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Arizona em Chamas: o mais brutal dos Tex Gigantes (2026, Mythos Editora)


Entre os chamados Tex Gigantes, poucos volumes deixam uma impressão tão imediata quanto Arizona em Chamas. Publicado originalmente em 1992, o álbum é um exemplo claro de como a série pode expandir seus limites quando coloca lado a lado um roteirista experiente e um artista com identidade visual forte.

O ponto de partida é clássico dentro do universo de Tex: o conflito entre colonos brancos e povos indígenas. Mas aqui, Claudio Nizzi conduz a narrativa por um caminho mais sombrio e político do que o habitual. Em vez de uma oposição simplificada entre mocinhos e vilões, o roteiro apresenta uma engrenagem de interesses econômicos, manipulação e violência institucionalizada. O grupo dos chamados Voluntários do Arizona funciona quase como uma milícia legitimada pelo silêncio — ou pela cumplicidade — de figuras influentes.

A tensão cresce de forma gradual, sustentada por diálogos que revelam mais do que aparentam e por uma sensação constante de que a situação está prestes a explodir. Quando isso finalmente acontece, o impacto é inevitável. Há um senso de tragédia anunciado desde cedo, e Nizzi sabe conduzir o leitor até esse ponto sem recorrer a atalhos fáceis.

Mas é impossível falar de Arizona em Chamas sem destacar o trabalho de Víctor de la Fuente. Seu traço é pesado, áspero e profundamente realista. Não há romantização do Velho Oeste aqui: os cenários são áridos, os rostos carregam marcas do tempo e da violência, e os corpos parecem sentir cada golpe. De la Fuente transforma cada página em um estudo visual de tensão e brutalidade, elevando o material a um nível que vai além do roteiro. Sequências envolvendo cavalos, confrontos armados e multidões são particularmente impressionantes, com uma fluidez que transmite movimento e urgência.

Dentro da cronologia dos Tex Gigantes, Arizona em Chamas se destaca como uma história que abraça o lado mais duro e político do personagem. Não é apenas uma aventura de faroeste, mas um retrato de intolerância, poder e violência coletiva, temas que dialogam com a tradição do gênero, mas que aqui ganham um tratamento mais direto e incômodo.

O volume foi republicado pela Mythos Editora em papel offset.

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