5 de mar de 2010

Bebê heavy metal

sexta-feira, março 05, 2010



Por Ricardo Seelig
Colecionador

Muitos já devem ter visto esse vídeo, mas vale a pena postar aqui pra quem ainda não conhece.

Um bebê, quase dormindo no carro dos pais, acorda e agita com a música que rola no som. Detalhe para o bico de caveira do baby. Muito bom!!!

O Matias já está nesse caminho, agitando junto comigo. E os seus filhos, também já curtem som?


Jefferson Gonçalves - Ar Puro (2010)

sexta-feira, março 05, 2010

Por Ugo Medeiros
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****

O blues foi o estilo musical do Ocidente mais importante do século XX. A partir dele vieram o jazz, o soul, o R&B, o rock, entre outros. Entretanto, muitos pensam que a sua estrutura é simples e de fácil manuseio. Esse é um erro comum que alguns músicos cometem. O blues não é apenas uma caixa a ser recheada com uma letra e um solo de gaita ou guitarra. Ele é complexo, profundo e muitas vezes enigmático. Já houve artistas e bandas que pensavam que podiam lidar com ele, mas foram enganados e o trabalho final foi um grande equívoco. O blues, acima de tudo, é o lamento dos escravos e, assim, ele não perdoa quem faz mau uso dele.

Felizmente, o gaitista Jefferson Gonçalves respeitou as tradições do estilo e mostrou que o verdadeiro blues não é apenas uma canção de três acordes. Jefferson, Kleber Dias (vocal, violão, banjo, guitarra) e banda produziram um disco que rastreou os caminhos que o blues percorreu ao longo dos seus mais de cem anos de existência.

Além da digressão pela música negra norte-americana, Jefferson dá continuidade à mescla de ritmos nordestinos, tais como baião, forró e maracatu, característica dos bons trabalhos anteriores. Ar Puro (Blues Time Records), entretanto, é um trabalho mais maduro. Tanto o gaitista como o resto da banda estão entrosados e com uma técnica apurada.

O CD inicia com "Baião pra Jú", uma boa abertura que de cara apresenta o cartão de visita do músico. Jefferson mostra que a ligação entre o blues americano e o nordeste é mais próxima do que imaginávamos. "Just Your Fool" (Little Walter) tem uma percussão bem marcada e dita o rumo da música. "500 Miles" (Peter Madcat Ruth) tem uma atmosfera psicodélica.

A melhor parte do álbum fica reservada para uma sequência matadora. "Ar Puro", canção que dá nome ao novo trabalho, tem uma melodia leve e, ao mesmo tempo, forte. Apesar de ter apenas pouco mais de dois minutos, a canção satisfaz o ouvinte. "Don’t Let Your Deal Go Down", canção de domínio público, traz influências do country e um ótimo vocal de Kleber. Em "Highway 61" (Bob Dylan), Jefferson mostra a sua admiração pelo compositor e cantor norte-americano em um blues rock poderoso. Fechando a sequência, "Nosso Groove", como o nome já deixa claro, é puro suingue: uma percussão “arretada” e uma gaita equilibrada, sem pecar pelo excesso de virtuosismo. A parte da guitarra remete ao começo da carreira de Santana.

"Essa é pro Espedito" tem um pé no samba. "Help the Poor" (Charles Singleton), apesar de algumas boas passagens, é monótona e demasiada lenta, e "Teto Preto" soa um tanto repetitva, mas não compromete de forma alguma o disco. "Se Liga" tem uma pegada oitentista (isso é um elogio), enquanto que "Six Feet Under", constratando, é um blues de raiz com vocal de Richard Werner. O CD encerra com muita qualidade com "Estação Werneck".

Ar Puro representa o crescimento musical de Jefferson Gonçalves. Em seu terceiro trabalho solo, o gaitista gravou uma excelente obra que o coloca na lista dos músicos mais originais do Brasil.


Faixas:
1. Baião pra Jú
2. Just Your Fool
3. 500 Miles
4. Ar Puro
5. Don't Let Your Deal Go Down
6. Higway 61
7. Nosso Groove
8. Sinistro!
9. Essa é Pro Espedito
10. Help the Poor
11. Teto Preto
12. Pangaré
13. Se Liga!
14. Six Feet Under
15. Bonus Track: Estação Werneck

Que tal ganhar calendário, box e DVD do Pink Floyd?

sexta-feira, março 05, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

O Pink Floyd anunciou hoje um concurso mundial para os seus fãs. Basta se inscrever e responder as perguntas neste link, e você já estará concorrendo ao calendário 2010 oficial da banda, ao box By the Way (que contém todos os discos do conjunto em formato mini LP) e ao DVD Pulse.

Se você curte o grupo, não precisa em dizer que é imperdível!

Boa sorte pra todos nós!


4 de mar de 2010

Iron Maiden anuncia título de novo álbum e turnê com o Dream Theater

quinta-feira, março 04, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

O Iron Maiden acabou de anunciar que o título de seu novo álbum será The Final Frontier.

Além disso, a banda anunciou também uma turnê norte-americana tendo como convidado especial o Dream Theater, que abrirá os shows. A tour rolará entre 09 de junho e 20 de julho de 2010, e será composta por 22 apresentações. O cartaz dos shows é este aí em cima.

Pergunta: será que a capa do novo disco terá algo a ver com o que está no cartaz? Eu particularmente curti a ilustração do Eddie, gostei bastante. E você, o que achou?


Nova edição da poeira Zine traz o Uriah Heep na capa

quinta-feira, março 04, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

A nova edição da poeira Zine, na minha opinião a melhor revista de música do Brasil, traz o Uriah Heep, um dos gigantes do hard rock britânico, na capa. Bento Araújo produziu uma longa matéria de dezesseis páginas sobre o período em que o falecido vocalista David Byron esteve à frente da banda, entre 1970 e 1976, época essa considerada pelos fãs como a melhor da carreira do grupo, que gerou álbuns clássicos como Look at Yourself (1971), Demons and Wizards (1972) e The Magician´s Birthday (1972).

A edição #29 da revista traz também uma entrevista exclusiva com o guitarrista Steve Hillage (Gong, Khan), onde ele responde perguntas elaboradas pelos próprios leitoras da pZ; uma geral na carreira do percussionista brasileiro Airto Moreira, que tocou com mitos como Miles Davis; a história do Henry Cow; a trajetória de Joan Jett; e várias outras matérias com bandas como Gentle Giant, Chuck Berry, Los Saicos, Love e outros.

A revista será lançado dia 15 de março, mas você já pode garantir a sua clicando aqui. E aproveite e complete a sua coleção, clicando aqui.

Garanta já a sua, porque vale muito a pena!



3 de mar de 2010

Uganga - Vol. 3: Caos Carma Conceito (2010)

quarta-feira, março 03, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

Fazer heavy metal com letras em português não é para qualquer um. Assim como acontece no rock, no metal a língua universal também é o inglês. Gerações e gerações cresceram ouvindo os discos de bandas como Black Sabbath, Motorhead e Metallica, e décadas de exposição sonora a clássicos deste calibre, todos cantados na língua da Rainha Elizabeth e do Tio Sam, condicionaram nossos cérebros a um padrão sonoro.

Quer dizer então que não se pode fazer metal com letras em português? Não, não foi isso que eu disse. O que eu estou dizendo é que, por causa desses fatores descritos no primeiro parágrafo, é preciso ser muito competente, até mais do que o habitual, para conceber um disco de heavy metal cantado na língua que falamos aqui no Brasil sem que ele soe estranho aos ouvidos de quem passou as últimas décadas tendo os ícones mundiais do gênero como companheiros do cotidiano. E o Uganga consegue isso com folga em
Vol. 3: Caos Carma Conceito.

O grupo mineiro está há 15 anos na estrada. No início, a banda se chamava Ganga Zumba, e fez parte da lendária cena mineira que gerou nomes importantíssimos para o metal nacional, como Sepultura, Sarcófago, Chakal e Overdose, entre outros. A sonoridade atual dos caras agrega enormes doses de peso a elementos do hardcore e algumas passagens que remetem ao rap e ao reggae, tudo feito com muita criatividade e talento.

A banda já lançou três demos, participou de várias coletâneas e tem três discos no currículo:
Atitude Lótus de 2003, Na Trilha do Homem de Bem de 2006 e Vol. 3: Caos Carma Conceito, lançado no início de 2010. Esse último disco foi gravado pelo novo line-up do grupo, que atualmente conta com Christian Franco e Thiago Soragi nas guitarras, Rasphael Franco no baixo, Marco Henriques na bateria e Manu "Joker" Henriques no vocal. Uma curiosidade: Manu foi baterista do lendário Sarcófago, uma das mais importantes bandas brasileiras de heavy metal de todos os tempos, influência confessa de grandes nomes do metal extremo em todo o mundo. Além disso, o grupo conta com o DJ Vouglas "Eremita" nas pick-ups, convidado especial em todos os discos e também nos shows.

Gravado no Orbis Estúdio em Brasília (mesmo local onde nomes como Violator, DFC e Rumbora gravaram alguns de seus discos) com produção de Riti Santiago (ex-Câmbio Negro) e da própria banda, o CD é pesadíssimo, colocando na mesa influências de thrash e death metal somadas a características punk e hardcore. A masterização, feita na Alemanha pelo conceituado produtor Harris Johns, o mesmo nome por trás de clássicos como
Pleasure to Kill do Kreator, Killing Technology do Voivod, Persecution Mania do Sodom e Brasil e Anarkophobia do Ratos do Porão, foi fundamental para tornar essas características ainda mais evidentes. Além disso, o álbum segue a ideia apresentada no título, sendo dividido em três partes: "Caos", "Carma" e "Conceito". O som que sai das caixas de som é muito bem produzido, mostrando uma banda competente, talentosa e que sabe exatamente o que quer.

Entre as faixas, destaque para a abertura climática com "Kali-Yuga", com belas passagens de cítara; a ótima "Meus Olhos de Enxergar o Mal (2 Lobos)", com passagens thrash e influências que lembram o Trivium, além de uma bem-vinda e surpreendente escaleta, que enriquece demais a música, e também alguns trechos reggae que servem de contraponto para a pancadaria; "ISO 666", onde o convidado especial Vouglas "Eremita" mostra a que veio; a excelente instrumental "Velas", que serve de introdução para a segunda parte do CD, intitulada "Carma"; "Zona Árida"; a também instrumental "P.A.X.", que simultaneamente encerra a segunda parte do play e introduz a terceira, "Conceito"; e o encerramento com a longa "O Primeiro Inquilino", onde em mais de sete minutos são narrados os fatos de um assassinato sobre uma base que une guitarras heavy metal com um vocal rap. Aliás, "O Primeiro Inquilino" é apenas a primeira parte de uma história que contará com mais dois capítulos, que serão desenvolvidos e apresentados nos discos futuros do grupo.


O CD é muito bom. Inspirado, com letras inteligentes, instrumental excelente e muito, muito peso. Além disso, vem em uma bonita e muito bem acabada embalagem digipack, com um longo encarte com todas as letras e informações sobre o grupo. Resumindo, um trabalho gráfico nota dez, que só valoriza ainda mais o conteúdo do álbum.

Um ótimo registro de uma das mais promissoras e talentosas bandas da atual cena metálica brasileira, um quinteto com imenso talento, que não tem medo de ousar e experimentar em busca de sua própria sonoridade. Se você gosta de música, vá atrás de
Vol. 3: Caos Carma Conceito, porque vale muito a pena.


Faixas:
1. Kali-Yuga
2. Fronteiras da Tolerância
3. 3XC
4. Meus Velhos Olhos de Enxergar o Mal (2 Lobos)
5. Asas Negras
6. ISO 666
7. Velas
8. Sua Lei, Minha Lei
9. Encruzilhada
10. Milenar
11. Zona Árida
12. P.A.X.


2 de mar de 2010

Discos e Histórias: Metallica - Load (1996)

terça-feira, março 02, 2010

Por Tiago Rolim
Colecionador
Collector´s Room

Ainda no rastro da passagem do Metallica pelo Brasil em fins de janeiro, resolvi defender o disco que começou toda a falação de que o grupo é traidor, se vendeu, perdeu a fé no heavy metal e coisas mais. Falo, é lógico, do Load.

A minha primeira impressão do álbum foi em abril de 1996, na “finada” Rock Brigade, com uma matéria assinada por Daniel Oliveira (aliás, por onde anda este redator?), onde ele apresentava algumas músicas novas, além de uma entrevista com a banda. Os mais novos podem achar estranho, mas nestes tempos pré-internet era assim que a gente tinha acesso à notícias: com reportagens de revistas. Então, uma revista lançar uma matéria sobre um disco com três meses de antecedência era um milagre.

Lendo a matéria e, principalmente, vendo as novas fotos, cravei: não gostei do disco. Afinal, a vantagem de ser adolescente (estava com 18 anos incompletos) é ser, segundo Raul Seixas, “inocente, puro e besta”.

Finalmente o álbum foi lançado e claro que não gostei do que ouvi. Esperei ainda cerca de um mês para poder ouvi-lo na casa de um amigo, e não parecia verdade! Nada daquilo lembrava o Metallica! Mesmo assim, comprei a versão importada, que naquela época dava um banho na nacional. A diferença era tão grande que até o peso do CD com encarte e tudo era diferente. Hoje em dia as versões estão iguais.

E o choque começava no encarte: aquelas maquiagens, aquelas poses. O Lars de batom era demais!

Com o tempo fui aprendendo a gostar de algumas faixas, como “2x4”, ‘Ain’t My Bitch”, “Wasting My Hate”, “Until It Sleeps” e “The Outlaw Torn”. Mas larguei de mão e passei para frente o CD. Mas o tempo faz milagres, e eu que sempre fui fã do Metallica, depois de muitos anos e de passar pelo mesma decepção com o Reload, resolvi dar mais uma nova chance ao Load.

Foi quando do lançamento do Garage Inc, que eu comprei na semana que saiu - muito por conta do CD 2, aquele que tinha os covers antigos, admito -, que eu fiquei com vontade de ouvir o Load novamente. Procurei alguns amigos para gravar uma fita, e descobri que ninguém tinha este álbum! Fui até uma locadora de CDs (sim meninos, antigamente existiam locadoras de CDs) e aluguei um para gravar, e redescobri um disco que tinha passado em branco nas primeiras ouvidas.

Como não reconhecer naquele disco o “álbum preto” mais moderno? Músicas como “Ain’t My Bitch”, “Until It Sleeps”, “2x4” e “King Nothing” eram descedentes diretas das presentes no Black Album. Fala a verdade: depois de vender milhões, vocês acham que o Metallica ia mesmo sair da forma encontrada no disco preto? Não tem como negar que muito da má impressão causada pelo Load foi devido à questão da maquiagem. Se a banda tivesse mantido o mesmo visual, muito da discussão seria irrelevante. Pois, musicalmente, “Mama Said” era uma nova “Nothing Else Matters”, e “Ain’t My Bitch” tinha tudo para ser uma nova “Enter Sadman” se não tivesse ocorrido à rejeição total do trabalho.

Claro que não são apenas bons momentos que fazem o CD. Músicas como “Hero of the Day” e “Thorn Within” são bisonhas, principalmente a primeira. Não tem o que defender nessas daqui. “Thorn Within” é uma música que dura mais de cinco minutos, e não diz nada, se apaga da memória assim que acaba. E “Hero of the Day” é simplesmente ridícula, ponto.

Uma das coisas que eu mais gosto em Load são as novas influências que o Metallica colocou nas suas composições. Uma delas foi o blues, o que rendeu músicas como “Ronnie” e “Poor Twisted Me”, que são as minhas favoritas hoje em dia. Outra influência bem vinda foi o hard rock. “Cure” e “Wasting My Hate” são exemplos de faixas que se beneficiaram muito desta influência.

Enfim, este foi um relato pessoal de um disco que me acompanha há 14 anos e que pode ser considerado um dos mais importantes desta banda. Não estou aqui dizendo que Load é um dos melhores, mas que é importante. Pode ter certeza que tudo o que o Metallica passou depois de 1996 foi influência deste álbum, para o bem ou para o mal.

Mas que é uma boa indicação para quem desde o Black Album não escuta o Metallica e só retomou depois do Death Magnetic, com certeza é.

Guitarrista de blues Fabio Dwyer faz show em Floripa

terça-feira, março 02, 2010

Por Marcelo Peixoto
Músico e Colecionador
Collector´s Room

No sábado, dia 06 de março, ocorrerá o show de lançamento do CD
Central Station, o segundo álbum solo do guitarrista, compositor e cantor carioca Fabio Dwyer (leia-se Duáier), no Teatro do CEMJ, em Florianópolis. O disco é composto por doze canções inéditas compostas por Dwyer, cuja influência principal é o blues, mas que não se prende apenas a esse gênero – no CD e no show também haverá muito jazz, soul e, claro, o bom e velho rock and roll, com a presença de vários convidados no palco.

Fabio atualmente mora em Curitiba, aonde vem atuando como músico, mas morou de 2002 até 2009 em Floripa, onde criou, gravou e produziu
Central Station. O CD conta com a participação de alguns dos melhores músicos atuantes em Santa Catarina, como Fernando Santos, o “Elvis” da Blue Suede Shoes nos vocais e gaita; Johnny Sonntag e Henry Sousa, tecladista e baterista da Black Jackie; Luiz Maia, baixista do Coletivo Operante; Alex Arroyo, guitarrista da Funkzilla; Marcelo Peixoto (ex- Berbigão, atualmente na Heartfakers e na Long Players); Jean Carlos (trompete na Sociedade Soul de Gustavo Barreto); o baixista de jazz/MPB Carlos Ribeiro Jr; além do saxofonista argentino Eduardo Ferraro e do baterista de Chicago Andrew Scott Potter, que já abriu shows para B.B. King, Miles Davis e Chick Corea, e que já tocou e gravou com grandes nomes da música internacional.

Enquanto morou em Floripa, Dwyer fez parte da banda The Champions (cover do Queen), da dupla Thanira & Dwyer, cantou no espetáculo Vozes da Primavera por dois anos e é um dos membros mais antigos do Projeto Rock. Apresentou-se com as melhores bandas de Florianópolis e tocou em praticamente todos os palcos da cidade, acompanhando artistas como os bluesmen norte-americanos J.J. Jackson e Greg Wilson (do Blues Etílicos), e o blueseiro gaúcho Fernando Noronha. Antes de mudar para Floripa, ainda no Rio de Janeiro (onde iniciou a carreira), gravou seu primeiro CD solo,
Downtown Streets, lançado em 2003, cantou e tocou com artistas diversos como Kleyton & Kledir e Daniel Gonzaga (filho do cantor Gonzaguinha), além de ter ajudado na formação da banda Los Hermanos.

O quê? Show de lançamento do CD
Central Station.

Quem? Fabio Dwyer, guitarrista, compositor e cantor carioca radicado em Curitiba.

Quando? Dia 06 de março de 2010, sábado, 21h.

Onde? Teatro do CEMJ (Centro Educacional Menino Jesus), Rua Esteves Junior, 696, Centro – em frente ao Colégio Catarinense. A entrada do Teatro fica na Rua Bocaiúva, esquina com Esteves Junior.

Capacidade: 350 lugares (270 na plateia, 76 no mezanino, 4 lugares para cadeirantes).

Ingressos: a venda na Mensageiro Musical (Rua 7 de Setembro, 159-Centro), na Academia de Música Moderna (Trindade, tel. 3334-7495) e na Escola Fazendo Arte (João Paulo, tel. 3238-0259), ou com a produtora Oh3 (tel. 7812-1126).

Quanto? R$ 20,00 (todos no valor de meia-entrada). O ingresso dá direito a uma cópia do CD
Central Station, ou uma cópia do CD antigo, Downtown Streets.

1 de mar de 2010

Rock Brasileiro 1974-1976

segunda-feira, março 01, 2010

Por Ronaldo Rodrigues
Colecionador
Apresentador do programa Estação Rádio Espacial

Esta matéria será dividida em três partes. O objetivo é tentar traçar um pequeno panorama do que aconteceu na época, um período fértil para o rock no Brasil, infelizmente marginalizado e subestimado pela crítica, ainda carente de mais informação e registros. Se houver alguma correção a ser feita ou informações a serem acrescentadas, por favor contribua pelos comentários.

Falar de rock no Brasil durante a década de 70 passa, irremediavelmente, por falar também de história e política. A fatalidade histórica que foi a ditadura militar no período 1964-1985 foi a forja na qual foi conformada a cara sofrida e suada de nosso rock, e também foi a pá que cavou a sepultura de muitos jovens talentos. Outro fator que é fundamental a se analisar na história do nosso rock durante o período, apesar dos narizes torcidos dos mais radicais, é a MPB. Chega um ponto em que é praticamente impossível dissociar rock de MPB nos anos 70, numa via de dupla influência e muitas transas.

Primeiramente, a ditadura militar. Em seu período mais brando (de 64 a idos de 67), permitiu o bravo florescimento de uma cultura de identidade nacional, fosse na música, no teatro, no cinema ou nas artes plásticas. Embalados pela renovação cultural do Brasil dos anos 50 e os ventos de modernização daquela época, surgiram nomes que ainda hoje são referência em arte – Glauber Rocha, Ferreira Goulart, Carlos Vergara, José Celso Martinez, Chico Buarque, Julio Medaglia, etc.

Mas no momento em que acontecia o levante juvenil no mundo contra toda forma de autoritarismo e a favor das liberdades individuais, o cinto apertou por aqui e a barra pesou para todos. Este momento da catarse coletiva jovem também foi acompanhado de muitas mudanças na cultura rock, que foram muito pouco assimiladas aqui no Brasil, que a partir de então, se iniciava num período de escuridão e fechamento cultural, expulsando artistas do país e dificultando a troca artística com outras partes do mundo.

Além do fechamento e do combate a toda e qualquer manifestação que ousava soprar sobre o paranóico poder estabelecido, a força da MPB era imensa (provavelmente muito maior do que é hoje). O Brasil, devido a genialidade de vários músicos, conseguia se desvincular de formas latinizadas dos países caribenhos e das técnicas operísticas dos cantores do rádio e criar seu próprio som, captando toda a música realmente folclórica brasileira, levando-a à tona e dando-lhe novas roupagens. Os festivais da música brasileira de 1967 e de 1968 geraram tantos nomes e tão geniais trabalhos que foram fundamentais para a consolidação da linguagem da música não-erudita nacional. Até hoje não surgiu nada nesta linguagem que superasse em importância os acontecimentos e os nomes revelados naqueles dois festivais – Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jorge Ben, Elis Regina, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Nara Leão, Tom Zé, Jards Macalé, Rogério Duprat, Gal Costa, Mutantes, etc.

A ditadura via no rock um perigoso aliado da rebeldia da juventude. E essa mesma juventude tinha muita dificuldade em estar sintonizada com o que acontecia com o rock nos EUA e Inglaterra. São inúmeros casos de discos que foram lançados aqui com atraso e outros tantos mutilados (com edições limadas, capas diferentes das originais, ...), além, é claro, dos muitos e muitos que não chegaram nem a ser lançados.

Por outro lado, a inventividade de nossa música também era atrativa aos jovens, que se identificavam com as canções de protesto e o espírito também jovem da MPB da época. Justamente o período de transição entre os Beatles e as novas tendências do rock - psicodelia, arte-rock e rock pesado - na virada dos anos 60 para os 70 foi o período de maior vácuo para o rock brasileiro, que ainda vagava pelo som beat da Jovem Guarda (já descambando gradativamente para uma música pop de orientação adulta).

Os Mutantes pareciam ser a grande novidade de larga difusão, altamente ligados com o conceito tropicalista naquele momento, em que a MPB era uma das engrenagens daquela usina sonora, aliada ao fuzz psicodélico e ao experimentalismo. Também existiu, nas grandes cidades, uma cena beat paralela, de pequeno alcance, ligada ao circuito dos clubes e bailes, com bandas que iam evoluindo, aos poucos, para composições próprias de teor mais psicodélico e agressivo. Porém, existem pouquíssimos registros (a maioria em compactos) e que nem sempre eram realmente representativos dos sons que os grupos apresentavam nos palcos, devido ao total estranhamento das gravadoras e o medo da ditadura.

A saída para muita moçada cabeluda da época foi o desbunde. Se mandar para comunidades hippies e ficar por lá um tempo curtindo uma vida alternativa. Isolados da sociedade de um país já praticamente isolado culturalmente. Por isso, nos idos de 68 a 72, uma época extremamente profícua para o rock, época de liberdade de criação e experimentação, o Brasil praticamente produziu quase nada nesse quesito, com bravas e notáveis exceções – Não Fale com Paredes do Módulo 1000; Geração Bendita, trilha sonora do filme É isso aí Bicho, pela banda Spectrum; o som pesado nos compactos da Bolha – “18:30 / Sem Nada” - e da banda A Década; os discos do Som Imaginário e dos Mutantes com sua lisergia experimental, e mais alguns poucos ainda mais obscuros.


O que aconteceu neste período foi a gestação de uma MPB temperada com rock em discos excelentes, e que agregaram o rock (principalmente a influência dos Beatles) como mais um adicto em sua flavorização. Transa de Caetano Veloso, Expresso 2222 de Gilberto Gil, Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua de Sérgio Sampaio, Clube da Esquina de Milton Nascimento e Lô Borges, Passado, Presente e Futuro de Sá, Rodrix & Guarabyra, Fa-tal de Gal Costa e Acabou Chorare dos Novos Baianos foram trabalhos que tiveram boa repercussão entre a moçada que escutava rock, e conseguiram uma ponta de sucesso dentro do mercado musical brasileiro.

Em 1973, um acontecimento marcante que abriu a porta para que outros conseguissem ao menos um registro fonográfico – o sucesso meteórico dos Secos & Molhados. Este é um grupo em que o binômio rock-MPB é constante. Ganhando premiação pelas vendas de seu disco homônimo e lotando ginásios por onde passava, a banda conseguiu colocar hits no rádio e aparecer na TV, com um som bastante artístico, performático, ousado e de bastante qualidade. Um feito realmente único até então e que fez com que as gravadoras passassem a compreender um pouco melhor o que era o rock e o poder que ele possuía.

No ano seguinte, surge à tona uma produção mais intensa das bandas locais. Os shows de Alice Cooper no Brasil arrebataram a atenção de milhares de jovens e colocaram o rock em pauta na grande mídia, para o bem e para o mal. Estes dois fatores propiciaram um tímido deslanche da produção local na época, e nos anos de 1974 a 1976 aconteceram alguns dos melhores trabalhos do rock brasileiro na década de setenta.

Evidentemente que o que aconteceu a partir de 1974 no rock brasileiro já era embrião em anos anteriores, mas ficava perdido nas garagens e porões particulares. Só a partir daí que vieram a luz. Analisando as obras das bandas do período, já se consegue perceber um alinhamento maior com a cultura mundializada do rock.

A linguagem do rock progressivo, especialmente, foi interpretada muito bem no Brasil e assimilada mais ou menos na mesma época que em países periféricos, até mesmo da Europa e da América do Norte. No período de 71 a 73 apenas as bandas inglesas pioneiras (e que se tornaram “referências-mor” no estilo), algumas alemãs e outras poucas italianas estavam realmente delineando o estilo e o fundamentando. Mais ou menos a partir de 74 é que surge uma leva maciça de bandas em todas as partes do mundo, assim como no Brasil, se aventurando nos ecléticos terrenos da chamada “arte-rock”. Por ter uma abordagem bem mais aberta e menos padronizada do que outros estilos de rock, o rock progressivo entrou com muita força aqui no Brasil, trombando com a força de nossa música popular. A MPB teve papel fundamental para diferenciar completamente a produção de rock (progressivo) do Brasil, ao mesmo tempo que diluindo a face realmente “rock” da coisa, também colocava-lhe um toque altamente original. Para efeitos didáticos, seguem os acontecimentos divididos por ano, para uma melhor explanação.


1974

Em 74, os Secos & Molhados gravaram seu segundo disco, não tão bem sucedido como o primeiro, e encerraram as atividades por um racha interno. Os Mutantes, totalmente repaginados, sem Rita Lee e Arnaldo Baptista, lançavam o antológico Tudo Foi Feito pelo Sol. Já no pioneirismo de um rock bastante elaborado, gravaram ainda em 1973 e com a participação de Arnaldo Baptista o disco O A e o Z, que só veio a ser lançado muitos anos depois. Tudo Foi Feito pelo Sol é totalmente diferente dos trabalhos anteriores da banda. Foi marcado por um som sério, virtuoso, com letras de tom espiritual e positivista, experimentação e claras influências de grupos ingleses como o Yes e o Genesis. O disco vendeu bem para os padrões da época, e esta fase foi a mais bem sucedida da banda, comercialmente falando, a despeito de ser completamente ignorada e rechaçada (assim como o rock progressivo, em geral) pelos críticos musicais atuais. Como já era uma banda bem sucedida anteriormente, tinha bons equipamentos e conseguiu produzir um material de bastante qualidade técnica (além da inegável qualidade musical), o que não aconteceu com vários outros grupos - para não dizer a maioria.


Rita Lee a partir de 1972 começou a voar com as próprias asas. Não se sabe bem se foi decisão particular de sair por insatisfação ou de ter sido despedida do grupo, numa situação até hoje repleta de controvérsias e relatos conflitantes. O importante é que dela se gerou uma nova banda, também de sucesso, o Tutti Frutti, cuja estreia aconteceu em 1974 com o excelente disco Atrás do Porto tem uma Cidade. Rita Lee já tinha gravado dois discos solos (Build Up e Hoje é o Primeiro Dia do Resto da sua Vida) e um álbum em parceria com Lúcia Turnbull, chamado Cilibrinas do Éden, em 73, numa fórmula de um rock básico e festeiro, por vezes pesado, que continuou a seguir com o Tutti Frutti.


O show de Alice Cooper, ocorrido em março de 1974, foi uma ocasião gloriosa para um dos grandes grupos da época, o Som Nosso de Cada Dia. O núcleo inical formado em 71 pelo ex-tecladista dos Incríveis, Manito, se convertera num trio que tinha acabado de gravar o antológico disco Snegs, com um rock progressivo impactante, autêntico e transcendente, e foi selecionado para a abertura dos shows de Alice, se apresentando diante das mesmas milhares de cabeças que assistiram o show do artista estrangeiro.

Este foi um caso de banda que ficou prejudicada pela produção pouco esmerada e com poucos recursos, mas ainda sim, com muita ousadia, trouxeram uma música de alto conteúdo artístico e uma elevação para o rock da época. Segundo o próprio Pedro Baldanza, baixista e compositor da banda, tudo aconteceu muito rápido naquele período 73-74 - a composição do repertório, a gravação do disco e a abertura dos shows para Alice Cooper. O LP já tinha sido registrado previamente desde o fim de 73, mas a gravadora só tocou o projeto em frente depois da repercussão da abertura dos shows de Alice Cooper. Também nessa mesma época, o multi-instrumentista Manito sai do grupo, que se vê obrigado a uma reformulação, virando um quarteto e trabalhando em um novo repertório para os anos seguintes.


Antes do Som Nosso de Cada Dia, Pedro Baldanza também participou de um obscuro registro de uma banda paulistana, chamada Perfume Azul do Sol, que como uma exceção, conseguiu gravar um disco em 1974 (chamado Nascimento), mas morreu antes de sequer tocar ao vivo, pela debandada da tecladista do grupo. O som no disco tem uma produção também crua, mas é muito interessante, fundindo música regional nordestina, samba-rock e rock com uma roupagem totalmente hippie, valendo muito o garimpo.


No Rio de Janeiro, o grupo O Terço dava seu definitivo passo rumo ao som progressivo que o tornou célebre e o colocou como um dos maiores nomes do rock brasileiro da época. Participaram como banda de apoio de Sá & Guarabyra no disco Nunca, depois da partida de Zé Rodrix. Neste trabalho, já se destacam auxiliando nas vocalizações e em belos arranjos, oferecendo pequenos toques progressivos ao cancioneiro acústico da dupla. No ano anterior, haviam lançado seu segundo LP ainda como trio, que aparentemente carecia de direcionamento, não se firmando entre um nascente rock progressivo e uma linhagem puramente hard, guiada por guitarra fuzz.

Em 1974 estavam reformulados como quarteto, com adição do tecladista mineiro Flávio Venturini, que foi fundamental para a nova sonoridade do grupo, acrescentando positivamente na questão harmônica e vocal. No fim daquele ano (novembro de 74), entrariam em estúdio para registrar Criaturas da Noite, seu principal trabalho e um dos principais expoentes do rock progressivo “brasileiro e abrasileirado”, com incursões pela música popular, especialmente a desenvolvida por Milton Nascimento a partir de Clube da Esquina e por Sá, Rodrix & Guarabyra. Apesar do disco ter saído em 75, a banda já experimentava, com sucesso, músicas do novo repertório nos shows anteriores ao lançamento.


A cena paulistana gestava em seu berço underground o grupo Apokalypsis, formado pelo baterista, vocalista e compositor Zé Brasil, amigo de Arnaldo Baptista, recém saído dos Mutantes, que estava iniciando sua carreira solo com a banda Space Patrol (da qual Zé inicialmente fazia parte) e o instropectivo trabalho Loki, lançado também naquele ano de 74. Zé saiu antes da gravação do disco para iniciar um novo projeto, o Apokalypsis. Oficialmente, na época a banda não conseguiu registrar nenhum disco, porém recentemente os fãs e interessados pelo rock brasileiro do período foram agraciados pelo lançamento de dois shows do grupo, um de 1975 (pelo projeto Rock da Garoa) e outro de 1974 (no Teatro Aquarius, em Sampa).

Outra banda bastante ativa neste período em Sampa era o Scaladácia. Formada em fins de 72, abrigou o inglês Ritchie Court, flautista e vocalista, que ficaria famoso depois em carreira solo e que participou de outros projetos importantes. Cantavam em inglês um repertório de rock progressivo e jazz-rock, segundo relatos do próprio Ritchie, e rodaram bastante o pequeno circuito de espaços para rock no período. Até hoje não existem registros lançados do Scaladácia, e não ter conseguido assinar um contrato foi um dos motivos do fim da banda, pois Ritchie estava como turista no país e teve problemas com o visto. A banda consistia de Azael Rodrigues (bateria, futuro membro do Divina Increnca), Fábio Gasparini (guitarra), Sérgio Kaffa (baixo) e Ritchie (flauta e vocal). Segundo o mesmo relato, existe material registrado ao vivo da banda (esperamos ainda vê-lo sendo lançado um dia!).

Outros grupos que iniciaram em 74 foram o Terreno Baldio, em São Paulo, e o Vímana e o Bacamarte no Rio. Fonograficamente, tivemos a estreia da Casa das Máquinas, banda já bem profissionalizada, formada pelo experiente baterista dos Incríveis, Netinho. Não foi com esse disco que a banda ficou famosa e obteve prestígio, pelo fato de ser um trabalho irregular e pouco direcionado.

Tivemos a estreia do original grupo A Barca do Sol, que também contou com o flautista Ritchie, posteriormente. Um grupo que rechaçava o título de rock por si só, por ser bastante baseado em instrumentos acústicos e ter um conteúdo extremamente poético nas letras, puxando muito a MPB. Mas a fusão com outros elementos aproximava bastante o som do rock, especialmente o de grupos do chamado folk rock europeu. O disco foi produzido por Egberto Gismonti e utilizava sintetizadores em duas de suas faixas (“Alaska” e “Arremesso”), o que também o aproximava da linguagem do rock progressivo, que usava e abusava desse tipo de teclado.


Por fim, o disco homônimo do Moto Perpétuo, banda com uma interessante combinação de rock progressivo, MPB e algum temperinho pop, mais conhecida até por ter sido o primeiro trabalho do tecladista e vocalista Guilherme Arantes, que partiria pouco depois para uma bem sucedida carreira solo de orientação pop. Foram lançados pelo mesmo produtor dos Secos & Molhados e saíram com disco pela Continental, mas não tiveram o mesmo êxito. Do Moto Perpétuo também fazia parte o grande guitarrista Egídio Conde - que integraria o Som Nosso de Cada Dia depois da saída de Manito -, e os igualmente excelentes músicos Diógenes Burani (baterista, ex-integrante do grupo O Bando), Cláudio Lucci e Gerson Tatini.


Estreia importante de se citar é dos paulistanos do Made in Brazil, banda lendária e recordista mundial em troca de formações de músicos. Na ativa até hoje, tem respeito e admiração de um público cativo, com seu rock n’ roll básico. E essencial também é falar de Raul Seixas, que atingiu o grande público com o disco Gita em 74 e o enorme sucesso da faixa homônima. Raul se deu mal com a ditadura por pregar a tal “Sociedade Alternativa”. Foi preso em 1973, tomou uns sopapos da polícia e foi mandado para umas “férias forçadas” nos EUA. Quando o disco estourou, a ditadura achou por bem acabar com o sumiço de Raul e trazê-lo de volta ao país, onde se consolidou como uns dos maiores nomes do rock e talvez o único dessa época que realmente rompeu a barreira do tempo, sendo conhecido e celebrado por muita gente até hoje.

Em 1974 o rock realmente ficou grande no Brasil e as revistas noticiavam que a coisa viria num crescente, com apresentações a serem confirmadas de grandes bandas como Pink Floyd, Led Zeppelin, Yes, Black Sabbath, Joe Cocker, Black Oak Arkansas e várias outras. A única que realmente esteve mais próxima de se concretizar foi a do Traffic, que já tinha até data marcada, mas foi abortada porque a própria banda encerrou as atividades.

Minha Coleção - Marco Gaspari: "Quem gosta de banda obscura são os colecionadores"

segunda-feira, março 01, 2010

Por Fernando Bueno
Colecionador

Para começar o nosso papo, eu queria que você se apresentasse aos nossos leitores.

Bom, é um prazer estar aqui. Meu nome é Marco Gaspari (no orkut uso o nick "Sirigaita"), tenho 54 anos e compro discos desde os 13. Trabalhei com publicidade por trinta anos e sou lojista há cinco. Colaboro na revista poeira Zine e, de vez em quando, no blog Mundo Estanho de PB.

Qual foi o seu primeiro contato com a música?

Acho que foi ouvindo "Satisfaction", dos Stones, em um compacto simples que a minha irmã comprou quando ele saiu no Brasil. Eu tinha uns dez anos.

Mais ou menos com que idade você percebeu que essa paixão pela música iria acompanhá-lo por toda a vida?

Nunca tive essa percepção. Quando comprei meu primeiro disco já achava que esses objetos eram especiais e eu não via a hora de comprar outro e mais outro. Se foi paixão, foi à primeira vista. Ou primeira ouvida.

Você consegue dizer em que momento se transformou de um fã normal de música em um colecionador?

Provavelmente foi no momento em que eu não queria mais me desfazer de nenhum disco. No começo eu comprava, ouvia, gostava ou não, e acabava trocando com amigos, sem aquele compromisso de ter o disco e ser fiel a ele. Quando começou a me dar prazer ver aqueles discos ocupando as prateleiras da estante, acho que foi aí que eu percebi que já podia dizer que tinha uma coleção.

Quanto itens você tem?

Faz tempo que eu não conto, mas com certeza entre 4 a 5 mil itens, contando LPs e CDs. Não incluo entre os itens os meus livros e revistas sobre rock.

Qual foi o seu primeiro disco?

Na verdade foram dois: um compacto duplo do Johnny Rivers com a música "Do You Wanna Dance" e o LP Cheap Trills, do Big Brother & Holding Co, com a Janis Joplin.


Qual foi o número máximo de itens que você já adquiriu de uma única vez?

Numa loja da FNAC em Paris cheguei a comprar 84 CDs de uma vez. Foi o meu recorde. Costumava voltar de viagem com mais de 200 CDs, mas não eram comprados de uma vez só.

Você é dono de um sebo. Como fazer para que a sanha de colecionador não atrapalhe os negócios? Fico me imaginando no seu lugar. Acho que teria prejuízo (risos) ...

Conheci algumas pessoas que abriram sebos e lojas de discos com segundas intenções (risos), para ficarem mais próximas da fonte. Não costuma dar muito certo, porque se você não vender aquilo que compra, não vai pagar o aluguel e os impostos. Você acaba falindo em pouco tempo. Na verdade, abrir uma loja significa muitas vezes ter que abrir mão de itens da sua coleção. Eu comecei a minha com mais de quatro mil livros meus e uns 500 CDs. Foi a maior dor no coração.

Qual item você considera o mais raro da sua coleção?

Sinceramente, não sei dizer. Tenho coisas originais da Vertigo (swirl) e algumas obscuridades de um monte de país. Acho que é o disco do Mellow Candle, Sweding Songs.


Qual é o item mais diferente e curioso do seu acervo?

Hoje em dia a internet disponibiliza praticamente tudo, então discos que a gente considerava diferentes ou curiosos alguns anos atrás já são de domínio público (risos). Vou eleger dois: o disco roqueiro da Yma Sumac e o primeiro álbum lançado pelo Plastic People of the Universe, o Egon Bondy’s Happy Hearts Club Banned, um grupo tcheco que era perseguido pelo partido comunista e que, sem saber, teve seu disco lançado na França em 1978 graças a algumas fitas que foram contrabandeadas para lá.

Existe algum disco que você passou um tempão atrás até consegui-lo para a sua coleção?

Nunca fiquei atrás de disco algum. Na realidade, acredito que os discos é que andam atrás da gente. Houve discos que peguei na mão, não comprei por uma bobeira qualquer e eles me castigaram nunca mais aparecendo. É a vingança da bolacha.

E qual é aquele que você ainda não conseguiu?

Para ser coerente com a resposta anterior, ainda não consegui um monte de coisas, mas fico quietinho no meu canto que uma hora aparece. É claro que hoje em dia você entra nos eBays da vida, escreve lá o nome de uma raridade que era absurda para você e logo aparecem uns dois ou três exemplares à venda. Se tiver dinheiro pra bancar, compro no ato. Mas eu prefiro ainda ser fiel ao meu costume de deixar esses discos me acharem quando eu vou à caça. Colecionar, quando você tem dinheiro para comprar qualquer coisa ao preço que for, não tem muita graça. Encontrar discos nos locais mais improváveis e a preços bacanas é que é legal!


Você tem alguma banda preferida, aquela que você tem mais itens, ou se esforça mais para obter material?

Cada semana eu tenho uma banda preferida, mas com certeza algumas já foram preferidas por mais vezes, daí eu ter mais material delas e estar sempre procurando mais. São elas: Van der Graaf Generator e os solos dos músicos da banda, Can, Magma, Amon Dull I e II, Franco Battiato, PFM, Gong, Donovan e Legendary Pink Dots. Mas também tenho muita coisa do Country Joe and the Fish, Canned Heat, Grateful Dead, Jefferson Airplane, Savoy Brown e dos principais medalhões do progressivo inglês.

Quais são, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Os dez melhores álbuns de todos os tempos são os óbvios. Prefiro apontar aqui dez álbuns que podem não ter mudado a vida de ninguém, mas foram importantes para mim:

Donovan – Sunshine Superman
Slapp Happy – Acnalbasac Noom
Can – Tago Mago
Van der Graaf Generator - Pawn Hearts
Mutantes – Mutantes (o segundo)
PFM – Photos of Ghost
Jethro Tull – Living in the Past
Iron Butterfly - Metamorphosis
Captain Beyond – Same
Magma - Kobaya



A sua coleção tem um limite? Tipo, você acha que, algum dia, vai parar de comprar discos porque acha que, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará, ou ele não existe para um colecionador?

Não me considero mais um colecionador compulsivo. Hoje passo bastante tempo sem comprar nada e precisa ser um item muito especial (não necessariamente uma raridade ou disco caro) para que eu me interesse. Mas já passei outras vezes por fases como esta e de repente o Mr Hyde colecionador assume e a gente sai por aí comprando tudo o que aparece pela frente. Por isso acho que coleção não tem limite.

Por outro lado, é preciso ter alguma disciplina. Uma coleção de discos é como uma coleção qualquer. Tipo selos. Se você quiser juntar selos, nunca vai ter uma coleção interessante. Se você se especializar em algum tema, ai é bem capaz que consiga ter uma coleção que preste.


Já parou para pensar em quem será o herdeiro da sua coleção no seu futuro?

Provavelmente algum sebo de discos usados (risos). De vez em quando chego para meus filhos e digo: “Tá vendo este disco? Vale 400 dólares... Tá vendo este outro? Vale 200...”. Mas não me iludo, não. Quando eu bater as botas eles vão chamar alguém pra fazer preço e vai tudo embora por uma ninharia. É o ciclo natural das coisas.


Se você tivesse que indicar algumas bandas, e alguns discos, para uma pessoa que nunca teve contato com o rock, o que indicaria?

Indicaria os medalhões: Elvis, Beatles, Stones, Purple, Led, Yes, Queen, Iron Maiden. Como a imensa maioria gosta deles, a chance dessa pessoa também gostar é bem grande. Quem gosta de banda obscura são os colecionadores.

Tem alguma história engraçada ou curiosa que aconteceu com você por causa da música?

Na primeira vez em que viajei para os Estados Unidos fui antes à Embaixada tirar o visto. Tinha lá meus 30 anos e o cara que me entrevistou começou a falar comigo em inglês. Fui respondendo no meu inglês meia boca e o cara olhando impassível para mim, depois para a minha declaração de Imposto de Renda e para a minha Carteira de Trabalho. Lá pelas tantas o entrevistador, polido, me perguntou onde eu tinha aprendido o idioma. Disse pra ele que foi com o Elvis e os Beach Boys, ouvindo discos de rock, e que eu agora ia fazer um curso superior assistindo alguns shows ao vivo nos States. O cara se pôs a rir, com certeza me considerando um fucking nut, mas carimbou o passaporte sem mais perguntas.


Você colabora com uma revista que tem como foco principalmente o rock dos anos 70. Muitas das pessoas que escrevem na revista provavelmente não conseguiram acompanhar a época como você. Como você vê o interesse de uma geração bem mais nova com as músicas dessa época? Você acha que esse interesse vai ser eterno?

Eu fico agradavelmente surpreso com isso, pois essas pessoas demonstram mais amor pelas bandas da minha geração do que eu sinto pelas bandas mais novas. Mas o importante é que se goste de boa música. Muita merda foi feita em todas as décadas, mas quando a banda é boa, independente da época, ela acaba perdurando e conquistando novos fãs. Eu me sinto uma pessoa limitada e saudosista por conhecer bem apenas as décadas de 60 e 70. Gente mais jovem do que eu, como o Bento e o Cadão, por exemplo, têm um conhecimento muito mais amplo e isso é invejável. Agora, se esse interesse vai ser eterno, acho melhor perguntar pra Mãe Dináh.

E especificamente sobre o progressivo, já que este tem um estigma de ser “música de velho” (risos).

Quando eu era rapaz, o erudito era a música associada aos velhos. E o progressivo foi o estilo que incorporou o erudito ao rock. Ou seja, remoçou o erudito e embalou-o para os jovens. Muito jovem na época passou a ouvir os clássicos por causa do progressivo sinfônico. Passou a admirar o jazz por causa do jazz rock. Ravel, Vivaldi, Beethoven, Bartok, Stravinsky, Mussorgsky, Bach, são compositores de obras-primas atemporais, então eu imagino que todo o progressivo criado por influência deles, desde que tenha qualidade, ainda terá admiradores daqui a muitos anos. Não acho que “música de velho” seja um estigma, está mais para um preconceitozinho besta. O mesmo que dizer que heavy metal é música de headbanger retardado.


Nos anos 70 não havia a divulgação que temos hoje, nem a facilidade de se conhecer coisas novas. Existe alguma banda daquela época que você gosta e só conheceu recentemente?

Bom, eu era na época muito antenado e curioso, então conhecia bastante coisa importante de vários países. As obscuridades, aqueles discos raros que a gente encarava como o Graal do rock, esses não apareciam mesmo. Com a vinda do CD e a popularização da internet, tive acesso à esses discos, digamos, mitológicos. E a decepção foi grande, porque muitos se revelaram merdas fantásticas. Eu acho que estou numa fase de tentar vencer determinados preconceitos que trago comigo desde aquela época. Ando me esforçando por conhecer melhor bandas que eu sempre negligenciei pelos motivos mais idiotas. O Kansas é uma que eu posso dizer que “conheci” recentemente e que roda diariamente no meu player.

Deixe o endereço do seu sebo e um recado para os leitores da Collector´s Room.

Minha loja chama-se Mister Sebo e fica em São Paulo, capital, na Rua Guararapes, 1616, no Brooklin Novo. Gostaria de deixar um recado bem legal para os leitores da Collector’s Room, só que não faço ideia do que dizer. Prefiro então deixar um elogio a vocês, pois são os responsáveis por um dos sites mais interessantes da nossa internet. E não só por causa da música, mas também por ser um lugar especial, onde essa nossa paixão por colecionar discos é amplamente correspondida. Um abraço.


28 de fev de 2010

Discos Fundamentais: Trapeze - Medusa (1970)

domingo, fevereiro 28, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Quando Glenn Hughes ingressou no Deep Purple em 1973, seu nome ficou, de imediato, famoso em todo o mundo. Mas, ao contrário de seu novo companheiro David Coverdale, que antes de responder a um anúncio da Melody Maker e entrar na banda de Ritchie Blackmore, Ian Paice e Jon Lord tinha apenas experiência com grupos desconhecidos, Hughes não era nenhum novato. O baixista e vocalista, nascido em 21 de agosto de 1952 na cidade inglesa da Cannock, já havia impressionado meio mundo com a sua passagem pelo Trapeze, uma das melhores bandas de hard rock da primeira metade dos anos setenta.

O Trapeze surgiu em março de 1969 na cidade de Wolverhampton, Inglaterra. Seus fundadores foram o vocalista e trompetista John Jones e o guitarrista e tecladista Terry Rowley, responsável pelo nome do conjunto. Os dois haviam se conhecido em uma banda chamada The Montanas. A dupla foi atrás de músicos com pensamentos parecidos com os seus, e os encontrou nas figuras do guitarrista Mel Galley e do baterista Dave Holland, além do já citado Glenn Hughes.

Após vários ensaios e um número cada vez maior de shows pelos clubes londrinos, o então quinteto assinou com a Threshold Records, criada pelo Moody Blues inicialmente para lançar apenas os álbuns do grupo e os trabalhos solos de seus integrantes, mas que acabou se transformando em um selo com catálogo próprio, subsidiado à gravadora Decca.

Em 1970 chegou às lojas o primeiro play do grupo, tendo com título apenas o nome da banda. A produção foi de John Lodge, baixista do Moody Blues. O álbum traz um hard rock calcado no blues, e apesar de ser um bom disco, passou meio batido pelo público. Logo após o lançamento, John Jones e Terry Rowley deixaram o conjunto, retornando para o Montanas, onde permaneceriam até 1978.

Reduzido a um trio, o Trapeze voltou ao estúdio para gravar o seu segundo álbum. Lançado em novembro de 1970,
Medusa é bastante superior ao primeiro trabalho. Novamente produzido por John Lodge, o disco apresenta um hard rock coeso e afiado, com passagens instrumentais requintadas e de muito bom gosto, adornadas pela voz singular de Glenn Hughes, um dos maiores vocalistas da história do hard rock.


Medusa abre com "Black Cloud", faixa que apresenta uma das características marcantes do Trapeze: a alternância entre momentos mais pesados com outros mais calmos, levando o ouvinte por estradas muito bem construídas, que desembocam em trechos onde o pau como solto. Ótimo começo!

Na sequência temos um dos ápices da carreira do trio. "Jury" começa como uma balada, onde os destaques são a interpretação de Hughes e a guitarra de Galley. Após essa breve e excelente introdução mais lenta, a faixa cai em um hard clássico, mudança feita pelo antológico riff de guitarra de Mel Galley, que Glenn Hughes e Dave Holland seguem com precisão cirúrgica. Essa segunda parte da canção evolui, com Hughes cantando muito, enquanto Galley rege os trechos instrumentais. E, no final, tudo volta para o começo, como uma viagem em loop em uma máquina do tempo. Sensacional!

O tempero funk, outra das características do Trapeze, aparece em "Your Love is Alright" e "Makes You Wanna Cry", com o embalo sendo apimentado com generosas dose de peso. Já o rock bate ponto forte em "Touch My Life", uma das melhores faixas do disco, que conta com um dos grandes riffs de toda a carreira de Galley. Mais uma vez percebe-se a variação entre momentos mais calmos e outros mais explosivos, tornando a canção muito interessante.

Uma das mais belas composições gravadas nos anos setenta vem a seguir. "Seafull" é uma espécie de blues carregado com ainda mais emoção e sentimento, onde Hughes canta como se fosse um anjo caído. As linhas vocais criadas pelo baixista e vocalista são tão lindas que chegam a doer. A parte instrumental mostra toda a sensibilidade do trio, conduzindo o ouvinte por uma odisséia regada com imagens do passado e sonhos de um futuro melhor.

O disco fecha com sua faixa-título, uma canção que não poderia ter nascido em outra época que não naquele final dos anos sessenta e início dos setenta. O belo arranjo mostra o quanto o grupo influenciou todo o hard rock subsequente. Os trechos acústicos tornam a canção ainda mais bela, revelando todo o poder da voz crua de Hughes. Um encerramento perfeito para um álbum de tão alto nível como
Medusa.

Apesar da ótima qualidade do disco, e também de seu sucessor, o excelente
You Are the Music ... We´re Just the Band (1972), a repercussão desses trabalhos continuou muito pequena. Ainda que ambos tenham recebido boas críticas, em relação às vendas, que é onde a coisa pega, os resultados não foram satisfatórios. Não avistando um futuro muito animador, e com um irrecusável convite para entrar no Deep Purple na manga, Hughes abandonou o barco em 1973 e foi fazer história ao lado de Coverdale, Blackmore, Lord e Paice, gravando dois álbuns muito bons com o Purple - Burn e Stormbringer, ambos de 1974, além do injustiçado Come Taste the Band, lançado em 1975 já com Tommy Bolin no lugar de Ritchie Blackmore.


A entrada de Glenn Hughes no Deep Purple chamou a atenção do público para os três discos do Trapeze, até então praticamente ignorados. As vendas dos álbuns cresceram, bem como a reputação do grupo. Buscando capitalizar em cima disso, foi lançada em 1974 a coletânea
The Final Swing, que vinha com um bem visível "featuring Glenn Hughes" na capa, para não deixar dúvidas de que se tratava da antiga banda do então baixista do Deep Purple. O disco traz faixas de Trapeze, Medusa e You Are the Music ... We´re Just the Band, além de duas canções inéditas com Hughes, "Good Love" e "Dat´s It". Como curiosidade, vale dizer que essa última já era conhecida do público, pois vinha sendo executada nos shows durante os dois últimos anos de Hughes no Trapeze, sendo inclusive um dos momentos altos das apresentações da banda.


Em 1974 Galley e Holland anunciaram a entrada do guitarrista Rob Kendrick e do baixista Pete Wright, e lançaram o bom
Hot Wire, onde os vocais principais foram assumidos por Mel Galley. Galley manteria a banda ativa até 1979, quando o Trapeze encerrou as suas atividades.

Dave Holland foi para o Judas Priest, onde permaneceu por dez anos, vivendo a fase de ouro da banda nos anos oitenta. Mel Galley reaproximou-se de Hughes após o primeiro fim do Deep Purple, em 1976, e tocou inclusive no primeiro disco solo do baixista e vocalista, Play Me Out, lançado em 1977. Após isso, ingressou no Whitesnake de David Coverdale em 1982, onde gravou os álbuns Saints & Sinners (1982) e Slide It In (1984).

Falando nisso, vale dizer que existem duas mixagens diferentes de Slide It In, cada uma com um tracklist diferente, uma lançada no mercado inglês e outra no norte-americano. As diferenças entre as duas? A primeira apresenta uma sonoridade mais crua, na linha do que a banda havia feito no disco anterior, Saints & Sinners, enquanto que a norte-americana é mais superproduzida e tem a inclusão da guitarra do ex-Thin Lizzy John Sykes, além de as partes de baixo terem sido regravadas por Neil Murray - na versão inglesa, o instrumento foi executado por Colin Hodgkikson.

Aliás, está em
Slide It In a composição mais conhecida da carreira de Mel Galley, o mega hit "Love Ain´t No Stranger", que o guitarrista escreveu em parceria com Coverdale. Galley iria participar da turnê do álbum, mas sofreu um acidente que danificou alguns nervos de seu braço, ficando impossibilitado de tocar por um tempo e, consequentemente, tendo que sair do grupo.

Galley ainda montaria o supergrupo Phenomena, com quem gravou quatro álbuns - Phenomena (1985), Phenomena II - Dream Runner (1987), Phenomena III - Inner Vision (1993) e Psycho Fantasy (2006).


Já Glenn Hughes, após a sua saída do Deep Purple em 1976, gravou o citado
Play Me Out com a participação de Mel Galley e Dave Holland, além de inúmeros outros músicos, e fez participações especiais em diversos discos dos mais variados artistas até a metade dos anos oitenta. Alguns exemplos são as suas participações nos álbuns Teaser (1975) de Tommy Bolin, Makin´ Magic (1977) de Pat Travers, Lucky for Some (1981) da Climax Blues Band, Midnight Madness (1983) do Night Ranger, Where Angels Fear to Tread (1983) do Heaven e Run For Cover (1985), de Gary Moore. Além disso, participou dos dois primeiros discos do Phenomena - e também do quarto, lançado em 2006 -, e ainda montou o projeto Hughes/Thrall com o guitarrista Pat Thrall, com quem gravou um LP em 1982.

Em 1986 Hughes ingressou no Black Sabbath, onde gravou os vocais do álbum
Seventh Star, lançado naquele ano. O vocalista chegou a sair em turnê com a banda, mas o estado avançado de seu vício em cocaína e em álcool acabou fazendo com que se desligasse do grupo de Tony Iommi.


Em 1991 a formação clássica do Trapeze se reuniu novamente. Glenn Hughes, Mel Galley e Dave Holland saíram em turnê, com a adição do tecladista Geoff Downes (ex-Yes e Asia), para um pequeno giro, que rendeu o álbum ao vivo
Welcome to the Real World, lançado em 1993 pela Purple Records. Outra reunião ocorreu em 1994, quando o trio tocou em um show tributo ao vocalista Ray Gillen (Badlands, que teve uma passagem pelo Black Sabbath justamente substituindo Hughes na turnê do álbum Seventh Star, mas não chegou a gravar nada com a banda), que morreu de AIDS em 01 de dezembro de 1993.

Em 01 de julho de 2008 Mel Galley faleceu, vítima de um câncer no esôfago. Seus últimos meses foram acompanhados com agonia por fãs de todo o mundo, já que o guitarrista anunciou a doença através de seu site, causando comoção entre admiradores e músicos. David Coverdale, Glenn Hughes e outros artistas vieram a público prestar solidariedade a Galley, mas, infelizmente, o estado avançado do câncer fez com que não fosse possível outra atitude que não apenas a espera pelo inevitável fim.

Já Dave Holland, após sair do Judas Priest, além das já citadas reuniões do Trapeze, tocou também com o The Screaming Jets, produziu algumas bandas, tocou com Al Atkins (primeiro vocalista do Judas Priest) e participou de sessões de gravação que reuniram Glenn Hughes, Tony Iommi e o tecladista Don Airey (atualmente no Deep Purple). Holland passou também a ministrar clínicas e a dar lições de bateria. Foi em uma dessas aulas, para um garoto de apenas 17 anos com problemas mentais, que Holland foi acusado pelos pais do menino de tê-lo assediado sexualmente. O baterista foi preso e levado a julgamento, onde recebeu uma pena de oito anos de prisão, que está atualmente cumprindo. Todo esse processo fez com que Tony Iommi substituísse as partes gravadas por Holland no álbum
The 1996 DEP Sessions, por não querer ter o seu nome associado a alguém envolvido com crimes sexuais.


Glenn Hughes engatou uma sólida carreira solo, onde já lançou quase vinte discos. Em seus álbuns solo, Hughes desenvolveu uma sonoridade onde mescla duas de suas maiores paixões: o funk e o hard rock. Entre seus trabalhos, merecem destaque a estreia
Play Me Out (1977), From Now On ... (1994), o ao vivo Burning Japan Live (1994) - com sons do Deep Purple e do Trapeze, a homenagem ao chapa Tommy Bolin em A Tribute to Tommy Bolin (1997), Building the Machine (2001), Soul Mover (2005) e o elogiado First Underground Nuclear Kitchen, seu último disco, lançado em 2008.

Quem curte um hard rock bem feito, com ricas passagens instrumentais e um vocal muito acima da média, irá encontrar em
Medusa o seu santo graal. Ouça no volume máximo e comprove!

Faixas:
A1 Black Cloud 6:13
A2 Jury 8:13
A3 Your Love is Alright 4:56

B1 Touch My Life 4:08
B2 Seafull 6:35
B3 Makes You Wanna Cry 4:45
B4 Medusa 5:42


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