18 de dez de 2014

2014, além do óbvio

quinta-feira, dezembro 18, 2014
2014 foi um ano intenso. Um ano de mudanças. Um ano onde parei para reavaliar várias coisas na minha vida, entre elas a Collectors Room. E cheguei à conclusão que não valia mais a pena levar o site adiante, manter tudo isso no ar. Pelo menos da maneira como ele estava sendo feito.

Esse processo gerou uma parada geral por aqui. A ideia era realmente encerrar as atividades, parar com tudo e seguir a vida. E foi o que realmente aconteceu entre julho e agosto. Mas o tempo sempre faz bem, e com ele pude chegar a algumas conclusões que me levaram a rever as coisas. Dessa maneira, resolvi retomar a CR, a produção quase diária de conteúdo para este site que faz parte da vida de muitos leitores e que, para mim, significa a transposição do meu modo de ver e encarar a música.

Decidi levar as coisas de maneira mais leve. Sem tantas cobranças. Sem entrar em polêmicas desnecessárias. Já deixei bem claro o que acho errado em toda a cena brasileira, já fechei portas por causa dessa postura. Não preciso mais bater nessa tecla. Decidi focar o site essencialmente nessa frase que está bem grande aí em cima: música além do óbvio. Tentar entregar aos leitores um conteúdo diferente daquele que ele encontra nas dezenas de sites sobre rock e metal produzidos aqui no Brasil. Não sei se estou conseguindo isso (quem sabe a resposta são vocês, leitores). O que sei é que estou curtindo muito esse novo momento, que me fez retomar o prazer naquilo que é parte essencial da minha vida: música, ouvir música, escrever sobre música.

Para essa nova Collectors, conto com a colaboração dos grandes Guilherme Gonçalves e Rodrigo Carvalho, dois dos ouvidos mais inquietos que conheço, donos de textos afiados e sempre surpreendentes. O Thiago, o Marcelo e o Tiago seguem na ativa, produzindo em outros sites. Aqui está o mapa da mina pra você seguir acompanhando o trabalho de toda a turma que formou a equipe da Collectors Room durante muito tempo:

Guilherme Gonçalves -> seus textos sobre música podem ser lidos aqui, enquanto seu trabalho como jornalista esportivo está no Globo Esporte goiano 

Rodrigo Carvalho -> além da CR, o Rroio também publica seus textos no excelente Music on the Run 

Thiago Cardim -> o Thiago veio do Judão, e segue firme e forte por lá. Seus ótimos textos sobre música, quadrinhos e cinema pode (e devem) ser lidos aqui 

Marcelo Vieira -> o Marcelo também foi pro Judão, onde escreve sobre música, principalmente o universo do hard rock 

Tiago Neves -> o Tiago deu uma parada na produção de textos musicais, mas mantém um blog próprio cheio de matérias interessantes, o The Seventh Wall 

A Collectors Room está cada vez mais focada em levar aos leitores pautas criativas, reviews bem escritos, matérias bem elaboradas, que apresentam um conteúdo de qualidade. Um dos pontos fortes da personalidade do site está ganhando cada vez mais espaço neste novo momento: a apresentação de novas bandas e artistas para o nosso público. Através das colunas As Novas Caras do Metal e Collectors Room Apresenta, compartilhamos com o público as nossas pesquisas sonoras, com a primeira focada no metal e a segunda no rock de maneira geral. O objetivo é fazer com que você, nosso leitor, venha com a gente além da superfície, cavando e mergulhando mais fundo, indo além dos mesmos nomes de sempre.

O foco do site segue sendo metal, em primeiro lugar, com o rock nos calcanhares. Mas o espaço para outros gêneros, como jazz, blues e funk, sempre estará garantido através de matérias, playlists e textos abordando artistas destes estilos. Somos um site sobre música, no final das contas.

Quando criei a Collectors Room, lá em 2008, ainda tinha o sonho de viver só de música, de dedicar 100% do meu tempo para a CR e fazê-la ficar a cada dia maior. Hoje, vejo isso mais como uma utopia. O público que abrangemos hoje, o público que conquistamos em todos esses anos, é um público exigente, inteligente e com ouvido curioso, alinhado com o que publicamos nas páginas do site. E isso não apenas me satisfaz profundamente, como me enche de orgulho. A Collectors Room é parte considerável da minha personalidade, do meu modo de ser, de pensar e de ouvir. Hoje, não há pretensão alguma de ganhar algum dinheiro com isso tudo. Não temos anúncios. Não vendemos espaço. Não vendemos opinião. Escrevemos apenas o que pensamos. Se elogiamos, é verdadeiro. Se criticamos, é o que sentimos. Você pode concordar ou não, mas tudo que está em nossas matérias é autêntico e sincero.

Todo esse processo pelo qual o site passou durante 2014 me fez pensar no que a Collectors Room representa para as pessoas. Eu sei o que ela representa para mim, mas não fazia ideia do que ela representava para os leitores. E os retornos que recebi me fizeram perceber que somos parte importante da vida de muita gente. Algo maior do que eu imaginava. Bem maior. 

Estou entrando em férias nesta sexta, dia 19/12. Não sei ainda o que irei fazer. Não sei se vou viajar. Só sei que vou parar. Desligar a cabeça, limpar os neurônios. Ler o que está esperando ser lido, ouvir o que está esperando ser ouvido. Passar bastante tempo com o Matias, meu filho. Tomar banho de piscina e de mar. Beber cerveja, Coca-Cola e café. Por esse motivo, a Collectors vai também dar uma parada nesse período. Vai entrar em férias. Como eu e como você. Talvez uma ou outra matéria seja publicada nesse período, não sei ainda. O que sei é que devemos voltar com a programação normal, reiniciados e renovados, aí pelo dia 12/01, quando retorno das férias.

O bom disso tudo é que você terá um bom tempo pra participar da nossa enquete sobre quais foram os melhores discos de 2014 na opinião dos leitores. É bem simples: vá até os comentários deste post e poste quais foram os seus 10 álbuns preferidos do ano. Não valem discos ao vivo e nem coletâneas, e você pode escolher o que quiser. Na volta, vamos compilar todos esses dados, todas as escolhas dos leitores, e publicaremos quais foram os discos preferidos de você e de todos os que fazem este site ficar cada vez mais vivo, dia após dia.

Obrigado por estar mais um ano ao lado da gente aqui na Collectors Room. Obrigado principalmente pela paciência com tudo o que aconteceu neste 2014. Vamos seguir sempre em frente. Vou seguir sempre em frente, enquanto continuar tendo ao meu lado o apoio excepcional que tenho de todos vocês, leitores. 

Viva a música. Viva a vida. Além do óbvio. Sempre.

17 de dez de 2014

Collectors Room Apresenta: Miraculous Mule

quarta-feira, dezembro 17, 2014
Ingleses. Londrinos. Trio.

Na ativa desde 2010, com dois discos no currículo. Deep Fried saiu em 2013, e Blues Uzi no início de novembro de 2014.

É uma banda de blues com vocais que, em certos momentos, soam similares aos de Captain Beefheart e Tom Waits, meio bêbados e chapados. Influências claras do som do sul dos Estados Unidos, com um certo clima gospel aqui e ali.

Os dois álbuns estão disponíveis para audição nos players abaixo. Dica: ambos valem a pena, experimente!

Anunciadas as bandas do Monsters of Rock 2015

quarta-feira, dezembro 17, 2014
A organização do festival Monsters of Rock anunciou as atrações da edição 2015 do festival, que acontecerá nos dias 25 e 26 de abril no Anhembi, em São Paulo.

Tocarão no Monsters 2015:

Ozzy Osbourne
Kiss
Motörhead
Judas Priest
Steel Panther
Black Veil Brides
Rival Sons
Primal Fear
Manowar
Accept
Unisonic
Yngwie Malmsteen

Um line-up respeitável, que equilibra atrações clássicas (Ozzy, Kiss, Judas) com novos nomes que merecem destaque (Rival Sons, Black Veil Brides) e veteranos em ótima fase (Accept). Ainda que a presença de nomes como Manowar e Malmsteen não me agrade pessoalmente, é fato que estamos avistando no horizonte aquele que é um dos maiores sonhos dos fãs de música pesada aqui no Brasil: um festival anual dedicado exclusivamente ao estilo, com organização exemplar.

Os ingressos começam a ser vendidos nesta sexta, dia 19/12, à partir da 0h, através do Ingresso Rápido. Mais informações no site oficial do festival.

Parabéns a todos os envolvidos, a coisa promete!


Documentário retrata a cena metal de Angola

quarta-feira, dezembro 17, 2014
Um país pobre, devastado pela guerra. Onde a cultura é uma das últimas prioridades das pessoas, mais preocupadas em sobreviver aos dias do que qualquer outra coisa. Nesse cenário, a música mais uma vez mostra a sua força, em como pode transformar a vida das pessoas e torná-las melhor.

O documentário Death Metal Angola retrata esse cenário e vem recebendo elogios rasgados mundo afora. Dirigido por Jeremy Xido, o filme estreou em novembro e retrata a cena death metal e a realidade atual de Angola, um dos países mais carentes da África. 


O metal, o rock, a música, são muito mais do que apenas … música. E isso fica claro, mais uma vez, neste documentário.

Abaixo, o trailer de Death Metal Angola:

16 de dez de 2014

Afinal, quais foram os melhores álbuns de metal lançados em 2014?

terça-feira, dezembro 16, 2014
Atrás da resposta para a pergunta do título deste post, fizemos um divertido exercício. Pegamos as listas de melhores álbuns de metal de 2014 dos principais sites e revistas, e compilamos tudo. Atribuímos notas de 1 a 10 para os títulos, com o primeiro colocado recebendo 10 pontos, o segundo 9, e assim por diante. Colocamos também na soma os discos presentes nas listas de nossa equipe - Ricardo Seelig, Rodrigo Carvalho e Guilherme Gonçalves. Pra finalizar, atribuímos 5 pontos toda vez que um disco ficou entre os três melhores de uma lista, mais 5 pontos se ele alcançou a primeira posição, e um ponto extra para cada menção de um título em cada uma das listas. Ufa!

Fizeram parte deste levantamento as listas de melhores do ano abaixo:

About.com
Loudwire
Metal Hammer
PopMatters
Revolver
Rolling Stone
Spin
Stereogum

Assim, mostrando diferentes visões sobre o heavy metal, sobre a música pesada, acreditamos que é possível alcançar a um resultado final livre de vícios e dos gostos pessoais dos envolvidos, chegando o mais próximo possível do que de melhor o metal levou aos nossos ouvidos durante 2014.

Abaixo, o resultado final de toda essa pesquisa, com os 20 melhores discos de metal de 2014:

20 Septicflesh - Titan
19 Thou - Heathen
18 Godflesh - A World Lit Only by Fire
17 Electric Wizard - Time to Die
16 Eyehategod - Eyehategod
15 Sólstafir - Ótta
14 Judas Priest - Redeemer of Souls
13 Agalloch - The Serpent & The Sphere
12 Mastodon - Once More ‘Round the Sun
11 Morbus Chron - Sweven
10 Slipknot - .5: The Gray Chapter
9 Machine Head - Bloodstone & Diamonds
8 Horrendous - Ecdysis
7 Blut Aus Nord - Memoria Vetusta III
6 At the Gates - At War with Reality
5 Opeth - Pale Communion
4 YOB - Clearing the Path of Ascend
3 Triptykon - Melana Chasmata
2 Pallbearer - Foundations of Burden
1 Behemoth - The Satanist

A lista das listas de melhores discos de 2014

terça-feira, dezembro 16, 2014
Funciona assim: compilamos os dados de 16 listas de melhores discos de 2014, e chegamos a uma conclusão próxima do que foi o ano em termos de música. Este levantamento refere-se apenas ao universo pop. Em relação ao metal, faremos algo semelhante na sequência.

Fizeram parte deste estudo as listas dos seguintes veículos (clique nos links para ler as matérias originais):

Amazon
American Songwriter
Billboard
Consequence of Sound
Mojo
NME
Paste
PopMatters
Q Magazine
Rolling Stone
Rough Trade
Spin
Stereogum
The Guardian
Time
Uncut

A metodologia foi a seguinte: aplicamos uma escala de pontuação de 1 a 10, sendo 10 para o primeiro colocado de cada lista, 9 para o segundo e assim por diante. Além disso, cada primeiro lugar em listas ganhou 5 pontos extras, e cada presença entre o top 3 de cada lista, mais 5 pontos. Pra fechar, o número de presença nas listas (16 no total) rendeu um ponto extra por cada participação.

Com essa fórmula, chegamos nos 20 melhores discos de 2014, com base nas listas de melhores do ano dos principais veículos de todo o mundo. Vamos a eles:

20 Mac DeMarco - Salad Days
19 Sleaford Mods - Divide and Exit
18 Lana Del Rey - Ultraviolence
17 Sharon Von Etten - Are We There
16 Bleachers - Strange Desire
15 U2 - Songs of Innocence
14 Temples - Sun Structures
13 Jenny Lewis - Voyager
12 Damon Albarn - Everyday Robots
11 Caribou - Our Love
10 Alt-J - This is All Yours
9 Beck - Morning Phase
8 Taylor Swift - 1989
7 Aphex Twin - Syro
6 Sun Kil Moon - Benji
5 Angel Olsen - Burn Your Fire For No Witness
4 FKA Twigs - LP1
3 St. Vincent - St. Vincent
2 Run the Jewels - Run the Jewels 2
1 The War on Drugs - Lost in the Dream

Os melhores discos de 2014 na opinião de Igor Miranda

terça-feira, dezembro 16, 2014
Uma das novas caras do jornalismo musical brasileiro, o Igor começou a sua história na finada Combe do Iommi e foi um dos fundadores da Van do Halen, site que editou em parceria com o João Renato durante vários anos. Após todos essas experiências, criou o seu próprio canal - www.igormiranda.com.br -, onde segue fazendo um trabalho de qualidade e grande valor pra quem gosta de rock, além de trabalhar como redator e colunista na Revista Cifras e também no Correio de Uberlândia. Abaixo, o Igor conta quais foram os seus discos favoritos lançados em 2014, dando boas dicas para os ouvidos - como sempre.


Considerei 2014 como um ano fraco em relação aos lançamentos no rock. Medalhões como Judas Priest e Slash me decepcionaram e discos aguardados, como o do Metallica ainda não chegaram ao público. Mas há muito sangue novo no top 10 abaixo, que reforça: se os dinossauros do rock estão para morrer, há alguns nomes fortes para substitui-los no futuro.

Royal Blood – Royal Blood

Faltou originalidade aos lançamentos de 2014. Nesse aspecto, o Royal Blood deu de lavada nos concorrentes. O duo britânico que só conta com voz, baixo e bateria se elevou ao patamar de revelações do rock logo em seu disco de estreia. As claras influências de Led Zeppelin, Cream e Black Sabbath se unem ao frescor de Jack White e Queens of the Stone Age. Mas não é só isso. Não é só deixar a afinação mais grave, acelerar em excesso, arrastar demais ou repetir clichês. O debut do Royal Blood tem som pesado de verdade, com criatividade.

AC/DC –  Rock or Bust

Relutei para não colocar o AC/DC no pódio. Mas Rock or Bust já é um dos discos que mais ouvi em 2014, mesmo chegando ao público em novembro. O novo álbum apresenta um som oxigenado pela mudança de afinação dos instrumentos de cordas (meio tom mais grave) e uma mistura de fases: há uma aposta em estilos de riffs, bases e cozinhas presentes nos primeiros trabalhos da banda, aliados a uma produção e ao estilo de cantar por parte de Brian Johnson, que remete aos álbuns lançados na segunda década de 1980. Grande trabalho.

Rival Sons – Great Western Valkyrie


O Rival Sons cresce e promete penetrar no mainstream a cada álbum - especialmente porque eles investem em lançamentos de novas músicas e isso, sob meu ponto de vista, é o que consolida um grande grupo. Great Western Valkyrie bebe no blues hard rock disseminado na década de 1970, mas tem um ponto de encontro com os anos 2010: a voz aveludada e comerical de Jay Buchanan.

Foo Fighters – Sonic Highways

Após o maior êxito da carreira em Wasting Light (2011), seria natural que o Foo Fighters desse um passo adiante no lançamento seguinte. E Sonic Highways realmente mostra o momento mais sofisticado do quinteto. Cada melodia parece ter sido trabalhada como se fosse a última. Muitos esperavam um trabalho instintivo, como a maioria dos outros, mas Sonic Highways é diferente. Tem consistência enquanto full-length, canções poderosas, uma história por trás e diálogo com outros estilos, especialmente o rock clássico. Pode não descer de primeira, mas vale a insistência.

Wolfmother – New Crown

New Crown não traz muitas mudanças em comparação aos discos antecessores do Wolfmother. Para mim, um ponto positivo: a fórmula que mistura rock clássico com stoner e alguns momentos de heavy metal ainda tinha o que render. Os riffs poderosos, o formato trio que evidencia a cozinha e os vocais agudíssimos de Andrew Stockdale mostram que, em tempos de lançamentos fracos, o revival da década de 1970 continua firme.



Não parecia planejado, mas o Mr. Big se reuniu às pressas para gravar e lançar ...The Stories We Could Tell antes que a saúde do baterista Pat Torpey, diagnosticado com mal de Parkinson, piorasse. O disco é bem saudosista em relação às influências do grupo: dá para sentir um pouco do hard rock setentista nas canções. As músicas estão menos aceleradas e a virtuose não marca tanta presença. Como conjunto, trata-se de um álbum melhor do que o antecessor, What If... (2011).

Lenny Kravitz – Strut

Lenny Kravitz gravou um dos melhores discos lançados na década de 2010, o excelente Black and White America (2011). É natural que o sucessor não fosse tão bom. Mas ainda assim, Strut é ótimo. Aqui, Kravitz retomou suas influências roqueiras, que nos trabalhos anteriores deram lugar à black music, e desfilou hits ao longo da tracklist. Lenny não é só um bom cantor/guitarrista, mas também – e especialmente – um compositor de mão cheia.

Radio Moscow – Magical Dirt

O Radio Moscow tem mais cheiro de passado do que o próprio AC/DC, lembrado neste top 10. O som do trio liderado pelo grande Parker Griggs consegue apresentar elementos psicodélicos sem perder a concisão, algo que poucos conseguiram até hoje, em meu ver. Sem muitas mudanças em relação aos lançamentos antecessores, Magical Dirt é mais um cartão de visitas do grupo, que traz blues, stoner, garage e hard rock setentista com doses de influência de Jimi Hendrix Experience. Não há nenhuma música ruim nesse trabalho.

Blues Pills – Blues Pills

Fãs mais entusiasmados comparam o Blues Pills ao Led Zeppelin e, de fato, há alguns elementos no disco de estreia dos novatos que remetem a um dos quartetos mais consagrados da música popular. Mas vamos com calma. O primeiro álbum dos suecos não é genial, só é muito divertido e bem tocado. A cantora Elin Larsson tem um timbre de voz bastante peculiar, o que dá o charme no grupo. Ainda sinto que podem evoluir, mas o pontapé inicial já entra no meu top 10 de 2014.

Ace Frehley – Space Invader

Extra! Extra! Ace Frehley deixou de ser preguiçoso pela primeira vez desde o fim da década de 1980!”. Se Space Invader fosse um jornal, poderia ser anunciado dessa forma nas ruas. Mas é um disco – e dos bons. Frehley parece ter ouvido os fãs e proporcionado a eles o que queriam. Por isso, Space Invader é satisfatório: traz hard rock direto, cru, com ênfase nos riffs e solos e a pontinha de genialidade que colaborou na explosão do Kiss há quase quarenta anos.

O Led Zeppelin não é, nem nunca foi, um "plágio"

terça-feira, dezembro 16, 2014
De uns tempos para cá, virou lugar comum acusar o Led Zeppelin de ser uma banda construída, essencialmente, em cima de canções baseadas em supostos “plágios” de outros artistas. Resumir a obra e o legado da banda formada por Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham a isso é uma estupidez baseada em desinformação e preconceito, mas infelizmente muitos têm cometido este erro apoiados em análises equivocadas de terceiros.

Em primeiro lugar, é preciso entender o que é considerado plágio e o que é uma simples referência. Sim, há diferença entre os dois conceitos, apesar de os mais apressadinhos ignorarem isso. Em uma definição ampla, o plágio é o ato ou o efeito de tomar para si o trabalho autoral de outra pessoa. No aspecto musical, criou-se uma jurisprudência que define o plágio a partir do uso de sete compassos praticamente idênticos a um trecho de uma canção antecedente. A rigor, o Led Zeppelin foi julgado e condenado por apenas um caso: “Whole Lotta Love” tem um riff muito similar ao de “You Need Love”, composição de Willie Dixon imortalizada por Muddy Waters.

O rock de maneira particular, e a música popular de forma geral, alimentam-se de uma base de fórmulas e clichês bem definidos. Todo gênero musical tem os seus. O blues, considerado o pai de todos os estilos, soa parecido para um ouvinte leigo. Explico: quem nunca ouviu blues, ou tem um contato apenas superficial com o gênero, confundirá a linguagem e a estrutura características do estilo, erroneamente, como similaridade excessiva entre as músicas. Ouça as gravações originais de Robert Johnson, lá na década de 1930, e pegue um artista atual como Joe Bonamassa, por exemplo. De maneira geral, é tudo parecido, porque essa é a identidade do blues, o DNA do gênero. Agora, afirmar que Bonamassa é um clone de Johnson é uma estupidez imensa.

O mesmo vale para o rock, que é um estilo construído a partir de uma escala de acordes comum a todos. Essa escala, obviamente, é finita, e repetições e similaridades são comuns. Pegue os riffs dos Rolling Stones e do AC/DC e os compare aos gravados e compostos por grandes nomes do blues como Willie Dixon, Muddy Waters e John Lee Hooker. Você irá encontrar semelhanças em várias músicas, e de maneira bem fácil. Entretanto, não trata-se de plágio, mas sim do uso de um referencial histórico sobre o qual não apenas a obra dessas duas bandas, mas todo o rock, foi construído. 

Você pode fazer esse exercício com vários nomes diferentes. Pegue os discos do Judas Priest e do Iron Maiden e compare com qualquer banda de metal melódico, ou os primeiros álbuns do Metallica, Slayer e Exodus e o thrash metal. Basta mudar o ponto de origem e a sonoridade alcançada, o resto é um processo cíclico.

O que ocorre com o Led Zeppelin em particular irrita porque propaga, de maneira equivocada, a visão de que a banda construiu a sua carreira roubando a criatividade de outros artistas, o que não é verdade. Jimmy Page desde sempre foi um prodígio na guitarra, e ainda criança já se apresentava na TV inglesa. Conforme foi crescendo, fez a sua reputação como músico de estúdio, tocando em centenas de gravações (muitas delas não creditadas) de artistas do porte dos Stones, Kinks e The Who, por exemplo. Essa experiência fez Page ter uma visão única do estúdio, e que ele aplicaria com êxito no Led Zeppelin. O primeiro disco da banda, lançado em 1969, foi produzido pelo guitarrista, assim como os posteriores, demonstrando desde cedo que ele era o chefe da jogada, e que o comando era seu.


Se você perguntar para qualquer pesquisador ou jornalista musical sério a respeito da importância do Led Zeppelin, receberá respostas entusiasmadas sobre a banda. O Led redefiniu o blues, foi fundamental para o hard, mostrou que uma banda de rock não precisava e nem deveria ficar limitada ao estilo. Liderado por Page, o grupo fez experimentos com diversos gêneros no decorrer de sua carreira, sempre com êxito e com resultados muito superiores às bandas contemporâneas. O Led Zeppelin caminhou pelo folk (“Babe I’m Gonna Leave You”, “Your Time is Gonna Come”), psicodelia (“Dazed and Confused”), o rock da década de 1950 (com a dobradinha “Heartbreaker” e “Living Loving Maid”), o já falado blues (“Since I’ve Been Loving You”, “Tea for One”), música celta (“The Battle of Evermore”), reggae (“D’yer Mak’er”), prog (“No Quarter”, “Carouselambra”), música indiana (“Kashmir”), pop (“All My Love”, “Houses of the Holy” - a música, não o álbum), sons orientais (“In the Light”), country (“Down by the Seaside”), rockabilly (“Boogie with Stu”), heavy metal (“The Rover”, “Achilles Last Stand”), funk (“Trampled Under Foot”) e até mesmo samba (“Fool in the Rain”), além de vários outros estilos musicais. 

Tudo isso foi resultado do “roubo” de ideias alheias? Da “chupação” pura e simples? É claro que não! Resumir os oito álbuns gravados pelo grupo - Led Zeppelin (1969), Led Zeppelin II (1969), Led Zeppelin III (1970), Led Zeppelin IV (1971), Houses of the Holy (1973), Physical Graffiti (1975), Presence (1976) e In Through the Out Door (1979) (Coda, de 1982, não entra na conta por ser uma compilação póstuma) -, o impacto da música do quarteto, à mera imitação da obra de outros artistas pode ser definido com várias palavras como preguiça, inércia, negligência, apatia, preconceito, desinformação, passividade e outras tantas. Se fosse tão simples assim, se a verdade fosse de fato tão simplória como é vendida, eu pararia agora mesmo o que faço, aprenderia a tocar guitarra, montaria uma nova banda e seria o novo Led Zeppelin!

Resumir a obra do grupo ao plágio puro e simples é, acima de tudo, desconhecimento. O Led Zeppelin foi uma banda única por diversos aspectos. O principal é que tratavam-se de músicos extraordinários. Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham eram músicos incríveis e únicos. E, acima do trio, pairava a genialidade de Jimmy Page, um dos maiores guitarristas da história do rock - na minha opinião, o melhor, mas isso é assunto para outro texto. A união da criatividade inerente aos quatro fez nascer uma sonoridade intensa e profundamente influente. Alguns podem afirmar que não tratava-se de um som necessariamente inédito, já que Jeff Beck havia mostrado ao mundo uma sonoridade semelhante no álbum Truth, de 1968. Vou ainda mais longe: o próprio Yardbirds, banda da qual Page e Beck fizeram parte, caminhava para o tipo de som que o Led Zeppelin faria na década de 1970. Porém, isso não elimina o grandioso e seminal trabalho executado por Page, Plant, Jones e Bonham. De novo: se fosse assim tão simples, porque não surgiram outras bandas como o Led Zeppelin? Se fosse tão fácil, porque ninguém fez nada sequer parecido? 


O impacto da música do Led Zeppelin na cultura popular é gigantesco. Arrisco dizer que só encontra patamar similar no legado deixado pelos Beatles e pelos Rolling Stones. O auge do grupo, durante meados da década de 1970, definiu o comportamento padrão dos músicos de rock, com excessos, orgias e o que mais desse na telha. Há inúmeros filhos bastardos do Led Zeppelin espalhados por todas as décadas. Nomes como Aerosmith, Guns N’ Roses, White Stripes, Black Keys e Rival Sons, só para ficar nos mais óbvios, apresentam influências gigantescas da música do grupo. E esse é um processo que não terá fim, pois todos os dias um menino, uma menina, tem o seu primeiro contato com o som da banda e descobrem o maravilhoso universo criado pelo grupo.

Antes de afirmar e acreditar nas acusações de plágio que cercam o Led Zeppelin, pesquise mais não apenas sobre a discografia dos caras, mas, sobretudo, sobre a história do rock, do blues e da música popular como um todo. Entenda como funciona esse mecanismo, como se dá o processo criativo, onde o cérebro de cada um busca suas referências, e você perceberá, de maneira clara, que a ideia de “ineditismo” puro e simples na música é algo bastante questionável. Há os artistas originais aos montes - como o próprio Led Zeppelin, diga-se de passagem -, mas todos eles partiram de algo já existente. Se formos aplicar esse conceito ao pé da letra, nada será original, tudo será cópia. 

Não me venham tentar diminuir a obra de uma das maiores bandas da história da música com acusações e informações que já estão ultrapassadas e já foram negadas e não aceitas até pelos próprios músicos dos grupos que teriam sido, supostamente, “roubados”. 

Finalizando, para quem nunca ouviu o grupo ou ainda duvida da sua influência e impacto, sugiro uma audição atenciosa de Physical Graffiti, um dos álbuns mais completos já gravados por uma banda de rock. Depois disso, a gente volta a conversar.

15 de dez de 2014

Anthrax - Chile on Hell (2014)

segunda-feira, dezembro 15, 2014
Com todo respeito aos integrantes da banda, as verdadeiras estrelas do novo DVD do Anthrax são os 5.500 fãs chilenos que estiveram presentes no Teatro Caupolitan, em Santiago, no dia 10 de maio de 2013. A participação do público é ativa e em alto volume, tanto literal quanto emocionalmente. 

Promovendo o EP Anthems, o quinteto tocou um set de 18 faixas, incluindo cinco covers - com direito à clássica “Raining Blood”, do Slayer - e nenhuma canção do período John Bush, em uma performance cheia de energia e entusiasmo.

Ainda que possa se questionar o retorno de Joey Belladonna, muito mais uma jogada conveniente para todos do que qualquer outra coisa, sua participação é poderosa durante o show, tanto nas canções de Worship Music quanto em clássicos como “Caught in the Mosh”, “Deathrider” e “Madhouse”.

Assistir a esse vídeo dá uma prazerosa sensação de ciúmes por não estar presente. E isso é um tremendo elogio.

Nota 7

Por Paul Brannigan
Tradução de Ricardo Seelig
Texto publicado na edição #265 da Metal Hammer

Checklist #005

segunda-feira, dezembro 15, 2014
O destaque da semana é a capa da nova edição da Metal Hammer, com Dimebag. É daquelas artes de se fazer um quadro e pendurar na parede.

Gostou ou se interessou por alguma das edições abaixo? É só entrar nos sites oficiais das publicações e adquirir as revistas impressas ou suas edições digitais.







Krokodil - Nachash (2014)

segunda-feira, dezembro 15, 2014
Impressiona a maturidade apresentada pelo Krokodil em Nachash, seu disco de estreia, lançado em novembro pela Spinefarm. Formada em 2011, a banda inglesa entrega um sludge repleto de groove e riffs cavalares, e o resultado final é um dos grandes álbuns de metal lançados em 2014.

O sexteto conta com músicos com certa experiência, vindos de grupos como SikTh (o baterista Dan Foord e o baixista James Leach), Gallows (o guitarrista Laurent Barnard), Hexes (Dan Carter, guitarrista), Cry for Silence (Alex Venturella, guitarra) e Liber Necris (o vocalista Simon Wright), formando uma espécie de “supergrupo do futuro”. 

O som do Krokodil é calcado na maior invenção do homem depois da Coca-Cola, do café e do pastel: os riffs de guitarra. Todas as 12 canções de Nachash, sem exceção, são construídas a partir de riffs que proliferam do trio de guitarristas, em um peso astronômico que ganha o adorno sempre bem-vindo de doses certeiras de groove. As influências principais percebidas durante a audição do álbum são Mastodon, Meshuggah, Isis, Converge, Neurosis e Tool. As raízes dos músicos estão presentes e são usadas para montar uma sonoridade com personalidade própria, nada derivativa.

Sempre aprecio a técnica aplicada ao peso, elevando a agressividade das canções à potência máxima, e o Krokodil faz isso com precisão. A violência sonora é onipresente e sempre vem acompanhada por passagens instrumentais inspiradas e nada convencionais, que entortam o ouvido e a cabeça.

Há uma espécie de divisão em Nachash, com a primeira parte do álbum soando mais agressiva enquanto as canções finais apresentam trechos mais atmosféricos e contemplativos, como que conduzindo o ouvinte por uma batalha sanguinolenta que leva ao descanso merecido.

Se você curte Mastodon, Anciients, Intronaut e bandas nessa linha, a estreia do Krokodil foi feita pra você. Metal pesadíssimo, cativante, que preenche as veias e faz o coração bater mais forte.

Recomendadíssimo!

Nota 8,5

14 de dez de 2014

A música da série True Blood

domingo, dezembro 14, 2014
True Blood é uma série produzida e transmitida pela HBO. O primeiro episódio foi ao ar em 7 de setembro de 2008, e atualmente o seriado está em sua quinta temporada. As quatro primeiras podem ser adquiridas em boxes de DVDs, à venda em grandes redes de todo o Brasil.

Resumindo a história para quem nunca assistiu, True Blood tem um ponto de partida muito interessante: cientistas conseguem sintetizar o sangue humano, produzindo-o em escala industrial. O produto é lançado no mercado com o nome de True Blood, fazendo com que os vampiros saiam das sombras onde estavam durante séculos e convivam com os humanos. Além dos nossos amigos com caninos avantajados, a série é povoada por diversas outras criaturas fantásticas como lobisomes, transmorfos e fadas.

Todo esse universo vem embalado em uma estética e uma fotografia que remetem ao lado mais caipira dos Estados Unidos - o ponto central da série é a minúscula e fictícia cidade de Bon Temps, no interior da Louisiana - e a uma alta carga de sensualidade. Cenas de nudez e com forte apelo sexual são onipresentes nos episódios, tornando tudo ainda mais interessante.

E essa trama toda vem acompanhada por uma ótima trilha sonora, que é o assunto sobre o qual vamos falar neste artigo. A música é um fator fundamental em True Blood, responsável por deixar tudo ainda mais perturbador, sensual e autêntico. Gary Calamar, um dos responsáveis pela trilha, afirma que queria dar ao seriado um “blues pantanoso e assustador”. E ele conseguiu. Variando entre clássicos do blues e do country e sons mais atuais - mas com essa característica -, os produtores de True Blood criaram uma trilha sonora espetacular, que está entre as melhores das últimas décadas.

Pode-se dizer que há uma certa influência de Quentin Tarantino na maneira como a música é inserida em True Blood. Indo um pouco mais além, é possível afirmar que, de modo geral, Tarantino criou um padrão, uma escola, muito eficiente, que serve como uma espécie de guia de como criar uma trilha de grande apelo pop tanto para filmes quanto para seriados de TV. Investindo primordialmente em nomes de pouca expressão e deixando os medalhões de lado, os discos com a trilha de True Blood servem como vitrine, apresentando diversos novos artistas para o grande público.



Já foram lançados três CDs reunindo músicas da trilha da série. Dois dos três discos contam com a faixa presente na abertura, a ótima “Bad Things”, de Jace Everett - assista acima a abertura. Além disso, há um disco exclusivo com a trilha original, composta por Nathan Barr. A qualidade do trabalho foi reconhecida não apenas pelo público - que consumiu vorazmente os discos - mas também pela crítica, que deu à música de True Blood diversos prêmios, além de duas indicações ao Grammy.

Outro ponto interessante é que cada episódio de todas as cinco temporadas da série é batizado com o nome de uma composição. Geralmente, a canção que dá nome ao capítulo toca durante os créditos finais. O primeiro episódio, por exemplo, tem o título de “Strange Love”, e, ao longo dos anos, os espectadores assistiram tramas batizadas com denominações como “Timebomb”, “Beautifully Broken”, “It Hurts Me Too”, “Me and the Devil”, “Spellbound”, “Burning Down the House”, “Turn! Turn! Turn!”, “Somebody That I Used to Know” e “Everybody Wants to Rule the World”, todos títulos de canções conhecidas.

Abaixo você confere o tracklist dos três volumes com a trilha sonora de True Blood:
True Blood (2009)

1 Jace Everett - Bad Things  
2 C.C. Adcock - Bleed 2 Feed
3 Lucinda Williams - Lake Charles
4 Lee Dorsey - Give It Up
5 Th' Legendary Shack Shakers - Swampblood
6 Cobra Verde - Play With Fire
7 The Watson Twins - Just Like Heaven
8 The Flying Burrito Bros - Christine's Tune (aka Devil in Disguise)
9 Ryan Adams - Two
10 Slim Harpo - Strange Love  
11 Allen Toussaint - From a Whisper to a Scream
12 Dr. John - I Don't Wanna Know
13 John Doe & Kathleen Edwards - The Golden State
14 Little Big Town - Bones


True Blood Volume 2 (2010)

1 M. Ward - Howlin' for My Baby
2 Jace Everett & C.C. Adcock - Evil (Is Going On)
3 Beck - Bad Blood
4 Robbie Robertson - How to Become Clairvoyant
5 Jr. Walker & the All Stars - Shake and Fingerpop
6 Screamin' Jay Hawkins - Frenzy
7 Elvis Costello with Lucinda Williams - Kiss Like Your Kiss
8 Buddy & Julie Miller - Gasoline and Matches
9 Chuck Prophet - You Did (Bomp Shooby Dooby Bomp)
10 The 13th Floor Elevators - You're Gonna Miss Me
11 Eels - Fresh Blood
12 Thievery Corporation - The Forgotten People (Bon Temps Remix)
13 King Britt & Sister Gertrude Morgan - New World in My View
14 Bob Dylan - Beyond Here Lies Nothin'


True Blood Volume 3 (2011)

1 Karen Elson Feat. Donovan - Season of the Witch
2 Gil Scott-Heron - Me and the Devil
3 Slim Harpo - Te Ni Nee Ni Nu
4 Neko Case and Nick Cave - She's Not There   
5 PJ Harvey and Gordon Gano - Hitting the Ground
6 Siouxsie and the Banshees - Spellbound
7 Damien Rice - 9 Crimes [Demo]
8 Nick Lowe - Cold Grey Light of Dawn
9 Cary Ann Hearst - Hell's Bells
10 Jakob Dylan and Gary Louris - Gonna Be a Darkness
11 Blakroc - What You Do to Me
12 Massive Attack - Paradise Circus
13 The Heavy - And When I Die
14 Jace Everett - Bad Things


E abaixo você pode ouvir algumas das melhores canções presentes na trilha:



Resumindo: se você quer assistir uma boa série, que prende a atenção e acompanha por uma trilha sonora de primeira, True Blood é uma ótima opção!


(Matéria publicada originalmente em 20 de agosto de 2012)

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