9 de out de 2010

Os 70 anos de John Lennon

sábado, outubro 09, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Se estivesse vivo, John Lennon comemoraria hoje, dia 9 de outubro, 70 anos.

Infelizmente, o genial músico foi assassinado em frente a sua casa, o Edifício Dakota, em Nova York, no dia 8 de dezembro de 1980, por Mark Chapman, que se dizia seu fã.

A
Collector´s Room não vai fazer uma homenagem a Lennon, com textos e mais textos sobre a sua importância para a música, a cultura e o comportamento do século XX. Isso você encontra fácil pesquisando na internet.

O que vamos fazer será o seguinte:

- a foto deste post faz um interessante exercício de como seria o visual de Lennon se estivesse vivo;

- para ler textos sobre a obra de John,
acesse nossos parceiros dos Armênios, que tem uma grande quantidade de material da mais alta qualidade comemorativo aos 70 anos de Lennon;

- e, como o nosso amor é a música e a nossa paixão são os discos, pegue todos os seus CDs, LPs e DVDs dos Beatles e da carreira solo de John Lennon e os ouça novamente no dia de hoje, em homenagem a esse cara que foi, é e sempre será um dos maiores e mais influentes artistas da história da música - e, caso você não tenha nenhum disco de Lennon ou dos Beatles em casa, vá agora mesmo comprar um!

8 de out de 2010

Minha Coleção - William Belmonte da Silva: obscuridades setentistas em uma coleção de dar água na boca!

sexta-feira, outubro 08, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room


Sabe aqueles discos raros dos anos setenta que os bons blogs de download adoram postar de tempos em tempos? Então que tal uma coleção repleta destes álbuns, todos em vinil e em perfeito estado? É isso que a gente encontrou na coleção do mineiro William, que contou, em um longo e ótimo bate-papo, detalhes da sua coleção, e ainda deu dicas de conservação e de onde encontrar bons LPs.

Então, acomode-se na cadeira e boa leitura!

Olá William. Como você conheceu a Collector´s Room?

Creio que conheci a Collector’s Room através do blog PH Rock, já faz algum tempo. Parece que ele foi deletado e agora voltou. Antigamente havia um link para a Collector’s lá.

De onde você é e o que você faz?

Meu nome é William Belmonte Silva, tenho 32 anos, sou de Belo Horizonte e trabalho na área de segurança.


Quando começou a se interessar por música?

Comecei a ouvir música cedo. Por volta dos 8 anos já tinha um “radim de pilha” portátil com fone de ouvido, e de manhã já ia pra padaria comprar pão com o fone de ouvido. Naquela época ouvia o que era martelado na rádio: RPM,Genesis, Dire Straits, Legião. Aos 11 anos comprei meu primeiro LP, o
Stay On These Roads do A-ha. Até 1991 ouvia as músicas do meu tempo, era época do Acthung Baby do U2. Até o dia em que vi uma matéria na TV sobre o filme do Oliver Stone – The Doors – e tive uma curiosidade enorme em conhecer mais sobre a época, a música e o contexto em que viveu Jim Morrison.

Paralelamente, um amigo de escola que tinha um irmão mais velho e que possuia um grande acervo de LPs começou a me falar de Pink Floyd, entretanto – para ele – a banda se resumia a The Wall e Wish You Were Here, então meio que na curiosidade pedi o Medlle emprestado e assim que ouvi as canções “Echoes” e “Fearless” não quis saber de ouvir outra coisa por muito tempo. Em seguida comecei a pesquisar e descobrir mais sons e bandas diferentes, daí veio The Who, Led Zeppelin, Cream, Ten Years After, Genesis fase Peter Gabriel, Rolling Stones, e a lista não parou mais.

Quantos discos você tem?

Atualmente possuo entre 800 a 900 Lps, a maioria importados, e aproximadamente 400 CDs.


Tem alguma banda ou artista que se destaque pela quantidade de itens em sua coleção?

Não tenho muitos itens de um mesmo artista, geralmente me interesso por períodos específicos de cada banda. Talvez a única exceção seja o David Bowie, já que tenho todos os LPs do
Space Odity até o Scary Monsters.

Porque você prefere o vinil ao CD?

Comecei a comprar LPs com frequência em 1993, assim que comecei a trabalhar. Dois anos depois, com a chegada do CD, comecei a sacrificar muitos vinis em troca de míseros CDs, até ficar com apenas dois bolachões:
A Space in Time do Ten Years After e o Ziggy Stardust do David Bowie. Então em 2000 vi o filme Quase Famosos do Cameron Crowe, e depois de observar aquela cena em que o garoto William Miller abre a capa do Tommy do The Who e o coloca para rodar na pick-up em seu quarto à luz de velas, aquilo me deixou atordoado e me fez retornar ao vinil. Voltei a valorizar aquele ato de pegar um LP, colocar para tocar, observar a capa nos mínimos detalhes, o selo e a ficha técnica e, é claro, o som. Neste último quesito, o LP parece ter um aspecto sonoro mais orgânico, enquanto que no CD parece haver uma espécie de muralha de vidro entre a gravação e o ouvido. Também há associação do disco de vinil com aquela coisa nostálgica, diretamente ligada a alguns filmes como o já citado Quase Famosos e Alta Fidelidade.

Ressalto também que na época em que voltei a comprar Lps outro fator que também pesou muito foi o preço. Naquela época, comprar um LP saia mais barato do que o equivalente digital, que somente era encontrado em edições importadas. O CD ainda era cultuado e estava com preços bem altos e chegava a custar cerca de quatro vezes mais que a edição em vinil nacional e duas vezes mais caro que o LP prensado no exterior.


Chama a atenção em sua coleção a grande quantidade de discos de bandas obscuras e cultuadas dos anos setenta. Como você passou a se interessar por esses grupos, e onde você compra e encontra Lps dessas bandas?

Blogs como os perseguidos
Chris Goes Rock e o Heavy Rock Spectacular eram ótimos para se descobrir bandas obscuras, mas talvez o segredo de tudo seja mesmo a ficha técnica dos Lps. Nela está escrito o nome daquele guitarrista com timbre diferenciado que chama a atenção, depois é só pesquisar um pouco que pode ser encontrado sua family tree. Se não tivesse ouvido “In Your Mind” do Bryan Ferry não teria chegado a Chris Spedding, que leva a John Cale, que leva ao Nucleus e a Peter Brown.

Para adquiri-los é preciso um pouco de paciência e sempre passar em todas as lojas com frequência, porque sempre tem alguém se desfazendo da coleção, isso sem falar nas visitas as edições da Feira Do Vinil na Savassi e no Floresta. Também adquiri muitos Lps comprando lotes fechados diretamente de colecionadores que estavam se desfazendo dos discos, e já comprei vários discos pela internet em sites como o Musicstack.

O que você usa para conservar os seus vinis?

Limpo meus LPs seguindo a recomendação de um colecionador de São Paulo, o Marco Antonio Gonçalves, que recomendou em
sua entrevista aqui na Collector’s a proporção de 20% de álcool para 80% de água. Entretanto, adiciono algumas gotas de sabão neutro na mistura.

Você tem alguma mania em relação à sua coleção, ao modo como guarda e organiza os seus discos?

Gosto de organizar os títulos por ordem alfabética e cronológica dentro da discografia de cada artista. Infelizmente, já faz algum tempo que não consigo colocar tudo em ordem. A coleção cresceu bastante, e depois que casei não encontro espaço adequado e ainda não tenho um móvel que comporte tudo. Geralmente parte dos discos ficam acomodados em contentores de plástico debaixo da escada, sendo que as caixas com os LPs que estão por ouvir, ou os que mais gosto, ficam em primeiro plano para serem encontrados mais rápido.


Que coleção você conheceu, aqui na Collector´s ou em suas andanças, que te fez ficar babando de inveja?

Cerca de três anos atrás conheci um colecionador que possuía um acervo enorme de vinis importados e em excelente estado de conservação. Devido ao trabalho em diferentes partes do exterior, ele conseguiu reunir uma grande quantidade de títulos interessantes. Depois de algum tempo consegui arrematar uma boa parte da sua coleção, entretanto ainda ficou muita coisa boa com ele – alô, Quinzote, passa o restante!!! (risos)

O Marco Antonio Gonçalves também possui uma coleção respeitável e bem eclética, mas no momento sinto mais inveja das estantes para acomodar os discos que ele possui (risos).

Qual o item mais raro da sua coleção?

Dois discos da JPT Scare Band, sendo que no
Rape of Titan’s Siren’s o vinil é trasparente; o Malesh do Agitation Free na edição do selo IRI francês com vinil colorido azul; o Second com uma capa alternativa; o bootleg At Last … is Alive; o Thunder and Roses original; Drywater; e os Wichtfinder General com vinil colorido, um vermelho e o outro champanhe.


Tem algum vinil em seu acervo que chama a atenção pelo formato diferenciado ou por algum outro detalhe?

Geralmente gosto muito das edições em vinil colorido. O último que adquiri foi o
Boys for Pele, da Tori Amos, que é transparente. Mas para encher os olhos mesmo na minha opinião é o Orange Wedge edição dupla da Little Wing Of Refugees, com os dois PSs da banda, que tem a capa no formato de pacote com relevo frisado com um material tipo “caixa de ovo”, com um tom roxo escuro, e os LPs são laranja e amarelo. Só de olhar eu já fico hipnotizado. Recentemente uma gravadora lá fora reeditou estes discos, mas nada se compara à arte desta edição.

Na sua opinião, que gravadora lança os melhores LPs atualmente?

Atualmente creio que a Second Batle no quesito excentricidades, mas os selos que reeditavam coisas bacanas no formato LP, como BGO e Repertoire, hoje se concentram apenas em lançamentos em CD. A AkarmaA está meio que inativa. Sou grande apreciador destes selos – possibilitam ao colecionador que não dispõe de grandes quantias em dinheiro adquirir raridades que seriam talvez impossíveis na prensagem original, e em muitos casos com qualidade superior, tanto gráfica quanto sonora, como no caso do selo Little Wing Of Refugees.

Cite dez obscuridades setentistas que todo mundo deveria conhecer.

1. Home –
Pause For a Horse Hoarse - Esqueça Gram Parsons e companhia, esse é o disco definitivo de country rock, potencializado pela melódica guitarra de Laurie Wiesefield. Ouça “Ed Lewis and the Red Caps”

2. Orange Wedge -
Wedge & No Left But on Me

3. Bambibanda & Melodie, mas também pode ser o
Astrolabio do Garybaldi, o DNA da guitarra é o mesmo

4. John Cale –
Helen of Troy e Church of Anthrax, com Terry Riley

5. Dryewater –
Southpaw

6. Agitation Free – Second

7. The Running Man

8. Cosmic Travellers –
Live From Hawaii

9. Nazz – Qualquer um dos três discos lançados pela banda

10. Stone The Crows –
Ode to John Law


Pra você, porque os grupos da década de setenta fascinam tanto as pessoas até hoje?

Acredito que naquela época vários músicos começaram a gravar discos alimentados por um espírito desafiador. Cada lançamento era uma resposta à alguma outra obra-prima do momento. Havia no músico a vontade de se superar, se reinventar, se satisfazer. Esse comprometimento que existia se refletia na música praticada, carregada de liberdade, conceito e improviso, e foi esta que permaneceu. Depois, os artistas de grande porte começaram a gravar para simplesmente pagar o jardineiro, o limpador de piscina, o mordomo, e por aí vai. Mais tarde, através da internet, várias bandas da década de setenta que lançaram um ou dois LPs e depois implodiram começaram a ser descobertas, e como disse Elvis Costelo naquele documentário sobre rock - “
rock n’rol é um garoto que ninguém ainda conhece tocando guitarra no quarto e que ainda não foi descoberto”. Talvez essa fosse a bandeira que estas bandas obscuras levantavam.

Entre as bandas atuais, quais você ouve e recomenda para os leitores da Collector´s?

Depois do “levante de 97” catapultado por
Ok Computer comecei a acompanhar as bandas novas. Fiquei satisfeito com o que aconteceu na música de artistas como Primal Scream, Suede, Spirirualized, Gomez, PJ Harvey, Doves, The Verve, Black Crowes, Wilco, Super Furry Animals e Radiohead. Atualmente, tudo que estes artistas lançam acompanho com atenção. De movidade mesmo, só o Diagonal.

Onde você busca informações, que fontes de pesquisa busca para descobrir novas bandas e discos para a sua coleção?

Gosto de frequentar lojas. Se encontro algum som rolando em alguma loja que me atrai pergunto qual é a banda e o disco. A internet também é uma boa ferramenta. Hoje existe acesso a livros e blogs que tratam sobre o tema. Como sou muito curioso, se há um instrumentista que chama atenção em um disco procuro saber com quem mais ele gravou, e por aí vai.

Qual item é seu objeto de desejo, aquele que você sempre quis ter e ainda não conseguiu?

Ficaria muito satisfeito em conseguir os originais importados das séries Pop Giants e Pop History, e toda a discografia do Nubleus - adoro as capas!. Também toda a discografia do Peter Brown pela Harvest, e para finalizar o
Septober Energy do Centipede.


Qual a importância dos colecionadores para as bandas e para a indústria da música?

Creio que o colecionador funciona como um importante termômetro. Através dele e de sua demanda, uma grande banda pode retomar às atividades, reeditar um disco importante e, principalmente, manter viva uma cultura como a do vinil.

Qual a sua opinião sobre os recentes LPs lançados no Brasil, de bandas como Pitty e Cachorro Grande?

A iniciativa é corajosa e merece respeito, mas os preços deveriam ser mais baixos, e deveria haver mais critério na seleção dos títulos prensados. Deve-se dar importância igual ao que há de novo e de qualidade junto com os títulos que são discoteca básica.

O que significa ser um colecionador de discos para você?

Colecionar discos envolve paixão, entrega e um certo sacrifício financeiro e social. Entretanto, o retorno é extremamente prazeroso: abrir a capa, ler a ficha técnica, ver as fotos, o selo e ouvir a música, principalmente quando se sabe o contexto em que a obra foi gerada. É muito gratificante!

William, obrigado pela entrevista, e deixe um recado para os leitores da Collector´s Room.

Hoje, o conhecimento do colecionador é do tamanho da sua curiosidade. Antes ele ficava retido na mão de quem era mais abastado. Ouvia-se muito sobre um disco e nem se imaginava como era a capa, até que ele – sabe-se lá quando – aparecesse na sua frente em uma loja. Agora, temos acesso a material de qualquer artista, e podemos dar um veredito pessoal. Caso agrade e se sinta fascinado e surpreendido positivamente, corra e compre sua edição em vinil. Sem essa de levar um disco para casa e depois de todo um ritual de preparação para ouvi-lo descobrir que é uma obra sem relevância. Saudações das montanhas aos amigos da
Collector’s Room.

Tank - War Machine (2010)

sexta-feira, outubro 08, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

Muitos ficaram surpresos quando, no fim de 2008, os ingleses do Tank anunciaram sua nova formação. Juntavam-se a Mick Tucker, Cliff Evans e Mark Brabbs o vocalista Doogie White (Rainbow, Yngwie Malmsteen, Cornerstone) e o baixista Chris Dale (Bruce Dickinson). Na sequência, Mark sairia para a entrada do baterista Dave Cavill. Os fãs se dividiram nas opiniões, especialmente depois que Algy Ward, baixista e vocalista por 28 anos, declarou em recente entrevista para a revista inglesa
Classic Rock que o grupo não tinha o direito de utilizar o nome e o logotipo, que o pertencem legalmente. Provavelmente uma batalha judicial terá início logo, especialmente agora que a banda lança War Machine, primeiro trabalho com o line-up atual.

Uma intro tipicamente NWOBHM anuncia “Judgement Day”, cadenciada e com melodia marcante, chegando a lembrar o Picture dos velhos tempos. O ‘tradicionalismo metálico’ impera em “Feast of the Devil”, com seu riff pesado e um belo solo, com Cliff e Mick alternando seus timbres e mostrando entrosamento. “Phoenix Rising” funciona como uma pisada no acelerador, trazendo evidentes resquícios do power metal oitentista – aquele que contava com mais punch e menos firulas. A faixa-título tem um ritmo mais arrastado, com passagens alternadas de guitarra limpa e backing vocals bem colocados no refrão. Remete ao Black Sabbath da era Tony Martin, sem soar como mera cópia.

“Great Expectations” vai fazer a alegria dos saudosistas, misturando a pegada característica com um balanço mais puxado para o hard rock que a transforma em um dos melhores momentos do álbum. A balada heavy “After All” traz a inevitável sensação de déjà vu ao ouvinte, que vai identificar semelhanças com vários outros exemplares da espécie. A velocidade moderada volta a tomar conta em “The Last Laugh”, com seu refrão para os fãs cantarem com os punhos erguidos. “World Without Pity” cai em referências setentistas, mas passa sem marcar seu espaço, apesar das ótimas guitarras. Encerrando o disco, “My Insanity” tem um começo que lembra algumas recentes do Iron Maiden, mas logo se transforma em um metal com a legítima marca de décadas passadas.

Um bom disco, que tem tudo para agradar os fãs, polêmicas sobre a formação que o gravou à parte. Mas se você ainda não conhece o trabalho da banda, recomendo que comece por algum dos mais antigos, como
Filth Hounds of Hades (1982) ou This Means War! (1983). Esses sim, verdadeiros clássicos do estilo. Para uma retomada após oito anos sem lançar um álbum de inéditas, War Machine desempenha um papel de respeito na história do Tank.


Faixas:
1 Judgement Day
2 Feast of the Devil
3 Phoenix Rising
4 War Machine
5 Great Expectations
6 After All
7 The Last Laugh
8 World Without Pity
9 My Insanity

Brasil Heavy Metal: lançamento mundial do clipe da música tema do filme

sexta-feira, outubro 08, 2010

Por Ricardo Batalha
Jornalista e Colecionador
Roadie Crew

Os fãs do metal brasileiro acabam de ganhar um presente: está no ar o aguardado videoclipe da música tema do longa-metragem Brasil Heavy Metal, com a participação de dezesseis vocalistas do heavy metal brasileiro dos anos 80 que, juntos, cantaram o tema com toda garra e emoção.

O diretor do filme, Ricardo "Micka" Michaelis, explica como se deu a ideia desta inédita união: "Em uma certa manhã recebi uma das músicas que farão parte do CD/vinil duplo do projeto Brasil Heavy Metal. Era a canção do Stress. Em meio a outras atividades, segui escutando e em menos de um minuto já estava paralizado. Confesso que a emoção tomou conta de mim."

A sonoridade e a letra fizeram o diretor reviver todos os sabores daqueles mágicos anos oitenta, quando tudo era uma grande descoberta. "Liguei para meu amigo China Lee, vocalista do Salário Mínimo, e coloquei a música para ele ouvir mesmo por telefone", conta. "Ele imediatamente disse: 'Cara, vamos todos cantar essa música!' E aí fizemos a loucura...", completa.

Tendo como base musical a gravação original do Stress, a produção do filme realizou várias sessões de gravação em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, contando com a presença de vocalistas brasileiros que representam a identidade do metal dos anos oitenta. Além disso, um cenário exclusivo foi desenvolvido e transportado para os estúdios, mantendo o padrão e unidade. "Foram momentos mágicos", revela Micka. "Alguns vocalistas já não estão mais em atividade, mas isso pouco importava. Vi no olhar de cada um o quanto significou ter vivido e ajudado a construir essa história", completa.

Assista o clipe abaixo:



Os vocalistas que participaram das gravações foram os seguintes:

Andre Matos (Viper, Angra e Shaman)
Bozó (Overdose)
César "Cachorrão" Zanelli (Centúrias)
China Lee (Salário Mínimo)
Flávio Ferb (Vírus)
Jack Santiago (Harppia)
Julio Michaelis Jr. (Santuário)
Lone (Angel)
"Lucky" Luciano (Metalmania/Robertinho de Recife, X-Rated)
Marcello Pompeu (Korzus)
Marielle Loyola (Volkana)
Otávio Augusto (Taurus)
Paulinho (Witchhammer)
Paulinho Heavy (Inox)
Roosevelt "Bala" (Stress)
Tavinho Godoy (Metalmorphose)

O clipe foi produzido em full HD e tem versões em cinco idiomas, com legendas em japonês, espanhol, inglês e alemão. "O espírito, garra e entrega sensibilizou a todos e tenho certeza de que os fãs sentirão a verdadeira energia destes guerreiros. Por isso, queremos realmente fazer a maior corrente metálica que o Brasil já viu! Vamos espalhar essa energia para, juntos, atingirmos 1 milhão de views!", finaliza o diretor do filme que será o mais fiel documento histórico sobre o surgimento do heavy metal no Brasil na década de oitenta.

Acesse: www.brasilheavymetal.com

7 de out de 2010

Pelo Mundo: as aventuras de um colecionador em Nova York – Parte 1: shows inesquecíveis

quinta-feira, outubro 07, 2010

Por Fernando Bueno
Engenheiro e Colecionador
Collector´s Room


Fernando Bueno arrumou as malas e saiu em turnê por Nova York, a capital do mundo. É claro que, como colecionador que é e sempre será, Fernando foi conferir as atrações musicais da cidade, e conta pra gente as suas experiências por lá.

Nessa primeira parte, os shows que ele conferiu. E na segunda parte, daqui uns dias, as lojas de discos que Fernando conheceu e degustou em Nova York.

Então, acomode-se na cadeira e boa leitura!

Porcupine Tree – Radio City Music Hall, Nova York, 24/09/2010

Todo mundo que gosta de música já ouviu falar no Radio City Music Hall. A casa de shows faz parte do conjunto do Rockfeller Center em Nova York e existe desde 1932. Tive o privilégio, e a sorte, de conseguir ver um show de um grupo que acho muito legal nesse lugar, e as impressões do local e da banda foram muito boas.

Comprei o ingresso para o show do Porcupine Tree no também famosíssimo Madison Square Garden apenas duas horas antes da apresentação começar. Nesse mesmo dia tinha show do Alice in Chains no MSG e o hall e as bilheterias estavam lotadas. Foi engraçado eu entrar na bilheteria de ingressos de outros shows enquanto a fila da bilheteria para o show do Alice in Chains estava enorme. Até pensei que o Porcupine Tree não teria público para o seu show, afinal não vi ninguém comprando ingressos para vê-los. Porém, ao chegar no Radio City Music Hall percebi que a base de fãs da banda é muito grande lá nos Estados Unidos. Também achei interessante as pessoas chamando umas as outras de “proggers”. O Porcupine Tree faz parte da cena atual do progressivo, mas pelo peso de algumas de suas músicas muitos puristas não os consideram como parte do rock progressivo, coisa que eu discordo.

Outro fato que causou estranheza foi assistir ao show sentado. Já vi o Asia e o Dream Theater assim, mas dessa vez eu me senti estranho. Talvez seja por eu estar sozinho no meio de um monte de gente desconhecida tenha causado essa sensação. O RCMH tem cerca de 6 mil lugares e aos poucos todos eles foram sendo preenchidos, contrariando minha impressão inicial de que não teria público. Fiquei localizado no primeiro mezanino, então consegui ver que as cadeiras da pista estavam completamente lotadas. Porém isso eu já sabia, afinal não tinha conseguido comprar ingresso para sentar nesse local. Mas garanto que mesmo dos mezaninos (ainda tem outros dois níveis) o lugar é muito bom para ver shows.

Eu não sou um profundo conhecedor do Porcupine Tree. Conheço bem dois discos deles, o
Absentia e o Fear of the Blank Planet, e um pouco outros dois, The Sky Moves Sideways e Deadwing. Porém, essa é uma banda que já lançou dez álbuns de estúdio, e pela base de fãs que vi no show percebo que tenho que ir atrás do restante dos álbuns. Ouvi comentários muitos empolgados do pessoal que estava na fila para comprar merchandising e acabei me interessando por outros discos que vou procurar brevemente.

A banda entrou exatamente as 20 hs, no horário marcado. Porém, para surpresa de todos, quando as cortinas subiram mostrou um modesto grupo de equipamentos. Estavam montados apenas um kit de bateria pequeno, um contrabaixo acústico, um piano e uns violões. O grupo entrou e disse que faria uma pequena apresentação acústica antes do show. Ou seja, é a primeira vez que vejo uma banda fazer um show de abertura para ela mesma. Ao todo foram cinco músicas nessa primeira parte do show, totalizando cerca de 40 minutos. Tocaram duas músicas ao vivo pela primeira vez - uma do último álbum e outra de um disco mais antigo. Claro que sei disso por que o Steve Wilson anunciou que o faria, já que não conhecias essas músicas.

A banda saiu e os roadies entraram em ação para montar o palco principal. Montar é modo de dizer, já que estava quase tudo pronto nas laterais e os roadies só tiveram o trabalho de posicionar a bateria (agora bem maior), os teclados e alguns amplificadores. Depois de dez minutos já estava tudo pronto e o grupo volta para fazer seu set normal.


Para quem não conhece, o Porcupine Tree é formado por Steve Wilson (guitarra, voz, teclados, etc, etc, etc), Richard Barbieri (teclados, mellotron e outros), Colin Edwin (baixo) e Gavin Harrison (bateria). Steve Wilson é no Porcupine Tree o que seu xará Steve Harris é no Iron Maiden - ou seja, o dono da banda. Ao vivo eles têm o acompanhamento de outro guitarrista que não sei o nome. Ele até foi apresentado, mas não consegui entender. Procurando na internet consegui encontrar seu nome: John Wesley (guitarras e backing vocals). No entanto, ele toca somente em algumas passagens, ficando a maior parte do tempo escondido atrás dos equipamentos.

A execução das músicas é perfeita. O que o baterista toca não é brincadeira. Apesar de não conhecer todas as músicas do set curti demais, principalmente pelo fato de eles utilizarem muito os artifícios visuais para auxiliar a música. Os telões gigantes de alta resolução tinham imagens que remetiam às letras das músicas, e quando não havia nenhum ligação foram utilizados efeitos luminosos que me lembraram as coisas que o Pink Floyd fazia no começo da carreira. Ou seja, jogos de luzes e cores criando um ambiente meio psicodélico. Peço desculpas pela falta de fotos, no dia estava sem a máquina e só com o celular.

A banda tocou por cerca de mais uma hora e dez e saiu do palco. Como tinha totalizado duas horas de show, incluindo o set acústico, achei que tinha terminado, o que acabou me deixando um pouco decepcionado, afinal só tinham tocado uma música que conhecia (a saber, “The Sky Moves Sideway – Phase One”). Todo mundo ficou esperando pelo famoso bis. Eu aproveitei que o bar era perto e corri para pegar mais uma cerveja (a terceira da noite). Quando voltei eles estavam iniciando outra parte do show e, ao contrário do que pensei, não era um bis e sim um novo set com várias músicas dos álbuns que eu conheço e uma sequência de quatro faixas seguidas de seu disco mais recente. Assim tocaram por mais uma hora e dez minutos.

O que impressionou bastante foi o modo tão certinho como foi o show, afinal suas músicas são cheia de mudanças de andamentos e climas que requerem um esforço físico e mental, além de muita concentração para isso acontecer. Depois de acabado esse set eles ainda fizeram um bis com mais uma música longa, acabando o show às onze e vinte da noite. Ou seja, foram três horas e vinte minutos de show - descontando dez minutos em cada parada foram três horas de música. Isso é muito difícil de ver hoje em dia.

Saí de lá satisfeito, até por ter presenciado um show que mostra que o rock progressivo pode não ter a mesma qualidade hoje em dia do que na década de setenta, mas vemos que algumas bandas levantam a bandeira de forma eficiente, moderna, agradável e, principalmente, com um bom público seguidor.

Accept – B.B. King Blues Club & Grill, Nova York, 29/09/2010

Segunda-feira. Normalmente esse é um dia triste. Início de semana, compromissos, preocupações. Porém, esse é um dia legal para se acordar quando estamos de férias e temos a expectativa de ver ao vivo uma das bandas mais clássicas do heavy metal mundial.

O local do show foi o BB. King Blues Culb & Grill. O local é um bar que também serve como restaurante. É uma espécie de Hard Rock Cafe com bem menos merchandising e com mais ênfase nos shows. O palco é pequeno, com dimensões próximas ao do Manifesto Bar. Aqui cabe um comentário em relação aos dois shows que fui ver. O do Porcupine Tree, com quase seis mil pessoas, e o do Accept, com cerca de 600. Certamente os leitores da
Collector´s Room consideram o Accept uma banda maior do que o Porcupine Tree. Também é certo que no Brasil o show dos alemães teria muito mais público que o dos americanos, mas é interessante saber como anda a popularidade e reconhecimento de algumas bandas fora do Brasil.


Antes do Accept teríamos o trio King’s X. Muita gente foi para vê-los. O número de camisetas da banda era quase o mesmo que o número de camisetas do Accept. Não conhecia nada do grupo, só mesmo as capas dos discos nas revistas, e alguma coisa me interessou. Claro que é difícil julgar uma banda na primeira vez que a escutamos, ainda mais ao vivo, mas tenho que ir atrás de alguma coisa para me familiarizar melhor com o som deles.

Bem, o som do King´s X me lembrou grupos como o Audioslave com mais groove. Apesar de vários sites classificarem eles como heavy metal, e em outros lugares como hard rock e até rock progressivo, achei o som bem distante do metal tradicional. Eles têm peso, riffs, mas mesmo assim não achei heavy. Gostei dos vocais. O baixista e vocalista Doug Pinnick tem uma voz legal que em alguns momentos me lembrou o Glenn Hughes nas partes mais agudas, mas não sei se isso tem a ver mais com o som funkeado de algumas músicas. Na hora eu lembrei dele. Também gostei do trabalho de backing vocals com o guitarrista e o baterista cantando juntos diversas partes das faixas.

Duas músicas me chamaram a atenção, “Pretend” e “Go Tell Somebody”. Essa última é como se fosse um cartão de visitas da banda. O refrão diz: “
If you like what you hear then, go tell somebody”. Ao vivo, com o público cantando, ficou bem legal.


Depois do show do Kings X teríamos o Accept, a banda mais esperada da noite. Claro que a maior dúvida recaia em como ficariam os clássicos com a voz do novo vocalista (novo na banda, por que o cara já ta bem tiozinho - risos). Mas bastou eles entrarem no palco para percebemos que seria um ótimo show, e que Mark Tornillo daria conta do recado.

O set list foi baseado em apenas quatro álbuns:
Breaker com três músicas, Restless and Wild com cinco, Metal Heart com quatro e o novo, Blood of the Nations, com outras quatro. Fora esses discos tivemos apenas “Balls to the Wall” do álbum homônimo e “Bulletproof” do Objection Overruled.

Porém, foram nos clássicos “Balls to the Wall”, “Son of a Bitch” e, principalmente, “Restless and Wild”, que o público foi ao delírio. Mas a curtição da galera é relativa. Os caras não agitam, não fazer air guitar, não pulam, apenas cantam os refrões. Coube a alguns brasileiros que estavam lá fazer tudo isso (risos). Era até engraçado ver os caras nos olhando com uma certa inveja. Afinal, muitos vieram perguntar de onde a gente era e depois do show ficaram conversando com a gente.


Quando estava me vestindo para ir ao show optei por vestir uma camisa da Seleção Brasileira pensando que desse modo alguém viria conversar comigo, afinal ir sozinho a um show é muitas vezes chato pra cacete. Não deu outra. Logo no começo já encontrei alguns brasileiros (inclusive um corintiano com camisa e tudo), e não sei se pelo fato de eu ser o único de amarelo ali ou porque a gente tava agitando bastante acabei ganhando uma palheta no final do show do Hermann Frank direto das mãos dele.

A banda emendava música atrás de música com pouca pausa entre cada uma delas. Os guitarristas Wolf Hoffmann e Hermann Frank e o baixista Peter Baltes não se movimentavam muito. Talvez pelo tamanho limitador do palco, mas dava para ver que os caras estão fazendo tudo com prazer. E novamente tenho que falar do Mark Tornillo. O cara parece que está na banda há décadas. Totalmente à vontade, brincando com os outros componentes, e o que importa, cantando todas as músicas de um jeito que, pelo menos para aquelas pessoas que conversamos, não deu saudades do Udo Dirkschneider.

Resumindo, foi um showzaço. Por ser um lugar pequeno a proximidade do público com a banda deu uma melhor impressão da mesma. Certamente vai fazer com que eu retorne a escutar todos os discos do grupo, a começar pelo último.

No final, queria comprar uma camiseta do Accept, mas os modelos legais já estavam esgotados. Tentei argumentar com um cara que tinha cara de chefe e descobri que ele é como se fosse o gerente de turnê. Conversando com o cara ele me garantiu que o Accept vem para o Brasil por volta de março e abril e vai tocar em Curitiba e São Paulo. Resta saber se dá para confiar ...

Rigotto's Room: Le Noise, um álbum sem precedentes na carreira de Neil Young

quinta-feira, outubro 07, 2010

Por Maurício Rigotto
Colecionador
Collector´s Room

Um artista de primeira grandeza que não para de se reinventar e surpreender. Assim é o canadense Neil Young, um dos nomes mais significativos que o rock já produziu. Neil começou sua carreira na adolescência, com a banda Squires, mas somente em 1966 adquiriu notoriedade ao fundar com o amigo Stephen Stills o sensacional grupo norte-americano Buffalo Springfield, que durou vinte e cinco meses e fez excursões ao lado dos Byrds. Em 1968 gravou seu primeiro álbum solo, e no ano seguinte lançou um de seus maiores clássicos, Everybody Knows This Is Nowhere, seu primeiro trabalho com a banda de apoio Crazy Horse, que o acompanha até hoje. No ano seguinte se uniu ao trio formado por David Crosby (ex-Byrds), Stephen Stills (seu ex-colega no Buffalo Springfield) e Graham Nash (ex-Hollies). Após tocarem no festival Woodstock, Crosby, Stills, Nash & Young lançaram álbuns marcantes como Deja Vu e 4 Way Street, vindo a se separar amigavelmente em seguida (de vez em quando o supergrupo volta a ativa).

O mais surpreendente na obra de Neil Young é a sua diversidade. Ele ataca como um rocker, com guitarras pesadas e distorcidas, principalmente quando acompanhado da Crazy Horse, mas também faz brilhantes trabalhos acústicos, onde cria lindas melodias no violão e harmônica, mostrando-se um mestre também no folk, no country e no blues.

Após
Everybody Knows This Is Nowhere, considerado uma obra prima, Young se consagrou com os discos After The Gold Rush e Harvest, gravado ao lado dos Stray Gators (outra banda de apoio que o acompanharia várias vezes ao longo da carreira), alcançando grande sucesso comercial em 1972. No mesmo ano, a morte de dois grandes amigos por overdose - o guitarrista da Crazy Horse Danny Whytten e o roadie Bruce Berry - levaram Young a uma grande depressão, gerando discos melancólicos, mas não por isso menos belos, como Time Fades Away, On the Beach e Tonight's The Night. Em 1975 volta a gravar com a Crazy Horse, resultando no belo álbum Zuma. No ano seguinte grava um disco com o antigo parceiro Stephen Stills, Long May You Run, creditado a Stills-Young Band.


O final da década de setenta é marcado por um ode ao rock'n'roll, com o lançamento do disco e do filme
Rust Never Sleeps, onde um lado apresenta Neil Young sozinho se acompanhando ao violão e gaita de boca; e no outro lado ouvimos vigorosos rocks com o acompanhamento da Crazy Horse em sua melhor forma. No ano seguinte (1979) é lançado o álbum duplo Live Rust, um dos melhores discos ao vivo de toda a sua carreira.

Os anos oitenta foram irregulares para Neil Young. O artista gravou mais discos com a Crazy Horse, como
Re-ac-tor (1981) e Life (1987), lançou um divertido disco de rockabilly com a banda Shocking Pinks, Everybody Rockin' (1983); álbuns com outras bandas, como This Note's For You (1988) com The Bluenotes, Eldorado (1989) com The Restless e American Dream (1988) novamente com Crosby Stills and Nash; além de álbuns equivocados e chatinhos como Trans (1982) e Landing on Water (1986).

Neil Young começa a década de noventa com mais bons trabalhos com a Crazy Horse, como
Ragged Glory (1990) e Weld (ao vivo, 1991). Vinte anos depois de Harvest, Neil lança uma espécie de "continuação" com o ótimo Harvest Moon. Em 1993 grava o seu Unplugged MTV e continua produzindo alucinadamente, com destaque para os álbuns Sleep With Angels (1994), Mirror Ball (1995 - com o Pearl Jam como banda de apoio) e Broken Arrow (1996). Já nos anos 2000, Young continuou a lançar alguns de seus melhores álbuns, como Prairie Wind (2005), Living With War (2006) e Fork in the Road (2009).

Recentemente, Neil Young voltou a sofrer a morte de dois grandes amigos de longa data - o produtor Larry Johnson e o guitarrista Ben Keith, dos Stray Gators, ambos colaboradores constantes em seu trabalho. Neil resolve então fazer um disco intimista para extravasar toda a raiva e tristeza, e ainda assim passar paixão e esperança ao longo de suas faixas. Convoca o produtor Daniel Lanois, que tem em seu currículo a produção de
The Joshua Tree do U2 e Oh Mercy e Time Out Of Mind, dois dos melhores álbuns de Bob Dylan, e juntos registram Le Noise, um álbum sem precedentes na carreira de Neil Young.


Le Noise é composto por oito faixas gravadas sem banda, somente com Neil nas guitarras e violões. O curioso é que não se trata de mais um trabalho acústico do músico, onde ele interpreta solitariamente folks e countrys. Le Noise é um disco de rock'n'roll, com guitarras distorcidas cheias de feedback. É um formato surpreendente e inovador. Talvez não tenha o mesmo brilho de seus últimos trabalhos, mas é uma obra inspiradíssima, com um resultado extremamente agradável. Em alguns momentos é impossível não imaginar como ficaria a música se tivesse o acompanhamento da Crazy Horse, mas mesmo assim não há do que reclamar, Young prova que pode fazer bom rock'n'roll sem contrabaixos e baterias, apenas com sua guitarra áspera e suas inspiradas letras pungentes.

Le Noise é uma obra perturbadora e introspectiva, idealizada para ser um disco acústico. Lanois fez Young mudar de ideia, e das oito faixas apenas duas tem um tratamento mais limpo, ao violão. São elas: "Love and War", mais um protesto politizado, e "Peaceful Valley Boulevard", uma das melhores do disco, que fala sobre uma autobiográfica viagem cruzando os Estados Unidos. Não menos autobiográficas, "Walk With Me", "Sign of Love", "Rescue Me", "Hitckhiker", "Angry World" e "Rumblin'" encantam com a forma com que Young contrapõe pungentes letras de amor com violentas palhetadas em sua guitarra. Um belo trabalho de um artista que não se acomodou com os louros do passado e ainda hoje encontra novas formas de se reinventar.

Le Noise foi lançado no dia 28 de setembro acompanhado de um filme em preto e branco em que Neil Young é visto interpretando os oito temas do disco no estúdio.

Hypnosia - Extreme Hatred (2000)

quinta-feira, outubro 07, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****

O Hypnosia foi um grupo sueco formado na cidade de Växlö em 1995. A banda ficou na ativa até 2002, e nesse período lançou apenas um EP (Violent Intensity, 1999) e um álbum full-lenght. Extreme Hatred, o tal disco, é apontado em diversos sites e revistas como uma jóia perdida do thrash metal, e, para alegria dos bangers brasileiros, acaba de ganhar uma edição nacional recheada de faixas bônus a cargo da sempre competente Kill Again Records.

O culto ao álbum se justifica. Suas faixas apresentam um thrash metal bastante agressivo, que dosa na medida certa influências tanto das cenas norte-americana quanto da européia (notadamente o Kreator). Além disso, o som dos caras apresenta um certo tempero black metal, um pouco pelo timbre do vocalista e guitarrista Mikael “Cab” Castervall mas, principalmente, pela adição muito bem vinda daqueles riffs típicos do black metal norueguês do início da década de noventa.


A faixa-título abre o play com ótimas mudanças de andamento. “Circle of the Flesh” vem a seguir com um clima meio Slayer e boas melodias – uma grande faixa, uma das melhores do disco. A qualidade se mantém lá em cima com “The Last Remains”, “Operation Clean-Sweep” (com uma abertura que é puro Metallica dos primeiros anos) e a mais cadenciada e excelente “Comatose”.

“Act of Lunacy” transita com absoluta maestria por trechos ora mais rápidos, ora mais lentos. Já a instrumental “Gates of Cirith Ungol” tem um começo cadenciado que evolui para intrincadas passagens mais aceleradas, e o resultado final é não menos que empolgante!

A influência do black metal norueguês aparece com força total em “Hang 'em High”, que alterna riffs de guitarra puramente thrash com outros na melhores escola norueguesa. O vocal dessa faixa reforça esse aspecto, soando bem na linha dos pioneiros do metal extremo escandinavo.

A edição lançada no Brasil pela Kill Again tem sete faixas bônus. Seis delas foram lançadas anteriormente no EP Violent Intensity e seguem a linha das presentes do álbum principal, porém são composições um pouco mais agressivas, característica essa que fica ainda mais evidente devida à produção do EP, que é mais crua, na cara. Completando o pacote foi incluído também o cover de “My Belief”, do Possessed.

Extreme Hatred é um álbum sólido e consistente. Suas faixas empolgam com facilidade qualquer fã de thrash metal. Enfim, um item classudo para qualquer coleção de heavy metal que se preze. Ouça e comprove!

Para comprar esse e outros itens da Kill Again Records, acesse o site da gravadora.


Faixas:
1.Extreme Hatred
2.Circle of the Flesh
3.The Last Remains
4.Operation Clean-Sweep
5.Comatose
6.Act of Lunacy
7.Gates of Cirith Ungol
8.My Belief
9.Hang 'Em High
10.Traumatic Suffering
11.Funeral Cross
12.Haunting Death
13.Undead
14.Perpetual Dormancy
15.Mental Terror
16.The Storms

6 de out de 2010

Gotthard publica nota oficial sobre a morte de Steve Lee, seu vocalista

quarta-feira, outubro 06, 2010

(tradução de João Renato Alves)

Queridos fãs e amigos, o inconcebível é a trágica realidade – Steve Lee morreu em um acidente ontem.

Perdemos não apenas uma das melhores vozes do rock, mas também um bom amigo, com sua personalidade sensível e sempre humilde com todos que se aproximavam.

Nossos sentimentos estão com sua família.

Cartas de condolência devem ser enviadas para:

Gotthard Music GmbH
Grossmatte Ost 2
6014 Littau


Gotthard

Nota oficial da Nuclear Blast sobre a morte de Steve Lee, vocalista do Gotthard

quarta-feira, outubro 06, 2010

(tradução de João Renato Alves)

O mundo perdeu um de seus maiores cantores de rock. Steve Lee, frontman do Gotthard, foi morto acidentalmente durante uma viagem de motociclistas pelos Estados Unidos na Rodovia Interestadual 15, entre Mesquita e Las Vegas. Ele tinha voado para o país junto com os outros participantes da excursão no último fim de semana para realizar um sonho que há anos perseguia, mas não podia realizar graças às muitas viagens de trabalho. Seriam duas semanas nas estradas norte-americanas a bordo de uma Harley Davidson.

Os 21 suíços começaram a jornada no domingo, em um total de 21 pessoas em 12 motos. Ontem, a cerca de 50 milhas de Las Vegas, o grupo parou devido a uma chuva que começava. Na estrada deslizante, o trailer de um caminhoneiro escorregou. O motorista tentou controlar, mas não teve êxito. O trailer bateu em cinco motocicletas à beira da estrada, e uma delas atingiu Steve Lee. Serviços de resgate chegaram ao local e tentaram métodos de reanimação, mas os esforços não funcionaram. Após 20 minutos de luta, Steve foi declarado morto.

O baixista do Gotthard, Marc Lynn, e a namorada de Lee, Brigitte Voss Balzarini, estavam entre os integrantes da excursão. Nenhum outro viajante se machucou. Perdemos não apenas uma das grandes vozes do rock, mas uma figura humana extraordinária. O cantor vendeu milhões de cópias mundo afora com o Gotthard com diversos álbuns atingindo platina dupla, até mesmo tripla.

Nuclear Blast Records

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