2 de out de 2010

Novas biografias de Randy Rhoads e Motörhead chegando ao mercado em 2011

sábado, outubro 02, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room


Joel McIver, autor de dezesseis livros sobre rock e metal, incluindo o best seller Justice For All: The Truth About Metallica, anunciou o lançamento de duas novas biografias para o primeiro semestre de 2011.

Crazy Train: The High Life and Tragic Death of Randy Rhoads conta com prefácio assinado por Zakk Wylde. Um trecho: "Quando Joel me pediu para escrever o prefácio desse livro, fiquei mais do que honrado. Era o mínimo que poderia fazer, considerando o impacto que Randy Rhoads teve na minha vida".

Uma das ideias da obra foi analisar o impacto que Randy Rhoads teve nas gerações posteriores de guitarristas das mais variadas vertentas da música pesada. Sendo assim, a publicação traz entrevistas com músicos como Phil Demmel (Machine Head), Tom Morello (Rage Against the Machine), Gary Holt (Exodus), Jeff Waters (Annihilator), Ron Jarzombek (Watchtower, Blotted Science), Pat O'Brien (Cannibal Corpse), Mille Petrozza (Kreator), Jack Owen (Deicide), Ralph Santolla (Obituary), Jeff 'Mantas' Dunn (ex-Venom) e Tomas 'Samoth' Haugen (ex-Emperor e Zyklon). Mas não é só isso. Segundo McIver, “queria mostrar Randy como pessoa, então conversei com seu amigo de infância, Pete Wilkinson, além dos ex-companheiros dos tempos de Blizzard of Ozz Bob Daisley e Lee Kerslake”.


Overkill: The True Story of Motörhead tem prefácio assinado por Glenn Hughes - com quem, diga-se de passagem, Joel prepara a autobiografia oficial. Assim como o livro sobre Randy Rhoads, esse também pretende analisar o impacto do grupo liderado por Lemmy Kilmister nas gerações que continuaram conduzindo o mundo do rock.

Para mais informações, acesse www.joelmciver.co.uk

1 de out de 2010

A história de Zuma, um dos maiores clássicos de Neil Young

sexta-feira, outubro 01, 2010

Por Rodrigo ‘Garras’ de Andrade
Jornalista e Colecionador
Os Armênios


O ano de 1975 foi decisivo na carreira de Neil Young. O artista saía de um período barra pesada marcado pelo distanciamento do público, desentendimentos com a imprensa, morte de amigos por overdose (o guitarrista Danny Whitten e o roadie e produtor Bruce Berry) e um grande abuso de álcool e drogas. E o lançamento de dois discos incríveis, seguidos, foi a mola que impulsionou o compositor para mais uma fase memorável na sua trajetória.

Em junho daquele ano,
Tonight´s the Night foi editado. O álbum havia ficado pronto dois anos antes, mas a gravadora se recusou a lançá-lo. Composto e gravado no momento mais crítico da vida de Young, o LP é um retrato pesaroso dessa fase: um trabalho pesado, tanto na sonoridade quanto nas letras, mas justamente por isso um disco forte! A Reprise (subsidiária da Warner) temia que o público se assustasse com a metamorfose do artista, que em 1972 havia apresentado Harvest ao mundo (acústico, sereno, bucólico), e no ano seguinte surgia com um trabalho tão contrastante (elétrico, nervoso, denso). Acabou engavetando um dos discos mais pungentes da história da música. Porém, seu (re) surgimento não poderia ter sido em melhor hora. Uma obra clássica como essa não passaria despercebida, e Neil conseguiu chamar as atenções para si outra vez.


Em novembro de 1975, apenas cinco meses depois de Tonight´s the Night, foi a vez de Zuma chegar às lojas. Com esse álbum sóbrio, o compositor fez as pazes com o público e a crítica. Passeando pelo folk, hard e country rock, o disco alterna momentos acústicos e elétricos de maneira coerente e precisa, cheio da fúria contida característica de Neil. Quem o acompanha nesse trabalho é a Crazy Horse, sua fiel escudeira quando a intenção é fazer barulho. Desde a primeira vez em que tocaram juntos (gravando em 1969 o inacreditável Everybody Knows this is Nowhere) até hoje, a banda mudou de formação apenas uma vez (e só porque Danny Whitten morreu). E é em Zuma que Frank “Poncho” Sampedro estreia na guitarra base, detalhe que já torna esse álbum marcante na carreira do artista.


Normalmente, esse trabalho é lembrado pelo seu ótimo desempenho comercial. Mas se engana quem vê ele como um disco fácil, produzido para cair no gosto popular. Essa análise superficial não leva em conta que logo após o catártico
Tonight´s the Night, onde o artista exorcizou seus demônios, o caminho natural era seguir uma trilha mais serena. Ainda, dizer que as músicas são sobre amor, sugerindo letras açucaradas, é outro devaneio: a temática predominante é sobre um relacionamento que se esfacelou. E a carreira de Neil tem como característica o fato de ser autobiográfica e desligada de interesses comerciais, tratando-se de um artista que já conquistou um público fiel. Geralmente, as resenhas existentes sobre esse disco pecam por dar-lhe um aspecto pop, no sentido negativo (mercadológico). Zuma tornou-se um clássico por ter conteúdo, e não por ser acessível.

Inicialmente, era para ser um disco conceitual, sobre viagem no tempo e civilizações antigas, como os Incas e os Astecas. Tanto que, com o intuito de criar uma atmosfera em torno das músicas, as sessões de gravação ocorreram sempre durante o nascer do sol, quando a banda estava acordando ou, muitas vezes, indo para a cama. Mas o temperamento volúvel e a criatividade de Neil Young sempre o fizeram abandonar ou modificar seus projetos. Suas ideias surgem mais rápido do que ele é capaz de executar, e com
Zuma não foi diferente. Canções fundamentais para o conceito bolado pelo artista acabaram não entrando no álbum. Algumas delas, como “Pocahontas”, “Ride My Llama” e “Powderfinger” só foram aparecer em Rust Never Sleeps, quatro anos depois. Até mesmo o título do disco mudou pelo menos quatro vezes: In My Llama, In My Old Neighbourhood e My Old Car foram hipóteses levantadas. Até que, por fim, optou-se por Zuma, nome de uma praia onde o artista tem uma casa. Posteriormente, surgiram boatos que o disco havia sido gravado na garagem dessa residência, mas a informação não é confirmada.


Apesar de tantas mudanças de percurso, o resultado final é maravilhoso. O álbum inicia com um belo rock, “Don´t Cry No Tears”. Um biógrafo citou essa como tendo sido a primeira canção que Neil compôs, ainda na adolescência. Realmente existe uma gravação caseira, executada apenas no violão e datada de 1965, de uma música chamada “Don´t Pity Me Babe”, cuja melodia e parte da letra são semelhantes. Também existem registros de que os Squires, uma das primeiras bandas de que Young fez parte, tocavam essa canção. Por isso não restam dúvidas de que a composição remete aos primórdios da carreira do canadense, ainda que se trate de uma versão um tanto quanto diferente dessa que abre
Zuma.

A segunda pérola do disco é “Danger Bird”. Nasceu a partir de uma série de solos esquisitos executados por Young e seu novo companheiro, Frank Sampedro. Uma bela canção, longa e de andamento lento, foi tomando forma nessas experimentações. Por fim, o resultado impressionou até mesmo Lou Reed que, apesar de não simpatizar com Neil, chegou a declarar que “Danger Bird” possui o melhor trabalho de guitarra-solo que ele já ouvira, além de elogiar também a letra(!).

Na sequência, mantendo o nível do álbum, vem uma balada folk fenomenal, “Pardon My Heart”. Já foi dito que ela havia sido composta em 1972 para fazer parte de
Harvest, mas é outra informação de fonte incerta. Porém, ela não destoaria das outras faixas daquele álbum. Uma vez que os ânimos se acalmam após essa canção, o disco segue com outra música lenta. “Lookin' for a Love” é um country rock romântico, musicalmente bem simples. A letra, ao contrário das outras, olha para o futuro de forma esperançosa. As demais canções de Zuma, como já foi dito, são reflexões sobre um relacionamento que chega ao fim.


Um bom exemplo é “Barstool Blues”. Toda na primeira pessoa (como se o cantor estivesse falando diretamente ao ouvinte), nota-se claramente que a intenção é fazer o autor se passar por um bêbado, chorando suas mágoas num boteco. Empregando mais ritmo ao álbum, a música embala numa performance etílica da Crazy Horse e, como o crítico Matthew Greenwalg já comentou, é uma das canções tristes mais “engraçadas” de Neil.

Sobre esta última música, existe uma história que dá algumas pistas de como foi sua composição. Frank Sampedro declarou, em uma entrevista, que certa noite ele e Neil Young saíram para encher a cara. Após percorrerem todos os botecos de Malibu, os dois se separaram. No dia seguinte, Neil ligou para Frank perguntando o que havia acontecido, pois ele acordara na cama sobre papéis com três músicas novas e, por ter bebido demais, não lembrava de tê-las composto, apesar da caligrafia nas folhas ser a sua. “
Duas dessas canções estão em Zuma”, garantiu Sampedro. Uma delas é, certamente, “Barstool Blues”.

A próxima faixa (a primeira do lado B) é “Stupid Girl”. Em poucas palavras, é um esporro numa mina. O início já diz tudo: “
Você é apenas uma garota estúpida / Você realmente tem muito o que aprender”. Existem rumores de que ela seria sobre Joni Mitchell, mas é mais uma daquelas histórias que ficam no ar, sem se saber a verdade. Ainda, os Rolling Stones gravaram uma música com esse mesmo nome no álbum Aftermath (1966). Em Tonight´s the Night Young fez referência a outra canção desse mesmo disco (“Borrowed Tune” tem a melodia emprestada de “Lady Jane”, dos ingleses). Na época, alguns curiosos tentaram estabelecer relações entre esses fatos. Porém, até que se prove o contrário, tudo não passa de mera coincidência.

A faixa seguinte, “Drive Back”, é um rockão calcado nos poderosos (e pesados) riffs da guitarra de Neil. A letra é mais uma visão alcoólatra de um relacionamento em desintegração. E a Crazy Horse, como sempre, cumpre com maestria o papel de acompanhar o canadense em suas inspiradas performances. Mas essa música é apenas um aperitivo. O prato principal vem em seguida.


O ponto alto do disco é, sem dúvida, “Cortez the Killer”. A música é um dos maiores clássicos de Neil Young, sendo sua execução quase obrigatória nos shows. Com seus 7 minutos, essa pungente canção é a versão de Neil sobre a conquista do México e o fim do império Asteca. Os fãs antigos se deleitaram ao constatar que a composição remetia aos longos solos do início da carreira do canadense (como “Cowgirl in the Sand” e “Down By The River”). Declaradamente anti-colonialista, no encarte da coletânea
Decade (1977) o guitarrista fez questão de frisar: “banida na Espanha”.

Depois de uma peça como essa, fica difícil encerrar o álbum. Então, muita acertadamente, Young incluiu uma canção do supergrupo Crosby, Stills, Nash e Young. “Through My Sails” é um outtake originário das sessões que a banda acabou abortando em 1974. Essa introspectiva balada folk (com uma das melhores performances vocais do conjunto) encerra
Zuma com chave de ouro. Se não tivesse vindo à tona, seria um verdadeiro tesouro perdido (até hoje).

Terminada a audição do disco, resta uma questão: será que não se trata realmente de um álbum conceitual? A obra retrata uma viagem no tempo, porém, mostrando a carreira do seu criador. Estão lá a primeira composição de Neil Young, seus grupos mais marcantes, performances nos mais variados estilos já executados pelo compositor, seus amores passados, suas bebedeiras monumentais, sua personalidade inconstante, e até a sua guitarra Les Paul (usada para gravar o lendário
Everybody Knows this is Nowhere) voltou a ser usada na gravação do disco.


Quando o vídeo
Year of the Horse, dirigido pelo genial Jim Jarmusch, foi lançado, retratando a turnê européia da Crazy Horse na metade dos anos noventa, várias imagens raras e incríveis de 1975 foram resgatadas. Aos interessados pelo período específico da carreira do artista, vale realmente a pena conferir. De qualquer sorte, o DVD é muito interessante.

Com
Zuma entende-se porque Neil Young é uma lenda na história do rock. Destroçador de guitarras ou poeta eloquente, ele é um artista completo! Até hoje o disco segue sendo apontado como um dos pontos altos na sua vasta e sólida discografia. Preferido de muitos fãs, talvez seja uma boa porta de entrada ao universo do canadense e sua pesada banda de apoio, já que cobre diferentes sonoridades exploradas por ele. Para ouvir no talo!

Faixas:
1) Don’t Cry No Tears – 2:34
2)Danger Bird – 6:54
3) Pardon My Heart – 3:49
4) Lookin’ for a Love – 3:17
5) Barstool Blues – 3:02
6) Stupid Girl – 3:13
7) Drive Back – 3:32
8) Cortez the Killer – 7:29
9) Through My Sails – 2:41

Músicos:
Neil Young – guitarra, violão, harmônica, vocais, demais instrumentos em “Pardon My Heart”

Frank Sampedro – guitarra base (membro da Crazy Horse)

Billy Talbot – baixo e vocais (membro da Crazy Horse)

Ralph Molina – bateria e vocais (membro da Crazy Horse)

Tim Drummond – baixo em “Pardon My Heart” e bateria (provavelmente na mesma faixa)

Stephen Stills – baixo e vocais em “Through My Sails”

David Crosby – violão e vocais em “Through My Sails”

Graham Nash – vocais em “Through My Sails”

Russ Kunkel – congas em “Through My Sails”

Produção:
Tim Mulligan e Neil Young – faixas 3, 4 e 9

David Briggs e Neil Young – demais faixas

Arte da capa e encarte: Mazzeo
Masterização: George Horn
Direção: Elliot Roberts

EMI lança nova compilação de Syd Barrett

sexta-feira, outubro 01, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Em 11 de outubro (9 de novembro na América do Norte), a EMI/Harvest coloca no mercado a coletânea
An Introduction to Syd Barrett, que reúne pela primeira vez faixas da carreira solo de Barret e do Pink Floyd em um único CD. O produtor executivo da bolacha é ninguém mais ninguém menos que David Gilmour, guitarrista e vocalista do Pink Floyd e o seu substituto na banda.

O álbum contará com cinco faixas remixadas, incluindo "Octopus", "She Took a Long Cool Look", "Dominoes" e "Here I Go", com Gilmour acrescentando baixo à essa última. Uma faixa bônus anteriormente inédita, a instrumental "Rhamadan", estará disponível através de download digital, por um período limitado.


Confira o tracklist:

1. Arnold Layne (2010 Digital Remaster)
2. See Emily Play (2010 Digital Remaster)
3. Apples And Oranges (2010 Digital Remaster)
4. Matilda Mother (Alternative Version) (2010 Mix)
5. Chapter 24 (2010 Digital Remaster)
6. Bike (2010 Digital Remaster)
7. Terrapin (2010 Digital Remaster)
8. Love You (2010 Digital Remaster)
9. Dark Globe (2010 Digital Remaster)
10. Here I Go (2010 Remix)
11. Octopus (2010 Mix)
12. She Took A Long Cool Look (2010 Mix)
13. If It's In You (2010 Digital Remaster)
14. Baby Lemonade (2010 Digital Remaster)
15. Dominoes (2010 Mix)
16. Gigolo Aunt (2010 Digital Remaster)
17. Effervescing Elephant (2010 Digital Remaster)
18. Bob Dylan Blues (2010 Digital Remaster)

30 de set de 2010

Wallpaper oficial da Collector´s Room

quinta-feira, setembro 30, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room


Saindo do forno o primeiro wallpaper oficial da Collector´s Room!

Você que lê a Collector´s todos os dias e curte o nosso site, agora pode ter em seu computador um wallpaper exclusivo da Collector´s Room.

Estou disponibilizando o papel de parede na resolução 1280x800, em duas versões - colorido e preto e branco. Basta clicar na imagem que ela fica em tamanho grande. Daí, é só clicar com o botão direito e salvar em seu computador.


Se você quiser o wallpaper em outros formatos, mande um e-mail para o editor da Collector´s dizendo em que resolução você deseja, que rapidinho você receberá o wallpaper no tamanho que pediu em seu endereço eletrônico.

E deixe a sua opinião nos comentários dizendo se curtiu ou não esse papel de parede exclusivo da Collector´s Room. A sua opinião é muito importante pra gente!


Membros originais do Alice Cooper Group reúnem-se e preparam disco

quinta-feira, setembro 30, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Em entrevista ao site Brave Words, o baterista original do Alice Cooper Group, Neal Smith, declarou que ele, Alice, Michael Bruce (guitarras, teclados) e Dennis Dunaway (baixo) se reuniram em estúdio e já gravaram algumas músicas a serem lançadas no futuro. A produção está a cargo de Bob Ezrin, que já trabalhou com o grupo nos clássicos Love it to Death (1971), School's Out (1972), Billion Dollar Babies (1973) e Welcome to My Nightmare (1975, já com Alice Cooper como artista-solo). Em declarações registradas no passado, Alice descrevia Ezrin como "o nosso George Martin".

Além disso, os músicos se reunirão no palco em dezembro, na cidade de Phoenix, Arizona, para a já tradicional apresentação de Natal organizada pelo vocalista. O objetivo do evento é angariar fundos para a Solid Rock Foundation, instituição que ajuda centros recreacionais para jovens.

29 de set de 2010

Violator - Annihilation Process (2010)

quarta-feira, setembro 29, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***

Após quatro longos anos, uma das bandas mais promissoras da nova onda thrash metal está de volta. Os brasilienses do Violator, aclamados pela ótima estreia Chemical Assault, lançada em 2006, retornam à ativa com o EP Annihilation Process, e o resultado irá fazer os fãs ficarem com uma pulga atrás da orelha.

O fato é que
Annihilation Process é muito inferior a Chemical Assault, e também à Violent Mosh, EP lançado pelo grupo em 2004. O thrash metal revigorante de outrora deu lugar a um som repetitivo, pouco criativo e sem maiores inovações. Ok, eu sei que a banda bebe na fonte do thrash revisionista, reembalando o que de melhor havia no thrash metal oitentista para uma nova geração de ouvintes, mas a verdade é que o Violator já provou ser capaz de conceber trabalhos muito melhores que esse Annihilation Process.

Todas as músicas são agressivas e rápidas, porém muito parecidas entre si. O baixo de Poney Ret, um dos destaques dos trabalhos anteriores, aqui foi simplesmente soterrado pela mixagem. Os riffs de Caçapa e Cambito são pouco inspirados. A bateria de David “Batera” Araya acaba se destacando, principalmente pela maior velocidade das músicas, mas mesmo assim o andamento excessivamente reto dos arranjos incomoda um pouco.

Annihilation Process guarda o seu melhor para o final. “Futurephobia” é a única faixas que se equipara ao que o grupo fez antes. Não por acaso, é a única composição do play onde a banda varia entre passagens rápidas e trechos mais lentos, o que torna a composição muito interessante. Uma grande faixa, “Futurephobia” é daquelas músicas que você ouve e, quando percebe, está batendo cabeça. Uma composição tão boa que faz você esquecer as anteriores.

Outro destaque do EP é “You'll Come Back Before Dying”, cover do Executer, uma das bandas pioneiras do thrash metal brasileiro. A versão do Violator é muito competente, esbanjando violência e com solos de guitarra que lembram os melhores momentos do Slayer.

Concluindo,
Annihilation Process é menos do que se esperava de uma banda tão promissora quanto o Violator. O EP não chega a ser ruim, é um trabalho apenas mediano, mas deve agradar somente os fãs mais fanáticos. O ouvinte mais exigente ficará incomodado com as composições muito similares entre si e pelos arranjos pouco inspirados. Agora é torcer para que o próximo disco dos caras siga o promissor caminho mostrado em “Futurephobia”, e não a decepcionante sonoridade das demais faixas.

Para comprar esse EP do Violator e outros itens lançados pela Kill Again Records, acesse o site da gravadora.


Faixas:
1 Poisoned by Ignorance
2 Uniformity Is Conformity
3 Give Destruction or Give Me Death
4 Apocalypse Engine
5 Deadly Sadistic Experiments
6 Futurephobia
7 You'll Come Back Before Dying (Executer)

Novo box do Black Sabbath

quarta-feira, setembro 29, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room


Mais novidades para os fãs do Black Sabbath. Chegará às lojas dia 22 de novembro o box The Ozzy Years: Complete Albums Box Set. A caixa terá formato de cruz e trará os oito álbuns gravados por Ozzy Osbourne com o grupo – Black Sabbath (1970), Paranoid (1970), Master of Reality (1971), Vol 4 (1972), Sabbath Bloody Sabbath (1973), Sabotage (1975), Technical Ecstasy (1976) e Never Say Die! (1978) – mais a coletânea We Sold Our Soul to Rock'n'Roll, lançada originalmente em 1975.


Todos os nove discos foram remasterizados e são em formato mini LP, e a caixa contará ainda com um livro de cem páginas com a discografia comentada da banda, um conjunto de palhetas e o áudio de três entrevistas do grupo para emissoras de rádio.

Se você é fã do Black Sabbath, prepare o bolso!

Halford - Halford IV: Made of Metal (2010)

quarta-feira, setembro 29, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

Desde seu retorno ao Judas Priest, Rob Halford sempre deixou claro que não abandonaria sua banda solo, para a alegria de quem aprovou os ótimos Resurrection (2000) e Crucible (2002). Ano passado, gravou um péssimo álbum de canções natalinas. E agora, o Metal God ressurge fazendo o que sabe melhor. A banda é a mesma que fez a tour do segundo trabalho, com o sempre eficiente Metal Mike Chlasciak e o encara-todas Roy Z nas guitarras, além de Mike Davis e Bobby Jarzombek – esse último, assim como Metal Mike, junto de Rob desde o início dessa empreitada.

Halford IV: Made of Metal abre com “Undisputed” e sua cadência cavalgada, tipicamente britânica em um som que poderia facilmente estar em Resurrection ou até mesmo em algum clássico do Judas da primeira metade dos 1980’s. A acelerada e curta “Fire and Ice” convida o ouvinte a bangear acompanhando a melodia, que chegou a me lembrar – pasmem – as músicas mais rápidas do Helloween fase Andi Deris. A faixa-título me remeteu ao outrora odiado por todos, Turbo. O riff principal de “Speed of Sound” faz com que se pense automaticamente no de “Futureal”, do Iron Maiden. A canção é um heavy típico, sem muitas novidades, porém eficiente.

A pegada de Crucible ressurge no começo de “Like There’s No Tomorrow”, um dos destaques, com a melhor performance vocal de Halford em todo o play. “Till the Day I Die” é uma das mais curiosas. Ou alguém conseguiria imaginar Rob cantando um típico hard com influências southern? E não é que ficou muito bacana? Sua voz casou perfeitamente com o clima em outro momento digno de nota. Chegando na metade, temos um heavy rock direto e cadenciado em “We Own the Night”, com um teclado muito bem posto ao fundo e um refrão marcante. Na mesma linha vem “Heartless”, que está um degrau acima em peso mas um abaixo em inspiração.

Uma curta entrada na bateria traz “Hell Razor”, música que remete aos primórdios do heavy metal, com certa aura setentista. Dá até para fechar os olhos e imaginar o bolachão rolando na vitrola. “Thunder and Lightning” é outro hard rock, na mesma linha de “Heart of a Lion”, b-side do Priest e regravada em estúdio como faixa bônus do ao vivo Live Insurrection (2001). Piano e violões iniciam a mais longa de todas, “Twenty-Five Years”, balada que, não fosse a diferença vocal entre Halford e Klaus Meine, poderia facilmente se passar por algum daqueles momentos dramáticos que o Scorpions adora oferecer aos fãs.

Guitarras elétricas soando como se estivessem no velho oeste preparam o terreno para “Matador”, outra que poderia rolar em um dos antigos trabalhos do Judas Priest. Ideia interessante, mas poderia diminuir um pouco a duração que não faria falta. “I Know We Stand a Chance” começa com um jeito de música lenta, mas a primeira impressão logo se dissipa, transformando-se em algo mais mid-tempo que soa agradável, mas ao mesmo tempo não acrescenta nada ao álbum. Para encerrar, “The Mower”, que mais parece uma trilha para um filme de ficção científica. É o único momento em todo o play que Rob retoma o registro mais agudo, no estilo Painkiller /Resurrection.

Se tivesse que fazer comparação com um trabalho solo de outra lenda, diria que, guardadas as devidas proporções, Made of Metal está para Rob Halford como Tattooed Millionaire esteve para Bruce Dickinson. Ambos deram uma simplificada na sonoridade, se aproximaram do hard rock e fizeram, acima de tudo, um trabalho descontraído. Musicalmente, ainda acho que o trabalho do vocalista do Iron Maiden possui mais relevância e, principalmente, identidade. Já esse aqui, em certos momentos, fica parecendo uma colcha de retalhos. Ainda assim é uma boa pedida para todos os admiradores do Metal God!


Faixas:
1 Undisputed
2 Fire and Ice
3 Made of Metal
4 Speed of Sound
5 Like There's No Tomorrow
6 Till the Day I Die
7 We Own the Night
8 Heartless
9 Hell Razor
10 Thunder and Lightning
11 Twenty-Five Years
12 Matador
13 I Know We Stand a Chance
14 The Mower

28 de set de 2010

CD e DVD do Heaven and Hell ao vivo em Wacken

terça-feira, setembro 28, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room


O primeiro lançamento póstumo do Heaven and Hell chama-se Neon Knights: 30 Years of Heaven and Hell. O registro traz a gravação da apresentação do grupo no dia 30 de julho de 2009 no lendário festival alemão Wacken Open Air.

Estará disponível em CD e DVD, chegando às lojas no dia 16 de novembro. No Japão o ao vivo sairá antes, dia 10/11.

A primeira edição japonesa será limitada, com a arte em paper sleeve (o popular mini LP) e conterá um disco SHM-CD com o material em alta definição.


O tracklist é o seguinte:

1. E5150
2. The Mob Rules
3. Children of the Sea
4. I
5. Bible Black
6. Time Machine
7. Fear
8. Falling Off the Edge Of The World
9. Follow The Tears
10. Die Young
11. Heaven and Hell
12. Country Girl
13. Neon Knights

Mais informações em http://heavenandhelllive.com/

Bangalore Choir - Candence (2010)

terça-feira, setembro 28, 2010

Por Marcelo Vieira
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****1/2

Não sei se a máxima “uma coisa leva à outra” se aplica neste caso, mas é coincidência demais que pouco após o lançamento de seu primeiro CD solo, Universal Language, o vocalista David Reece tenha entrado em contato com seu ex-colega de Bangalore Choir, o guitarrista Curt Mitchell, a fim de, quase vinte anos depois, retomar as atividades da banda. Mitchell não pensou duas vezes e aceitou o desafio. Para completar a nova encarnação do Choir foram chamados o baixista Danny Greenberg, o baterista Hans Zandt e um segundo guitarrista, o ex-U.D.O. Andy Susemihl.

Quando anunciou o lançamento de Cadence para o dia 24 de setembro via Metal Heaven – mesmo selo que relançou o clássico On Target (1992) em abril passado –, o quinteto prometeu um disco que seguisse a mesma fórmula, ou seja, hard rock puro comandado por guitarras sem esquecer, obviamente, dos refrães grudentos do tipo – longe de querer parafrasear coisa ruim – “pra você e eu e todo mundo cantar junto”. A confirmação disso veio em julho quando as primeiras samples do novo álbum foram disponibilizadas online, mas somente agora temos o “real deal” em mãos para uma avaliação mais precisa.

“Wahzoo City” é uma introdução instrumental perfeitamente dispensável que prepara (mal) o terreno para as guitarras pesadas de “Power Trippin’”, que também traz um ótimo refrão. A coisa esquenta com a dobradinha “Martyr” – que parece ter vindo diretamente do início dos anos 90 – e “Living Your Dreams Everyday” – essa com uma pegada mais atual, mas ainda assim, excelente; e pega fogo de vez com “Survival of the Fittest” – que pelo que eu entendi da letra, fala sobre sobrevivência na indústria musical, com uma perspectiva pouco aquém da realidade vivida pelo Choir com o surgimento do grunge.

Em “Tomorrow” o poder de fogo de todos os integrantes é colocado à prova. Reece finalmente sobe o tom – sem dececpcionar! – e Greenberg mostra competência na melhor levada de baixo do disco. “Heart Attack & Vine” lembra Gotthard, o que pode ser traduzido em qualidade garantida – aliás, uma ressalva: ouvintes mais atentos farão tal associação em vários momentos ao longo dos 49 minutos do play. Baladinha – item indispensável em qualquer trabalho do gênero hard rock –, “Still Have a Song to Sing” é uma verdadeira lição sobre motivação e como manter viva a fé mesmo nos momentos mais difíceis.

Eis que chega “Dig Deep”, que é talvez a menos comercial de todas as faixas do disco, mas não tem como não ficar de queixo caído diante de tanto vigor – composição de extremo bom gosto, com show a parte de Reece. “Never Say Goodbye” mantém o alto nível com doses moderadas de modernidade, e mais uma vez o Choir cumpre a promessa de refrões grudentos. Os segundos iniciais de “Sweet Temptation” lembram “Tattooed Millionaire”, mas as semelhanças com o hit de Bruce Dickinson começam e terminam aí mesmo. Novamente, o refrão é o ponto alto da música. Na reta final temos as medianas (apesar dos guitarworks nota 10) “High on the Clouds” e “Spirits Too They Bleed”, e um encerramento com gostinho de quero mais em “Surrender All Your Love”. Aí o jeito é colocar o CD para rolar de novo ... e de novo ... e ...

Cadence é mais uma prova de que 2010 está sendo um dos melhores anos para o público hard rocker do século XXI, e com certeza tem lugar garantido no Top 10 que farei em dezembro. Bem-vindo de volta, Bangalore Choir!!!


Faixas:
1 Wahzoo City
2 Power Trippin'
3 Martyr
4 Livin' Your Dreams
5 Survival of the Fittest
6 Tomorrow
7 Heart Attack and Vine
8 Still Have a Song to Sing
9 Dig Deep
10 Never Say Goodbye
11 Sweet Temptation
12 High on the Clouds
13 Spirits Too the Bleed
14 Surrender All Your Love


Denim and Leather - Watch Out!!! (2008)

terça-feira, setembro 28, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***

Nos últimos anos a cena metálica foi inundada por uma onda de saudosismo impressionante. Centenas de bandas mundo afora, nos mais variados estilos, estão executando um som totalmente influenciado pelo que era feito na década de oitenta, principalmente no thrash e no metal tradicional.

O Denim and Leather se encaixa no perfil acima, e deixa clara sua proposta já pelo nome. Fundada em 1992, a banda sempre executou um heavy metal extremamente influenciado pela New Wave of British Heavy Metal, e é justamente isso que se ouve em seu primeiro disco, Watch Out!!!, lançado originalmente em 2008. Marcelo Lanfranchi (vocal), Sérgio Turano (guitarra), Gustavo Lanfranchi (baixo) e Hamilton (bateria) não estão interessados em inovação, mas sim em honrar os seus ídolos, ícones do som pesado como Iron Maiden, Saxon, Angel Witch, Motorhead e Judas Priest.

As onze faixas de Watch Out!!! apresentam uma sonoridade que agradará em cheio os fãs do metal oitentista. A produção do play ressalta esse aspecto, explorando timbres que transportam o ouvinte para aquela década.

O disco apresenta onze composições bem lineares, repletas de cavalgadas, duetos de guitarras e vocais agressivos. Além disso, há também uma versão para “Evil Games”, do Angel Witch, incluída originalmente no álbum Screamin' 'n' Bleedin', lançado pelo trio britânico em 1985.

Metal oitentista, sem firulas e inovações. Se é isso que você curte, certamente irá gostar desse primeiro álbum do Denim and Leather.

Para comprar esse e outros itens da Kill Again Records, acesse o site da gravadora.


Faixas:

1 Sentencced to Life 4:42
2 The Voice 3:40
3 Watch Out 3:38
4 Fist in the Air 3:22
5 Evil Wheels 3:49
6 Anger Burning 1:13
7 Does Anybody Remember Fane 5:49
8 Motornoise (The Bangers Are Allright) 2:49
9 Evil Games 3:11
10 Hatred 4:20
11 Now It's Gone 0:51


27 de set de 2010

Prateleira do Cadão: Alex Steinweiss, o cara que inventou as capas de discos

segunda-feira, setembro 27, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room


No início da indústria fonográfica, os Lps eram vendidos acondicionados em capas padrão. Não haviam capas exclusivas para cada disco. Os vinis vinham embalados em artes feitas em série, produzidas em papel kraft, com o logotipo da gravadora estampado e o título e intérprete tipografados identicamente. O formato padrão eram os discos de 10 polegadas (com cerca de 25 centímetros de diâmetro) e 78 RPM.


O ponto inicial para essa mudança ocorreu em uma bela tarde de 1939, quando o desenhista Alex Steinweiss, nascido no Brooklyn, em Nova York, em 24 de março de 1917, conseguiu marcar uma reunião com a diretoria da gravadora mais antiga do mundo, a Columbia Records. O momento era propício, afinal a Columbia havia sido recentemente adquirida pela CBS, e seus executivos ansiavam por novidades. Steinweiss conseguiu convencer o alto escalão da gravadora de que cada disco deveria ser tratado individualmente, e o ponto principal para isso seria acondicionar cada LP em uma capa exclusiva. Para mostrar aos executivos de que sua ideia funcionava, Steinweiss levou amostras de seu trabalho, mostrando que cada capa poderia ter um desenho próprio, de acordo com a música que o LP trazia. No final da reunião, Alex Steinweiss saiu empregado pela Columbia como o primeiro diretor de arte de uma companhia de discos.


O primeiro trabalho de Steinweiss foi o álbum Smash Songs Hits by Rodgers and Hart, lançado em 1940. O disco foi um sucesso, e inaugurou uma nova era na indústria fonográfica. As principais gravadoras perceberam que aquela inovação dava um grande resultado, e começaram a investir maciçamente em capas exclusivas. Vale lembrar que naqueles primeiros tempos não havia a fartura de títulos disponíveis que há hoje nas lojas, e o comportamento padrão do consumidor era chegar com uma lista com os itens que desejava e entregá-la ao vendedor, que providenciava os discos. Com o aumento da quantidade de LPs nas lojas, a capa passou a ter papel fundamental na hora de atrair os consumidores, e isso ficou evidente a partir da ideia inovadora de Steinweiss.

No final dos anos quarenta, a Columbia introduziu o formato long-playing em seu catálogo, e os discos passaram a ser fabricados em um formato maior – 12 polegadas, cerca de 31 centímetros de diâmetro -, podendo armazenar uma quantidade maior de faixas – geralmente 6 de cada lado, enquanto o de 10 polegadas tinha apenas quatro faixas em cada um dos lados. O formato maior abriu a possibilidade de um trabalho gráfico mais elaborado, e mais uma vez Steinweiss foi inovador, elaborando um esquema de dobras para as capas que se tornaria padrão em todo o mundo.


O desenhista ficou na Columbia entre os anos de 1939 e 1945, período no qual produziu aproximadamente 2.500 capas de discos. Após deixar de ser contratado exclusivo da Columbia, Alex abriu a sua própria empresa de design de capas, e desenvolveu trabalhos para várias gravadoras como Remington, Decca, RCA, London, além de alguns trabalhos para a própria Columbia.

Seu trabalho foi tão inovador que ele acabou criando sua própria fonte, que usou na maioria de suas capas. Esse lettering, batizado como Steinweiss Font, acabou ganhando o seu nome e é utilizado até hoje nos mais diversos trabalhos.

Alex Steinweiss trabalhou criando capas de discos até 1973, quando se afastou da indústria fonográfica e começou a desenhar posteres para a Marinha, ilustrações para revistas e grandes empresas.


Para quem se interessar pelo seu trabalho, em 2000 foi lançado um livro chamado For the Record: The Life and Work of Alex Steinweiss, escrito por Alex em parceria com Jennifer McKnight-Trontz, onde ele relata o seu processo criativo, fala como surgiram algumas de suas capas mais famosas e conta a história de sua vida, tudo, é claro, acompanhado por generosas imagens de seu trabalho.

Se você visitar a cidade de Sarasota, na Flórida, é capaz de trombar com Steinweiss pelas ruas. O artista vive nessa pequena cidade desde 1974, anônimo e em paz, sem que as pessoas desconfiem que o seu trabalho revolucionou a forma de vender e consumir música.

26 de set de 2010

Santana - Guitar Heaven: The Greatest Guitar Classics of All Time (2010)

domingo, setembro 26, 2010

Por Marcelo Vieira
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****1/2

A ideia não é das mais originais – com certeza alguns outros já fizeram isso antes, mas eu duvido que tenham feito com tanto brilhantismo. Depois de um tempo sumido, eis que Carlos Santana – que até onde eu sabia, tinha desistido da música para virar pastor –, ressurge com este Guitar Heaven, onde regrava aquilo que chama de “as guitarras mais clássicas de todos os tempos”. Em Guitar Heaven, Santana repete a fórmula dos bem-sucedidos Supernatural (1999), Shaman (2002) e All That I Am (2005) convidando um vocalista diferente para cada música. Há inclusive figurinhas repetidas, como é o caso do Matchbox Twenty Rob Thomas – quem não se lembra do sucesso de “Smooth”? – que aqui interpreta nada menos que “Sunshine of Your Love”, do Cream.

“Whole Lotta Love”, originalmente gravada pelo Led Zeppelin – como se ninguém soubesse –, abre o disco trazendo o multiuso Chris Cornell nos vocais. Logo de cara ouvem-se aquele timbre choroso inconfundível e aqueles batuques tipicamente latinos, marcas registradas da Santana Band. Na sequência, “Can’t Your Hear Me Knocking”, espécie de clássico cult dos Rolling Stones, é resgatada em versão matadora com um Scott Weiland limpo cantando sóbrio – ou seria sóbrio cantando limpo? (...) Tanto faz, o importante é que a voz do cara casou direitinho com a música. “Sunshine of Your Love” e Rob Thomas então nem se fala – combinação perfeita!

Quem for mais sensível já pode separar o lencinho para enxugar as lágrimas, pois “While My Guitar Gently Weeps”, dos Beatles, é o tipo de música que sempre emociona. Aqui não é diferente. Apesar do arranjo que não remete nem um pouco à original, é impossível não ficar de queixo caído com a interpretação de India Arie – que voz! – e com os solos sempre inspiradíssimos do mestre. Líder do Daughtry, Chris Daughtry canta “Photograph” do Def Leppard – essa bem mais fiel à original, ou seja, indefectível. Pena que logo em seguida vem a primeira cagada (literalmente): “Back in Black” (AC/DC) com o rapper Nas ficou desastrosa. Misturar rock e hip hop só Aerosmith e Run DMC mesmo.

Para “Riders on the Storm”, do The Doors, Santana convidou o próprio Ray Manzarek e Chester Bennington, e o resultado me surpreendeu. Acredito que quem está acostumado com o cara vociferando todas no Linkin Park também irá se surpreender. Jacoby Shaddix (Papa Roach) se sai muito bem em “Smoke on the Water” (Deep Purple) e mostra que é capaz de cantar com atitude sem precisar pagar de revoltado, como costuma fazer em sua banda. A despeito de não ser um dos meus sons favoritos do Van Halen, “Dance the Night Away” foi uma ótima escolha por conta de seu caráter dançante, possibilitando a Santana e Pat Monahan (Train) o lançamento de um single mais pra frente com grandes chances de sucesso.

Dando continuidade ao clima de festa, temos a sexy “Bang a Gong” do T. Rex na voz de Gavin Rossdale do Bush – para quem não se lembra, um dos melhores grupos surgidos na década de 90 na Inglaterra. E como prestar tributo às guitarras mais clássicas de todos os tempos sem incluir ao menos uma canção de Jimi Hendrix? A escolhida foi “Little Wing”. Para compensar a falta da introdução (mais uma cagada), só mesmo o vozeirão de Joe Cocker e alguns minutos de extensão com contornos de jam. Prosseguindo com as homenagens à velha guarda das seis cordas, Santana faz dupla com o prodígio Jonny Lang em “I Ain’t Superstitious”, de Willie Dixon.

“Fortunate Son” (Creedence Clearwater Revival) com vocais de Scott Stapp (Creed) e “Under the Bridge” (Red Hot Chili Peppers) com Andy Vargas encerram o disco. Em relação à primeira, basta reforçar que Stapp é um dos melhores vocalistas do rock na atualidade. Quanto à segunda, Vargas é quase um Anthony Kiedis, ou seja, mais fiel, impossível. No mais, peguem outro lencinho, pois essa é outra canção capaz de derreter até os corações mais gélidos.

Agora é esperar (e torcer para) uma volta aos palcos, se Deus quiser, mandando ver neste material. Já que voltou, que seja pra ficar. Os fãs (e discípulos, como eu) agradecem.



Faixas:
1. Whole Lotta Love featuring Chris Cornell
2. Can't you hear me knocking featuring Scott Weiland
3. Sunshine of your Love featuring Rob Thomas
4. While My Guitar Gently Weeps featuring india.arie & Yo-Yo Ma
5. Photograph featuring Chris Daughtry
6. Back in Black featuring Nas
7. Riders on the Storm featuring Chester Bennington & Ray Manzarek
8. Smoke on the Water featuring Jacoby Shaddix
9. Dance the Night Away featuring Pat Monahan
10. Bang a Gong featuring Gavin Rossdale
11. Little Wing featuring Joe Cocker
12. I ain't Superstitious featuring Jonny Lang
13. Fortunate Son featuring Scott Stapp
14. Under the Bridge featuring Andy Vargas

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