9 de set de 2017

Quadrinhos: Unfollow, de Rob Williams e Michael Dowling

sábado, setembro 09, 2017

Para que servem as redes sociais? Entre as várias respostas possíveis, a integração e aproximação entre as pessoas certamente está cada vez mais distante. Já a criação de personagens (ou máscaras) virtuais que contrastam com o verdadeiro eu de cada indivíduo surge como uma tendência (ou seria uma espécia de sociopatia?) que cresce mais e mais a cada dia.

Este e outros pontos são explorados com brilhantismo pelo roteirista Rob Williams (A Realeza: Os Mestres da Guerra) em Unfollow, série da Vertigo que a Panini está iniciando a publicação aqui no Brasil. Lá fora, Unfollow já tem 18 edições reunidas em três encadernados. 140 Tipos, o primeiro a sair no Brasil, vem com as seis primeiras em uma edição com 148 páginas, capa cartão, papel LWC e formato 17x26.

A trama imaginada por Williams soa como uma espécie de experimento de Stanford desses tempos estranhos onde a internet parece resumida a apenas uma ferramente para acessar redes sociais. Larry Ferrell é um jovem brilhante e bilionário, com apenas 24 anos, e que sofre de um câncer terminal. Ele é o criador de uma rede social gigantesca, e resolve dividir a sua fortuna entre 140 usuários desta rede escolhidos aleatoriamente através de um aplicativo. Só que tem um detalhe: os mais de 18 bilhões de dólares de Ferrell serão divididos igualmente entre os selecionados. Mas, se um morrer, a divisão passa a ser entre 139 pessoas, 138, 137 ... e assim por diante. Ou seja: é um teste não apenas para a ambição de cada indivíduo, mas sobretudo uma gigantesca prova de caráter coletiva.




E os personagens criados por Williams exploram os estereótipos tão comuns presentes nos Facebooks e Twitters da vida. Temos o garoto deslumbrado, a patricinha maluquinha, o profeta salvador e assim por diante. A arte de Dowling é primorosa, com um traço meio sujo e que casa como uma luva com o texto de Williams. 

A leitura de Unfollow faz surgir várias perguntas. E ela possui várias camadas, é preciso admitir. Enquanto referências mais óbvias como o perfil dos participantes estão escancaradas, outras mais sutis como as máscaras que vão ruindo pela convivência interpessoal dos perfis virtuais podem passar batido pelos mais desatentos.

Unfollow é excelente, e bebe na fonte das questões abordadas pelo seriado Black Mirror, por exemplo, levantando dúvidas e perguntas sobre o que a tecnologia anda fazendo com essa imensa massa de manobra chamada humanidade.

Leia, pois é incrível.

Candlemass celebra 30 anos de clássico com edição especial

sábado, setembro 09, 2017

Dia 20 de outubro as lojas de discos receberão a nova edição de Nightfall, celebrando os trinta anos de um dos maiores clássicos do Candlemass.

A nova versão é tripla e traz muitas faixas extras, além de uma embalegam especial e encarte com novos textos escritos pelo baixista Leif Edling.

Abaixo está o tracklist:

CD1 - Nightfall studio album:

01. Gothic Stone
02. The Well Of Souls
03. Codex Gigas 
04. At The Gallows End 
05. Samarithan 
06. Marche Funebre 
07. Dark Are The Veils Of Death 
08. Mourners Lament 
09. Bewitched 
10. Black Candles 

CD2 - Nightfall studio rough/alternate mixes:

01. Dark Are The Veils Of Death 
02. At The Gallows End 
03. The Well Of Souls 
04. Mourners Lament 
05. Samarithan 
06. Codex Gigas 
07. Bewitched 

CD3 - Rehearsal 1987:

01. Dark Are The Veils Of Death 
02. Codex Gigas 
03. Dark Are The Veils Of Death 
04. The Well Of Souls 
05. Samarithan 
06. Mourners Lament

Electric Wizard anuncia novo disco

sábado, setembro 09, 2017

O Electric Wizard, um dos grandes nomes do doom metal, lançará em novembro o seu nono álbum. Wizard Bloody Wizard chegará às lojas dia 10/11 e colocará fim a um silêncio de três anos sem material inédito, desde Time to Die (2014).

O disco tem apenas seis faixas e 33 minutos de música, definida pela banda como "um esmagamento de crânio e um estupro cerebral e, como os bons filmes de terror, definitivamente não indicado para pessoas com problemas nervosos". 

Wizard Bloody Wizard foi produzido pelo guitarrista e vocalista Jus Oborn e pela guitarrista Liz Buckingham. O tracklist é esse:

1. See You in Hell
2. Necromania
3. Hear the Sirens Scream
4. The Reaper
5. Wicked Caresses
6. Mourning of the Magicians

8 de set de 2017

Playlist Collectors Room: Blues

sexta-feira, setembro 08, 2017

O blues nasceu em comunidades afro-americanas, principalmente na região sul dos Estados Unidos, no final do século XIX. Ele surgiu dos spirituals, canções de trabalho, cantos e baladas narrativas entoadas pelos escravos negros. Musicalmente, associou-se a uma progressão de acordes de 12 compassos (embora sempre apresentasse muito mais variações do que apenas esta forma) e empregou notas musicais distintas, ligeiramente em desacordo com a música clássica ocidental. 

Na primeira metade do século XX o gênero cruzou elementos e ideias com o jazz e o rhythm and blues, e ficou muito mais elaborado e rico harmonicamente. O blues continuou a se transformar em vários sub-gêneros como o Delta Blues, Piedmont, Jump-Blues e Chicago Blues.

Após a Segunda Guerra Mundial, muitos artistas, em particular de Chicago, passaram a eletrificar o blues, fazendo nascer uma ramificação que foi fundamental para o nascimento do rock e, mais tarde, para o blues rock, hard rock e heavy metal.

Durante a década de 1960, uma nova geração de músicos ingleses encabeçada por nomes como John Mayall, Eric Clapton, Rolling Stones, Yardbirds e outros apresentou o gênero para a juventude da época, regravando clássicos de nomes como Robert Johnson, Muddy Waters e diversos ícones. Esse movimento foi vital, inclusive em termos econômicos, para que grande parte dos músicos de blues pudessem sobreviver e encontrassem solidez em suas carreiras.

Nos anos 2000 o blues teve um grande revival puxado por nomes como Joe Bonamassa e pelas bandas de garage rock como o The Black Keys, que seguem levando o estilo sempre em frente, vivo e pulsante.

Abaixo está uma playlist com 183 músicas organizadas em ordem cronológica, começando lá em 1936 com Robert Johnson e chegando até 2017. A ideia é demonstrar como o blues foi se desenvolvendo ano a ano, tanto pelo estilo próprio de cada artista quanto pela inclusão de novos elementos de épocas em épocas. Você não irá ouvir de uma só tacada, mas é uma ótima ferramenta para conhecer esse gênero musical absolutamente fundamental.

Siga nossas outras playlists no Spotify e ouça essa extensa seleção com os maiores clássicos do blues no player abaixo:

Review: Weakless Machine - Manipulation (2017)

sexta-feira, setembro 08, 2017

Quando você coloca pra rodar um CD de uma banda que nunca ouviu falar e ele te surpreende positivamente, a sensação é incrível. Sério, é gratificante quando seus ouvidos descobrem algo novo e com qualidade intrínseca. E foi esse sentimento que tive ao dar play em Manipulation, primeiro álbum do trio gaúcho Weakless Machine.

A banda foi formada em Porto Alegre em 2015 e acaba de lançar o seu primeiro disco. O CD foi produzido por Renato Osório, guitarrista do Hibria, e traz nove faixas próprias. Jonathan Carletti (vocal), Fernando Cezar (guitarra) e Gustavo Razia (baixo) contaram com a participação de Luke Santos na bateria neste primeiro álbum.

Mas o que sai das caixas de som? Um thrash metal repleto de groove, com algumas influências de NWOBHM nos solos, muito peso e inspiração. Fica clara a influência de nomes como Machine Head, Chimaira, DevilDriver e outros nomes da escola norte-americana dos anos 1990 e 2000 na sonoridade do Weakless Machine. E isso quer dizer que os gaúchos executam um thrash moderno e atual, sem nada de retrô em seu som.

Competente pra caramba e repleto de boas músicas, Manipulation é um disco que merece chegar a mais ouvidos. O trabalho do Weakless Machine é legal pra caramba e todo fã de metal deveria ouvir - sério! Destaque para o vocal de Jonathan, agradável e agressivo ao mesmo tempo. As guitarras de Fernando cospem riffs que incitam o bate cabeça, enquanto nos solos, como já dito, trazem muita melodia e uma certa influência do metal britânico do início dos anos 1980. E a cozinha é groove o tempo todo, com blast beats ocasionais, bumbo duplo e ritmo pulsante.

Manipulation é um grande disco. Não há outra conclusão possível após o final da audição. Com uma sonoridade cativante, timbres atuais e uma produção exemplar, é sem dúvida um dos grandes álbuns de metal lançados por uma banda brasileira em 2017. Ouça já!

Supersonic Blues Machine anuncia segundo disco cheio de participações especiais

sexta-feira, setembro 08, 2017

Formado por Lance Lopez, Fabrizio Grossi e Kenny Aronoff, o trio Supersonic Blues Machine lançará o seu segundo disco no dia 20 de outubro. Californisoul é o sucessor de West of Flushing, South of Frisco, liberado em 2016.

O álbum trará as participações especiais de Billy Gibbons, Steve Lukather, Eric Gales, Robben Ford e Walter Trout.

O primeiro single, “L.O.V.E.”, pode ser ouvido abaixo:

Life in 12 Bars, filme sobre a vida de Eric Clapton, ganha primeiro trailer

sexta-feira, setembro 08, 2017

O documentário Life in 12 Bars, que conta a vida de Eric Clapton, estreará no próximo dia 17 de setembro no Toronto International Film Festival e irá ao ar pelo canal de TV norte-americano Showtime em fevereiro de 2018.

Com direção de Lili Fini Zanuck, o filme conta toda a trajetória do guitarrista, um dos maiores e mais influentes músicos da história, e conta com muito material vindo diretamente dos arquivos do próprio Clapton.

O primeiro trailer do doc pode ser assistido abaixo:

Com vocês “The Line”, novo single do Foo Fighters

sexta-feira, setembro 08, 2017

O Foo Fighters divulgou o terceiro single de Concrete and Gold, seu novo disco, cuja data de lançamento está marcada para o dia 15 de setembro.

A mais pop das músicas mostradas até agora, “The Line” tem um refrão bem grudento e que deve levantar estádios na futura turnê da banda. Destaque para a enorme dose de melodia presente na canção.

Ouça abaixo:

Quadrinhos: A Realeza - Mestres da Guerra, de Rob Williams e Simon Coleby

sexta-feira, setembro 08, 2017

A Realeza - Mestres da Guerra, quadrinho escrito por Rob Williams (Juiz Dredd, Justiceiro, Wolverine) e ilustrado por Simon Coleby (Juiz Dredd, Lobo, Authority) tem uma premissa bem legal. A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial, com Hitler ganhando territórios a cada dia. Nesse contexto, todos os integrantes das tradicionais famílias reais europeias dividem um segredo em comum: quem tem sangue real, tem também poderes especiais. Só que, em um pacto assinado há anos, todos decidiram não se envolver e não demonstrar esses poderes para o povo, deixando as coisas acontecerem de maneira natural. Mas com os alemães ameaçando dominar a Europa, as coisas mudam de figura.

O encadernado lançado pela Panini (148 páginas, capa cartão, papel LWC, lombada quadrada, formato 17x26 cm) traz as seis edições da história reunidas em um único volume. O que temos, portanto, é uma história completa, sem continuação. E ela é legal pra caramba.




Ambientada em 1940, A Realeza é uma HQ essencialmente de guerra, com conflitos e batalhas em praticamente todas as páginas. Intrigas políticas também permeiam o roteiro, como deve ser, trazendo tramas e reviravoltas interessantes. O texto de Williams é claro e envolvente, enquanto a arte de Coleby traz quadros com traços realistas e cheios de movimento, que conseguem transportar o leitor para dentro do conflito.

Tudo isso faz com que a leitura flua de maneira rápida e cativante, em uma história com personagens atreantes e complexos. Henry, o príncipe inglês responsável por quebrar o acordo ao se revelar ao mundo, é o condutor da trama, e ao seu lado surgem indivíduos tão interessantes quanto ele, como seu irmão Arthur e sua irmã Rose.

De modo geral, o que temos é praticamente o roteiro pronto de uma série de TV, em uma história fechada e com potencial para render muito bem também em outras mídias.

Se você quer ver uma releitura diferente da Segunda Guerra Mundial, A Realeza - Mestres da Guerra é uma ótima pedida!


Review: Hatefulmurder - Red Eyes (2017)

sexta-feira, setembro 08, 2017

Ninguém consegue ouvir tudo. Ninguém conhece tudo. Ninguém sabe tudo. Já começo esse texto assumindo a mea culpa: nunca tinha escutado o Hatefulmurder, apesar de a banda carioca estar na estrada há quase dez anos. Azar o meu por não ter descoberto o grupo antes, e sorte a minha por finalmente ouvir a sua música.

O Hatefulmurder lançou em março deste ano o seu segundo disco, Red Eyes, sucessor de No Peace (2014). O álbum marca a estreia da vocalista Angélica Burns. Completam a formação Renan Campos (guitarra e backing vocal), Felipe Modesto (baixo) e Thomás Martin (bateria). A excelente produção é de João Milliet, que já assinou trabalhos de bandas como Angra, Gloria e Raimundos.

O que temos nas nove faixas de Red Eyes é um death metal melódico que bebe na escola sueca do gênero, principalmente em nomes como In Flames, Soilwork e Arch Enemy. Aliás, para facilitar o entendimento do que o ouvinte encontrará no CD, pode-se dizer que o Hatefulmurder é uma espécie de Arch Enemy brasileiro, trilhando o mesmo caminho sonoro da banda de Michael Amott.

É um disco muito bem feito, com um belo trabalho de guitarra e uma ótima interação entre baixo e bateria, responsáveis por manter a música da banda sempre pulsando. E os vocais de Angélica são a cereja do bolo, tornando tudo ainda mais agressivo. Me incomodou um pouco a inserção, em algumas faixas, da voz limpa do guitarrista Renan Campos, que ao meu ver não casa com a proposta apresentada. Não há problema nenhum em explorar o conceito “beauty and the beast” (mesmo que de maneira inversa, com os vocais femininos sendo os responsáveis pelas vozes guturais), mas o problema é que Campos, como vocalista, é um ótimo guitarrista. Quando a interação se dá com Mayara Puertas, do Torture Squad, em “Time Enough at Last”, por exemplo, a coisa toda vai para outro nível.

Red Eyes é um ótimo disco, que me surpreendeu muito positivamente. Suas nove faixas trazem pouco mais de 30 minutos de um metal forte, violento e cativante, que demonstra toda a capacidade deste quarteto carioca. 

Ah, quase esqueço: não posso encerrar esse review sem comentar a bela capa. 

Recomendadíssimo, principalmente se você curte Arch Enemy e afins.

Como foi a ComicCon Floripa 2017

sexta-feira, setembro 08, 2017

Aconteceu neste feriado de 7 de setembro a primeira edição da ComicCon Floripa, evento dedicado aos quadrinhos e cultura pop que reuniu os aficionados por HQs na capital catarinense. A CCFloripa teve como local o Hotel Castelmar, no centro, bem em frente à Praça Hercílio Luz, e teve uma ótima recepção.

A CCFloripa contou com 5 auditórios com programações independentes entre às 14h e às 21h30 do feriado. A BatCaverna teve estantes e artistas, a Escola Xavier contou com palestras, a Cantina Mos Eisley teve lancheria e concurso de cosplay, o Hell teve exibição de curtas de terror e suspensa e a Valhalla contou com workshops de teatro e quadrinhos. Além disso, havia um espaço dedicado aos jogos de tabuleiro e também uma área para jogos eletrônicos.








Foram dezenas de artistas presentes no Artists Alley, sempre a principal atração de um evento como esse. É muito legal e gratificante para um leitor encontrar o autor de suas obras favoritas, e também para o artistas trocar uma ideia com o seu público. Entre os presentes, destaque para Daniel HDR (desenhista brasileiro com trabalhos publicados para a Marvel, DC e Image), Felipe Cagno (autor do recém lançado Escolhas), Alice Monstrinho (talento de Florianópolis que vem alcançando cada vez mais destaque com seus simpáticos monstros) Lucas Ferreyra (dono de um traço absolutamente incrível), Julius Ckvalheiyro (seus álbuns sobre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial são excelentes e leituras necessárias para esses tempos cada vez mais estranhos em que vivemos) e o casal Paulo Crumbim e Cristina Eiko (autores da série Quadrinhos A2). Além disso, muitos ilustradores estavam expondo seus trabalhos e vendendo HQs, pôsteres, ilustrações e vários materiais, proporcionando uma ótima oportunidade para quem ama a nona arte e quer ir além dos grandes títulos das principais editoras.

Outro dos pontos legais do evento foi o grande estante de vendas da Joreli, principal banca de quadrinhos de Florianópolis. Com descontos de 20% ou mais em todos os títulos, foi um ótimo lugar para pescar itens interessantes para a biblioteca. Passando por lá peguei duas HQs que queria há um certo tempo: Wilson, de Daniel Clowes, e Como Falar Com Garotas em Festas, do trio Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá.



Um dos acertos da ComicCon Floripa foi, como evento iniciante que é, dar um passo de cada vez. Assim, não tivemos superstars internacionais batendo ponto, mas a organização do evento (que estava muito bem feito, diga-se de passagem) apostou as suas fichas em trazer para Florianópolis alguns dos nomes mais importantes e referenciais do cenário nacional. Assim, tivemos Sidney Gusman, editor da Maurício de Sousa Produções e provavelmente a maior autoridade de quadrinhos deste país tropical, compartilhando a sua simpatia e o seu conhecimento com o público. Aliás, Sidney foi homenageado pela organização, recebendo a primeira Comenda Kirby, que será entregue em toda edição a uma personalidade diferente.

A vinda dos três principais canais de quadrinhos brasileiros para a CCFloripa também foi uma tremenda bola dentro. O divertido e enciclopédico trio do Pipoca & Nanquim (Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes) rendeu ótimos papos e foi muito bom finalmente conhecer pessoas que há anos fazem parte do meu dia a dia como leitor de quadrinhos. Fernando Bedin do Central HQs veio direto do Paraná e trocou ideias com todo mundo, e mostrou que sabe muito sobre o assunto. E o Vinícius do 2Quadrinhos também estava, sempre atento a tudo e de olho nas mesas dos artistas. No final, todos participaram de um grande bate-papo com os presentes.


A primeira edição da ComicCon Floripa foi bastante positiva. Trata-se de um evento ainda pequeno, mas que começou com o pé direito. A ótima receptividade mostra que há público aqui em Florianópolis para atrações deste tipo. Dando um passo de cada vez, a CCFloripa tem tudo para ser um evento permanente no circuito brasileiro de quadrinhos. O primeiro passo foi muito bem dado. Contem comigo para os próximos!







7 de set de 2017

A sensacional estreia do Bad Company

quinta-feira, setembro 07, 2017

Sem dúvida alguma este é um dos melhores discos que eu já ouvi. Após o encerramento das atividades do Free, poucos acreditavam que Paul Rodgers e Simon Kirke poderiam lançar algo tão bom em tão pouco tempo. Claro que estávamos falando de músicos excepcionais, especialmente Rodgers, mas o processo que leva ao encerramento das atividades de uma banda é estressante, cansativo e avassalador, principalmente em um caso como o do Free, onde Rodgers, Kirke e Andy Fraser viram a amizade entre os integrantes ser devastada pela dependência química de Paul Kossoff.

Na ressaca de todo esse processo surgiu o Bad Company. Do Free vieram Paul Rodgers e Simon Kirke. Do Mott the Hoople veio o guitarrista Mick Ralphs, enquanto o King Crimson havia sido a banda anterior do baixista Boz Burrell. Essa formação fez com que a imprensa logo os rotulasse como um supergrupo, característica que ficou ainda mais forte após Peter Grant, o lendário empresário do Led Zeppelin, anunciar que também seria manager do grupo. Essa ponte entre as duas bandas fez com que o Bad Company fosse o primeiro contratado e lançasse o primeiro disco do Swan Song, o selo fundado por Page, Plant e companhia.

Lançado em 15 de junho de 1974, Bad Company foi um sucesso tremendo, com o álbum atingindo o primeiro posto nos charts da Billboard. Os singles do álbum também fizeram bonito, com “Can´t Get Enough” alcançando a posição de número cinco e “Movin´ On” a dezenove.

Realmente, as oito faixas que formam o álbum apresentam uma qualidade indiscutível. A já citada “Can´t Get Enough” é uma pedrada hard guiada pela guitarra de Ralphs; “Rock Steady” é um hard blues onde toda a banda se destaca, com destaque para Ralphs e para a magnífica interpretação de Rodgers; a balada “Ready for Love” se transformou em um dos maiores clássicos do grupo, e é de uma simplicidade tocante.


A música que dá nome ao grupo e ao disco, “Bad Company”, é uma densa balada blues que contém uma das melhores interpretações de toda a carreira de Paul Rodgers, um vocalista que deveria ser muito mais reconhecido do que é. Marca registrada da banda, até hoje é um dos pontos altos dos shows do conjunto. “The Way I Choose” revela momentos lindos em suas linhas vocais e em seu arranjo, emocionando todo e qualquer apreciador de música. O álbum fecha com o single “Movin´ On”, que traz enormes influências do Free, e a clássica “Seagull”, uma das mais emblemáticas composições do grupo.

Após essa estreia, o Bad Company lançaria mais quatro ótimos discos - Straight Shooter em 1975, Run With the Pack em 1976, Burnin´ Sky em 1977 e Desolation Angels em 1979, sendo que os três primeiros são fundamentais em qualquer coleção de respeito.

Paul Rodgers sairia da banda am 1982, sendo substituído por Brian Howe (Ted Nugent), e durante a sua ausência o Bad Company enveredou por caminhos sonoros discutíveis, deixando de lado o blues rock e o hard que o haviam consagrado e investindo em uma sonoridade mais pop, que visava exclusivamente o crescimento do grupo no mercado norte-americano. Rodgers voltou à banda em 1998, e desde então o Bad Company tem realizado shows frequentes, mantendo vivo o seu legado como um dos mais importantes grupos de hard rock dos anos 1970.

Ouça "Rosey", primeiro single do Bermuda Triangle, nova banda de Brittany Howard, do Alabama Shakes

quinta-feira, setembro 07, 2017

Formado por Brittany Howard, do Alabama Shakes, ao lado de Becca Mancari e Jesse Lafser, as duas radicadas em Nashville, o trio Bermuda Triangle mostrou o seu primeiro single.

"Rosey" é uma bonita balada country acústica, cheia de melancolia e beleza. Ouça abaixo (e não, não há ainda informações sobre um futuro disco - se souber de algo a respeito, corrija-nos):


6 de set de 2017

Charles Bradley cancela todos os seus shows após diagnóstico de câncer no fígado

quarta-feira, setembro 06, 2017

O cantor norte-americano Charles Bradley, uma das atrações do Rock in Rio 2017, cancelou a apresentação no festival e todos os shows de sua atual turnê após a confirmação de um câncer no fígado. O músico já havia tratado e foi curado de um câncer no estômago nos últimos meses.

Bradley deixou uma mensagem para os fãs: “Amo todos vocês que fizeram meus sonhos se tornarem realidade. Quando eu voltar, voltarei forte, com o amor de Deus. Com a vontade de Deus, volto logo”. 

Desejamos o melhor para Charles Bradley em mais essa jornada contra a doença.

Camisetas Collectors Room: conheça nossa loja e vista nossas estampas exclusivas

quarta-feira, setembro 06, 2017

Atendendo a pedidos, estamos lançando a nossa linha de camisetas exclusivas.  São estampas sobre música e rock, trazendo artes únicas e diferenciadas. Além disso, também colocamos em nossa loja estampas relacionadas a cultura pop inspiradas no universo do cinema, quadrinhos, séries e afins. E todas estão disponíveis nos modelos masculino e feminino.

Todas as camisetas são produzidas pela Montink, plataforma online responsável por toda a produção, logística e envio dos pedidos. Tudo foi testado antes e garantimos a qualidade do material. As camisetas Montink possuem estampas em Silk Digital no tamanho A3 e são confeccionadas em malha Confort 100% algodão 30.1 penteada, pré lavada, pré encolhida, amaciada, costuras reforçadas, cheirosa, garantindo excelente caimento, maior conforto, durabilidade e qualidade ao produto.

Para conhecer a nossa loja, clique aqui. E o que é melhor: você pode parcelar as suas compras!

Abaixo estão algumas camisetas que temos em nossa loja (tem mais no site), e estaremos sempre adicionando novas estampas. Escolha a que mais combina com você e agora, além de acessar a Collectors Room, passe também a vestir Collectors Room.



















Nova compilação de Michael Jackson traz remix inédito

quarta-feira, setembro 06, 2017

Será lançada dia 29 de setembro a compilação Scream, reunindo faixas gravadas por Michael Jackson e dispostas em vários de seus discos.

O principal atrativo é um remix inédito chamado “Blood on the Dance Floor x Dangerous”, que é um mash-up reunindo cinco músicas do Rei do Pop: “Blood on the Dance Floor”, “Dangerous”, “This Place Hotel”, “Leave Me Alone” e “Is It Scary”. Este remix foi feito foi criado pelo produtor The White Panda e será divulgado nos próximos dias.

Abaixo está o tracklist completo de Scream:

1.   This Place Hotel
2.   Thriller
3.   Blood On the Dance Floor
4.   Somebody’s Watching Me
5.   Dirty Diana
6.   Torture
7.   Leave Me Alone
8.   Scream
9.   Dangerous
10. Unbreakable
11. Xscape
12. Threatened
13. Ghosts

Bonus Track:  Blood On the Dance Floor X Dangerous (The White Panda Mash-Up)

5 de set de 2017

As sessões de Londres: o disco que Howlin’ Wolf gravou ao lado de Eric Clapton e companhia

terça-feira, setembro 05, 2017

No início dos anos 1970, a mítica gravadora norte-americana Chess Records lançou quatro álbuns reunindo veteranos e influentes nomes do blues a jovens artistas britânicos. Batizada de The London Sessions, a série colocou lado a lado criador e criatura. Dessa maneira, gigantes como Howlin' Wolf, Muddy Waters, Bo Diddley e Chuck Berry trocaram figurinhas com futuras lendas como Eric Clapton, Steve Winwood, Mick Taylor, Charlie Watts, Rory Gallagher e outros. O resultado foi fenomenal em alguns momentos, mas apenas mediano em outros. O disco de Howlin' Wolf certamente é o melhor de todos.

O velho lobo tem a companhia de Eric Clapton, Steve Winwood, Bill Wyman e Charlie Watts, além de mais uma turma acima de qualquer suspeita que participou de uma ou outra faixa, como Ringo Starr, Klaus Voormann e Ian Stewart. 

É interessante perceber a postura reverencial adotada pela banda em relação a Wolf. A todo momento, a todo instante, Clapton, Winwood, Wyman e Watts tocam de maneira sublime, mas nunca buscando ofuscar o velho lobo, mas sim com o objetivo de criar bases sonoras perfeitas para que o bluesman brilhe intensamente. E como ele brilha! 


A voz rouca a cavernosa de Wolf entrega interpretações únicas e quase surreais de clássicos do porte de “I Ain't Superticious”, “Sittin' on Top of the World”, “Worried About My Baby”, “Poor Boy”, “The Red Rooster”, “Wang Dang Doodle”, “Goin' Down Slow” e “Killing Floor”. 

Ouvir o disco é como presenciar uma lição atrás da outra, executada por um mestre do assunto acompanhado por alguns de seus melhores alunos. Os momentos arrepiantes são muitos, mas talvez o mais emocionante seja a inclusão da versão de “The Red Rooster” interrompida pelo diálogo de Howlin' Wolf com os músicos, que após a conversa reiniciam a faixa com a devida orientação de seu professor.


Uma curiosidade: em um papo informal, o bluesman brasileiro André Christovam, que rodou os Estados Unidos e conviveu de perto com lendas como B.B. King, contou uma história divertidíssima. Segundo ele, RIngo estava tocando bateria em uma das faixas quando Wolf parou e soltou: “Para tudo! Troquem este baterista, pois ele não sabe tocar blues”. Aí, alguém do estúdio respondeu na hora: “Mas Howlin’, ele é um Beatle”. A resposta do coroa: “Beatle? O que é isso?”. Segundo os músicos que estavam presentes no estúdio, Ringo cedeu o lugar para Charlie Watts e ficou mal pra caramba com a reprimenda de Wolf.

Em 2003 chegou ao mercado a versão deluxe do álbum, com um segundo disco repleto de outtakes e versões alternativas. Essa é a versão definitiva do trabalho, preservando para sempre esse momento histórico.

The London Howlin’ Wolf Sessions é um dos melhores discos que eu já tive o prazer de ouvir. Obrigatório, básico e fundamental.


Minha Coleção: um papo sobre discos e música com Rodrigo de Andrade, do Selo180

terça-feira, setembro 05, 2017

De colecionador pra colecionador, faça uma breve apresentação para os nossos leitores.

Meu nome é Rodrigo de Andrade, mas meus amigos me chamam de Garras. Nasci em 1979, moro em Passo Fundo (RS) e coleciono música desde a década de 1990. Sou formado em História, em Comunicação Social (com habilitação em jornalismo) e tenho mestrado em Literatura. Já trabalhei com jornalismo cultural, especialmente jornalismo musical. Já realizei festivais e promovi shows. Produzo e apresento o Trincheira, programa de Rock da Rádio UPF, com repetição de sinal em todo o norte gaúcho. Hoje, tenho um selo: o 180 Selo Fonográfico. Faço lançamentos em vinil, em CD, em K7 e em formato digital. Já lancei discos de grandes nomes da música nacional, como Cachorro Grande, Edgard Scandurra, Frank Jorge; realizo reedições históricas em vinil; e trabalho muito com bandas independentes, que é um cenário que eu adoro. O Selo180 também é uma loja online de discos novos e usados. Além de vender pela internet, também exponho em diversas feiras.

Quantos discos você tem em sua coleção?

Não sei exatamente. Já contei uma vez porque muita gente me pergunta isso e eu nunca sabia o que responder. Hoje tenho uma noção. São aproximadamente 600 CDs, 1.000 LPs e uns 300 compactos. Já tive uma quantidade muito maior de CDs, mas fui vendendo eles quando descolava a edição em vinil.



Você lembra qual foi o seu primeiro disco? Ainda o tem em sua coleção?

Na minha infância, não tínhamos aparelho de som em casa. Somente rádio. Não éramos uma família muito musical. Inclusive, meu pai tem problemas de audição. Lembro que no aniversário de 6 anos eu ganhei um disco chamado Festa das Crianças. Uma coletânea com "Carimbador Maluco" do Raul Seixas, "Tic-tic Nervoso” do Magazine, "Xixi nas Estrelas" do Guilherme Arantes, "Festa dos Insetos" do Gilliard. Mas foi só uns 2 anos depois que ganhei uma vitrolinha da Turma da Mônica e que pude escutar o disco. Junto com ela, ganhei mais um LP chamado Nos tempos do Bambolê, uma coletânea de rock dos anos 50 e da Jovem Guarda. Mas isso de ter a vitrolinha era meio que um brinquedo. O lance de botar o disco, soltar a agulha e “ver” o som sair. Claro que era divertido curtir o som. Mas não era algo que fazia parte do dia a dia. Não tenho mais esses discos. Troquei por outros em algum sebo durante a adolescência. A música era mais presente na minha infância pelos programas de TV com auditório, com playback: Chacrinha, Clube do Bolinha... Assistia isso na casa dos meus avós nos sábados e domingos.

Quando você começou a colecionar discos?

Na adolescência, na metade dos anos 90, durante o boom do CD. Antes disso eu gravava fitas K7. Comprava as fitinhas e ia na casa de um tio que tinha aparelho de CD com um deck. Aí eu copiava os discos de pop da coleção dele. Mas era como uma brincadeira. Uma desculpa para ir mexer no som, apertar nos botões. Não era exatamente um lance de ser fã de música. É que quando apareceu, o CD era algo sedutor. Tu não via agulha percorrendo sulco. E o CD tinha aquela cor prateada. Parecia a cor do futuro. Logo na sequência ganhei um micro system com dois decks e comecei a ouvir rádio no quarto. Foi aí que fui me envolvendo mais com música. Escutava as novidades, a música pop da época, e ia numa locadora de CDs (que eram bem caros) e locava os álbuns para gravar em cassete.



Quando caiu a ficha e você percebeu que não era só um ouvinte de música, mas sim um colecionador de discos?

Depois da fase das fitinhas, na adolescência, eu tinha alguns amigos que curtiam rock. E comecei a pegar os CDs e K7s deles emprestado. Foi quando me encantei por bandas como Beatles, Pink Floyd, Jethro Tull, Led Zeppelin, Rush, Janis Joplin, Raul Seixas e saí atrás da obra completa desses grupos. A partir desse momento, me entendi como um colecionador e o foco eram os CDs. Mas entrei numa bolha. Eu era fã de algumas bandas e não saia muito do universo que as envolvia. Queria ter a coleção completa de CDs dessas bandas. Mas aí, depois de um tempo, informação nova foi chegando, eu fui descobrindo mais bandas, mais discos legais e os horizontes se ampliaram. 

Como você organiza a sua coleção? Por ordem alfabética, de gêneros ou usa algum outro critério?

Por ordem alfabética. Bandas e artistas de A até Z. E a obra de cada grupo em ordem cronológica. Coletâneas e trilhas sonoras no fim.

Onde você guarda a sua coleção? Foi preciso construir um móvel exclusivo pra guardar tudo, ou você conseguiu resolver com estantes mesmo?

Mandei construir duas estantes sob medida. Uma para CDs e outra para os LPs (e livros na parte superior), mas já está lotadíssima. Os boxes eu guardo num armário. Já estou precisando providenciar um móvel novo.




Que dica de conservação você dá para quem também coleciona discos?

Discos sempre nas capas/caixas. Sejam CDs, LPs ou compactos. E claro: nas capas corretas! Vinil sempre com plásticos externos e internos. SEMPRE! Já vi coleções se manterem em acidentes (ou desastres) domésticos inesperados por estarem com plásticos. Coloco os plásticos com a abertura para cima. Fica melhor de guardar e dificulta a entrada de poeira. Estantes sob medida para os títulos em vinil é a melhor forma de conservar. Preferencialmente com nichos que caibam em torno de 50 discos. Os usados eu higienizo de maneira adequada antes de colocar na prateleira. Manter algum tipo de ordem é importante para não perder os discos. Em uma coleção desorganizada, é mais fácil das coisas se perderem: se emprestar um disco e não devolverem, esse tipo de coisa. A ordem ajuda na conservação. 

Você já ouviu tudo que tem? Consegue ouvir os títulos que tem em sua coleção frequentemente?

Claro! Ouço sempre. Com frequência. Mesmo discos que acho menos interessantes são tocados com alguma regularidade. Fazendo uma média, durante o ano eu teria que ouvir aproximadamente 5 títulos por dia para escutar toda minha coleção a cada 365 dias. Acho que ouço mais que 5 discos diariamente. Claro que as vezes eu foco em algum álbum, discografia, fase, estilo. Ouço muitas vezes um mesmo título. Às vezes, repito exaustivamente um único lado de um compacto. Música boa é aquela que melhora a cada audição.

Qual o seu gênero musical favorito e a sua banda preferida?

Meu gênero favorito é o rock. Curto todos os estilos dentro desse grande gênero. Mas tenho títulos de outros gêneros na coleção. Depois que conheci todos os grandes clássicos do rock, senti necessidade de explorar outros estilos. E aí fui adquirindo títulos de jazz, blues, MPB, mas o foco da coleção é realmente rock. Minha banda preferida é The Beatles. Como historiador, colecionador, por trabalhar no meio fonográfico e também como amante de música, não tenho dúvidas em afirmar que é a maior, a melhor e mais importante banda de todos os tempos. Promoveu uma verdadeira revolução no mundo da música e da cultura pop. Nunca serão superados. 





De qual banda você tem mais itens em sua coleção?

Sem dúvida, os Rolling Stones. Uma das bandas mais longevas do mundo. Tenho todos os discos regulares, várias coletâneas e muitos bootlegs. Logo na sequência, vem o Bob Dylan, que também tem uma obra vasta.

Quais são os itens mais raros, e também aqueles que você mais gosta, na sua coleção?

Tenho várias raridades. Em CD, acredito que os mais raros sejam discos de bandas independentes que saíram em tiragens pequenas e já esgotaram: Pata de Elefante, Júpiter Maçã, Sapatos Bicolores. Também CDs-single, edições limitadas expandidas de algumas bandas, como Kula Shaker, que sou muito fã.

Já os compactos a maioria são raros. Poucas vezes compactos ganham reedições. Curto caçar os lados B que não saíram nos álbuns. E também coleciono algumas bandas que só lançaram um ou dois compactos. Eu citaria como raros alguns antigos, dos anos 1960, como o da banda brasileira Beatniks. Também compactos independentes como o da banda Repolho e de selos independentes como os da Monstro Discos, que tenho todo o catálogo. Caço muito compactos de rockabilly, surf music instrumental, bandas psicodélicas e de garagem dos anos 60. Tenho vários de edições limitadas da Third Man Records, com demos, ensaios, covers e versões alternativas de bandas e artistas como White Stripes, Jack White, dos Raconteurs que sou muito fã (tenho todos os compactos deles). Do Hendrix costuma sair um compacto por ano cujo lado B é exclusivo, não tendo saído em nenhum outro lançamento oficial. Tenho um espetacular de "Fire" sem o fade no fim (é o take até o final) e com um lado B incendiário chamado "Touch You" (um esboço de "Ezy Rider").  Os compactos importados são em 45 rotações, e por isso a qualidade de áudio muito superior. 

Mas a maior parte das minhas raridades são os LPs. Muitos bootlegs. Tenho vários da série Alternate lançada pela Swingin’ Pig: The Alternate White Album, The Alternate Exile on Main Street, The Alternate Dark Side of The Moon. São todos em vinil colorido, a maioria discos duplos, em edições limitadas e numeradas de 500 ou 1.000 exemplares. São sensacionais porque a qualidade do áudio é muito boa. Somzão de vinil mesmo! E mesmo no caso de alguns títulos que são oficializados em edições expandidas (como é o caso recente do Sgt. Peppers), esses Alternate ainda contam com várias faixas exclusivas nunca oficializadas. 

Outra porção de raridades que tenho em vinil são discos dos anos 1990 e início dos 2000, lançados durante o boom do CD, numa época em que os LPs tinham tiragens baixíssimas. Posso citar títulos como Harvest Moon do Neil Young, Set The Twilight Reeling do Lou Reed, Plastic Fang do Jon Spencer Blues Explosion, Mutations do Beck, Once We Were Trees do Beachwood Sparks, Just Enough Education To Perform do Stereophonics, Moseley Shoals do Ocean Colour Scene, Drugstore e White Magic for Lovers do Drugstore, The Dirty Boogie do The Brian Setzer Orchestra, The R&B of Membership do The Delta 72, The Alternative to Love do Brendan Benson, os primeiros Bootleg Series do Bob Dylan. Alguns dos discos mais caros e difíceis de se encontrar são desse período. Tem alguns que estou caçando faz anos e não encontro nunca por um preço acessível.

Algo que é muito raro ser lançado em vinil são edições expandidas. Quando lançadas, geralmente são limitadas e nunca são reprensadas. Tenho algumas oficiais do The Who, do Black Sabbath, Deep Purple. Tenho LPs em edições limitadas numeradas para colecionadores, como o Pilgrim’s Progress do Kula Shaker, o Lucifer Rising do Jimmy Page. E claro, tenho LPs originais de época que nunca foram reeditados, como a edição em vinil duplo do Xangô Ogum, do Gilberto Gil e Jorge Ben, o The Master Musicians of Joujouka do Brian Jones, ADEUSADOLFHITLER1945FIM do Daminhão Experiença.

Mas sobre os meus preferidos, tenho que ressaltar: são os clássicos do rock. Aqueles discos das grandes bandas que entram em todas as listas dos “melhores de todos os tempos”. Quando você vai conhecendo bastante e entendendo cronologicamente a evolução da música, fica mais do que claro o motivo daqueles serem os maiores discos. Não adianta espernear. É um fato! 





Você é daqueles que precisa ter várias versões do mesmo disco em seu acervo, ou se contenta em completar as discografias das bandas que mais curte?

Antigamente, eu tinha diversas versões de um mesmo álbum. Hoje, eu prezo pelo título com a melhor qualidade de áudio. Meu foco é em ter todas as faixas, preferencialmente num título similar ao que as músicas foram lançadas originalmente. Em alguns poucos casos eu tenho repetido por ser um disco raro que prefiro guardar para troca. Ou então, quando o som é muito diferente. Por exemplo, meus preferidos do Frank Zappa eu tenho em CD e em vinil. A distância de mix e master entre os formatos nesse caso particular é imensa. Quase como se fossem discos diferentes. 

Além de discos (CDs, LPs), você possui alguma outra coleção?

Sim, coleciono histórias em quadrinhos. Já tive a coleção completa da Marvel em formatinho, mas vendi no final da adolescência para comprar CDs. É uma das poucas coisas de que me arrependo. Hoje, ainda tenho muitos quadrinhos e também livros. Mas não é uma coleção da mesma forma compulsiva que os discos. Sou mais criterioso. Seleciono muito bem as HQs e livros que quero ter. Foco nos clássicos e naquilo que imagino que vou reler diversas vezes. Gosto muito de quadrinhos independentes. Atualmente, tenho colecionado mangás: Lobo Solitário, Blade, Vagabond. Nesse ano, a obra que mais me abalou foi Akira, que acaba de ter o primeiro volume republicado. Eu assisti o animê quando foi lançado no Brasil em 1992, mas acabei perdendo o mangá nas bancas e nunca havia lido. Foi incrível ler esse volume recém lançado. No momento, ainda impactado pela grandiosidade dessa obra, tenho afirmado que Akira é a maior realização na história dos quadrinhos mundiais, em todos os tempos.


Em uma época como essa, onde as lojas de discos estão em extinção, como você faz para comprar discos? Ainda frequente alguma loja física ou é tudo pela internet?

Consumo música de todas as maneiras: assino serviços de streaming, baixo discos grátis, vou em shows e, claro, compro muitos discos, nos mais diversos formatos. Mas como tenho o selo, viajo muito pelo Brasil, promovendo e oferecendo os lançamentos e o catálogo do Selo180 para lojistas. Comprei e ainda compro bastante pela internet, mas frequento muitas lojas físicas. 

Que loja de discos você indica para os nossos leitores? 

Em Porto Alegre, a Toca do Disco, loja do Rogério. É uma das melhores lojas do Brasil. É organizada, o acervo é impressionante e o proprietário é uma grande cara. Conhece muito de música e é muito simpático. 

Também em Porto Alegre tem a Boca do Disco, que é o oposto: desorganizada, sem preços, o consumidor precisa garimpar e consultar o Getúlio, o proprietário, que é uma figura! Quase sempre mal humorado, vai debochar de qualquer disco ou banda que todo cliente pedir: se você quiser um The Who, ele vai afirmar que Johnny Kid & The Pirates é muito melhor que o “The Ruim”. Se você quiser um Bowie, ele vai dizer que o “David Bolha” é um plagiador do Marc Bolan. Vai ser do contra em todas as oportunidades, mas nunca deixa de dar uma aula. É um lojista rock and roll no exato sentido do termo. Gosto de ir lá, nem que seja para dar umas risadas.

Em São Paulo, gosto demais da Baratos Afins, parada obrigatória. O Calanca é um dos meus heróis pessoais! Pertinho, tem a Velvet CDs na Galeria Presidente. O centro de São Paulo é espetacular para se comprar discos. Para caçar originais de época, o paraíso é a Galeria Boulevard, em lojas como a Cel-Som, Tony’s Hits, Chico e Zico. E a Galeria Nova Barão tem a maior concentração de lojas de vinil da cidade. Recomendo o Tuca Discos, Disco 7, Big Papa, Blue Sonic e a Locomotiva. No Rio de Janeiro, acho a Tropicália Discos incrível.




Qual foi o lugar mais estranho em que você já comprou discos?

Acho que os lugares mais estranhos foram em residências particulares, comprando de colecionadores ou pessoas que estavam se desfazendo dos seus LPs.  Uma vez vi um anúncio nos classificados de um jornal. Liguei para a pessoa, que morava na periferia da minha cidade, quase numa área rural. Quem atendeu foi um senhor que me explicou que era um ex-lojista. Disse que tinha mais de 5 mil LPs e que, de todos os discos que passaram pela loja dele, segurou um exemplar de todos os álbuns que ele havia gostado. Ressaltou que estavam todos novíssimos. Fui imediatamente na casa dele. Chegando lá, fiquei espantado: 90% da coleção era formada por LPs de bandinhas alemãs tocando músicas típicas! O velhinho tinha uns 4.000 LPs desse gênero. Talvez seja uma das maiores coleções do mundo de discos desse tipo. Aí haviam mais uns 600 LPs de trilha sonora de novelas e umas coletâneas falcatruas. Restavam uns 400 discos de rock e MPB que me interessavam. Mas como o proprietário queria um valor alto, não comprei muitos. Mas consegui discos raros, realmente difíceis.

Teve outra ocasião em que uma velhota rica ia se mudar. Ela sabia que eu colecionava discos e me convidou para dar uma olhada no que ela tinha em casa. Cheguei lá e ela tinha vários discos LACRADOS! Foi ali que colhi o meu A Night at The Opera do Queen, por exemplo. Quando pedi para colocar preço nos discos, ela falou que não estava preocupada com o valor financeiro, mas que ia cobrar um valor simbólico. Pediu apenas R$ 3 por cada LP. 

Por fim, teve uma coleção grande que eu comprei para revender no meu site (mas é claro que muitos acabaram na minha prateleira). O dono era um carioca que estava morando num bairro periférico aqui na minha cidade. Ele tinha muitos discos dos anos 80. Comprei o lote e quando cheguei em casa, descobri que um grande número de LPs possuía canhotos de ingresso guardados dentro das capas. O cara havia ido numa série de shows nos anos 1980 e guardava certinho dentro do disco de cada tour. Tinha desde ingressos do Kiss até do The Cure.

O que as pessoas pensam da sua coleção de discos, já que vivemos um tempo em que o formato físico tem caído em desuso e a música migrou para o formato digital?

Há pessoas que acham um exagero. Tenho uma tia que tem certeza absoluta que eu não tenho “tempo para ouvir tudo”. Ela acha que eu compro discos só para consumir. Algumas pessoas olham e começam a fazer contas. Perguntam “quanto dinheiro tem investido ali”. Sempre digo que não é investimento algum, porque não vou vender. É dinheiro bem gasto mesmo! Tem aquelas pessoas que se maravilhavam. Alguns amigos aproveitam para conhecer coisas novas. Ficam garimpando na prateleira e pedindo para ouvir determinados discos.

Uma coisa que tenho notado é o seguinte: convivo com várias pessoas bem mais novas do que eu. Uma galera de uma geração que já nasceu com computador e internet dentro de casa. Confesso que acho muito estranho, mas eles não ligam muito para os discos. Não se mostram nem um pouco atraídos. São alguns poucos amigos com idade em torno de 20 anos que parecem realmente interessados nos discos. Essas são algumas experiências que tenho com conhecidos que frequentam minha casa.


Você se espelha em alguma outra coleção de discos, ou outro colecionador, para seguir com a sua? Alguém o inspira nessa jornada?

Sim, sem dúvida! Na minha adolescência, conheci alguns audiófilos e colecionadores alucinados, que me ensinaram muito sobre música e sobre colecionismo. Desde coisas básicas, como o cuidado e a conservação dos discos, além é claro de apresentar uma série de bandas e artistas. O primeiro colecionador que conheci foi o Juliano Rosso, que hoje é deputado estadual aqui no Rio Grande do Sul. Ele tinha até um sebo informal na sede do PC do B. Na sequência vieram outros grandes amigos, como o Daniel Confortin, o Cristian Cardoso, o Jerônimo Bocudo. Mas principalmente o Maurício Rigotto e o Beto Bruno, vocalista da banda Cachorro Grande. Eles têm coleções enormes, que sempre me impactaram profundamente. Mesmo havendo uma diferença de idade e antes mesmo de eu me tornar um amigo próximo dos dois, sempre me deram livre acesso aos seus discos. Me emprestaram muita coisa e me permitiram descobrir bandas e artistas que mudaram minha vida numa época em que o único acesso era o exemplar físico. Reconheço que eles tiveram uma influência decisiva na formação não só da minha coleção, como da minha personalidade e da minha vida. Sou muito grato a eles. E também o Bocajão, pai do Beto, outro grande amigo, já falecido. Ele era jornalista cultural, colecionava discos desde a década de 60, viveu na Europa no início da década de 70, viu shows de bandas lendárias e comprou vários discos no dia em que eles foram lançados em Londres. Álbuns como Sticky Finger e Who’s Next. Esse foi outro dos meus grandes mestres!

Qual o valor cultural, e não apenas financeiro, que você vê em uma coleção de discos?

Cara, sou formado em História. Já trabalhei em arquivo histórico, tive muitos amigos que trabalharam em museus. Posso garantir que o valor cultural é imenso. É um padrão no mundo todo: mídias físicas são um artefato histórico e devem ser protegidas e conservadas como tal. A digitalização não as substitui. Nunca! Digitalizar informação é a forma menos segura de conservação. É um padrão em museus e arquivos no mundo todo. Documentos precisam ser preservados em condições adequadas. Arquivos digitalizados são apenas para facilitar o acesso. Ninguém joga fora um documento histórico depois de digitalizar ele num scanner. Recentemente, no Brasil, o governo Temer aprovou a PL da “queima de arquivo” após a digitalização. Isso é um absurdo! Estamos na contramão do que é feito no mundo inteiro. Ridículo!

Uma coisa que eu nunca entendi muito bem é o fato das pessoas terem aberto mão de suas coleções e discotecas tão facilmente com o decorrer do tempo. Trocaram de formato, se desfizeram, aceitaram o digital. O mesmo não aconteceu com os livros. Não foram substituídos tão facilmente pelo digital. Os literatos conseguiram provar que o suporte físico é fundamental. As bibliotecas foram mantidas.

Eu sou muito radical nesse ponto. Acho que as escolas precisavam ter discotecas pelo mesmo motivo que possuem bibliotecas. É cultura! Precisamos ensinar as novas gerações a se relacionar com a música de um modo mais profundo. Discos formam pessoas mais plenas da mesma maneira que livros! As pessoas precisam voltar a aprender a ouvir música da mesma forma que assistem um filme, leem um livro.

Quando chego na casa de alguém, procuro instintivamente onde ficam os discos, livros, filmes e quadrinhos. É uma forma instantânea de reconhecer interesses em comum. Convivo muito com pessoas de uma geração bem mais jovem que a minha. E hoje todos moram em apartamentos minúsculos, escravos da tecnologia. Possuem um computador, tablet, smartphone e é tudo.

No Selo180, além de lançar, também vendo discos novos e usados. Temos a loja online e também fazemos feiras. Então já comprei muitos lotes de discos usados. Dou todo um tratamento de “arquivo histórico” para preservar essas obras. Higienizo os discos e capas, troco os plásticos. O comprador leva para casa um item no melhor estado em que ele poderia estar. Costumo brincar que sou um “pastor” de disco. Pego usados sujos, que foram abandonados em porões, sótãos, garagens, e cuido deles até arrumar um dono que vai dar um lar e preservar ele da maneira adequada.

Discos são materializações físicas da música da humanidade. Por isso, seu valor cultural é imensurável. O valor que as pessoas pagam por eles na verdade é uma mera convenção. A música ali dentro da mídia não tem preço.



Vai chegar uma hora em que você vai dizer "pronto, tenho tudo o que queria e não preciso comprar mais discos", ou isso é uma utopia para um colecionador?

Hahahaha! Acho que é impossível, né? A diferença de uma coleção de discos para uma de quadrinhos, por exemplo, é que ela nunca está completa. Não é algo que se constrói do número 1 ao último exemplar em banca, como nos gibis. Parte da graça de colecionar discos é justamente isso: não tem fim. E cada coleção reflete quem é o seu dono.

O limite de uma coleção é o espaço físico e a grana para se gastar em discos. O Luiz Calanca, da Baratos Afins (a loja mais importante do país), diz que por falta de espaço em casa ele impôs um limite: tem 3.000 discos e para entrar um novo, algum precisa sair e voltar para a loja. Ainda não descobri o meu limite. Sei apenas que estou bem longe dele.

O que significa ser um colecionador de discos?

Somos tarados, né? Hahahaha! Costumo incomodar amigos dizendo que colecionar discos, livros é ser igual a alguém que compra sapatos compulsivamente. As pessoas argumentam que não é a mesma coisa, que um disco ou livro é um artefato cultural. Mas um sapato também é! Pode ser usado no pé, tem uma estética por trás e tudo mais. Professores universitários se acham melhores que uma patricinha que compra sapatos só porque eles gastam horrores numa livraria? Bobagem! A questão é o que cada pessoa valoriza. Somos todos consumidores compulsivos. E os viciados em discos estão entre os mais doentes que conheço. Me refiro aos lojistas que me vendem discos como “os meus traficantes”. Ano que vem os Beatles vão lançar a versão expandida do Álbum Branco e vou querer experimentar essa droga nova. Vai dar o maior barato! Estou brincando, mas estou falando verdades. Claro, eu me emociono com a música. Eu choro ouvindo determinados discos. Mas é uma reação emocional, psicológica, que essas “drogas” me proporcionam.


Você criou há alguns anos o Selo180, gravadora que vem lançando discos bastante interessantes no mercado e abrindo portas para uma nova geração de artistas. Como tem sido a aceitação desse trabalho?

Sou muito realizado por ter criado o Selo180. Ele foi fundado a partir de uma visão de colecionador, aliada ao meu trabalho como jornalista musical. No início, minha intenção era trabalhar apenas com vinil – daí o nome “Selo 180”. Sempre tive um cuidado muito grande com o catálogo e o resultado final, o produto acabado. A ideia sempre foi a de lançar os melhores discos do mercado brasileiro. E sim, tenho muito orgulho do trabalho que realizamos. Acertei na mosca na escolha dos títulos e na execução dos projetos: preocupação com o material gráfico, a masterização para formato analógico, etc.

Mas logo comecei a ser procurado por bandas novas sensacionais que não funcionariam em um lançamento em vinil. Além de ser caro investir nesse formato, o mercado não é tão grande quanto as pessoas alardeiam. Foi então que percebi que estava me limitando por apostar em um único formato. Aí, comecei a fazer lançamentos em CD e digital (plataformas de streaming e de venda de download). Já produzi até mesmo edições limitadas em fita cassete. 

Hoje, o Selo180 tem mais de 80 títulos lançados, nos mais diversos formatos. Trabalhamos com aproximadamente 50 bandas e artistas diferentes. Já realizamos reedições históricas (como o raro LP da banda The Galaxies), fizemos lançamentos históricos de grandes nomes do rock brasileiro (como um show inédito de Raul Seixas, que foi o primeiro vinil do artista em mais de 20 anos), trabalhamos com nomes consagrados do rock nacional (como Cachorro Grande, Edgard Scandurra, Frank Jorge) e diversas bandas independentes, algumas de expressão nacional, outras de porte estadual e até mesmo grupos que circulam apenas numa determinada região. 

Não é por acaso que está dando certo. Como já salientei, sou colecionador e, trabalhando com jornalismo musical, sempre estive atento ao mercado e à cena. Antigamente, acompanhando os lançamentos que aconteciam, eu era capaz de sacar tendências e até mesmo apontar com precisão quais seriam os “discos do ano”. Utilizei esse conhecimento e esse feeling na construção do catálogo. Lançamos uma série de artistas novos que foram se revelando nomes expressivos da cena rock. E sim, várias das nossas apostas foram e seguem sendo apontadas como “disco do ano” ou “artista revelação”. Acompanhamos de perto grupos que começaram pequenos, que tínhamos certeza que estourariam e, realmente, muitos estão chegando lá. 

Por exemplo, temos em nosso catálogo um compacto e um LP da banda O Terno. Na época que propomos prensar eles em vinil e fizemos uma parceria com o selo Risco, eles tinham lançado apenas um álbum, de maneira independente. Mas eu não tinha dúvidas de que eles eram uma das grandes bandas da década. Aposta certeira: o LP que lançamos marcou presença em mais de vinte listas de melhores do ano e a tiragem inteira esgotou antes mesmo de ser lançado um videoclipe do disco. E assim como O Terno, posso citar outros exemplos. O Murilo Sá & Grande Elenco é um deles. Trem Fantasma é outra banda da mais alta qualidade. O grande público pode nem ter descoberto eles ainda, mas estão aí lançando clássicos contemporâneos. Não tenho dúvidas de que é apenas uma questão de tempo até eles serem reconhecidos.

Com a queda das vendas do formato físico, vale a pena para uma gravadora seguir investindo no lançamento de álbuns em LPs, CDs e outros formatos?

Sim, porque o faturamento digital ainda é muito baixo. Não acho que a diminuição do espaço do formato físico vá acarretar na sua extinção. Entendo que muitos projetos possam ser dispendiosos para grandes gravadoras, que precisam manter uma estrutura imensa para funcionar. Mas sempre existirão selos independentes que conseguem operar em formato reduzido, num esquema de guerrilha. 

Isso da queda das vendas do formato físico, acho que não é bem assim. Já faz uma década que o mercado de vinil só tem crescido, em todo o mundo, com números bem expressivos. A previsão é de que, nesse ano, o aumento não seja tão grande quanto nos anteriores. Mas ainda assim vai ser registrado, mais uma vez, um crescimento nas vendas. Mas há uma retração quando se pensa numa grande gravadora. Ao mesmo tempo, nunca tivemos tantos selos independentes.

O segredo de se trabalhar formatos físicos é ter uma real dimensão do mercado e do porte da banda ou artista. Para alguns, um lançamento digital é o suficiente. Para outros, até é possível de se trabalhar uma prensagem de 300 unidades em vinil. Tem bandas que uma tiragem de 500 CDs é o suficiente. É preciso entender essa lógica para se trabalhar com o formato físico. Como exemplo, posso continuar usando a banda O Terno. Percebendo o quanto eles eram profissionais, a musicalidade acima da média, sentindo que o segundo disco ia ser muito bom – o que foi fundamental para o crescimento do público do trio – e apostando no grupo como um dos grandes nomes emergentes na música nacional, foi feita uma tiragem de 500 LPs, o que é um número alto para o mercado brasileiro. E esgotou muito rápido! 

Outro exemplo, agora abordando o CD como mídia: está fazendo um ano que lançamos o Escorrega Mil Vai Três Sobra Sete, do Frank Jorge. Foi feita uma tiragem padrão de selo independente: 1.000 CDs. Está praticamente esgotado. Temos menos de 50 unidades em estoque. Estamos falando de um artista grande, ouvido por todo o Brasil e com anos de carreira. Também tem que se levar em conta que o álbum é um dos melhores da sua carreira. Essas coisas tem um peso grande. Mas é um caso de CD que ainda vende muito bem.

Até mesmo o cassete funciona. Tudo é uma questão de saber dimensionar a tiragem de uma forma funcional. Por exemplo, tivemos um lançamento em K7 do Carteira Nacional de Apaixonado, do Frank Jorge. Foi uma tiragem limitada: apenas 50 fitas. Uma brincadeira. Um happening para promover a chegada do álbum nas plataformas digitais. Mas esgotamos as fitinhas em menos de uma semana. Poderíamos ter produzido mais. Então, se me perguntarem se vale a pena investir em cassete, vou responder com toda a certeza que sim!




Ao ver o mercado não apenas como colecionador, mas também como empreendedor, o que você pode dizer sobre a indústria da música no Brasil, abrangendo aí bandas, gravadoras, lojistas e ouvintes?

Acho a indústria da música no Brasil mais engessada que no exterior, pelo meu contato com selos estrangeiros e até por ter negociado com gravadoras daqui e de fora. Nosso mercado tem uma série de peculiaridades. E temos um potencial incrível aqui que é a nossa música. Existe uma demanda imensa por música brasileira no exterior. Mas aqui a luta é árdua. 

Considero os lojistas verdadeiros heróis da resistência. E acho que o público tem se volatilizado muito nessa década: são mais abertos a conhecerem coisas diferentes, mas ficam muito na superfície. Não mergulham em águas profundas. É que vivemos uma era de alta velocidade de consumo e facilidade de acesso. A oferta é muito grande e tudo muito pulverizado. Hoje os jornalistas já precisam fazer listas dos “melhores do primeiro semestre” porque ninguém aguenta esperar até o final do ano. E chegando em dezembro, começam a aparecer listas de 100, 150, e até os 200 melhores discos do ano no Brasil. E isso é um reflexo do consumidor. Todo mundo atira para todo lado. Público quer é postar o que estão fazendo em alguma rede social, esse mecanismo de emburrecimento do povo.

Mas voltando a focar na indústria da música, nosso mercado tem várias especificidades. Por exemplo, a produção e a venda de CDs está diminuindo drasticamente na Europa e nos Estados Unidos. Temos selos como a Third Man Records que só trabalha com vinil e digital. Em um catálogo com mais de 300 títulos, apenas uns 10 foram lançados em CD. E isso se repete em incontáveis selos de pequeno e médio porte no mundo no todo. Mas aqui ainda se pode trabalhar com CD. Temos selos como o Discobertas, do Marcelo Froes, que diz que vai ser o último homem no Brasil a fabricar um CD. Eles acabaram de anunciar uma parceria com a Som Livre e informaram que lançarão mensalmente 10 títulos que até hoje só existiam em vinil. Ou seja, se não vendesse, nunca apostariam em uma coleção de CDs que vai chegar a ter 60 títulos em 6 meses.

Quando o assunto é vinil, o cenário no Brasil também é bem diferente do que acontece lá fora. Existe um boom do formato, sim, mas ele não é tão grande quanto parece, ou quanto tentam fazer parecer. Até temos pessoas querendo consumir o formato por aqui, mas não existe uma oferta de aparelhos de som de qualidade com um preço acessível.

Já o digital é uma novidade. Estou bem ligado nele. Acho importante estar nas plataformas. É a democratização do acesso, com um faturamento pequeno. Mas um faturamento baixo ainda é melhor do que nenhum faturamento, que é o que ocorria dez anos atrás na internet.

Mas a minha vontade, a minha aposta, é de que com o tempo as pessoas vão ir caindo fora da internet. Vão deixar de ser esses zumbis digitais. Ainda acho que haverá um retorno para o mundo real, concreto. Sem essa mediação do digital. Talvez eu seja um saudosista, um romântico ou apenas burro. Mas sinto que cada vez mais pessoas tem se saturado do meio digital como um todo.


Quais são os planos do Selo 180 para os próximos anos?

Vamos seguir apostando em reedições e lançamentos históricos em parceria com o selo Record Collector Brasil. Já temos outro título do Raul Seixas que está na fábrica. É o álbum Metrô Linha 743, com uma faixa bônus completamente inédita em vinil. O material gráfico desse LP também será expandido nesse nosso relançamento. Temos outros títulos históricos licenciados e material completamente inédito por vir. Ainda não posso dar muitos detalhes sobre isso. Também está sendo fabricado o CD e LP duplo do Chumbo e Pluma, trabalho mais recente do Marcelo Gross e um dos discos de rock mais incríveis lançados nesse ano aqui no Brasil. 

Vamos seguir apostando em bandas e artistas independentes e também nos mais diferentes formatos. Também vamos procurar resgatar lançamentos independentes, lançados durante a era do CD, mas que ainda não estão disponíveis em formato digital. 

Estamos iniciando novas parcerias com outros selos independentes e vamos explorar alguns nichos que a indústria ainda não prestou atenção. Não posso adiantar muito. Mas acho que o meio independente vai seguir se unindo e se fortalecendo.

Também vamos lançar uma coleção em fita cassete com títulos exclusivos, que não existirão em outros formatos (nem CD, vinil ou digital). Vai ser um resgate histórico de material lo-fi. Iríamos executar isso agora em 2017, mas acabamos adiando o projeto para 2018.

E estamos com um contato legal para começar a trabalhar no exterior, distribuindo nosso catálogo fora do Brasil. Ainda estamos formatando essa parceria, que é com um cara da cena independente de Detroit que hoje está morando na Europa. Acho que isso vai potencializar muito o selo.




Qual o papel da música na sua vida?

É mais que uma paixão, que um hobby ou que o meu trabalho. É uma manifestação artística que me emociona e me reconecta com o que tenho de mais humano. Então, é um papel religioso. Sim, sou um fanático.

Pra fechar: o que você está ouvindo e o que recomenda para os nossos leitores?

Tenho ouvido Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes. Faz pouco que descobri essa turma e estou impressionado com o quanto é genial e singular. Anda rolando um hype em cima do Clube da Esquina, o que seria motivo para eu fugir deles. Mas fui ouvir e acabei arrebatado. O Milton é gigante. Um artista do mundo. 

Estive no último Goiânia Noise Festival recentemente e descobri algumas bandas muito legais. Os argentinos do Las Diferencias são muito legais. Os trios The Weird Family, Necro e Sheena Ye também. E um lançamento que recomendo MUITO é o disco da Tati Bassi, lançado pela Monstro Discos. Sensacional! 

Ouço muito o catálogo do Selo180. Só lanço discos que eu acho realmente legais. Agora tenho escutado o Lipstick Jungle, EP da nova fase do Edu K. Vai ser lançado na metade de setembro. Ouvi bastante o novo projeto do Carlinhos Carneiro (Bidê ou Balde): Bife Simples & O Carabala. E tenho acompanhado a produção de vários lançamentos: ouço as demos, mixagens, masters finais (ou não). É divertido pra caralho! Agora passamos por uma sessão longa de remasterização pra vinil do Chumbo e Pluma do Gross. 

E claro, o campeão por aqui nesse ano é a versão remixada e remasterizada do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. É como fazer uma pintura nova na sua bicicleta favorita. Vai andar do mesmo jeito, mas algumas partes brilham de um jeito diferente.





















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