5 de out de 2012

Lady Gaga e Madonna na capa da nova Billboard Brasil

sexta-feira, outubro 05, 2012
Chega às bancas no dia 11/10 a nova edição da Billboard Brasil. A matéria de capa traz uma comparação entre as carreiras de Madonna e Lady Gaga, com críticos, especialistas e fãs discutindo o impacto da obra de duas das mais importantes cantoras do pop.

A revista tem também matérias com Jimmy Cliff e ZZ Top, um especial sobre o Festival Planeta Terra e um mergulho na história de Roberto Menescal, um dos nomes mais influentes da música brasileira.

A noite feliz de Cee-lo Green

sexta-feira, outubro 05, 2012
Cee-lo Green traz o Natal mais cedo! O músico norte-americano lançará no próximo dia 30 de outubro o seu novo disco, Cee-Lo’s Magic Moment. O álbum é todo composto por canções natalinas, com versões do vocalista para músicas tradicionais. 

O primeiro single é “Silent Night”, a tradicional “Noite Feliz” que você canta desde que era moleque. O clipe tem Mamães Noéis com pouca roupa, Papai Noel andando de skate e várias outras particularidades. Ficou um pouco brega, mas vale a pena!

Assista aí:

Ouça o retorno de Adele com “Skyfall”, música tema do novo 007

sexta-feira, outubro 05, 2012
Após o espetacular sucesso de seu segundo disco, 21 (2011), a cantora inglesa Adele está de volta. 

O primeiro single da artista após a explosão mundial reflete a proporção de tudo que envolve o seu nome. “Skyfall” é a música tema do novo filme do agente James Bond, cuja estreia nos cinemas ingleses acontecerá dia 26 de outubro. 

“Skyfall” é a típica composição dos clássicos filmes de 007. Grandiosa, dramática e repleta de orquestrações e coros. A interpretação de Adele contrasta com tudo isso e é serena, sem exageros. Gostei.

Ouça abaixo:

Turnê brasileira do Destruction é cancelada: entenda porque essa notícia é um marco para a cena heavy metal brasileira

sexta-feira, outubro 05, 2012
Ontem, quinta-feira 04/10, ventilava-se durante todo o dia a cada vez maior possibilidade de que a turnê brasileira da banda alemã Destruction, marcada para a primeira quinzena de dezembro, seria cancelada. O motivo: a enorme reação negativa do público ao descobrir que quem estava promovendo os shows era a até então desconhecida Indestructible Entretenimento.

Mas quem é essa tal de Indestructible? Bem, trata-se da nova empresa de Felipe Negri, proprietário da Negri Concerts, uma das produtoras responsáveis pelo show de falcatruas e falta de respeito que foi o Metal Open Air, festival anunciado como grandioso mas que se transformou em um dos maiores fiascos da história do mercado musical brasileiro - leia tudo que publicamos sobre o MOA aqui.


De maneira petulante, arrogante e provocativa - aliás, como sempre agiu -, Felipe Negri, que enfrenta vários processos na justiça movidos por fãs lesados pela falcatrua monstruosa do MOA, mudou o nome de sua empresa e batizou com a prepotente alcunha de Indestructible. Indestrutível quem, cara pálida?

Essa notícia chegou até os fãs, que se mobilizaram e divulgaram a nova “empreitada” de Negri, fazendo tudo tomar uma proporção gigantesca. E foi justamente essa mobilização em massa nas redes sociais que derrubou Felipe do cavalo - leia mais aqui.

A enorme reação negativa chegou até os ouvidos do Destruction, e Schmier, líder do grupo, decidiu adiar a tour devido exclusivamente a esse feedback. Basta ler o que o músico postou no Twitter para perceber isso: 


Toda essa história marca o começo de um novo capítulo na cena heavy metal aqui no Brasil. O início de uma nova mentalidade, com os fãs percebendo que possuem uma força enorme e que não pode ser ignorada e menosprezada nem pelas bandas, nem pelas gravadoras, nem pela imprensa. Mais uma vez: o mercado mudou, a realidade é outra. Pouquíssimas pessoas ainda compram discos, o mercado editorial perde força a cada dia, os sites e blogs crescem cada vez mais e assumem o lugar que antes era das revistas, a principal fonte de renda das bandas está hoje nos shows. 

Essa postura do público brasileiro merece uma enorme salva de palmas e uma ensurdecedora queima de fogos, pois demonstra não apenas união em torno de um objetivo comum - desmascarar as falcatruas de um cara notoriamente mal intencionado - mas, acima de tudo, a maturidade de um público que está cansado de jogos de interesses e tapinhas nas costas. Só espero que essa postura se mantenha assim em relação a tudo o que envolve e está errado na cena metálica brasileira, e que já cansamos de falar por aqui ;-)

Mastodon e Slayer confirmados em Porto Alegre dia 15/11

sexta-feira, outubro 05, 2012
Como já havíamos adiantado há mais de 40 dias - dia 23 de agosto, para ser exato - o jornal Zero Hora informou que o Mastodon, uma das mais originais e criativas bandas surgidas no heavy metal nos últimos anos, tocará pela primeira vez no Brasil! O grupo abrirá para o Slayer, atração principal.

O show acontecerá em Porto Alegre, dia 15 de novembro. Um dia antes, a capital gaúcha assistirá outro grande show: Kiss.  

O show acontecerá no Pepsi On Stage, localizado bem próximo ao Aeroporto Salgado Filho. Preços e mais informações sobre os ingressos devem ser divulgados hoje.

Pra fechar, só uma coisinha: pra quem adora duvidar da credibilidade da Collectors, essa é mais uma prova que a gente não brinca em serviço, ok? 

4 de out de 2012

A volta do festival Monsters of Rock

quinta-feira, outubro 04, 2012
Corre pelas “mídia especializada” do heavy metal nacional a notícia do site do Meio e Mensagem sobre a empresa de entretenimento XYZ Live ter adquirido os direitos do nome Monsters of Rock e organizar uma nova edição em outubro de 2013. Como não poderia deixar de ser, a cena metálica brasileira recebeu com festa a novidade. Apesar de shows não faltarem por esses lados, o público está carente de festivais especializados no estilo e sempre reclama de não ser atendida plenamente nos eventos de grande porte que rolam no país.

O último festival de grande porte de heavy metal em São Paulo foi o finado Live’n'Louder, de 2006. Depois de uma edição razoavelmente bem sucedida com Scorpions e Nightwish no Canindé um ano antes, a aposta em David Lee Roth como headliner, acompanhado por bandas do porte de Stratovarius, Nevermore, Doro e After Forever, foi um fracasso retumbante de público no Anhembi. Quem lá esteve se lembra dos inúmeros problemas de atrasos e do cancelamento do Saxon às vésperas alegando descumprimento contratual.


Desde então, eventos como o Rock in Rio e o SWU até trazem atrações pesadas, chegando a dedicar dias específicos para bandas do estilo. Não há dúvidas sobre existir um público que consome o heavy metal no Brasil e está faminto por uma festival “só seu”. O problema é o perfil dessa galera, pouco afeita a se misturar com pessoas de gostos diferentes, exigindo um tratamento exclusivo e “diferenciado”.


Essa imensa saudade do Monsters of Rock dos anos 90 não denota apenas a carência, mas também indica como a mentalidade do público parece estar parada naquela mesma década. Não serei eu quem vai dizer que os festivais não foram bons – apresentações históricas estão guardadas com carinho nessa mente. Mas, ao olhar os casts em retrospecto, qual banda se apresentou no festival e decolou depois? Por melhores que fossem, as atrações, via de regra, eram exilados de um estilo decadente em grandes mercados se segurando à popularidade onde ainda havia fãs sedentos.


Não podemos nos esquecer, no entanto, de ser aquela uma época diferente da economia do Brasil, ainda longe de ser uma rota estável de bandas, carente de atrações de alto e pequeno porte. O Monsters of Rock teve um papel essencial de consolidar o potencial desse fã como consumidor e tornar o mercado atrativo para que grupos de tamanhos diversos viessem para cá de forma menos errática.


Em 2012, o cenário é bem diferente. Hoje, há competição ferrenha de shows no país. Como no fim de semana de feriado prolongado da Independência, quatro eventos de bandas de metal ocorreram num mesmo sábado em São Paulo. Há boatos de que Kiss toque no mesmo dia de Slayer, Mastodon e Cavalera Conspiracy. Em suma, não há essa carência por aqui. Assim, um festival nos moldes do finado Monsters of Rock noventista é ultrapassado e inútil.


Via de regra, para garantir a presença de um grande público, um promotor seria obrigado a apostar pelo menos em uma atração de grande porte. A questão é: se ele apenas rechear o pacote do dia com outras bandas, pouco mais gente viria em relação à quantidade de presentes se este medalhão viesse sozinho. Logo, para que aumentar os custos sem ter um retorno condizente?


Hoje qualquer festival, não apenas shows de bandas na sequência, tornou-se uma marca em si próprio, e estar ligado a esse nome é mais atraente ao patrocinador do que se exibir para milhares de pessoas num estádio. Assim, para agregar valor, o evento precisa oferecer algo além de músicos num palco e público assistindo. Como mostram o SWU, o Lollapalooza e o Rock in Rio, os empresários brasileiros já sabem disso; a XYZ Live também, aposto.


Ao meu ver, um festival especializado em música pesada, no Brasil, deveria ser, antes de tudo, uma celebração da diversificação dessa cultura, não apenas heavy metal. Criar passatempos, workshops, palestras, área de diversão, tudo ligado a estilos musicais que transbordem agressividade, mas mostrem essa sua faceta acolhedora e comunitária, de ser avesso a modismos e preconceitos raciais (apesar de algumas exceções desagradáveis), de extrema fidelidade – até a um festival falecido! -, mas capaz de se reciclar e se renovar fora dos holofotes. Por tudo isso, nunca desaparece.


Interessante seria fazer esse novo Monsters of Rock nos moldes do Lollapalooza. Dois ou três grandes nomes inquestionáveis para garantir público, e várias bandas ascendentes ainda aqui desconhecidas (graças à inoperância da mídia especializada, “fanzines de papel nobre”), ou nomes cultuados de expressão menor com pequena ou nenhuma chance de aparecer por esses lados em outra situação, dos mais variados sub-estilos, como hard e classic rock, prog, death, doom, black, punk, hardcore, metalcore, deathcore, post-hardcore e o que mais inventarem. É dar a chance de o público poder ver algo desconhecido e se surpreender.


Infelizmente, o público de metal brasileiro precisa ser educado. Estamos parados há anos e anos, num círculo vicioso entre fãs cabeça-fechada, mídia quase amadora e empresários conservadores. Isso se reflete numa oferta pouco variada de shows e na mínima relevância dos grupos nacionais, sem tanto espaço para se desenvolverem graças a bares recheados de bandas covers. Se essa mentalidade controlar o Monsters of Rock, ele estará fadado ao fracasso.


Se, por outro lado, o Monsters of Rock nadar contra essa maré, terá tudo para, como nos anos 90, significar o início de uma nova era na cena tão defasada da música pesada brasileira. E será muito bem recebido.


(texto escrito por Thiago Martins e publicado no blog Metal Sujo)

Um lugar para falarmos sobre o Led Zeppelin

quinta-feira, outubro 04, 2012
Pessoal, estou com um novo projeto. 

Criei uma página no Facebook total e exclusivamente dedicada ao Led Zeppelin. 

Na Led Zeppelin Brasil - www.facebook.com/ledzepbrasil - vocês encontrarão pequenos textos sobre a banda, itens de memorabília, capas de discos, matérias de revistas e mais uma monte de coisas não só sobre o Led, mas também a respeito da carreiras de Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham.

Já tem bastante material esperando por vocês!

Kiss: crítica de Monster (2012)

quinta-feira, outubro 04, 2012
Monster, vigésimo disco da longa carreira do Kiss, é um álbum surpreendente. Surpreendente porque não traz nada que remeta aos trabalhos recentes do quarteto liderado por Gene Simmons e Paul Stanley. Não há uma produção grandiosa e canções feitas descaradamente sob medida para virarem singles, e nem mesmo o hard festivo executado pelo grupo durante a década de 1980. A história aqui é outra. Em Monster o Kiss embarcou em uma máquina do tempo e fez uma viagem de volta aos anos 1970 - sem escalas, diga-se de passagem. O resultado dessa jornada é um belo álbum de hard rock puro e sem frescuras, como há um bom tempo a banda não gravava e como há tempos os fãs esperavam ouvir.

Produzido por Paul Stanley e Greg Collins, que já havia trabalhado com o grupo no disco anterior, Sonic Boom (2009), Monster surpreende pela agressividade e pela crueza do som. Gene Simmons declarou que o álbum seria uma mistura entre Destroyer (1976), Revenge (1992) e Sonic Boom. Sinceramente, não consigo perceber elementos dos trabalhos da década de 1990 e 2000 aqui. Já em relação a Destroyer, o buraco é mais embaixo.

Gravado com equipamento totalmente analógico, Monster transparece uma autenticidade e uma diversão que contagiam o ouvinte. É um disco de rock básico com tudo que se tem direito, e nada além disso. E é justamente por ser assim que é tão legal. Com canções baseadas em riffs, refrões ganchudos e energia de sobra, Monster mostra um Kiss renovado e com o tanque cheio de um combustível de alta octanagem. 

Um dos responsáveis por esse entusiasmo e dinamismo é o guitarrista Tommy Thayer. O músico por trás do papel que um dia já foi de Ace Frehley brilha em todo o disco, principalmente nos solos - ouça “Wall of Sound” e “The Devil is Me” e comprove. O outro é Paul Stanley. Além da produção, Stanley coloca-se levemente à frente de Gene Simmons em todo o álbum, ditando as regras e assumindo o controle. Das doze faixas, Paul canta cinco, Gene quatro, Tommy uma (“Outta This World”), Eric Singer outra (“All for the Love of Rock & Roll”) e os dois integrantes originais dividem o vocal em “Take Me Down Below”. 

Antes da gravação e durante o processo de composição, Stanley declarou que em Monster a banda teria mais liberdade artística. Isso, ainda que perceptível, é um tanto estranho para uma banda do tamanho e com o status do Kiss. Afinal, se eles não possuem liberdade artística, quem possuirá? Nas entrelinhas, porém, a leitura é outra. O sucesso de Sonic Boom, que já apresentava um som mais simples e uma produção menos grandiosa que a habitual, fez Gene perceber que o caminho proposto por Stanley estava correto. Essa “liberdade artística” citada por Paul pode ser interpretada como uma cobrança menor de Gene por resultados, deixando Stanley trabalhar na boa. E como toda pessoa mais entendida na história do Kiss sabe, o direcionamento artístico da banda sempre veio, em grande parte, da visão de Paul, enquanto Gene fazia o seu papel com maestria na outra ponta, construindo uma das marcas mais conhecidas do rock e erguendo um dos maiores impérios da indústria musical.

Monster é bastante homogêneo e nivelado por cima, mas algumas canções se destacam um pouco mais do que as outras. É o caso de “Hell or Hallelujah”, “Wall of Sound”, “Back to the Stone Age”, “Shout Mercy” e “Last Chance”. Merece menção também a incrível semelhança entre “Long Way Down” e a clássica “Shapes of Things” na versão gravada pelo Jeff Beck Group em seu álbum de estreia, Truth (1968). Se é uma homenagem ou uma inspiração, não se sabe, mas o resultado ficou legal.

Concluindo, o Kiss mostra em Monster que ainda é relevante. Polindo os excessos e focando em uma sonoridade mais crua e direta, o quarteto mascarado gravou um disco bastante agradável e que cairá no gosto não apenas dos fãs. Como diriam os Stones: it’s only rock and roll, but I like it!

Nota: 8



Faixas:
  1. Hell or Hallelujah
  2. Wall of Sound
  3. Freak
  4. Back to the Stone Age
  5. Shout Mercy
  6. Long Way Down
  7. Eat Your Heart Out
  8. The Devil is Me
  9. Outta This World
  10. All for the Love of Rock & Roll
  11. Take Me Down Below
  12. Last Chance

Assista ao lyric video de “Dark Money”, single solo de Geoff Tate

quinta-feira, outubro 04, 2012
Após o furacão de acusações e todo o rolo que envolveu o Queensrÿche nos últimos meses, a coisa parece ter assentado. Enquanto a banda segue com uma nova formação, o antigo líder e vocalista Geoff Tate também mostra o que está preparando para os fãs.

“Dark Money”, primeiro single do seu disco solo, tem uma pegada distante do heavy metal e bem próxima do classic rock. A faixa faz parte do álbum Kings & Thieves, segundo trabalho solo de Tate - o primeiro, batizado apenas com o seu nome, saiu em 2002 -, cuja data de lançamento está marcada para o dia 6 de novembro.

E aí, curtiu?

Albert King, Deep Purple, Rush, Kraftwerk, The Meters e mais 10 artistas são indicados para o Rock and Roll Hall of Fame

quinta-feira, outubro 04, 2012
Albert King,Deep Purple, Rush, Kraftwerk, The Meters e mais 10 artistas são indicados para o Rock and Roll Hall of Fame

O Rock and Roll Hall of Fame divulgou a lista com os 15 finalistas que concorrem à indução no clube na edição de 2013 do evento. O processo funcionará de maneira diferente neste ano, já que a votação estará aberta também para o público, além dos artistas, historiadores e membros da indústria musical. 

Até o dia 5 de dezembro é possível votar nos artistas que você quer que estejam no RARHOF através do site da Rolling Stone. Os cinco mais votados farão parte da classe de 2013. O resultado será divulgado durante o mês de dezembro.

Os 15 artistas que estão concorrendo são os seguintes:

Albert King
Chic
Deep Purple
Donna Summer
Heart
Joan Jett & The Blackhearts
Kraftwerk
The Marvelettes
The Meters
N.W.A.
Paul Butterfield Blues Band
Procol Harum
Public Enemy
Randy Newman
Rush

3 de out de 2012

O conto do vigário do metáu nassionau

quarta-feira, outubro 03, 2012
Era uma vez um país tropical localizado na América do Sul. Estamos em meados da década de 1980, e Monte Pascoal, o tal país latino-americano, arrasta-se em um longo processo de abertura política, saindo de décadas sob o comando de uma ditadura militar que fechou suas portas para o mundo. Nesse cenário onde tudo era muito diferente do que é hoje em dia, é anunciado um grande festival de música. Pela primeira vez, a juventude de Monte Pascoal teve a oportunidade de assistir grandes shows de bandas como Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Whitesnake, AC/DC e inúmeros outros. E o estrago estava feito.

O festival citado pode ser considerado o marco zero para o crescimento e divulgação do heavy metal nesse pitoresco país tropical. Nesse cenário, onde revistas sobre música eram raríssimas, um empresário do principal estado da federação tem a ideia de lançar uma publicação mensal dedicada exclusivamente ao som pesado. Criativamente, batiza o seu novo empreendimento com o nome de Brigada do Rock, junta alguns amigos e começa a escrever sobre heavy metal (primordialmente) e hard rock (em menor quantidade). 

Era uma época mais ingênua, e os textos da Brigada do Rock refletiam esse momento, com o uso de uma linguagem repleta de preconceito com qualquer som que não fosse, na opinião da revista, o mínimo pesado e “verdadeiro” como eles acreditavam que deveria ser. Tais textos, lidos hoje em dia, parecem obras de crianças de quarta-série, mas naquela época serviram de doutrina para a juventude que curtia som pesado em Monte Pascoal.

A revista de Artur Pereira, o nome verdadeiro do dono da Brigada do Rock, cresceu rapidamente e se estabeleceu não apenas como uma das principais publicações musicais de Monte Pascoal, mas também como uma das mais respeitadas revistas da América do Sul. E aí começaram os problemas. 

Motivados por esse sucesso, os caras resolveram criar um selo para lançar os discos dos grupos estrangeiros naquelas terras quentes. Batizada como Brigada do Rock Gravações, a gravadora começou a colocar nas lojas álbuns que antes só estavam disponíveis em caríssimas edições importadas. E, para promover esses discos, os redatores da Brigada do Rock foram orientados a sempre falar bem desses lançamentos. No início ninguém deu muita bola para isso, mas logo os leitores começaram a se questionar e a reclamar da incômoda e repetida característica. Os textos publicados na Brigada do Rock sempre davam, no mínimo, uma nota 8 para qualquer lançamento da Brigada do Rock Gravações, fosse ele bom, mediano ou péssimo. E, apesar de a qualidade de ensino não ser reconhecidamente das melhores em Monte Pascoal, os leitores da revista estavam longe de ser burros e começaram questionar essa postura. Artur Pereira e seus funcionários simplesmente ignoraram a reação negativa, e seguiram em frente como se tal postura fosse a coisa mais natural do mundo.

Com os negócios indo de vento em popa, Arturzinho, como era conhecido na cena, teve mais uma ideia. Um dia, caminhando pelas ruas de Paulo Santo, a maior cidade de Monte Pascoal e onde a Brigada do Rock tinha a sua sede, passou em frente a uma escola de música e ouviu um som interessante vindo lá de dentro. Entrou e ficou surpreso com um garoto cabeludo com o mesmo nome de um personagem coadjuvante em uma popular série mexicana que passava todos os dias no segundo canal mais assistido do país, dono de uma técnica impressionante na guitarra. O tal garoto queria ser estrela do rock, e Arturzinho viu no menino a oportunidade de ter a sua própria banda. Assim, foi atrás de outros jovens como ele e, após encontrar cinco adolescentes com as mesmas aspirações, colocou-os em uma sala e começou a falar. O discurso de Arturzinho foi claro: a banda que nascia ali teria o apoio total e irrestrito da Brigada do Rock e faria o som que estava na moda na época, batizado no exterior como power metal mas que em Monte Pascoal, para ajudar na divulgação do estilo, a Brigada do Rock iria chamar de metal melódico. Em suas claras instruções, Arturzinho deixou claro que os pirralhos não precisavam ser amigos, apenas tocar juntos e fazer shows. Ele já sabia que o garoto com nome de coadjuvante mexicano tinha um ego do tamanho do mundo e queria ser tudo, menos coadjuvante.

Batizada com o nome de uma usina nuclear localizada no estado de Rio do Começo do Ano, a banda rapidamente caiu no gosto dos fãs de metal de Monte Pascoal, amparada pela forte divulgação da Brigada do Rock. Mas, é claro, como já havia ficado claro para Arturzinho desde o começo, o ego de seu guitarrista com nome de coadjuvante de seriado mexicano causou uma implosão, com a banda indo para os ares. Rapidamente a situação foi remediada, trazendo um prodígio para a bateria, um novo baixista e um cantor conhecido por falar pelos cotovelos. Com a nova formação, a banda com nome de usina pareceu entrar nos eixos novamente, e gravou alguns de seus melhores discos. Mas daí o ego do guitarrista encontrou um concorrente no do baterista, que se retirou para o seu próprio grupo, chamado Abrigo. Um pouco mais tarde, o falante cantor deu com a língua nos dentes algumas vezes, foi protagonista de uma das piores performances vocais da última edição do festival que deu origem a toda essa cena, e foi mandado embora do conjunto.

No meio desse furacão, a popularidade da Brigada do Rock despencou. Procurando alternativas para colocar a revista novamente no topo, Arturzinho e seus novos companheiros - novos, já que os antigos foram um a um se retirando da publicação, insatisfeitos com os rumos dados por Pereira para a revista - decidiram tornar a linha editorial da Brigada do Rock mais abrangente, cobrindo também o rock alternativo e toda uma nova cena de bandas que vinha da chuvosa cidade norte-americana de Seattle. É claro que essa decisão não agradou os leitores da revista, que foram criados por anos de textos radicais sobre música, que pregavam que nada era melhor ou superior ao glorioso e mágico heavy metal. Assim, lentamente e de maneira decadente, a Brigada do Rock foi se reduzindo e hoje é pouco mais do que um mero site e uma revista “mensal” que sai, no máximo, duas vezes por ano. E o seu braço fonográfico, a Brigada do Rock Gravações, caiu em desgraça pelas constantes forçadas de barra que promoviam bandas ruins como sendo a última bolacha recheada do pacote.

Nesse meio tempo, outro empresário de Paulo Santo sentiu que havia uma oportunidade no mercado. Conhecido como Vicentinho, criou uma nova revista e a chamou de Assistentes de Palco. Com uma linha editorial que privilegiava os nomes clássicos e que apresentavam um som “correto” - ou seja, tradicional e pouco avesso a inovações -, a Assistentes de Palco logo cresceu e tomou o mercado que era da Brigada do Rock, estabelecendo-se como a principal publicação dedicada ao hard rock e ao heavy metal em Monte Pascoal.

Sem concorrência e achando que a batalha estava ganha, a Assistentes de Palco se acomodou e começou a decair. Em um caso que ficou conhecido em todo o país, seu principal redator e seu editor-chefe trocaram farpas em público. Após perder o seu melhor colaborador, a Assistentes de Palco se viu em um mato sem cachorro e, tentando suprir a enorme falta na equipe, chamou alguns fãs que conheciam muito sobre o trabalho de seus grupos do coração mas pouco sobre o que era jornalismo, para fazerem parte de seu cast.

O resultado era previsível para qualquer um, apesar da, mais uma vez, reconhecidamente baixa competência da educação de Monte Pascoal. Os textos caíram de qualidade, e o nível de exigência da Assistentes de Palco tombou assustadoramente. Avaliados por fãs apaixonados e não com o distanciamento recomendável a um jornalista sério, a seção de reviews da revista começou a distribuir notas 8 e 9 a dar com pau, chegando a tal discrepância que, em algumas edições, 90% dos discos lançados naquele mês eram considerados clássicos. Alguns textos acabaram se tornando exercícios involuntários de redação, listando o maior número possível de elogios em um espaço limitado.

Aliado a tudo isso e supridos por uma efervescente oferta de novas opções espalhadas pela web, os fãs de música pesada de Monte Pascoal começaram a comprar cada vez menos revistas, desiludidos com o baixo nível que tanto a Assistentes de Palco quanto a Brigada do Rock haviam chegado. Embarcando sem medo nessa van, a maioria trocou as “notícias” e “reviews” pra lá de suspeitos das revistas pelos comentários rápidos e certeiros dos sites.

No meio disso tudo, tentando trazer de volta a magia dos festivais que haviam servido de base para toda aquela cena, dois “empresários” promoveram, em um distante estado de Monte Pascoal, um evento chamado MOA - Mais Ouvintes Atraiçoados, onde anunciaram 40 bandas e apenas 10 tocaram. Não fosse isso o bastante, uma das principais gravadoras dedicadas ao heavy metal no tal país tropical foi pega falsificando e fazendo cópias piratas dos discos que deveria vender de maneira oficial e correta em nosso país.

Passados quase trinta anos, o heavy metal continua sendo um dos gêneros musicais mais populares de Monte Pascoal. Milhões de fãs apaixonados pelo estilo povoam as ruas das principais cidades do país, promovendo na base do boca a boca o estilo. E, por mais que Arturzinhos, Vicentinhos e outros tentem fazer as coisas do seu jeito e se comportem como coronéis do século XIX enviando jagunços para ameaçar e subjugar quem denuncia as suas “estratégias mercadológicas”, o amor dos monte pascualinos pelo heavy metal é maior do que todas as suas picaretagens e trambiques, juntos.

Fim.

* Este conto é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, fatos ou pessoas é apenas coincidência. Portanto, ninguém deve se sentir ofendido pelas tramas que a criativa mente do escritor fez surgir pelo caminho. *

Led Zeppelin na capa da nova RockHard italiana

quarta-feira, outubro 03, 2012
O lançamento de Celebration Day, filme, DVD, CD e LP com o show realizado pelo lendário Led Zeppelin em Londres em 2007, levou a banda à capa da nova edição da RockHard italiana. A revista dedicou um especial de 12 páginas para o grupo de Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham.

A edição de outubro da RockHard tem também matérias com Pantera, Kamelot, Cradle of Filth e outros, e pode ser adquirida neste link.

Ouça “Long Way Down”, música inédita do Kiss

quarta-feira, outubro 03, 2012
O Kiss acaba de divulgar mais uma música inédita que estará em seu novo disco, Monster, com lançamento marcado para o próximo dia 9 de outubro na América do Norte.

“Long Way Down” é um hard rock pesado, com bons riffs, refrão grudento e uma agressividade um tanto quanto surpreendente. Os vocais principais são de Paul Stanley.

Ouça abaixo:

2 de out de 2012

Box com 3 CDs abrange toda a carreira do Creedence

terça-feira, outubro 02, 2012
O Creedence Clearwater Revival teve uma das carreiras mais impressionantes do rock. Explico: sabe essas músicas que você e todo mundo conhecem de cor e salteado, por osmosoe, desde sempre? Todas elas foram gravadas em meros 5 anos e em apenas sete discos, com uma velocidade e uma produtividade imagináveis no atual mundo da música. E, mais impressionante ainda, a imensa maioria foi composta por apenas um cara, o genial John Fogerty, que era também o vocalista e guitarrista solo do grupo. Ou seja, o Creedence é John Fogerty.

A trajetória do quarteto caipira natural da cidade californiana de El Cerrito está ganhando mais um box set. Intitulado Ultimate Creedence Clearwater Revival: Greatest Hits & All-Time Classics, a caixa conta com 3 CDs e será lançada no dia 6 de novembro. Os dois primeiros discos trazem 40 faixas retiradas dos álbuns do grupo, enquanto o terceiro contém gravações ao vivo realizadas em Oakland, San Francisco, Londres, Estocolmo, Amsterdã, Hamburgo e Berlin entre 1970 e 1971. Ainda não está confirmado, já que a gravadora não revelou maiores detalhes oficialmente, mas essas versões ao vivo são provavelmente as mesmas que estão nos dois álbuns ao vivo lançados pela banda, Live in Europe (1973) e The Concert (1980) - o primeiro foi gravado em 1971 e o segundo em 1970.

Confira abaixo o tracklist completo de Ultimate Creedence Clearwater Revival: Greatest Hits & All-Time Classics:

CD 1
  1. Proud Mary
  2. Born on the Bayou
  3. Bad Moon Rising
  4. Good Golly Miss Molly
  5. Up Around the Bend
  6. Suzie Q
  7. Fortunate Son
  8. The Midnight Special
  9. Who’ll Stop the Rain
  10. Run Through the Jungle
  11. Hey Tonight
  12. Wrote a Song for Everyone
  13. Sweet Hitch-Hiker
  14. Before You Accuse Me
  15. Commotion
  16. My Baby Left Me
  17. Bootleg
  18. Pagan Baby
  19. (Wish I Could) Hideaway
  20. Cotton Fields

CD 2
  1. Travelin’ Band
  2. Don’t Look Now (It Ain’t You or Me)
  3. Down on the Corner
  4. It Came Out of the Sky
  5. Lookin’ Out My Back Door
  6. Born to Move
  7. Green River
  8. I Put a Spell on You
  9. Have You Ever Seen the Rain?
  10. Molina
  11. Long As I Can See the Light
  12. Hello Mary Lou
  13. Tombstone Shadow
  14. Lodi
  15. Walk on the Water
  16. The Night Time is the Right Time
  17. Someday Never Comes
  18. Porterville
  19. Lookin’ for a Reason
  20. I Heard It Through the Grapevine

CD 3: Live
  1. Travelin’ Band
  2. Proud Mary
  3. Born on the Bayou
  4. Bad Moon Rising
  5. Fortunate Son
  6. Hey Tonight
  7. Up Around the Bend
  8. Lodi
  9. Down on the Corner
  10. Who’ll Stop the Rain
  11. Suzie Q

Dois relançamentos trazem o The Who capturado ao vivo durante os anos 1970

terça-feira, outubro 02, 2012
O The Who sempre teve a fama de ser uma das melhores e mais selvagens bandas de rock ao vivo. Dois relançamentos chegarão às lojas nas próximas semanas comprovando esse status.

Live at Hull será lançado dia 6 de novembro e traz o show completo realizado pelo quarteto no Kingston Upon Hull em 14 de fevereiro de 1970. Considerado pela própria banda como uma de suas melhores performances, Live at Hull foi gravado durante a turnê do clássico Tommy. Porém, problemas técnicos no baixo do finado John Entwistle no começo do concerto (mais precisamente nas faixas “Heaven and Hell” e “Substitute”) fizeram que a banda tomasse a decisão de manter o show inédito até hoje. No lugar de Live at Hull, o The Who decidiu lançar a apresentação que fizeram na noite seguinte, que ganhou o título de Live at Leeds e a fama de ser um dos melhores registros ao vivo da história do rock. 

As faixas onde o baixo de Entwistle teve problemas receberam overdubs com as linhas de baixo presentes em Live at Leeds. Com um tracklist idêntico ao de Leeds - a excessão é a retirada de “Magic Bus” do set -, Live at Hull será finalmente disponibilizado em CD duplo.

Cinco anos depois de tudo isso, o Who se apresentou no The Summit, em Houston, no Texas, em 20 de novembro de 1975, durante a turnê do álbum The Who by Numbers. Este show será lançado dia 9 de outubro em DVD com o título Live in Texas ’75. O som e o vídeo receberam tratamento e estão como novos, para alegria dos fãs.

Confira abaixo os tracklists completos de Live at Hull e Live in Texas ’75:

Live at Hull
Disc 1
  1. Heaven and Hell
  2. I Can’t Explain
  3. Fortune Teller
  4. Tattoo
  5. Young Man Blues
  6. Substitute
  7. Happy Jack
  8. I’m a Boy
  9. A Quick One, While He’s Away
  10. Summertime Blues
  11. Shakin’ All Over
  12. My Generation
Disc 2: Tommy
  1. Overture
  2. It’s a Boy
  3. 1921
  4. Amazing Journey
  5. Sparks
  6. Eyesight to the Blind
  7. Christmas
  8. The Acid Queen
  9. Pinball Wizard
  10. Do You Think It’s Alright?
  11. Fiddle About
  12. Tommy, Can You Hear Me?
  13. There’s a Doctor
  14. Go to the Mirror!
  15. Smash the Mirror
  16. Miracle Cure
  17. Sally Simpson
  18. I’m Free
  19. Tommy’s Holiday Camp
  20. We’re Not Gonna Take It

Live in Texas ’75

  1. Substitute
  2. I Can’t Explain
  3. Squeeze Box
  4. Baba O’Riley
  5. Boris the Spider
  6. Drowned
  7. However Much I Booze
  8. Dreaming from the Waist
  9. Behind Blue Eyes
  10. Amazing Journey
  11. Sparks
  12. Acid Queen
  13. Fiddle About
  14. Pinball Wizard
  15. I’m Free
  16. Tommy’s Holiday Camp
  17. We’re Not Going To Take It/See Me, Feel Me/Listening to You
  18. Summertime Blues
  19. My Generation
  20. Join Together
  21. Naked Eye
  22. Roadrunner
  23. Won’t Get Fooled Again
  24. Magic Bus
  25. My Generation Blues

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