A história por trás da capa de Sgt. Peppers, o maior clássico dos Beatles

Provavelmente o disco mais famoso da história, e também um dos mais influentes álbuns já gravados, Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band tem uma história tão rica quanto o seu impacto não só na música, mas na cultura pop como um todo.

Lançado originalmente em 1 de junho de 1967, Sgt Peppers virou o rock de cabeça para baixo com suas treze faixas, que traziam um refinamento e uma ousadia poucas vezes ouvida até então. Mas, além da música, outro aspecto de Sgt Peppers também chamou muita atenção: a sua capa. Criada pelo artista plástico e pintor Peter Blake, a capa traz uma montagem de imagens com diversas personalidades do século XX – nomes como Albert Einstein, Aleister Crowley, Bob Dylan, Edgar Allan Poe, Karl Marx, Lewis Caroll, Marilyn Monroe, Marlon Brando, Oscar Wilde, Tony Curtis, entre outros – ao lado de uma foto de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr vestidos como sargentos, clicada pelo fotógrafo Michael Cooper.


Mas de onde surgiu a inspiração que fez Blake criar uma das imagens mais marcantes da história da música? A resposta está na Idade Média, mais precisamente no século XVI, na obra O Enterro do Conde de Orgaz, de autoria do pintor, escultor e arquiteto grego Doménikos Theotokópoulos. Pintada em 1586, a obra foi uma encomenda de Dom Andrés Núñez de Madrid em homenagem ao Senhor de Orgaz, Gonzalo Ruiz de Toledo, um dos maiores benfeitores da paróquia de Santo Tomé, na Espanha. O quadro foi concebido para ficar na capela onde localiza-se o túmulo do Senhor de Orgaz e até hoje permanece no mesmo local – a capela de Nossa Senhora da Concepção, na Igreja de Santo Tomé, em Toledo, na Espanha.

A similaridade entre a obra de El Greco e a colagem de Peter Blake é evidente. Não se pode provar que Blake se inspirou conscientemente em O Enterro do Conde de Orgaz para conceber a capa de Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, mas é correto supor que, ainda que inconscientemente, Peter Blake tenha encontrado uma referência na obra de El Greco, já que a pintura era largamente conhecida em todo o mundo em 1967.


De uma forma geral, ambas as composições tem o mesmo conceito: uma cena central sendo observada por personalidades. Na obra de El Greco estão presentes personagens como Santo Estevão, Santo Agostinho, monges e sacerdotes, dispostos em fileiras, uns sobrepondo os outros, exatamente da mesma maneira que Blake faria quatro séculos depois.

Como curiosidade, vale citar que O Enterro do Conde de Orgaz sofreu poucos reparos ao longo dos séculos. Em 1672 a obra teve a sua primeira limpeza e em 1975 sofreu uma grande restauração. O local em que está localizada é aberto para visitação, então, se você estiver dando uma volta por Toledo, vale a pena dar uma passada pela Igreja de Santo Tomé e conferir, ao vivo, uma das pinturas mais famosas da história e que serviu, mesmo de maneira inconsciente, como inspiração para uma das imagens mais emblemáticas do século XX.

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