13 de mar de 2009

Discos Fundamentais: Charlee - Charlee (1972)

sexta-feira, março 13, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O primeiro e único disco do power trio canadense Charlee é um dos mais desejados pelos apreciadores e colecionadores do chamado hardão setentista. Liderado pelo lendário guitarrista italiano Walter Rossi, o Charlee cometeu em seu único registro uma obra-prima do gênero.

Rossi, exímio instrumentista, teve passagens marcantes pela banda de Wilson Pickett e pelo Buddy Miles Express, onde em 1970 gravou a primeira versão do maior sucesso de Miles, "Them Changes", poucos meses antes de Buddy aceitar o convite de Jimi Hendrix e integrar a Band of Gypsys. Aliás, para muitos pesquisadores, a versão de Hendrix para "Them Changes", presente no álbum
Band of Gypsys contém um solo muito semelhante ao que Rossi havia gravado anteriormente, o que demonstra o quanto o músico italiano radicado no Canadá estava à frente do seu tempo.

As oito faixas de
Charlee apresentam um hard rock pesadíssimo, com claras e gigantes influências de Hendrix no modo de Rossi tocar a sua guitarra. O disco abre com a instrumental "Wizzard", um hard blues cósmico de cair o queixo. Na sequência temos a hendrixiana "Lord Knows I´ve Won", repleta de groove e com um mojo irresistível. O riff de abertura de "Just You and Me" é mais uma prova do talento de Rossi, enquanto "A Way to Die" é uma balada de uma beleza tocante, demonstrando em seus solos e melodias a enorme de sensibilidade e intimidade de Walter Rossi com o seu instrumento.

"Let´s Keep Silent" é outra composição onde podemos sentir a influência de Jimi Hendrix no estilo de Rossi. Com um balanço contagiante, é uma espécie de hard funk repleto de malícia, com Walter debulhando no wah-wah. "Wheel of Fortune Turning" espanta pelo peso absurdo, enquanto "It Isn´t the First Time" aposta mais uma vez no balanço e tem um certo tempero latino.

Capa da edição original canadense

O álbum foi lançado em 1972 no Canadá e apenas em 1976 nos Estados Unidos, sendo que a edição americana é a mais conhecida e tem uma capa diferente da original, com uma ilustração de Rossi, do baixista Jack Geisinger e do batera Mike Driscoll que lembra o estilo do cartunista Robert Crumb. As duas são difíceis de serem encontradas em vinil, mas a edição canadense é a mais valorizada e rara, um verdadeiro objeto de desejo entre os colecionadores.

Resumindo: o Charlee foi um grupo sensacional, liderado por um músico incrível, mas que, infelizmente, ficou pelo caminho, não alcançando o reconhecimento e a importância que merecia. Um erro que podemos consertar com o tempo. E aí, topam esse desafio comigo?

Faixas:
A1. Wizzard - 3:29
A2. Lord Knows I've Won - 2:45
A3. Just You and Me - 3:32
A4. A Way to Die - 6:50

B1. Let's Keep Silent - 3:28
B2. Wheel of Fortune Turning - 6:32
B3. It Isn't the First Time - 6:09
B4. Let's Keep Silent - 1:57

Bandas de Um Disco Só: Lift - Caverns of Your Brain (1974)

sexta-feira, março 13, 2009

Por Ronaldo Rodrigues
Colecionador

A Banda

O Lift foi formado em 1972 em New Orleans, Estados Unidos. O núcleo inicial era o tecladista Chip Gremillion, o baixista Cody Kelleher e o baterista Chip Grevemberg, todos músicos que já estavam a algum tempo lutando por um lugar ao sol em diversos outros grupos. Nesta primeira fase, passou pela banda o guitarrista Chris Young, que, mesmo não tendo permanecido por mais que alguns meses, ajudou em duas composições que viriam a integrar o disco Caverns of Your Brain. Os vocais ficaram a cargo de Courtenay Hilton-Green, que já era conhecido de Chip Gremillion. O guitarrista que assumiu o cargo foi Richard Huxen. 

A banda passou a constituir um repertório e sair tocando por aí, o que a possibilitou a construção de uma boa reputação, principalmente entre outros músicos. Em 1973, o grupo já era querido por público e crítica, tocando no circuito de universidades locais e eventos especiais. O repertório consistia em grande parte de covers, que ao longo dos meses foi ficando gradativamente mais complexo e ousado. O som de grandes estandartes como Led Zeppelin, Uriah Heep, King Crimson, Genesis e EL&P dividiam espaço com o crescente material autoral dos garotos (que naquela altura tinham entre 19-20 anos).

No verão de 1974 entram em estúdio e registram quatro faixas, produzidas por Sonny Fox. Este registro gerou um material promocional em LP, com tiragem de 500 cópias. Em New Orleans, a popularidade do grupo aumenta ao longo do ano de 75, e Sonny sugere aos músicos a mudança para Atlanta. 

Mas a barra foi pesada na nova fase do grupo. A banda se deslocou para a Philadelphia para gravar uma nova versão de "Simplicity" e "Tripping Over the Rainbow", além de registrar uma nova composição instrumental. Gravaram tudo rapidamente e retornaram para Atlanta, aguardando o material ficar pronto e ser enviado, o que não aconteceu. Entre o fim de 1975 e o começo de 1976, Cody Kelleher e Courtenay Hilton-Green deixaram o grupo. Os remanescentes passaram cerca de sete meses procurando substitutos. Encontraram uma garganta disposta ao som do grupo em Laura "Poppy" Pate, uma cantora que trabalhava em uma loja de música e que, ao ouvir o som dos caras, já foi logo entrando sem mais delongas. A banda foi reformulada, ficando da primeira formação Chip Grevemberg, Chip Gremillion e Richard Huxen, entrando Mike Mitchell, Tony Vaughn e Laura. 

Nos seis meses seguintes à entrada de Laura, o grupo compôs mais cinco novas músicas e adaptou as canções de outrora à nova formação. O produtor britânico Michael Stewart se interessou pelo som da banda e já trabalhava em Atlanta com o grupo de hard Hydra. Michael percebeu o grande potencial do Lift, mas não considerou que o material já existente era representativo, e levou o pessoal novamente para o estúdio. Sessões de fotos, frisson de cast locais, selos interessados em lançar a banda, e o Lift passou a ser o grupo oficial de abertura da maior casa de espetáculos de Atlanta, a Alex Cooley's Electric Ballroom

Eis então que acontece o inesperado - a vocalista Laura "Poppy" Pate informa que está deixando o grupo por razões pessoais e a sua partida motivou também a saída de Richard Huxen. Os demais membros convidaram uma série de músicos para cumprir as datas, mas a coisa não fluiu bem. Mesmo com a saída de Richard e Laura, a banda continuou compondo, mas faltou fôlego para continuar. O fim aconteceu em fevereiro de 1979.

O Disco 


Caverns of Your Brain, disco proveniente das sessões de 1974, é um registro poderoso e grandioso do que significava o rock progressivo na primeira metade dos anos setenta. O quadro musical privilegia o instrumental, que por si só, já diz muito. Os vocais não são propriamente um destaque, mas são suficientes para segurar a onda. Os teclados, em grande parte, direcionam o som, mas não ofuscam a reluzência dos outros instrumentos, que ora ou outra dão sua mostra de maestria. Há relativamente poucas intervenções de guitarra, porém sempre altamente racionais. 

Em "Simplicity", o contrabaixo impele sonoridades siderais para todo um instrumental facultado ao transcendental, fazendo um som diligente e rápido, ousado, altivo; "Butercoop Boogie" vem num embalo devastador da força percussiva num boogie intergalático; teclados complementam o som com uma gama de sonoridades aclamadas por dez entre dez fãs de rock progressivo, viajando a mil por hora. "Caverns" tem uma calma beleza em sua morneza e "Tripping Over the Rainbow" traz idéias muito bem agregadas num som bem pulsado e nada tedioso. Nestas quatro grandes canções há uma dialética construtiva entre os instrumentos e matizes que realmente sacodem todos os níveis mentais!

Em 1990, o selo norte-americano Syn-Phonic contatou o tecladista Chip Gremillion para relançar, a partir das fitas originais da sessão de 74, o álbum
Caverns of Your Brain, da mesma maneira que a promo lançada pelo grupo. Em 1992, saiu a compilação Past, Present & Future, incluindo material adicional inédito das sessões de 1977, na fase Atlanta do grupo. Em 2001, uma nova compilação, chamada The Moment of Hearing Lift, saiu trazendo todo o material registrado na fase Atlanta, além das quatro faixas de Caverns of Your Brain, totalizando oito faixas, rastros musicais do talento ímpar do Lift.

12 de mar de 2009

Discos Fundamentais: The Who - Who´s Next (1971)

quinta-feira, março 12, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Lançado em 1971 e considerado por muitos o melhor trabalho de estúdio do Th
e Who, Who's Next possui uma história tão rica quanto suas nove clássicas canções.

Após o enorme sucesso alcançado por
Tommy, a banda estava esgotada e de saco cheio da ópera rock que a consagrou. Buscando novos desafios, o grupo mergulhou em um projeto capitaneado por Pete Townshend chamado Lifehouse, que consumiu um ano de trabalho e parecia não levar a lugar nenhum. Estressados uns com os outros, com o grupo se destruindo internamente e com seu líder e principal compositor quase cometendo suicídio, o The Who resolveu recomeçar tudo do zero.

O primeiro passo foi demitir o produtor Kit Lambert, responsável por
Lifehouse, e que estava com a banda desde seu início. Glyn Johns chegou para o seu lugar e foi essencial para que as coisas começassem a funcionar. Ouvindo tudo que já havia sido produzido para Lifehouse, Johns selecionou aquelas que considerou as melhores composições e as apresentou ao grupo. Foi só a partir deste momento que Townshend, Daltrey, Moon e Entwistle perceberam que tinham um ótimo material nas mãos. Empolgados, começaram a trabalhar nos rascunhos apresentados por Johns, evoluindo alguns arranjos, reescrevendo letras, enfim, transformando o que antes não passavam de idéias mal estruturadas em alguns dos maiores hinos da história do rock.

Who's Next abre com “Baba O´Riley” e sua característica introdução marcada pelo sintetizador tocado por Pete. De imediato, e até hoje, chama a atenção a sonoridade que a banda e o produtor conseguiram registrar no disco.

Além da canção de abertura, outras duas composições acabaram marcando
Who's Next. A primeira é a linda balada “Behind Blue Eyes”. Construída a partir do violão de Pete, emociona com suas inspiradas linhas vocais, até alcançar seu ápice com uma explosão sonora típica do grupo.

A outra é “Won´t Get Fooled Again”, espécie de mini-ópera progressiva e que, com o passar dos anos, se transformou em uma das canções mais emblemáticas da banda. Repleta de mudanças de andamento e com fartas doses de peso, traz uma letra inspiradíssima de Townshend e é, ainda hoje, impressionante.

Algumas curiosidades a respeito de
Who's Next precisam ser mencionadas. A primeira é a respeito do nome do disco. Querendo se distanciar da sombra de Tommy, o grupo decidiu incluir o “next” no título como um sinal de que estava virando uma página em sua carreira, e que a partir dele surgiria um novo The Who. Outra é a respeito de sua capa, que traz os quatro urinando em um monolito localizado no Easington District Colliery, em County Durham, e que, ao mesmo tempo que é uma clara referência ao filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, lançado em 1968, é também uma metáfora ao seu passado, com o grupo mostrando claramente que estava buscando novos caminhos.

Vale citar que a qualidade mostrada pela banda em
Who's Next foi reconhecida tanto pelos fãs, que compraram o disco maciçamente, quanto pelo crítica, que até hoje o considera um dos álbuns mais importantes da história.

Para quem quiser conhecer o disco, recomendo a edição remasterizada lançada em 1995, que traz, além das músicas originais, as faixas “Pure and Easy”, “Baby Don´t You Do It”, “Naked Eye”, “Water”, “Too Much for Anything”, “I Don´t Even Know Myself” e “Behind Blue Eyes”. A versão
deluxe, lançada em 2003, também é fantástica, trazendo outakkes gravados no estúdio Record Plant em Nova York e uma apresentação da banda no The Young Vic, ambas registradas na época do lançamento original.

Mais que um clássico,
Who's Next é um álbum absolutamente fundamental para quem busca entender o rock and roll. 

Faixas:
A1. Baba O'Riley - 5:00
A2. Bargain - 5:33
A3. Love Ain't for Keeping - 2:10
A4. My Wife - 3:35
A5. The Song is Over - 6:18

B1. Getting in Tune - 4:49
B2. Going Mobile - 3:43
B3. Behind Blue Eyes - 3:40
B4. Won't Get Fooled Again - 8:31

Começando a coleção: The Replacements

quinta-feira, março 12, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Um dos grupos mais legais dos anos oitenta, o Replacements nasceu em 1979 em Minneapolis, e encerrou suas atividades em 1991. Liderado pelo vocalista e guitarrista Paul Westerberg, sem exagero um dos maiores compositores do rock norte-americano contemporâneo, o grupo lançou oito discos em sua carreira.

Além desses três álbuns listados abaixo, recomendo também a excepcional coletânea Don't You Know Who I Think I Was? The Best of The Replacements, lançada em 2006 pelo gravadora Rhino.

Let it Be (1984) ****1/2

Let it Be é um dos grandes álbuns de rock lançados na década de oitenta. Terceiro disco do Replacements, foi incluído no Rolling Stone Album Guide, excelente compêndio editado pela homônima publicação norte-americana. Pedradas como "Sixteen Blue", "We´re Comin´ Out" e "Answering Machine" mostram todo o poder de fogo do grupo, enquanto baladas do naipe de "Androgynous" e "Unsatisfied" demonstram toda a sensibilidade de Westerberg. 

Please to Meet Me (1987) ****1/2

Foi com esse disco que eu conheci o Replacements. Até hoje ele é o meu favorito. Estão aqui jóias do quilate de "I.O.U.", "Alex Chilton", "I Don´t Know" e, principalmente, "Can´t Hardly Wait", que fecha o álbum de maneira brilhante. As canções, que unem com perfeição a energia do rock com um apelo pop que nos remete à British Invasion, fazem de  Please to Meet Me uma audição extremamente recompensadora para o ouvinte. Comece por esse.

Tim (1985) *****

Tim é o Tommy do Replacements. Suas onze faixas formam um dos manifestos adolescentes mais coesos e contundentes que o rock já ouviu. Brilhante, Westerberg, com apenas 25 anos, compôs sua obra definitiva, mostrando uma maturidade surpreendente e uma criatividade espantosa. Até hoje atual, Tim é, cada vez mais, um álbum obrigatório em qualquer coleção de rock que se preze.

Heaven and Hell: capa a tracklist revelados!

quinta-feira, março 12, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Essa belezinha aí de cima é a capa de
The Devil You Know, aguardada estreia em estúdio do Heaven and Hell, e que chegará às lojas de todo o planeta no dia 28 de abril. Antes disso, o grupo liberará o single Bible Black, ainda sem data de lançamento definida.

O disco levou menos de três semanas para ficar pronto, com as músicas sendo gravadas muitas vezes em um único take.

Confira o track list:

1. Atom and Evil
2. Fear
3. Bible Black
4. Double the Pain
5. Rock and Roll Angel
6. The Turn of the Screw
7. Eating the Cannibals
8. Follow the Tears
9. Neverwhere
10. Breaking Into Heaven

Agora é aguardar para esse que promete ser um dos melhores lançamentos do ano, fácil fácil. Ou alguém duvida?

Entrevista exclusiva: Ricardo Batalha bate um longo papo com a Collector´s e fala sobre as mudanças que ocorreram na Roadie Crew

quinta-feira, março 12, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Há alguns dias tivemos uma longa conversa com o Thiago Sarkis, onde ele contou porque saiu da
Roadie Crew e deu detalhes de sua passagem pela revista. Agora, como prometido, chegou a hora de ver o outro lado dessa história.

Ricardo Batalha, editor e redator-chefe da revista e um dos mais respeitados jornalistas de heavy metal do país, conversou com a Collector´s Room e conta o lado da revista nessa história toda, além dos planos que envolvem a Roadie Crew para 2009.

Collector´s Room - Batalha, vamos começar pelo começo, então: quais motivos foram os responsáveis por colocar um ponto final na relação da Roadie Crew com o Thiago Sarkis, considerado por muitos como o principal colaborador da revista?

Ricardo Batalha - Os motivos foram os seguidos atrasos na entrega das matérias, que desgastou sobremaneira a relação de trabalho com a redação da Roadie Crew. Apesar da excelência de suas entrevistas, Thiago Sarkis nunca esteve na redação e, com certeza, pela distância, nunca sentiu na pele, no dia-a-dia, que tínhamos obrigações definidas. Sempre iremos precisar cumprir prazos para que a revista seja entregue na gráfica na data estipulada. Somente quem vive uma redação, dia após dia, sabe exatamente o que estamos colocando aqui. Isso vinha sendo um dos maiores problemas, mas nunca deixamos este fato atrapalhar a qualidade do produto final. Nosso foco durante todo esse problema esteve sempre naquilo que é a parte principal da revista: o leitor. 

Na medida em que havia atrasos na entrega de material, o prejudicado, em última instância, acabaria sendo o leitor da revista, que não a receberia na data programada. Nossa relação de trabalho estava desgastada, porque cada fechamento de edição se tornava um pandemônio. A revista ficava praticamente fechada e ficávamos aguardando matérias feitas por ele para editar, revisar e fazer a diagramação. Realmente, um atraso de um ou dois dias da data estipulada para entrega de vez em quando não é problema, desde que o colaborador avise de antemão que vai atrasar. Porém, treze dias, como aconteceu com a matéria do Jethro Tull (edição #119), por exemplo, torna a situação complicada para todos, pois enquanto uns estavam preparando a edição seguinte, outros estavam parados esperando a chegada do material que estava muito atrasado. 

Este foi o principal motivo do desgaste na relação de trabalho dele com todos na redação da Roadie Crew. Mas esta não foi a primeira vez que isto ocorreu, pois o André Dellamanha saiu por motivo semelhante. O André estava envolvido em produção de turnês e atrasava matérias, mas entendeu a situação e, como sempre pensou na revista, não houve nenhum estardalhaço. Todos nós da redação somos amigos pessoais até hoje do Dellamanha, mas a relação de trabalho ficou desgastada por causa dos atrasos na entrega das matérias. No entanto, falo com o Dellamanha todos os dias e ele é um grande amigo. Para todas as ocasiões! Aliás, mesmo depois que saiu da Roadie Crew, ele chegou a escrever para a revista como colaborador, fazendo um ClassiCrew especial dos vinte e cinco anos do The Number of the Beast do Iron Maiden, que saiu na edição #102. 

A revista, ou você, especificamente, gostariam de responder alguma colocação que o Sarkis deu em sua entrevista para o nosso blog?

Acredito que o Sarkis tenha ficado "de saco cheio daquela infernal pegação no pé", como ele disse, porque a pessoa que o cobrava era obviamente eu. Como editor e redator-chefe da revista, é essa a minha função. Ultimamente ele não tinha nenhum contato comigo, nem por MSN ou e-mail. Falava somente com os donos da editora, meus superiores. 

No entanto, continuei cobrando a todos da mesma forma que sempre fiz e faço. Envio tabelas diariamente para os redatores e alguns colaboradores, mostrando o andamento da edição. O que está pronto, o que está faltando, o que está atrasado, enfim, uma rotina normal de trabalho em qualquer redação. Portanto, não era uma pressão sem sentido para determinada pessoa. Nunca houve qualquer tipo de ameaça e coação nas cobranças dos atrasos. Tudo que era passado para a redação e aos colaboradores era exatamente o que acontecia. Entretanto, quem estava na redação era cobrado pessoalmente e o restante por e-mail, quando do envio da tabela da edição. Este é um procedimento normal. Não havia interferência no trabalho e a intenção não era apontar os erros, mas sim alertar que estes atrasos nos prejudicavam no fechamento de uma edição. 

O trabalho na revista é a principal fonte de renda dos profissionais que trabalham na redação, e uma das atribuições do cargo é o andamento de uma edição, desde a montagem do mapa/espelho até o dia de entrega dos arquivos na gráfica. Qualquer revista, de qualquer segmento, possui prazos que precisam ser cumpridos. Faz parte do negócio e não podemos virar as costas para esse tipo de problema, por mais que muitos não saibam o quão importante esse quesito é. Se deixássemos os prazos em segundo plano não haveria organização, e isso é a morte para uma revista com periodicidade fixa, como a Roadie Crew. Uma revista que não cumpre prazos está fadada a deixar de existir. Uma de minhas atribuições é cuidar para que esses prazos sejam cumpridos. No fundo, é bem simples. 

Que impacto a saída do Thiago Sarkis causa na Roadie Crew?

Uma saída é sempre traumática, mas, da parte da revista, estamos atuando para que o impacto seja o menor possível. Ninguém tem exclusividade nesse mercado em que vivemos, há inúmeros bons órgãos de imprensa e inúmeros bons redatores. Então, acredito que ninguém sai necessariamente perdendo, e sim que vivemos uma acomodação natural de mercado, com cada uma das partes buscando novas soluções. Não será o fim da linha nem para a revista nem para ele, longe disso. Mudanças são naturais e ocorrem de tempos em tempos na vida de todos. O André Dellamanha saiu, mas hoje está muito bem trabalhando ao lado do Sepultura. Sempre conversamos sobre ele voltar escrever, mas mesmo tendo muita vontade e saudade, o Dellamanha não tem tempo porque viaja o mundo com o Sepultura. Já nesse caso do Sarkis, penso que o único senão foi a forma atribulada e o rumo que a coisa tomou. Isto só serve para atrasar a vida de todos e é algo que lamento. Entretanto, estamos sujeitos a esse tipo de situação e nos resta agora seguir em frente.

Como era a convivência do Thiago com os outros integrantes do cast da revista, e, mais especificamente, com você, Batalha?

Como ele nunca visitou e conheceu a redação da revista, não havia aquele convívio diário, o relacionamento pessoal. Durante muito tempo a convivência - troca de e-mails e conversas no MSN - foi pacífica, um relacionamento de trabalho saudável e muito produtivo. Sei que ele foi convidado inúmeras vezes para vir aqui na redação e ver como as coisas andam no dia-a-dia, mas nunca realmente escolheu uma data para fazer isso. As coisas só ficaram desgastadas após os seguidos atrasos na entrega das matérias. 

O problema não era comigo, mas com todos. Eu era apenas o meio, o contato entre as partes, e por isto a coisa pegou só para o meu lado. Acredito que se o Ricardo Campos ou qualquer outro estivesse no meu lugar e tivesse a minha função, o rolo todo não teria sido comigo. Nunca foi questionada a qualidade do material, mesmo porque seria uma tremenda injustiça frente ao ótimo trabalho apresentado. Porém, sobrou tudo para quem cobrava, quem pressionava pela entrega das matérias, ou seja, eu. E só fazia - como ainda faço diariamente - isto para que o produto final, aquilo que vai para as mãos do leitor, não fosse prejudicado. 

Nós trabalhamos para a revista. Quando líamos as matérias dele, ficávamos felizes, pois era algo que sabíamos que era feito com gosto e qualidade. Nunca houve nenhum tipo de inveja ou ciúmes, ainda mais da minha parte, pois fui um dos que sabia o tipo de material que ele poderia contribuir para a revista e incentivei sua contratação para o cast da redação. Só que isso não dava privilégio algum para ele. Isso não é um time de futebol. O mesmo era cobrado a todos. Matérias excelentes entregues com grandes atrasos não servem, pois não é assim que funciona. Isso não é algo que penso ou que prefiro, é algo exigido pelo mercado editorial para uma publicação com periodicidade fixa como a Roadie Crew. Se permitisse esse tipo de coisa dele, todo o resto iria degringolar, como, aliás, já estava ocorrendo. Meu trabalho é evitar esse tipo de coisa. 

Hoje, mais até do que escrever, preciso cuidar de toda a parte editorial. Existem outros trabalhos fora escrever e fazer entrevistas, como cobrar os colaboradores, editar o material, selecionar fotos, solicitar material aos artistas e gravadoras, montar espelho, montar pautas, derrubar matérias, encaixar outras, traduzir entrevistas vindas de fora, entre muitos outros. Há todo um trabalho por trás do produto final que muitos leitores, e até colaboradores, não sabem. Possuo um trabalho de liderança e esse tipo de situação pode ocorrer no meio do caminho. Posso garantir que é o que menos gosto de fazer, mas precisa ser feito mesmo assim. São como as coisas funcionam.

Quais foram os principais erros da Roadie Crew e do Sarkis para a relação entre os dois lados acabar dessa maneira, abruptamente, de uma hora para a outra, surpreendendo os leitores da revista?

Penso que erramos ao esperar muito pela entrega das matérias. Se ele tivesse esse convívio diário e visse como é o dia-a-dia de uma redação, provavelmente as coisas não teriam chegado a este ponto. Se existe um problema que você sente que esgotou todas as possibilidades para tentar solucioná-lo, deve imediatamente comunicar ao seu superior na empresa. É uma relação normal de trabalho. Foi dito que um dos erros dos donos foi cuidar do
Wacken Rocks Brazil. Primeiro, não existe nenhum "sonho" em se fazer o festival, mas uma grande vontade de realizar algo interessante para todos os fãs do Brasil. Entretanto, isto não afetou a revista, porque mesmo tendo diversas outras atribuições, eles sempre estiveram presentes todos os dias na redação. 

Todo mês os atrasos eram cobrados, mas as coisas não mudaram e deixamos tudo como estava. Eu cobrava, os atrasos continuavam e nada mais mudava. Só que isso contribuiu para tornar a relação cada vez pior com todos da editora, até chegar ao que ninguém gostaria. Como responsável por essa parte, preciso que todas as matérias cheguem no prazo, batendo sempre na mesma tecla. Sei que todos possuem problemas e contratempos, e posso relevar uma vez ou outra se o atraso é por um curto período. Da parte dele, faltou entender o quanto essa questão era importante para o funcionamento pleno da editora. Entretanto, os atrasos tornaram-se corriqueiros e isso determinou sua saída. É necessário um comprometimento, que ele tinha no empenho em realizar as matérias, mas que não era nem de longe o mesmo para sua entrega, talvez até porque ele tem outro trabalho e o tempo ficou escasso, não sei. Infelizmente, para um veículo com os compromissos que a Roadie Crew possui, um não funciona sem o outro. 

Um dos pontos levantados pelo Thiago é a de que os outros integrantes do cast da RC não gostam muito de se relacionar com os seus leitores, seja respondendo os Roadie Mails ou participando ativamente da comunidade da Roadie Crew no orkut. Particularmente, eu nunca tive problemas com você, com o Airton, com o Campos, com o Claudio, que sempre se mostraram bastante solícitos aos meus emails. O que você tem a dizer sobre isso?

A seção
Roadie Mail existe para isto e você mesmo acaba de dar seu testemunho a respeito na própria pergunta. Antes de tudo, é nossa obrigação dar andamento aos trabalhos na revista, mesmo que isto acarrete em não termos tempo de responder instantaneamente a perguntas dos leitores, seja qual for o meio. Porém, qualquer um que atua nessa área sabe que vai ter que, necessariamente, se relacionar com os leitores e, no caso da Roadie Crew, nenhum integrante da equipe, seja redator ou colaborador, jamais reclamou ou se recusou a manter esse bom relacionamento com o público. Os e-mails dos editores, redatores e do diagramador são divulgados tanto no expediente da revista como no nosso site, o que possibilita que qualquer leitor entre em contato com qualquer um deles e receba resposta. 

Muitas pessoas querem usar o orkut como a única ferramenta de comunicação. Penso que a criação do tópico Você pergunta, a Roadie Crew responde, criado na comunidade, afastou alguns leitores da própria comunicação com a revista impressa. Muitos que escreviam para o e-mail metal@roadiecrew.com ou diretamente para os editores, redatores ou para o diagramador, acharam que se colocassem suas perguntas no orkut seriam atendidos prontamente. Bem, apesar de termos analisado sugestões a partir do anseio dos leitores que estão na comunidade, muitos que fazem parte da revista sequer estão cadastrados lá. Portanto, o melhor meio continua sendo o usual e a seção Roadie Mail. Só que como Thiago Sarkis sempre se mostrou solícito em responder as dúvidas de leitores no orkut, que hoje se tornou um meio muito importante de contato e relacionamento, deixamos essa parte para ele, que, ao mesmo tempo, nunca demonstrou nenhum descontentamento no quesito, pelo contrário. Eu mesmo participava quando podia, mas o tempo e o aumento de trabalho tornaram isso algo difícil. Já não uso o orkut da mesma forma há tempos, muito antes da saída do Sarkis, mas me empenho todos os dias para que a revista cresça e, com isso, contente mais ainda os leitores. Não imaginei que o simples fato de deixar de participar do orkut ativamente fosse gerar tamanha insatisfação. 

Mas a verdade é que nunca iremos agradar a todos e a revista consome praticamente todo meu tempo e energia. Estamos sempre trabalhando para apresentar as melhores matérias, novas seções, enfim, não nos acomodamos. Isso demanda alguns sacrifícios e a internet foi algo que precisei cortar para que o trabalho na revista pudesse sempre melhorar. Entretanto, nunca deixei de responder aos leitores que me procuravam pessoalmente. Costumo sair bastante e freqüentar shows, bares e casas de rock, e nunca me recusei a falar e ter contato direto e pessoal com leitores da Roadie Crew. Por sinal, tenho o maior prazer de conhecê-los e fazer amizades. Muita gente que convivo conheci por causa do interesse pelo heavy metal e pelo rock e por meio dos trabalhos pertinentes à revista, incluindo você, Cadão.

O Antonio Carlos Monteiro, ex-Rock Brigade, foi agora efetivado na revista. Quais são as expectativas em relação ao trabalho do ACM na Roadie Crew?

As expectativas são as melhores, porque o Antonio Carlos Monteiro é experiente, talentoso, responsável e viveu durante muitos anos o dia-a-dia na redação da revista
Rock Brigade. Fiquei muito contente em saber que ele fará parte da revista mais ativamente.

Quais são os planos da Roadie Crew para o futuro?

Continuar evoluindo e atender sempre os anseios de nossos leitores. A revista não é feita para satisfação pessoal nem dos editores e nem dos redatores, mas sim para entreter o leitor, o fã de heavy/rock e levar a ele o máximo de informações possíveis.

Pessoalmente, como você avalia a saída do Sarkis da revista? Quem perde mais, ele ou a Roadie Crew?

Os dois lados perdem, mas as empresas nos dias de hoje são dinâmicas. As mudanças nas equipes devem ser encaradas como algo normal em qualquer negócio. Já havia acontecido isto com o André Dellamanha e com outros colaboradores mais antigos. Assim que o problema apontou para esse desfecho com Thiago Sarkis, procuramos focar na solução do problema para que as atividades da revista não fossem prejudicadas, como não estão sendo. Nunca quisemos que ninguém saísse da revista e muito menos forçamos ou criamos alguma situação de desconforto. Mas tudo o que relatei anteriormente tornou a relação da equipe com ele cada vez mais desconfortável. 

O ponto final foi uma conversa que tivemos no MSN na qual, infelizmente, ele perdeu a compostura e começou a soltar o verbo, falando tudo que uma pessoa enfurecida fala. Discordar e ter divergências é diferente das coisas absurdas que li, com ofensas pessoais das mais pesadas possíveis. Aquilo realmente passou dos limites, pois tudo o que discutíamos antes deste episódio era de âmbito profissional. Os que leram a conversa, como Frans Dourado e Frederico Batalha, por exemplo, instantaneamente tiveram reações intempestivas e impensadas. Havia outras formas de tentar resolver as coisas de forma serena e racional antes de chegar a este nível. Nesse ponto, todos erramos. Roupa suja se lava em casa e nada disso precisava cair em conhecimento público, pois, para o leitor, o importante é o produto final, a revista todos os meses. Óbvio que muitos que gostam do trabalho do Thiago Sarkis e da revista como um todo almejam explicações, mas colocar todos os pontos internos não era necessário. Lamento.

Qual a sua opinião sobre o mercado editorial brasileiro especializado em música pesada?

As coisas não estão fáceis. O mercado editorial passa por uma crise, só que isso não é exclusividade do nosso meio, mas do mundo empresarial e dos negócios. Porém, sempre focamos todos nossos esforços para a revista
Roadie Crew. É bem verdade que é impossível ser unanimidade, mas analisamos as críticas e sugestões com a máxima atenção. Quando respondo no Roadie Mail que iremos procurar atender aos pedidos dos leitores não falo da boca pra fora.

A Roadie Crew é realmente a melhor publicação especializada em música pesada de nosso país? Se sim, o que fez a revista alcançar esse status?

A
Roadie Crew foi para as bancas em 1998, e de lá para cá sempre buscou inovar em sessões, que hoje são tão importantes quanto as entrevistas. Fazemos nosso trabalho sempre pensando no leitor, no fã de heavy metal e classic rock. O leitor nos ajuda a montar a revista, dá sugestões e aponta o que não curtiu. Portanto, este julgamento quem faz é o leitor. Como costumo dizer, nunca devemos achar que está bom, pois desta forma poderia haver estagnação, acomodação, e isso aqui não acontece. A melhor edição tem que ser sempre a próxima. Penso que o que fez a revista alcançar esse status foi dar um passo de cada vez.

Alguns redatores antigos da Rock Brigade, como os ótimos Fernando Souza Filho e Ricardo Franzin, estão afastados do mercado editorial. Existe a possibilidade de eles pintarem nas páginas da Roadie Crew?

Realmente não sei, mas seria um prazer trabalhar e aprender com profissionais deste gabarito. Caso haja um
Background do Ramones na Roadie Crew, não vejo outro melhor do que o Ricardo Franzin para fazê-lo. Desde já, adianto que, apesar dele gostar de Nirvana, sempre tiramos o maior sarro disso quando nos encontramos. Ele me detona por gostar de hard rock ("poser", "farofa", "hair metal") e faço o mesmo por ele curtir Nirvana. É uma brincadeira saudável. 

Já o Fernando Souza Filho é um grande são-paulino como eu, Claudio Vicentin, Leandro de Oliveira, André Dellamanha e tantos outros. Antes mesmo de ele entrar na Rock Brigade, quando vivia no Pará, nós já trocávamos correspondência. Ele tinha um fanzine e ajudava as bandas locais. Todos são excelentes profissionais e ótimas pessoas.

Um ponto delicado, admitido pelos próprios colaboradores da revista e levantado pelo Sarkis, foi o fato de vários Backgrounds publicados terem sido literalmente "chupados" de livros e publicações estrangeiras, causando um certo mal estar entre os leitores, como se a Roadie Crew fizesse parte do "jornalismo ctrl+C ctrl+V". O que você, como redator-chefe da revista, tem a dizer sobre isso?

A origem disso foi um comentário infeliz e equivocado de um colaborador nosso, que ficou nervoso com uma situação e respondeu sem pensar. Obviamente, toda matéria que envolve história passa por pesquisa - isso ocorre em todos os órgãos de imprensa e em relação a qualquer assunto, não há novidade nenhuma nisso. Naturalmente, sessões como o
Background envolvem pesquisa em incontáveis fontes - e, como normalmente é escalado um redator que é fã confesso do artista ali retratado, muito do que acaba sendo escrito vem da própria memória de quem está redigindo aquela informação que é verdadeira, mas que é impossível de se determinar a origem. E quando ela existe, é necessário que o redator leia, assimile e transforme em algo seu, escrevendo de próprio punho. 

No caso do Background do Kiss, o colaborador baseou-se em livros e irá publicar a bibliografia e as fontes de consulta na parte final, já que se baseou nelas para montar seu texto. Porém, de forma alguma isso é algo que deve ser generalizado - até porque cada banda acaba tendo fontes de consulta diferentes. O importante é escrever sempre com suas próprias palavras. Não há como mudar a história de uma banda, os fatos são os mesmos, não podemos inventar outros, mas é preciso adaptar os textos que lhe serviram de base, assimilar a informação e tornar algo autoral de fato. 

Um dos pontos fortes da Roadie Crew são exatamente as sessões. A maioria dos elogios que recebemos por meio de cartas e e-mails são justamente para as seções que temos na revista. O que queremos é a informação correta, feita de maneira profissional e autoral. 

O que você diria, em nome da Roadie Crew, a todos os leitores da revista espalhados pelo Brasil e que acompanharam essa confusão e discussão toda que levaram a saída do Thiago Sarkis da revista.

Muitos tomaram partido rapidamente tendendo para um lado, mas acredito que isto é normal em casos onde o emocional fala mais alto. Ele tinha contato direto e estreito com os leitores que frequentam o
orkut, enquanto muitos outros membros da Roadie Crew sequer estão cadastrados neste site de relacionamento. Eu mesmo havia deixado a comunidade da revista - e muitas outras - bem antes da saída dele. Acho que houve precipitação de alguns, outros sempre irão concordar com a visão dele, outros com a nossa. Porém, acredito que, da parte da Roadie Crew, fizemos e estamos fazendo tudo para que o produto que o leitor recebe mensalmente em sua casa não seja afetado por esse problema. Temos um compromisso com a qualidade da Roadie Crew e essa visão esteve sempre à frente durante a condução de todo esse processo. Como disse, certas coisas vieram a público e isso foi um erro. Em um ambiente de trabalho, sempre irão ocorrer problemas. Agora cabe a nós seguirmos adiante.

Quais são os principais jornalistas e críticos musicais do Brasil atualmente, Batalha?

Nossa, são tantos! Para não ficar escrevendo um romance, citarei dois: Bento Araújo, por seu excelente trabalho de pesquisa e texto coeso, e Ricardo Franzin, pela sua coragem, personalidade e estilo. Você pode concordar ou não com o que ele escreve, mas é inegável que, ao bater o olho em algo escrito por ele, você reconhece de imediato. Ele passa credibilidade e isso é algo a ser exaltado.

Qual a sua opinião sobre a atual cena metálica brasileira?

Este é um assunto delicado e amplo, pois depende de que área desta cena vamos discutir. O que mais sinto é a falta de público e apoio às bandas nacionais.

Você se considera uma pessoa humilde?

Se afirmasse que sim já não estaria sendo humilde. Não é uma afirmação que faz que uma pessoa demonstre humildade, mas suas ações. Procuro apenas fazer meu trabalho e não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem comigo.

Como é a sua relação com os integrantes do cast da Roadie Crew?

A relação com todos é a melhor possível. Claro que temos nossas divergências, mas nada que impeça um bom relacionamento pessoal e de trabalho. Afinal, são anos e anos de trabalho juntos. Como disse, é natural que haja rusgas em um ambiente profissional, pois cada um pensa e age de um jeito. Entretanto, quando há respeito e entendimento das necessidades primordiais para que o trabalho possa ser feito, tudo é resolvido.

Batalha, qual o tamanho da sua coleção de discos?

Cadão, não tenho uma coleção numerosa, mas parei de contar faz tempo. Posso lhe dizer que os discos de vinil ainda estão aqui, firmes, fortes e ainda sendo tocados no meu velho Gradiente (risos).

Vou citar uma pessoa e gostaria que você dissesse com qual álbum a presentearia, certo?

Airton Diniz.

Abigail do King Diamond e White Album dos Beatles, ambos em vinil.

Cláudio Vicentin.

Qualquer material bem raro do Metallica, porque ele coleciona tudo da banda.

Ricardo Campos.

Welcome to My Nightmare do Alice Cooper e Headhunter do Krokus.

Antonio Carlos Monteiro.

Tattoo You e Steel Wheels dos Rolling Stones.

Leandro Oliveira.

Deal with the Devil do Lizzy Borden e Triumph and Agony do Warlock.

Vitão Bonesso. 

Qualquer um que seja relacionado a Beatles, Deep Purple e Black Sabbath. Vitão adora um disco ao vivo, mas sem overdub (risos).

Vinícius Neves.

The New Order, Low, Demonic e The Gathering, do Testament.

Frederico Batalha.

Grace Under Pressure do Rush e Balls to the Wall do Accept.

Frans Dourado.

From Beyond do Massacre, Altars of Madness do Morbid Angel e Morbid Tales do Celtic Frost.

Bento Araújo.

Born Again do Black Sabbath e Grand Funk do Grand Funk Railroad.

Régis Tadeu.

Última Noite e Ninja do Centúrias, afinal foi ele quem sugeriu o nome para a banda.

Sérgio Martins.

Fire Down Under do Riot e a coleção completa do Thin Lizzy, incluindo um ao vivo chamado One Night Only que estou devendo para ele até hoje (risos).

Thiago Sarkis.

Hoje em dia, nenhum.

A galera aqui da Collector's Room.

Operation: Mindcrime do Queensrÿche e Screaming for Vengeance do Judas Priest.

Muito obrigado, Batalha, e gostaria que você e a Roadie Crew mandassem um recado aos nossos leitores.

Gostaria de mandar um grande abraço a todos da
Collector's Room, um dos melhores blogs do Brasil. Estou e sempre estarei à disposição para falar com amigos, fãs de heavy/rock e leitores da revista Roadie Crew. Meu e-mail é rbatalha@roadiecrew.com. Escrevam.

Observação: todas as respostas foram dadas por mim em nome da revista Roadie Crew.

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