8 de set de 2012

British Lion: leia o review da Kerrang para o primeiro disco solo de Steve Harris

sábado, setembro 08, 2012
O primeiro veículo a resenhar o aguardado primeiro disco solo de Steve Harris, baixista do Iron Maiden, foi a tradicional revista inglesa Kerrang. O jornalista Nick Ruskell escreveu um review sobre o trabalho. Ficou curioso para saber o que ele achou do álbum? Então acomode-se e leia abaixo:

Seja como líder ou principal compositor do Iron Maiden, Steve Harris é um dos mais importantes nomes da história do heavy metal. Ele é muito bom no que faz - 15 álbuns gravados, 85 milhões de discos vendidos -, e o Maiden continua sendo uma das maiores bandas do planeta. Apesar disso, uma das maiores surpresas de 2012 foi a notícia de que Steve estava gravando o seu primeiro disco solo - a primeira vez que Harris grava algo fora do Iron Maiden em seus mais de 30 anos de carreira. Isso fez surgir uma questão interessante: que direcionamento musical esse disco teria e que levou Steve a decidir que a única forma que ele poderia ser lançado seria como um álbum solo? E o que você espera ouvir aqui? Country? Rap? Dubstep?

A realidade é bem menos extrema. Desenvolvido ao lado de alguns velhos amigos durante anos, músicos esses que fizeram parte de uma desconhecida banda chamada British Lion, as dez músicas que compõe a estreia solo de Steve Harris ainda são pesadas, com riffs orientados para o rock e o heavy metal, porém não espere ouvir nada parecido com o Iron Maiden - as faixas realmente não se encaixariam em um disco do grupo. A abertura matadora com "This is My God", por exemplo, tem um riff lamacento banhado em wah-wah e que não está muito distante dos melhores momentos do Alice in Chains. O trabalho segue com o agitado prog metal "Lost Worlds", que conta com um riff em stacatto e um grande e melodioso refrão onde o vocalista Richard Taylor soa muito diferente de tudo o que Bruce Dickinson já fez. O turbilhão de guitarras e a maneira mais lenta de Taylor cantar em "Karma Killer" aumentam ainda mais a distância caminhando por algumas experimentações, enquanto "Judas" é um rock pesado pra bater cabeça e com um grande refrão. 


Naturalmente, alguns elementos da sonoridade do Iron Maiden surgem em certas passagens, como as guitarras gêmeas de David Hawkins e Graham Leslie em "Us Against the World". Pela quantidade de músicas do Maiden com a assinatura de Harris (mais de 100), não há razão para não esperar algo nessa linha. Entretanto, British Lion mostra o trabalho de um incrível compositor pisando fora da sua zona de conforto e se provocando para fazer algo diferente, cercado por ótimos músicos.


Como o projeto de Adrian Smith, o Primal Rock Rebellion, lançado no início deste ano, British Lion não é uma ameaça ao Iron Maiden e não significa que alguma coisa de errado esteja acontecendo com a banda. É apenas o som de Steve Harris exercitando os músculos como normalmente não faz, e o resultado é uma verdadeira explosão!


A melhor notícia para você é que British Lion é um excelente disco.




6 de set de 2012

Editorial: menos peso e mais música

quinta-feira, setembro 06, 2012
Você é uma pessoa inteligente e perspicaz. Por isso, percebeu algumas mudanças nas últimas semanas aqui na Collectors Room. Matérias sobre outros gêneros além do heavy metal ganharam espaço, destacando o jazz, o blues, a música brasileira, o funk, o pop e o bom e velho rock and roll. Isso não é passageiro, mas sim definitivo.

Devido a uma série de fatores e razões diversas, tomei uma decisão (e aqui vale uma importante informação: a Collectors Room não é produzida por uma equipe de pessoas como muita gente pensa, mas apenas por um indivíduo - eu, Ricardo Seelig): a Collectors não falará mais sobre heavy metal como falava antes. Essa decisão foi pensada e amadurecida nos últimos meses, e não tem volta.

Na prática, o que isso significa? Significa que, a partir de agora, o site será como tem sido nas últimas semanas, com uma abordagem mais ampla em relação à música, não se prendendo a um gênero específico, mas sim a artistas e nomes de qualidade. Aliás, como era a proposta inicial quando ele foi criado, em outubro de 2008.

Isso não quer dizer que nunca mais tocaremos no assunto “heavy metal” por aqui. Como toda regra, essa também tem excessões. Continuaremos a dedicar espaço aos grandes nomes do gênero (Black Sabbath, Iron Maiden, Metallica e outros) e a artistas preferidos da casa (como Mastodon, Baroness, Machine Head), além de algumas matérias especiais esporádicas sobre o estilo (a série As Novas Caras do Metal continuará, mas com uma periodicidade muito menor).

Porque essa decisão foi tomada? Por uma razão muito simples: cansaço. Cansei de lutar contra a maré, alertando e apontando o que entendo que é errado na cena metálica de nosso país (donos de revistas que são managers de bandas, sites e revistas que vendem entrevistas em troca de anúncios, publicações que possuem tabelas de preços para notas de resenhas e um sem número de outras coisas). Não quero mais fazer parte de um sistema doente, viciado em troca de favores e tapinhas nas costas, e que, acima de tudo, é conservador até a medula, algo que nunca fui. 

Conviver em um cenário onde donos de revistas e sites se comportam como coronéis do século XIX e comandam jagunços travestidos de blogueiros é demais para a minha cabeça. Sempre falei o que pensei, deixando a minha opinião clara sobre os mais diversos assuntos. Recebi, e continuo recebendo, apoio de muitos leitores, mas a contrapartida foi tão forte que me levou a repensar diversas coisas. Ao invés de dar fim a Collectors Room, consegui identificar o que me incomodava e voltei a ter prazer em produzir o site.

Vocês não tem ideia do que se passa nos bastidores. De e-mails com xingamentos infantis a moleques bêbados me ameaçando fisicamente enquanto fazem supostas “entrevistas” no YouTube, passando por ofensas pessoais ao meu filho de 4 anos (e que não tem nada a ver com tudo isso) e ligações anônimas no meio da noite me ofendendo por ter falado isso ou aquilo, a lista é enorme. Teve até quem saiu em uma campanha difamatória pelas gravadores, selos e lojas de discos falando barbaridades e boatos a meu respeito, pelo simples fato de não concordar com o que eu penso.

Ninguém é obrigado a assinar embaixo do que escrevo. Esse é um papel apenas meu. Porém, discordar é sempre sadio, desde que baseando as opiniões em argumentos e não em achismos ou xingamentos.

Tudo isso não tem nada a ver com falta de culhão, ser um pseudo bunda mole ou estar com medo disso ou daquilo. Tem a ver com cansar de uma cena doente e sem perspectivas de mudanças, onde o promotor do maior calote da história da música pesada em nosso país - sim, estou falando do Metal Open Air - desfila lado a lado com jornalistas (des)especializados, que, com medo de perderem credenciais para shows, não falam o que deveriam dizer sobre o que ocorreu no Maranhão. Tem a ver com a postura imbecil e retardada de músicos de bandas com nomes de usinas e falsetes irritantes que podem fazer algo para mudar as coisas, mas preferem divulgar manifestos retardados via internet e ficar olhando para o próprio umbigo, ameaçando de processo quem critica essa postura. Tem a ver com uma imprensa especializada que não é feita com independência e profissionalismo, mas com um amadorismo gigante, colocando na bancas revistas que mais parecem fanzines, comandadas por editores que parecem fãs adolescentes cheios de rancor e preconceitos e não jornalistas com conhecimento acima da média e que incentivam o novo e o que de mais atual e interessante está acontecendo no som pesado.

Eu espero, e gostaria, que vocês que chegaram e conheceram a Collectors Room através de algum assunto que tenha a ver com o heavy metal continuem acompanhando o site. Ele continuará sendo produzido com a franqueza, a sinceridade e a transparência que sempre teve, postura essa que me levou, inclusive, a escrever esse editorial prestando contas. Seria mais fácil simplesmente mudar o rumo das coisas e deixar a mudança seguir o seu caminho, mas eu tenho uma dívida com cada um dos leitores da Collectors, que transformaram o site em referência e dão audiência para o blog todos os dias, e, por essa razão, acredito que o mais correto foi expor o que está ocorrendo de maneira direta e sincera. O texto foi longo, porém necessário.

A música é ampla, enorme, infinita e apaixonante. Cada gênero musical é fascinante e possui artistas geniais, além de outros pra lá de questionáveis. O objetivo da Collectors Room segue o mesmo: divulgar os bons sons e levar música boa até os leitores. Se você também acredita em Miles Davis - autor da célebre frase “existem apenas dois tipos de música, a boa e a ruim” -, continue com a gente.

Ouça “Let Yourself Go”, mais uma música inédita do Green Day

quinta-feira, setembro 06, 2012
Mais uma música inédita do Green Day apareceu na web. Trata-se de “Let Yourself Go”, próximo single do novo álbum do grupo, Uno!, cujo lançamento está marcado para o próximo dia 25 de setembro.

O que se ouve aqui é o Green Day dos primeros discos, rápido e urgente. Fãs dos tempos do clássico Dookie (1994) certamente irão curtir.

Confira abaixo:

Loudwire elege as melhores músicas de hard rock e heavy metal do século XXI

quinta-feira, setembro 06, 2012
O site Loudwire publicou duas listas que, dependendo do ponto de vista, podem ser classificadas com dois adjetivos distintos: interessantes ou polêmicas.

A equipe do site listou as 50 melhores músicas de hard rock e heavy metal lançadas do século XXI. Há um monte de bandas pouco conhecidas aqui no Brasil, assim como nomes gigantes em todo o mundo e que, certamente, gerarão discussão. Além disso, pelas listas percebe-se o quão volátil pode ser a definição do que é hard rock e o que é heavy metal hoje em dia.

Confira abaixo!

 

As 50 melhores músicas de hard rock do século XXI

  1. System of a Down - Chop Suey!
  2. Linkin Park - In the End
  3. Evanescence - Bring Me to Life
  4. Nirvana - You Know You’re Right
  5. Tool - Schism
  6. Foo Fighters - Best of You
  7. The White Stripes - Seven Nation Army
  8. Red Hot Chili Peppers - By the Way
  9. Papa Roach - Last Resort
  10. Green Day - Jesus of Suburbia
  11. Deftones - Change (In the House of Lies)
  12. Disturbed - Down With the Sickness
  13. Godsmack - Awake
  14. Queens of the Stone Age - No One Knows
  15. Slipknot - Left Behind
  16. 3 Doors Down - Kryptonite
  17. A Perfect Circle - Judith
  18. P.O.D. - Youth of the Nation
  19. Nine Inch Nails - The Hand That Feeds
  20. Avenged Sevenfold - Bat Country
  21. Shinedown - Sound of Madness
  22. AC/DC - Rock N Roll Train
  23. AFI - Girl’s Not Grey
  24. The Darkness - I Believe in a Thing Called Love
  25. Incubus - Wish You Were Here
  26. At the Drive-In - One Armed Scissor
  27. Chevelle - The Red
  28. Fuel - Hemorrhage (In My Hands)
  29. Drowning Pool - Bodies
  30. Nickelback - How You Remind Me
  31. Pearl Jam - The Fixer
  32. Marilyn Manson - The Fight Song
  33. Rise Against - Savior
  34. Staind - It’s Been Awhile
  35. Cky - Flesh Into Gear
  36. Puddle of Mudd - Control
  37. My Chemical Romance - Welcome to the Black Parade
  38. Alien Ant Farm - Smooth Criminal
  39. Alice in Chains - Check My Brain
  40. 30 Seconds to Mars - The Kill
  41. Audioslave - Like a Stone
  42. Creed - My Sacrifice
  43. Seether - Fake It
  44. Andrew W.K. - Party Hard
  45. Three Days Grace - Animal I Have Become
  46. Five Finger Death Punch - The Bleeding
  47. Finch - What It is to Burn
  48. H.I.M. - Right Here in My Arms
  49. Korn - Here to Stay
  50. Breaking Benjamin - Diary of Jane



As 50 melhores músicas de heavy metal do século XXI

  1. Tool - Lateralus
  2. Opeth - Blackwater Oark
  3. Between the Buried and Me - Colors
  4. Iron Maiden - The Talisman
  5. System of a Down - Toxicity
  6. Cannibal Corpse - Mahe Them Suffer
  7. Converge - Fault and Fracture
  8. Killswitch Engage - The End of Heartache
  9. Slipknot - The Heretic Anthem
  10. Slayer - Disciple
  11. Children of Bodom - Everytime I Die
  12. Mastodon - Blood and Thunder
  13. Pantera - Revolution is My Name
  14. Pig Destroyer - Piss Angel
  15. Heaven & Hell - Bible Black
  16. Dimmu Borgir - Progenies of the Great Apocalypse
  17. Isis - The Beginning and the End
  18. Poison the Well - Apathy is a Cold Body
  19. The Dillinger Escape Plan - When Good Dogs Do Bad Things
  20. Lamb of God - Redneck
  21. Nachtmystium - Ghosts of Grace
  22. Gojira - The Art of Dying
  23. Suffocation - Bind Torture Kill
  24. High On Fire - Hung, Drawn and Quartered
  25. Machine Head - Aesthetics of Hate
  26. Necrophagist - Stabwound
  27. Meshuggah - Bleed
  28. Rammstein - Feuer Frei!
  29. Shadows Fall - Thoughts Without Words
  30. As I Lay Dying - Forever
  31. Sigh - Inked in Blood
  32. Obscura - Anticosmic Overload
  33. Municipal Waste - Born to Party
  34. Bloodbath - Eaten
  35. Baroness - A Horse Called Golgotha
  36. Amon Amarth - Twilight of the Thunder God
  37. Fleshgod Apocalypse - Embodied Deception
  38. Shining - Manniska O’Avskyvarda Manniska
  39. Testament - More Than Meets the Eye
  40. Anthrax - Fight ‘Em ‘Till You Can’t
  41. Immortal - One by One
  42. Daughters - The Theatre Goer
  43. Gorgoroth - Incipit Satan
  44. Septicflesh - The Vampire From Nazareth
  45. Revocation - Dismantle the Dictator
  46. Goatwhore - Apocalyptic Havoc
  47. Trivium - Pull Harder on the Strings of Your Martyr
  48. Gwar - Bring Back the Bomb
  49. Napalm Death - The Wolf I Feed
  50. Behemoth - At the Left Hand ov God

Steve Harris fala sobre o British Lion e o futuro do Iron Maiden em longa entrevista para a RockHard

quinta-feira, setembro 06, 2012
Um projeto paralelo de Steve Harris era a última coisa que os fãs do Iron Maiden poderiam esperar. Mas do que se trata British Lion?

Seria muito fácil para o fundador do Iron Maiden compor e gravar músicas no estilo de sua banda, porém, sem o seu parceiro Bruce Dickinson. Ou então canções inspiradas pelas influências musicais que ele tinha quando deu seus primeiros passos, especialmente do mundo do rock progressivo, como Jethro Tull e Genesis. Mas a verdade é que British Lion soa bem diferente. Imagine uma banda de hard rock pouco antes do início da década de 90, tentando se adaptar em meio a onda mais alternativa do grunge, mas sem se afastar de suas raízes musicais.

Algumas músicas até poderiam estar em um show do Iron Maiden. Os fãs da banda vão achar interessante, mas vão encontrar algo diferente. O músico que compôs algumas das melhores músicas do heavy metal está determinado a explorar algo realmente diferente.

Estamos em Bristow, Virgínia, perto da capital dos EUA, Washington. A turnê do Iron Maiden intitulada Maiden England está passando por diversas arenas americanas. No local do show, nos bastidores, em meio a passagem de som de Alice Cooper e a entrada dos espectadores da primeira fila, eis que aparece Steve Harris. Desde 1975, hoje com 56 anos de idade, uma presença constante por trás da maior banda de heavy metal de todos os tempos. Nossa conversa começa assim:


Steve Harris: Alguém da RockHard! Recentemente eu vi sua revista no Brasil. Quantas vezes você já ouviu o British Lion? Umas cinco vezes?

RockHard: Você nunca havia gravado um álbum solo.

Exatamente. Até agora, havia gravado apenas algumas músicas do Calm Before The Storm (2008), álbum da minha filha, Lauren.

Como você decidiu, após 36 anos, fazer algo diferente, fora do Iron Maiden?

O disco deveria ter saído bem antes, mas levamos um longo tempo para concluir. Meu tempo era bastante limitado por causa dos muitos compromissos com o Iron Maiden. Era quase impossível fazer algo paralelo. Por exemplo, estamos de volta em turnê e ela vai continuar por algum tempo. Mas mesmo quando não estou em turnê, há sempre muita coisa a ser feita da minha parte em nome do Maiden. Meus colegas do British Lion são muito pacientes.

O álbum se chama British Lion e será lançado com o seu nome. Mas, enquanto isso, você sempre chama todo o projeto de British Lion. É uma banda ou o projeto solo de Steve Harris?

Começou como um trabalho solo, mas agora somos uma banda, e isso me deixa mais confortável. Eu não acho que a música deva se resumir apenas ao baixo e a mim. Teríamos um resultado muito estranho (risos). É uma banda normal, embora eu esteja compondo as músicas. Atualmente todo o projeto funciona com o meu nome, mas com o passar do tempo teremos British Lion como um nome definitivo.

Para este projeto você trabalhou com músicos desconhecidos, mas a maioria são da sua idade, da sua mesma geração.

Eles se dão muito bem juntos e nos conhecemos a muito tempo. O Graham Leslie (guitarra) tem a minha idade, o David Hawkins (guitarra /teclados), mais ou menos 40, nosso baterista Simon Dawson, em algum lugar entre ... bom, eu não quero revelar sua verdadeira idade (risos), e o vocalista Ritchie Taylor tem 50, mas todos os dias ele corre 8 milhas, então parece que tem 40, mas canta como se tivesse 30. Ele está em excelente forma.

Havia muitas informações sobre as gravações de British Lion, e algumas músicas vazaram na internet com a informação de que eram da primeira demo, gravada em 1992. Também nessa época você produziu uma banda chamada British Lion.

Já se passou tanto tempo? Não pode ser verdade (risos). Mas nunca esqueça da internet. Na verdade, agora eu fico apavorado (risos). Eu achava antes que eram 10, 15 anos, mas 20? Nossa! Naquela época eu era o produtor, e algumas músicas foram registradas. Mas quase ninguém sabia. Tocaram apenas em alguns pequenos shows, particularmente em Portugal. Depois de algum tempo, a banda se separou, algo que não devia ter acontecido, porque muitas músicas eram ótimas. Seria uma vergonha permanecer na obscuridade.

Então, há alguns anos, a banda foi reformulada com você permanentemente na posição do baixo, e isso foi mantido em segredo. Algumas das músicas de vinte anos atrás, lá do começo, continuam no repertório, como "Eyes of the Young". O disco dá a impressão de que há músicas de diferentes períodos. Isso significa que elas foram todas compostas em anos diferentes, de forma ascendente?

Sempre trabalhamos as músicas separadamente, mas nós não estávamos no estúdio. Você está absolutamente certo sobre o fato de que algumas canções foram escritas há muitos anos. Algumas músicas são resultado da atual formação e não das antigas. Eu queria dar fôlego para a banda outra vez, então eu peguei o baixo como um membro permanente e assumi total responsabilidade pelo projeto, embora tenha levado muito tempo para obter tudo.

Qual a importância do nome British Lion? Pergunto por que sua música poderia ser facilmente descrita como global.

O nome é bem dinâmico. Eu lembro que desde a primeira vez que trabalhei com eles já queria manter no nome. Pensamos que você deve ter orgulho de sua herança. Mas deve fazer isso de forma positiva e não errar, como muitos fazem, usando a herança para reduzir aos outros. Eu vejo isso como no futebol, através de uma concorrência saudável e não como uma declaração política. A arte do disco é uma criação minha (Steve trabalhou como ilustrador na década de 1970, o logotipo do Iron Maiden foi criado por ele). Eu tinha tantas ideias para este projeto e eu não conseguia colocar em prática, agora finalmente eu posso (risos)!


Você realmente gostou do baixo em todas as músicas?

Sim, por que?

Você é autodidata no baixo. Então, sempre irão creditar as características do Iron Maiden ao seu estilo, é uma marca registrada, como se não pudesse fazer mais nada.

Eu tentei algumas coisas novas neste álbum. Acima de tudo, o som é muito diferente do Maiden e da abordagem que eu tenho com a banda, não irá corresponder a qualquer coisa. Mas eu acho que as pessoas vão me reconhecer tocando, embora em um estilo diferente.

A música "Us Against the World", é, na minha opinião a que possui maiores semelhanças com as suas gravações com o Iron Maiden.

Então, exatamente. E "A World Without Heaven" tem alguns elementos do Maiden também.

Todo mundo automaticamente lembra da sua banda principal quando ouve guitarras duplas, apesar de você gostar muito dessa sonoridade bem antes da fundação do Iron Maiden.

Exatamente. Acho que o British Lion tem suas raízes no rock mainstream dos anos 70. "The Chosen Ones", dizem, lembra muitos elementos do UFO e se assemelha também ao The Who.

Estas canções serão tocadas ao vivo?

Com certeza, mas ainda estamos planejando como serão os shows. Até agora poucas pessoas ouviram falar da nossa música. Devemos esperar a reação das pessoas. Ninguém nos conhece ainda, os promotores não sabem o que dizer para as pessoas. Eu aconselharia a fechar clubes para 200 pessoas? Para 500? Eu devo ser realista.

Então, você está pronto, depois de todos esses anos com Iron Maiden, para começar do zero outra vez?

No começo, pode ser que apenas 20 pessoas paguem pelos ingressos (risos). Eu ficaria muito satisfeito se 200 fãs fossem a um show do British Lion. Francamente, seria fantástico. As pessoas a mais seriam um bônus.

Sobre tocar ao vivo, você não tem feito isso com outro vocalista que não seja Bruce Dickinson já faz um longo tempo.

O Ritchie é fantástico. Eu vi a banda ao vivo, e entre outras coisas temos tocado muitas vezes as músicas juntos, então eu não tenho preocupações. Ritchie tem muita confiança em si mesmo.

Você parece estar muito impressionado com Ritchie. Ele poderia ser uma boa opção se Bruce Dickinson decidir sair outra vez?

Hahaha! Não, a voz de Ritchie não combina com o Iron Maiden. Devemos separar as coisas, apesar dele ser um excelente vocalista.

E Blaze Bayley? Pareceu genial em sua época.

Sim, você está certo (Risos - de uma forma que mostra que ele quer terminar este assunto rapidamente)


Você disse que algumas músicas do British Lion são bastante longas.

Basicamente, "The Chosen Ones" e  "A World Without Heaven" são bem longas. "Eyes of the Young" também não é pequena, embora seja provavelmente a música mais comercial. Mas tem algumas coisas que a tornam muito diferente dos temas clássicos do Iron Maiden. Eu não dou qualquer importância ou assumo quaisquer compromissos para ter um formato diferente.

Mesmo que alguns títulos de músicas possam ter uma direção diferente do Maiden, você escreveu as letras? No Maiden você é responsável pela maioria das letras.

Sim, naturalmente. O Ritchie escreve algumas letras, e escreve bastante. Eu e ele nos completamos muito bem. Então, surgem alguns temas que você não esperaria. Quando, por exemplo, eu escrevo para o Maiden eu não escrevo muitas vezes sobre o amor (risos). Mas há canções em British Lion assim, canções sobre religião e envelhecimento também.

Algumas canções ganham uma melancolia aparente e parecem ter sido escritas a partir da perspectiva de alguém que reconhece, em retrospecto, que teve muitas oportunidades em sua vida e as jogou no lixo.

Trata-se de ver as coisas de maneira diferente agora do que quando você era jovem. "Phantom of the Opera" eu escrevi quando tinha 19 anos e acho que eu não poderia escrever novamente nos dias de hoje, da mesma forma que eu não poderia escrever uma música como "When the Wild Wind Blows" quando eu tinha 19 anos de idade. Isto pode ser transferido para aspectos da vida inteira. Quando eu olho para algumas coisas que fiz no passado, percebo que tenho melhorado muito. Me reconheço, mas eu sou uma pessoa diferente agora. Eu acho que sou muito maior do que você, mas certamente teria feito coisas que, em retrospecto, você olharia com estranheza. Isso é perfeitamente normal.

A faixa "Judas", tem uma letra um pouco óbvia.

Muitas pessoas pensam que é uma canção de amor.

O que passou pela minha mente foi algo sobre divórcio.

Fala um pouco sobre religião, especialmente alguém que confia e, em seguida, deixa de acreditar.

Assim, o título não é tão metafórico. De fato, as letras são mais diretas do que as dos Maiden.

Com o British Lion existem diferentes abordagens. O Ritchie escreve abertamente e de maneira menos confusa do que eu. Eu expresso tais sentimentos de maneira intensa nas minhas músicas, às vezes tentando domá-los.

Como tinha feito em The X Factor, escreveu sobre a separação de sua esposa então.

Sim, você pensa em temas e os transforma em um roteiro. Neste caso, no entanto, devemos olhar mais profundamente para entender o conteúdo real. Geralmente eu acho que é importante que cada ouvinte tenha a sua própria interpretação de uma peça, mesmo que seja diferente do que a pessoa que escreveu quer dizer, como fez, por exemplo, no caso de "Judas".

"The Chosen Ones", musicalmente, soa mais otimista e positiva. Sobre o que fala a letra?

Você pode vê-la assim. Ela tem uma vibração Quadrophenia (The Who). Falando sobre as crianças brincando na rua e coisas assim. Comparado com a maioria das outras músicas, você está certo. Muitos delas são apenas "tristes". Eu não diria que sou o homem mais feliz do mundo (risos).


Você já escreveu uma canção feliz?

Sim, alguns lados B do Iron Maiden, já fizemos algumas coisas realmente divertidas, como o nosso manager (risos).

Havia um boato de que alguém queria o Iron Maiden fazendo um remix de “I’m Forever Blowing Bubbles”, o hino do seu time de futebol favorito, o West Ham United. Foi uma ideia um pouco boba para você?

Alguém teve essa ideia, mas seria inútil para o Iron Maiden fazer algo parecido com isso, então eu deixei para o Cockney Rejects.

No entanto, vocês foram convencidos a fazer uma versão de "Women in Uniform" do Skyhooks, que não era tão legal.

A versão foi um sucesso, mas eu não estava feliz com a produção.

Me lembro de comprar o single, apenas pela capa meio punk rock com Margaret Thatcher, mas eu achei a música boa (risos de ambos). Falando sobre o passado: você ainda acompanha alguma banda que você gostava quando era adolescente?

Continuo ouvindo minhas bandas favoritas. Eu sempre fui assim, embora seja mais difícil agora, na sua velhice (risos). Eu comecei a escrever música nos anos 70, e sou muito sortudo, pois cresci nesse período. A música era diversa e complicada e havia muitas coisas legais.

Se você dissesse 10 ou 20 anos atrás que gostava de Genesis e Jethro Tull, isto causaria grande surpresa para os fãs do Iron Maiden. Atualmente, contudo, há uma grande atenção voltada para a música retrô.

A verdade é que eu nunca me importei com o que as pessoas pensavam sobre o meu gosto musical, e com o passar dos anos eu realmente não dei qualquer importância para isso. Eu não tenho de provar nada. Eu não estou interessado em estar na moda. Eu tentei fazer o British Lion para contribuir com algo que está no estilo dos anos 70, e não só musicalmente, mas também com um pouco da ética e integridade desse período. Talvez a minha ideia seja simples, mas pelo menos eu queria fazer acontecer (risos). E com o Iron Maiden, as coisas não são diferentes.

Muitas das bandas que começaram com o Iron Maiden continuaram suas carreiras. Você, por exemplo, ouviu o novo álbum do Angel Witch?

Eles ainda existem? Não, eu não sei nada sobre este álbum! (risos) Ok, estou brincando! É claro que eu ouvi, já que muitas vezes tocamos no mesmo clube. Enfim, eu certamente vou comprar o seu novo álbum. Mas eu gosto de bandas mais novas. Eu amo o último álbum do Nightwish. Os fãs antigos podem não concordar comigo, mas eu acho que a nova vocalista é melhor que a anterior! É impressionante como a banda se transformou em algo completamente diferente. O Nightwish é muito maior agora, já era bom antes. Esse cara (Tuomas Holopainen) é um compositor extremamente talentoso. Está fenomenal agora!

Você deve gostar dos elementos mais progressivos dos discos com Anette Olzon.

Sim, sinfônico e progressivo. Mas, acima de tudo, eu amo a voz dela. Acho que já deveria ter começado a conversa entre os fãs (risos)!

O Nightwish com este line-up e este estilo agora é maior do que nunca. Isso significa que eles irão continuar a seguir este direcionamento musical.

Exatamente. E a outra menina era boa, mas ópera é demais para o meu gosto. O romance é mais humano, mais real.


Você escreve músicas desde os anos 70. Você deve possuir um arquivo enorme.

Tenho toneladas de material em casa, mas não são músicas completas, somente peças separadas, mas é um volume incrível. Eu poderia gravar uns dez álbuns pelo menos! Eu não estou preocupado se minha criatividade vai acabar com o tempo. Tudo o que você precisa é de tempo para trabalhar e ter as condições para que isso aconteça. E eu não tenho muito tempo.

Você disse que há músicas antigas inacabadas em seu arquivo. Há rumores de que você tem algumas demos misteriosas com Paul Di'Anno que não foram aproveitadas.

Exatamente. E é por isso que não deu certo. Não era bom, não foi terminado. Então acabou, e ele saiu.

Você pensa em fazer algo com o material do Gypsy's Kiss e do Smiler? Suas bandas antes do Iron Maiden despertam o interesse de muitos fãs.

Eu tenho várias gravações ao vivo de ambas as formações, mas não acho que seja necessário que elas vejam a luz do dia.

É tão ruim assim?

Não, não (risos). Se você for pensar sobre isso, as músicas eram bem legais, mas a qualidade do som era muito pobre. E pensar no que nós usamos para as gravações. Do ponto de vista sintético, por outro lado, há alguns momentos muito importantes, como a versão original de “Innocent Exile”, do Iron Maiden.

Que era do Gypsy's Kiss, certo?

Exatamente. Não a canção inteira, mas o riff principal é o mesmo.

Gypsy's Kiss é uma expressão do dialeto Cockney e significa "xixi", certo?

Sim, é uma gíria Cockney (como são chamados os habitantes do East End de Londres). "To take the Gypsy's" significa que você vem dali, mas que vai mijar! Hahaha!

Por ocasião de sua atual turnê Maiden England, o Iron Maiden reeditará o lendário vídeo ao vivo de 1989 em DVD, como você fez com Live After Death?

Sim, vamos fazer. O DVD será lançado no primeiro semestre de 2013. Se tivermos tempo, poderá até mesmo ser lançado ainda este ano. No VHS, tínhamos apenas 90 minutos de tempo, por isso tivemos de deixar de fora o material extra. Como você sabe, eu tenho um monte de trabalho pela frente!

Não parece estar pensando em aposentadoria. Mas o que passou pela sua mente quando o Judas Priest anunciou que está se aposentando?

É triste. Eles são um pouco mais velhos que o Iron Maiden, mas é sempre difícil ouvir que uma banda que é tão grande está parando. Espero que eles mudem de opinião, porque isso seria o final de uma era. Você sabe, Richie Faulkner está tocando com eles, ele tocava na banda da minha filha. Espero que dê um impulso para continuar. É um compositor muito bom. Talvez consiga trazer mais união pra banda.

Espero que o Maiden tenha pelo menos mais um álbum para todos nós!

De qualquer maneira, eu não sei quanto tempo vai demorar, mas vamos lançar mais discos.

Estou muito feliz em ouvir isso.

Minha esposa tem uma opinião diferente (risos). Estima-se que tenhamos mais dez anos, mas eu vou tão longe quanto for possível.

(Texto escrito por Jan Jaedike)
(matéria publicada na revista alemã RockHard, edição de setembro de 2012)


“Keep on Swinging”, o novo clipe do Rival Sons

quinta-feira, setembro 06, 2012
Um dos discos mais aguardados do ano acaba de ganhar o seu primeiro clipe. “Keep on Swinging”, primeiro single de Head Down, terceiro álbum da banda californiana Rival Sons, ganhou um clipe que mostra o quarteto tocando em uma típica igreja do interior dos Estados Unidos enquanto cenas complementares mostram o poder que a religião exerce sobre as pessoas.

Musicalmente, “Keep on Swinging” traz um Rival Sons mais pesado que no disco anterior, Pressure and Time (2011), e também mostra um distanciamento maior da aura do Led Zeppelin, que permeou o último trabalho dos caras.

Resumindo: ficou bom pra caramba!

Assista abaixo:

5 de set de 2012

Conheça os vencedores do Progressive Music Awards 2012

quarta-feira, setembro 05, 2012
A revista inglesa Prog criou este ano o Progressive Music Awards, premiação que tem como objetivo reconhecer e valorizar o que de melhor está sendo feito quando o assunto é o rock progressivo e suas infinitas variações.

Os vencedores da primeira edição do prêmio foram divulgados hoje, e são (mantive os nomes das categorias no inglês original para que não perdessem o sentido):

NEW BLOOD: TesseracT

LIVE EVENT: Anathema

GRAND DESIGN: Pink Floyd Immersion reissues

ANTHEM: Squackett - A Life Within A Day

ALBUM OF THE YEAR: Rush - Clockwork Angels

VISIONARY: Peter Hammill

LIFETIME ACHIEVEMENT: Genesis

VIRTUOSO: Carl Palmer

GUIDING LIGHT: Steven Wilson

PROG GOD: Rick Wakeman

E aí, o que você achou das escolhas? Concorda, discorda ou não está nem aí para tudo isso?

Muddy Waters & The Rolling Stones: crítica de Checkerboard Lounge - Live Chicago 1981 (2012)

quarta-feira, setembro 05, 2012
Este DVD contém uma aula de história. Deixa eu explicar: durante a turnê do álbum Tattoo You (1981), os Rolling Stones fizeram três shows seguidos em Chicago. No intervalo entre as apresentações, resolveram visitar o amigo Muddy Waters, influência e inspiração para o nome do grupo, que estava tocando com sua banda no Ckeckerboard Lounge, clube da cidade. E é justamente este encontro que está documentado em Checkerboard Lounge - Live Chicago 1981, DVD que a ST2 está lançando agora aqui no Brasil em edição dupla, incluindo um CD com o áudio da apresentação.

Não há grandes requintes técnicos no vídeo. As câmeras mostram os músicos amontoados no minúsculo palco, enquanto garçons atendem as mesas. Já em relação ao áudio, ele é cristalino e conta com fidelidade o que aconteceu naquela noite, realçando os acertos e não escondendo os erros. Tudo é verdadeiro, improvisado, em clima de jam. E é justamente essa veracidade que torna este encontro entre dois artistas importantíssimos e  emblemáticos para o blues e para o rock imperdível, histórico e arrepiante.

Pra começo de conversa, a banda que acompanhava Muddy Waters na época era excelente, com destaque para o guitarrista John Primer e para o gaitista George “Mojo” Buford - completavam o time o panista Lovie Lee, o guitarrista Rick Kreher, os baixistas Earnest Johnson e Nick Charles e o sorridente baterista Ray Allison. Aliás, vale mencionar o figurino de Buford, com uma surreal “cartucheira” carregada com várias gaitas de boca diferentes. Outro ponto importante a ressaltar é que trata-se de um show de Muddy Waters e não dos Rolling Stones, portanto você irá assistir a um dos maiores bluesmen da história no final de sua carreira, pouco mais de dois anos antes de sua morte - Waters faleceu em 30 de abril de 1983 -, e não a um show dos Stones.


O clima é tão intimista e acolhedor que flagra a entrada dos Stones no boteco, enquanto Muddy e banda mandam ver. Os caras se acomodam na mesa em frente ao palco, pedem suas bebidas, conversam. E então Muddy Waters chama Mick Jagger, Keith Richards e Ron Wood para a bagunça. Jagger, vestido com um espalhafatoso agasalho vermelho, divide os vocais com Waters em “Baby Please Don’t Go”, deixando claro logo de saída porque é o frontman da maior banda de rock da história. Richards, convocado em seguida, caminha sobre a mesa com o cigarro no canto da boca e pega a sua guitarra, em uma cena antológica. E Wood, naquela época com uma performance muito mais presente e eficiente da que costuma ter nos últimos anos, mostra o porque de ter sido escolhido como braço direito de Keith. Ian Stewart, o sexto Stone, assumo o piano, e a festa começa.

Checkerboard Lounge está repleto de grandes momentos. O principal deles é “Mannish Boy”, onde Muddy e Jagger dividem os vocais, com o pupilo inglês tacando fogo na performance de Waters, que pula pelo palco com a energia de um adolescente enquanto Keith, Wood e a banda seguram tudo de maneira firme lá atrás. E, no meio disso tudo, Waters ainda chama Buddy Guy e Junior Wells para o palco. O momento em que Muddy Waters, Mick Jagger e Buddy Guy se abraçam, com os dois bluesmen dividindo os vocais sob o olhar embasbaco de Mick, é como presenciar a história sendo escrita, e por seus principais protagonistas.


Outros momentos sublimes acontecem em “Hoochie Coochie Man” e “Long Distance Call”, ambas com a participação de Jagger. Junior Wells dá um descanso para Muddy e assume os vocais na clássica “Got My Mojo Working”, enquanto o inquieto e intenso Lefty Dizz toma conta da parte final da apresentação.

Para completar o pacote, como já disse, a versão lançada pela ST2 vem com um CD bônus com todo o áudio da apresentação, além de um encarte - todo em inglês - com detalhes desse show antológico.

Checkerboard Lounge - Live Chicago 1981 é daqueles DVDs que você colocará em lugar de destaque em sua coleção. Empolgante e histórico, é o registro magnífico do encontro entre duas forças titânicas - Muddy Waters e os Rolling Stones -, artistas fundamentais que ajudaram a definir o blues e o rock. 

Fundamental, e não se fala mais nisso!

Nota: 10


Assista “Madness”, o novo clipe do Muse

quarta-feira, setembro 05, 2012
Chris Martin, o dono do Coldplay, afirmou que “Madness”, novo single do Muse, é a melhor música da carreira do trio britânico. Não sei se é para tanto, mas após o estranhamento inicial é inegável que trata-se de uma ótima composição.

Enquanto o novo disco dos caras, The 2nd Law, não chega nas lojas - a data prevista é 1 de outubro -, assista o vídeo abaixo e diga pra gente o que achou:

Ozzy Osbourne: crítica de Speak of the Devil (Live at the Irvine Meadows Amphitheatre 1982) (2012)

quarta-feira, setembro 05, 2012
Existem dois Speak of the Devil. Um é o LP duplo ao vivo lançado por Ozzy em 1982 somente com músicas do Black Sabbath. O outro é este DVD, gravado no mesmo ano, mas com um setlist completamente diferente.

Lançado no Brasil pela ST2, Speak of the Devil (Live at the Irvine Meadows Amphitheatre 1982) captura uma das fases mais conturbadas da carreira de Ozzy Osbourne. O guitarrista Randy Rhoads havia falecido recentemente, em 19 de março de 1982, mas Ozzy seguiu na estrada promovendo o seu segundo disco solo, Diary of a Madman, colocando Brad Gillis, do Night Ranger, no lugar de Randy. Mais tarde, Jake E. Lee assumiria o posto. 

O que temos aqui é o registro de um período de transição. Ozzy estava construindo a sua reputação junto ao público norte-americano, no início de um processo que faria a sua carreira solo alcançar um sucesso comercial muito maior do o próprio Black Sabbath nos Estados Unidos.

Além de Gillis, estavam ao lado de Ozzy na época o baixista Rudy Sarzo (Quiet Riot) e o baterista Tommy Aldridge (Black Oak Arkansas). Evidentemente sem o mesmo brilhantismo que Randy Rhoads, Gillis segura bem as pontas e não compromete. Entretanto, as músicas presentes neste DVD, saídas diretamente dos dois primeiros discos de Ozzy, soam mais cruas e, em certo ponto, mais pesadas com a guitarra de Brad Gillis e sem o virtuosismo de Rhoads.

A qualidade de imagem não é muito boa, passando a sensação de que estamos assistindo a uma fita VHS antiga e não um DVD. O áudio também não é magnífico, mas dá para o gasto. Resumindo: mais do que apuro técnico, o que temos aqui é o documento de um período pouco falado da carreira de Ozzy Osbourne, porém de extrema importância. A transição entre a trágica perda de Randy e o auge que alcançaria alguns anos mais tarde foi fundamental para Ozzy. O luto em praça pública, tocando para milhares de pessoas todas as noites, foi a maneira que Ozzy encontrou para ele mesmo sobreviver à morte do amigo e guitarrista. 

Speak of the Devil (Live at the Irvine Meadows Amphitheatre 1982) é indicado somente para os fãs de Ozzy Osbourne. Se for o seu caso, mergulhe fundo. Se não for, há outros DVDs com performances muito melhores do Madman disponíveis.

Nota: 7

Faixas:
  1. Introduction
  2. Over the Mountain
  3. Mr. Crowley
  4. Crazy Train
  5. Revelation (Mother Earth)
  6. Steal Away
  7. Suicide Solution
  8. Goodbye to Romance
  9. I Don’t Know
  10. Believer
  11. Flying High Again
  12. Iron Man
  13. Children of the Grave
  14. Paranoid

4 de set de 2012

Assista “Mercy”, novo clipe da Dave Matthews Band, produzido com a ajuda dos fãs

terça-feira, setembro 04, 2012
A Dave Matthews Band teve uma iniciativa bem legal para produzir o clipe de “Mercy”, segundo single de seu novo disco, Away from the World. O grupo convocou os fãs para participarem ativamente do processo, e eles tiveram três semanas para enviar vídeos e fotos realizando ações previamente definidas. Só para vocês terem ideia, o clipe contou com a ajuda de nada mais nada menos que 14.334 pessoas!

Vale mencionar a presença do amigo Rodrigo Simas, da DMBrasil, e o sorriso feliz da vida do amigo!

O resultado final ficou muito legal, e você pode assistir abaixo:

Ouça a versão do Black Label Society para “Pictures of Home”, do Deep Purple

terça-feira, setembro 04, 2012
Mais uma faixa do tributo ao álbum Machine Head, do Deep Purple, organizado pela Classic Rock Magazine, está online. Agora é possível ouvir a releitura do Black Label Society para “Pictures of Home”.

Zakk Wylde e sua turma deram um acento country e southern à composição, afastando-a da abundância de melodia da gravação original. Ficou interessante, vale o play!

Só lembrando: Re-Machined: A Tribute to Deep Purple’s Machine Head será lançado no Brasil em outubro, pela gravadora ST2.

Ouça o Black Label Society virando “Pictures of Home” do avesso no player abaixo:

Emicida relê clássicos da música brasileira

terça-feira, setembro 04, 2012
O rapper Emicida participou do programa Som Brasil, da Rede Globo, e foi bem original em reler alguns dos clássicos da música brasileira. A apresentação de Emicida, que foi ao ar na semana passada, contou com versões para canções que marcaram a era dos grandes festivais brasileiros, durante as décadas de 1960 e 1970.

Emicida mandou muito bem em releituras refrescantes de “Sinal Fechado” (Paulinho da Viola), a imortal “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores” (Geraldo Vandré) e “BR3”, essa última ao lado do intérprete original, Tony Tornado.

Ficou legal pra caramba, como você pode comprovar no vídeo abaixo:

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