5 de abr de 2014

Apanhado death/thrash/black de março

sábado, abril 05, 2014
Depois de se atualizar com o que rolou em março no cenário heavy, classic rock e prog, chegou a hora de recapitular o que movimentou o subterrâneo da música pelo mundo. Novas canções, vídeos, detalhes de discos que estão saindo do forno, mudanças de formação e por aí vai...

O que de mais interessante ocorreu dentro dos gêneros marginais e tudo mais que venha de Venom e Motörhead. Ou seja, nosso já tradicional apanhado death/thrash/black de cada mês...

Vader

O Vader não só finalizou todo o processo de gravação de seu novo álbum, como também já divulgou detalhes completos sobre o trabalho. O 11° disco da banda chamará Tibi Et Igni ("ao fogo", em latim) e será lançado, via Nuclear Blast, no dia 30 de maio. Gravado em Bialystok, na Polônia, o play foi produzido por Wojtek e Slawek Wiesawski no Hertz Studio.

Sucessor de Welcome to the Morbid Reich (2011), Tibi Et Igni marca a estreia em estúdio do baixista Hal e do baterista James Stewart, que entraram na banda há três anos, mas ainda não haviam participado de quaisquer gravações. A arte da capa ficou a cargo de Joe Petagno, famoso por ter desenvolvido o logo do Motörhead. O track list terá dez faixas. Confira:

1 Go to Hell
2 Where Angels Weep
3 Armada on Fire
4 Triumph of Death
5 Hexenkessel
6 Abandon All Hope
7 Worms of Eden
8 The Eye of the Abyss
9 Light Reaper
10 The End


Overkill

Quem também já divulgou tudo sobre o novo disco foi o Overkill. Os thrashers de New Jersey lancarão em julho seu 17° álbum: White Devil Armory. Sucessor de The Electric Age (2012), o trabalho será composto por dez músicas e já teve a arte de capa revelada.

1 Freedom Rings 
2 Where There's Smoke...
3 Pig
4 Amorist
5 Down To The Bone
6 Bitter Pill
7 King Of The Rat Bastards 
8 Another Day To Die
9 It's All Yours
10 In The Name


Enthroned

Prestes a lançar Sovereigns, seu novo álbum, no dia 15 de abril, o Enthroned soltou mais duas músicas inéditas: "Of Shrines And Sovereigns" e "The Edge Of Agony". Antes, já havia
disponibilizado "Of Feathers and Flames". O trabalho é o décimo de estúdio dos belgas, que têm novidades na formação: os recém-chegados ZarZax (guitarra) e Menthor (bateria).


Mayhem

Após surpreender anunciando para maio um novo álbum de estúdio, o Mayhem já tratou de revelar detalhes do dito cujo: Esoteric Warfare será o nome da criança, que vai sair pela Season of Mist. A arte da capa ficou a cargo do artista polonês Zbigniew M. Bielak. Dez músicas compõem o track list. Será o retorno dos noruegueses depois de um período de ostracismo de sete anos.

1 Watcher
2 Psywar
3 Trinity
4 Pandaemon
5 Mylab
6 Six Seconds
7 Throne Of Time
8 Corpse Of Care
9 Posthuman
10 Aion Suntalia


Zoombie Ritual 2014

O Zoombie Ritual, festival realizado anualmente na bela e bucólica cidade de Rio Negrinho (SC), confirmou a primeira atração de sua edição de 2014. Trata-se do Stress, lenda dos primórdios do heavy metal nacional. Oriunda de Belém (PA), a banda é apontada como a primeira a ter lançado um disco do gênero no Brasil: Stress (1982). Capitaneado por Roosevelt 'Bala' Cavalcante (baixo/vocal), posteriormente o grupo soltou mais dois trabalhos de estúdio: Flor Atômica (1985) e III (1996).

Neste ano, o Zoombie Ritual passa a ter quatro dias: 11, 12, 13 e 14 de dezembro.

Autopsy

Em 29 de abril, o Autopsy lançará Tourniquets, Hacksaws And Graves, sucessor do bom The Headless Ritual (2013). A banda também divulgou o track list do novo trabalho, gravado com Adam Munoz, no Fantasy Studios, bem como disponibilizou o streaming de "The Howling Dead".

1 Savagery
2 King Of Flesh Ripped
3 Tourniquets, Hacksaws And Graves
4 The Howling Dead
5 After The Cutting
6 Forever Hungry
7 Teeth Of The Shadow Horde
8 All Shall Bleed
9 Deep Crimson Dreaming
10 Parasitic Eye
11 Burial
12 Autopsy


Incantation

O Incantation finalizou as gravações de seu próximo álbum de estúdio, Dirges of Elysium. O novo trabalho sucede Vanquish in Vengeance (2012) e sai em maio via Listenable Records.

Em contrapartida, John McEntee e Kyle Severn anunciaram mais uma mudança na formação: a saída do guitarrista Alex Bouks, que estava no Incantation desde 2007. Sonny Lombardozzi, que participou dos primórdios da banda, assume o posto ao menos durante a próxima turnê. 

Asphyx

Modificações na formação também aconteceram no Asphyx. Baterista e fundador, Bob Bagchus decidiu se desligar para ter mais tempo livre com a família. Velho amigo da banda, Stefan Hüskes, conhecido como Tormentor e um dos líderes do Desaster, assume o posto.

Gorguts

Quem também mudou de baterista foi o Gorguts. Líder e mentor da banda, Luc Lemay anunciou  a saída de John Longstreth. O motivo alegado foi a incompatibilidade entre as agendas do músico, que também toca no Origin. Patrice Hamelin deve ser o substituto momentâneo.

Goatwhore

O Goatwhore concluiu as gravações de Constricting Rage of the Merciless, álbum que será lançado no dia 8 de julho via Metal Blade. O disco teve produção do sempre concorrido Erik Rutan (Hate Eternal, Morbid Angel, Cannibal Corpse etc) no Mana Studios. O track list de dez faixas já foi revelado. Agora em abril a banda embarca ao lado de nomes como Behemoth, Inquisition, 1349 e Black Crown Initiate no Metal Alliance Tour, festival itinerante norte-americano.

1 Poisonous Existence In Reawakening
2 Unraveling Paradise
3 Baring Teeth For Revolt
4 Reanimated Sacrifice
5 Heaven's Crumbling Walls Of Pity
6 Cold Earth Consumed In Dying Flesh
7 FBS
8 Nocturnal Conjuration Of The Accursed
9 Schadenfreude
10 Externalize This Hidden Savagery

Miasmal

Cara nova na cena, mas praticando o velho e tradicional death metal sueco, o Miasmal lança entre os meses de abril e maio, via Century Media, seu novo álbum de estúdio, o segundo da carreira: Cursed Redeemer. O disco foi gravado por Fredrik Nordström no Studio Fredman e terá oito faixas no track list. "Until the Last" já está disponível para streaming.

1 Cursed Redeemer
2 Call Of The Revenant
3 Whisky Train
4 Excelsior
5 A Veiled Remembrance
6 Until The Last
7 Frozen In Time
8 2013


At the Gates

Depois de anunciar que voltaria aos estúdios para quebrar um hiato de 19 anos e lançar um novo álbum, o At the Gates também resolveu cair na estrada. Os suecos confirmaram o que será a primeira turnê da banda pela Europa desde 1996. Estarão com eles o Triptykon, do mestre Tom G. Warrior, além dos conterrâneos do Morbus Chron, donos de um dos melhores discos de 2014: a obra-prima chamada Sweven. As datas podem ser conferidas acima.

Stoneburner

Life Drawning, novo álbum do Stoneburner, será lançado no próximo dia 15. Nove músicas compõem o track list, que já foi divulgado, assim como a arte de capa do play.

1 Some Can
2 Caged Bird
3 Drift
4 An Apology To A Friend In Need
5 Pale New Eyes
6 Giver Of Birth
7 Done
8 You Are The Worst
9 The Phoenix


Aborted

Oitavo álbum de estúdio do Aborted, The Necrotic Manifesto será lançado no fim de abril e a faixa-título já está disponível para streaming. Serão 14 músicas no track list. Os belgas anunciaram também que farão um cover para "Arise", do Sepultura. Esse, porém, sairá apenas em um EP chamado Scriptures Of The Dead e limitado a 500 cópias.


Fireborn

Nasce um novo supergrupo de death metal e ele se chama Fireborn. Participam da banda: o vocalista Lars Göran Petro (Entombed), os guitarristas Victor Brandt (Entombed) e Fredrik Folkare (Unleashed), além do baixista Alex Friberg (Necrophobic). O baterista, por sua vez, ainda não foi definido. O plano é lançar o disco de estreia até, no mais tardar, o término de 2014.

Misery Index

"Conjuring the Cull" já está disponível para streaming. A música faz parte de The Killing Gods, disco novo do Misery Index e que está previsto para ser lançado em 23 de maio via Season of Mist. Outras 12 faixas também compõem o track list. A arte da capa será a que está ao fundo do vídeo.

1 Urfaust
2 The Calling
3 The Oath
4 Conjuring The Cull
5 The Harrowing
6 The Killing Gods
7 Cross To Bear
8 Gallows Humor
9 The Weakener
10 Sentinels
11 Colony Collapse
12 Heretics
13 Thieves Of The New World Order (Ministry cover)


Loudblast

Os franceses do Loudblast disponibilizaram uma faixa do novo disco: "Ascending Straight In Circle", que estará no álbum Burial Ground, com previsão de lançamento para o fim de abril na Europa e início de junho nos Estados Unidos. A arte da capa é obra de Will Kuberski, que desenvolveu também o desenho do último trabalho do Incantation, Vanquish in Vengeance (2012).


Por Guilherme Gonçalves

4 de abr de 2014

Dynazty: crítica de Renatus (2014)

sexta-feira, abril 04, 2014
Com Renatus, seu quarto disco, a banda sueca Dynazty torna realidade a ótima impressão transmitida pelos três trabalhos anteriores: trata-se de um grupo diferenciado, inquieto e com muito a entregar para quem gosta de hard rock. Dentro da seara daquele hard mais festivo e alinhado ao glam metal (ou hair metal, como preferem alguns), o Dynazty é um dos grandes destaques surgidos nos últimos anos, ao lado dos também suecos H.E.A.T..

Porém, há uma clara evolução no novo álbum, levando a música do grupo para um universo mais amplo. Se em Knock You Down (2011) e Sultans of Sin (2012) já ficava claro que a banda curtia e inseria muitos elementos de heavy metal em sua sonoridade, em Renatus isso ficou evidente como nunca. A faixa de abertura, “Cross the Line”, afasta o Dynazty do sleaze através de uma batida toda quebrada que remete, acredite você ou não, ao prog metal. Essa característica se mantém por todo o trabalho, com canções que mantém a força do hard através de refrãos fortes e cativantes e, na parte instrumental, soam agressivas e bastante técnicas, fazendo o Dynazty ecoar uma mistura improvável entre o hard, o prog e o metal neo-clássico. E, por mais que soa estranho unir estes três estilos, o resultado alcançado pela banda não é nada indigesto. Aliás, passa longe disso. A abertura, com a já citada “Cross the Line”, é uma delícia. “Dawn of Your Creation” é outra grande faixa, assim como “Unholy Deterrent”, “A Divine Comedy” e “Starlight”.

Abrindo mão do excesso de sacarose e da onipresente característica melosa marcantes do hard sleaze, o Dynazty encontrou uma personalidade própria com um som forte, pesado, agressivo e, simultaneamente, pegajoso e empolgante. A fórmula da banda une o melhor de dois mundos, e o resultado é um disco forte pra caramba, que agrada do início ao fim. O melhor exemplo dessa união é a ótima “Salvation”, faixa com mais de sete minutos onde a melodia do hard anda lado a lado com o peso e o lado épico do metal, tudo embalado com uma execução de primeira e excelentes guitarras. Em certas passagens, “Salvation” chega a lembrar coisas recentes do Edguy, e isso é um elogio. Coisa fina, viu!

O hard rock californiano, o hair metal, sempre passou longe de ser um dos meus estilos preferidos. Conheço as bandas, conheço os discos, mas não consumo o gênero porque ele, em sua maioria, não me diz nada e não me toca como outros caminhos sonoros. No entanto, o Dynazty produz, desde o seu surgimento, um tipo de música que consegue soar atraente até mesmo para um cara como eu, que nunca fui o maior apreciador do lado mais festivo do hard. A banda gravou mais uma vez um grande disco. Renatus oferece pouco mais de 40 minutos de uma música energética e agradável, seja para ouvir em casa ou pisando fundo no acelerador.

Seja qual for a sua escolha, a satisfação será garantida!

Nota 8,5

Faixas:
1 Cross the Line
2 Starlight
3 Dawn of Your Creation
4 The Northern End
5 Incarnation
6 Run Amok
7 Unholy Deterrent
8 Sunrise in Hell
9 Salvation
10 A Divine Comedy

Por Ricardo Seelig

Mastodon revela título de novo álbum

sexta-feira, abril 04, 2014
O quarteto norte-americano Mastodon revelou o título do seu aguardado sexto disco. O álbum se chamará Once More Round the Sun e sucederá The Hunter, lançado em 2011. O trabalho foi gravado em um estúdio no Tennessee e tem produção de Nick Raskulinecz (Rush, Ghost, Foo Fighters). A capa de Once More Round the Sun está sendo criada por um artista chamado Skinner, especializado em pinturas que retratam “pesadelos psicodélicos”.

O baixista e vocalista Troy Sanders declarou que a banda gravou muito material, e que, além das músicas que serão incluídas no disco, deve lançar um EP com as faixas excedentes. “Não queríamos um disco com 90 minutos. Curtimos LPs com aproximadamente 1 hora de música, que é o tempo que os nossos discos favoritos possuem. Amamos as quinze novas faixas que compusemos, então estamos pensando em como lançá-las no álbum e em algum outro formato”, falou Sanders.

A banda revelou também o título de duas novas composições: “Ember City” e “Diamonds in the Witch House”, essa última com Scott Kelly, do Neurosis, que participou de todos os discos lançados pelo Mastodon até hoje.

A data de lançamento, bem como o tracklist de Once More Round the Sun, ainda não foram divugados.

Por Ricardo Seelig

Como seria a sua banda dos sonhos?

sexta-feira, abril 04, 2014
Uma pergunta que todo mundo já se fez. Muitas, e muitas, e muitas vezes. E que gera bandas imagináveis curiosíssimas, com line-ups repletos de personalidades fortes e que, na prática, provavelmente não dariam certo.

Mas a brincadeira é válida, sempre. Por isso, a pergunta: qual seria a sua banda dos sonhos? Como ela soaria?

Vou falar da minha aqui no post, e vocês dão continuidade na história nos comentários.


O vocalista só poderia ser ele: Ronnie James Dio. Fiquei em dúvida entre Bruce Dickinson e Robert Plant para o posto, mas Ronnie faz mais o meu estilo. Tenho escutado muito Rainbow e Dio atualmente, redescoberto músicas e discos gravados pelo falecido, e o que ele fez em sua carreira beira a perfeição. A voz de Dio é poderosa, doce, tem personalidade, cativa. E, além de tudo, o cara era um compositor de mão cheia. Já temos um frontman.


Jimmy Page é, na minha opinião, o maior músico da história do rock. Guitarrista fantástico, produtor genial, arranjador criativo, compositor inovador. Page foi o cérebro da maior banda de rock dos anos 1970 e uma das maiores da história, o Led Zeppelin. Sua perspicácia, sua sede por inovação e experimentação, levaram o Led ao topo. Está aí o nosso líder.


Em uma lista com os meus guitarristas preferidos, Ritchie Blackmore perde apenas para Jimmy Page e vence gigantes como Eric Clapton, Tony Iommi e David Gilmour. Gosto mais da sua fase no Rainbow do que no Purple, apesar de ter Burn e Stormbringer como dois dos meus discos favoritos. Blackmore sempre foi único, um gênio de temperamento extremamente difícil, mas cujo talento e criatividade superavam (quase) tudo. O que ele fez nos três primeiros discos do Rainbow, mostrando ao mundo qual era a sua visão do hard rock e, involuntariamente, do heavy metal, mudou o rumo de ambos os gêneros, principalmente do segundo.


James Hetfield é a alma e o coração do Metallica. Lars é o cérebro, o homem por trás da concepção e da administração da banda, mas James é o rosto, a imagem, a pegada e o imaginário coletivo da maior banda de heavy metal de todos os tempos. Seus riffs, sua forma de tocar guitarra, sua voz que só fica melhor que o tempo: são muitas as suas qualidades. Teria três guitarristas, cada um com personalidades fortes e distintas. Como soaria? Não sei, mas gostaria de ouvir.


Roger Waters é um compositor espetacular. Irônico, crítico, ácido. Canta de uma forma particular, toca o seu baixo com evidência. É uma das maiores mentes criativas da música, ativa e lúcida por décadas. Pensei em Steve Harris no time, mas cheguei à conclusão de que ele poderia deixar o som desta banda utópica muito limitado ao metal, enquanto que, com Waters, o limite não existe.


A escolha óbvia seria Neil Peart ou John Bonham. Cozy Powell foi cogitado, mas Mike Portnoy acabou vencendo pela versatilidade que tem demonstrado desde que saiu do Dream Theater e das limitações impostas pela banda. Mike pode ser técnico, pode ser simples, pode ser tudo. E faz isso sempre com criatividade e inovação, com uma personalidade e talento que o colocam como um dos maiores da história da bateria.

Ok, minha banda dos sonhos teria seis líderes. Seis caras de personalidade fortíssima, que marcaram época justamente por mostraram ao mundo as suas visões de como a música deveria ser e soar. Não sei se duraria, mas que eu gostaria de ouvir o que sairia do encontro deste sexteto, ah como eu gostaria ...

E a sua, como seria? Os comentários estão aí para isso, conte pra gente.

Por Ricardo Seelig

Metallica posta vídeo com “Battery” e “Whiskey in the Jar” gravadas em São Paulo

sexta-feira, abril 04, 2014
Como já é tradicional, o Metallica disponibilizou na íntegra o show que realizou em São Paulo no dia 22 de março, no Estádio do Morumbi. O áudio da apresentação pode ser baixado no site LiveMetallica, que também contém centenas de outros concertos.

Além disso, a banda publicou em seu perfil no YouTube um vídeo com “Battery” e “Whiskey in the Jar” gravadas ao vivo em São Paulo. Em relação à segunda, o Metallica não tocava ao vivo a canção popularizada pelo Thin Lizzy há cinco anos, desde 2009.

São vídeos sempre muito interessantes, como você pode assistir abaixo:


Por Ricardo Seelig

3 de abr de 2014

Entrevista com o colecionador Loquillopanama

quinta-feira, abril 03, 2014

Na próxima vez que você for a um show grande no Rio de Janeiro ou em São Paulo, caro leitor, é quase certo que o entrevistado do quadro Minha Coleção da vez esteja presente. Loquillopanama e eu nos conhecemos numa caravana a caminho do show do Mötley Crüe, em 2011, e desde então nossos bate-papos musicais são quase diários. Sua coleção abrange diversos gêneros e só a sua história já vale a conferida nesta entrevista que há muito tempo já eu gostaria de ter realizado. Acompanhe! 

Queria que você começasse falando um pouco sobre a sua história, que é bastante interessante. Como e quando conheceu o rock, primeiras bandas que ouviu etc. 
Era 1983. Minha irmã recebia fitas K7 gravadas de presente. Indiretamente, eu estava sendo exposto a Journey, Rush e outros sucessos radiofônicos. Eu tinha 8 anos e pelo tape deck ouvia dezenas de canções AOR e o Top 40 dos EUA, incluindo Asia, Air Supply, Chicago, Fleetwood Mac, Huey Lewis & the News, Kansas, Pat Benatar, REO Speedwagon, Rick Springfield, Styx e muito mais. No rádio eram quatro as emissoras com programação similar e, por causa do Tratado do Canal do Panamá, tínhamos acesso a rádio das Forças Armadas norte-americanas. 

Em 1984, a MTV já fazia parte dos pacotes de TV à cabo. Cada canal de TV tinha seu programa de clipes e a coletânea Llena Tu Cabeza de Rock, com Quiet Riot e The Romantics, de fato, encheu a minha cabeça daquela criança, bilíngue que não gostava de esportes, de rock. No mesmo ano, ganho minha primeira mix-tape, encomendada numa loja de discos, uma prática normal na época. Comecei a ficar ligado nas paradas de sucessos e todos os domingos eu sintonizava o rádio para ouvir o Top 40 dos EUA. 

No verão de 1987, a rádio tocava sem parar Bon Jovi, Europe, Heart, Mötley Crüe e Poison. Um dia, visitando uma tia num bairro de classe média-alta, fui de penetra num churrasco. Os donos da festa moravam nos EUA, possuíam um acervo de LPs de hard rock de cair o queixo e só falavam em Headbanger's Ball. Foi nessa noite, aos 12 anos, que vi pela primeira vez discos de artistas que não tocavam no rádio — Dio, Dokken, Great White, Lizzy Borden, Ozzy, W.A.S.P. Ouvir isso tudo teve um impacto enorme em mim. Nesse mesmo verão, as gravadoras mexicanas decidem difundir um novo tipo de rock cantado em espanhol. Surge, então, o chamado "rock urbano" e seus representantes (Hombres G, Soda Stereo, Enanitos Verdes) invadem as ondas do rádio. Uma verdadeira revolução aconteceu da noite para o dia tornando possível montar uma banda e cantar em espanhol. 

O rádio formou a minha curiosidade; cada país tinha um sotaque, gírias e ritmos diferentes. As paradas de sucessos eram locais; o que tocava nos EUA não era o mesmo que estourava no Japão. Essas diferenças fizeram de mim um pesquisador de ritmos, bandas e discos, e me levaram às lojas de discos. Minhas primeiras compras foram o State of Euphoria do Anthrax e o Priest...Live! do Judas Priest em CD. 

Tudo isso num país da América Central, com dois milhões de habitantes e preferência geral pela salsa e pelo merengue. 

Como você veio parar no Brasil? 
A embaixada brasileira tinha um programa de intercâmbio universitário com o Panamá que incluía a carreira que eu procurava na época. Deixei para trás uma coleção de cerca de 400 LPs, que foram vendidos pelo irmão quando o formato foi dado como morto em meados de 1995. Cheguei ao Brasil com quatro fitas K7 gravadas e um sonho universitário. Após a formatura, pedi visto de residência. Nunca mais voltei para o Panamá. Em 2014, completo 21 anos no país. 

No que diz respeito ao rock, em que o Brasil que você encontrou se diferenciava do Panamá? 
Descobri que bandas como Poison, Mötley Crüe e Boston, famosas nos EUA, eram desconhecidas no Rio de Janeiro. Me chamou a atenção um exército de bandas das college radios americanas sendo mainstream nas rádios locais — Siouxsie & the Banshees, The Cult, The Cure, The Smiths, Midnight Oil, New Order, Oingo Boingo... Impressionava a quantidade de bandas australianas no dial (Hoodoo Gurus, V. Spy V. Spy), além, é claro, das bandas brasileiras (Barão, Legião, Titãs, Paralamas) e do Sepultura, que tinha até banda cover no Panamá.


Qual foi o primeiro disco que você comprou no Brasil? 
No meu primeiro passeio pelo Centro do Rio, comprei o primeiro do Dangerous Toys, Midnight to Midnight do Psychedelic Furs e No Fuel Left for the Pilgrims do D.A.D. 

Hoje em dia, com quantos itens a sua coleção conta? 
Não tenho essa conta exata. Acredito que em torno de 400 LPs e uns 2 mil CDs. 
A frustração é grande, pois gosto de muito artistas e ritmos, e é impossivel completar as coleções. A curiosidade é muito grande. 

Quais os gêneros que predominam na sua coleção? 
Pop rock, heavy metal e hard rock, mas também technopop, nu metal, saw, synthpop, industrial, electroclash, punk rock, street punk, rockabilly, acid house, new wave, pós-punk etc. 

De quais artistas e bandas você possui mais itens? 
Billy Idol, Bruce Springsteen, Depeche Mode, Duran Duran, Great White, Hall & Oates, INXS, Journey, Loquillo, Morrissey, Prince, Soda Stereo e Zumbis do Espaço.


Quais os itens mais raros?  
Box-sets de Bruce Springsteen (Darkness on the Edge of Town), Rammstein (Vorkerbol) e Madonna (Celebration); compactos 45 rpm de Don Henley, Poison, REO Speedwagon, Styx e Survivor; picture disc do Toto; Blue Sky Mining do Midnight Oil em vinil azul; cassette singles de INXS, Prince, Richie Sambora e Suzanne Vega, além de discos dos anos 1950 e de 78 rpm. 

Quais os itens que você gostaria de ter, mas não conseguiu adquirir ainda? 
Adoro remasters, box-sets e deluxe editions. Tem alguns que eu gostaria de conseguir. Também queria recuperar meus vinis do Speak of the Devil e Tribute do Ozzy e encontrar o A Por Ellos Que Son Pocos Y Cobardes do Loquillo Y Trogloditas em vinil.


Tem alguma história engraçada ou algum disco que tenha sido muito difícil de conseguir? 
Todos os itens da minha coleção têm alguma história por trás. Desde jovem, peço até para desconhecidos alguma encomenda. Já comprei muitos CDs e DVDs com mendigos e pelas ruas do Rio e de São Paulo sempre tem alguma coisa — basta ter paciência para garimpar, ficar com os dedos empoeirados e, às vezes, não encontrar nada. 

A minha primeira viagem à Argentina foi hilária. Saí do aeroporto, peguei um ônibus errado e fui parar numa cidade chamada Lanús. Em vez de ficar apavorado por estar perdido, vi uma filial da Musimundo que era um verdadeiro templo musical. Uma hora depois de ter desembarcado, saí da loja repleto de CDs e DVDs. Os atendentes ainda foram simpáticos e me explicaram como fazer para voltar à Buenos Aires. 

Qual foi o disco mais caro da coleção? 
Box-set do Loquillo, Rock & Roll Star: 30 Años, que contém 5 CDs e 3 DVDs. Encomendei o meu no dia que foi lançado.


E no que você pagou mais inacreditavelmente barato? 
Pat Benatar, Styx e Van Halen por 50 centavos cada. Antes dessa história dos 180 gramas e o vinil virar modinha, você encontrava acervos inteiros de rádios empoeirados e cheirando a mofo perto do Campo de Santana (RJ). 

Onde você costuma comprar os seus discos? 
Entro em toda loja que tenha estante com CDs. Brechós, livrarias, sebos e mega stores aqui no Rio e em qualquer outra cidade que visito. Gosto também do Amazon.co.uk e do espanhol Zona de Compras. 

Como você organiza a coleção? 
Ordem alfabética, mas sem muita ordem. Os separo em rock em inglês, rock em português, rock em espanhol, coletâneas e trilhas sonoras.


Tem ciúmes da coleção? 
Sim, não empresto. 

Como você cuida dos seus discos? 
Todos os meus LPs possuem plásticos externos e sempre tento renová-los. Não deixo meus CDs espalhados fora das caixinhas. 

Qual foi o último disco que você comprou? 
High Hopes, do Bruce Springsteen, em edição nacional CD + DVD com jaqueta e tudo.


Quais são os seus 10 discos favoritos? 
Loquillo Y Trogloditas - A Por Ellos Que Son Pocos Y Cobardes 
Bruce Springsteen - Born in the USA 
The Hellacopters - By the Grace of God 
Soda Stereo - Canción Animal 
Faster Pussycat - Faster Pussycat 
Def Leppard - Hysteria 
INXS - Kick 
Poison - Look What the Cat Dragged in 
Phil Collins - No Jacket Required 
Prince & the Revolution - Purple Rain 
Ramones - Ramonesmania 
Bryan Adams - Reckless 
Social Distortion - Somewhere Between Heaven and Hell 
Huey Lewis & the News - Sports 
... 10 é muito pouco!


Você é figurinha certa na maioria dos shows internacionais que rolam no Rio. De onde veio essa paixão pelos shows? 
Eu tinha 8 anos e a Joan Jett estava com um show marcado na Arena Roberto Durán (antigo Gimnasio Nuevo Panamá), que ficava perto da casa dos meus pais. Minha mãe jogou um balde de água fria dizendo que teria muita gente "fumando". Eu, ingenuamente, não entendi o que ela queria dizer, mas esse "não" e ter crescido na América Central na época dos clipes do Wayne Isham em que os shows chegavam pela tela da TV da sala fizeram de mim um compulsivo por shows. 

Quais os melhores shows que você já viu até hoje? 
Rolling Stones (Rio de Janeiro, 1998), Mötley Crüe (Buenos Aires, 2008), Bruce Springsteen (São Paulo, 2013), Rammstein (São Paulo, 2012) e Iggy & the Stooges (Rio de Janeiro, 2005). 

Quais shows faltam para você ver para poder 'morrer feliz'? 
Billy Idol, Brian Setzer, Cheap Trick, Chris Isaak, Depeche Mode, Fleetwood Mac, George Michael, HIM, John Mellencamp, Journey, Pat Benatar, Prince, Rancid, Tom Petty, Turbonegro, ZZ Top... a lista é interminável.


Para você, o que é mais importante num show? 
Som alto e bem equalizado! Já vi produções maravilhosas em que o PA baixíssimo impediu transmitir a energia que vinha do palco. 

O que você acha do público brasileiro em comparação ao de outros países? 
Brasileiro canta alto quando gosta e conhece o repertório do artista. Hoje em dia, me irrita o fato de todos quererem filmar os shows, inclusive com tablets!


Você acha que a falta de assiduidade é o que tira o Brasil da rota dos artistas internacionais? 
O que acontece é que o público não conhece as bandas novas e os produtores sabem que trazendo artistas já consagrados, o lucro é mais garantido. Hoje em dia, é tudo excessivamente planejado e os custos são mais elevados, mas acredito que o Brasil esteja totalmente inserido. Entre março e maio e setembro e novembro, o calendário está entupido de shows. 

E em relação a ditadura de preços dos shows realizados no Brasil? Vê isso em algum outro lugar do mundo? 
É uma questão de oferta e procura. Andre Rieu, Eddie Vedder, Eric Clapton e Michael Bubblé a 700 reais e as pessoas compram. Brian Ferry, Elvis Costello e Nine Inch Nails a 400 e as pessoas não compram. Os produtores nacionais não entendem nada sobre faixa etária e popularidade local. Não é porque a P!nk esgota 45 arenas na Austrália e a Kate Bush vende todos os ingressos para 22 shows na Inglaterra em 15 minutos que será igual por aqui. Culpam a meia entrada, mas se esquecem dos impostos ECAD e seguros. No Brasil, essa é uma questão muito complexa; um círculo vicioso em que ninguém vai ceder. Se o público deixa de comprar, simplesmente cancela-se o show e a cidade é excluída da turnê. 

Entre ir a um show e comprar um disco, o que você prefere? 
Já vi muitos shows, por isso posso esnobar alguns hoje em dia. Tive a sorte de ir a shows numa época em que os ingressos para festivais como o Hollywood Rock custavam bem barato.


Qual a sua análise da cena rock hoje em dia? 
Absurdamente saturada, com quase mil lançamentos mundias por mês. No auge das gravadoras, nos anos 1980, eram entre 40 a 60 por mês. 

Ao seu ver, quais são os melhores artistas ou bandas surgidos nos últimos tempos? 
The Gaslight Anthem e Gary Clark Jr.


Se tivesse que indicar algum lançamento recente fora do rock para algum roqueiro, o que indicaria? 
O último do Daft Punk, Random Access Memories. 

Qual música te define? Por que? 
"Boys of Summer", do Don Henley. Escuto desde pequeno. Os riffs do Mike Campbell dialogam comigo e a letra, a cada ano que passa, vai mudando e se adaptando à minha evolução.

Por Marcelo Vieira

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