19 de nov de 2010

Zeca Baleiro - Trilhas (2010)

sexta-feira, novembro 19, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****

Deve ser legal bater um papo com Zeca Baleiro, falar sobre música e saciar a sede de informação com palavras e boas cervejas geladas. Um dos artistas mais originais do Brasil, o maranhense é dono de uma carreira sólida, repleta de bons discos e composições consistentes. Trilhas, lançado simultaneamente com o ao vivo Concerto, é uma compilação de canções para filmes e espetáculos, e mantém a qualidade do trabalho do compositor lá em cima.

O play abre com “Carmo”, bonita canção com ótima letra, onde Zeca soa como um Bob Dylan do sertão. A bela “Cunhataiporã” - a única do disco não composta por Baleiro, já que é de autoria de Geraldo Espíndola – é excelente, e conta com uma letra especial para quem mora na região sul do Brasil, principalmente no estado do Paraná.

A divertidíssima “Turbinada” tem uma letra tipicamente “baleira”, onde Zeca critica com ironia afiadíssima as mulheres plastificadas que surgem como enxames em todos os cantos do país, repletas de peitos, lábios, bundas e corpos falsos.

O delicioso e melancólico “Xote do Edifício” segue o desfile desinibido pelos diversos gêneros da música brasileira. “Roxinha”, com os vocais de Rosi Campos, é mais um grande momento, assim como “Samba do Balacobaco”, onde Zeca joga com os clichês do estilo.

“Nome de Amor” brinca com os nomes impossíveis que brotam Brasil afora – como Josuílma, Ismaélcio e Rosimundo -, e tem como brilho adicional um berimbau cheio de efeito. O disco conta ainda com quatro faixas instrumentais - “Dez Passos”, a melancolia serena de “Baile dos Anões”, “Flores para os Mortos (Opus 3)” e a contemplativa “Três de Espadas”.

Trilhas possui o mérito extra de reunir em um mesmo álbum faixas que estavam dispersas em diversos outros registros, e o resultado final é um excelente disco, dono de uma beleza instrumental inebriante.

Para comprar esse e outros itens, mande um e-mail para a Saravá Discos.


Faixas:
1.Carmo
2.Cunhataiporã
3.Turbinada
4.Xote do Edifício
5.Dez Passos
6.Roxinha
7.Baile dos Anões
8.Quem Não Samba Chora
9.Flores para os Mortos (Opus 3)
10.Samba do Balacobaco
11.Nome de Amor
12.Três de Espadas

Mortemia - Misere Mortem (2010)

sexta-feira, novembro 19, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

Novo projeto do Morten Veland, cérebro por trás da melhor fase da carreira do Tristania – e também do Sirenia -, o Mortemia chega ao mercado com Misere Mortem, seu primeiro disco. Composto, arranjado, produzido e totalmente tocado por Veland, o álbum é um trabalho carregado de elementos góticos, denso e soturno, um disco diferente e, provavelmente, único naquilo que se propõe.

O álbum pode ser dividido em duas partes distintas. As primeiras quatro faixas são mais elaboradas e gradiloquentes, e nelas a guitarra divide o protagonismo com o teclado, sem perder uma única grama de peso.

“The One I Once Was” abre o disco com orquestrações e coros gregorianos, e soa como se monges beneditinos resolvessem cantar heavy metal. Os vocais guturais de Morten se contrapõe a esses mesmos coros em “The Pain Infernal and the Fall Eternal”, enquanto “The Eye of the Storm”, a melhor do álbum, lembra bastante o Dimmu Borgir dos trabalhos mais recentes e conta com ótimos vocais e bons solos de guitarra.

A partir da quinta faixa o disco fica mais direto, com composições ligeiramente mais simples que as anteriores. “The Wheel of Fire” é a mais agressiva do álbum, enquanto “The Chains That Wield My Mind” possui solos e melodias de guitarra muito interessantes. As composições vão nessa linha, inserindo inclusive tímidas características de metal tradicional em algumas passagens. O trabalho encerra com “The Candle at the Tunnel´s End”, com vocais pertubardores e cheios de efeito.

Uma curiosidade: assim com In Sorte Diaboli, lançado pelo Dimmu Borgir em 2007, todas as faixas de Misere Mortem começam com “the”.

Misere Mortem é um bom disco, um CD muito interessante repleto de composições que esbanjam bom gosto, uma obra bastante pessoal de um dos mais influentes músicos e compositores do metal contemporâneo.

Se você acha que a união do heavy metal com o gótico não funciona sem a presença de vocais femininos, ouça e reveja seus conceitos.


Faixas:
1 The One I Once Was
2 The Pain Infernal and the Fall Eternal
3 The Eye of the Storm
4 The Malice of Life's Cruel Ways
5 The Wheel of Fire
6 The Chains That Wield My Mind
7 The New Desire
8 The Vile Bringer of Self Destructive Thoughts
9 The Candle at the Tunnel's End

18 de nov de 2010

Dio - Dio at Donington UK: Live 1983 & 1987 (2010)

quinta-feira, novembro 18, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****1/2

O primeiro lançamento da Niji Entertainment Group, nova companhia de Wendy Dio, não poderia ser melhor para os fãs. As apresentações de Ronnie nas edições do Castle Donington Monsters of Rock de 1983 e 1987 já eram pra lá de conhecidas de colecionadores de bootlegs mundo afora, mas nunca haviam tido esse tratamento, especialmente na parte gráfica, vindo com um encarte cheio de fotos e com uma caixa em formato digipack que faz valer o investimento. Só recomendo que dêem uma pesquisada antes de adquirir, pois vi edições importadas em um preço bem acessível. Dependendo de quanto será cobrada a versão nacional, nem pense duas vezes. Infelizmente, a qualidade do produto brazuca ainda é bem inferior na maioria esmagadora dos casos.

O primeiro CD do pacote traz Dio em sua primeira apresentação em território britânico. Contando com o lendário (e mala, que hoje cospe no prato que comeu a qualquer oportunidade) Vivian Campbell na guitarra, o grupo mescla o material do recém-lançado Holy Diver com clássicos do Black Sabbath e do Rainbow. Uma pena que os hinos “Stargazer” e “Starstruck” tenham sido limitados a poucos segundos. Mas é compreensível, já que por se tratar de um festival o tempo era rigorosamente cronometrado para todas as atrações – ainda mais se conhecendo a decantada pontualidade inglesa. Com um setlist indefectível e uma banda em busca da confirmação de seu valor, o show não é menos que fantástico, com um desfile de hinos do heavy metal.


A segunda bolachinha é de quatro anos mais tarde, já com Craig Goldy no lugar de Campbell. Na edição mais polêmica do Monsters, com um cast 100% composto por bandas norte-americanas, Ronnie e seus asseclas divulgavam o quarto trabalho de estúdio, o já não tão unânime Dream Evil. Apesar do setlist ser bem mais abrangente, esse show fica um degrau abaixo no contexto histórico, o que não significa que seja ruim, muito pelo contrário. Nem a atropelada feia no início da letra de “Neon Knights” (além das invencionices desnecessárias de Craig no clássico solo de Tony Iommi) tira o brilho do desempenho de Dio, que ainda traz sons do álbum em divulgação naquele momento que não seriam mais executadas em turnês posteriores.

Essa é a primeira de muitas surpresas que se anunciam para o futuro, e já vale a pena, até mesmo para quem possui as versões piratas, pois o acréscimo geral é considerável. Como valor sentimental, então, é inestimável. Se até os seus últimos dias o baixinho conservava sua voz mágica, imaginem nessa época. A grande diferença do CD 1 para o CD 2 está mesmo nas seis cordas. Por mais que tenha pisado na bola em algumas declarações nos últimos anos, não dá para negar que Vivian Campbell dá de dez a zero em Craig Goldy.


Faixas:

CD1: 1983
1 Stand Up and Shout
2 Straight Through the Heart
3 Children of the Sea
4 Rainbow in the Dark
5 Holy Diver
6 Drum Solo
7 Stargazer
8 Guitar Solo
9 Heaven and Hell
10 Man on the Silver Mountain
11 Starstruck
12 Man on the Silver Mountain (Reprise)

CD2: 1987
1 Dream Evil
2 Neon Knights
3 Naked in the Rain
4 Rock and Roll Children
5 Long Live Rock 'n' Roll
6 The Last in Line
7 Children of the Sea
8 Holy Diver
9 Heaven and Hell
10 Man on the Silver Mountain
11 All the Fools Sailed Away
12 The Last in Line (Reprise)
13 Rainbow in the Dark

Jörg Michael, baterista do Stratovarius, diagnosticado com câncer!

quinta-feira, novembro 18, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

O tecladista Jens Johansson emitiu o seguinte comunicado:

"Queridos fãs do Stratovarius, temos notícias terríveis. Nosso amigo e baterista Jörg Michael tem câncer. Ele recentemente descobriu um caroço no pescoço, foi ao médico e eles decidiram operar. Foi descoberto um neoplasma tiroidal maligno. Toda sua tireóide foi retirada para que as chances de o tratamento dar certo sejam maiores. Ele terá que passar por sessões de radioterapia.

Ele é um lutador. Conversamos e está claro que não entregará os pontos. Ele e a equipe de médicos alemães estão prontos para mandar ver. Não gostaria de ser uma célula desse câncer, pode acreditar. Nós - banda e família - descobrimos isso apenas semana passada, após a cirurgia. Naturalmente, estamos passando por muitas emoções. Tristeza, preocupação, choque, confusão, raiva.

Quanto ao Stratovarius, vocês sabem que há uma longa tour com o Helloween chegando. Jörg não poderá nos acompanhar, ao menos na primeira parte. Mas ele deixou bem claro que não quer que cancelemos uma apresentação sequer. Isso me fez sentir melhor sobre pegar a estrada na semana que vem. Inicialmente, ele sugeriu meu irmão Anders, que infelizmente estará muito ocupado com gravações daquela banda indie chamada Hammerfall. :o)

Após muita procura, encontramos um cara que está livre e pode fazer o trabalho. Se chama Alex Landenburg. Ele toca bem, é um cara legal segundo Jörg (muito importante!) e começou a aprender o set antes mesmo de ser confirmado, o que mostra sua dedicação. Procurem mais informações sobre ele no Google.

Jörg quer voltar à estrada assim que for possível, mas não prometeremos nada. Isso está acima dele e dos médicos. Tentaremos continuar lhes informando. De qualquer modo, o mais importante é que eles acham que conseguiram tirar tudo que havia de ruim.
"

Leia o comunicado completo no Blabbermouth.

17 de nov de 2010

Minha Coleção: Fabiano Negri, vocalista do Rei Lagarto, mostra o seu acervo para a Collector´s!

quarta-feira, novembro 17, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Olá Fabiano. Como você conheceu a Collector´s Room?

Olá Ricardo! Conheci através das matérias no Whiplash.

De onde você é e o que você faz?

Sou de Campinas, e sou músico.

Quando começou a se interessar por música?

Bem cedo. Quando tinha seis anos descobri a música de uma forma bem vergonhosa: fiquei fissurado em “Menina Veneno” do Ritchie (risos). Depois veio o Michael Jackson. Fui pego pela “Jackson mania” dos anos oitenta, sabia cantar o Thriller (gostaria de voltar no tempo para saber o “inglês” que eu falava na época!) de cabo a rabo. Até hoje adoro! O bicho pegou mesmo no primeiro Rock in Rio. Ali eu vi o que eu realmente gostava. Queen, Iron Maiden e Ozzy Osbourne. O Ozzy se tornou meu grande ídolo, e é até hoje.


Quantos discos você tem?

Por volta de 2.000.

O forte da sua coleção são os itens do Black Sabbath e de Ozzy Osbourne. O que o atrai na banda?

Eu gosto do “talento rústico” do grupo. Principalmente na fase Ozzy as coisas eram muito espontâneas, sem rótulos, surpreendentes. O Sabbath, pra mim, é a banda mais original de todos os tempos. Não são os melhores músicos do mundo, mas têm aquele algo mais que me faz descobrir coisas novas a cada audição.

Quantos itens do Black Sabbath e do Ozzy você possui?

Possuo tudo que foi lançando oficialmente em quase todas as edições, mais bootlegs e DVDs. Não fiz as contas, mas devo ter umas 200 peças, fora o que tenho baixado. Sou frequentador assíduo de fóruns de bootlegs na rede. Tudo o que você pode imaginar de boots do grupo eu tenho baixado e catalogado, e todo o dia eu dou uma olhada pra ver se encontro algo novo.


Quais são, pra você, o melhor disco do Black Sabbath e de Ozzy Osbourne?

Do Black Sabbath o Sabbath Bloody Sabbath (pra mim o melhor disco de todos os tempos). Do Ozzy, o No More Tears.

Não sei se funciona assim pra você, mas pra mim o Black Sabbath com Ozzy é uma banda muito diferente daquele que surgiu com a entrada de Ronnie James Dio em 1980. Com Ozzy o som era mais espontâneo, enquanto com Dio ficou mais técnico e épico. As duas fases são excelentes, sem dúvida, mas quais são, pra você, as principais qualidades de cada um desses períodos da carreida do Sabbath?

Na fase Ozzy, a criatividade da banda. Acho que eles estavam numa sintonia muito profunda. A cozinha pesada, os riffs mágicos de Tony Iommi e um dos vocalistas mais originais de todos os tempos. Podem falar que o Ozzy não tem técnica – concordo. Mas as melodias (principalmente a partir do Vol 4) e a voz única não podem ser deixadas de lado. Ele era o vocalista perfeito para o Sabbath nessa época. Todos os discos, sem exceção, são espetaculares e diferentes entre si. Essa é a melhor banda que eu já ouvi na vida! Observação: não considero o Black Sabbath dessa época como uma banda de heavy metal. Era uma mistura muito grande para ser chamado de metal.

Em relação à fase Dio, essa sim era uma banda de metal - a melhor banda de heavy metal de todos os tempos! O som ficou mais linear e pesado, as letras ganharam um aspecto mais místico e fantasioso, e tínhamos a voz fabulosa de Ronnie Dio. Nada pode ser mais pesado do que isso! Vi a banda quatro vezes ao vivo (duas em 1992 e duas em 2009). Posso resumir as apresentações com um simples “dá medo”!

Pra falar a verdade, eu acho um absurdo quem gosta de uma fase e não gosta da outra. As duas trazem bandas bem diferentes, com propostas distintas de som, mas tudo com o mais alto gabarito. Basta ter a mente aberta e botar o som no talo!



Você tem alguma mania em relação à sua coleção, ao modo como guarda e organiza os seus discos?

Procuro deixá-los sempre na ordem alfabética de bandas e cronológica dos lançamentos, e num lugar onde só eu possa colocar a mão (risos)!

Que coleção você conheceu, aqui na Collector´s ou em suas andanças, que te fez ficar babando de inveja?

Sem dúvida a do Kid Vinil. Esse cara tem tudo! É uma lenda em se tratando de coleções e conhecimento sobre música!

Qual o item mais raro da sua coleção?

Acho que hoje nada é mais tão raro como era nos anos oitenta. Tenho alguns itens autografados que são mais importantes pra mim. Levei alguns álbuns do Deep Purple quando tive a oportunidade de conhecê-los em 2009, e meu No More Tears tem autógrafo do Zakk Wylde. Tenho alguns boots do Sabbath em edições bem rústicas, como o Masses in Wichita e o Love in Chicago. Também tenho muito apreço pelo vinil do Songs in the Key of Life do Stevie Wonder, em edição importada, que vem com um compacto que tem os bonus tracks da época, como “Ebony Eyes”. Além disso, acho muito bacana o vinil, em box especial, da Elis Regina, Saudade do Brasil, numa edição limitada, bem rara hoje em dia.

Como músico, qual é, pra você, a importância dos colecionadores para as bandas e para a indústria da música?

Somos nós que mantemos as coisas rolando. Hoje em dia ou baixam o som ou compram os discos da moda. Somos nós que fazemos girar o mercado com relação aos lançamentos ou relançamentos dos medalhões, ou até mesmo de artistas completamente desconhecidos do grande público.


O Rei Lagarto já está na estrada há um bom tempo. Como é batalhar, batalhar, saber que a sua banda tem qualidade e poderia ser muito mais reconhecida em todo o país, e ver o espaço destinado ao “rock” no Brasil ser ocupado por atrocidades como o Restart?

Ah … já estou conformado. Pelo menos tem gente que entende e gosta de som que compra os nossos CDs. Para mim isso já é o suficiente. Não adianta brigarmos com o sistema. Ele emburrece as pessoas culturalmente. Isso é triste, mas é real. Faço música porque gosto. Perco muito dinheiro com isso, mas ganho algum como professor. Não posso viver sonhando com uma realidade que não vai chegar.

Falta apoio da mídia especializada às boas bandas de rock do Brasil?

Falta apoio dos grandes veículos, mas temos uma cena underground bem forte, sustentada por fãs, sites e revistas especializadas que dão conta do recado. Talvez com o Rock in Rio na ano que vem tenhamos o rock entrando na moda novamente, e com boas bandas. Esse tipo de coisa desperta - como despertou em mim - uma vontade louca de ter uma banda, de ir a shows e comprar discos. Basta torcer para termos um line-up decente, que mostre para as pessoas músicas de qualidade. Adoraria ver o rock voltar a ser “modinha” como era no final dos anos oitenta até o meio dos noventa. O Brasil está precisando disso. Quando você tem na mídia forte música de qualidade versus lixo, a coisa costuma andar. O duro é quando só tem lixo enfiado garganta abaixo pela mídia. Aí, quem não pesquisa não acha. E não temos muitos “pesquisadores” por aí, infelizmente.


O nome Rei Lagarto surgiu em homenagem a Jim Morrison?

Sim! Quando o nome surgiu eu ainda não fazia parte da banda, mas aprovo e sou fanático por Doors, mesmo que nosso som não tenha nada a ver com a banda do Lizard King!

Quais são, como vocalista, as suas principais influências musicais?

Ao longo dos anos fui agregando muitas influências. Mas vamos aos caras que estão sempre na minha mente enquanto componho e me apresento: Ian Gillan, Ozzy Osbourne, Robert Plant, Paul McCartney, John Lennon, Freddie Mercury, Elton John, Axl Rose, Paul Stanley, Mick Hucknall, Jim Morrison, David Bowie, Michael Jackson, Elvis Presley, Stevie Wonder e Marvin Gaye. Mistureba, hein ...

Quais são, na sua opinião, as melhores – e não necessariamente as principais – bandas de rock do Brasil?

São muitas. Gosto do King Bird, Deventter, Slippery, Hellish War, Baranga, Rei Lagarto (risos). Se fosse pra escolher uma banda que representa o Brasil no mundo escolheria o Sepultura. Foi o mais longe que conseguimos chegar, e os discos até Chaos A.D. são seminais. Gostaria de ver a banda com sua formação original de novo, mas também não quero que o boa praça Derrick Green perca o emprego … bom deixa pra lá (risos)! Temos muitas bandas boas. Procuro sempre ouvir tudo o que chega no meu e-mail ou que eu veja resenhado em alguma revista ou site. Sempre descubro coisas bem legais. Temos músicos e compositores com muito talento por aqui!

O que você está ouvindo atualmente e que recomendaria para os leitores da Collector´s?

Só ouço velharia, então não tenho muitas novidades na manga. A última coisa que ouvi foi o Viva Elvis. Esse CD conta com algumas músicas do rei rearranjadas para soarem atuais. Na maioria dos casos ficou muito bom! Vale uma ouvida. Uma banda de hard rock que pouca gente conhece mas que eu recomendo é o Badlands. Um grupo que tem o monstro Jake E. Lee na guitarra e Ray Gillen - uma das melhores vozes que eu ouvi na vida - não pode passar despercebida. Se você é fã de hard dos bons, ouça Voodoo Highway, é uma aula de som!

O que significa ser um colecionador de discos para você?

Pra mim é muito natural. Nunca gostei de nada que fosse diferente disso. Nunca liguei pra comprar uma roupa cara ou qualquer coisa do tipo. Quando sobra algum, já penso em discos que eu não tenha para comprar. Gosto de sons que vão de Black Sabbath a Elis Regina, então acho que tenho ainda um longo caminho para chegar numa coleção que me agrade totalmente – aliás, acho que nunca vou chegar lá. Que bom, se não tivesse mais o que comprar ficaria louco (risos)!

Fabiano, muito obrigado pela entrevista, e deixe um recado para os leitores da Collector´s Room.

Valeu Ricardo! Gostaria de agradecer a oportunidade de falar para um público seleto e entendido do assunto, como o da Collector’s Room. Não esqueçam de ouvir as boas bandas do Brasil. Tem muita coisa de altíssimo nivel pra escutar. Grande abraço a todos, e continuem colecionando!

Afrociberdelia, clássico de Chico Science e Nação Zumbi, será relançado em vinil!

quarta-feira, novembro 17, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Um dos discos mais originais e interessantes da história do pop e do rock brasileiro será relançado em vinil de 180 gramas! Afrociberdelia, segundo álbum de Chico Science e Nação Zumbi, lançado originalmente em 1996, volta às lojas em LP dentro da coleção Clássicos em Vinil, da Polysom. Um lançamento pra lá de elogiável, uma vez que, além da qualidade do álbum, sempre foi muito difícil encontrar a versão original de Afrociberdelia em LP.

A nova versão teve o áudio remasterizado a partir dos tapes originais, e o projeto gráfico da capa e encarte seguem o layout original. O disco chega ao mercado até o final desse ano.

Na minha opinião, Chico Science foi o último grande artista da música brasileira. Sua obra era genial, unindo o pop e o rock à música pernambucana com precisão cirúrgica. Afrociberdelia foi além do que Chico havia mostrado em seu primeiro álbum, o também clássico Da Lama ao Caos (1994), adicionando generosas doses de psicodelia no caldeirão sonoro que formava a sua música única. Sua morte, em 2 de fevereiro de 1997 em um acidente de carro, encerrou prematuramente uma carreira que tinha tudo para render muitos discos fundamentais, mas que, mesmo chegando ao fim de forma precoce, marcou definitivamente a música pop do nosso país.

A série Clássicos em Vinil também colocou outras bolachas na praça, com destaque para A Tábua de Esmeralda (1974) e África Brasil (1976), dois dos melhores discos de Jorge Ben. Os LPs estão sendo vendidos, em média, a 80 reais nas lojas.

16 de nov de 2010

Orphaned Land - The Never Ending Way of ORwarriOR (2010)

terça-feira, novembro 16, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****1/2

Misturar música com religião é um terreno perigoso. Pensando bem, misturar qualquer coisa com religião é sempre delicado. Imagine então uma banda israelense que fala abertamente em suas letras sobre os conflitos religiosos que desde a criação do moderno estado de Israel, em 14 de maio de 1948, tornaram a região uma das mais instáveis do planeta.

O Orphaned Land é uma banda única. Cantando em inglês, hebraico e árabe, o grupo insere elementos étnicos em sua música com uma riqueza criativa que impressiona. The Never Ending Way of ORwarriOR, quinto álbum do sexteto formado por Kobi Farhi (vocal), Shlomit Levi (vocal), Yossi Sassi (guitarra, piano e cordas), Matti Svatitzki (guitarra), Uri Zelcha (baixo) e Matan Shmuely (bateria), é mais um excelente e singular capítulo nessa história.

Produzido por Steven Wilson, líder e mente criativa por trás do Porcupine Tree, o disco é uma obra de arte inquestionável e inequívoca. Suas quinze faixas são quinze jóias musiciais ricas em detalhes, que pegam elementos dos mais variados gêneros do heavy metal e os unem como peças de Lego na construção de uma sonoridade cativante e repleta de personalidade.

The Never Ending Way of ORwarriOR fala da eterna luta entre a luz e a escuridão - “ORwarriOR” significa "Guerreiro da Luz". O disco é dividido em três partes: “Godfrey´s Cordial: An ORphan´s Life”, “Lips Acquire Stains: The WarriOR Awakens” e “Barakah: Enlightening the Cimmerian”. O trabalho abre com seu primeiro single, a excelente “Sapari”, que traz elementos caraterísticos da música árabe e conta com os ótimos vocais femininos de Shlomit, que se contrapõe de maneira iluminada ao timbre de Kobi.

“From Broken Vessels” conta com vocais guturais e passagens repletas de melodia, além de um longo trecho instrumental que mostra toda a classe do conjunto, mesclando o peso do metal a instrumentos típicos. Os destaques seguem aos montes: “Treading Through Darkness” progride em caminhos inovadores, enquanto “The Pilgrimage to Or Shalem” descarrega avalanches de melodia sobre o ouvinte e conta com um solo de guitarra absolutamente celestial!

“The Warrior” mais uma vez traz a voz iluminada de Shlomit Levi ao lado dos vocais de Kobi Farhi, em um resultado final muito bonito. O aspecto étnico e folclórico da música do Orphaned Land é protagonista de “Disciples of the Sacred Oath II”, enquanto “New Jerusalem” nos transporta para as longas jornadas do povo judeu em busca da terra prometida. Ótimas melodias permeiam a pesadíssima “Barakah” e “Codeword: Uprising”. Já “In Thy Never Ending Way (Epilogue)” é um encerramento belíssimo para um disco sensacional!

Lançado originalmente em 25 de janeiro de 2010, The Never Ending Way of ORwarrioOR chega ao Brasil via Shinigami Records. O disco teve ótima repercussão tanto por parte da crítica especializada quanto pelos fãs, e levou a banda a abrir os shows do Metallica em Israel em 22 de maio último e a tocar na edição 2011 do maior festival de heavy metal do planeta, o Wacken Open Air, conquistas essas mais do que merecidas. Um dos melhores álbuns do ano, e um sucessor digno do também excelente Mabool: The Story of the Three Sons of Seven, de 2004.

Que venham mais obras de arte como essa!


Faixas:

Part I: Godfrey's Cordial – An ORphan's Life
1 Sapari 4:03
2 From Broken Vessels 7:36
3 Bereft in the Abyss 2:44
4 The Path Part 1 – Treading Through Darkness 7:26
5 The Path Part 2 – The Pilgrimage to Or Shalem 7:45
6 Olat Ha'tamid 2:38

Part II: Lips Acquire Stains – The WarriOR Awakens
7 The Warrior 7:11
8 His Leaf Shall Not Wither 2:31
9 Disciples of the Sacred Oath II 8:30
10 New Jerusalem 6:59
11 Vayehi Or 2:40
12 M I ? 3:27

Part III: Barakah – Enlightening the Cimmerian
13 Barakah 4:13
14 Codeword: Uprising 5:24
15 In Thy Never Ending Way (Epilogue) 5:09


Van Halen: revelado nome do produtor do aguardado novo álbum!

terça-feira, novembro 16, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room


O primeiro trabalho de estúdio do Van Halen desde Van Halen 3, de 1998, já tem seu produtor. Segundo o site Melodicrock.com, Ross Hogarth, que já trabalhou com Mötley Crüe, Faster Pussycat, Coal Chamber e Devildriver, é o escolhido. O próprio já tinha dado pistas em declaração no mês de julho: "O trabalho que recém comecei DETONA! Será incrível e é tudo que posso dizer!".

O segredo foi guardado até agora, mas a expectativa aumenta a cada nova informação. O novo álbum do grupo será o primeiro com David Lee Roth desde o clássico 1984, além de ser a estreia em gravações de Wolfgang Van Halen, filho de Eddie, no posto de baixista.

14 de nov de 2010

Bandas de Um Disco Só: Fanny Adams - Fanny Adams (1971)

domingo, novembro 14, 2010

Por Ronaldo Rodrigues
Colecionador
Apresentador do programa Estação Rádio Espacial

A banda

Retomando as escavações por informações do período jurássico do rock, aqui nessa seção hoje a pauta é a fantástica Fanny Adams. Numa conexão direta Austrália/Inglaterra, a banda começou com o australiano Vince Maloney, guitarrista, que estava na Inglaterra e arredores entre 1966 e 1969 tocando com os Bee Gees, à época um grupo também australiano que trafegava pelos caminhos mais domesticáveis do rock psicodélico – a vertente chamada de sunshine pop.

Vince já tinha estrada em sua terra natal antes disso, tendo participado da primeira formação de uma banda famosa por lá durante os anos 60-70 – The Aztecs. O guitarrista sentia sérias divergências musicais com o grupo e resolveu montar uma nova banda, ainda na Inglaterra mesmo. Na época, Vince estava começando a trabalhar em um disco solo. Passou algum pouco tempo tocando com o trio Ashton, Gardner & Dyke, onde foi chamado para assumir as guitarras do grupo, posto que pertencia a ninguém menos que Steve Howe, do Yes, em uma curta passagem que teve pela banda. O guitarrista conseguiu um contrato como artista solo com a MCA e largou o trio. Para essa empreitada, ele preferiu montar um grupo nos moldes de peso de Led Zeppelin e Cream a se lançar como artista solo. E aí surgia o Fanny Adams.


O primeiro convidado por Vince foi o baixista Teddy Toi, um amigo da época do colégio, que já estava na Inglaterra tentando a vida como músico de estúdio. Teddy estava na ativa desde o final dos anos 50 com Sonny Day & the Sundowners e integrou também o The Aztecs em sua segunda formação.

Em junho de 70, Vince convida Johnny Dick, baterista, e Doug Parkinson, vocalista, que estavam na Austrália, para se juntarem a ele. Esses dois caras participaram de bandas razoavelmente bem sucedidas durante os anos 60 na Austrália, especialmente Doug, que já na época era tido como um dos grandes vocalistas juvenis do país. Entre diversos que grupos que passaram, Johnny Dick e Doug Parkinson tocaram juntos no projeto Doug Parkinson in Focus, e com esse nome chegaram até a emplacar um hit no top 20 de lá no ano de 1968 e ganharam o primeiro prêmio numa espécie de “batalha de bandas” no fim de 1969 (pela internet é possível encontrar performances de Doug com sua banda In Focus). Coincidentemente, o prêmio era uma viagem para a Inglaterra, e por lá toparam a parada proposta por Vince Maloney, que parecia bem interessante, afinal a MCA já era uma grande gravadora na época.


Juntos, eles compuseram muito rapidamente o material para o disco. O material tinha bastante potencial e a própria banda enxergava isso de uma maneira bem grandiosa, com seus membros dando declarações de que o grupo estouraria em pouco tempo e que seria um dos maiores do mundo, etc e tal. Um certo “conceito prévio” se criou no público que os assistia, que não via toda essa prepotência convertida em som. Isso acabou jogando contra a banda.

Além disso, a gravadora segurou o álbum e só o lançou em junho de 71, meses depois de ter sido gravado. No fim de 70, eles voltaram para a Austrália e lá tiveram de suportar a pressão por conta de suas próprias declarações. Todos eles já tinham experimentado, de um modo ou de outro, momentos bem sucedidos em suas carreiras, e a tensão na convivência entre eles era considerável, pois as expectativas com a aceitação da própria banda eram grandes.

O Fanny Adams teve alguns momentos de glória em sua curta carreira, em especial a apresentação no Myponga Festival, em janeiro de 1971, que teve como atração principal o Black Sabbath, além de outras bandaças australianas do período. No comecinho daquele ano, a MCA soltou um compacto com as músicas “Got a Get Message to You” e “They´re All Losers, Honey”, com pouca expressão na Inglaterra.

Alguns poucos meses depois de terem voltado para a Austrália o grupo acabou, e quando o disco saiu o Fanny Adams nem existia mais para promovê-lo. A gota d’água talvez tenha sido a desastrosa apresentação na discoteca Sidney’s Caesar’s Palace, onde um incêndio destruiu todo o equipamento da banda.

Já pouco tempo depois do fracasso do Fanny Adams, Doug Parkinson refez o seu grupo In Focus. Todos continuaram suas carreiras musicais na Austrália, com bandas de relativa expressão por lá, e Vince Maloney até tocou com os Bee Gees (depois de trinta anos afastado da banda) em um concerto na Austrália.

O disco

O único disco do Fanny Adams, que celebra o nascimento e a morte prematura da banda, é tão incisivo quanto batidas nas portas dos ouvidos. O som como um todo é rude, urgente, mal encarado; é como uma peça rústica – há quem queira ainda tratá-la, aparar as arestas e envernizá-la, mas há quem veja o charme justamente na naturalidade de seu estado inacabado e ainda não domesticado.

É um som que inspira força, vontade, veias e artérias em alta pressão. “Ain’t no Loving Left” é um blues-despacho que exorciza todos os impulsos sexuais logo no início do trabalho. Os riffs ao longo do disco são maquinados com uma energia blueseira, por sobre uma conjuntura rítmica nova e frenética, que distingue o aqui nascente hard rock do vigente blues rock britânico, sugando alguns quilowatts a mais, para amplificar a uma dimensão maior as explosões mentais da moçada.

A bateria demonstra o som esgotado de suas peles atacadas pelo limite da força, sem esquecer a inteligência rítmica para dosar socos e chutes. A guitarra entra rasgante em perfeita complementação às frequências do baixo, no limiar da saturação. A exceção da distinta e fantástica vocalização de Doug Parkinson, o paredão sonoro do Fanny Adams é monolítico e está alicerçado na sonoridade agressiva e valvulada do começo dos anos 70. A voz emana de todos os centímetros quadrados e, sua respiração cadenciada pulsa de vibrações todo o ar ao redor. Mesmo os momentos mais melódicos do disco são executados com uma força devastadora, que não descansa os tímpanos.

O disco foi lançado na época pela MCA e relançado em formato de CD pela Lizard Records, em 1998. O LP da época é raríssimo de ser encontrado.


Faixas:
A1 Ain't No Loving Left 6:40
A2 Sitting on Top of the Room 9:48
A3 Yesterday Was Today 4:25

B1 Got to Get a Message to You 4:35
B2 You Don't Bother Me 4:43
B3 Mid Morning Madness 5:26
B4 They're All Losers, Honey 4:24

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE