6 de nov de 2010

Rigotto's Room: Paul McCartney, um Wing entre nós

sábado, novembro 06, 2010

Maurício Rigotto

Colecionador
Collector´s Room

Finalmente no próximo domingo irei assistir a um dos shows mais esperados de toda a minha vida: Paul McCartney. Em minha juventude, não consegui ingressos e desperdicei as oportunidades em 1990 e 1993, quando o ex-líder dos Wings se apresentou na América do Sul. Meus cabelos ficaram brancos enquanto eu aguardava por uma nova chance.


Eis que há dois meses, mais precisamente na manhã do dia oito de setembro, estava em Buenos Aires e após o café matinal oferecido pelo hotel, fui ler o matutino La Nacion e lá estava a estupefante notícia: “Paul McCartney fará shows na Argentina em novembro.” A euforia imediatamente tomou conta de mim, embora logo a seguir passei a raciocinar como São Tomé, aquele que precisou ver para crer, calejado devido a várias experiências anteriores em que me empolguei com concertos que acabaram por não se concretizar, pois não passavam de boatos infundados plantados na imprensa. A razão principal de minha desconfiança foi o fato de que um show dessa magnitude usualmente é programado com meses de antecedência, portanto causou-me estranheza que o jornal anunciasse que Paul estaria se apresentando em nosso continente dentro de apenas dois meses.

Felizmente nos próximos dias a notícia se confirmou. Datas foram anunciadas oficialmente no site do artista e eu realmente iria ver para crer. A notícia não poderia ser melhor, pois além de São Paulo, Porto Alegre seria a única outra cidade brasileira a receber o espetáculo. Restava agora conseguir um dos disputadíssimos ingressos, que se esgotaram poucas horas após serem disponibilizados para a venda. Com o ingresso na mão, resta apenas controlar a ansiedade e aguardar pacientemente pelo tão esperado dia.

A vinda de Paul McCartney provocou uma verdadeira comoção entre os fãs da maior banda de rock que já existiu. Milhares de pessoas aguardam, tão ansiosos quanto eu, o momento de assistir ao show do ex-Beatle. Acredito que uma considerável parcela desse público apenas conheça a obra dos Beatles. Muitos não possuem sequer um disco solo de Paul McCartney, e outros jamais ouviram falar nos Wings, a banda que Paul liderou nos anos setenta.

Entretanto, a carreira pós-Beatles de Paul McCartney já persiste por quarenta anos. Vamos imaginar que os Beatles nunca tivessem existido e que a trajetória de Paul tenha se iniciado com seu primeiro álbum solo. Será que Paul McCartney seria hoje ovacionado como um dos maiores músicos que o rock já produziu? Será que a grandiosidade de sua obra não torna o termo “ex-Beatle” pequeno, mesmo se tratando dos Beatles, a melhor banda que já houve?


Vamos ao exercício imaginativo: Paul McCartney, um desconhecido músico inglês, lança em 1970 o seu primeiro álbum, o qual gravou sozinho, sem o auxílio de banda, técnicos ou engenheiros, todos os instrumentos. Paul compôs todas as canções e tocou violão, guitarra, contrabaixo, piano, bateria, percussão, órgãos Hammond e Moog, maracas, bongôs, xilofone e mellotron. Entre as canções, figuram obras-primas como “Maybe I’m Amazed” e “Teddy Boy”, essa última recusada por sua antiga banda, que estamos agora a imaginar que nunca tenha existido. O álbum recebeu o singelo título McCartney.


No ano seguinte, Paul lança o excelente Ram, desta vez com uma banda de acompanhamento. Em 1972, com a entrada do ex-guitarrista do Moody Blues, Denny Laine, Paul cria a banda Wings, grava rapidamente o álbum Wild Life e pela primeira vez cai na estrada para uma maratona de shows.


O ano de 1973 consolida os Wings como uma das maiores bandas do mundo. Em um curto espaço de tempo, o grupo lança os álbuns Red Rose Speedway e Band on the Run, um dos melhores discos de toda a trajetória de Paul McCartney; além do single de grande sucesso “Live and Let Die”, incluído na trilha sonora de um filme do espião James Bond.


Mesmo com mudanças na formação, os Wings seguiram lançando grandes discos como Venus and Mars (1975); Wings at the Speed of Sound (1976); Wings Over America (triplo ao vivo, 1976) e London Town (1978).


O canto do cisne dos Wings acontece em 1979 com o álbum Back to the Egg, que traz canções marcantes como “Getting Closer” e duas músicas interpretadas por uma “rockestra” formada por membros das maiores bandas do mundo na época. No final daquele fatídico ano, quando os Wings chegavam ao Japão para uma série de dez shows, Paul McCartney foi preso no aeroporto portando 219 gramas de maconha e haxixe em sua bagagem. Os shows foram cancelados e a banda se dissolveu após o episódio.


Os anos oitenta iniciaram com Paul McCartney retornando a carreira solo. Exatamente uma década após o lançamento do álbum McCartney, Paul volta a gravar um disco sozinho, em que toca todos os instrumentos. O álbum McCartney II não agrada tanto quanto o de dez anos atrás, devido ao excesso de experimentalismo. A de se levar em conta que o disco a princípio nem tinha a pretensão de ser lançado. Mesmo assim, a faixa “Coming Up” se tornou um de seus maiores sucessos até hoje.


Nos próximos anos Paul McCartney lançou álbuns íntegros, mas não tão inspirados. Em Tug of War (1982) fez duetos com Carl Perkins e Stevie Wonder. Pipes of Piece (1983) marca as parcerias de Paul com o rei do pop Michael Jackson. Give My Regards to Broad Street (1984) é a trilha de seu filme homônimo, onde Paul apresenta novas músicas e revisita clássicos de sua carreira. O pop experimental de Press to Play (1986) também não foi bem digerido pelo público, e Paul somente reencontraria os louros de outrora três anos depois, com o ótimo Flowers in the Dirt. O sucesso das músicas “This One”, “My Brave Face” e “Figure Of Eight” impulsionou a turnê mundial Get Back World Tour, a primeira de Paul desde a separação dos Wings.


Em 1993 lança Off the Ground. O grande sucesso do disco é a faixa “Hope of Deliverance”, curiosamente uma canção que foge aos padrões “McCartianos”, onde ritmos latinos e violões flamenco se unem a uma letra inspirada em Bob Marley. A turnê New World Tour lotou estádios pelo mundo todo e foi registrada no álbum duplo Paul is Live (1994).



Paul McCartney surpreende o mundo em 1997 com o lançamento de Flaming Pie, um dos discos mais geniais e inspirados de toda a sua carreira. Dois anos depois, Paul dá uma guinada e volta às raízes. Monta uma banda com David Gilmour (Pink Floyd), Mick Green (Johnny Kidd & The Pirates) e Ian Paice (Deep Purple) e grava Run Devil Run, um álbum composto por clássicos do rock’n’roll e quatro composições inéditas. Com essa formação, Paul toca no lendário Cavern Club em Liverpool, sua terra natal.



Na última década Paul McCartney seguiu lançando grandes álbuns como Driving Rain (2001), Chaos and Creation in the Backyard (2005) e Memory Almost Full (2007); formou um duo eletrônico chamado The Firemen e lançou vários DVDs registrando suas bem sucedidas turnês mundiais e shows específicos, como na Praça Vermelha na Rússia ou em New York City.

Portanto, concluo que Paul McCartney é hoje o maior músico criador de harmonias e melodias que o rock já produziu, independente de ter sido integrante nos anos sessenta da maior banda da história, mesmo que esse período tenha sido o mais importante e criativo de sua extensa carreira.

A sua nova turnê, chamada Up and Coming Tour, está a todo vapor. Que chegue logo o domingo.


5 de nov de 2010

The Doors por The Doors, com Ben Fong-Torres

sexta-feira, novembro 05, 2010

Por Janary Damacena
Jornalista e Colecionador

Collector´s Room

“Pois não basta ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, assim como das maiores virtudes; e os que andam muito lentamente podem avançar muito mais se seguirem sempre o caminho reto, ao contrário dos que correm e dele se afastam” - René Descartes (1596 – 1650)


Segundo a teoria do filósofo René Descartes, a razão é igual em todos os homens, mas as “verdades” que eles absorvem - religião, cultura, sexo, dentre outras - fazem com que eles se tornem diferentes. Em seu livro Discurso do Método, Descartes elabora uma cartilha para que qualquer homem em qualquer época pudesse chegar à razão. Ao ler o discurso, instantaneamente pensei em Jim Morrison e o achei ideal para abrir a resenha de um livro excitante, furioso e sincero!

Menos que isso não é possível descrever o livro The Doors por The Doors com Ben Fong-Torres. A organização de entrevistas da época, com depoimentos atuais intercalados com comentários do jornalista, captura de maneira apaixonada o impacto dos Doors sobre os jovens na segunda metade dos anos sessenta.


O trabalho é cuidadoso e detalhado, com fotos clássicas, além de imagens de arquivos pessoais da própria banda e amigos. Não é de se admirar que, durante a leitura, seja possível sentir uma canção inexistente com a doce rebeldia de Jim Morrison, sustentada e ampliada pela criatividade conjunta dos amigos Robby, John e Ray, que transformaram aquilo tudo em pura energia. Em certos relatos, a maneira direta e profunda do estilo narrativo nos faz crer, por alguns instantes, que estamos presenciando uma apresentação ao vivo.

Robby: “Morrison era um dos poucos, se não o único artista que conheci, que de fato acreditava no que estava dizendo. Ele vivia aquele tipo de vida. Não fazia suas loucuras no palco e depois ia para casa assistir à TV, beber cerveja e rir de tudo aquilo, rir enquanto se dirigia ao banco. Ele era um cara que vivia aquela vida do palco o tempo todo. Quando ia pra casa, que era algum quarto de motel barato em m lugar qualquer, ficava lá esperando pelo próximo show”.

John: “Nosso relacionamento com a plateia era uma experiência religiosa. Nos primeiros shows no Fillmore, em Nova York, algumas vezes chegava a ser assustador. Jim chegava a se machucar – não porque o público estava atacando ou algo assim, mas a coisa ficava tão intensa que nos perguntávamos se algo estranho poderia ocorrer, pois Jim era muito intenso”.

O livro apresenta momentos íntimos do grupo sob várias perspectivas, ilustrados por visões de amigos da banda, roadies, família e pessoas que trabalhavam com os Doors. Em muitos pontos existem divergências de opiniões sobre o que se passava com os rapazes, uma vez que o livro faz um apanhado histórico desde que os quatro se conheceram até décadas depois da morte de Jim. De certa forma, a publicação abrange todos os pontos e principais fatos ocorridos com a banda. A relação com o público, composições, drogas, rebeldia, revolução. Tudo está ,de alguma forma, nas páginas da obra.


Ben Fong-Torres com Paul McCartney

Ray: “Acho que era por isso que as pessoas nos criticavam. Éramos revolucionários. Uma banda de rock revolucionária. E a única mensagem que os Doors pregavam era a liberdade. Aí estava a ironia de tudo. Apenas liberdade. Direitos humanos individuais”.

Uma verdadeira imersão na cronologia da banda não apenas com o famoso Jim Morrison, mas como um grupo que serviria de guia até uma espécie de despertar político, artístico e musical para toda uma geração. Eles não tinham apenas interesse de se lançar com melodias fáceis e sem profundidade, era preciso apresentar a liberdade.

Jim: “Um show do Doors é um encontro público convocado por nós para uma espécie de discussão e entretenimento dramáticos. Quando nos apresentamos, estamos participando da criação de um mundo e celebramos isso com o público. Torna-se uma escultura de corpos em movimento. Isso é política, mas nossa força é sexual. Fazemos dos shows política sexual. O sexo começa comigo e vai se alastrando pelo círculo encantado formado pelos músicos no palco, depois nossa música vai incluindo a plateia e com ela interage. As pessoas vão para casa e interagem com o resto da realidade, e eu recebo tudo de volta ao interagir com aquela realidade...

Era como alimentar mentes em um tempo onde a música tinha poder para modificar as relações sociais e poetas, músicos e artistas não eram celebridades, mas verdadeiros líderes de uma época. No fim do livro há uma citação do guitarrista Dave Navarro, em que é possível resumir muito do sentimento sobre a banda: “Há um espírito na música dos Doors. Depois que entra em você, ele não sai mais e afeta tudo aquilo que você faz”.

Cultura de uma forma ampla, sem limites e para todos. Talvez fosse isso que os Doors queriam transmitir.

Em tempo: O autor é um famoso jornalista norte-americano que começou a carreira na célebre revista Rolling Stone em 1968, onde teve contato direto com dezenas de bandas e artistas.


4 de nov de 2010

Queensrÿche lança versão comemorativa do álbum Empire

quinta-feira, novembro 04, 2010

Por João Renato Alves

Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Sai no próximo dia 9 de novembro, via Capitol/EMI Records, a edição de vinte anos de Empire, disco triplo-platinado dos americanos do Queensrÿche. A nova versão trará o álbum original remasterizado e com suas B-sides, além de um CD bônus com dez faixas ao vivo, registradas durante uma apresentação em Londres, no Hammersmith Odeon, no ano de lançamento do trabalho, 1990. O pacote ainda trará pôster, cinco postcards e um encarte com fotos inéditas, retiradas dos arquivos pessoais da banda.


Empire emplacou seis de suas onze faixas nas paradas de sucesso, atingindo o número 7 no chart da Billboard. A balada “Silent Lucidity” teve seu videoclipe premiado na categoria "Escolha da Audiência" no MTV Video Music Awards de 1991.

O tracklist da nova edição de Empire é o seguinte:

CD 1 (original CD remastered with bonus tracks from 2003 reissue):

1. Best I Can
2. The Thin Line
3. Jet City Woman
4. Della Brown
5. Another Rainy Night (Without You)
6. Empire
7. Resistance
8. Silent Lucidity
9. Hand On Heart
10. One And Only
11. Anybody Listening?

Bonus tracks:

12. Last Time In Paris
13. Scarborough Fair
14. Dirty Lil Secret

CD 2 (live tracks recorded at the Hammersmith Odeon, London on November 15, 1990):

1. Resistance
2. Walk In The Shadows
3. Best I Can
4. The Thin Line
5. Jet City Woman
6. Empire
7. Roads To Madness
8. Take Hold Of The Flame
9. Silent Lucidity
10. Hand On Heart

Ross The Boss - Hailstorm (2010)

quinta-feira, novembro 04, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***

Desde que iniciou o grupo que leva seu nome, Ross The Boss deixou bem clara sua proposta: resgatar a sonoridade de seus gloriosos tempos junto ao Manowar. Após a mediana estreia com New Metal Leader, o guitarrista retorna com Hailstorm. A sonoridade é a esperada, true metal até o talo! Quem sente saudades dos trabalhos mais antigos de Joey De Maio e companhia pode encontrar um ótimo antídoto aqui. Por outro lado, não espere uma identidade própria da banda, o negócio é homenagear o passado do “chefe” na cara dura.


Após a típica intro climática, surge “Kingdom Arise”, bem na linha da clássica “Sign of the Hammer”. Em uma linha mais melódica, “Dead Man’s Curse” tem um fraseado de guitarra facilmente decorável em sua execução. Dá até para imaginar a plateia acompanhando com a voz. A faixa-título é a melhor do disco, com uma rifferama violenta e andamento acelerado. Clichê metálico total, mas ainda assim empolgante para os headbangers mais fiéis à tradição do gênero. “Burn Alive” e sua pegada mais rock remete ao clássico Battle Hymns. A arrastada “Crom” conta com soberba performance instrumental em seu estilo quase doom.

A excelente “Behold the Kingdom” é mais um destaque, com sua cadência chegando a lembrar Judas Priest. Eis que começa “Children of the Grave” ... ops, é “Great Gods Glorious”, instrumental simples e direta, com aquele clima épico. A estreia do Manowar – que está sendo regravada pela banda atualmente – volta a ser referência em “Shining Path”, enquanto “Among the Ruins” é uma balada que começa apenas com voz e piano e vai crescendo aos poucos. Para encerrar o tracklist normal, a mais longa de todas, “Empire’s Anthem”, mas pode chamar de “Battle Hymns” que ela não fica brava. O dedilhado lento no início, a levada em formato de marcha de guerra, tudo remete ao grande hino. Dá até para arriscar misturar a letra em vários momentos.

A edição limitada em digipack ainda traz a bônus “Vindicator”. Pesada e com bons riffs, poderia ter entrado na versão convencional.

Quem espera ouvir algo novo ou, no mínimo, de personalidade própria da banda, vai se decepcionar na certa. Mas apesar de ser uma cópia na cara dura, o álbum se sustenta por ser muito bem feito. Não é o trabalho do ano, nem vai entrar na lista de prioridades de ninguém, exceto os fanáticos que colecionam tudo ligado aos ex-membros do grupo de Eric Adams. Mas se deixa curtir sem maiores obstáculos.


1. I.A.G.
2. Kingdom Arise

3. Dead Man's Curse
4. Hailstorm
5. Burn Alive
6. Crom
7. Behold The Kingdom
8. Great Gods Glorious
9. Shining Path
10. Among The Ruins
11. Empire´s Anthem
12. Vindicator (Limited Edition Digipack Bonus Track)

3 de nov de 2010

Despised Icon - Day of Mourning (2009)

quarta-feira, novembro 03, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room


Cotação: ***1/2


Day of Mourning, quarto trabalho dos canadenses do Despised Icon, não é um disco de fácil assimilação. Lançado originalmente em 22 de setembro de 2009 e chegando agora no mercado brasileiro via Shinigami Records, sucede Consumed by Your Poison (2002), The Healing Process (2005) e The Ills of Modern Man (2007), álbuns que construíram a reputação dos caras como um dos grupos mais interessantes daquilo que se convencionou chamar de deathcore.


O sexteto formado por Alex Erian (vocal), Steve Marois (vocal), Eric Jarrin (guitarra), Ben Landreville (guitarra), Max Lavelle (baixo) e Alex Pelletier (bateria) possui uma sonoridade bem definida, marcada por doses cavalares de peso e agressividade e frequentes mudanças de andamento. Influências de thrash e black metal são facilmente perceptíveis, fazendo com que o som do Despised Icon soe como uma mistura extremamente atual de alguns dos gêneros mais extremos da música pesada. O ataque de vocal duplo faz com que certas passagens chegem a lembrar o Behemoth, mas sem o aspecto histórico e geográfico da música dos poloneses.

A pesadíssima “Les Temps Changent” abre o disco com boas melodias entremeadas por blast beats – ao lado de “Entre le Bien et le Mal”, é a única cantada em francês, um dos idiomais oficiais do Canadá, ao lado da língua inglesa.

A faixa-título é uma pancadaria com passagens thrash e death, com trechos feitos sob medida para o banging intenso! “MVP” tem blast beats insanos intercalados com momentos mais cadenciados, além de infinitas mudanças de andamento que chegam a tontear o ouvinte – essas mudanças soam desnecessárias em vários momentos da faixa.

Percebe-se que Alex Pelletier é um baterista excepcional, que leva sua onipresente bateria supersônica aos limites mais extremos do metal. Passagens criativas de guitarra permeiam “All for Nothing”, enquanto “Eulogy” é uma das melhores do CD, com riffs jorrando feito cachoeiras. “Made of Glass” é um black metal moderno com pegada thrash. Já “Diva of Disgust” traz riffs certeiros casados com bumbos duplos, uma faixa muito interessante com vocais extremamente agressivos.

O disco fecha com uma de suas melhores composições, “Sleepless”, uma faixa sombria, bem atmosférica e climática, que chega a lembrar Burzum em alguns momentos, principalmente por causa dos vocais doentios.

Day of Mourning é um disco intenso, dono de uma agressividade super produzida que passeia com absoluta normalidade entre o death, o black e o thrash metal, resultando em um som original e de personalidade própria. Se você curte metal extremo, vale a audição.


Faixas:
1 Les temps changent 3:28
2 Day of Mourning 3:02
3 MVP 3:26
4 All for Nothing 3:15
5 Eulogy 3:29
6 Made of Glass 3:17
7 Black Lungs 3:02
8 Diva of Disgust 3:26
9 Entre le bien et le mal 3:58
10 Sleepless 4:48


Miles Davis na capa da nova edição da poeira Zine!

quarta-feira, novembro 03, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room


Mestre Bento Araújo surpreendendo mais uma vez! Acabo de receber um e-mail com a capa da nova edição da poeira Zine - na minha opinião a melhor revista de música do Brasil -, e quem estampa a edição #33 da pZ é ninguém menos que Miles Davis, um dos meus maiores ídolos e um dos grandes gênios da história da música!


Com uma capa pra lá de psicodélica, essa nova edição é quase um especial sobre o jazz-fusion, e traz uma extensa matéria sobre os quarenta anos do seminal Bitches Brew, lançado por Miles em 1970 e considerado uma espécie de marco zero do estilo. Além disso, marcam presença na revista Frank Zappa e seu Hot Rats, a Mahavishnu Orchestra de John McLaughlin, o Weather Report de Joe Zawinul, um especial sobre o álbum Head Hunters de Herbie Hancock, a fase fusion de Jeff Beck, o Return to Forever de Chick Corea e Stanley Clarke, uma análise profunda do álbum Spectrum de Billy Cobham e uma passada pela cena jazz-fusion aqui no Brasil.

Como não poderia faltar, Bento lista também os álbuns essenciais do estilo, indicando trabalhos de nomes como Dixie Dregs, Gong, Steely Dan, Nucleous, Sun Ra, Patto, Soft Machine e inúmeros outros.

Além disso, a nova edição da pZ traz mais uma colaboração do editor da Collector´s Room. Ricardo Seelig escreveu sobre a banda alemã Twenty Sixty Six and Then, contando tudo sobre o único disco lançado pelos caras, o ótimo Reflections on the Future, de 1972.

Para comprar a poeira Zine e adentrar o mundo do jazz-fusion é só clicar aqui e aproveitar essa maravilhosa viagem pelo mundo da música!


Coleção Grande Discoteca Brasileira do Estadão e Zero Hora

quarta-feira, novembro 03, 2010

Por Tiago Rolim

Colecionador
Collector´s Room

Finalmente! Depois de anos sendo bombardeados com livros de receitas, DVD’s de filmes a muito já gastos pelo tempo, de filmes clássicos, ruins e de coleções de CD’s de música clássica repetidos de tempos em tempos, parece que os jornais e as gravadoras acordaram para o óbvio: música boa sempre vende, então porque não colocá-la a um preço justo e com bom acabamento gráfico e vender em bancas de revistas?


Depois de abrir as porteiras com a maravilhosa coleção de Chico Buarque lançada pela Editora Abril, eis que chega às bancas mais uma coleção de CD’s imperdível para os amantes da boa música, independente de rótulos ou preconceitos, a Grande Discoteca Brasileira lançada pelos jornais Estadão e Zero Hora.

São CDs semanais seguindo os mesmos moldes da coleção dedicada a Chico Buarque, só que, em vez de abordar um artista em particular, esta abre o leque e coloca na mesma fornada Novos Baianos, Zé Ramalho, Gilberto Gil, Alceu Valença, Cazuza, Paulinho da Viola e Blitz!

À primeira vista pode parecer que estão atirando em todas as direções para vender o máximo possível para diferentes públicos, mas se olharmos com mais afinco poderemos notar que ela segue uma linha evolutiva da música jovem no Brasil durante as décadas de 1960, 1970 e 1980. Aqui já pode ser feita a primeira crítica: porque excluir a década de 1990? Clássicos existem e em abundância. Talvez seja abordada em uma segunda fornada - assim espero.

Como disse, a série aborda as décadas onde a efervescência cultura jovem no Brasil estava em alta, motivada por questões políticas decorrentes da ditadura e de seus problemas correlatos. E já começa bem com o disco manifesto Trópicalia ou Panis et Circences (1968), um marco do novo jeito de se fazer música jovem no Brasil, deturpando a Jovem Guarda e a fazendo copular com ritmos tipicamente nacionais, como o forró e a seresta, além de tudo mais que surgisse na cabeça do maestro Rogério Duprat, o verdadeiro arquiteto sonora desta molecada que tinha como cabeças Gilberto Gil e Caetano Veloso.

E por aí vai a coleção, que tem ainda discos solo dos citados Gilberto Gil e Caetano Veloso como destaques, assim como o inigualável Clube da Esquina, Selvagem d'Os Paralamas do Sucesso e a maravilhosa estreia de Zé Ramalho, de 1978.

Mas seria injustiça não salientar que entre estes discos estão pelo menos três que são obras-primas que devem ser adquiridas a todo custo. São elas: Acabou Chorare (1972) dos Novos Baianos,
Fruto Proibido (1975) de Rita Lee e seu grupo pós Mutantes Tutti Frutti, e Secos & Molhados, de 1973.

Bem, toda iniciativa que privilegie a cultura nacional deve ser louvada, mas isso não a isenta de críticas. A forma como isso foi feito deve ser criticada sim, para que em futuros lançamentos se
sanem os mínimos detalhes negativos. Como, por exemplo, a embalagem do disco vir separada do livro. Isso dificulta sobremaneira o armazenamento da coleção, que diferentemente da de Chico Buarque não vai ter uma caixa para acomodar os discos. Um outro ponto negativo é o álbum que ilustra a obra de Chico Buarque ter sido lançado duas semanas depois do mesmo título pela coleção do próprio Chico lançada pela Abril. Poderia ter sido lançado outro disco do próprio Chico ou até mesmo de outro artista.

Mesmo com esses pontos negativos, esta é mais uma coleção que desde já se torna imperdível, pois alguns dos itens que estão incluídos nela se encontram fora de catálogo, como o já citado Fruto Proibido, Cavalo de Pau de Alceu Valença e Pérola Negra, a brilhante estreia de Luiz Melodia.

Confira abaixo a lista completa com os 25 títulos da coleção Grande Discoteca Brasileira:

Vários - Tropicália ou Panis et Circenses (1968)
Chico Buarque - Meus Caros Amigos (1976)
Cazuza - Ideologia (1988)
Milton Nascimento & Lô Borges - Clube da Esquina (1972)
Caetano Veloso - Cinema Transcendental (1979)
Os Novos Baianos - Acabou Chorare (1972)
Secos & Molhados - Secos & Molhados (1973)
Titãs - Cabeça Dinossauro (1986)
Jorge Ben - A Tábua de Esmeralda (1974)
Rita Lee & Tutti Frutti - Fruto Proibido (1975)
Gilberto Gil - Expresso 2222 (1972)
Lulu Santos - Tudo Azul (1984)
Os Mutantes - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970)
Elis Regina - Falso Brilhante (1976)
Luiz Melodia - Pérola Negra (1973)
Djavan - A Voz, O Violão, A Música (1976)
Blitz - As Aventuras da Blitz (1982)
Gonzaguinha - Gonzaguinha da Vida (1979)
Os Paralamas do Sucesso - Selvagem? (1986)
Paulinho da Viola - A Dança da Solidão (1972)
Ivan Lins - Somos Todos Iguais Nesta Noite (1977)
João Bosco - Caça à Raposa (1975)
Alceu Valença - Cavalo de Pau (1982)
Gal Costa - Cantar (1974)
Zé Ramalho - Zé Ramalho (1978)

31 de out de 2010

A piada do ano: Kleiton e Kledir abrirão o show de Paul McCartney em Porto Alegre!

domingo, outubro 31, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Depois de uma semana cheia, fiz algo que quase nunca faço: o cansaço era tanto que simplesmente apaguei e caí no sono sábado a tarde. Ao acordar, lá pelas 15 horas, acessei o Twitter para ver o que estava acontecendo no mundo e li uma notícia absolutamente senil: após dias de especulação, havia sido anunciado quem abriria o concorridíssimo show de Paul McCartney em Porto Alegre, no próximo sábado, dia 7 de novembro, e, para minha surpresa, os escolhidos haviam sido Kleiton e Kledir. Pensei que continuava dormindo e estava tendo um pesadelo, mas era a mais pura verdade.


Depois dos preços totalmente fora de órbita anunciados pela EMI para o relançamento em vinil da discografia da Legião Urbana, pensei, em minha vã inocência, que seria impossível ouvir uma notícia mais sem sentido em 2010, mas me enganei feio. Kleiton e Kledir são dois irmãos que tem uma carreira que já dura quase quarenta anos, e em todo esse tempo o máximo que conseguiram foi cometer a chatíssima "Deu Pra Ti", considerada pelos porto-alegrenses - ao lado de outras canções - uma espécie de hino paralelo da cidade. Irmãos do genil Vitor Ramil, jamais ostentaram uma fagulha do enorme talento de seu irmão caçula, um dos músicos mais originais do Brasil. E mais: o ostracismo é tanto que a dupla estava semi-aposentada, e agora ressurge abriindo o show de um Beatle.

Antes que me crucifiquem, uma informação importante: eu também sou gaúcho. Mas, ao contrário dos meus conterrâneos, um povo naturalmente arrogante e bairrista, sei que existe muita vida fora do Rio Grande do Sul e nunca endeusei bobagens que são idolatradas no RS, nomes como o péssimo Nenhum de Nós e o supervalorizado Engenheiros do Hawaii.

É claro que, como em qualquer região, no estado também existe uma variadade fauna de ídolos locais, alimentada principalmente pela principal rede de rádio do RS - e de Santa Catarina -, a Atlântida, do grupo RBS, afiliado da Rede Globo. Com emissoras em todo o estado e cobrindo todo o seu território - em SC acontece a mesma coisa -, a Atlântida mantém viva a cena musical do RS, notadamente através do festival Planeta Atlântida, um dos maiores do país, com edições anuais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Entre esses ídolos há grupos terrivelmente meia-bocas como Tequila Baby, Fresno e Comunidade Nin-Jitsu, que convivem com artistas de inegável qualidade como Nei Lisboa e a rica cena rock contemporânea de nomes como Pata de Elefante, Locomotores e afins.

Dito isso, a pergunta: o que leva alguém em sã consciência a pensar que a escolha de Kleiton e Kledir é a mais adequada para abrir um show do porte do de Paul McCartney? Se era para valorizar um ícone local, a escolha óbvia seria Nei Lisboa, uma espécie de Bob Dylan dos pampas, dono de uma discografia pra lá de interessante. Se era para escolher uma banda de rock, o nome era a Cachorro Grande, um dos principais grupos do Brasil e assumidamente influenciados - além de declaradamente fãs - dos Beatles. Mas Kleiton e Kledir?!?!?

Em seus melhores momentos, a carreira da dupla foi meramente irrelevante, recheada de composições insossas e constrangedoras que aquela sua tia solteirona adorava cantar quando bebia demais - " ... depois do terceiro ou quarto copo, tudo que vier eu topo, tudo que vier vem bem ...". Kleiton e Kledir não tem relevância artística, importância comercial e muito menos similaridade estilística com Paul McCartney para abrir seu show. Essa escolha é totalmente ridícula, equivocada, patética e sem sentido, digna de quem não entende nada de música e acha que teve uma grande ideia, uma sacada sensacional, quando na verdade está é dando um tremendo tiro no pé!

O show de Paul vai ser inesquecível, afinal estamos falando de um dos maiores artistas da história da música, mas bem que o meu querido Rio Grande do Sul poderia passar sem essa piada sem graça e de mau gosto ...

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