23 de mar de 2013

26 Bandas para o Matias: E de Eric Clapton

sábado, março 23, 2013
Admito: meu contato com Eric Clapton na adolescência foi apenas superficial. Minha vida estava tomada de heavy metal e não havia espaço para (quase) mais nada. Conhecia algumas músicas, é claro, principalmente por causa da coletânea The Cream of Eric Clapton. de 1987. E foi isso.

A coisa começou a mudar quando deixei a minha cidade natal e fui morar fora, em Passo Fundo (RS), para fazer faculdade. Era 1996, e, como sempre fazia e continuo fazendo, uma das primeiras atitudes que tomo ao chegar em uma nova cidade é logo identificar qual é a melhor loja de discos daquele lugar e intantaneamente virar cliente e frequentador assíduo. Encontrei a tal loja, e ela se chamava CD Holmes. Lá, rapidamente fiz amizade com três vendedores: o Beto, o Morto e o Jerônimo. Batia ponto quase todos os dias, trocando figurinhas e aprendendo com aquele trio, que tinha muito mais conhecimento do que eu e me mostrava outro universo dentro do rock.


Foi lá que, de tanto o Beto falar do Clapton, comecei a me interessar pela sua carreira mais a fundo. A porta de entrada foi o primeiro álbum solo de Eric, batizado apenas com o seu nome e lançado em 1970. Que disco, minha gente, que disco! Canções como “Bad Boy”, “Lonesome and a Long Way From Home”, “Easy Now”, “Bottle of Red Wine”, “Let It Rain” e a instrumental “Slunky”, que abria o disco - isso sem falar nas já conhecidas “After Midnight” e “Blues Power” - me mostraram que, como eu já desconfiava, Clapton era muito mais que “Tears in Heaven”.

Sob a batuta de meu sábio trio de amigos, fui atrás de mais discos. Uma edição especial do espetacular ao vivo Rainbow Concert foi o próximo, e aquilo beirava o divino - como toda a obra de Clapton gravada durante a década de 1960 e a primeira metade dos 1970, como descobriria depois. Ao lado de brothers como Steve Winwood e Pete Townshend, Eric saía da reclusão causada pelo vício em heroína e mostrava que ainda era deus. O primeiro e único LP do Blind Faith também não deixava para menos, com um som cristalino e a voz celestial de Winwood, tão transcedental quanto os solos de Clapton. Os discos do Cream também era matadores, com a união perfeita com Jack Bruce e Ginger Baker fazendo nascer o hard rock e, consequentemente, o heavy metal.


E então veio a prova definitiva, que me fez entender, definitivamente, o porque de Eric Clapton ser considerado um dos maiores músicos da história. Estou falando, é claro, de Layla and Other Assorted Love Songs, a declaração de amor em forma de música gravada em 1970 para Pattie Boyd, esposa de seu melhor amigo desde sempre, George Harrison. Se alguém algum dia teve dúvida do quão único Eric Clapton é como guitarrista, ou se ainda não descobriu isso, esse é o disco que mudará essa opinião. Um disco que muda vidas. Acompanhado por Duane Allman, Clapton sapateia, esmerilha, toca com a alma, em canções doídas e repletas de sentimento, da dor de um amor aparentemente impossível. Todas as quatorze faixas são excelentes, mas mesmo entre elas há momentos de brilho ainda mais intenso, como “Bell Bottom Blues”, “Keep On Growing”, “I Am Yours”, “Key to the Highway”, “Have You Ever Loved a Woman”, “Layla”, “Why Does Love Got to Be So Sad?” e a versão para “Little Wing” em homenagem ao então recentemente falecido Jimi Hendrix. O melhor disco da vida de Clapton, e um dos mais desesperados e profundos gritos de desespero e dor colocado em sulcos por qualquer músico, de qualquer gênero, em qualquer época.

O Beto e o Jerônimo tinham uma banda. O Morto, ainda não. A gente costumava se reunir às noites em uma casa que eles tinham alugado de forma coletiva em um bairro afastado, e que batizaram de La Cantarera. Lá, um dia, lendo uma edição dos Freak Brothers enquanto a banda, batizada como Malvados Azuis, ensaiava, duvidei que eles tocassem “Why Does Love Got to Be So Sad?”. Era muito solo para aqueles guitarristas, pensei, mas estava enganado. A dupla das seis cordas, formada pelo Maurício e pelo Mandioca, encarou a bronca e detonou, me deixando de queixo caído.

Terminei a faculdade, me mudei para Santa Catarina, e a vida também mudou para todos nessa história. O Beto e o Jerônimo chamaram mais alguns amigos e montaram o Cachorro Grande, hoje uma das mais respeitadas bandas de rock do Brasil - já sem o Jerônimo, que deixou o grupo. O Morto, cujo nome verdadeiro é Maurício Rigotto, escreveu por um tempo aqui para a Collectors, e hoje tem uma banda e produz várias coisas lá em Passo Fundo. O Maurício também montou uma banda e segue fazendo o seu som, cada vez melhor - procure pelos Chaise Brothers e comprove.


Hoje, para mim, Eric Clapton ocupa um lugar no topo, bem lá em cima, onde não tem espaço pra quase ninguém. Gênio inquestionável, é um dos meus músicos preferidos de todos os tempos. Influenciou gerações, mudou o modo como a guitarra passou a ser tocada, e isso antes mesmo de Hendrix. Vá atrás de sua história - tô sem saco de explicar tudo de novo mais uma vez - e descubra o que eu estou falando.

O Matias aos poucos vai conhecendo o universo de Clapton. Mexendo em nossos discos, parou no Derek and the Dominos e me disse que achava a capa bonita. Outro dia, me surpreendeu pegando o Me and Mr Johnson, disco de 2004 em que Eric interpreta a obra de Robert Johnson, e pediu para ouvir. Ficou quietinho, prestando atenção. Escutou umas duas ou três músicas, e quando perguntei o que tinha achado, respondeu que “era meio devagar”. “Mas então é ruim, filho?”, perguntei. “Não, é devagar, mas é bom”, foi a resposta. Me enchi de orgulho.

Eric Patrick Clapton, do alto de seus quase 70 anos, é uma das divindades que ainda vivem entre nós. Sua obra é única e sem igual. Seu talento é singular e impressionante. Sua vida, uma história que dá muitos livros excelentes - e vários deles já foram lançados e estão à venda nas livrarias. 


Eric Clapton continua sendo um deus. E isso basta.

Por Ricardo Seelig

Novo álbum solo de Bruce Dickinson a caminho

sábado, março 23, 2013
Pelo menos é o que garante garante o vocalista Henning Basse, ex-Metalium. Em entrevista para o Metal Meltdown, o cantor falou sobre vários assuntos, incluindo um teste que fez para assumir o posto de frontman do Savatage. Mas o que mais chamou a atenção foi o relato de Basse sobre o encontro que teve com Bruce Dickinson enquanto estava em Los Angeles em turnê com Uli Jon Roth, ex-guitarrista do Scorpions. 

As palavras de Henning Basse foram as seguintes: "Uli me chamou e disse que poderia haver uma chance de Bruce subir ao palco conosco em algumas músicas. A ideia era tocar 'Mistreated' e 'Black Night' com ele nos vocais principais, e talvez até mesmo 'Run to the Hills', conforme as coisas rolassem. Mas Bruce não pode vir ao show porque havia passado o dia todo trabalhando com Roy Z em seu novo disco solo, e isso fez com que ele resolvesse não cantar conosco naquela noite. No outro dia, acordei e ouvi um sotaque britânico muito forte na parte de trás do ônibus, e quando vi era ele que estava ali com a gente. Bruce é realmente um cavalheiro, um cara muito gente boa".

O último álbum solo de Bruce Dickinson foi Tyranny of Souls, lançado em 2005. Esse também foi o único disco solo do vocalista desde que retornou ao Iron Maiden, em fevereiro de 1999. Vale lembrar que Adrian Smith e Steve Harris lançaram projetos em 2012 - Primal Rock Rebellion e British Lion, respectivamente -, o que só reforça a ideia de que Bruce também teria tempo para se dedicar a um trabalho só seu. Outro ponto interessante da entrevista de Basse é a confirmação do envolvimento de Roy Z, guitarrista, produtor e braço direito do vocalista do Maiden em sua carreira solo. 

Tomara que essas gravações que Bruce está fazendo em Los Angeles venham ao mundo, já que a sua discografia solo é excelente e explora um lado mais moderno do heavy metal, ao contrário do Iron Maiden, que tem se embrenhado cada vez mais em suas influências progressivas - com ótimos resultados, diga-se de passagem, vide o excelente The Final Frontier (2010).

Mais informações em breve.

Por Ricardo Seelig
Com informações do Brave Words & Bloody Knuckles

Clutch: crítica de Earth Rocker (2013)

sábado, março 23, 2013
Originário de Maryland, o Clutch está na ativa desde 1990, e nesse meio tempo partiu da sonoridade mais hardcore e desenvolveu um estilo bem próprio, misturando heavy metal com blues, southern e funk, que garantiu a sua música uma série de participações em rádios e programas televisivos nos Estados Unidos.

Em 2013 eles chegam ao seu décimo álbum de estúdio, Earth Rocker, lançado em 15 de março pelo seu próprio selo, Weathermaker Music, e resgatam a sua parceria com o produtor Machine, fato que não ocorria desde Blast Tyrant, de 2004.

A despojada faixa título abre Earth Rocker com um rock’n roll dos mais básicos, construído sobre um grudento riff que basicamente apresenta em poucos minutos o direcionamento empoeirado e antiquado do restante do álbum (vejam bem, isso não é uma ofensa). "Crucial Velocity" traz um hard bem blueseiro, típico daqueles palcos apertados no canto de bares esfumaçados, enquanto a curta e direta "Mr. Freedom" se baseia naquele andamento grooveado do southern rock. E por falar nisso, a gaita, elemento importantíssimo no som do Clutch, aparece como personagem principal na dançante "D.C. Sound Attack!", um destaque imediato graças à união entre metal e blues (de forma efetiva, bom ressaltar), que também está, de forma mais tímida, na hard acelerado de "Unto the Breach", que parece saída de algum lugar entre as décadas de setenta e oitenta.

Lembram-se da sensação de estar em um bar dos mais sujos e escuros, em algum canto árido e esquecido dos Estados Unidos, com uma banda tocando em um dos cantos? "Gone Cold" transporta facilmente para esse ambiente com o seu andamento semi-embriagado, um espírito que se mantém na cadenciada "The Face", uma versão sulista da primeira fase do Black Sabbath. Enquanto isso, encaixadas de forma eficiente nesse momento do disco, "Book, Saddle and Go" e "Cyborg Bette" apresentam simplicidade quase exagerada e remetem diretamente aos primeiros álbuns dos americanos, bem diferente da arrastada e hipnótica "Oh, Isabella". Em mais uma ótima amostra da sua música bem característica, "The Wolf Man Kindly Requests..." encerra o trabalho com a mescla de heavy metal com blues e toques chapados de groove e southern, exaltando ainda mais a sonoridade bem suja que eles aparentemente buscaram nesse álbum.

E esse direcionamento se mostrou muito bem encaixado na fórmula do Clutch, o que, se não torna Earth Rocker um disco genial ou divisor de águas, mostra uma banda aprimorando a sua própria identidade, mesmo depois de uma longa carreira (e sim, seguindo as tendências musicais do cenário atual), resultando em faixas equilibradas, bem compostas, que soam bem relaxadas, simplesmente observando o mundo girar e satisfeitas com si próprias. Ou seja, um excelente álbum para simplesmente botar pra rodar e ouvir despretensiosamente.

Nota 8,5

1. Earth Rocker
2. Crucial Velocity
3. Mr. Freedom
4. D.C. Sound Attack!
5. Unto The Breach
6. Gone Cold
7. The Face
8. Book, Saddle, and Go
9. Cyborg Bette
10. Oh, Isabella
11. The Wolf Man Kindly Requests...

Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

Rock in Rio anuncia David Ghetta e outras atrações eletrônicas

sábado, março 23, 2013
O DJ francês David Ghetta foi confirmado ontem na edição 2013 do Rock in Rio. Ele se apresentará no festival no dia 13 de setembro, abrindo os trabalhos no Palco Mundo, que nesta data terá como headliner a cantora norte-americana Beyoncé.

Em comunicado oficial, a organização do Rock in Rio também anunciou as atrações da Tenda Eletrônica do evento, que entrará em atividade às 22h30min de todos os dias. Tocarão no espaço Sweet Beats, Ask 2 Quit Live, Life is a Loop e Otto Knows no dia 13 de setembro; Paula Chalup, Mau Mau e Anderson Noise no dia 14; Triple Crown, Renato Ratier, dOp e DJ Harvey no dia 15; DJ Ride, Gaslamp Killer, Brodinski e Gesaffelstein no dia 19; Ferris, Rodrigo Vieira Dexters e Paul Oakenfold no dia 20; Flow & Zeo, Guti, DJ Vibe e Loco Dice no dia 21; e Boteco Electro, Maximum Headrum (excelente novo projeto de Derrick Green, vocalista do Sepultura), DJ Marky e Felguk no dia 22.

Por Ricardo Seelig

22 de mar de 2013

The Strokes: crítica de Comedown Machine (2013)

sexta-feira, março 22, 2013
Há um ranço generalizado em relação ao Strokes. Não sei de onde vem isso. Talvez do hype exagerado causado por Is This It (2001), um bom disco alçado ao status de clássico de uma geração e um dos muitos “salvadores” de um rock que nunca precisou ser salvo. Pode ser. Ou essa má vontade pode ter nascido da postura assumidamente blasé dos caras, seguros de si e pouco se lixando para o que pensam, escrevem ou falam sobre eles. Não sei.

O que sei é que todo esse antagonismo da crítica em relação à banda prejudica profundamente e compromete a avaliação de qualquer disco lançado pelo grupo. Principalmente aqui no Brasil, mas também em grandes veículos mundo afora, não há isenção ao analisar a música do Strokes, como se tudo o que a banda representa fosse mais importante e devesse ser derrubado sem dó, não importando se o que o grupo produziu é bom ou ruim.

Comedown Machine, quinto disco do quinteto, chega às lojas na próxima terça-feira, dia 26 de março. Ele é o sucessor de Angles (2011), trabalho que dividiu opiniões. O álbum marca também o fim do contrato da banda com a RCA, cuja logo ocupa grande destaque na bonita capa.

O que temos em Comedown Machine é um aprofundamento na sonoridade oitentista já prenunciada em Angles. O synth-pop e o new romantic daquela década dão o tom em diversas faixas, mostrando influências de nomes como New Order, OMD, Go West e Echo and The Bunnymen. Essa nova característica, no entanto, convive lado a lado com composições onde a banda soa de maneira muito similar ao início de sua carreira, com as guitarras sendo os personagens principais. O tracklist evidencia essa dicotomia, alternando esses dois caminhos. A grosso modo, as faixas ímpares mostram o Strokes atual e apontam para o futuro, enquanto as pares olham para o passado tentando retomar a vivacidade de uma época que já passou.

O resultado dessa luta por uma nova identidade musical faz de Comedown Machine um dos trabalhos mais completos da carreira do Strokes. Surpreendentemente maduro, o disco mostra a banda acertando na maioria das suas experimentações. A abertura com “Tap Out” chega a lembrar, em um nível quase subconsciente, Michael Jackson. O primeiro single, a grudenta “One Way Trigger”, rebaixada a um pseudo tecnobrega e alvo de comparações com a horrenda Gaby Amarantos por parte da apressada crítica brasileira, mostra na verdade uma enorme influência dos noruegueses do A-ha. “Welcome to Japan” revela que os músicos são fãs do David Bowie do início da década de 1980, de álbuns como Let’s Dance (1983). A contemplativa “80’s Comedown Machine” é uma das mais belas canções já gravadas pelo grupo, com uma melancolia e um saudosismo que deixam claros, para quem ainda tinha dúvidas, a adoração de Julian Casablancas e companhia pela década mencionada em seu título.

Do outro lado da moeda, músicas como “All the Line”, “50/50” e “Partners in Crime” colocam os guitarristas Nick Valensi e Albert Hammond Jr. no topo da cadeia alimentar do universo particular do Strokes, trocando acordes em agressões mútuas. É a banda mostrando que continua sabendo fazer o tipo de som que a consagrou.

O pop de “Happy Ending” talvez seja o momento onde esses dois lados, a princípio antagônicos, se encontram com mais harmonia. Com uma batida oitentista, a faixa traz guitarras que emulam o trabalho que deveria ser feito por sintetizadores (se eles tivessem um tecladista), porém soando como guitarras. Uma grande faixa, que chegou para fazer parte de qualquer retrospectiva futura sobre a banda.

“Call It Fate, Call It Karma” encerra o disco como uma espécie de bossa nova lounge relaxante, e que deve colocar mais um ponto de interrogação na cabeça de quem deseja uma banda dando voltas eternas ao redor do próprio rabo.

Comedown Machine é um dos álbuns mais consistentes da carreira do Strokes. Muito superior a Angles, mostra o grupo mergulhando fundo na década de 1980 e encontrando uma nova sonoridade que parece ser definitiva. Sereno e agradável, revela uma banda segura de si e sem medo de experimentar, qualidades sempre elogiáveis em qualquer atividade artística.

Depois de momentos de incerteza, parece que o Strokes entrou nos trilhos novamente. Resta saber se os fãs vão embarcar juntos.

Nota 8

 

Faixas:
1 Tap Out
2 All the Time
3 One Way Trigger
4 Welcome to Japan
5 80’s Comedown Machine
6 50/50
7 Slow Animals
8 Partners in Crime
9 Chances
10 Happy Ending
11 Call It Fate, Call It Karma

Por Ricardo Seelig

Resultado da promoção Ghost da Collectors Room + Contra Grife Camiseteria

sexta-feira, março 22, 2013
Chegou a hora de revelar o vencedor da promoção conjunta da Collectors Room com a Contra Grife Camiseteria. Perguntamos neste post o que você diria a Papa Emeritus, vocalista do Ghost, se o encontrasse pessoalmente.

Entre as várias respostas, muitas estavam bem legais. Parabéns a todos pela criatividade.

O grande vencedor foi o leitor Gabriel, com a frase:

Papa, não sou a Elizabeth, mas quero participar do Ritual no Con Clavi Con Dio.

Gabriel, por favor entre em contato com a gente nos comentários deste post, para que possamos informar o que você precisa fazer para receber o seu prêmio.

E fiquem ligados, porque logo teremos mais promoções com a Contra Grife.

Por Ricardo Seelig

Intronaut: crítica de Habitual Levitations (Instilling Words With Tones) (2013)

sexta-feira, março 22, 2013
Um dos responsáveis pela remodelagem pela qual o heavy metal e suas tendências mais progressivas tem passado nos últimos anos, os californianos do Intronaut vem dando passos larguíssimos em questão de ascensão musical, de forma que a cada disco a sua identidade se torne mais e mais inclassificável.

Combinando elementos de jazz, ritmos tribais, música latina, stoner, sludge, psicodélico e progressivo, o quarteto está lançando o seu quarto álbum, Habitual Levitations (Instilling Words With Tones), novamente pela Century Media. E logo de cara já é possível perceber que a banda não diminuiu nem um pouco os seus experimentalismos.

A coisa começa arrastada e fora do convencional com “Killing Birds With Stones”, aonde os riffs e berros sujos alternam com momentos mais tranquilos e cadenciados de forma um tanto quanto inesperada, principalmente se considerarmos os álbuns anteriores dos americanos. Ao longo dos oito minutos ocorrem tantas mudanças de andamento que a impressão é de que pedaços de diversas faixas foram recortadas e posteriormente encaixadas de uma maneira que fizesse sentido (e ao contrário de outras semelhantes, o resultado foi bem positivo). E se eles arrebentam qualquer estribeira com a faixa de abertura, indo do groove metal ao jazz em questão de segundos, “The Welding” remete ao seu direcionamento sludge e prog metal mais “convencional”, porém com a inserção de toques mais calmos, sem deixar a complexidade rítmica de lado em nenhum momento.

“Steps” e o seu andamento próximo do mais arrastado doom metal mantém as melodias mais tranquilas em evidência, com intervenções acústicas que lembram uma versão jazz do Black Sabbath na fase Tony Martin, enquanto o lado mais atmosférico do post rock assopra fortemente na balada “Sore Sight For Eyes”, em combinação com a já característica quebrada de tempos da banda. A imundice dos riffs retorna na forma do sludge mais etéreo em “Milk Leg” e a sua contemplativa seção instrumental que parece saída de algum baú trancado há quarenta anos, abrindo caminho para a percussiva “Harmonomicon” e os seus toques quase space rock.

Remetendo às músicas dos álbuns anteriores, “Eventual” apresenta estruturas mais simples e pesadas, até (seguindo a tendência de todo o álbum) mudar completamente de andamento de forma brusca e violenta para mais uma passagem instrumental das mais viajantes. A balada com base apenas em guitarra acústica e texturas de ruídos “Blood From a Stone” funciona como um prelúdio para a longa “The Way Down”, cujo maior mérito está em ser um metal progressivo fora da linha padrão de exageros técnicos e virtuoses desnecessárias, mas sim inserindo de maneira crua elementos de eletrônico e post rock em uma tentativa de atualizar uma vertente já estagnada (o tempo dirá se foi bem sucedido).

Ouvir o som do Intronaut nunca foi tarefa das mais simples (e escrever sobre é menos ainda), e se nos álbuns anteriores o excesso de distorção, a produção estourada e os vocais ríspidos poderiam ser barreiras para alguns ouvidos menos preparados ou acostumados ao gênero, muito pouco desses elementos permanecem em Habitual Levitations. O direcionamento adotado pelos californianos sugere algo mais leve, mais etéreo e experimental, e, ao contrário do que se pode imaginar, não diminui em nada a complexidade do seu trabalho. A complexidade rítmica sempre foi algo que chamou a atenção na banda, e aparentemente ultrapassou qualquer limite nesse novo álbum, com mudanças de andamento violentas, que deixam a sensação de que temos aqui pelo menos o triplo de músicas do que o tracklist informa.

Isso é ruim? De forma alguma. O Intronaut explora mais uma face da sua identidade musical de forma notável e dá mais um considerável passo em direção à uma sonoridade única, provando de uma vez por todas o porquê de ser uma das mais promissoras bandas do metal contemporâneo.

Nota 10



1. Killing Birds With Stones

2. The Welding

3. Steps

4. Sore Sight For Eyes

5. Milk Leg

6. Harmonomicon

7. Eventual

8. Blood From A Stone

9. The Way Down

Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

Direto do novo DVD do Iron Maiden: assista “Can I Play With Madness”

sexta-feira, março 22, 2013
Mais uma prévia do novo DVD e álbum ao vivo do Iron Maiden. A banda inglesa divulgou hoje a versão de “Can I Play With Madness” presente em Maiden England ’88. Registro da turnê que promoveu o LP Seventh Son of a Seventh Son (1988), o vídeo chega às lojas de todo o mundo nesta segunda-feira, 25 de março.

Curiosidade: essa foi a primeira turnê em que “Can I Play With Madness” foi tocada e apresentada ao público.

Clássico!



Por Ricardo Seelig

Ouça “Body and Blood”, a nova música do Ghost, e concorra a uma camiseta da banda

sexta-feira, março 22, 2013
Novidade quentinha para os fãs do Ghost: a banda sueca divulgou mais uma faixa que estará em seu novo disco, Infestissumam, com data de lançamento marcada para 9 de abril.

Extremamente setentista, “Body and Blood” vai construindo a certeza de que o grupo gravou mais um grande álbum. A qualidade de áudio não está 100%, mas dá pra sacar o ótimo trampo dos caras.



E tem mais: em parceria com a Contra Grife Camiseteria estamos fazendo uma promoção relâmpago. Vá até os comentários deste post e conte pra gente o que você diria para Papa Emeritus se o encontrasse pessoalmente. A melhor resposta levará uma camiseta exclusiva do Ghost produzida pela Contra Grife (imagem abaixo). Mas seja rápido: a promoção vale somente até o final da tarde desta sexta-feira, 22 de março. Comente já!


Por Ricardo Seelig

21 de mar de 2013

Assista ao lyric video de "Dead City Radio and the New Gods of Supertown", novo som de Rob Zombie

quinta-feira, março 21, 2013
O novo disco de Rob Zombie, Venomous Rat Regeneration Vendor, será lançado daqui a cerca de um mês (23 de abril), mas já é possível ouvir uma das faixas do álbum.

O áudio de “Dead City Radio and the New Gods of Supertown”, já havia sido disponibilizado, mas agora a faixa ganhou um belo lyric video. Para assistir, é só dar play:


Por Ricardo Seelig

Ouça “Old Major”, a nova música do Deventter

quinta-feira, março 21, 2013
Um dos principais nomes do prog metal brasileiro - se não o principal -, o Deventter soltou hoje a primeira música do seu terceiro disco, Empty Set. O sucessor de The 7th Dimension (2008) e Lead ... On (2009) tem previsão de lançamento para o mês de abril.

“Old Major” traz uma sonoridade pesada, com uma pegada mais direta e menos intrincada. Merece destaque a excelente produção e o belo trabalho de direção de arte do lyric video, como você pode perceber no player abaixo:



Por Ricardo Seelig

Ecad é condenado por formação de cartel e deverá pagar multa de R$ 38 milhões

quinta-feira, março 21, 2013
O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) e outras seis associações de músicos foram condenados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Foi decidido nesta quarta-feira, 20, com quatro votos contra dois, que o Ecad e as associações que o integram são culpadas no processo de formação de cartel e abuso de posição dominante. 

O Cade especificou, em seu site, que tanto o Ecad quanto as associações abusavam do posicionamento para criar barreiras a entradas de novas associações no mercado fonográfico brasileiro. As multas, no total, somam R$ 38 milhões. 

Segundo o conselheiro relator do caso, Elvino de Carvalho Mendonça, a condenação também se deve ao fato de que o Ecad possui o controle da atividade de arrecadação e distribuição dos direitos autorais, mas não pode fixar o valor a ser recebido, juntamente com as associações.

Questionado pela Rolling Stone Brasil, o Ecad alega que ele e as associações recorrerão da decisão por “entenderem que a estrutura de gestão coletiva criada pelos artistas musicais brasileiros foi esfacelada pelo Cade, que comparou as músicas a meros produtos de consumo e aplicou penalidades em razão do livre exercício dos direitos por seus criadores”. 


Como não há mais a possibilidade de fazer o recurso no Cade, as associações irão recorrer à Justiça. Por enquanto, elas precisam se adequar às novas regras em até seis meses, prorrogáveis por mais seis.

Fonte: Rolling Stone Brasil

Ouça “Bound for Glory”, o single de estreia do Black Star Riders, o novo nome do Thin Lizzy

quinta-feira, março 21, 2013
A história é a seguinte: os integrantes do atual Thin Lizzy resolveram voltar a gravar canções inéditas, porém, para isso, decidiram, em respeito ao passado, se desvincular do nome da lendária banda liderada pelo vocalista e baixista Phil Lynott. Assim nasceu o Black Star Riders, que é a mesma banda, mas com outro nome.

O quinteto formado por Ricky Warwick (vocal e guitarra), Scott Gorham (guitarra), Damon Johnson (guitarra), Marco Mendonza (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria) lançará o seu primeiro disco, All Hell Breaks Loose, dia 27 de maio pela Nuclear Blast, e liberou hoje o primeiro single da bolacha.

Com produção de Kevin Shirley, “Bound for Glory” é um hard rock cheio de melodia na melhor tradição do Thin Lizzy, com refrão marcante e guitarras gêmeas. Gostei bastante.

Aumente o volume e ouça agora mesmo!

Por Ricardo Seelig

Stratovarius: crítica de Nemesis (2013)

quinta-feira, março 21, 2013

Manter-se como banda depois da saída de seu líder e principal compositor, Timo Tolkki, oferecia duas questões bem distintas ao futuro do Stratovarius. A primeira deles seria como continuar soando Stratovarius sem a presença do homem que moldou a sonoridade do grupo? O desafio foi plenamente vencido com os bons Polaris (2009) e Elysium (2011), lançados assim que Tolkki abandonou as fileiras do quinteto. Mas ainda restava uma pergunta. Sem a presença e a liderança de Tolkki, poderia o Stratovarius dar um passo além, tentando arriscar o suficiente para soar como algo além do que o próprio Stratovarius vinha fazendo até então? Bem, o recém-lançado Nemesis pode não ser a resposta exata para isso, mas digamos que é a prova de que a banda está indo no caminho certo.

Se as baquetas de Rolf Pilve substituíram de maneira quase idêntica às do seu antecessor, Jörg Michael, tornando a mudança imperceptível aos ouvidos menos treinados, o mesmo não se pode dizer de Matias Kupiainen, que chegou para tomar conta das guitarras quando Tolkki saltou do barco cuspindo cobras e lagartos. Vestindo a camisa e entrando de cabeça não apenas no papel de músico, mas também de produtor, Kupiainen mostra em Nemesis uma vontade genuína de cortar os cordões, os laços com a necessidade de Tolkki de fazer sua guitarra soar barroca, quase clássica, tentando o tempo todo justificar a segunda parte do nome da banda. Se formos levar o tom das guitarras em consideração, Nemesis traz o Stratovarius soando mais Stratocaster do que Stradivarius. “Unbreakable”, o primeiro single, já aponta a pegada: menos dedilhados velozes e mais agressividade, peso, um quê de fúria.

Veja, vamos dar às declarações o peso que elas devem ter: o Stratovarius continua limpo, com ares épicos, diversas camadas de vozes e corais, temas de fantasia onírica – escutar “Fantasy” é quase como ter à mão um manual de regras de como se fazer uma música típica da banda. O fã de longa data não precisa se preocupar. Ainda estamos falando do Stratovarius, e não do Pantera. Sem exageros. No entanto, é nítida a mudança de uma banda que se permite um tantinho a mais de ousadia. Não precisa ir muito longe: quando sequer se pensou em ouvir, num disco do Stratovarius, uma cavalgada sonora tão potente quanto a da guitarra quase thrash que abre “Stand My Ground”, por exemplo? E o que dizer da deliciosa pegada mais celta da power ballad “If the Story is Over”, composta em parceria com Jani Liimatainen, guitarrista original do Sonata Arctica (e parceiro de Kotipelto no projeto acústico Blackoustic)? Num primeiro momento, pareceria até mais uma canção do Rhapsody (seja ele “Of Fire” ou não), mas este novo Stratovarius faz com que pareça essencialmente sua.

Outro que parece estar se divertindo bastante com esta desobrigação erudita é o tecladista Jens Johansson. Na ótima “Castles in the Air”, ele abre os trabalhos quase como relembrando os momentos de pianista do saudoso Freddie Mercury, no Queen, enquanto em “Dragons” o teclado chega a soar dançante, brincando com efeitos eletrônicos que contribuem (e muito) para a atmosfera da canção. Por falar em membros restantes da formação clássica, seguindo esta mesma linha de respirar novos ares, talvez fosse interessante, em lançamentos futuros, ouvir o vocalista Timo Kotipelto experimentando um pouco mais, saindo de sua zona de conforto. O sujeito é dono de um vozeirão, mas que não precisa sempre soar tão cristalino.

Em outras eras, o Stratovarius reinou absoluto no Olimpo do chamado metal melódico (ou power metal, como queiram). Mas a banda teve momentos absolutamente cambaleantes, a exemplo do próprio metal melódico, que hoje sofre de uma terrível crise de criatividade. Se Polaris e Elysium foram as muletas que estes finlandeses precisavam para se reerguer, Nemesis parece uma espécie de luz no fim do túnel – ou, quem sabe, um acelerador para que a banda encontre um novo caminho. Se continuar assim, está indo bem.

Nota 7,5


Faixas:

Abandon
Unbreakable
Stand My Ground
Halcyon Days
Fantasy
Out of the Fog
Castles in the Air
Dragons
One Must Fall
If the Story Is Over
Nemesis

Por Thiago Cardim

Mais capas de discos reimaginadas com super-heróis

quinta-feira, março 21, 2013
O ilustrador alemão Uwe de Witt desenvolveu um curioso trabalho reimaginando capas de discos com super-heróis no lugar das imagens originais. O resultado final ficou excelente, e é mais um exemplo da união entre o amor pela música e a paixão pelos quadrinhos.

Demais!



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Por Ricardo Seelig

20 de mar de 2013

26 Bandas para o Matias: D de Deep Purple

quarta-feira, março 20, 2013
Éramos dois. Eu e o Cris. Amigos, adolescentes, e ambos colecionadores de discos. Estávamos descobrindo juntos o mundo do rock, conhecendo novas bandas todas as semanas. E, como tal, trocávamos muitas figurinhas. Eu apresentava novos sons para ele e vice-versa, em uma relação benéfica para ambos.

Então, em um certo dia, fui até sua casa para pegar uns discos emprestados e levar alguns da minha coleção para deixar lá, quando ele veio com o papo: “Tenho uns vinis novos que comprei, acho que você vai gostar”. Sua coleção ficava em cima de um móvel em seu quarto - a minha também -, mas aqueles LPs que ele havia falado não estavam ali, misturados no meio dos outros. Eram discos especiais e estavam em um lugar especial. Ele abriu o guarda-roupa, meteu a mão lá no fundo e pegou um punhado de álbuns. Folhou aqueles títulos e parou em um que me entregou. “Toma, ouve, é demais!”.



Era um álbum duplo com capa marrom. No centro, uma foto dos músicos em cima do palco. Nunca tinha ouvido falar daquela banda, uma tal de Deep Purple. Mas mesmo assim segui a dica e levei o disco pra casa. Cheguei, coloquei pra rodar e deu o que deu: amor à primeira vista.

Aquele som era totalmente diferente de tudo que eu havia escutado até então. Era pesado, mas era solto, repleto de feeling, com improvisações que enfeitiçavam. “Highway Star” dava início aos trabalhos com uma espécie de jam, que logo evoluía em uma porradaria antológica, capaz de levantar até defunto. Passada a avalanche, iniciava uma música calma, com acordes vindos de um teclado. Mas, ao contrário do que se poderia supor, aquela faixa dava um giro e se transformava em uma das canções mais pesadas que eu já havia ouvido, com um vocalista ensandecido gritando com todas as suas forças. “Child in Time” logo se transformou em uma das minhas preferidas.

E então você virava o lado e já dava de cara com outro momento pra lá de marcante. “Smoke on the Water” e seu riff clássico entrando em contato pela primeira vez com um adolescente fã de rock é uma das experiências mais intensas que se pode ter. A vida passa a fazer sentido quando descobrimos faixas como essa. Um solo matador de bateria conduzia “The Mule”, que era seguida por “Strange Kind of Woman” e o seu inacreditável duelo entre guitarra e vocal.

E, fechando a audição, aquela que logo se tornou a minha música favorita do Purple: a longa “Space Truckin’”, com solos enormes de teclado que me faziam viajar para universos e dimensões até então inéditas. Talvez tenha nascido aí a minha paixão por faixas longas e repletas de passagens instrumentais. Sim, é bem provável que tudo tenha nascido aí.



Escutei por uns dias o Made in Japan e gravei uma fita k7 antes de devolver o LP para o Cris. Na busca seguinte por discos, encontrei o duplo Anthology em uma loja e comprei na hora. A capa era preta e também tinha uma foto da banda em cima do palco no centro. Mas aqui descobri que aquele grupo era bem mais do que eu imaginava. Havia sons que remetiam diretamente aos anos 1960 como “Hush” e “Emmaretta”, versões de estúdio de canções que eu já conhecia como “Child in Time” e “Highway Star” e um novo som, totalmente diferente e que me fisgou na hora, cujos principais exemplos eram “Might Just Take Your Life” e “You Keep On Moving”.

O passo seguinte foi outro disco ao vivo, e com outra capa com uma foto do grupo em seu centro. Ela era cinza agora, e se chamava Made in Europe. Meu deus, que arregaço! Apenas cinco músicas, todas até então inéditas para mim. “Burn”, “Mistreated”, “Lady Double Dealer”, “You Fool No One” e “Stormbringer” me mostraram uma nova faceta do Deep Purple, e essa sonoridade logo se tornou a minha favorita. E o que era aquele solo de guitarra em “Mistreated”? Subitamente, Ritchie Blackmore era o meu novo deus.

O interessante dessa minha primeira fase com o Deep Purple é que toda a relação que construí com a banda na adolescência foi baseada em discos ao vivo e em coletâneas. Aterrisaram na minha coleção, além dos já citados, os LPs Powerhouse (1977), Singles A’s & B’s (a primeira versão lançada em 1978 e com uma modelo vestida com um maiô púrpura na capa), Deepest Purple (1980) Deep Purple in Concert (1980), Live in London (1982) e Nobody’s Perfect (1988). Estava tudo ali, e aquilo era o suficiente para aquela época da minha vida.



Segui tendo contato quase diário com a banda, seja através dos discos que possuía ou com a minha turma de amigos, onde o Purple era onipresente. Mas algo foi mudando na minha percepção. À medida que crescia, a produção da MK II foi se afastando do meu aparelho de som, muito provavelmente pela mega exposição que aquelas músicas tiveram durante vários anos em minha vida. Mas isso não significava um afastamento do Purple, muito pelo contrário. Em seu lugar, emergiu a descoberta e a identificação profunda com três álbuns excelentes, e que são já há muitos anos os meus favoritos do grupo: Burn (1974), Stormbringer (1974) e Come Taste the Band (1975). A união entre o peso do hard rock e o balanço do funk caiu de maneira definitiva no meu gosto, e de lá nunca mais saiu.

Hoje, quando quero ouvir algo do Purple, recorro a esses três discos. Na verdade, Stormbringer e Come Taste the Band frequentam de maneira assídua a minha vida, batendo ponto constantemente em minhas audições. Não acompanho a fase atual da banda, não tenho interesse no que eles estão produzindo, não faz a minha cabeça. Mas a produção entre 1974 e 1975 soa atual e sempre renovada para os meus ouvidos.

O Deep Purple ainda não chegou até o Matias. Ele ainda não descobriu a banda. E, sei lá, talvez a descubra só daqui alguns anos, quando estiver mais crescidinho. Ele tem apenas 4 anos agora, quase 5, com um longo tempo ainda pela frente. Mas é certo que o riff de “Smoke on the Water” ou os gritos de “Child in Time” não passarão incólumes pela sua vida. E a razão para isso é bem simples: descobrir e ouvir o Deep Purple pela primeira vez é como ter contato com uma disciplina fundamental da sua vida, da sua educação, como português ou matemática. A vida passa a ter mais sentido, fica mais completa, revela toda uma nova gama de cores.

Assim é o Deep Purple, e isso é algo tão certo quanto o frio na barriga na primeira paixão e o gosto do primeiro beijo: não tem como esquecer.

Por Ricardo Seelig

Assista “Månelyst”, o novo clipe do Kvelertak

quarta-feira, março 20, 2013
A banda norueguesa Kvelertak divulgou o vídeo de “Månelyst”, faixa do novo disco, Meir, co data de lançamento marcada para 26 de março. Dirigido por Fredrik Hana, o clipe é inspirado em filmes de terror clássicos, com diversas referências em suas cenas.

Um aviso: a violência explícita pode desagradar e chocar os mais sensíveis.



Por Ricardo Seelig

Anthrax lança edição especial de Worship Music turbinada pelo EP Anthems

quarta-feira, março 20, 2013
Item de colecionador: o último álbum do Anthrax, Worship Music (2011), está disponível também em um box acompanhado do EP Anthems, disco de covers recém-lançado pelo grupo nova-iorquino.

Os dois CDs vem em uma nova embalagem com capa exclusiva e em edições digipaks, e o EP traz também divertidos encartes homenageando as bandas que tiveram as suas músicas regravadas pelo quinteto.

Fica bonito na estante, hein?

Por Ricardo Seelig

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