Mas tudo caiu por terra quando começamos a colocar os sintetizadores. Eu nunca concordei com essa coisa de sintetizadores. Embora pense que algumas coisas ficaram brilhantes, era algo totalmente novo, e foi o início do fim. Foi o começo de um processo que parecia eterno. A gente passava dias sem fazer nada, de vez em quando íamos ao estúdio e gravávamos algo. A maior parte do processo estava terminado. Muito do que foi feito depois, na pós-produção, realmente não precisaria ter sido feito. Aquilo foi muito decepcionante para mim”.

Izzy Stradlin também se afastou, distanciando-se dos demais à medida em que as gravações iam evoluindo. “Eu gravei a estrutura das faixas, e então Slash fez a parte dele em mais ou menos uns dois meses. Quando Axl começou a gravar os vocais, fiz as malas e voltei para Indiana”. Duff fala pausadamente: “Bem, Axl é um perfeccionista. É isso que faz dele um grande artista, e também o produto final ficar excelente, mas acaba sendo irritante trabalhar com uma pessoa assim. Não há como apressar as coisas com ele. Em 'November Rain', em particular, ele nos torturou. O perfeccionismo, até aquele momento, não era uma característica da banda”.

Axl tinha a sua visão sobre o que havia criado”, declarou Matt Sorum para Mick Wall. “Quando nós começávamos a trabalhar ao meio-dia, a coisa funcionava. Havia um monte de bebidas no estúdio, e a heroína havia sido deixada de lado – Slash e Izzy tinham parado de usá-la. Em compensação, estávamos cheirando muita cocaína. Deixar um monte de drogas na frente de Axl nunca era a coisa mais inteligente a ser feita”. As sessões de gravação foram se prolongando cada vez mais, e a banda começou a rachar. “Eram noites intermináveis. Nós começávamos entre 6 e 7 da noite. Axl só queria saber das suas canções, 'November Rain' e 'Don't Cry'”, conta Sorum.


A aprendizagem é algo belo. É tentador olhar para Use Your Illusion pelo ponto de vista da banda e assistir Axl tomando o controle e exigindo a sua vingança contra o mundo, vivendo todas as fantasias de rock star que tinha quando era apenas um garoto em Indiana. Mas a verdade é bem mais complexa. “Quando era mais jovem, ele tocava e compunha no piano. Canções como 'Goodbye Yellow Brick Road' e 'Funeral for a Friend', de Elton John, tiveram um grande impacto sobre Axl. Ele queria alcançar aquele nível, e qualquer pessoa que já é um ídolo e se espelha em alguém, no fundo do seu coração quer superar quem o inspirou”, analisa Alan Niven.

Use Your Illusion tinha “November Rain” e “Estranged”, duas composições ambiciosas sobre temas que sugeriam a natureza obsessiva de Axl Rose. “November Rain” era uma canção sobre “ter um compromisso com um amor não correspondido”, segundo declarou o próprio Axl. “Estranged” reconhecia isso e ia além, mostrando um cara que foi jogado para fora do seu universo e não tinha escolha, pois tudo que ele desejava simplesmente não aconteceu. Essa grandiosidade tinha o seu contraponto em faixas violentas e diretas como “Get in the Ring”, “Right Next Door to Hell” e “Back Off Bitch”, que continham letras explícitas que não disfarçavam a raiva de seus compositores. Essa era uma área em que cada um se expressava de maneira própria. “Acho que Axl estava cansado de uma maneira mesquinha. Ele já havia feito algo similar em 'One in a Million', mas quanto mais você cresce maiores as coisas ficam. Ele estava atacando seus vizinhos e os jornalistas, então eu pensei: 'Axl, o seu mundo se resume a isso?'”, provoca Alan Niven.

Axl respondeu a essas provocações de forma direta em 1992: “'Back off Bitch' é uma canção de dez anos atrás. Escrevi as palavras que me vieram à mente quando eu pensava no sexo feminino. Eu odiava as mulheres. Basicamente, fui rejeitado pela minha mãe desde que nasci. Ela preferia o meu padastro e apenas assistia enquanto ele me batia, a não ser quando a coisa passava muito do ponto, daí ela vinha me abraçar. Ela nunca fazia nada. A minha avó tinha problemas com homens. Descobri que ela saía com vários caras quando tinha 4 anos, e tive problemas com a minha própria sexualidade por causa disso. Então, o que eu fiz foi escrever o que sentia nessas canções”.

Use You Illusion I e II tornaram-se trabalhos que mostravam a abundância de sua época. São álbuns auto-indulgentes e exagerados, criados por caras que, durante o processo, não ouviram a palavra “não” muitas vezes. Tudo neles foi feito sem medo e remorso, e ambos contém algumas das melhores canções que o Guns N' Roses gravou. Use Your Illusion também coloca em perspectiva os outros dois principais lançamentos da banda, como uma linha clara separando Appetite for Destruction de Chinese Democracy.

A gente sabia que tinha superado Appetite for Destruction de alguma maneira”, contou Axl à revista Hit Parader logo após o lançamento. “O primeiro disco foi feito do nosso jeito, e foi um grande sucesso. Agora, tínhamos poder para fazer qualquer coisa que quiséssemos. Eu nunca enxerguei Use Your Illusion como dois álbuns separados, mas sim como um único trabalho. Para mim, ele soa perfeito com suas trinta canções. Tudo o que nós decidimos gravar para o álbum, nós gravamos”.

Bob Clearmountain fez a mixagem, enquanto Mike Clink foi o engenheiro de som. “Axl se mudou para o estúdio e só Deus sabe o que ele fez com Bob”, conta Alan Niven. “Era como ter um maluco colado no seu pescoço. Bob Clearmountain é um dos meus heróis, mas a mixagem que ele fez deixou as faixas sem vida”. Tom Zutaut então sugeriu que Bill Price, que quase havia produzido Appetite for Destruction quando a banda planejava gravar o disco em Londres, fizesse o trabalho. Price entregou então um mix “pesado, na cara e muito forte” de “Right Next Door to Hell”, e ganhou o trabalho. “Foi um processo muito longo”, relembra Price. “A última meia dúzia de faixas foi gravada, incluindo os overdubs de vocal e guitarra, em diversos estúdios espalhados pelos Estados Unidos quando eles tinham uma folga entre os shows, porque a turnê já tinha começado. Eu apresentava a mixagem para a banda voando pelos EUA com uma caixa cheia de fitas DAT, que tocava para eles no backstage”.

Eu nunca mais tinha sentado e escutado as faixas até elas estarem finalizadas, então fazia muito tempo que eu não ouvia aquelas composições”, conta Slash. “Havia coisas lá atrás que eu não tinha gostado, mas ouvindo as faixas percebi que o trabalho havia sido muito produtivo e que a banda estava, de certa forma, em harmonia. Hoje em dia eu penso que, para mim como guitarrista, foi divertido gravar tudo aquilo. Sinto que toquei realmente bem naqueles discos”.


Alan Niven recorda de um longo fim de semana com Slash, quando ele entendeu que as coisas tinham mudado. Aquele delicado ecossistema que Steven Adler fazia parte não existia mais. “Fazemos escolhas todos os dias. Em Use Your Illusion, Slash fez uma escolha e eu entendi perfeitamente, mas não aceitei. Uma noite, eu e ele estávamos sentados sozinhos em sua casa em Laurel Canyon e ele ficou lamentando o que Axl estava fazendo com a banda. Ele sentia que aquele não era o Guns N' Roses, a banda com a qual ele havia se comprometido. Ele achava que uma uma composição com aquele estilo épico era apropriada, mas várias nessa linha não. Olhei para ele e disse: 'Então você tem que deixar isso claro'. Slash respondeu: 'Axl está no comando agora'”.

Slash fala sobre o assunto: “Eu sempre achei Axl um cara difícil, mas nós o controlávamos. Nós éramos cinco indivíduos, mais Alan e Tom Zutaut, então nós decidíamos o que iríamos fazer. Mas então perdemos Steven, e depois Alan. Era uma situação muito delicada, que iria explodir em algum momento. Alan não iria mais limpar a merda que Axl fazia, e Axl não suportava isso. Era uma guerra. Hoje em dia vejo que não era nada divertido, mas a única coisa que podíamos fazer era recusar tudo o que Axl queria. Não acho que isso seria muito produtivo, mas, olhando em perspectiva, o que nós acabamos fazendo foi tolerar um monte de coisas só para continuarmos juntos. No final, acabamos criando um monstro. Acho que, provavelmente, teríamos acabado antes. Não concordei com a contratação de Doug Goldstein como manager, no lugar de Alan. Sabia que ele era um verme”.

Com a mixagem sendo feita por Bill Price, Axl chamou Niven para conversar e comunicou que ele não trabalhava mais para a banda. “A primeira coisa que Axl fez depois de me demitir foi garantir que os direitos sobre o nome da banda ficassem bem longe dos outros integrantes (Axl ganhou na justiça a propriedade sobre a marca Guns N' Roses no início dos anos 90). Isso diz muito sobre o que estava acontecendo. Axl estava tomando o controle. Com Doug Goldstein, tudo ficava mais fácil para ele”, conta Niven.

Três meses depois de eu sair Izzy arrumou as malas, porque não havia mais uma banda. Ele não se sentia mais parte do Guns N' Roses. Para mim, Izzy era o coração e a alma do grupo”, conclui Alan Niven.

Alan era alguém em quem eu confiava. Já Doug eu sabia que era um cara que colocaria um lado contra o outro. Em outras palavras, ele dizia uma coisa para mim e outra para Axl. Além disso, puxava o saco de Axl o tempo todo. Eu estava consciente disso. Nós tínhamos uma turnê mundial pela frente. Mesmo quando perdemos Izzy, eu falei: 'vamos em frente!'. Mas quando a tour acabou e chegou a hora de entrar em estúdio novamente foi impossível, pois Izzy não estava lá, Steven não estava lá, e a minha cabeça também não. A dura realidade era que a distância entre Axl e eu havia crescido muito, e era impossível começar de novo”, conta Slash.

Axl, é claro, via as coisas de maneira diferente. Em uma de suas raras declarações sobre o assunto, declarou para a Rolling Stone: “É como diz aquele velho ditado: 'não compre um carro de seus amigos'. Naquela banda todos queriam dirigir, e quase conduziram o grupo para um precipício”.


Estamos em outubro de 2010, e Duff McKagan está em uma de suas costumeiras visitas a Londres. Ele está em uma reunião com o seu manager, discutindo assuntos de sua carreira. No final do encontro, o manager pergunta: “E então, você vai tocar hoje à noite?”. “Eu?”, responde o baixista, que logo continua: “Cara, você sabe muito bem porque eu estou aqui, foi você que agilizou tudo isso”. Duff arruma as suas coisas e pega a chave de sua suíte. Ele ouviu falar que um hóspede furioso está no mesma andar que o seu, e logo descobre que o tal hóspede é Axl. Eles não tocam juntos há 13 anos. “Nós fizemos grandes coisas no passado, e agora vamos tocar juntos novamente. Eu estava meio cansado disso. Fiquei bebendo um Red Bull e pensando em algumas coisas. Depois de tocar novamente com Axl hoje à noite, terei que falar sobre isso em todas as entrevistas daqui pra frente, e isso será um saco”, diz um resignado Duff.

A maneira como Axl se relaciona com as pessoas às vezes é genial, e eu sempre adorei isso nele. Algumas coisas podem ser frustrantes, e você também pode se frustar com a situação. A turnê de Use Your Illusion não foi feita só de grandes momentos. Se eu tenho vergonha dos últimos anos em que estive na banda? Sim, por muito tempo eu tive. Mas quando você começa algo você tem uma responsabilidade sobre aquilo. Teve momentos em que eu deveria ter caído fora, mas daí eu retomava a razão e continuava. Acho que eu sempre fui a voz da razão dentro da banda”.

Duff McKagan continua sendo o elo de ligação entre os cinco músicos. Apesar de não querer falar sobre sua relação com Axl (“é algo pessoal”, diz ele), o baixista passou um longo tempo com o vocalista nessa visita a Londres. Alguns meses antes, Duff tocou com Steven Adler. Ele também é muito próximo de Izzy. “Ele tem uma vida realmente cool. Lembro de quando Izzy ficou sóbrio, assisti a tudo. Foi no início dos anos 90, enquanto a gente estava na estrada. O momento em que ele ficou em paz consigo mesmo também foi o momento em que percebi que ele não continuaria conosco por muito tempo. Izzy é um grande cara, e uma influência muito positiva na minha vida”.

As vendas de Use Your Illusion I e Use Your Illusion II estão atualmente na faixa de 15 milhões de cópias. A turnê do álbum, que se estendeu por anos, rendeu mais alguns milhões de dólares. O preço disso tudo é fácil de perceber. Alan Niven mudou-se para o Arizona e manteve-se afastado da indústria da música até recentemente. Izzy Stradlin continua firme em seu próprio mundo, e possui uma já respeitável carreira solo. Axl Rose gastou 17 anos e 11 integrantes para produzir outro álbum do grupo. E Guns N' Roses continua o nome mais forte associado às carreiras de Slash e Duff.

Passei vinte anos usando drogas”, conta Steven Adler, “mas tenho um novo começo agora. Meu livro mostra todas as minhas cagadas e os meus medos. Era algo que eu precisava fazer para mostrar pra todo mundo a grande mentira em que a minha vida havia se transformado”.

Muitas pessoas adoram dizer que é maravilhoso quando o seu trabalho é aquilo que você adora fazer”, conta Alan Niven. “Um monte de gente passa a vida toda com medo do anonimato. Mas quando você alcança a fama, você percebe que é tudo uma grande ilusão. Quando o seu anonimato está comprometido, você percebe o valor que ele tinha. Eu tive uma grande depressão depois que saí disso tudo”.

Você sabe”, analisa Slash, “quando eu olho para trás, vejo que foi algo monumental. A primeira coisa que penso é como nós conseguimos fazer dois álbuns incríveis com tanta merda acontecendo. Acho que os dois volumes de Use Your Illusion, se você conhece a história por trás dos discos, são trabalhos muito vitoriosos”.

Estes discos polarizaram as pessoas. Eu entendo e estou em paz com isso”, diz Duff enquanto se prepara pra pegar outro avião, desta vez de volta para a sua casa em Seattle. “Sempre me perguntam quando vamos nos reunir. Bem, nenhum de nós afirmou que faria isso. Acho que as pessoas querem que a gente volte para terem a sua juventude de volta. O título Use Your Illusion é muito apropriado para quem pensa dessa maneira”.


(Texto escrito Por Jon Hotten, com tradução de Ricardo Seelig)
(matéria publicada originalmente na Classic Rock 160, de junho de 2011)




Assista o lyric video de “The Wreckers”, novo single do Rush

O Rush divulgou hoje o lyric video do segundo single de seu último disco, Clockwork Angels. A faixa “The Wreckers”, que tem um clima que remete às bandas inglesas da década de 1960, é um dos destaques do álbum e ganhou um vídeo simples, com um visual totalmente de acordo com o conteúdo de sua letra.

Assista e veja a capa do single abaixo:





7 blogs brasileiros sobre música que você deve conhecer

Não sabia, fiquei sabendo só agora: hoje, 31 de agosto, comemora-se o #blogday nesse universo que a gente vive todos dos dias chamado internet. Para celebrar, segue uma lista com alguns dos melhores blogs sobre música e cultura pop do Brasil, produzidos por gente talentosa e apaixonada pelo que faz. Um pequeno texto introduz cada um deles, para que você se situe e saiba qual é a praia de cada um. 

Acesso todos os blogs abaixo todos os dias, e eles fazem parte da minha base de referências para produzir a Collectors Room. 

E, para a coisa ficar ainda mais legal e completa, gostaria que os leitores colocassem nos comentários os links e uma pequena apresentação sobre os blogs que recomendam.

Parabéns a todos nós que, movidos por paixão acima de tudo, nos divertimos compartilhando o nosso amor pela música!

A lista de blogs está em ordem alfabética:


Blog do jornalista Marcelo Costa, editor do site Scream & Yell. Textos sobre música, guias de viagem, críticas de cervejas, fotografias - enfim, cultura pop com textos excelentes. Recomendadíssimo!


No ar desde 2007, o Move That Jukebox fala sobre rock nacional e internacional, com foco maior no cenário indie e de novas bandas, mas sem deixar os clássicos de fora. Um dos melhores blogs do Brasil, fácil!


Produzido por Tiago Ferreira, cobre uma ampla variedade de gêneros, fugindo totalmente do padrão e apostando em pautas diferenciadas. Indicado para quem pensa fora da reta.


Blog do Lúcio Ribeiro, um dos jornalistas de música mais influentes do Brasil. Focado em grande parte na cena indie, é uma grande porta de entrada para novas bandas internacionais, trazendo em primeira mão o que anda rolando lá fora.


Portal dedicado principalmente a artistas independentes, focado em grande parte na cena indie nacional e internacional. Notícias, reviews e matérias especiais, sempre acompanhados por um texto muito bem escrito. 


Portal de notícias dedicado ao rock, cobrindo bandas nacionais e internacionais. Além disso, reverencia o culto ao disco de vinil, com diversas matérias sobre o assunto.


Blog produzido pela dupla João Renato Alves e Igor Miranda. O forte são as nóticias, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Hoje, a Van do Halen é a principal fonte de informação sobre hard rock e heavy metal aqui no Brasil. Recomendadíssimo!



Ouça o novo álbum do The Sheepdogs na íntegra

O quarto álbum da banda canadense The Sheepdogs, batizado apenas com o nome do grupo, está disponível para audição via streaming. O disco foi produzido por Patrick Carney, baterista do Black Keys, e é o sucessor de Learn & Burn, de 2010.

Muita melodia, refrões fortes, canções com acentuado tempero country e um clima bem southern rock permeiam todo o trabalho. Enfim, uma audição gratificante!

Ouça abaixo:


Howlin Rain regrava Grateful Dead e James Gang

Um dos nomes mais interessantes do atual rock norte-americano, o Howlin Rain é natural de San Francisco e faz um som psicodélico de primeira. Com três álbuns no currículo - Howlin Rain (2006), Magnificent Fiend (2008) e The Russian Wilds (2012), o grupo formado por Ethan Miller (vocal e guitarra), Joel Robinow (vocal, guitarra e teclado), Isaiah Mitchell (guitarra), Cyrus Comiskey (baixo) e Raj Ojha (bateria) merece uma audição apurada pelos apreciadores de um som contemporâneo, porém com pitadas setentistas.

Explorando suas influências, o quinteto mergulhou fundo em suas raízes e regravou duas pequenas pérolas do rock norte-americano dos anos 1970. “When the Morning Comes”, do Grateful Dead, e “Collage”, da James Gang, ganharam releituras bastante contemplativas e atmosféricas, com vocais celestias e arranjos minimalistas, lembrando, em alguns momentos, a sonoridade da Crosby, Stills, Nash & Young. Ambas estarão disponíveis a partir de 17 de setembro em um compacto de 7 polegadas com tiragem limitada a apenas 1.000 cópias, sendo 500 em vinil transparente e outras 500 na cor azul.

Para ouvir as faixas, clique no player abaixo:

  




30/08/2012

Rolling Stones lançam box de The Brussels Affair em edição limitada

Esta quinta-feira, 30 de agosto, foi realmente um dia especial para os fãs dos Stones. Depois da confirmação do retorno da banda aos palcos, de um possível novo disco do grupo e do lançamento do documentário Crossfire Hurricane, mais novidades para que curte a lendária banda inglesa.

Como você já sabe, os Rolling Stones colocaram em prática há alguns meses o projeto The Stones Archive, com o objetivo de disponibilizar para download oficial bootlegs de diversas de suas turnês, todos devidamente encorpados com um tratamento sonoro de primeira. O primeiro título dessa coleção, The Brussels Affair, ganhará uma limitadíssima edição em vinil e cheia de mimos.

Intitulada The Brussels Affair Box Set, a caixa traz três LPs de 180 gramas com o show, gravado durante a turnê de 1973, que promovia o álbum Goats Head Soup. Todos os boxes foram assinados a mão por Mick Jagger e trazem um encarte com textos do renomado crítico inglês Nick Kent, que acompanhou a banda naquela turnê. Há ainda fotos raras e inéditas dos fotógrafos Michael Putland e Claude Gassian, uma litografia oficial da tour e um relógio, tudo devidamente acondicionado em uma luxuosa embalagem. 

Foram disponibilizadas também duas versões ainda mais exclusivas. A Art Edition inclui uma impressão assinada pelo fotógrafo Michael Putland, e a Platinum Edition vem com a litografia também assinada por Jagger.


Abaixo você pode ver duas imagens pequenas do box (ainda não encontrei imagens em alta).




Iron Maiden lançará DVD Maiden England no primeiro semestre de 2013

Você viu ontem aqui na Collectors Room que Steve Harris está na capa da nova edição da revista alemã RockHard, uma das mais respeitadas e tradicionais publicações especializadas em heavy metal no mundo.

Pois bem, em um trecho da entrevista para a RockHard, Harris confirmou o lançamento da versão em DVD do vídeo Maiden England, gravado originalmente em 1989 na cidade inglesa de Birmingham durante a turnê do álbum Seventh Son of a Seventh Son. Steve não informou a data e nem deu maiores detalhes sobre o conteúdo do DVD - como, por exemplo, a possível inclusão da aguardada terceira parte do documentário The History of Iron Maiden, cujos dois primeiros capítulos estão nos DVDs The Early Days (2004) e na reedição de Live After Death (2008) -, mas confirmou que essa nova versão de Maiden England chegará ao mercado no primeiro semestre de 2013.

Maiden England foi lançado originalmente em VHS em 8 de novembro de 1989. Há também uma rara edição em laserdisc, disponibilizada pela Pioneer no mesmo ano. Além do vídeo, a EMI lançou também um CD e um LP com o show, mas ambos estão fora de catálogo há tempos. Há também um box com o vídeo e o CD reunidos.

O Iron Maiden está atualmente em turnê pelos Estados Unidos e Canadá com a Maiden England Tour 2012, excursão apontada pela Billboard como a terceria mais lucrativa do primeiro semestre deste ano. Devido ao sucesso, essa turnê deve ser estentida para outros países nos próximos meses.


Green Day na capa da nova Rolling Stone italiana

Billy Joe Armstrong, que além de vocalista e guitarrista é a cara do Green Day, estampa a sua face na capa da nova edição da Rolling Stone italiana. O músico fala sobre a trinca de lançamentos do grupo, Uno!, Dos! e Tre!, que desembarcam nas lojas até o primeiro semestre de 2013.

Além disso, a Rolling Stone da terra da bota traz matérias com Neil Young, Batman, The Darkness, The XX e Animal Collective, entre outros.

Para comprar a sua, acesse o site oficial.



Os melhores guitarristas do rock argentino na nova Rolling Stone hermana

A nova edição da Rolling Stone argentina é pra colecionador. Com o lendário Pappo Napolitano na capa, a revista traz uma matéria especial sobre os 100 maiores guitarristas do rock argentino.

Para comprar a sua e saber mais sobre o sempre excelente rock do país vizinho, acesse o site oficial da revista.


Crossfire Hurricane, novo documentário sobre os Rolling Stones

Mais Stones nesta quinta-feira. Estreará em outubro nos cinemas o documentário Crossfire Hurricane. Dirigido por Brett Morgen, o filme aborda a carreira da banda tendo como ponto de partida o clássico Exile on Main Street (1972) e indo até os dias de hoje.

Crossfire Hurricane terá muitas cenas inéditas, incluindo comentários de Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ronnie Wood, além dos ex-integrantes Bill Wyman e Mick Taylor.

Segundo Morgen, “o filme convida o público a experimentar em primeira mão a jornada quase mítica dos Stones rumo à realeza do rock and roll. Não se trata em uma lição de história, mas sim de um ponto de vista único, uma espécie de montanha-russa auditiva e visual”.

Crossfire Hurricane estreará nos cinemas em outubro, mas ainda não há informação se o filme passará em alguma sala aqui no Brasil. Caso isso não aconteça, fiquem tranquilos, pois o documentário será lançado em DVD em todo o mundo durante o mês de novembro.


Rolling Stones: quatro shows confirmados em novembro e possível novo álbum

Os Rolling Stones farão quatro shows em novembro, todos comemorativos aos 50 anos de carreira da banda. As apresentações acontecerão na O2 Arena, em Londres, e no Brooklyn’s Barclays Center, em Nova York, com duas datas em cada local. A informação é da Billboard. Os promotores dos concertos são Richard Branson, o magnata dono da Virgin, e o australiano Paul Dainty, proprietário de um conglomerado de comunicação. A banda receberá 25 milhões de dólares pelos quatro shows, cujas datas ainda não foram anunciadas.

A última turnê dos Stones aconteceu em 2007, mas desde o início do ano era ventilada a possibilidade de Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts se reunirem este ano em comemoração ao cinquentenário da banda.

Além disso, tem mais novidades sobre o grupo. Jagger postou em seu perfil no Twitter que o quarteto esteve em um estúdio em Paris na semana passada, trabalhando em músicas do que pode ser um novo disco de estúdio do conjunto. O último álbum dos Stones é A Bigger Bang, lançado em 2005.


Assista “Longevity”, o novo clipe do Yeasayer

Maravilha do dia: a banda norte-americana Yeasayer lançou o primeiro clipe de seu novo disco, Fragrant World. A excelente e deliciosa “Longevity”, um pop psicodélico descompromissado e pra lá de agradável, recebeu um vídeo que mostra o grupo tocando em um estúdio, enquanto o vocalista Chris Keating envelhece cada vez mais.

Altamente recomendado!

Assista abaixo:


29/08/2012

Ouça mais duas músicas inéditas do Red Hot Chili Peppers

Dando sequência ao seu plano de lançar 18 músicas inéditas até o início de 2013, o Red Hot Chili Peppers divulgou mais duas faixas gravadas durante as sessões de seu último disco, I’m With You.

“Magpies on Fire” é uma simpática e contemplativa balada, que poderia muito bem ter entrado no tracklist original do álbum. Já “Victorian Machinery” é um rock guiado pelo baixo de Flea, e tem cara de sobra mesmo.

Ambas foram lançadas em um compacto de 7 polegadas, que já está à venda.

Ouça abaixo:


Eddie Van Halen sofre cirurgia de emergência e banda cancela todos os seus compromissos até 2013

Más notícias: o guitarrista Eddie Van Halen teve que ser submetido a uma cirurgia de emergência nesta quarta-feira, 29/08. O músico de 57 anos sofreu um procedimento cirúrgico devido a uma severa crise de diverticulite. Não foram divulgadas ainda informações sobre o estado de saúde de Eddie, bem como o status de seu pós-operatório.

A recuperação é estimada entre 4 e 6 meses, o que faz com que o Van Halen paralise a sua atual turnê até o guitarrista estar em plenas condições de saúde. A banda tinha uma tour japonesa agendada para novembro, mas esse giro será adiado e remarcado para uma data futura.

Estimamos melhoras a Eddie, e que ele se recupere bem.


Box com 10 discos passa a limpo a carreira de B.B. King

A Universal está trabalhando em um grande box comemorativo pelos cinquenta anos de contrato de B.B. King com a ABC Paramount. Intitulada Ladies and Gentlemen ... Mr B.B. King, a caixa traz dez CDs compilados pela dupla de produtores Bill Levenson e Andy McKaie, dois dos profissionais mais premiados da gravadora.

Dois destes dez discos são dedicados inteiramente às primeiras gravações de B.B. King para os selos Bullet, Modern/RPM e Kent/Crown, enquanto os outros oito trazem material gravado para a ABC, Impulse, MCA e Geffen.O tracklist ainda não foi anunciado, mas o box trará músicas gravadas ao lado de nomes como Etta James, Rolling Stones e U2, entre outros. Cada CD virá com uma capa diferente contendo uma foto de uma fase distinta da carreira de King, e o box contará também com um livro de 72 páginas com a trajetória do bluesman, com fotos e informações sobre todas as faixas. Uma versão mais magra do box, com apenas quatro discos, também será lançada.

Ladies and Gentlemen ... Mr B.B. King chegará às lojas no dia 25 de setembro, enquanto a versão slim do box, com os 4 discos, será lançada em 9 de outubro. A caixa já está disponível para pré-venda na Amazon, e você pode encomendar a sua clicando neste link.

Não preciso nem dizer que o material é de altíssima qualidade e um verdadeiro tesouro para quem gosta de blues, certo?

Só para dar água na boca, confira uma prévia do box no player abaixo:


Os melhores discos brasileiros de todos os tempos

O site do Estadão está com uma enquete bem interessante no ar. Os caras querem saber qual é o melhor disco brasileiro de todos os tempos. A resposta é difícil, sem dúvida. Hoje, dia 29/08, a lista disponível no Estadão contém os 30 álbuns mais citados nas respostas dos leitores - confira aqui. Temos títulos que vão de João Gilberto a Los Hermanos, passando por clássicos inquestionáveis gravados por artistas como Jorge Ben, Tim Maia, Chico Buarque, Roberto Carlos, Novos Baianos, Raul Seixas e muitos outros.

Tentanto responder essa complicada questão, a Rolling Stone brasileira promoveu, em 2007, uma eleição parecida. A revista fez essa mesma pergunta a 60 pesquisadores, produtores e jornalistas da cena musical de nosso país, e cada um poderia escolher 20 títulos em sua resposta. A única recomendação da Rolling Stone é que os títulos deveriam se basear no “valor artístico intrínseco e importância histórica, ou seja, quanto o álbum influenciou outros artistas”.

A lista final com os 100 melhores segundo o júri da Rolling Stone foi publicada em uma edição especial lançada em outubro de 2007. Eis a lista:


  1. Novos Baianos - Acabou Chorare (1972)
  2. Vários Artistas - Tropicália ou Panis et Circencis (1968)
  3. Chico Buarque - Construção (1971)
  4. Chega de Saudade - João Gilberto (1959)
  5. Secos & Molhados - Secos & Molhados (1973)
  6. Jorge Ben - A Tábua de Esmeralda (1974)
  7. Milton Nascimento & Lô Borges - Clube da Esquina (1972)
  8. Cartola - Cartola (1976)
  9. Os Mutantes - Os Mutantes (1968)
  10. Caetano Veloso - Transa (1972)
  11. Elis Regina & Tom Jobim - Elis & Tom (1974)
  12. Raul Seixas - Krig-ha, Bandolo! (1973)
  13. Chico Science & Nação Zumbi - Da Lama ao Caos (1994)
  14. Racionais MC’s - Sobrevivendo no Inferno (1998)
  15. Jorge Ben - Samba Esquema Novo (1963)
  16. Rita Lee - Fruto Proibido (1975)
  17. Tim Maia - Racional (1975)
  18. Chico Science & Nação Zumbi - Afrociberdelia (1996)
  19. Titãs - Cabeça Dinossauro (1986)
  20. Gal Costa - Fa-tal (1971)
  21. Legião Urbana - Dois (1986)
  22. Os Mutantes - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970)
  23. Moacir Santos - Coisas (1965)
  24. Roberto Carlos - Em Ritmo de Aventura (1967)
  25. Tim Maia - Tim Maia (1970)
  26. Gilberto Gil - Expresso 2222 (1972)
  27. Ultraje a Rigor - Nós Vamos Invadir Sua Praia (1985)
  28. Roberto Carlos - Roberto Carlos (1971)
  29. Baden Powell e Vinícius de Moraes - Os Afro-Sambas (1966)
  30. Paulinho da Viola - A Dança da Solidão (1972)
  31. Erasmo Carlos - Carlos, Erasmo (1970)
  32. Luiz Melodia - Pérola Negra (1973)
  33. Dorival Caymmi - Caymmi e Seu Violão (1959)
  34. Arnaldo Baptista - Lóki? (1974)
  35. Tom Zé - Estudando o Samba (1976)
  36. Elis Regina - Falso Brilhante (1976)
  37. Caetano Veloso - Caetano Veloso (1968)
  38. Banda Black Rio - Maria Fumaça (1977)
  39. Os Paralamas do Sucesso - Selvagem? (1986)
  40. Legião Urbana - Legião Urbana (1985)
  41. Chico Buarque - Meus Caros Amigos (1976)
  42. Los Hermanos - Bloco do Eu Sozinho (2001)
  43. Gilberto Gil - Refazenda (1975)
  44. Os Mutantes - Mutantes (1969)
  45. Raimundos - Raimundos (1994)
  46. Sepultura - Chaos A.D. (1993)
  47. João Gilberto - João Gilberto (1973)
  48. Biltz - As Aventuras da Blitz (1982)
  49. Tim Maia - Racional Vol 2 (1976)
  50. Walter Franco - Revolver (1975)
  51. Arrigo Barnabé - Clara Crocodilo (1980)
  52. Cartola - Cartola (1974)
  53. Raul Seixas - Novo Aeon (1975)
  54. Gilberto Gil - Refavela (1977)
  55. Paulinho da Viola - Nervos de Aço (1973)
  56. João Gilberto - Amoroso (1977)
  57. Plebe Rude - O Concreto Já Rachou (1986)
  58. Tom Jobim - Antônio Carlos Jobim (1963)
  59. Elizeth Cardoso - Canção do Amor Demais (1958)
  60. Gilberto Gil & Jorge Ben - Gil & Jorge (1975)
  61. Jorge Ben - Força Bruta (1970)
  62. Marisa Monte - MM (1989)
  63. Milton Nascimento - Milagre dos Peixes (1973)
  64. Vários Artistas - Show Opinião (1965)
  65. Nelson Cavaquinho - Nelson Cavaquinho (1973)
  66. Caetano Veloso - Cinema Transcendental (1979)
  67. Jorge Ben - África Brasil (1976)
  68. Los Hermanos - Ventura (2003)
  69. Mundo Livre S/A - Samba Esquema Noise (1994)
  70. João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim - Getz / Gilberto (1963)
  71. Aracy de Almeida - Noel Rosa e Aracy de Almeida (1950)
  72. Os Mutantes - Jardim Elétrico (1971)
  73. Ângela Rô Rô - Ângela Rô Rô (1979)
  74. Titãs - Õ Blésq Blom (1989)
  75. Tim Maia - Tim Maia (1971)
  76. João Donato - A Bad Donato (1970)
  77. Dorival Caymmi - Canções Praieiras (1954)
  78. Gilberto Gil - Gilberto Gil (1968)
  79. Maria Bethânia - Álibi (1978)
  80. Gal Costa - Gal Costa (1969)
  81. Ira! - Psicoacústica (1988)
  82. Roberto Carlos - O Inimitável (1968)
  83. Tom Jobim - Matita Perê (1973)
  84. Caetano Veloso - Qualquer Coisa / Jóia (1975)
  85. Roberto Carlos - Jovem Guarda (1965)
  86. Itamar Assumpção - Beleléu, Leléu, Eu (1980)
  87. Marisa Monte - Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994)
  88. Racionais MC’s - Nada como um Dia Após o Outro (2002)
  89. Kid Abelha - Meio Desligado (1994)
  90. João Donato - Quem é Quem (1973)
  91. Gal Costa - Cantar (1974)
  92. Tom Jobim - Wave (1967)
  93. O Rappa - Lado B Lado A (1999)
  94. Ira! - Vivendo e Não Aprendendo (1986)
  95. Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil & Maria Bethânia - Doces Bárbaros (1976)
  96. Júpiter Maçã - A Sétima Efervescência (1997)
  97. Caetano Veloso - Araçá Azul (1973)
  98. Elis Regina - Elis (1972)
  99. RPM - Revoluções por Minuto (1985)
  100. Egberto Gismonti - Circense (1980)


Os artistas mais citados na lista da Rolling Stone foram Caetano Veloso e Gilberto Gil, ambos com 6 discos, seguidos por Jorge Ben (5), João Gilberto (4), Tom Jobim (4), Os Mutantes (4), Roberto Carlos (4), Gal Costa (4) e Tim Maia (4). O disco mais antigo data de 1950, e o mais recente de 2003.

O fato é que, independentemente da resposta, a música brasileira é uma das mais ricas do mundo. A mistura de culturas e raças que formou o Brasil se reflete de forma direta na música que produzimos, fazendo surgir trabalhos refinados como Wave, de Tom Jobim, e maravilhosas miscelâneas sonoras como Acabou Chorare, dos Novos Baianos. Tudo isso com uma identidade que, por mais distante que sejam os gêneros explorados, se mantém no DNA do música brasileiro. 

A inventividade, a criatividade e a liberdade de quem cresceu e foi criado em uma sociedade tão ampla e contrastante como a nossa foi capaz de produzir uma riquíssima tradição e cultura musical como poucas em todo o mundo. Não dá para comparar a influência da música brasileira com a norte-americana, por exemplo, berço do blues, do jazz, funk, soul, rock e inúmeros outros estilos, mas não estamos tão distantes assim.

O que falta muitas vezes, principalmente para as gerações mais novas e para os onipresentes, limitados, bitolados e sempre desnecessários fãs de um único gênero, é ter a curiosidade de pesquisar e conhecer novos sons. Ao abrir a cabeça, ao liberar as amarras da mente, a recompensa passa a ser constante e diária. Discos como A Bad Donato, por exemplo, mantém o frescor de quando foram lançados, há quase quatro décadas atrás. Jorge Ben é um artista único no mundo, um cara que só pode ser definido por uma palavra: gênio.

Essas eleições que acontecem de tempos em tempos são sempre válidas porque, mais do que apenas saciar a curiosidade a respeito do resultado final, servem de porta de entrada e fonte de pesquisa para quem quer se aprofundar na música que é produzida aqui no nosso país, no nosso chão. 

Posso dizer, por experiência própria, que a retorno é gratificante e sublime. Experimente!